Arquivo do mês: junho 2014

O legado ao cinema de um gênio da palavra

Crítico LG de Miranda Leão relembra Alain Robbe-Grillet, cineasta e escritor, papa do Nouveau Roman

Alain Robbe- Grillet: legado importante para a Literatura e a Sétima Arte…

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Cenas do premiado O Ano Passado em Marienbad, com roteiro de Robbe-Grillet
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Alain Robbe-Grillet foi um dos grandes nomes do cinema, falecido de síndrome cardíaca aos 85 anos no Centro Hospitalar Universitário de Caen. Papa do “Nouveau Roman” e um dos grandes nomes da intelectualidade francesa, Robbe-Grillet foi romancista, ensaísta, roteirista e cineasta. Imortal da Academia Francesa de Letras, eleito em 17 de março de 2005, Robbe-Grillet jamais a visitou, nem mesmo para o seu esperado discurso de posse. Sua mágoa maior foi não ter recebido o Prêmio Nobel de Literatura, quando tantos méritos tinha para isso.

Conforme assinala o jornal espanhol El País, as obras de Alain Robbe-Grillet eram apreciadas por “scholars” franceses tão díspares quanto Roland Barthes e Georges Bataille, e por autores americanos de outras afinidades como o contista John Cheever, o roteirista Rod Serling e David Ely ou como o inglês Rex Warner, citado por A.C. Ward b no seu livro “Longman Companion to 20th Century Literature” (1972).

O derradeiro livro de Robbe-Grillet, A Retomada (“La Reprise”), resgata os temas da tragédia clássica para dar ao novo século, segundo o “L ‘Express” um de seus textos fundadores, numa antevisão invulgar do futuro da literatura. A Retomada é também um dos livros mais inquietantes de Grillet e um prodígio de imaginação, não só pelos diálogos secos de certas passagens e pelas observações numeradas, lembrando notas de pé-de-página para contradizer o narrador, como pelos incidentes com os quais o autor pavimenta o caminho até o fecho surpreendente.

A propósito, cabe transcrever aqui duas citações do romance nele incluídas a título de prólogo. A primeira é de Soren Kierkegaard (1813-55), filósofo dinamarquês, in verbis: “Retomada e recordação são um mesmo movimento, mas em direções opostas; porque aquilo que é recordado aconteceu: trata-se então de uma repetição voltada para o passado, enquanto a retomada propriamente dita seria uma recordação para o futuro”. A segunda é do próprio Robbe-Grillet: “E depois não me venham apoquentar com as eternas denúncias de detalhes errados ou contraditórios. Nesta narração se cuida do real objetivo e não de uma suposta verdade histórica qualquer”.

Nascido em Brest, na Bretanha, em 18 de agosto de 1922, família da classe média alta, capaz de propiciar-lhe educação esmerada em Paris, Alain Robbe-Grillet diplomou-se como engenheiro-agrônomo e estatístico. Fluente em inglês e espanhol (lia bem outras línguas), viajou praticamente por todo o planeta e morou muitos anos em Hong Kong, onde encontrou inspiração para seus romances. Esteve no Brasil algumas vezes e conheceu várias cidades do sul do país e da Argentina. Foi presença marcante em seminário de literatura realizado em Buenos Aires, destacando-se pela atenção dada a quem lhe fazia perguntas e pelo nível de suas respostas, sempre esclarecedoras e convincentes. Em 1976 esteve em Salvador, Recife e Fortaleza, debatendo nesta cidade aspectos do “nouveau roman” com professores das universidades Estadual do Ceará (UECE) e Federal do Ceará (UFC), tendo deixado a melhor das impressões como intelectual de vanguarda. Também participou como um dos juízes do II Festival Internacional de Cinema do Rio de Janeiro, quando aproveitou a oportunidade para falar sobre o mesmo tema na Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), tendo sido bastante aplaudido. Sobre sua estada na então Cidade Maravilhosa, afirmou levar algumas de suas melhores recordações de viagens. Impressionou-se com a topografia da urbe e as praias, onde a beleza da mulher brasileira não poderia lhe passar despercebida.

PRESENÇA NO BRASIL

A propósito da permanência do mestre francês no Brasil, o acadêmico Eduardo Portella, ex-ministro da Educação, escreve excelente artigo sobre o “nouveau roman” e dele nos servimos de alguns pontos-chave para esclarecer os leitores pouco familiarizados com “estas formas romanescas capazes de exprimir (ou de criar) novas relações entre o homem e o mundo e entre todos quantos se decidiram a inventar o romance, vale dizer, a inventar o homem”. Esse compromisso com a invenção, diz Portella, é a prova de identidade artística de Robbe-Grillet, daí o motivo pelo qual ele recusa toda teoria prévia da literatura. Em lugar do romance “feito”, acabado, anterior ao seu próprio lazer, Robbe-Grillet coloca o romance em processo no qual “o nouveau romancier” não se sente traído pelos elementos convencionais da intriga romanesca: o personagem, o enredo ou o meio.

Para Robbe-Grillet, a literatura de nossa época – problemática, imprevisível -, não pode ser “a imagem de um universo estável, coerente, contínuo, unívoco, inteiramente decifrável: esse mundo deixou de existir”. “Quem afirmar o contrário”, lembra Portella, “estará exprimindo uma dolorosa ingenuidade ou não quer entender as coisas como realmente são”. Daí a nova organicidade do “nouveau roman”, a conveniência de uma estrutura aberta, na qual a perspectiva do próprio leitor seja um ingrediente ativo da composição. Não foi sem alguma propriedade a denominação de “école du regard” dada por Robbe-Grillet. Ou seja, o número desse novo romance está onde momentaneamente se localiza o ângulo de visão ou de apresentação, onde o ponto-de-vista é o agenciador da estrutura. Robbe-Grillet diz: “Não pretendo elaborar mensagens e sim estabelecer vias de comunicação com o leitor e fazê-lo meditar sobre o mundo contraditório e sem sentido algum dentro do qual vivemos”.

“O que Robbe-Grillet quer afirmar”, esclarece Portella, “é que o novo romance não preexiste ao romance tradicional, pois “as coisas não são claras no momento da decisão”. A propósito, Portella cita a observação de Roland Barthes segundo a qual “o novo romance ensina a olhar o mundo não mais com os olhos do confessor, do médico ou de Deus(?), todas essas hipóstases significativas do romancista clássico, mas com a visão de um homem que anda pela cidade sem outro horizonte que o espetáculo, sem outro poder que aquele mesmo dos olhos”. Deve-se basicamente essa posição ao papel preponderante exercido pelos objetos na obra de Alain Robbe-Grillet, ou seja, ao “chosisme”. Vários críticos já interpretaram sociologicamente essa presença agressiva dos objetos como uma atitude desindividualizadora, como a percepção aguda do nosso horizonte social, planetário e de massa. Insistiu-se psicologicamente em ser essa fixação neurótica dos objetos o reconhecimento patético do fracasso de uma civilização capaz de transformar seres em coisas, de coisificar os homens, a existência.

LIVROS

Bastante marcado pelas técnicas do cinema, não admira terem sido chamadas de cine-romances as obras literárias de Robbe-Grillet, o qual parece buscar na Sétima Arte seu principal meio de expressão. Observe-se, por exemplo, como joga magistralmente em “O Ciúme” com o duplo significado de “jalousie”, ciúme e persiana.

De qualquer modo, importa relacioná-las. O primeiro romance do Papa do Nouveau Roman foi Les Gommes (The Erasers”) – Os Apagadores (1953), o qual criou as bases dos seus trabalhos iniciais, seguindo-se-lhe Le Voyeur (A Espreita) (1955), “La Jalousie” (O Ciúme) (1957), “Dans le Labyrinthe” (1959), “Pour un Nouveau Roman” (ensaio sobre uma literatura do olhar nos tempos de reificação) (1963), “La Maison de Rendez-Vous” (A Mansão dos Encontros” (1965), “Projet pour une Revolution à New York” (1970), “Topologie d’une Cité-Fantôme” (Topologia de uma Cidade-Fantasma) (1976), “Les Derniers Jours de Corinthe” (1994) e “La Reprise” (2002). Com suas belas obras literárias, ensaios, palestras e filmes, Robbe-Grillet agitou a literatura francesa e projetou vários escritores da hierarquia de Nathalie Sarraute, Michel Butor e Claude Simon.

E assim abriram-se caminhos para o cinema de vanguarda, como veremos a seguir, quando lembraremos a criação de L’Année Dernière à Marienbad, Leão de Ouro no Festival Internacional de Veneza (1961).

L.G. De Miranda Leão*
*Professor de Língua e Literatura Americana, jornalista e Crítico de Cinema

VAZIO CORAÇÃO e um sentimento que não é possível esconder

Filme do diretor Alberto Araújo evidencia o amor com Othon Bastos e Murilo Rosa no cenário mágico do Grande Hotel de Araxá

Tire o olhar impregnado de conceitos prévios e parâmetros severos e acadêmicos do teclado que eu quero transgredir para deixar correr célere a emoção. Afinal, é a ela que devemos a primeira satisfação ao estar diante de uma criação artística. E é querendo alimentá-la que embarco em qualquer convite para ver, ler, ouvir e desfrutar de Arte & Cultura.

Caminhando por esse tapete emocional, vamos registrar nossa impressão sobre o filme Vazio Coração, ao qual tivemos a grata satisfação de assistir durante a recente edição do Anápolis Festival de Cinema.

E devo confessar: o filme surpreendeu-nos muito positivamente. Com um elenco cujos atores principais são Murilo Rosa e Othon Bastos, e onde estão nomes como Lima Duarte, Bete Mendes, Patrícia Naves, Oscar Magrini e Larissa Maciel, Vazio Coração cumpre com ótima performance seu objetivo principal: contar uma história onde o amor é o ponto-chave.

V Murilo

Romântico sem ser piegas, singelo sem ser descuidado, o filme do cineasta mineiro Alberto Araújo tem uma produção esmerada onde se percebe muito envolvimento, muito compromisso e vontade de fazer o melhor para contar uma história tocante. Alberto Araújo alcança seu intento sem dificuldade. Com ótima fotografia, assinada por Luís Abramo, direção de arte no capricho (com a assinatura de Oswaldo Liói, por si só um indício de trabalho bem feito), ótima trilha, e atuações surpreendentes como a de Patrícia Naves, que aproveita com galhardia sua participação breve – bom ver a bela atriz atuando com leveza e muita espontaneidade -, Vazio Coração é um filme para agradar a muitas e variadas plateias.

Patrícia Naves: presença bonita e atuação de destaque no filme ‘Vazio Coração’…

Murilo Rosa vive o cantor popular de imenso e cativo público, daqueles que levam multidões a shows em praças públicas. Nesse ponto, o início do filme, mostrando Hugo Kari chegando para um desses grandes shows e encantando uma multidão ávida por ouvi-lo, é impactante. Direção e produção lograram um tento importante ao conseguir realizar este show com requintes de grande produção filmada ao vivo.

O cantor ovacionado pelas multidões vive, no entanto, um intermitente e profundo problema afetivo, que vive a lhe perturbar a emoção e o faz viver dividido entre entregar-se completamente ao ofício da música ou ir em busca de preencher aquele Vazio que lhe aflige o Coração.

Vaz com Othon

Hugo e o pai, o Embaixador Mário Menezes, vivido com a categoria notória do magnânimo Othon Bastos, vivem há anos distanciados, quase sem se falar, desde que a mãe de Hugo morreu num desastre de avião, e o pai reputa ao filho a culpa pela morte da esposa. Em busca de uma reconciliação com o pai, Hugo arruma tempo na agenda, vai a Minas onde encontra-se com os avós (vividos lindamente por Bete Mendes e Lima Duarte), faz contatos com amigos que possam ajudar no contato com o pai – registrem-se as boas atuações de Oscar Magrini, a do embaixador e ator Lauro Moreira, a da bela atriz mineira Florença Drummond (a repórter que entrevista Hugo Kari em meio a uma enorme muvuca à saída de um show mas consegue fazer ‘a pergunta’ que desencadeia o cerne da trama – Florença aparece muito pouco mas, mesmo assim, lá está impressa a marca da sua beleza e competência), e até o fotógrafo Vantoen Pereira aparece e se soma positivamente ao conjunto.

Vazio pais

Lima Duarte, Bete Mendes e Murilo Rosa: Vazio Coração

V ruínas

Entre idas e vindas, finalmente Hugo consegue conversar com o pai. Alberto Araújo ambienta esse momento crucial do filme numa locação perfeita para o que o roteiro quer enfatizar: a aridez do local (belo cenário formado por ruínas de um lendário hotel em Araxá) emoldura com absoluta propriedade os desvãos conflituosos a separar pai e filho. A fotografia preciosa de Luís Abramo ressalta a insólita morbidez do lugar, evidenciando em microcosmo o viés emocional forte que liga pai e filho e que os tornou ‘estranhos’ um ao outro desde a morte prematura da mãe. Alberto Araújo não poderia encontrar metáfora melhor que ambientar aquele encontro tão esperado em cenário tão insulso e infrequente.

A história segue, a carreira de Hugo é um sucesso que diariamente atinge mais plateia, mas Hugo não consegue sensibilizar o pai. Sua mulher, vivida com a dose de doçura pedida pelo personagem por Larissa Maciel, tenta construir a ponte tão necessária. Cabe citar também a presença do cantor e compositor William Borjazz, que participa como integrante da banda de Hugo Kari, e que foi fundamental para ajudar Murilo Rosa a construir seu personagem.

Murilo Rosa, Larissa Maciel e Othon Bastos: filho, nora e pai em Vazio Coração…

Hotel Araxá

É no Grande Hotel & Termas de Araxá, lugar muito caro à família Kari, onde o cantor se hospeda e faz show lotado. Aqui é preciso ressaltar o quanto é belo, imponente e mesmo cinematográfico o Grande Hotel. Patrimônio de Araxá, e portanto do Brasil, estamos falando de um dos mais belos, agradáveis e convidativos hotéis do país.

Para quem lá, como nós, já teve a alegria de estar hospedado, é um generoso colírio adentrar com a câmera naquele oásis de tranquilidade, beleza e privilegiada arquitetura ! É uma alegria percorrer os muitos ambientes do Grande Hotel, todos belos, cada um com um ar diferente… O olhar enlaça a memória e faz uma incursão afetiva naquela construção prodigiosa: afloram lembranças preciosas de momentos felizes e a mente é invadida por imagens que se sucedem num contínuo de belas cenas, quer sejam elas reais ou imaginárias.

Assim, esse carrossel quimérico de imagens vai ganhando força no desenrolar do roteiro, ao mesmo tempo em que cresce em Hugo a vontade e o sonho de retomar com o pai um laço que não conseguiu se romper ou que o tempo não permitiu ainda elaborar com o cuidado e o carinho necessários. Um traçado sensorial rico e inventivo vai correndo em paralelo: viajam livres a imaginação do espectador e a do cantor aflito em busca do sorriso e do elo perdido com o pai.

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Um os salões do Grande Hotel de Araxá – foto Alex Silva

Aliás, se o Grande Hotel almejava alguma boa divulgação, nenhuma tão grandiloquente como a que infere Vazio Coração. O filme é um convite a se conhecer o majestoso Hotel e é impossível deixar o cinema sem querer conhecer aquele ambiente tão suntuoso. Quem já o conhece, como é nosso caso, fica com um gostinho enorme de querer voltar ao Grande Hotel e de reviver dias tão felizes e tranquilos naquele ambiente agradável e quase mágico, bem como emerge uma saudade enorme da tranquila e adorável cidade de Araxá.

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Othon Bastos conversa com Alberto Araújo no Grande Hotel de Araxá…

A máxima de que “A boca só fala do que o coração está cheio” casa-se à perfeição, traduzindo em fina sintonia a ideia original de Alberto Araújo: Vazio Coração é um filme sobre o Amor e é essa a tônica do canto que ecoa das músicas de Hugo Kari.

Murilo Rosa e William Borjazz: afinação e cumplicidade, criador e criatura, maestro e cantor em Vazio Coração

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Uma das cenas mais tocantes acontece justamente em noite de show do cantor Hugo Kari no Salão Ouro Preto do Grande Hotel, quando o pai do cantor finalmente resolve ir ao encontro do filho: ao final do show, pai e filho celebram o amor num abraço comovente.

Ot e Mu

Na contramão do que poderia ser um enfoque natural para um filme que conta a história de vida de um cantor de muito sucesso, Vazio Coração pega um atalho enviesado e embarca num caminho que corre paralelo à vida de holofotes, própria a de grandes ícones midiáticos: o foco é a emoção mais íntima do artista, é o que lhe move a ser como é, e não a vida que a notoriedade evidencia, e não o espaço de sensações provisórias, dimanadas e superficiais que o estrelato propicia.

Tudo isso fluindo a partir do ambiente plácido, imponente e belo do Grande Hotel & Termas de Araxá cria uma ambiência imagético-sensorial de indubitável eloquência para definir Vazio Coração como um filme sobre o amor mais profundo e mais translúcido que existe: o amor entre pai e filho, definidor e decisivo da condição emotiva inaugural.

Othon Bastos e Murilo Rosa, tendo ao fundo o belo Grande Hotel de Araxá…

Se você ainda não viu Vazio Coração, tente alugar o filme na locadora mais próxima: é uma história bonita e comovente, com grandes atores, e é CINEMA BRASILEIRO. Portanto, merece todo nosso apoio e respeito.

Bruna Linzmeyer faz da delicadeza o mote de sua Interpretação

Bruna Linzmeyer:  destaque em mais uma interpretação marcante…

A Televisão é um meio de comunicação de escala industrial numa sociedade de mercado e que pode contar com a resposta quase imediata do público. Isso dá uma conotação totalmente diferente ao intérprete que atua na telinha. São outros os melindres do intrincado exercício de sua atuação.

Dessa forma, enquanto as outras artes, decorrentes de tecnologias anteriores como Cinema, Teatro e Livro vão buscar o mercado só depois de prontas, acabadas e intocáveis, a telenovela vai-se fazendo à medida em que consulta esse mesmo mercado.

Na telenovela, arte e mercadologia se fundem, e o ator opera como uma mistura de arte, de criador, mas também como responsável por um produto de comunicação que não pode desconhecer o universo do mercado a que se destina.

Sabemos o quão sutil e complexa é a tarefa do ATOR, em qualquer veículo em que ela se faça. O Ator é um intérprete mas também um Criador. Tanto opera sobre a criação alheia (a do autor) como, ao fazê-lo, irradia uma forma própria de criação. Quando o ator é bom, torna-se co-autor da obra.

Fazemos essa introdução porque acreditamos ser exatamente isso o que podemos constatar com absoluta clareza acompanhando a telenovela Meu Pedacinho de Chão, atração das 18h na tela da TV Globo. Escrita por Benedito Ruy Barbosa com direção geral de Luiz Fernando Carvalho (que conta com vários outros diretores na equipe), a novela tem um elenco que se sobressai pela qualidade admirável. A emoldurar esse trabalho magnífico dos intérpretes, há um belíssimo e notável trabalho de criação artística, encabeçado pelo querido conterrâneo Raimundo Rodriguez, e sobre o qual falaremos mais amiúde em outro post. Tudo o que vemos de plasticamente encantador em Meu Pedacinho, a partir da ambientação cênica com cenários, adereços, objetos de cena, figurinos e maquiagens formando uma composição harmonicamente bela e delicada, é obra deste Artista Espetacular nascido em Santa Quitéria, e apaixonado desde menino pela Cultura Popular.

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Ao lado de Raimundo Rodriguez, e tornando suas ideias berço e palco da história de ‘Meu Pedacinho’, há uma equipe dedicada e super competente, tendo entre outros Rubens Libório, Marco Cortez, Myriam Mendes, Renata Luciana e muitos outros. O #BlogAuroradeCinema voltará a esse assunto.

Emiliano Queiroz e Ricardo Blat: talentos que enriquecem ‘Meu Pedacinho’…

Voltando ao elenco de Meu Pedacinho: na novela, há nomes já bem conhecidos e de longa estrada na carreira – como os magníficos Osmar Prado, Antônio Fagundes, Emiliano Queiroz e Ricardo Blat -, assim como quase novatos – Juliana Paes, Rodrigo Lombardi, Johnny Massaro e Bruna Linzmeyer -, e atores que estão praticamente estreando neste ‘Pedacinho’ que conquistou o Brasil com tanta beleza, poesia e ludicidade: Tomás Sampaio, Paula Barbosa, Teuda Bara, Inês Peixoto, Irandhir Santos, Dani Ornellas, Geytsa Garcia, Bruno Fagundes, Cintia Dicker, Kauê Ribeiro de Souza, Gabriel Sater, Letícia Almeida, Rosa Iranzo, Raul Barreto, Alex Brasil, Fernando Sampaio, Evandro Melo, Alice Coelho…

Irandhir Santos e Bruna Linzmeyer: duelo de gigantes em primorosas atuações…

Essa saudável mistura de artistas tarimbados com artistas de alguma estrada na telinha e atores que estão estreando no meio teleaudiovisual é absolutamente um Achado ! O resultado é um belíssimo matelassê de atuações que se somam e, cada uma no seu tom e no seu ritmo, emprestam seus talentos e seus prodígios para abrilhantar uma obra que é já um marco na TeleDramaturgia Brasileira. 

Mas a crônica de hoje é para falar especificamente da atuação desta garota linda e vocacionada que é Bruna Linzmeyer. 

Representar é um ato de comunhão tão intenso e profundo que nos conduz a uma posição de valorização de qualquer ritual no qual a emoção comum ao ser humano possa ser exercida. Se essa emoção é verdadeira e genuína, e se o oficiante (representante/ATOR) consegue buscar na profundidade de si mesmo a melhor maneira de senti-la e expressá-la, o espectador com ela se identifica. Vivendo, ambos, a mesma emoção, podem, a partir da catarse conjunta, purificar-se das tensões, dos medos e dos impulsos menores. Vivenciar juntos emoções é ser solidário, fraternos, irmãos.

Bruna Linzmeyer: a ‘Bonequinha de Louça’ da primeira novela naif do Brasil…

Portanto, não importa se o meio é profundo, superficial, comédia, tragédia, teatro, cinema, fotonovela ou televisão. SEMPRE QUE A EMOÇÃO FOR GENUÍNA e APAREÇA REPRESENTADA COM FIDELIDADE, ADVIRÁ ESSA FORMA PROFUNDA E CURIOSA DE SOLIDARIEDADE & CATARSE, a mais alta possível entre seres humanos: a COMUNHÃO, conteúdo oculto da Comunicação – como tão bem nos ensinou o cronista Artur da Távola em seus estudos sobre a Televisão e o trabalho do ATOR.

No caso específico da atriz Bruna Linzmeyer e sua delicada interpretação da ‘Professora Juliana’, fica patente que a atriz conseguiu essa perfeita comunhão com o público. Este aderiu completamente à sua composição (com sutilezas expressivas, gestuais e afetivas) e embarca cotidianamente na sua viagem interpretativa, aderindo, comovido, às muitas nuances de que Bruna dotou a personagem. E depois que o público adere à criação de um ator, ele pode fazer o que quiser com seu personagem: torna-se seu Maestro e o público o segue, fiel e encantado.

Com a ‘Perfessora Juliana” isso é claro e acontece desde o primeiro capítulo. Bruna Linzmeyer com sua beleza diáfana e seu talento em fase de crescimento e lapidação, constrói com absoluta delicadeza e inspirada capacidade as tessituras de que é feita a querida professorinha de Santa Fé. E podemos mesmo afirmar, sem medo de incorrer em erro, que é a DELICADEZA o traço mais marcante, poderoso e decisivo na criação de Bruna.

Bruna

“A delicadeza não deve ser uma forma de se defender do mundo mas sim de enfrentá-lo, a mais tenaz e poderosa forma !” É isto o que nos diz, constantemente, a Professora Juliana criada pela atriz Bruna Linzmeyer, sendo esse um dado que emerge da alma da atriz e inunda a personagem de verdade e beleza. Porque a Delicadeza que faz de Juliana a adorável professorinha de Santa Fé é um traço latente da personalidade de Bruna, que se lhe escapa ao compor os personagens, o que só os enriquece e enche de humanidade porque fruto de um desenho emotivo peculiar ao arsenal sensório de sua intérprete.

Bruna Linzmeyer e Johnny Massaro: aplausos para talentos que começam a despontar…

Sendo o ator um solista, que inventa sobre temas já compostos, sua ‘invenção’ pode ser tão renovadora e criativa que, mesmo valendo-se de elementos já criados, o ator de envergadura o dispõe de forma própria, única e original, sem a menor traição ao autor, ao contrário, estendendo a invenção deste, ampliando-a. Por isso, o grande intérprete é um Criador !

Bruna Linzmeyer pertence a essa categoria de grandes Criadores. Daí porque estamos a lhe dedicar esta crônica. Pertence também a uma categoria de pessoas cuja chegada gera um instante de silêncio e não de festa. Ela consegue transmitir, num ar sutilmente introvertido, um ser assustado e encantado, capaz de alcançar os vastos mundo dos introvertidos, os que se vão revelando aos poucos, mesclando tristezas e cansaços com alegrias ternas e caladas, de uma profundidade comovente e ternura acolhedora. O riso é luminoso e súbito, capaz de a tudo transformar quando chega e revela o esconderijo. O estilo de Bruna Linzmeyer de representar permite ao espectador a entrada no interior da personagem porque a relação primordial da atriz com seus personagens é de Transparência. Através das sutilezas com que constrói a tessitura emotiva de seus personagens, Bruna convida o público a mergulhar no universo daquela ‘vida de invenção’ , tornando-o claro, acessível, irmão. Ela é a regente: a personagem aparece “Através”. Como se Bruna nos apresentasse ao novo ser, iluminando-o e tornando seu universo interessante a nós, que acompanhamos sua atuação, com um alto poder de persuasão pela originalidade e potente carga de sentimentos introjetados, repleta de matizes.

Como a ‘Linda’ de Amor à Vida, Bruna Linzmeyer cativou o público…

Bruna Linzmeyer põe à disposição do público instâncias dramáticas através das quais vai sendo por ele descoberta. E assim a atriz consegue altas doses de adesão ao universo que desenha com inteligência, sensibilidade, perspicácia e muita delicadeza. Celebra com o espectador um secreto e poderoso pacto de cumplicidade.  Foi assim com a ‘Leila’ da novela Insensato Coração, de Gilberto Braga, em 2011, sua estreia no gênero (antes, fizera a série “Afinal, o que querem as mulheres”), na qual ela era uma jovem cheia de conflitos e apaixonada por moda. Assim o foi também com a personagem autista ‘Linda’ da novela Amor à Vida, de Walcyr Carrasco, e assim o é agora com a querida Professora Juliana. Poderoso exercício de refinamento da sensibilidade e empatia que só os Intérpretes de grande envergadura são capazes.  

BRUNA LINZMEYER é Atriz para muitos outros e ainda mais profundos e intensos mergulhos interpretativos. Ainda bem que escolheu ser Atriz: é uma vocacionada para a profissão e a ela se dedica, coroando a carreira de méritos.

O carinhoso #AplausoBlogAuroradeCinema para BRUNA LINZMEYER !

Ninguém escreve ao Carpinejar…

Carpi abrir Que espécie de inteligência habita o cérebro do poeta Fabrício Carpinejar ? Ou que espécie de cérebro tão especial tem o menino nascido em Caxias do Sul para conseguir abarcar e carregar consigo o farol iluminado e profundamente iluminador que é a inteligência brilhante e a sensibilidade 3D do Poeta Carpinejar ? Meu Deus, quanto mais leio o que o Poeta escreve, mais estupefata fico diante de tanta beleza. Pergunto-me constantamente como é possível. Como e de onde brotam tão precisas as imagens que Carpinejar arruma em frases de eloquência tão profunda que alcançam um nível de inconteste profundidade, eloquência e beleza ? As frases poéticas ou os versos crônicos que o poeta escreve são tão contundentes que tocam a alma como um condão mágico, sensivelmente potente, capaz de fazer chorar, rir, e provocar imediata adesão. Apaixonei-me pelas imagens ricamente construídas com invejável harmonia estética e namoro permanente com a beleza desde a primeira vez em que li um texto de Carpinejar. Foi em 2007 e, até então, não me lembro de ter ouvido falar nele. Mas bastou ler uma vez pra encantar-me e nunca mais deixar de ler FABRÍCIO CARPINEJAR. Leio-o cotidianamente, com a melhor das emoções. E ele escreve coisas novas todos os dias. Leio as novas, e revisito as antigas, cotidianamente. Ler Carpinejar virou meu mais saudável vício.

Impressiono-me e interrogo-me todos os dias sobre como é possível escrever com tanta maestria, e procuro, em vão, uma palavra capaz de traduzir com fidelidade a prodigiosa perfeição imagética, sensorial e emocional com a qual o poeta verseja em crônicas diárias e desfila com leveza, bom humor, delicadeza e absoluta capacidade de encantar a sua visão de mundo, suas ideias, sua forma inusitada de sentir e sua coerência (às vezes assumidamente incoerente) desconcertante e límpida. Fabrício Carpinejar é dotado de uma infinita capacidade de transformar tudo que escreve em metal precioso. Suas letras transbordam da alma e constroem textos, frases, crônicas e poemas com a perfeição de um grande ourives. Não são raras as vezes em que me arrepio ou choro lendo um texto de Carpinejar. Não me canso de repetir isso, nem de ler o poeta, nem de aplaudir o que faz, nem de compartilhar com leitores – centenas que me seguem em diversas redes sociais -, cotidianamente, a maestria da letra preciosa e comovente do poeta gaúcho.

Carpi unhas

Os que acompanham o Poeta sabem – e são milhares: Carpinejar foi considerado, ainda criança, um ser com capacidade limitada de atenção, incapaz de ser alfabetizado e frequentar uma escola. Para a mãe dele, a sábia poetisa Maria Carpi, foi recomendado colocar a criança para estudar numa escola especializada em pessoas com deficiências. Com apenas 8 anos, CARPINEJAR foi ‘avaliado’ como uma criança com deficiência motora grave, incapaz de ter um desenvolvimento motor sadio, normal, em contato com outras crianças. Pois foi graças à sabedoria, dedicação e suprema ousadia e lucidez de Maria Carpi que a criança que foi Fabrício Carpinejar transformou-se neste que é hoje o Mais Aplaudido Poeta Brasileiro Vivo, a Maior Expressão da Poética Brasileira Contemporânea. Foi ela, a ousada e aguerrida Maria Carpi que resolveu ensinar ao filho as letras que a escola não o julgava capaz de aprender. Foi Maria Carpi quem resolveu assumir pra si a árdua e doce tarefa de alfabetizar o filho e conduzi-lo pelos caminhos das letras. Foi inventando versos, rascunhando tarefas em dimensões que só o amor alcança, e lapidando as melhores formas de fazer ressoar no filho criança o que o tornaria capaz de acompanhar o que a escola formal não o julgava capaz de aprender, que Maria Carpi deu força, luz, fé, garra e confiança ao filho Fabrício para chegar onde chegou. E o Poeta sabe bem disso. É de uma gratidão linda, comovente, profunda e constante à mãe. Como cabe ao tamanho de Poeta e Homem Iluminado que é Carpinejar.

É graças a esse esforço inicial de Maria Carpi e de sua não desistência na tarefa de legar ao filho o melhor, e a ele doar as cordas do coração para fazer brotar a sensibilidade, o carisma e a imensa inteligência do filho, que hoje podemos dizer – e dizemos com imenso carinho por ele e por ela, e com indisfarçável apreço pela produção literária de Carpinejar – do orgulho em poder ler com tanta alegria e encantamento a alma linda e notável de que é feito o poeta Carpinejar.

Carpi e a mãe

Por certo foi esse vigor intelectual, essa profusão de sentimentos, e esse redemoinho de emoções que ele tão bem reúne, organiza e transforma em doação ao próximo através da profícua e bela obra que construiu ao longo da breve e invejável carreira, que fizeram com que a escola da infância o taxasse de “incapaz de estudar junto às crianças normais”, “incapaz de aprender como os outros”, “incapaz de ser alfabetizado com as mesmas regras das crianças normais” (?). Sim, o que fica claro pra nós hoje é que o poeta Carpinejar, desde muito tenra idade, já era um super dotado, alguém de uma inteligência tão fulgurante, transgressora, e alucinante que deixou seus mestres (?) perplexamente atordoados. Eles não sabiam o que fazer diante daquele menino-prodígio. Devem ter tido o mesmo assombro que nós temos quando lemos certas crônicas lapidares do poeta, que desconsertam o senso comum, e remexem com as estruturas emocionais mais sólidas. O menino aprendiz de Poeta, aos olhos daqueles mestres (?), aparecia como sinal revelador da completa incompetência deles. Tão leigos que não sabiam sequer traduzir o que não conseguiam assimilar do brilhantismo do menino. Tão tacanhos que preferiram dispensar a presença invulgar de um pequeno gênio nos bancos das suas salas de aula pela incompleta incapacidade de conduzir lições diante de um guri brilhante que mexeu com a infame incongruência de sua pequenez de educadores.

CARPI já devia ser, desde criança, um garoto de inteligência tão incomum e desconsertante que tornava-se incapaz de ser alcançado e entendido por aqueles diretores e professores de escola tão mediocremente normais e cauílas que perderam a espetacular oportunidade de hoje serem tema de uma das brilhantes crônica do poeta. Os medíocres, pobres de espírito e ‘inocentes’ da palavra perderam pra sempre a chance única de poder levantar-se e bradar, com a mão no peito e o orgulho inflando o coração, “nós ensinamos ao poeta Carpi”. Por certo, teriam imenso orgulho de estampar nos flanelógrafos dos corredores da escola a foto do menino Carpi, futuro gênio da Poesia Brasileira, ali esboçando suas primeiras letras, formando as primeiras amizades, e hoje, revisitando o colégio, escrever lindamente sobre os bancos onde aprendeu a escrever as primeiras letras e de onde saiu para tornar-se o Poeta Brasileiro de Maior Número de Seguidores das redes sociais. O Poeta que encanta e atua em várias áreas, brilhante em todas elas, seja como jornalista, radialista, apresentador de TV, cronista televisivo, conselheiro sentimental, palestrante, poeta e escritor fenomenal, merecedor de vários prêmios, no país e no exterior, aplaudido e amado onde quer que vá.

A Fabrício Carpinejar, nosso aplauso efusivo e a gratidão pela generosidade cotidiana expressa em verso e prosa.

Para Fabrício Carpinejar, não nos cansamos de tirar o chapéu. Pra ele, nosso afeto e nossa leitura, sempre.

Fabrício Carpinejar é o Poeta e Cronista que o #BlogAuroradeCinema aplaude de pé, cotidiana e incansavelmente.

SARAVÁ, CARPI !

Deixamos com você, amigo leitor, um trecho da crônica de segunda-feira (16 junho 2014) do Poeta, cujo título é Técnicas Domésticas. Neste pequeno trecho, ou em qualquer outro que você possa buscar nos espaços do poeta na web, você irá igualmente maravilhar-se diante da magnitude inventiva e poeticamente avassaladora de FABRÍCIO CARPINEJAR:

“Saber costurar é uma demonstração de ternura Não há cena mais emocionante do que costurar meias. Meias que rasgam nos calcanhares. Fechar com a linha da cor da meia para ninguém perceber. É muita esperança não jogar fora um par de meias e oferecer uma segunda vida para ele. Demonstra que você não se desfaz das coisas facilmente, que não vai dispensar as pessoas facilmente, que você tenta primeiro remendar, que não é do tipo que estragou e compra outra, que não descarta simplesmente porque foi barato”.

Você pode acessar o blog de FABRÍCIO CARPINEJAR aqui mesmo, através de link que o #BlogAuroradeCinema compartilha em nossa página de abertura. Ou acesse: http://www.carpinejar.com.br/ e http://www.fabriciocarpinejar.blogger.com.br/

MACIEL BRUM: talento de cinema nascido e fecundado em Gramado

BRUM

Conheci-o há alguns anos e, de cara, gostei dele. De seu jeito falante, simpático, sempre efervescendo em ideias e atividades. Era 2008 e ele estava lançando seu filme ‘Soropositivo’ no Festival de Gramado. De lá pra cá, ficamos em contato via web, e ano passado nos reencontramos em Gramado, sua adorável cidade natal. E é sempre uma alegria renovada reencontrar Maciel Brum.

Além de produtor e cineasta, Maciel Brum é também ator. A carreira no teatro começou aos 12 anos, e foi em 97 que estreou na telinha: recém-formado em Artes Cênicas, assinou contrato com a TV Globo, e lá permaneceu por 3 anos e meio, tendo participado de 8 episódios  do lendário seriado Você Decide, e 11 exibições do programa Linha Direta. Participou das novelas Terra Nostra e Chocolate com Pimenta, e também integrou o seleto grupo de roteiristas  do seriado A Diarista. Tempos depois, um desses trabalhos foi roteirizado para o cinema. Passado algum tempo, Maciel concluiu o curso de Cinema na Universidade Estácio de Sá (RJ), e ‘A Diarista’ acabou sendo seu primeiro trabalho para a telona.

Com A Diarista, conquistou 4 prêmios em festivais pelo país. Na sequência, veio Estranho Desejo, vencedor de 12 prêmios, sendo um internacional, o LEON DEL PLATA, no Chile, como Melhor Direção. Em seguida, rodou Presente de Natal e, logo depois, Bilhete de Amor, sucesso absoluto nos festivais e via web. E assim Maciel Brum foi abrindo uma trilha, na qual há sempre ousadia e polêmica. Com o curta Soropositivo,  causa novamente polêmica ao abordar mais um tema forte: o vírus HIV e sua transmissão. Em 2010, Maciel retoma a comédia: surge o sucesso A Casa Errada. O ano de 2012 marcou mais uma polêmica na carreira: o filme Amor Proibido aborda o universo das relações homoafetivas e traz nomes de destaque como Giovanna Ewbank e Thierry Figueira.

Gio e ele

Maciel Brum e a atriz Giovanna Ewbank, protagonista de Amor Proibido

Em pouco tempo de carreira, o cineasta gramadense Maciel Brum já soma 42 prêmios na estante e no currículo, além de uma vasta bagagem que o torna um dos mais conhecidos e queridos diretores de cinema da nova geração, distinguido por artistas do naipe de  Rosamaria Murtinho, Lady Francisco, Lu Grimaldi, Rocco Pitanga, Giovanna Ewbank, Thierry Figueira, Paulo Vilela, Thogun Teixeira e Oscar Sinch, além da saudosa atriz gaúcha Carmem Silva.

Maciel e elenco

Carla Reis,  Thogun Teixeira, Maciel Brum, Paulo Vilela e Giovanna Ewbank…

Em 2004, Maciel Brum tornou-se pioneiro em produzir cinema a partir de Gramado, o que se consolidou com o reconhecimento oficial da cidade gaúcha aos seus méritos, quando em 2010 o cineasta recebeu homenagem da Câmara de Vereadores, quando esta lhe distinguiu com o  título de Cineasta Pioneiro na Produção Cinematográfica de Gramado.

fest GRAM

Maciel Brum no palco do Festival que é realizado em sua cidade natal…

Cidade reconhecida mundialmente por sediar o festival de cinema que tem o troféu mais conhecido e cobiçado da América Latina, o famoso KIKITO, Gramado prestou justa homenagem, reconhecendo em vida, todo o empenho, dedicação e divulgação que Maciel Brum faz da terra natal, com seu competente trabalho, e tudo o que seu cinema agrega de valor à produção artística e cultural da bela cidade gaúcha.

Maciel rua

Daniel Macari, Maciel Brum e Thogun Teixeira na rua coberta do Festival de Cinema de Gramado…

Mas o que mais nos causa boa impressão em Maciel Brum é sua constante alegria cotidiana, seu alto astral, e sua forma de encarar a vida e o trabalho sempre com invejável disposição, garra e um sorriso no rosto. Podemos mesmo dizer que Maciel é um desses caras capaz de conseguir comprador até pra um terreno na Faixa de Gaza, ou quem sabe mesmo levar uma equipe de filmagem para um novo projeto em Saturno. E não se engane, não: além de produzir, roteirizar, atuar e dirigir, nas áreas do cinema, teatro e televisão, Maciel ainda encontra tempo e condicionamento suficiente para atuar em outras áreas. Assim é que encara as lides cotidianas também exercitando sua ótima capacidade retórica, e exercendo com brilho a função de profissional tarimbado para o marketing: Maciel Brum tornou-se bem sucedido empreendedor na área dos cosméticos. 

Fát e Mac

Maciel Brum com Fátima Naspolini, empresária da GREEN DESIGN (Gramado), patrocinadora do curta A Casa Errada. Foto by Dinarci Borges

Vivendo há 7 anos no belo Balneário Camboriú, em Santa Catarina, ele é proprietário de três franquias da marca Fixação (nos estados RS,SC e PR), um perfume de adorável fragrância e que dura uma eternidade exalando cheiro bom, daí o nome. Mais adequado, impossível. Além dessas franquias da Fixação, ele é sócio da VIP Artist Manager, agência que cuida da contratação de artistas famosos para eventos.

Lady

A atriz Lady Francisco será a protagonista do primeiro longa de Maciel Brum…

Atualmente, Maciel Brum cuida da produção de seu primeiro longa-metragem, um documentário sobre a vida da atriz Lady Francisco, através da MBB PRODUÇÕES. Ao mesmo tempo, está em fase de produção de um novo curta-metragem: Escolhas terá como protagonistas os atores Nil Marcondes e Camila Camargo ( caçula do cantor/compositor Zezé de Camargo).

Maciel e a mãe, Clarice Brum, a maior incentivadora do cineasta de Gramado…

Hilário Krauspenhar, proprietário do SKY Hotel, e parceiro constante do cineasta Maciel Brum…

*Confira os títulos e datas dos filmes realizados por MACIEL BRUM, todos rodados em Gramado:

2004  A DIARISTA

2005  ESTRANHO DESEJO

2006  PRESENTE DE NATAL

2007  BILHETE DE AMOR

2009  SOROPOSITIVO

2010  A CASA ERRADA

2012  AMOR PROIBIDO

Maciel e eu

Jornalista Aurora Miranda Leão e Maciel Brum: reencontro feliz em Gramado…

AP

Confira aqui o trailler de Amor Proibido:

http://www.youtube.com/watch?v=pMXj1MehLr8

Hotel Sky - Gramado - RS

Irandhir Santos e o sortilégio da criação de Zelão

Irandhir

Irandhir e a nova fase de Zelão, personagem central de ‘Meu Pedacinho…’

IRANDHIR SANTOS é destes atores de entrega absoluta, mergulho total no universo do personagem. Transfigura-se com a fortaleza de um raio. É premiado pela participação em diversos filmes. Mas como a maioria da plateia brasileira ainda vive de lotar apenas as salas de cinema que exibem blockbusters, ele até então só era bastante conhecido de quem atua no meio audiovisual – sejam os profissionais da imprensa, artistas, realizadores, produtores, técnicos e diretores.

Irandhir é formado em Artes Cênicas pela Universidade Federal de Pernambuco, com vasta carreira no cinema, e chegou à TV pelas mãos e o olhar atento e sensível do diretor Luís Fernando Carvalho. A estréia foi em 2007 na minissérie A Pedra do Reino, baseada em obra de Ariano Suassuna. Ali ele já mostrava um pouco de seu talento inconteste. Depois veio ‘Amores Roubados’, a excepcional minissérie de  George Moura e José Luís Villamarim, mas é agora, através da novela Meu Pedacinho de Chão, que ele ganha a adesão do público e torna-se conhecido e amado por todo o país.

Vida é drama. Dramaturgia é representação da vida. O drama consiste no equilíbrio dos impulsos contraditórios e doentios do ser. Portanto, a realidade está sempre carregada da representação que dela fazemos, sendo a representação, sempre, uma expressão da realidade. A televisão é meio para consumo imediato, linear e superficial. Vivendo de capítulos diários, da relação emissor-mercado, e de personagens que estão sempre num em-se-fazendo (pois que evoluem e se alteram com o desenvolvimento da obra),  a telenovela – nosso principal produto artístico de exportação -, é o único campo da criação dramática na qual o retorno do público é concomitante à realização. Para o ator, cujo aprofundamento interpretativo no teatro provém de meses de ensaio, na televisão acontece no decorrer da própria representação, por isso o ator precisa criar constantemente, e os que se destacam vão se aperfeiçoando à medida em que evoluem em seu escopo criativo.  Na TV, por não usar a plenitude do corpo, o ator desenvolve mecanismos empáticos diversos. Mas embora a emoção possa ser profunda e a artisticidade sendo inerente, a relação da audiência com a TV é passageira, superficial, logo sem status cultural e conseqüente repercussão intelectual.

Zelão este

Aproveitamos o momento de enlevo do público ante à criação de Irandhir Santos para o enigmático e conflituado personagem Zelão, para escrever algumas ideias acerca do trabalho do ator, o qual há muito nos conquistou com um talento formidável.

É possível ver Irandhir Santos atuando em diversos filmes (quem não viu na telona, pode se valer dos DVDs). E, em todos, encontra-se um personagem completamente diferente, não só porque as obras são diferentes e os personagens representados são outros, mas porque o ator integra a marcante categoria de intérpretes que alcançam suas personas através da invisibilidade em que mergulham seu ser para assumir, integralmente, o universo – psicológico, sociológico, filosófico, emocional – de seus filhos diletos, os personagens.

Assim, Irandhir Santos é um ator que pertence ao seleto grupo de Atores de Personagem. Esse grupo é formado por aqueles que diluem-se como pessoa, intérprete ou representação. Ao ser que lhe é dado criar, ele empresta todas as suas energias criativas e vitais. Essa total entrega de Irandhir a seu considerável repertório de composição, faz dele um intérprete notável de tipos os mais diversos. A luz que Irandhir deixa dominar sua criação não é a do ego e sim a da diafania. É assim agora com o enigmático, carente e emotivo Zelão, protagonista de Meu Pedacinho de Chão – a primeira novela naif brasileira, com dramaturgia de Benedito Ruy Barbosa, e uma enorme e primorosa equipe comandada por Luis Fernando Carvalho.

Assim com Zelão, assim como o foi com o ‘Clecinho’ do premiado Tatuagem, do diretor Hilton Lacerda (!). E nós poderíamos citar aqui toda a galeria de personagens memoráveis interpretados por Irandhir: desde o humilhado operário Nonato de Olhos Azuis, de José Joffily, até o apaixonante poeta libertário Zizo de Febre do Rato, de Claudio Assis, passando pelas atuações em O Som ao Redor (Kléber Mendonça Filho), ‘Viajo porque preciso/Volto porque te Amo’(Karim Aïnouz), ou o de ‘Tropa de Elite 2’, de José Padilha… e você, leitor, é bem capaz de citar vários outros personagens do ator. Estará certo também.

Irandhir Santos tem a notável e raríssima capacidade de anular-se diante da tarefa de criar uma nova vida através de seu ser: tornar-se diáfano para dar vez, vida e visibilidade a um ser que não lhe pertence mas ao autor e ao diretor. É um ato de absoluta coragem e de complexa (des) organização humana, psicológica e estética. Atores de Personagem (AP), como Irandhir, não interpõem seu ego nem as fantasias que o alimentam em sua criação. “Espécie de bruxo bendito com poderes de anular a própria pessoa, ele é pura persona a falar por intermédio do personagem. Uma vez concebido, vivido, sentido, criado, composto, livre, independente, próprio, peculiar, aí sim subordina-se – e com que disciplina – ao diretor e aos desejos (quando consultado) do autor. Mas o ser que emana do ator já é um ser autônomo que escapou ao controle consciente do ator, por mais que este o possua e use”, conforme diria o mestre Artur da Távola (o mais profícuo, sabedor e sensato crítico de televisão que tivemos no Brasil).

No caso específico de Irandhir Santos, o personagem é uma rebeldia da fantasia que subverte as hierarquias da arte dramática. É aparição, magia, criação pura e independente. O personagem é assim um sortilégio, ao qual alguns atores com esse perfil interpretativo de Irandhir, entregam-se em profunda simbiose, inventando quem não se sabe mas se adivinha ou alcança por intuição.

Atores como Irandhir Santos, antes de serem seguidores de si mesmo, de doutrinas, de pessoas, de líderes como o autor ou o diretor, são arautos de intrincadas emoções, entregando-se a alguém a quem não conhecem mas anteveem. E é nessa magia de TRANS-figuração que emerge um outro ser, integral, próprio, uno, provindo de regiões misteriosas. Esse novo ser, que no caso de Meu Pedacinho de Chão atende por ‘Zelão’, é um intruso bem vindo, tão mais rico e pródigo quanto menos interferências faça sobre ele o ator. Essa humildade essencial, capaz de anular até o próprio ego, promove um contato com a transfiguração e o mistério.

Irandhir Santos está, portanto, com a personificação notável do apaixonado e apaixonante Zelão, respondendo por uma das mais belas criações interpretativas de todos os tempos na Teledramaturgia Brasileira, favorecendo o contato diário do público (no qual nos inscrevemos grata) com um intérprete do mais alto quilate, e fornecendo riquíssimo material para pesquisa e estudos da arte milenar da Interpretação, com a criação perfeita de um tipo como o Zelão da cidade fictícia de Santa Fé (figura que mescla traços do homem interiorano comum com tipos que afloram do cordel e das histórias em quadrinhos), numa atuação primorosa com requintes de apurado senso estético, respeito à dramaturgia e disciplina cênica, dessa forma alcançando um patamar a qual só os atores considerados geniais alcançam. Porque aliam a todo seu inventivo material de Intérprete uma capacidade inconteste, afetiva e eloqüente de cativar com empatia e habilidade irretocável.

Irandhir Santos é Ator para ser aplaudido em cena aberta, ou com tela iluminada, por uma plateia devota, entusiasta e de pé, solenemente encantada.

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Jornalista Aurora Miranda Leão celebra o ator Irandhir Santos…

Receba, pois, querido Irandhir, o comovido #AplausoBlogAuroradeCinema !