Arquivo do mês: julho 2014

Às vésperas do fim de ‘Meu Pedacinho’, Luiz Fernando Carvalho se declara um APRENDIZ

“É preciso avistar o mundo de talentos que é nosso país”, diz Luiz Fernando Carvalho, forte candidato ao Emmy com a espetacular novela Meu Pedacinho de Chão…

Luiz Fernando Carvalho declara: “Trago apenas amor pela história e os personagens”

* Reproduzimos aqui a ótima entrevista do colega Mauricio Stycer, publicada no UOL, com o emérito diretor da novela Meu Pedacinho de Chão, destacando alguns pontos que consideramos mais relevantes

Na reta final de “Meu Pedacinho de Chão”, o diretor da novela, Luiz Fernando Carvalho, avalia que o trabalho mostrou a possibilidade de pensar um velho formato, como a novela, de forma original.

Como tantos outros trabalhos seus, “Meu Pedacinho de Chão” fugiu totalmente do óbvio e surpreendeu os espectadores do horário das 18h da Globo. Escrita por Benedito Ruy Barbosa nos anos 70, a novela foi transformada num conto de fadas. Ou, como diz Carvalho, em “uma espécie de sonho”.
Nesta entrevista ao UOL, o diretor fala da necessidade de “renovar mais e copiar menos” na televisão. Acha que o modelo de novela está velho e burocratizado.
Carvalho também fala do seu método de trabalho com os atores (“ou se cria uma nova expressão, um novo ser, ou não faz o menor sentido estarmos ali”), e da alegria que teve de ver como Juliana Paes se reinventou (“tive a alegria de ver nascer uma nova atriz”) no seu papel na novela.
UOL – Como você avalia o resultado final de “Meu Pedacinho de Chão”? 
Luiz Fernando Carvalho – Positivamente. Foi uma novela que trouxe várias questões não só aos telespectadores, mas também a nós realizadores de dramaturgia. Evidentemente digo isso pensando desde o modo de se escalar e de se preparar os intérpretes, passando pelo número reduzido de personagens e de episódios, até chegarmos no exercício de uma linguagem narrativa adotada a partir de uma espécie de sonho, uma ideia onírica do que poderia ser uma novela rural lida através de um novo ponto de vista. Este sim, me parece um salto consistente de leitura e interpretação sobre um universo que me soava repetitivo e estagnado.
O que você planejou fazer e não conseguiu?
Meu trabalho é feito de tentativas. Entre elas, ficaram para trás tantos desejos não realizados que não saberia te responder exatamente. Como o desejo de tornar o universo de alguns personagens mais elaborados. Era o caso do Giácomo, por exemplo. Desempenhado de forma brilhante e terna pelo [Antônio] Fagundes, que com seu modo de atuar excitava minha imaginação todos os dias, me fazendo visualizar uma pequena perspectiva, um fragmento que fosse do passado de seu personagem: a falecida mulher, sua origem, a construção de seu pequeno mundo de comerciante, enfim. Mas tudo me escapava. Com um texto já escrito, desejos como esses se tornam impossíveis de serem realizados.

Leonardo Colosso/Folhapress

Enxerguei este texto do Benedito (foto) como um clássico, com mil possibilidades de leitura. Assim como um Shakespeare pode e deve ser encenado de várias formas – Luiz Fernando Carvalho, diretor de “Meu Pedacinho de Chão”

Emiliano Queiroz fez um notável Padre Santo, bem dentro da ideia de ressignificação do texto que inspirou o diretor Luiz Fernando Carvalho

O que te surpreendeu na novela?

Não digo que tenha me surpreendido propriamente, mas o resultado da busca por uma ressignificação do texto foi algo surpreendente para todos nós. Era algo muito trabalhado por mim e por toda a minha equipe. Era um desafio. Enxerguei este texto do Benedito como um clássico, com mil possibilidades de leitura. Assim como um Shakespeare pode e deve ser encenado de várias formas – do histórico ao contemporâneo – e quanto maior a quantidade de leituras mais reafirmada será sua qualidade. Assim foi. Dos westerns aos animês orientais, tudo me vinha na cabeça. Das operetas de circo-teatro aos antigos melodramas de rádio.
“Meu Pedacinho de Chão” é uma história onde vários gêneros se cruzam: drama, comédia, aventura, quadrinhos, fábula. Me pareceu necessário cruzar também as linguagens, criando uma atmosfera híbrida, contemporânea, capaz de atender às mais variadas modulações da minha interpretação. Termos alcançado, com alguma delicadeza, um equilíbrio entre tantas coordenadas, sim, nos surpreendeu a todos.
Flávio Bauraqui evidenciou seu talento com o personagem Rodapé, ajudando a demarcar o papel da infância dentro do imaginário televisivo…
Muita gente avaliou “Meu Pedacinho de Chão” como uma novela infantil. Era uma novela para crianças?
Ao ler o texto, percebi o quanto o autor trabalhava com elementos dramáticos muito simples, quase naifs, mas muito míticos também, aproximando os personagens de arquétipos bem definidos. Propus então que o universo que abraçava a história fosse atemporal. Quando disse isso, claro, uma quantidade de impulsos e visões começaram a surgir dentro de mim.
Atemporal é um conjunto indefinido de afetos, tempos e espaços, mas que, necessariamente, precisam constituir uma unidade estética. Pensei imediatamente na questão da memória, que é uma das chaves da obra do Benedito, mas pensei sem o compromisso da representação histórica, de datas, etc. – se assim fosse, estaríamos realizando simplesmente uma novela de época. Então o atemporal transpassa todos os tempos, ele reúne impressões e formas do passado, do presente e do futuro. O atemporal é a própria imaginação em si.

Divulgação/TV Globo

 

 

 

 

 

Serelepe (foto) é como uma testemunha da resistência do lirismo, da força da infância. Isso implica dizer que a atmosfera é imaginada pelo olhar lúdico de um menino, com um frescor de luzes e cores, mas que, necessariamente, não torna a narrativa infantil   – Luiz Fernando Carvalho, diretor de “Meu Pedacinho de Chão”

LUIZ FERNANDO CARVALHO afirma: “O LEPE é uma faísca inexplicável. Com ele, estou reivindicando o papel da infância dentro do imaginário televisivo”

Mas, no caso de “Meu Pedacinho”, há um ingrediente especial: a infância! Serelepe é como uma testemunha da resistência do lirismo, da força da infância. Isso implica dizer que a atmosfera é imaginada pelo olhar lúdico de um menino, com um frescor de luzes e cores, mas que, necessariamente, não torna a narrativa infantil. Serelepe também não é uma criança que fala e se comporta como um adulto. Ele é uma faísca inexplicável ! Um herói de fábula que contamina todo o microcosmo que sua luneta-olho alcança. Tudo aquilo seria um grande brinquedo do Lepe. Talvez esta seja até uma proposta complexa, mas nunca infantilizada. É uma tomada de posição. Estou reivindicando o papel da infância dentro do imaginário televisivo, a meu ver bastante abandonado pela dramaturgia atual.

 Bruna Linzmeyer e Geytsa Garcia sob a direção de LFC: “Não trago regras ou certezas de como deve ser feita a coisa, trago apenas amor pela história e os personagens
Chamou muito a atenção o desempenho de alguns atores conhecidos, como Juliana Paes, Rodrigo Lombardi, Osmar Prado e Antonio Fagundes. Como você conseguiu extrair desempenhos tão diferentes destes atores?
A preparação dos atores é a fase a qual mais me dedico dentre todas as fases de um trabalho. Cada projeto exige um conjunto de técnicas e procedimentos que apresento aos atores na sala de ensaio, visando sempre a um ato de coragem – ou libertação, se preferir. Como diz o poeta: “Se expressar é uma questão de vida ou morte.” Dentro dos ensaios, ou se cria uma nova expressão, um novo ser, ou não faz o menor sentido estarmos ali.
Sempre pensei no Osmar para o Êpa. Foi uma visão que me ocorreu durante a primeira leitura. Não trago fórmulas para montar um elenco, mas os sentimentos devem guiar tudo, como uma enorme saudade, por exemplo. Este é o caso do Fagundes: saudade! Fazia tempo não trabalhávamos juntos, mas, por outro lado, não gostaria de repetir algo que fizemos anteriormente, por isso lhe ofereci o Giácomo, uma figura de brinquedo. Saudade é novamente a palavra capaz de traduzir Irandhir Santos, distante desde “A Pedra do Reino”. Seu Zelão foi encantador.

Divulgação/TV Globo

 

 

 

 

 

Tive a grata alegria de fazer nascer uma nova atriz: Juliana Paes (foto). Cheia de coragem para se livrar de antigos modelos, Juliana encarnou uma Madame Êpa de opereta! Mostrando não só talento, mas disciplina e dedicação para se superar  

– Luiz Fernando Carvalho, diretor de “Meu Pedacinho de Chão”

Mas, além de tudo e de todos, tive a grata alegria de fazer nascer uma nova atriz: Juliana Paes. Cheia de coragem para se livrar de antigos modelos, Juliana encarnou uma Madame Êpa de opereta! Mostrando não só talento, mas disciplina e dedicação para se superar. A atuação de Juliana revelou-se repleta de nuances, emocionou e fez sorrir a um só golpe. O mesmo devo dizer do Rodrigo Lombardi, que se despojou do estigma de galã e, renascido como artista criador, se aventurou com riquezas de detalhes na criação de seu Pedro Falcão.

O encontro com estes múltiplos talentos, provenientes dos mais variados pontos do país, foi o que deu ao meu dia a dia uma sensação de unidade artística e cumplicidade espiritual. Termos tido coragem para imaginar um mundo novo foi o melhor daqueles dias ! E esta coragem, buscada desde a sala de ensaio, cada ator a levará eternamente consigo. Se tivesse que resumir esta experiência com os atores de “Meu Pedacinho”, diria que estávamos diante de um grande divertimento. É assim que todos estamos nos sentindo. É assim que nos despedimos.
Em termos de audiência, a novela ficou abaixo da média do horário, com números um pouco inferiores até a “Lado a Lado” e “Joia Rara”, as que tiveram pior Ibope. Como você vê esses números?
Em um ano atípico, cheio de eventos, estreando em meio a feriados e atravessando uma Copa do Mundo, sinceramente, minha avaliação só pode ser positiva. Ficarmos dentro da média de novelas apresentadas há dois anos me parece bem razoável.
 

Infelizmente falta reflexão crítica. É preciso renovar mais e copiar menos, levantando os olhos do próprio umbigo e avistando o tal mundo

– Luiz Fernando Carvalho, diretor de “Meu Pedacinho de Chão”

                      Lucas Pinheiro, de longa estrada no teatro, na pele do barbeiro Aristides…

Dizem que o mercado de atores está saturado e as novelas repetem sempre os mesmos. “Meu Pedacinho…” mostrou vários rostos novos ou pouco usados na TV, todos muito talentosos. Qual é o segredo?

Não há segredo. É preciso virar as costas para o litoral, repleto de consagrações imediatas, e avistar um mundo de talentos que é o nosso país. É preciso também repensar o modelo de dramaturgia com urgência. Não sou um especialista, mas o modelo soa velho e burocratizado. Há novelas com mais de cem personagens sem que de fato esta quantidade se faça necessária dramaturgicamente. Há um desperdício que se tornou uma regra faminta, capaz de devorar os melhores talentos já estabelecidos.
É preciso virar as costas para o litoral, repleto de consagrações imediatas, e avistar um mundo de talentos que é o nosso país”, diz Luiz Fernando Carvalho
Some-se a isso, uma real fragilidade na formação de novos atores, autores e diretores. Em ultima instância, seriam os diretores os responsáveis por analisar e refletir de forma crítica os textos e as escalações. Infelizmente falta reflexão crítica. É preciso renovar mais e copiar menos, levantando os olhos do próprio umbigo e avistando o tal mundo. Pouco importa um diretor ou autor que foi colaborador por décadas, praticamente um funcionário público, ele repetirá formulas e procedimentos arcaicos mesmo sendo chamado de “novo”.
Dani Ornellas brilhou como a despachada ‘Amância’, funcionária da fazenda do coronel Epa…
“Esperança”, de 2002, havia sido a sua última novela. Como foi voltar a fazer uma novela? Planeja outras?
Escolhi dirigir poucas novelas para me colocar diante delas como um amador.  Esse frescor é fundamental para mim. Por isso “Meu Pedacinho de Chão” não se trata de mais uma novela, nem mesmo considero este momento como simplesmente minha volta às novelas. Não estou voltando a nada, pois não considero ter abandonado coisa alguma. O que existe é a continuidade de um exercício de narrador que não termina nunca e, especialmente em relação às novelas, ainda pouco explorado por mim. Tenho ainda curiosidades em relação ao gênero e por isso mesmo considero um desafio revisitá-lo. Sou um aprendiz. Não trago regras ou certezas de como deve ser feita a coisa, trago apenas amor pela história e os personagens. Repito: sou um amador.
Paula Barbosa e Bruna Linzmeyer: como Gina e Professora Juliana, as atrizes encantaram em ‘Meu Pedacinho de Chão’…
Novela é um gênero com futuro na televisão? Esse formato mais curto, com 100 capítulos, é uma solução?
A novela não morrerá nunca. Muda-se o suporte, o veículo, e a novelinha estará lá! Ela é arquetípica. Faz parte do inconsciente coletivo ouvir histórias, ler, contar. Não há muita diferença entre estes modos. A imaginação trabalha diferentemente, tudo bem, mas as emoções trafegam de forma parecida, se comunicam, estão ali, ligadas. Estaremos sempre abertos à uma boa história. O que precisamos refletir é uma questão de forma –  sempre a questão mais delicada. Nos dias de hoje, debaixo dessa saraivada de imagens e conteúdos que consumimos, me parece inadmissível acreditarmos que a narrativa e a linguagem não precisam avançar em busca de uma modulação mais criativa.
Irandhir Santos conquistou mais fãs e encantou o país com a quebra de paradigmas promovidapelo seu apaixonado ‘Zelão’…     #AplausoBlogAuroradeCinema

O ‘Pedacinho’ que vai ficar faltando no nosso coração…

Novela está em sua semana final e vai deixar imensa saudade no coração do público… Uma melancolia sobranceira começou a instalar-se desde a semana passada. Nesta que corre célere,  mesmo o azul que nos protege acinzentou tristemente, como na bela canção do musical poeta Herbert Vianna. Porque nós, que acompanhamos com amorosa fidelidade a novela de Benedito Ruy Barbosa, Luiz Fernando Carvalho, Carlos Araújo, e Raimundo Rodriguez, estamos já imersos numa latejante saudade de Meu Pedacinho de Chão.

Lepe e Pituca por Anderson Tomás Sampaio e Geytsa Garcia: Lepe e Pituca encantaram … foto Anderson Dias

Concordo com o jornalista Breno Cunha quando afirma:  “Meu Pedacinho de Chão” ainda não acabou e a falta que vai fazer para a televisão brasileira e seus milhões de consumidores é incalculável”. Mesmo diante do encantamento que nos chega por um simples clic no controle remoto, instalou-se sorrateiro um vazio triste antevendo o final de obra tão delicadamente bela e profunda.

Padacin casa

Não, não dava pra prever que esta adesão funda e emocional viesse junto aos mágicos ingredientes de Meu Pedacinho.  À primeira vista, parecia que o visual seria uma cereja de bolo, mas não havia suficientes iguarias para cativar um público de milhões. Afinal, somos um país de noveleiros, dentre os quais me inscrevo grata.

Já codinominada por nós como ‘a primeira novela naif brasileira’, Meu Pedacinho de Chão vai chegando ao final coroada de acertos, e com maciça reverberação na mídia, que repercute os reclamos de milhões de telespectadores também cientes do quanto a novela trouxe inovações importantes para o horário, reacendendo o interesse por um tipo invulgar de dramaturgia. A Dramaturgia que não precisa enveredar pela adrenalina das ações nem investir em temas onde armas, assaltos, crimes e violência explícita sejam o norte, provocando salutar reflexão sobre temas tão pueris quanto necessários.

Ao lado da filha Edilene e do neto Marcos, Benedito Ruy Barbosa, o autor, num dos ‘latifúndios’ de Meu Pedacinho de Chão

Meu Pedacinho de Chão escancarou no panorama cotidiano nacional a acuidade de se valer de caminhos onde a beleza ancore com serenidade capaz de emoldurar um vasto leque de pequeninos detalhes para falar de delicadezas das quais o mundo precisa, cada vez mais, e das quais a maioria de nós, espectadores, nos sentimos carentes, distantes, alijados, negligenciadamente esquecidos.

Dani e Renata Luciana

Renata Luciana, do figurino, e Dani Ornellas, que brilhou como ‘Amância’…

Flávio Bauraqui e Irandhir Santos: contracena de gigantes !

Quando digo ‘pequeninos detalhes’ é porque há uma soma imensa e altamente eficaz de coisinhas miúdas alumiando o universo lúdico da novela das 18h, e todos tem sua função, colaborando ricamente para esse encantamento que é Meu Pedacinho de Chão.

Meu Pedacinho de Chão

Paula Barbosa e Johnny Massaro conquistaram o público com um casal que demorou a se acertar  mas que encheu de beleza suas cenas…

São os cenários de Raimundo Rodriguez, a caracterização de Rubens Libório, as preciosidades de Myriam Mendes, Maria Madalena, Renata Luciana, Anderson Dias e tantos tantos outros que ali colocam suas pedrinhas preciosas ajudando a bordar o enorme diagrama onírico, que se acresce e agiganta-se num trabalho primoroso de construção dramática para o qual contribuem eficazmente uma belíssima e eficaz trilha sonora (orquestrada pelo maestro TIM Rescala), uma fotografia filigranada em filtros, cores e lentes altamente prodigiosas, resultando numa artesania artística de beleza singular, emocionalmente poderosa e inteligentemente construída, para amalgamar-se com o telespectador num profundo matelassé emotivo.

Há sim no rico acervo artístico do diretor Luiz Fernando Carvalho um conhecimento profundo da cultura brasileira, um respeito pela cultura popular e um saudável ‘visionarismo’ de casar a tradição com a renovação que é invejável. Porque visualizar o que conseguimos ao assistir a Meu Pedacinho é fácil e prazeroso. Mas imaginar como tudo ficaria se tais e quais investimentos artísticos fossem feitos é clarão de genialidade, portanto, é raríssimo e potencialmente marcante, inovador e ousado. Luiz Fernando e seu braço direito, Carlos Araújo,  acertaram em todos os pontos e isso já lhes concede, ou reafirma, a validade e alcance de seus acertos.

A riqueza de detalhes e o cuidado na construção de um universo lúdico impressionam em Meu Pedacinho de Chão

A exuberância colossal  do ‘Latifúndio’ do artista Raimundo Rodriguez tomou conta da telinha e ganhou público apaixonado…

A partir da obra Latifúndios, do artista plástico Raimundo Rodriguez, criados em 2000, foram pensadas todas as edificações da fictícia cidade de Santa Fé, berço da história de Benedito Ruy Barbosa. A matéria-prima da criação de Raimundo, que está em constante evolução, são latas de tinta das mais variadas cores e seus desgastes naturais, como nuanças e degradés, presentes nos cenários que admiramos sem nunca cansar o olhar.

Raimundo em foto Luisa Gomes Cardoso

Raimundo Rodriguez numa de suas obras para ‘Meu Pedacinho de Chão’… foto Luísa Gomes Cardoso… #criaçãoRaimundoRodriguez

Raimundo Rodriguez está lá com suas criações, preciosamente arquitetadas, em quase todas as cenas da novela: seja em portas, janelas e paredes, nas escadarias, na belíssima igreja ou em painéis móveis que servem de apoio para as gravações, bem como nas impecáveis animações com o galinho Bené e com o trenzinho que liga Santa Fé à cidade das Antas. Mas a sensibilidade artística de Raimundo vai muito além do que está evidente nos cenários intrinsecamente lindos e irremediavelmente convidativos de Meu Pedacinho: ele está também no desenho das cenas mais fortes de Zelão, no antever o movimento que tal peça de figurino terá quando diante de uma luz e de uma lente bem ajustada, na criação das notáveis estações que perpassaram todo o correr da história que tem em duas crianças seu epicentro emocional.

Cintia Dicker e Gabriel Satter: o casal Milita e Viramundo…

Como se tudo isso não bastasse, há uma harmonização de elenco deverasmente magnânima, formando um desenho cênico-interpretativo de força pertinaz porque nele há espaço para cada um confessar o melhor de si. E o que cada um traz para o jogo da cena ganha o peso de sua identidade, anunciando o brilho no olhar de quem brinca por indiscutível prazer, e denunciando a grandeza inconteste de quem sabe que a eficácia de uma construção está nos engenhos que cada um vai tecendo e ajudando a semear com carinho, ternura e solidariedade para fazer valer um pedacinho de chão, a nós entregue com tanta espontaneidade que nos flechou de vez e incrustou-se no nosso coração como maresia em pedras de além-mar.

Irandhir Santos e Bruna Linzmeyer: Zelão e a professora Juliana num amor de paixão que conquistou a audiência e ganhou até torcida…

Bruna Linzmeyer, Irandhir Santos, Osmar Prado, Juliana Paes, Johnny Massaro, Flavio Bauraqui, Antônio Fagundes, Rodrigo Lombardi, Inês Peixoto, Teuda Barros, Bruno Fagundes, Dani Ornellas, Gabriel Satter, Ricardo Blat, Letícia Almeida, Raul Barreto, Lucas Pinheiro, e mais as crianças Tomás Sampaio, Geytsa Garcia, e Kauê Ribeiro – cada um deles – e mais uma infinidade de artistas, seja em personagens com menor visibilidade ou em trabalhadores da artesania de bastidores, cada um deles tem uma parcela relevante de contribuição no mosaico de criatividade que é Meu Pedacinho de Chão.

Não queremos ser injustos e deixar de citar algum nome, mas são tantos que é impossível citá-los de cor. Então, segue abaixo a lista completa de bravos e fundamentais artesãos que contribuíram para a obra-prima que é Meu Pedacinho de Chão. A cada um de vocês, do mais ao menos conhecido, nosso abraço de gratidão e nosso Aplauso comovido. Afinal, foram alguns meses iluminando o olhar e acarinhando a sensibilidade com este sonhário singular do ‘Meu Pedacinho’.

FICHA TÉCNICA OFICIAL #MeuPedacinhodeChão

Escrita por Benedito Ruy Barbosa Colaboração Edilene Barbosa Marcos Barbosa De Bernardo Direção Henrique Sauer Pedro Freire Direção geral  Luiz Fernando Carvalho Carlos Araujo Direção de núcleo Luiz Fernando Carvalho Elenco de apoio Antonio Alves Dida Camero Rosa Iranzo Lucianna Magalhães Wladimir Pinheiro Bel Belloni Ignácio Aldunate Darília Oliveira Lucas Pinheiro Leandro Vieira Crianças de apoio Esthefanny Oliveira Jenny Flores Kaik Brum Leonardo Marchetti Autorização especial SATED RJ Cenografia  Keller Veiga Tadeu Catharino Wilson Lara Cristina De Lamare Cenógrafos assistentes Danielly Ramos Mariana Villas Boas Rodrigo Figueiredo Fabricio Palermo Roberto Villar Regina Paulino Figurino Thanara Schönardie Figurinistas assistentes Patrícia Barbeitas Daniella Lima Deborah Kasper Fernanda Moraes Luciana Morrissy Renata Luciana Dos Santos Contra-mestre Maria Madalena de Oliveira Silva Equipe de apoio ao figurino  Alex Sena Alicia Ferraz Carolina Lannes Cláudio Luciano Cristiane Peçanha Daniel Cavalcanti Dirley Souza Elijanite Marinho Eni Dos Santos Fábia Jane Dos Santos Heliana Conceição Helson Gomes José Luiz De Melo Leonardo Ramos Lisandra Miguel Maria José Gomes Markoz Vieira Marlene Alves Robson Salomão Rosa Corrêa Direção de fotografia Jose Tadeu Direção de iluminação Alexandre Fructuoso Gustavo Lacerda Gaffer Fábio Conceição Equipe de iluminação Marcio Ribeiro Pinto Juan Carlos Fructuoso Carlos Eduardo Gomes Luiz Leonard Ferreira De Souza Leandro Nogueira Finamore Guilherme Martinho Ribeiro Araujo Leandro Ramos Santos Maicon Carlos Matias De Lima Luiz Alberto Silva Freitas Carla Do Espirito Santo Barbosa Anderson Gonçalves Weslley Teixeira Artista plástico Raimundo Rodriguez Produção de arte assistente Luisa Gomes Cardoso Deborah Badaue Sabrina Travençolo Anderson Dias Marcos Mariano Produção de arte Marco Cortez Produção de arte assistente Carolina Pierazzo Daniela Wiemer Helenita Gontijo Myriam Mendes Equipe de apoio à arte Jose Marcos Thiago Leal Marco Aurélio De Carvalho Washington De Oliveira Adenilson Ligiero Luiz Alberto Da Silva Carolina Gomes Maria Do Rosário Soares Produção de elenco Márcia Andrade Instrutores de dramaturgia Agnes Moço Lúcia Cordeiro Renata Franceschi Renata Soffredini Tiche Vianna Mareliz Rodrigues Antonio Karnewale Produção musical Tim Rescala Direção musical Mariozinho Rocha Música Tim Rescala Música adicional Devotchka Caracterização Rubens Liborio Equipe de apoio à caracterização Rosemeire Santos Marinez Rodrigues Thais Nunes Paula Ines Da Costa Sheila Reis Andrea Adad Julice De Paula Rita Souza Leticia Biazzi Adelma Calixto Viviane Ribas Lucimar Almeida Edição Iury Pinto Carlos Eduardo Kerr Alberto Gouvea Alamyr Andrade Paulo Jorge Marcia Watzl Colorista Wagner Costa Sonoplastia Irla Souza Renato Muniz Marco Salles Dionisio Ferreira Efeitos visuais Rafael Ambrosio Videografismo Marcelo Nicácio Thiago Santoro Antônio Carlos Gonçalves Eduardo Salles Caio Licio Igor Lementy Pedro Vicente Leonardo Lino Ilustrador  Beto Campos Efeitos especiais Ricardo Menezes Abertura Alexandre Pit Ribeiro Alexandre Romano Direção de animação Cesar Coelho Direção de imagem Willians Rodrigues Dias Câmeras Murillo Azevedo Leandro Pagliario Thelso Gaertner Tito Livio Marcello Motta Cristiano Barroso Equipe de apoio à op. de câmera Zaify Da Silva Sampaio Fabiano Pereira Da Silva Rafael Rodrigues Dos Santos Jairo Dias Baptista Felipe Lopes De Miranda Equipe de vídeo Dreverson Marcio Kazik Gilberto Dos Santos Martins Filippe Esteves Bastos Equipe de áudio Paulo Roberto Bernardo Coutinho Amorim Pablo Mendonça Da Rocha Evandro Sardinha Fagner Leonel Dos Santos Ricardo Knupp Orlando Da Anuciação Barros Diego Maia Supervisor e op. sistemas Ricardo Luna André Almeida Rodrigo Siervi Gabriel Eskenazi Dannyo Escobar Adelto Santos Maquinista  Valdemir Cesar Gerente de projetos  Alexandre Gama Produção de cenografia Dalmo Meireles Supervisor de produção de cenografia Ronaldo Buiú Lucas Avenoso Fabio Silva Geraldo Mauro Silveira Miria Mathias Santos Equipe de cenotécnica Wanda Maria Guimarães André Luiz Santos Oswaldo José Da Silva José Marcos Alves Da Silva Thiago Leal Anderson Rollemberg Pedro Antônio Marcos De Oliveira Poubel Arilson Garrido Siqueira Carlos Renato Cardoso Ferreira Cláudio Rosa Conceição Renato Souza Almeida Wagner De Paula Carneiro Luiz Carlos Da Silva Jorge Luiz Araújo Paes Washington Luiz Da Silva Marinaldo Santos Silva Edson Patrício Leôncio Joelson De Souza Da Conceição Samuel Gonçalves Da Silva Danilo Duarte Torres Dalmo Souza Vieira Leonardo Do Espírito Santos Alves Luciano De Jesus Oliveira Jorge Fábio Rodrigues Gilberto Gonçalves Bastos Filho Cláudio Antônio De Paula André Luiz Silvestre Theodoro Luiz Claudio Perdigão Flávio Wayne Cristobal Lourenzo Marcio Campos Continuidade Glaucia Pelliccione Carla Carrete Karen Marmello Equipe de internet Ana Bueno Bianca Kleinpaul Bruno Martins Rafael Maia Mariana Santos Ligia Andrade Fabíola Schwob Gabriela Duarte Claudia Castilho Eduardo Belo Juliana Saboya Fabricio Bianchi Francisco Couto Rodrigo Abreu Assistentes de direção Carla Böhler Antonio Karnewale Bernardo Sá Produção de engenharia Ilton Caruso Equipe de produção Vanessa Marques Manuela Estrella Nayana Gouveia Rodrigo Riff Fabio Conceição Manuela Piame Thalita Ximenes Chico Marinho Supervisão executiva de produção William Barreto Allexia Galvão Supervisão executiva de produção de linha Lucas Zardo Produção executiva direção Maristela Velloso

* RECORDANDO os que construíram o “PEDACINHO :

Teuda Bara e Inês Peixoto: grandiosas atrizes egressas do Grupo Galpão…

O diretor Luiz Fernando Carvalho e o autor Benedito Ruy Barbosa com as crianças moradoras da Vila de Santa Fé…

Bauraqui

Flavio Bauraqui e o inesquecível ‘Rodapé’ – foto Anderson Dias…

equipe MP

Roniere Souza e Anderson Dias na equipe de construção cenográfica…

Mi e o viola

Myriam Mendes e a viola enamorada do Viramundo

Como não amar absolutamente Carpinejar ?

O magistral escritor gaúcho nos deixa novamente calados ante a eloquência e beleza avassaladora de sua poesia derramada em forma de crônica !

Impossível não ser solidária e reverenciar, completamente, a maestria deste irretocável Mestre das Palavras !

Sua bênção, CARPINEJAR !

DESENCANTADO

Arte de Diego Rivera

* Fabrício Carpinejar

Foto: DESENCANTADO
Arte de Diego Rivera

Fabrício Carpinejar

Hoje estou desencantado do amor. Desencantado: o avesso de sua palavra preferida. 

Hoje acho que vou morrer solteiro e cínico, acho que vou morrer sozinho e cítrico, vou morrer desiludido e ríspido. 

Hoje tenho ódio das aparências, dos perfis perfeitos nos aplicativos, da compreensão fingida do início. Hoje tenho ódio da paixão que não continua com os defeitos. Hoje tenho ódio de quem se apresenta de um jeito para agradar e não assume o que é desde o primeiro encontro. Espumoso ódio daquele que tudo concorda para depois sabotar, que tudo aceita para depois sonegar, que tudo quer para depois rejeitar. Indomável ódio da loucura invisível das pessoas, que são sempre certas e exatas em seu raciocínio e volúveis em seus desejos. Imenso ódio dos que jamais dobram os braços para agradecer e os joelhos para rezar. Absoluto ódio da confiança, palavra traiçoeira, que é apenas mais um sinônimo para esperança. Insaciável ódio das frases ditas para sempre e que não duram nem alguns meses. Invejável ódio da convivência de afeto espaçado e de ternura episódica. Incomparável ódio do egoísmo disfarçado de independência. Implacável ódio da crueldade que todos recebem quando se desarmam por completo. Incompreensível ódio de me expor, pois não há como se esconder dos próprios sentimentos. 

Hoje estou desencantado do amor. Mas só hoje.

Hoje estou desencantado do amor. Desencantado: o avesso de sua palavra preferida.

Hoje acho que vou morrer solteiro e cínico, acho que vou morrer sozinho e cítrico, vou morrer desiludido e ríspido.

Hoje tenho ódio das aparências, dos perfis perfeitos nos aplicativos, da compreensão fingida do início. Hoje tenho ódio da paixão que não continua com os defeitos. Hoje tenho ódio de quem se apresenta de um jeito para agradar e não assume o que é desde o primeiro encontro. Espumoso ódio daquele que tudo concorda para depois sabotar, que tudo aceita para depois sonegar, que tudo quer para depois rejeitar. Indomável ódio da loucura invisível das pessoas, que são sempre certas e exatas em seu raciocínio e volúveis em seus desejos. Imenso ódio dos que jamais dobram os braços para agradecer e os joelhos para rezar. Absoluto ódio da confiança, palavra traiçoeira, que é apenas mais um sinônimo para esperança. Insaciável ódio das frases ditas para sempre e que não duram nem alguns meses. Invejável ódio da convivência de afeto espaçado e de ternura episódica. Incomparável ódio do egoísmo disfarçado de independência. Implacável ódio da crueldade que todos recebem quando se desarmam por completo. Incompreensível ódio de me expor, pois não há como se esconder dos próprios sentimentos.

Hoje estou desencantado do amor. Mas só hoje.

O #BlogAuroradeCinema aplaude FABRÍCIO CARPINEJAR e declara sua admiração incondicional pelo Poeta !

‘Em Família’: novela prega tolerância e esquece importância do luto

Novela de Manoel Carlos erra ao eliminar luto pela morte de Laerte porque isso quebra pacto emocional com o espectador…

Gabriel Braga Nunes compôs com a competência de sempre o controverso, problemático e romântico músico Laerte…

Não gostei do final de Em Família.
Penso como o saudoso cronista Artur da Távola, q tão bem defendia o final feliz:

“FINAL FELIZ pq estão todos cansados de um tipo de vida q esmaga. Cansados da luta, da briga, do desamor e de sistemas q separam homens com os tabiques à prova de afeto. FINAL FELIZ pq estamos cansados e precisamos de um pouco de ternura, na esperança de valorizar o existe de bom no ser humano. FINAL FELIZ pq, pelo menos na ficção, as pessoas encontrarão uma chance de dar a mão e suspirar seguras, de se espreguiçar ou dar uma gargalhada; de descobrir as suas melhores dimensões através da percepção do outro e da relação sadia com a comunidade e o corpo. FINAL FELIZ pq, sem redescobrir a dimensão poética da vida, esta se transformará numa grande instituição de repressão, produção e esmagamento. FINAL FELIZ só pra contrariar tudo o q nos cerca, espreita, oprime e esmaga. Por teimosia e sonho, contestação e esperança”. 

elass

Mesmo com alguns acertos, como a boa cena do filho conhecendo a mãe q nunca o assumiu (ótimos Bruno Gissoni e Ângela Vieira), e a delicadeza oportuna da cena do garoto Ivan (vivido pelo lindo Vítor Figueiredo), filho de Clara e Cadu, discursando em festa da escola para uma plateia lotada de pais, mães, familiares – a defesa eloquente da TOLERÂNCIA foi um acerto relevante, tanto quanto mostrar o casamento de Clara e Marina, e a aceitação tranquila do relacionamento entre duas mulheres por parte das famílias das duas. Acertos que merecem o #AplausoBlogAuroradeCinema. Mas penso q a morte de Laerte era desnecessária e, em sendo esta a opção, q fosse tema do penúltimo capítulo, e não do capítulo final. Muito melhor teria sido o casamento de Clara e Marina como cena de fechamento da novela, e tudo terminava numa grande festa de celebração do Amor e da Tolerância, em todos os níveis – e aqui entrariam a relação de Juliana e os dois pais de seus filhos, o amor na Terceira Idade (o pai de Shirley como bom exemplo), a aceitação total da mãe ‘postiça’ pelo filho adotado, orgulhoso da mulher q lhe criou; a redenção do médico, ex-alcóolatra, e mais e mais.

Vítor Figueiredo fez Ivan com muita naturalidade e marcou com delicadeza…

Sobretudo, o capítulo final pecou por não mostrar a dor de se perder um ente querido, por não conceder ao telespectador o direito de elaborar a dor do luto. Afinal, Laerte não era um vilão e sim um personagem com sério problema psicológico, com comportamentos muitas vezes reprováveis, mas era alguém q trazia consigo a música (isso é suficientemente forte para criar sintonia com o público), uma vontade de ser feliz e viver a paixão, e um latente ethos masculino que agradava muito, às mulheres da trama e às telespectadoras. Matar o personagem parece ter sido a solução (questionável) para sanar o problema que seria ter um quase assassino convivendo na mesma família da futura noiva. Isso tb. nos pareceu a saída mais fácil: mata-se o vilão (?) e elimina-se o drama de consciência de ter uma filha gostando do mesmo homem que tanto mal fez à mãe dela. Porém, se a solução acordada foi essa, que não se deixasse vazar o final antes da hora (foi muito ruim assistir ao capítulo já sabendo q a morte de Laerte viria), e que se elaborasse esse luto de forma condizente com o que o personagem conquistou de simpatia e/ou afeto ao longo da trama.

Soou falso e inverossímil o ‘depois do tiro’: Luíza acode o noivo em choro e perplexidade, e os pais dela, tão amorosos, sequer chegam perto da filha para confortá-la. O filho de Laerte assiste a tudo sem correr para abraçar o pai pela última vez, e nada mais se vê. Quando a cena termina, a edição leva para uma belíssima paisagem de pôr do sol no Rio com uma música claramente usada pra mudar o clima de tragédia, segue para uma aula de dança no Galpão comandado por Laerte e Verônica, e ninguém fala mais na ausência e no fim trágico de Laerte. Ninguém lamenta, ninguém chora, ninguém relembra. Onde estavam seus pares, seu filho, sua viúva ? Onde foi parar a dor de Luíza ? Por que não mostrar a bela noiva vestindo preto e chorando muito aquela dor infinda ? Afinal, Laerte foi um amor muito acalentado ! Assumir o romance com ele foi uma ruptura de padrões q lhe custou caro e muitas horas de insônia, discussões e problemas. Ficar com o homem que ninguém na família queria até chegar com ele ao altar (e isso ainda carrega uma simbologia muito forte na nossa cultura), foi um caminho árduo e cheio de percalços. Como não deixar o telespectador visualizar isso, e não deixá-lo vivenciar a dor dos que eram próximos a Laerte, nem elaborar – imagética e emocionalmente – o fim repentino e inesperado do personagem, que tinha tantos sonhos pra viver com a amada ? 

O telespectador cria vínculos com a história que acompanha, e esses não podem ser cortados abruptamente, sob pena de deixar capengar a dramaturgia, deixar frágil suas sintonias e enfraquecer sua carga empática. Afinal, talvez seja este o grande trunfo da Telenovela: cultivar o espectador através de capítulos diários que vão sendo feitos e alterados ao sabor das emoções despertadas na audiência, e aquela convivência diária, alimentada por tantos meses, promove uma sintonia com uma história onde há personagens com os quais se cria um vínculo (daí pq tantas vezes ficamos tristes quando elas acabam – vide ‘Avenida Brasil’, pra citar apenas a mais recente e q causou este sentimento intenso de perda e saudade). Logo, subtrair da cartela de matizes sensoriais do espectador emoções que estão latentes, soa como uma traição ao pacto firmado no início da obra e alimentado enquanto a ela esteve no ar. Qualquer personagem que entra numa trama e de repente some, ou some sem explicação, deixa mergulhar numa incômoda pergunta o que houve com o personagem, por que o (os) autor (autores) não definiu um caminho ‘praquele um’ (como diriam os personagens do ‘Meu Pedacinho de Chão’). E nem precisa ser um personagem principal: o público sempre quer saber o q houve com fulano ou beltrano q entrou, aconteceu, e, se sumiu, ninguém sabe ninguém viu. 

No caso de Em Família, o problema não foi não saber o fim do personagem: o grave foi não se ver a dor pela morte de Laerte nem dar ao espectador a oportunidade de elaborar essa vivência tão marcante através do sofrimento dos que partilhavam da convivência com Laerte, e, dessa forma, também elaborar, ele mesmo (o telespectador) essa sensação de finitude que extrapola a telinha e vem fazer companhia a quem acompanha uma telenovela e é cativado basicamente pela emoção. No caso da morte de Laerte (vivido com a beleza, competência e carisma bem conhecidos de Gabriel Braga Nunes), ficou a sensação de que aquele fim veio para estabelecer a paz numa família que vinha se esfacelando à medida em que ele fazia seu retorno a ela (uma vez q ele e a futura esposa eram primos), e q sua morte foi um alívio geral. E não é nada bom passar esse sentimento ao público quando o personagem q morre não é nenhum vilão nem alguém de atitude tão deplorável, a ponto de a morte ser um desejo comum a todos os envolvidos na trama. Não era esse o caso de Laerte.


Erraram feio, mas pecaram por pouco: numa obra com tantos acertos, poderiam ter ficado sem essa, ainda mais no capítulo final, que deve e merece ser FELIZ !

Argentina volta ao Maracanã para final da Copa

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FOI CORAÇÃO NA MÃO O TEMPO TODO… mas eles VENCERAMMMM !

Maxi Rodríguez corre para o abraço em Sergio Romero: ARGENTINA É FINALISTA !!!

Jogo da semifinal foi no estádio Itaquerão em São Paulo: teve prorrogação e terminou nos pênaltis, vencidos brilhantemente pelos hermanos !

#MESSensacionalllllllllllllllll !!!

TOMARAM A QUINTA BOLA DE OURO DO CRAQUE MAS ELE ESTÁ na COPA DO MUNDO DO BRASIL mostrando e reafirmando sua SUPERIORIDADE. Levou à Seleção Argentina à Vitoria no DIA DA FESTA DA INDEPENDÊNCIA ARGENTINA….. 

Masc e M

Javier Mascherano e Lionel Messi: tranquilidade e determinação, dos treinos pros gramados !

Era este o PRESENTE que os argentinos queriam !
NÃO PODERIA HAVER ALEGRIAAAAAAAAAA MAIORRRRRRR !!!

final

MESSI MESSI MESSI 

#‎MESSensacionalllllllllllllllll‬ !!!   

Os argentinos JÁ SÃO os Segundos do Futebol Mundial, oficialmente ! Eles tem uma PAIXÃO por FUTEBOL sem igual, em nenhum outro lugar do mundo. Por isso, o #BlogAuroradeCinema vibra com a Vitória da Seleção Argentina ! O momento é de Super Mega Hiper FELICIDADE !

Ganhar ou não a próxima, fará pouca diferença em nuestros corazóns. 

O sentimento indica e a REALIDADE comprova: TIRARAM A QUINTA BOLA DE OURO do craque MESSI, numa das ações de mais vergonhosa injustiça acontecida ano passado em termos de futebol. Todos sabemos (e nós dissemos assim que a Copa começou) q o time mais forte é o alemão – não tenho nenhuma dúvida disso. Mas também não há dúvida nenhuma de que não adianta levar fotografia de jogador pra estádio, nem camisa, nem encher as redes sociais de mensagens de apoio: os Alemães tem mais Futebol e pronto. Mas nem por isso, os craques argentinos entrarão em campo no domingo de cabeça baixa.

Que venha o Maracanã: mesmo que não ganhemos, já ganhamos !!!

#VivaLaAlbiceleste ! #MESSensacionallll !!! #BlogAuroradeCinemacelebravitóriaargentinanaCopa #BlogAuroradeCinemanaCopa

Carpinejar e a derrota do futebol do Brasil na Copa

seleção bras

Poeta gaúcho FABRÍCIO CARPINEJAR exacerba do direito de ser brilhante e escreve a mais pungente, lúcida e profunda análise sobre a derrota da Seleção Brasileira para a Seleção da Alemanha, acontecida ontem no estádio Mineirão.

COPA

PAÍS DA COPA, NÃO MAIS DO FUTEBOL

A Seleção Brasileira experimentou seu dia mais humilhante, o mais triste ainda permanece sendo o da final da Copa de 1950. Ambas as datas conservam igual incredulidade.

Duvido que alguém tenha profetizado o resultado da semifinal de 7 a 1 para Alemanha. Nem o torcedor mais esquizofrênico de Berlim. Apesar do favoritismo germânico, o Brasil atuava em casa e com o apoio da torcida.

Se houve apagão de 3 a 0 na decisão da Copa de 98 para a França, o que aconteceu nesta terça-feira (8/7) foi a própria escuridão, com o Brasil levando quatro gols em seis minutos.

Depois do vexame lendário, fica combinado que na próxima Copa do Mundo nenhum jogador ou integrante da Comissão Técnica poderá fazer qualquer comercial durante o torneio. Será uma espécie de concentração espiritual, de retiro midiático, de cláusula de seriedade.

OS ATLETAS DEFENDERÃO APENAS A SELEÇÃO, e não marcas de refrigerante, xampu, produtos esportivos, operadoras de telefone.

Não existirá confusão e conflito de interesses, muito menos será criada a ilusão messiânica de que temos um grande time e que devemos acreditar no hexa.

NÃO HAVERÁ OUTRO OBJETIVO ALÉM DE JOGAR FUTEBOL. NÃO HAVERÁ OUTRA DISTRAÇÃO.

Chuteiras serão chuteiras, luvas serão luvas, calções serão calções. NINGUÉM SE MOSTRARÁ INDECISO ENTRE A REALIDADE E O MERCHANDISING.

Dedicaremos o tempo gasto em comerciais para treinar, fazer jogadas ensaiadas, estabelecer padrão de jogo e de esquema tático.

Trocaremos garotos-propaganda por um time entrosado, disciplinado, com toque de bola, objetividade e faro de vitória.

PORQUE HOJE O BRASIL É O PAÍS DA COPA, NÃO PODE MAIS SER CHAMADO DE PAÍS DO FUTEBOL”.

fim 2

Porque hoje o Brasil é o país da Copa, não pode mais ser chamado de país do futebol.

Carpi verde e amFabrício Carpinejar: lucidez, profundidade, conhecimento do jogo e extremada competência na análise do futebol brasileiro !

* Este texto foi escrito para o DIÁRIO DO ESCRITOR, onde são publicadas semanalmente crônicas do poeta gaúcho FABRÍCIO CARPINEJAR .