Arquivo do dia: 08/08/2013

De Borboletas, Sonhos, Amores e Abandonos…

Sexta e sábado, juazeiro poderá ver Peça A Mecânica das Borboletas, com um time de ótimos atores !

É por demais interessante o espetáculo A Mecânica das Borboletas, que será apresentado amanhã e sábado no Teatro do SESC de Juazeiro do Norte, no cariri cearense. 

Com dramaturgia de Walter Daguerre e direção de Paulo Moraes, os atores Eriberto Leão, Otto Jr., Betina Vianny e Ana Kutner conduzem a história no palco. O tema é bem conhecido, forte, instigante: a história de uma família marcada pelo abandono e de pessoas que estacionaram seus sonhos por fraqueza, medo, falta de determinação e/ou acomodação.

Numa pequena cidade do sul do Brasil, que poderia ser também qualquer cidade
de qualquer país, os irmãos Rômulo (Eriberto) e Remo (Otto), separam-se aos 15
anos, quando um deles desaparece de casa – levando todas as economias da
família – para “fazer o mundo”. Ao voltar, 20 anos depois, Rômulo encontra um
cenário extremamente modificado: é outra a atmosfera sentimental, são outras as condições familiares. Para criar a ambiência cênica do espetáculo, Paulo Moraes e Carla Berri assinam um cenário poeticamente funcional, enriquecido pela bela iluminação do craque Maneco Quinderé, enquanto Rita Murtinho responde pelo figurino e Rico Vianna pela caprichada trilha.

Os irmãos, de personalidades distintas, tiveram caminhos diversos porque
diversos foram os caminhos trilhados. Depois de duas décadas distantes, o
inesperado retorno de Rômulo reaviva antigas rivalidades, e faz ascender mágoas e conflitos ao explicitar o contraste das experiências vividas, evidenciador de perdas e ganhos. Perderam e ganharam todos. o quanto cabe a cada um nessa equação, depende do olhar e da sensibilidade de cada um.

Como diz o aclamado crítico Lionel Fischer em sua análise do espetáculo: “Um belo texto de Walter Daguerre está inserido no programa distribuído ao público e nele o autor explicita as razões que o levaram a escrever A mecânica das borboletas. Em resumo, expõe uma contradição: se por um lado deseja uma vida pacífica, isenta de tecnologias e dos turbilhões inerentes aos grandes centros urbanos, por outro lado também almeja uma existência eletrizante e sempre renovada, o que implicaria em sair pelo mundo e conhecer o maior número possível de países”.

Liza, a filha (vivida por Ana Kutner, filha da Musa Dina Sfat), e Rosália, a mãe
(papel de Betina Vianny), são as outras personagens. Juntos, esses 4 dão conta de vivenciar no palco um texto de inegáveis qualidades, focando temas de amplidão universal e atemporal.

Betina

Cabe a Betina Vianny (filha do saudoso jornalista, crítico e cineasta Alex Vianny) a primeira entrada no palco. E os primeiros cinco minutos de um espetáculo são fundamentais para o desenrolar satisfatório ou não de sua dramaturgia. E aqui A Mecânica das Borboletas acerta duas vezes: a entrada de Betina tem força e beleza, calcada num dos momentos mais belos e delicados do espetáculo, ocasião em que Daguerre inspira-se claramente em Shakespeare e reafirma a importância de se “cuidar do jardim para que as borboletas possam aparecer”. E os autores – escritor e diretor – parecem ter encontrado a atriz certa para dizer as melhores palavras: Betina aparece lindamente serena, terna e eloquente no palco, e conquista o espectador de imediato. É ela quem abre o caminho à adesão da platéia ao espetáculo, e a atriz o faz com riqueza de detalhes. Nota DEZ !

Na sequência, temos a sólida construção do personagem Otto pelo ator Otto Júnior – grata surpresa ! -, a presença bonita e enigmática de Ana Kutner, e a explosão de sentimentos que nos traz o ótimo Eriberto Leão, ator em merecida ascensão graças à notória dedicação ao ofício, ao carisma e ao talento sensível e poderoso que faz dele um dos ótimos exemplos de sua geração.

E assim, diante de um espetáculo recheado de qualidades, com direção
competente e em completa sintonia com o vigor da dramaturgia encenada, além do naipe de atores da melhor qualidade, só temos a indicar a você, leitor, a ida ao
Teatro para ver A Mecânica das Borboletas. Agora o espetáculo chega a Juazeiro, mas daqui a pouco poderá estar chegando à sua cidade, e terá o mesmo padrão. Portanto, recomendamos: vá ao Teatro !

  

Ao dramaturgo Walter Daguerre, nossa estima e votos de que continue se
dedicando à Dramaturgia, arte por demais difícil e fascinante, na qual se insere
com saudável conhecimento de causa.

A ele, e a toda equipe de A Mecânica das Borboletas, o blog Aurora de Cinema envia um super abraço com os melhores brados de Parabéns ! E que os Aplausos possam ecoar e reverberar sempre em vossas carreiras.

Em Juazeiro, o espetáculo será apresentado em duas noites: sexta e sábado,
sempre às 20 horas, no Teatro Sesc Patativa do Assaré, localizado na Rua da Matriz, no centro da cidade.

A peça tem apoio logístico da Secretaria de Cultura da Prefeitura de Juazeiro do
Norte. A entrada custa R$ 50,00 e meia R$ 25,00. Censura 12 anos.

Marco Pigossi, Eriberto Leão e Malvino Salvador após estreia de peça no Rio (Foto: Henrique Olivveira/ Photo Rio News)

Eriberto Leão recebe cumprimentos dos amigos Marco Pigossi e Malvino Salvador na estreia carioca de ‘A Mecânica das Borboletas’…

Gramado a um dia: Música e prêmio Dom Quixote

41ºedição do mais concorrido Festival de Cinema do país começa sexta e lança nova trilha oficial composta por Carlos Badia

Criada pelo violonista, compositor, arranjador e produtor Carlos Badia a nova trilha do Festival de Cinema de Gramado tem como inspiração o diálogo cada vez maior do Festival com a América Latina: “Busquei essa aproximação, criando uma música que fizesse essa ponte e ainda tivesse certa modernidade”, afirma Badia. A referência do artista foi o projeto Pampa Beat, de sua autoria, que mistura os ritmos gauchos (sem acento no “u”) com um toque de eletrônica. 

Segundo Badia, a trilha tema do Festival de Cinema é um “Chamamé”, ritmo muito conhecido na parte sul da América Latina. Ele compôs uma música que, ao simbolizar um festival cada vez mais sul-americano, tem, além do ritmo característico, diversas matizes internas em sua estrutura, várias partes diferenciadas numa mesma composição, podendo ser utilizada de várias maneiras: “Ao mesmo tempo, havia o desafio de que ela servisse adequadamente para a apresentação dos indicados e anúncios das premiações durante o Festival”, conta Badia.

A gravação da trilha, nos estúdios da Fly Áudio Produtora, contou com os músicos que fazem parte do quarteto de Badia nesta nova fase da carreira – depois de sua saída do Delicatessen, grupo que produziu junto com Beto Callage desde 2006. Além de Carlos Badia (vozes, violões, guitarras, eletrônicos, piano e percussões), Everson Vargas (baixo), Matheus Kleber (acordeom) e Marquinhos Fê (bateria). Engenheiro de Som, Mixagem e Masterização: Rafael Rhoden.

Privilégio

Para Carlos Badia, fazer uma trilha que substituísse a de Geraldo Flach, que durante muitos anos marcou a realização do Festival, foi uma honra e um privilégio: “Geraldo Flach foi um músico extraordinário, um instrumentista e compositor maravilhoso, e um importante criador de trilhas para cinema. Estou muito contente com isso e com o resultado”. Badia trabalhou durante muitos anos fazendo trilhas e jingles para publicidade, e também trilhas para animação e cinema, como Flach. Observa ainda que a trilha surge em momento de guinada no seu trabalho com a música. Desde 2012, Badia intensificou sua produção e este ano já está pré-produzindo o primeiro disco.

Prêmio Dom Quixote será entregue no 41º Festival de Cinema de Gramado

Neste ano, que marca o centenário do cineclubismo mundial, o Prêmio Dom Quixote será entregue pela primeira vez no Festival de Cinema de Gramado, na 41ª edição do evento. O prêmio para melhores filmes apresentados em festivais internacionais é outorgado pela Federação Internacional de Cineclubes (FICC), que indica um corpo de jurados formado por ativistas da área cinematográfica (cineclubistas, cineastas, diretores de festivais e cinematecas). A distinção consiste numa placa e um diploma para o vencedor, além da promoção do filme escolhido em todo o mundo, especialmente entre cineclubes.

Kikito

* O blog Aurora de Cinema estará na cobertura oficial do Festival de Cinema de Gramado com apoio do SKY Hotel.  Acesse http://www.hotelsky.com.br e hospede-se no melhor da serra gaúcha !

Sky