Arquivo do mês: fevereiro 2014

A Notável Excelência de JÓIA RARA

Pelo caminhar dos acontecimentos, a novela Jóia Rara deve estar próxima do fim. E isso por si só já é motivo de saudade e tristeza. A novela de Duca Rachid e Thelma Guedes – além da diretora Amora Mautner e seus colaboradores, e os colaboradores das autoras, como Newton Cannito -, é a melhor das que sendo exibidas pela TV Globo desde o ano passado. Já dissemos isso aqui algumas vezes mas não é favor repetir.

O título da novela é uma bela tradução pro que representa este notável exemplar da Teledramaturgia Brasileira: uma JÓIA RARA em todos os aspectos ! Da temática à primorosa direção; da narrativa desenvolvida com preciosismo ao elenco prodigioso; do rigoroso trabalho de reconstituição de época à belíssima trilha sonora; dos figurinos à fotografia; da constância e eloquência dos ‘ganchos’ cena-a-cena, e capítulo a capítulo; o todo do conjunto teledramatúrgico que compõe a telenovela JÓIA RARA é um março na Televisão Brasileira, digno de calorosos aplausos e um PARABÉNS muito efusivo deste #blogAurora de Cinema !

Abro um espaço agora pra falar especialmente sobre o capítulo do casamento de Iolanda e Mundo, o belo casal vivido por Carolina Dieckmann (em sua mais expressiva atuação até agora) e Domingos Montagner. Foi especialmente belo e bem realizado, alguma coisa semelhante a um grand finale de tão emocionante !

No capítulo CASAMENTO, a inclusão de uma oportuna e benfazeja ‘digressão’ – parêntese criado por autores e direção – para dar um ‘refresco’ na absorção da trama, correspondendo a uma panorâmica geral na história para que esta possa avançar alguma coisa no tempo sem atrapalhar o entendimento por parte do telespectador. E um hiato para que possamos acompanhar o cotidiano dos personagens pela cidade, em diversas ações, sem fala, apenas acompanhadas por uma trilha incidental. NOTA DEZ !

Carolina Dieckmann e José de Abreu: grandes interpretações em JÓIA RARA !

Aí passam-se alguns dias e chega o momento do casório Iolanda e Mundo, e os corre-corre comuns a uma eventualidade dessas.

Aqui, vale ressaltar, três DESTAQUES Especiais:

* A beleza que são as festas no Cortiço – o lugar do Rio onde mora a grande maioria dos personagens;

* A impressionante transformação do personagem Ernest Hauser, vivido com maestria por José de Abreu;

* A crescente eclosão da loucura do personagem Manfred, que tem em Carmo Dalla Vecchia um intérprete notável, com uma criação impecável !

Porque o CORTIÇO em dia de celebração é aquele lugar do encantamento, da magia, da festa permanente do olhar ! Aquele lugar que corresponde ao ‘jardim’ da casa, onde tudo são flores, cores e alegria ! Cabe ao telespectador MARAVILHAR-SE diante daquele clima de enlevo absoluto, no qual tudo faz crer que a tristeza não existe, a maldade morre de inanição, a injustiça não encontra forças pra prosperar, e a PAZ faz morada permanente !

JOSÉ DE ABREU é destes atores sem posto de protagonista, não por méritos, mas sim porque precisaria ser muito mais extenso o plantel dos que assumem os papéis principais, tal é a expressiva capacidade de nossos atores. José de Abreu é um ator que trabalha no cerne do ‘ethos’ do personagem e constrói tipos os mais diversos com avassaladora competência. Tem sido assim em tantos anos de carreira, o que ficou ainda mais patente na memória dos quanto assistem às telenovelas brasileiras a partir de seu espetacular ‘Nilo’ (o malvado que vivia no Lixão na inesquecível Avenida Brasil). Lá como cá, o ator criou dois tipos absolutamente díspares (lá um miserável, aqui um rico empresário) e os fez com a mesma extremada e singular magnitude. A trama de Duca-Thelma-Amora ainda deu ao ator a chance de exacerbar seu talento: Ernest Hauser ficou pobre e vem passando por agruras terríveis; a dor e o sofrimento foram lhe tornando outro homem, e o ator vem compondo com a mesma notável qualidade um personagem que passou de uma classe social a outra sem perder o tônus de sua composição, e JOSÉ DE ABREU respondeu com maestria a esse meritório desafio da ficção. Pontos para os criadores, e um DEZZZZZZZ muito efusivo para JOSÉ DE ABREU !

CARMO DALLA VECCHIA é um ator que nos impressionou desde que o vimos em A Favorita, novela de João Emanuel Carneiro, de 2008, em que ele dazia o protagonista masculino, o jornalista Zé Bob. Ali já registrávamos a atuação de Carmo como a de um grande Ator. De lá pra cá, o ator só melhora, e seu personagem atual, o vilão Manfred, é um exemplo inconteste do que afirmamos. Carmo Dalla Vecchia sempre esteve ótimo em JÓIA RARA, mas os criadores da narrativa vem-se esmerando na ‘trasmutação’ do caráter dos personagens. Assim como o Ernest de José de Abreu passou de vilão todo poderoso a maltrapilho, abandonado e sofredor, o enciumado, recalcado e trapaceador Manfred virou um perigoso malfeitor, nefasto para a sociedade, indesejável entre seus pares. Em termos de Dramaturgia, isso é criado com extrema sutileza e notória maestria: não há nada inverossímil, fora do tom, ou inaceitável para a diegese da história. Ao contrário, tudo tem um porquê e encaixa-se à perfeição nos trâmites ficcionais de Jóia Rara. E CARMO DALLA VECCHIA vem brindando a audiência, diariamente, com um trabalho irretocável ! É como se, a cada cena, o ator estivesse a nos mostrar, mais e mais, o quanto merece receber um Troféu de ATOR DO ANO, com sua composição milimetricamente forjada, formando um painel de muitas camadas nas quais se insere o ardiloso e problemático Manfred. Uma nota DEZZZZZZZZZ com o maior carinho e o melhor dos Aplausos para CARMO DALLA VECCHIA !

José de Abreu e Carmo Dalla Vecchia: duelo de gigantes em JÓIA RARA !

Ana Lúcia Torre e Carmo Dalla Vecchia: mãe e filho em momentos difíceis…

Apesar disso, não podemos afirmar aqui ser somente Carmo o merecedor de um Troféu. O necessário era termos muitos e muitos troféus para referendar o trabalho prodigioso desses Artistas Magistrais que fazem a Teledramaturgia Brasileira, que são muitos, pra nossa satisfação e orgulho. No caso de JÓIA RARA, ressalta com méritos o trabalho espetacular de vários outros atores, como Bruno Gagliasso, Caio Blat, Marcos Caruso, Ângelo Antônio, Miguel Rômulo, Thiago Lacerda, Rafael Cardoso, Vicentini Gomez, Reginaldo Faria, Leopoldo Pacheco, além das atrizes Bianca Bin, Natália Dhil, Nicette Bruno, Rosi Campos, Letícia Spiller, Mariana Ximenes, Cláudia Missura, Cacau Protásio, Cristiane Amorim, Ana Lúcia Torre, Ana Cecília, Cláudia Ohana, Carolina Dieckmann, Luíza Valdetaro, Dja Martins, e a pequena Diva, Mel Maia.

Luís Gustavo, ator dos mais queridos, encanta em sua volta como o vovô Popó

Registre-se também a reaparição do ator Luís Gustavo, que passou muitos capítulos afastado da trama de Jóia Rara por conta de problemas na saúde. O Seu Apolônio (Vovô Popó) voltou e foi um momento emocionante ver o grande ator de volta, e um personagem tão querido retornando em momento triunfal como o casamento do sobrinho Mundo com Iolanda, após tantos percalços e obstáculos vencidos.

Enfim, Duca Rachid, Thelma Guedes e Amora Mautner criaram um produto televisivo de alto nível, e a trama das 18h consolida-se como uma novela realizada com o maior capricho, numa narrativa tecida em filigranas de diversos matizes artísticos a compor, com invejável nível de excelência, esta que já é um marco da Telenovela Brasileira, a bela e emocionante JÓIA RARA  !

ALGUMAS CENAS DA NOVELA:

Ernest Hauser e a  amada neta Pérola, vivida com o talento e vocação extraordinária da linda Mel Maia…

Ana Lúcia Torre e José de Abreu em cena entre Gertrud e Ernest Hauser…

Letícia Spiller esbanja sensualidade, beleza e talento como a vedete Lola Gardel…

Cristiane Amorim é uma atração à parte com sua espetacular ‘Josephine’…

Foto: Até a próxima.... bjs

Dja Martins e José Araújo: eles fizeram o casal que acolheu Sílvia depois do acidente numa participação especial que marcou pela excelência da atuação

Aurora Lincoln é a vedete-estrela vivida por Mariana Ximenes…

Luíza Valdetaro, Thiago Lacerda e Ana Cecília vivem um triângulo…

Mariana Ximenes e Cacau Protásio em momento no Cabaret Pacheco Leão…

Ernest Hauser quando ‘todo poderoso’ teve um casamento à revelia de Iolanda…

Manfred e Amelinha em momento ainda inicial, quando ele ainda não tinha revelado sua porção doentia…

Seu Arlindo e Miquelina: Marcos Caruso e Rosi Campos são os donos do Cabaret…

Sílvia (Nathália Dill) sofre nas mãos de Manfred, e o marido Victor (Rafael Cardoso) tenta salvá-la…

Amor à Vida e a paixão por novelas…

Com genial criação de MATEUS SOLANO e interpretações magistrais como as de Antônio Fagundes, Elizabeth Savalla, Tatá Werneck e Anderson Di Rizzi, novela de Walcyr Carrasco e Maurinho Mendonça ganha análise da jornalista Aurora Miranda Leão

Amor à Vida, novela escrita por Walcyr Carrasco e estreada em maio de 2013, entrou no ar prometendo muitas emoções em tempo recorde e colocando questões pulsantes na roda de debates. Uma dessas emoções que, de cara, mexeu com a audiência, foi o fato de contar com um antagonista fazendo um vilão homossexual.

Ator de bela estampa e de interpretações marcantes (como o Ronaldo Bôscoli da minissérie Maysa, os gêmeos de Páginas da Vida, e o Mundinho Falcão de Gabriela), MATEUS SOLANO foi o escolhido para viver o controvertido Félix.
E desde a primeira aparição, conquistou !

Félix Wahol

Interpretação de MATEUS SOLANO foi arrebatadora !

Ao longo da novela, seu personagem – maquiavélico e sem escrúpulo algum –
armou mil e uma, prejudicou a vida de diversos personagens, trapaceou, mentiu, humilhou, fez misérias, mas, a cada cena, o ator dava novos contornos ao personagem e fazia de Félix um personagem adorável, sobrepondo sua invejável capacidade de mergulho na psicologia do personagem a qualquer juízo de valor se pudesse fazer dele. E assim, com uma interpretação Soberana (para usar um dos adjetivos tão queridos do Félix), MATEUS SOLANO criou um personagem de profunda empatia e conquistou fãs em todas as gerações, em todas as partes do país. A criação IRRETOCÁVEL de Mateus fez com que o personagem saísse da telinha, extrapolando os limites da novela, e passando a imperar nas redes sociais com suas tiradas irônicas e bom humor galopante. Os posts do Félix chegaram a virar memes nas redes com avassaladora repercussão na web. Ponto para Solano, Walcyr e os que contribuíram com essa criação magistral do FÉLIX. Em nós, com o fim da novela, fica um profundo sentimento de saudade e tristeza pelo ‘afastamento’ de um personagem tão querido, que encheu (por 10 meses) nossas noites de humor, graça, leveza, carisma e muita vontade de aplaudir !

Como é natural em qualquer obra aberta e de longa duração, como foi Amor à Vida, com mais de 200 capítulos, no ar desde maio de 2013, Amor à Vida teve desgastes, cenas que pareciam ‘sobrando’, deslizes naturais numa produção de tamanho porte, cenas cansativas, personagens que foram perdendo consistência, motes emocionais repetidos a exaustão, situações inverossímeis.

Mas mais do que tudo isso, Amor à Vida teve um prodigioso trabalho de autoria (um autor de telenovela escreve cerca de 8 mil páginas quando produz uma novela), atuações brilhantes e direção de extrema competência. Ressalte-se que, ao falarmos da competência de uma direção audiovisual, estendemos essa compreensão ao acerto do todo da obra: fotografia, direção de arte, cenários, figurinos, trilha, edição, enquadramentos, ganchos, e liberdade para deixar o ator criar ! Isso foi visto com muita frequência em Amor à Vida e soma muitos pontos favoráveis ao êxito da trama.

Ao longo de todos esses meses, fiz alguns comentários sobre a novela aqui no Aurora de Cinema, e você que nos acompanha, bem deve estar lembrado desses posts. Um deles – no qual ressaltei a primorosa atuação de ELIZABETH SAVALLA – que deu show com a sua ‘Tetê Parachoque Paralama’ – foi inclusive alvo de agradecimento por parte da atriz, o que nos trouxe muita satisfação.
As interpretações de Mateus Solano, Antônio Fagundes, Susana Vieira, Anderson de Rizzi, Tatá Werneck, Luís Mello, Thiago Fragoso, Marcelo Anthony, Bárbara Paz, Bruna Linzmeyer, e tantas outras, também receberam olhar afetuoso e muitos elogios nossos. Quem os quiser conhecer, ou reler, basta acessar o processo de pesquisa do blog ou o Google, e encontrará esses comentários.

No capítulo final de Amor à Vida, levado ao ar ontem, o que a novela conseguiu mobilizar de televisores sintonizados e emoções afloradas é impressionante !

Não vou dizer, como tantos, que foi o mais bonito final de novelas nem que o país nunca parou assim para assistir a um final. Não poderia me desmemoriar para embarcar em tal onda. Afinal, acompanho telenovelas há tempos, sou assumida fã do gênero, e tenho muito orgulho deste produto de extrema qualidade que o Brasil faz com maestria reverenciada no mundo inteiro.
Não dá pra fazer de conta que não lembramos das mobilizações em torno de finais históricos como o de O Astro com o seu famoso ‘Quem matou Salomão Hayalla ?”, o da emblemática Vale Tudo do craque Gilberto Braga, ou os finais das impactantes criações de João Emanuel Carneiro – A Favorita e Avenida Brasil. Estes são apenas alguns, a título de breve ilustração.
O público brasileiro é um público ‘noveleiro’ por excelência. Desde o século XIX, acompanhamos novelas, primeiro como folhetins (conforme a instigante criação do jornalista francês Èmile de Girardin, ainda antes de 1840), até chegar às radionovelas, em 1941, e seu estrondoso êxito junto à população, tendo O Direito de Nascer (final dos anos de 1940) como marco histórico de uma trama que ficou 2 anos no rádio, ganhou remake anos depois no próprio veículo, e em 1965 chegou à telinha. O romance do século XIX, nascido no Velho Mundo, rompeu as fronteiras, chegou à América Latina e ganhou no Brasil novos contornos, muita força, e uma qualidade que hoje é aplaudida no mundo inteiro.
Tudo começou em 1963 quando o diretor artístico da Tv Excelsior, Edson Leite, importou de nossa vizinha Argentina a primeira novela-folhetim, de Tito de Miglio, adaptando-a para exibição diária. Chamada de 2-5499 Ocupado, a novela foi protagonizada pelo casal Glória Menezes e Tarcísio Meira e é considerada a primeira telenovela brasileira. Gostamos desse gênero e fazemos novela com soberba maestria. Disso podemos e devemos nos orgulhar.
Nesse contexto, insere-se o final de Amor à Vida, que terá reprise esta noite, e que é o grande assunto das redes sociais, de sites e blogs desde ontem à noite, quando foi exibido o capítulo final da novela que deixou mais de 3 milhões de televisores ligados na Grande São Paulo.
Terei muito orgulho em poder dizer, daqui uma década e muito mais, que fui contemporânea dessa novela, e acompanhei a excelência de seus atores, vibrando com as tiradas sensacionais do Félix de Mateus Solano, e a interpretação indubitavelmente primorosa de Antônio Fagundes, Elizabeth Savalla, e tantos tantos mais.


No próximo post, a análise exclusiva do capítulo final de Amor à Vida.

CENAS DE AMOR À VIDA

Félix e Paloma: irmãos no início da trama…

Ninho e Paloma, vividos por Cazarré e Paolla Oliveira

Casamento no início da novela…

Nicole e Thales: casal com história mal sucedida…

César Khoury e Félix, o filho homossexual que ele não aceitava…

Félix tentando mais uma de suas artimanhas com apoio de Ninho…

A ‘periguete’ Valdirene tentando atrair Luciano Huck

Cena na mansão dos Khoury…

Félix consolado por Pilar, a Mammy Poderosa

Amarylis e Eron: a ‘Fura Olho’ e a ‘Lacraia do Olho Azul’

Luís Mello, Marcelo Flores e Elizabeth Savalla…

As duas golpistas, Tamara e Edith (vividas por Rosamaria Murtinho e Bárbara Paz), tentando enganar o médico Herbert, vivido por José Wilker…

Caio Castro e Maria Casedavall: paixão na pele de Michel e Patrícia…

Solano e Savalla fizeram uma dobradinha de sucesso !

A belíssima cena de confraternização natalina de Amor à Vida…

Os aspirantes a BBB: momentos hilários da trama…

Bernarda e Luthero: novela deu belo exemplo de Amor na Terceira Idade…

A vilã Aline tentando escapar da punição…

Paloma e Félix: enfim, o Amor falou mais alto…

casamento

cadeia

Edite e amor

Félix e o paiA cena final que comoveu o país: César diz ao filho que o ama…