Jóia Rara e uma fosforescência especial

Mel Maia protagoniza Jóia Rara com brilhantismo, talento e muito carisma

Temas pulsantes e que devem estar sempre em foco para que sejam removidos do cotidiano ganham espaço e condução acertada na novela de Duca Rachid e Thelma Guedes, que está em seus capítulos finais…

A novela JÓIA RARA – pérola da Teledramaturgia, que está em seus capítulos finais -, deu mais uma demonstração da mentalidade avançada, construtiva e libertária que rege as autoras e sua diretora-mór. Sim, Duca Rachid, Thelma Guedes e Amora Mautner assinam uma obra-prima (num horário ingrato pra se acompanhar, 18h) recheada de citações oportunas, benfazejas e coerentes com a postura humanitária que caracteriza o trabalho dessas três mulheres que tão bem nos representam, e nos orgulham.

Segundo a wikipédia, fosforescência é um caso particular de um fenômeno geral denominado luminescência, sendo um tipo de fotoluminescência relacionado à capacidade que uma espécie química tem de emitir LUZ, mesmo no escuro, devido à sua estrutura eletrônica especial que favorece a absorção de radiação por seus elétrons, os quais passam a irradiar luz vísivel ou radiação de maiores comprimentos de onda.

Assim, o #BlogAuroradeCinema reputa à novela JÓIA RARA o mérito de possuir uma fosforescência teledramatúrgica indubitável, irretocável e iluminadora para o vasto leque de telenovelas brasileiras (notadamente as que são produzidas pela Rede Globo de Televisão), sendo ademais ainda mais digna de APLAUSOS por ser exibida numa faixa de horário (18h) não considerada ‘nobre’ (tendo aqui “nobre” o sentido da telenovela que é exibida quando a maioria  telespectadora já não está mais em horário de trabalho, o que corresponde, atualmente, à faixa das 21h).

As grandes questões que mobilizam o comportamento nacional – a força do amor, a importância do perdão, e a rejeição a toda forma de preconceito – vem embutidas em todas as temáticas que Jóia Rara aborda. Lá estão o trabalho escravo infantil; operários se organizando politicamente para conquistar avanços sociais; o patrão desumano e corruptor; a funcionária submissa; o homem que quer subir na escala social a qualquer preço; os casamentos ‘arranjados’ pelas famílias, sem nem mesmo os noivos se conhecerem; o jovem cheio de preconceitos, ‘malandrinho’ bem nascido e que só pensa em se dar bem; o racismo e sua negação; os danos do machismo; o marido que mantém caso extraconjugal, ignora a esposa como mulher mas a quer como ‘vitrine’ para a vida social aceita pelos cânones vigentes na época; o vislumbre de novos paradigmas sociais para a mulher – mulheres trabalhando fora de casa; a ideia de creches voluntárias; mulheres que não querem casar; mulheres enveredando pela carreira artística; a audiência das novelas radiofônicas, entre tantas outras. E lá também estão temas comuns aos folhetins – o amor capaz de vencer barreiras, um caso de amor não correspondido, um inocente perseguido por um crime que não cometeu, a competição desleal, a maldade, a inveja, o ímpeto da vingança.

Tudo está lá, pensado e escrito pelas autoras Duca Rachid e Thelma Guedes, numa trama aparentemente despretensiosa e sem grandes possibilidades de provocar discussões e/ou reflexões… acredita-se, em geral, que o horário das 18h é para temas ‘bobinhos’, dedicados às crianças e às ‘mulheres q são (‘apenas’) donas de casa’… pois é numa novela das 18h, que tem como principais cabeças pensantes três mulheres, que questões sobremodo relevantes são colocadas de forma plasticamente bela e meritória, e com uma empatia poderosa, alicerçada num conjunto de acertos magníficos que faz de JÓIA RARA um marco da nossa Teledramaturgia.

Amelinha (Bianca Bin) é vítima de tramóia e vai presa injustamente…

Presença de Dja Marthins e José Araújo: atores participam da novela em momento crucial da personagem Sílvia, vivida por Nathália Dill…

Zefinha (Cristiane Amorim) e Pérola (Mel Maia): cilada para complicar a vida de Amelinha (Bianca Bin)…

As vedetes Aurora (Mariana Ximenes) e Lola (Letícia Spiller) disputam primazia na noite do Cabaret Pacheco Leão…

Reconstituição de época, Direção de Arte, Fotografia,  Cenografia, Figurinos, Maquiagem, Trilha sonora e Elenco são Nota DEZZZ e isso faz com que a novela vá deixar uma lacuna difícil de preencher no horário. Como se não bastasse tudo isso, JÓIA RARA ainda incluiu um caso de amor homoafetivo, que veio se somar ao festival de acertos que é a novela feminista de Duca, Thelma e Amora ( além de toda a colossal equipe que colabora com elas, na qual se incluem meu ex-professor, cineasta e roteirista Newton Cannito, e o diretor Ricardo Waddington).

Luíza Valdetaro abraça com talento e beleza uma personagem difícil…

Bi e Franz

Casamento de Amelinha e Franz, um amor recheado de paixão e obstáculos

No capítulo desta sexta, finalmente Aderbal revela seu encantamento por Joel. Tudo tem sido feito com a delicadeza peculiar que cerca a novela, e a abordagem pode até passar despercebida por uma imensa plateia que acompanha as novelas desse horário das 18h. Mas é muito relevante que o tema apareça. E nesse horário. É mais um pioneirismo de JÓIA RARA ! Bastando ressaltar que a novela tem como personagem principal uma criança, simbolizando uma ‘reencarnação’ de Buda (tanto que o primeiro título pensado foi O Pequeno Buda), e esse personagem é interpretado por uma garota – a maravilhosa Mel Maia, que conquistou os espectadores, os colegas, diretores e – cremos nós do #Blog Aurora de Cinema -, toda a equipe de Teledramaturgia da TV Globo, tão impressionantemente dotada de carisma é esta linda atriz-mirim.

Os atores Armando Babaioff e Marcelo Médici são os intérpretes dos dois personagens que vão viver um romance em pleno Rio de Janeiro dos anos 40. E os dois estão ótimos, sendo eles dois de nossos bons Atores ! Parabéns a eles, às autoras e à direção de JÓIA RARA pela inclusão de mais um tema que merece ser abordado em obra tão repleta de acertos e sinalizadora de avanços numa sociedade que começava a desenhar outros caminhos…

Delicadeza e sensibilidade na revelação de um amor homoafetivo: mais um pioneirismo da novela JÓIA RARA

2 Respostas para “Jóia Rara e uma fosforescência especial

  1. Depois de ler este artigo, conclui-se que vale a pena levar o trabalho a sério.

    • Dja Querida:
      Q Alegria encontrar seu comentário aqui !
      Pra nós, q editamos o Blog e assinamos o comentário citado, é uma honra contar com uma leitora do seu quilate !
      Tenha certeza q participou de um Marco da Teledramaturgia Brasileira, e q enriqueceu (e muito) a novela JÓIA RARA (de Duca Rachid e Thelma Guedes) com sua atuação sensível, competente e visceral. Um bjo carinhoso e o aplauso do #Blog Aurora de Cinema !

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