Arquivo do mês: setembro 2014

Raimundo Rodriguez e a semana final de Latifúndios

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Exposição do artista é arrebatadora e pode ser vista no MAC de Niteroi até dia 5…

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Aberta dia 13 de setembro em concorrida tarde-noite no belo Museu de Arte Contemporânea de Niterói (MAC) – projeto do arquiteto Oscar Niemeyer -, a exposição #Latifúndios, poderosa assinatura de Raimundo Rodriguez, é uma mostra interessantíssima sobre uma relevante série criada pelo artista e na qual ele trabalha desde o ano 2000. A produção é da artista plástica, arte educadora, produtora e gestora de projetos de Arte e Cultura, Márcia Zoé Ramos.

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São diversos #Latifúndios, feitos a partir de ‘retalhos’ de lata e tinta, compondo imensos painéis imagéticos, belos e impactantes, a partir de curadoria de Luiz Guilherme Vergara. Em cartaz somente até o próximo dia 5, a exposição do MAC tem entrada franca às quartas-feiras. Nos outros dias, a entrada é apenas R$ 10,00 e o #BlogAuroradeCinema recomenda a visita !

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Raimundo Rodriguez fala sobre seu processo criativo no MAC…

O visitante que vai ao MAC surpreende-se com a quantidade de latas usadas por Raimundo Rodriguez para compor esta série atual dos #Latifúndios. Porém, o que mais impressiona, é a possibilidade de transmutação dos inúmeros quadradinhos que compõem cada um dos #Latifúndios em outros novos painéis, uma vez que o olhar e a sensibilidade de cada um vai elaborando naturalmente novas conexões, outras sintonias e fundindo novos imaginários em diversas espécies de #Latifúndios que surgem a partir de sua matriz raimundorodrigueana.

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Mas essa é mesma a base do universo criador de Raimundo Rodriguez, a partir das muitas reciclagens que faz. O próprio artista diz que não seria o artista que é se não tivesse vindo de uma cidade onde era preciso, desde criança, juntar rolhas de garrafa “pois logo mais poderiam precisar de alguma pra fechar uma nova garrafa e não teriam como arrumar nem como se deslocar à cidade em busca de novas rolhas”. E assim, crescendo na dificuldade e na necessidade de guardar e preservar diversos tipos de materiais – que poderiam ser necessários a qualquer momento dentro de casa -, Raimundo Rodriguez cresceu e formou-se com a ideia de preservar, cuidar, juntar. E de lá pra cá, vive ‘juntando coisinhas’ e assim cria seus ‘coisários’ magníficos e únicos com os quais ilustra as viagens de nossos imaginários e encanta nossos olhares com uma sensibilidade acurada e poderosa.

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Sobrinhas

Raimundo Rodriguez com as sobrinhas Manuela e Isabel, e a jornalista Aurora Miranda Leão no MAC…

A total liberdade de criação de Raimundo Rodriguez resulta num trabalho vigoroso, sem  interferências, que ajudou a aproximar o público de um veículo de comunicação de massa como a TV à linguagem da arte contemporânea. Ele assina diversas ambiências cênicas (belíssimas) em trabalhos do diretor Luiz Fernando Carvalho (A Pedra do Reino, Hoje é Dia de Maria, Capitu, e Meu Pedacinho de Chão). Em poucos momentos da nossa vasta Teledramaturgia, teve-se a oportunidade de experimentar ‘um passeio sobre novos paradigmas estéticos’, numa evidência de que a  TV pode se valer (com eficácia e rigor) da mais pura Arte para contar uma história. E que belas histórias as obras assinadas por Raimundo Rodriguez já ilustraram em nossa telinha !

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Além da exposição #Latifúndios, que fica na parte mais bonita do MAC, a varanda (de onde se avista toda a baía), Raimundo Rodriguez fez uma intervenção a céu aberto na escadaria de acesso à Plataforma Urbana Digital do MACquinho (prédio em frente ao MAC – obra também de Oscar Niemeyer), a partir de atividades educacionais e artísticas com o público, sobretudo a Comunidade do Morro do Palácio, localizada ali no entorno.

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Todo o acervo de  vídeos de Raimundo Rodriguez, relativos às suas criações para obras da Teledramaturgia (Pedra do Reino, Hoje é dia de Maria, Capitu, Pedacinho de Chão, Imaginário Periférico, entre outros) estão disponibilizadas para que monitores possam criar oficinas interativas a partir dessas inspirações, integrando-se ao projeto “Arte, Cidadania e Tecnologia”, levado adiante pelo MAC.

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Na abertura da expô: Jair Lima, Patrícia Costa, Raimundo Rodriguez e Aurora Miranda Leão…

A intervenção no MACquinho comunica-se diretamente com o ‘primeiro’ dos #Latifúndios expostos no MAC: lá na Plataforma do MACquinho, assim como no painel inaugural do MAC, os ‘quadradinhos’ que formam um dos grandes #Latifúndios de Raimundo Rodriguez é todo feito a partir de papelão – para evitar que as crianças e adolescentes que trabalharam na obra tivessem algum corte provocado pelo contato inaugural com as latas. A intervenção no MACquinho – que gerou uma bela obra visual a se vislumbrar de dentro da Varanda do MAC – contou com apoio da Secretaria Municipal Educação, Ciência e Tecnologia do Município de Niterói e, segundo Luiz Guilherme Vergara (Diretor do MAC), inaugurou um novo procedimento de intervenção simultânea, articulada entre a Fundação de Arte de Niterói e a Fundação Municipal de Educação de Niterói.

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Deborah Badauê, Raimundo Rodriguez e Janete Scarani no MAC…

Saiba mais sobre RAIMUNDO RODRIGUEZ

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Em foto de Luísa Gomes Cardoso, o artista curtindo seu sonhário de latas…

Natural do Ceará, Raimundo Rodriguez nasceu no município de Santa Quitéria e desde os anos 60 mora com os pais no Rio de Janeiro. Fundador do grupo Imaginário Periférico, com foco na pesquisa artística do contexto sociocultural contemporâneo, administrou duas galerias no Rio (a Espaço Imaginário e a Caza Arte Contemporânea), e agora segue com o projeto Caza Intinerante – parcerias com outros artistas e galerias, cujo carro-chefe é o jornal Página da Caza, especializado no segmento. É responsável artístico e curador da renomada galeria Café Baroni, localizada no edifício-sede da Bolsa de Valores do Rio (na Praça XV).

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A doutoranda Renata Gesomino, que debruça sua pesquisa sobre as obras do artista, afirma que “esses objetos cilíndricos, materializados a partir de folhas de aço, não escondem sua força, resistência e rigidez, e ainda assim, são abertos, desamassados e pregados, como o tecido mais flexível que encobre os tradicionais chassis. Essas possíveis esculturas, em sua maioria, foram planificadas e a ação do tempo corroeu sua aura metálica, afirmando, mais do que nunca, a presença da terra, da poeira, dos ventos e de uma natureza brutalmente terrestre”, analisa a pesquisadora.

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No domingo, 21 de setembro, o MAC promoveu uma Conversa com o Artista, na qual Raimundo Rodriguez conversou com os muitos que foram conferir de perto os #Latifúndios sobre seu processo de criação. O que se viu ali foi um encantamento geral com o vigor de uma obra em permanente ebulição e crescimento, e um artista que trafega nas ruas da simplicidade e da ousadia espontânea, conversando de igual pra igual com pessoas de todas as idades e classes sociais interessadas em entender mais o ‘como acontece’ na obra de Raimundo Rodriguez, e querendo conhecer melhor sobre os detalhes tão fortes e ricos em obra tão grande quanto simples, criada a partir de materiais reciclados e, que, portanto, em tese, estão ao dispor de qualquer um.

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Público impressiona-se ante à magnitude dos #Latifúndios de Rodriguez…

Nunca se viu tanta gente no MAC disposta a conhecer e conversar de perto com um artista das Artes Visuais ! Naquele domingo, o MAC se transformou num autêntico congraçamento de beleza, interatividade e desfile de imaginários a descortinar-se lindamente pela convidativa Varanda do MAC. Uma Tarde Especial para os muitos que ali estiveram e puderam conhecer um pouco mais da obra e do processo afetivamente criativo que cerca a produção de Raimundo Rodriguez.

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‘Mar de Ilusões’: um dos #Latifúndios mais apreciados da expô no MAC…

Portanto, se você ainda não foi ao MAC de Niteroi, não perca mais tempo: até domingo, você pode visitar a bela e grandiosa exposição #Latifúndios de Raimundo Rodriguez no Museu de Arte Contemporânea de Niteroi. De quebra, ainda ganha um passeio por um dos lugares mais bonitos do Rio de Janeiro ! E pode sair de lá cheio de alegria por ter visto uma obra tão impactante e orgulhoso pela qualidade do talento singular de Raimundo Rodriguez !

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Raimundo Rodriguez entre Janete Scarani e Aurora Miranda Leão…

Foi assim que nós, que fazemos este #BlogAuroradeCinema, ficamos quando estivemos no MAC: absolutamente MA -RA – VI – LHA – DOS e honradamente feliz com a extrema e indubitável qualidade da obra do conterrâneo Raimundo Rodriguez ! Que é dessas que, em qualquer parte do mundo, é capaz de despertar encantamento, promover sintonias, e fazer ecoar retumbantes aplausos !

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Raimundo Rodriguez com a atriz Alcione Mazzeo, que ficou fascinada com os #Latifúndios…

Tivesse o Artista um Quê de nome ou sobrenome estrangeiro, e de há muito já ocuparia espaço de Destaque entre os maiorais da Arte Visual ! Mas ele é ‘apenas’ Raimundo Rodriguez, um Artista que quanto mais se torna um comum no anonimato da selva de pedra das grandes cidades, mais se torna genial e grandioso na sua forma de ver e estar no mundo. Daí, a empatia poderosa entranhada na riqueza de sua obra vasta, impactante e bela.

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Visite o MAC: ele precisa de você ! E Você precisa de Arte pra tornar mais rica a sua vida e mais bela a dos que convivem com você !

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Museu de Arte Contemporânea de Niterói localiza-se no Mirante da Boa Viagem, s/n – Niterói RJ. A visitação é de terça a domingo, das 10h às 18h. A bilheteria fecha 15 minutos antes do término do horário de visitação. Os ingressos custam R$ 10,00. Estudantes, professores e pessoas acima de 60 anos pagam meia. A entrada é gratuita para estudantes da rede pública (ensino médio), crianças de até 7 anos, portadores de necessidades especiais, moradores ou nascidos em Niterói (com apresentação do comprovante de residência) e visitantes com bicicleta. Entrada gratuita também às quartas-feiras.

Mais informações: 21 2620 2400 / 2620 2481

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Alcione Mazzeo e Aurora Miranda Leão tietando o artista Raimundo Rodriguez…

Carpinejar: “Quem tem preguiça escreve demais”

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Ele é exatamente o que sugere nos textos que escreve, de todos os tipos, para as mais diversas mídias. Ser aluna do Poeta CARPINEJAR é uma Honra, uma Alegria e um aprendizado cotidiano. O Poeta é Impossível ! Promove com intensidade e constância um revertério na cabeça do aluno, assim como acontece com os ouvintes do programa Consultório Sentimental que ele faz na Rádio Gaúcha com outros dois colegas – Junior Klein e Everton Behenck – , e muitas vezes também o faz nos twittes e crônicas semanais.

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Carpinejar ministrando oficina no curso B.arco. Foto #BlogAuroradeCinema

Partindo do princípio de que a doença é a INDIFERENÇA, o escritor afirma:

A pior coisa que existe hoje é as pessoas terem vergonha do ciúme. Ele é tratado como doença. Você não vai dizer para o namorado que está com ciúme. Vai tentar sonegá-lo, escondê-lo, e ele só vai crescer. Se a mulher confessa que tem ciúme, o homem diz “Você não confia em mim?”. Assim, ele coloca em risco o relacionamento e não permite que você sinta ciúme. E eu acho que o ciúme é indispensável. Porque é a pessoa ciumenta que vai se importar com você, vai ser leal, escutar o que você diz. A gente pensa nos efeitos colaterais do ciúme, no barraco, no escândalo, mas a gente esquece o lado positivo, a cumplicidade, a intimidade, a preocupação. Ele só se torna incontrolável quando sufocado”.

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Carpinejar e a jornalista Aurora Miranda Leão, fã assumida do Poeta gaúcho…

Na aula de CARPINEJAR, que tem duração de 4 horas diárias – das 19h às 23h, o tempo passa mas você não sente. Jamais assisti a uma aula de tempo tão extenso e ao mesmo tempo tão breve. Jamais assisti a aula cronologicamente com mais de uma hora que não olhasse o relógio para ver quanto tempo faltava para terminar. CARPINEJAR consegue a façanha singular de tornar uma aula prazerosa, curta, necessária, relevante, especial, única e ainda consegue te fazer achar que o tempo foi muito curto e ainda há tanto para aprender com ele.

Isso é das proezas que o Poeta alcança… verouvir Carpinejar falando dá súbita impressão de que o tempo parou no espaço e que tudo pode e deve ser eternizado em Poesia, Humor, e Sensibilidade.

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O Poeta afirma: “SEM ESTRANHEZA, A GENTE NÃO VALORIZA O QUE TEM”. E ele está, mais uma vez, coberto de razão !

Vida longa para FABRÍCIO CARPINEJAR !

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Fabrício Carpinejar ganha abraço efusivo da jornalista Aurora Miranda Leão…

“A crônica não é feita para ser um cabedal de impressões, é para contar uma história. Escrever é uma alegria, uma dança” – CARPINEJAR

Para Carpinejar, o riso é confissão ! Então, já somos confidentes !

“A poesia possui essa capacidade de perdurar o que não pode ser dito, o que foi sentido

Há tempos, queríamos fazer uma oficina com o Poeta Carpinejar, ouvir uma palestra dele, ir a uma noite de autógrafos, participar de um Consultório Sentimental ao Vivo, fazer uma entrevista com ele, conversar, trocar ideias, enfim, queríamos conhecer o magistral poeta gaúcho de perto. E finalmente, a hora chegou e semana que vem estaremos na oficina dele – que tem o sugestivo título de TANTA TERNURA – lá em Sampa, no Centro Cultural B. Arco.

Calhou de dar certo, calhou de estar no Rio e arrumar tempo de ir a São Paulo, e até esqueci os compromissos a cumprir em Fortaleza. Mas os desígnios de Deus são imperscrutáveis (conforme dizia meu sábio avô, Dr. João Miranda Leão), e se a oportunidade apareceu agora, é porque agora é que tem de ser.

Fabrício Carpinejar: nova oficina poética em São Paulo semana que vem…

E desde quando decidi-me por ir a São Paulo e participar da oficina, e que consegui comprar as passagens, e fiz minha inscrição, penso no quão insólito isso é pra quem há anos é leitora cotidiana do Poeta. E os amigos de verdade entendem e torcem, as amigas comentam e sabem de meu contentamento, e imaginam o tamanho da minha FELICIDADE.

E pensando nisso desde quarta, e, principalmente nesta sexta, em andanças pela orla carioca, fiquei matutando no quão é difícil conviver com o silêncio quando o falar e escrever precisam ser imperativos. Porque, afinal, o que pensa em primeiro lugar um jornalista quando admira alguém e vai encontrá-lo ? Naturalmente, pensa em fazer uma entrevista com esse certo alguém. E ao pensar na entrevista que tanto sonho em fazer com o poeta Carpinejar, sobrevém um estrondoso silêncio, e faltam-me as perguntas. Afinal, o que perguntar a alguém com a transparência de Carpi ? O que indagar a um Poeta que se mostra inteiro em suas belas crônicas (quase diárias) e em suas postagens cotidianas no Twitter ? O que ainda perguntar a quem se revela intensamente, e aos pedaços, em cada ideia ou pensamento que solta para o leitor como quem dá um mergulho num oceano sem medo do desconhecido ou das pedras e feras que possa encontrar no mar ?

Porque quem lê Carpinejar com a atenção devida e a sensibilidade necessária sabe que o POETA está integralmente presente nas palavras que emprega com maestria de ourives. Basta ter o cuidado de prestar atenção: a Alma do Poeta nos é entregue em papel celofane com uma coragem indubitável e uma notável capacidade de despir-se para melhor ofertar-se e solidarizar-se com o leitor !

Diante disso, ronda-me a inquietação: o que direi ao Poeta ao conhecê-lo ? O que ainda falta perguntar a ele que não tenha dito em suas crônicas antológicas, suas entrevistas, suas reportagens, suas participações no programa #encontro, seus ensinamentos no programa da Rádio Gaúcha, seus muitos e maravilhosos livros, seu arrebatador programa A Máquina ?

Não sei por onde começar… mas nada melhor que recorrer ao próprio Poeta para iniciar uma conversa com ele, e assim vou me apoiar em fortalezas carpinejarianas, como ele próprio ensina:

“Quando conhecemos alguém, o mais complicado é acertar as brincadeiras. Afinar o humor. Rir e fazer rir. É somente pelo riso que nos confessamos.”

“Cometa bobagens. Não pense demais porque o pensamento já mudou assim que se pensou. O que acontece normalmente, encaixado, sem arestas, não é lembrado. Ninguém lembra do que foi normal. Complique o que é muito simples. Conte uma piada sem rir antes. Não chore para chantagear. Cometa bobagens. Ninguém lembra do que foi normal. Que as suas lembranças não sejam o que ficou por dizer. É preferível a coragem da mentira à covardia da verdade. Seja imprudente porque, quando se anda em linha reta, não há histórias para contar”

“Não seja séria; a seriedade é duvidosa; seja alegre; a alegria é interrogativa. Quem ri não devolve o ar que respira.”

“Não tenho participação nas duas principais decisões da vida: nascer e morrer. O que me leva a concluir que só posso fazer bobagem.”

É o Poeta quem diz: “Felicidade é estar sensível, disponível, atento a qualquer distração; é uma predisposição a mudar de planos”.

Portanto, eu só posso é estar vivendo um momento de plena FELICIDADE. Afinal, meus planos foram absolutamente mudados: não me preparei para ser aluna de Carpinejar; não pensava ir a São Paulo agora; não imaginei sair do Rio embarcando para São Paulo, desviando minha rota para alcançar o sonho de conhecer o Poeta ao vivo. Mas como diz o querido Herbert Vianna, “Se é assim mesmo/ Que assim seja !

Que venha enfim o TANTA TERNURA, e que Deus me ajude a saber o que dizer diante de alguém a quem tanto Admiro e quero bem !

A oficina TANTA TERNURA,  com aulas de escrita criativa ministradas pelo Poeta CARPINEJAR, apresenta as teorias sobre o fazer literário e a possibilidade de acentuar a beleza da banalidade, Vai ser nos próximos dias 23, 24 e 25 em São Paulo, e as inscrições prosseguem abertas até dia 23.

Informações:
Carga horária total – 12 horas – 3 encontros
Aberto a todos os interessados em escrever crônicas.
Inscrições http://barco.art.br/oficina-de-cronica-tanta-ternura/

Raimundo Rodriguez e o dom de ‘Latifundiar’ o que há de bom…

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A noite de sábado, 13 de setembro, teve um Quê de Arte Especial. O epicentro foi o Museu de Arte Contemporânea de Niteroi. O foco: a abertura da exposição #Latifúndios do artista Raimundo Rodriguez.
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Uma das obras mais festejadas pelo público: o impactante MAR DE ILUSÕES...
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Aguardadíssima desde que anunciada, ainda em julho, a exposição teve uma vibração especial ! Poucas vezes se viu o belíssimo Museu projetado por Niemeyer tão lotado !
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E por justíssima causa: a obra do Artista #RaimundoRodriguez é coisa tão SINGULAR e LINDA que merece Aplausos de Pé e uma reverência cheia de gratidão !
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Viemos do Ceará para uma breve temporada carioca com a exposição agendada. Desde que soubemos que Raimundo Rodriguez é cearense – mais um dos nossos artistas que vive e se destaca com um trabalho de extrema relevância, fora de seu torrão -, que conhecer Raimundo passou a ser Questão de Honra. Daí você, leitor amigo, pode imaginar o quanto foi crucial conferir a abertura de #Latifúndios e conhecer Raimundo Rodriguez de perto.
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Saímos do MAC com o olhar duplamente marejado: de contentamento e emoção ! Não bastasse ser o Criador Magistral que É, Raimundo Rodriguez  é de uma simplicidade cativante, carrega um Anjo consigo ( de nome Janete Scarani), e, para celebrar – com pérolas de Diamante -, ainda é nosso Conterrâneo !
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A internet aproxima e a sensibilidade celebra: Janete Scarani, Raimundo Rodriguez e Aurora Miranda Leão na belíssima noite inaugural dos #Latifúndios no MAC…

Viva RAIMUNDO RODRIGUEZ ! Nós, que fazemos o #BlogAuroradeCinema agradecemos a recepção (afetiva mesmo antes de nos conhecermos pessoalmente) e por nos reacender a vontade de prosseguir acreditando que ainda é dever da inteligência trabalhar por um mundo mais solidário e afetuosamente sensível, no qual o carinho seja matéria-prima e a generosidade tenha lugar cativo.
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Sua Bênção, Raimundo Rodriguez !
Viva os #Latifúndios !
#AplausoBlogAuroradeCinema

Rai por Luísa

Dica #BlogAuroradeCinema: agende sua ida ao museu de Niteroi ! Ir ao MAC conferir os #Latifúndios de ‪#‎RaimundoRodriguez‬ é obrigação da SENSIBILIDADE !

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“Não se sabe se movemos as peças de casa em casa, latifúndios a latifúndios, ou se somos movidos por eles. TRANSCENDEMOS”.

– Renata Gesomino, Curadora e critica de Arte independente

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Sandra Moraes e o artista Raimundo Rodriguez em click #BlogAuroradeCinema

RR e AlagoasJanete Scarani, Jair Lima, Patrícia Costa e Luísa Gomes Cardoso celebrando Raimundo Rodriguez…

Coração foto RR

Eu e RREm click de Sandra Moraes, a jornalista Aurora Miranda Leão com o conterrâneo Raimundo Rodriguez… #Latifúndios

Manuel Vagos presentifica o Mistério ao confirmar o Sublime em imagens poderosas

Manuel no Paraíso

Manuel sol caindo

A primeira reação ao se observar uma fotografia de Manuel Vagos (MV) é de surpresa feliz. Aquela surpresa de quem se depara com algo tão perfeito que é difícil acreditá-lo possível e ao alcance de um simples olhar.

Isso acontece diante de qualquer fotografia dele: pode ser o simples registro de um momento em Paris ou Lisboa, ou de um jardim no Alentejo, ou mesmo um simples abraço dado no meio da rua, ou expressões de contentamento captadas numa festa, ou ainda imagens da produção das rendilheiras europeias.

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Registro de Manuel Vagos em Óbidos, Portugal…

Enquadramentos primorosos, ângulos bem calculados, a captura da cor revelando intimidade com o objeto fotografado, contrastes de luz e sombra perfeitos, temperatura e saturação em sintonia fina, uma delicadeza que perpassa tudo que é fotografado e embevece a imagem que se apresenta ao olhar do público, tudo isso faz com que a fotografia de MV alcance muito além do possível com o simples disparar de um click: há na produção imagética de MV uma inconteste dose de magnetismo e um acurado senso estético.

Manuel mulher guarda chuva

É tal a capacidade de Manuel Vagos de flagrar instantes inusitados, extrair dos gestos mais simples faíscas de eternidade, e redimensionar frações do trivial como lampejos de luminosidade do cotidiano que suas imagens nos fazem cativos, e não há como não voltar sempre a elas, bem como à constante produção desse vigoroso artista das imagens.

Mas mesmo depois de se familiarizar com o esplendor emanado de suas fotos, ainda é possível ser surpreendido, novamente, e sempre por um novo viés, ao deparar-se com imagens diante das quais só nos resta REVERENCIARE agradecer !

E nesse caso, a primeira ação que nos ocorre é o ajoelhar-se. Como não agir assim diante dos assombrosos espetáculos imagéticos que Manuel Vagos nos oferece com suas imagens simplesmente grandiosas, eloquentes, divinais ? E é justamente por serem imagens flagradas no cotidiano – verdadeiros afrescos incrustados de sonhos -, que a reação de quem olha é exatamente essa de quedar-se ante tanta beleza, de curvar-se aos pés diante de tamanhos deslumbres da natureza.

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Registro poderoso da Arte Xávega, tradição portuguesa de pesca artesanal…

O mais notável é que as fotos de Manuel Vagos não são uma produção rebuscada em ambientes propícios de estúdios. Nada do que está ali foi por ele pensado antes, a não ser que sairia com sua câmera e a traria de volta com a própria vida correndo célere ao compasso dos pixels, lhe ofertando os instantes únicos e os momentos inusitados que ele recolhe, qual pescador de pérolas, ao sabor do vento e ao compasso do sol, da brisa e das nuvens, com invejável capacidade de arquitetar poemas em flagrantes do cotidiano.

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Manuel Vagos desenha poesia em imagens do cotidiano…

Sim, porque segundo o próprio fotógrafo, ele não cria nada: suas lentes apenas registram o que está logo ali na frente ou ao lado, absorto ou insone, a compactuar desenhos com o diafragma do tempo e o foco das horas que se dispersam apressadas ante nossos olhares. E em cada imagem chamejam pingos de vida que nos emocionam e ecoam ao sabor das sonoridades multifárias e indormidas de nosso cotidiano.

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Daí porque é vizinho do Divino e parceiro do Absoluto o que produz Manuel Vagos com a fortaleza de suas imagens: porque tudo já está lá, tudo é absolutamente real e integrado ao dia-a-dia, só que não conseguimos ver o mesmo que ele. Não conseguimos encontrar, em igual dimensão, a beleza inebriante e irrefutável que MV nos entrega na simplicidade de sua produção imagética, e, na mesma hora, nos remete às profundidades e grandezas de um mundo do qual sabemos tão pouco, e com o qual tanto nos encantamos como nos apavoramos por dele nada sabermos e termos a única certeza da finitude a poucos passos de nós.

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No Alentejo, mais uma imagem preciosa de Manuel Vagos…

Manuel Vagos não constrói a beleza que nos oferta em fotografias exemplares: ele sacraliza o instante evanescente, diviniza a fluidez etérea das horas que passam (independente de nossas vontades), e enriquece nosso olhar com as tintas delicadas e sublimes que extrai da natureza, e nos oferece em insólitos casamentos poéticos da fotografia com as quintessências celestiais. Daí porque a fotografia de MV nos remete imediatamente ao impactante contato com a Transcendência.

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Manuel Vagos diviniza a fluidez etérea das horas que passam…

E assim, ao depararmo-nos com as imagens que brotam de suas lentes como formigas em solos doces, é com o Mistério que nos estamos deparando. Logo, o ato involuntário e instantâneo de ajoelhar-se diante delas. Olhar as fotografias de Manuel Vagos é ter a certeza de que o Mistério existe e nos ronda, em todos os cantos, por todos os espaços, de todos os jeitos, e em qualquer tempo. E diante do Mistério, só nos resta quedar-nos em silenciosa reverência e com a alma encharcada de gratidão.

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Fotografias de Manuel Vagos confirmam existência do Mistério que nos ronda

* Todas as fotos são de MANUEL VAGOS – créditos obrigatórios.

Raimundo Rodriguez e o poder de encantar com o simples

MAC de Niteroi inaugura dia 13  a exposição LATIFÚNDIOS, evidenciando a obra colossal de RAIMUNDO RODRIGUEZ 

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Ainda não o conheço pessoalmente, mas a hora está chegando: nós, que redigimos e editamos este #BlogAuroradeCinema estamos afivelando as malas rumo ao Rio de Janeiro, onde vamos conferir, com inegável contentamento, a abertura da exposição LATIFÚNDIOS, do artista plástico Raimundo Rodriguez.

Raimundo em foto Luisa Gomes Cardoso

Raimundo Rodriguez  num dos cenários de ‘Meu Pedacinho de Chão’ – foto Luísa Gomes Cardoso…

Pelo muito que já li e escuto dizer sobre o trabalho dele – que reputo magistral pelo esplendor das obras vistas em fotos e imagens televisadas – é fácil imaginar o artista altamente criativo, visionário, transgressor e em constante movimento que é RAIMUNDO RODRIGUEZ.

Rai por Luísa

Ele costuma dizer:  “Tanto na vida como na arte, gosto de muito”. Seu fascínio é, sobretudo, por peças capazes de propiciar uma nova dimensão a materiais reciclados. Em sua casa de Nova Iguaçu, na Baixada Fluminense, Raimundo Rodriguez coleciona diversas e valiosas obras de artistas brasileiros, como Timbuca, Clarissa Campello, Deneír e Felipe Barbosa.

Tem também raridades, como sói acontecer com alguém que é, antes de tudo um apreciador do belo e um admirador das múltiplas facetas de que se compõe a obra dos grandes Artistas. Entre trabalhos exponenciais que tem em casa, consta por exemplo um painel original do lendário profeta carioca Gentileza* (que o povo carioca consagrou como grande artista popular) que tinha ido parar no lixo. Em sua galeria particular, Rodriguez vive como considera certo: não desperdiça nada – “A arte contemporânea é marcada pelo excesso. Eu detesto perdas. O que me interessa é transformar”.

Filho de carpinteiro e cearense, Raimundo Rodriguez mudou-se com seus pais para a Baixada Fluminense ainda criança e, de lá, nunca mais quis sair.  Não tem formação acadêmica, mas de que importa esse detalhe diante da imensidão artística de Raimundo ? Ele conta: “Minha formação vem do CIEP”, na invejável simplicidade que cabe a um artista magistral, que é também animador cultural, curador de exposições de Arte, e um dos fundadores do coletivo de arte Imaginário Periférico. “Me orgulho de nunca ter tido carteira assinada. Não ter segurança no emprego sempre me fez viver em movimento”.

Ri e Gentileza

Devoto de São Jorge, Raimundo tem espalhados em casa imagens e amuletos do santo. A fé e devoção ao Santo Guerreiro é tamanha que ano passado ele criou (e construiu) um majestoso cavalo de São Jorge para a comissão de frente da escola de samba carioca Beija Flor. O resultado: um momento magnânimo na avenida e uma unanimidade de NOTA DEZ !  

Raimundo Rodriguez em seu habitat cotidiano: o atelier onde ele cria e constrói maravilhas….

De mente inquieta, como é comum notar-se entre os que privam de uma fagulha divina de genialidade, porém com semblante sempre alegre e com uma aura de serenidade capaz de transformar o ambiente onde está, Raimundo Rodriguez afirma feliz e comovido: “Nova Iguaçu é uma espécie de ‘Nordeste fluminense’. Sempre digo aos amigos: se nunca foi a Caruaru, venha a Nova Iguaçu”, brinca o artista plástico, convicto morador da Baixada – “Não troco o calor humano daqui por apartamento nenhum da Zona Sul”.

Foto: Raimundo Rodriguez, Beco de Dom Chico Chicote

Beco de Dom Chico Chicote, mais uma obra com a valiosa assinatura de Raimundo Rodriguez…

Como autor de belíssima criações, as quais chegaram ao conhecimento de milhões em todo o país através da televisão, Raimundo Rodriguez tem uma parceria profícua e de notável envergadura com o diretor Luiz Fernando Carvalho, a convite de quem assina obras teledramatúrgicas do nível das minisséries globais A Pedra do Reino, Hoje é Dia de Maria, Capitu, e ainda a excepcional novela MEU PEDACINHO DE CHÃO, na qual pontificaram os cenários criados por ele – muitos e todos diferentes entre si, feitos a partir de toneladas de latas recicladas -, e que fazem parte de sua série LATIFÚNDIOS, que a partir do próximo dia 13 de setembro poderá ser conferida ao vivo no Museu de Arte Contemporânea de Niteroi, o MAC. Quem assina a produção é a produtora e gestora de projetos de arte e cultura, Marcia Zoé Ramos.

* GENTILEZA foi uma personalidade urbana carioca, espécie de ‘pregador’, que se tornou conhecido anos anos 80 por fazer inscrições peculiares sob um viaduto situado na conturbada Avenida Brasil ( zona portuária do Rio de Janeiro), onde andava com uma túnica branca e longa barba.”Gentileza gera gentileza” é sua frase mais conhecida.

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Novas criações da série LATIFÚNDIOS 2014, em fotos do próprio Raimundo Rodriguez… 

Rai e equipe MAC

Raimundo Rodriguez: Bendito sois entre as mulheres que organizam a exposição LATIFÚNDIOS, que entra em cartaz no MAC dia 13 de setembro…

 

Carpinejar… porque é impossível ser indiferente !

A crônica de hoje do Poeta FABRÍCIO CARPINEJAR é mais uma de suas escritas antológicas. Não tem como não querer espalhar esta riqueza de sensibilidade, caráter e inteligência com o mundo.

O #BlogAuroradeCinema, mais uma vez, aplaude e reverencia o mais profícuo, relevante e importante Poeta da Contemporaneidade:

Valei-nos, Carpinejar !

 
ÓRFÃOS DE GERAÇÃO Arte de Juan Sánchez-Cotán Fabrício Carpinejar E quando você descobre que seu pai é racista, o que fazer? Quando você percebe que seu pai acha absolutamente normal chamar alguém de macaco, que seu pai acredita que negro é preto, que é absolutamente contra cotas, onde colocar seu desespero? Aquele pai amoroso, afetivo, preocupado, atento, dedicado, que trabalhou o tempo inteiro para que pudesse viver bem, tem um outro por dentro e é um outro por fora.  Qual o desencantamento quando você entende que ele é seu pai biológico, mas não é seu pai ideológico, muito menos seu pai espiritual, que não concorda com nenhuma de suas convicções sociais? Ele é uma aberração para a sociedade resmungando daquele jeito no almoço. Não difere de um nazista defendendo a discriminação enquanto procura retirar com os dentes a carne do osso da costela.   Não usa guardanapo para falar, assim como usa para comer.  Eu não imagino o quanto o filho deve sofrer. Não é somente decepção, é uma humilhação interminável.  Pela distância de geração, não tem como convencê-lo. Ele se considera pai e superior, ele se considera pai e sábio, ele se considera velho e esclarecido. Grita e gesticula suas verdades equivocadas como se fossem naturais.  Espera que obedeça e concorde, mas é impossível ser indiferente.  Você apenas não consegue encaixar aquele pai educado e gentil com aquele pai preconceituoso e criminoso.  Mas são a mesma pessoa. A mesma gente.  Você tem amigos negros, já teve namoradas negras, o preconceito dói em si como se arrancasse sua pele, e seu pai encarna o que mais abomina: o ódio burro, a raiva escravocrata. Como continuar sendo seu filho? Como cortar o cordão umbilical do abraço?  Não sei a resposta. Não sei o que dizer. É um desencanto maior do que a morte. Como separar os momentos felizes paternos das palavras coléricas e espantosamente injustas contra toda uma cultura?  Como falar depois disso que seu pai é ótimo, é sensível, é perfeito? Como escrever cartões elogiando sua emoção?  É igual com a mãe que é homofóbica. E homofóbica quando o próprio filho é homossexual. Não tenho ideia o quanto sangra alguém rejeitado pela família. Alguém que precisa disfarçar seu temperamento, sua escolha afetiva, seus namorados, para não se opor à monstruosidade caseira.  Aquela mãe que colocou você no colo, que cativou sua adoração por histórias, que ensinou a cordialidade, que é cúmplice e delicada, vira uma fascista ao falar de gays. Confia piamente que sexo e amor só podem ser realizados entre homem e mulher, que a homossexualidade é doença, que a homossexualidade tem que ser tratada pela psiquiatria.  É tão comum testemunhar filhos que amam seus pais, mas que não tem como amar o que seus pais acreditam. O que fazer? Como prantear essa distância filial? Como enterrar a admiração pelas pessoas mais importantes de sua vida?
 

ÓRFÃOS DE GERAÇÃO
Arte de Juan Sánchez-Cotán

Fabrício Carpinejar

E quando você descobre que seu pai é racista, o que fazer?

Quando você percebe que seu pai acha absolutamente normal chamar alguém de macaco, que seu pai acredita que negro é preto, que é absolutamente contra cotas, onde colocar seu desespero?

Aquele pai amoroso, afetivo, preocupado, atento, dedicado, que trabalhou o tempo inteiro para que pudesse viver bem, tem um outro por dentro e é um outro por fora.

Qual o desencantamento quando você entende que ele é seu pai biológico, mas não é seu pai ideológico, muito menos seu pai espiritual, que não concorda com nenhuma de suas convicções sociais?

Ele é uma aberração para a sociedade resmungando daquele jeito no almoço. Não difere de um nazista defendendo a discriminação enquanto procura retirar com os dentes a carne do osso da costela.

Não usa guardanapo para falar, assim como usa para comer.

Eu não imagino o quanto o filho deve sofrer. Não é somente decepção, é uma humilhação interminável.

Pela distância de geração, não tem como convencê-lo. Ele se considera pai e superior, ele se considera pai e sábio, ele se considera velho e esclarecido. Grita e gesticula suas verdades equivocadas como se fossem naturais.

Espera que obedeça e concorde, mas é impossível ser indiferente.

Você apenas não consegue encaixar aquele pai educado e gentil com aquele pai preconceituoso e criminoso.

Mas são a mesma pessoa. A mesma gente.

Você tem amigos negros, já teve namoradas negras, o preconceito dói em si como se arrancasse sua pele, e seu pai encarna o que mais abomina: o ódio burro, a raiva escravocrata.

Como continuar sendo seu filho? Como cortar o cordão umbilical do abraço?

Não sei a resposta. Não sei o que dizer.

É um desencanto maior do que a morte.

Como separar os momentos felizes paternos das palavras coléricas e espantosamente injustas contra toda uma cultura?

Como falar depois disso que seu pai é ótimo, é sensível, é perfeito? Como escrever cartões elogiando sua emoção?

É igual com a mãe que é homofóbica.

E homofóbica quando o próprio filho é homossexual. Não tenho ideia o quanto sangra alguém rejeitado pela família. Alguém que precisa disfarçar seu temperamento, sua escolha afetiva, seus namorados, para não se opor à monstruosidade caseira.

Aquela mãe que colocou você no colo, que cativou sua adoração por histórias, que ensinou a cordialidade, que é cúmplice e delicada, vira uma fascista ao falar de gays. Confia piamente que sexo e amor só podem ser realizados entre homem e mulher, que a homossexualidade é doença, que a homossexualidade tem que ser tratada pela psiquiatria.

É tão comum testemunhar filhos que amam seus pais, mas que não tem como amar o que seus pais acreditam. O que fazer? Como prantear essa distância filial? Como enterrar a admiração pelas pessoas mais importantes de sua vida?

Carpi unhas

Cronista gaúcho: o nome mais relevante da Poesia Contemporânea ! IMPOSSÍVEL não AMAR CARPINEJAR  !!!

Jorge Salomão convida jornalista cearense para Sarau Cultural de Setembro

A e Salomão

Jorge Salomão e Aurora Miranda Leão levam sintonia ao palco – foto Catarina Coelho

O poeta Jorge Salomão, grande agitador carioca, ativista cultural, autor de livros, criador de emblemáticas capas de discos e cartazes de shows, autor de matérias para revistas culturais, jurado em diversos festivais de cinemas, integrante da corrente tropicalista que mexeu com o país nos anos 70, performer, ator e diretor de shows musicais, já é bem conhecido por quem trafega pelas jornadas artísticas Brasil afora.

Ano passado, JORGE SALOMÃO ficou meses em cartaz no Teatro do SESI com os espetáculos Não sou um poeta, sou um malabarista…

Em agosto passado, no último dia 19, estreou mais uma temporada de ecléticos saraus, onde se misturam, num mesmo cenário, artistas de diversas linguagens no palco do Teatro do SESI, no centro da capital do Cristo Redentor, sempre numa terça-feira do mês.

O convite do SESI é instigante: “Grandes encontros, poesia, música, dança, piano, mágica, bola de cristal e microfone aberto para o público. Estes são os ingredientes de Jorge Salomão para um sarau inesquecível”.

Agora neste setembro, o Sarau Cultural de Jorge Salomão está grifado para o próximo dia 16, e terá entre seus convidados a jornalista cearense Aurora Miranda Leão, grande amiga do Poeta, há muitos anos.

A e Saló na chegada

Encontro feliz: Poeta Jorge Salomão e jornalista Aurora Miranda Leão

O convite de Jorge veio nos moldes afeitos ao poeta Salomão: simples, espontâneo, direto, transgressor e libertário ! “Aurora: quero você dividindo o palco comigo no teatro. Tenho essas datas para você escolher a que combinar melhor com sua agenda”.

E assim foi escolhido o dia 16 de setembro, data na qual a atriz, jornalista, documentarista, produtora cultural, radialista e redatora Aurora Miranda Leão subirá ao palco do Teatro do SESI ao lado do poeta Jorge Salomão.

Na bagagem de Aurora, poesias, músicas, e muitos anos de atuação no rádio, no Teatro, no Cinema e na TV…  a jornalista cearense, redatora deste #BlogAuroradeCinema, levará ao palco nomes como Vinícius de Moraes, Lupicínio Rodrigues, Herbert Vianna, Fabrício Carpinejar, poesias de sua própria autoria, e também algumas ‘cartas na manga’ que ela guarda para improvisar na hora.

SERVIÇO

Sarau Cultural com JORGE SALOMÃO

Saló palco

Uma noite inesquecível com o Poeta e seus convidados

Duração: 80 min | Poemas: Jorge Salomão | Direção: Emmanuel Santos Realização: BeijaCéu Produções Artísticas

Dia e Hora: 16 de setembro, a partir das 19h

LOCAL: Teatro do SESI – av. Graça Aranha, número 1 (centro do RIO)
Ingressos: R$ 2,00
Telefone 0800 0231 231

Mais detalhes: http://www.firjan.org.br/sesicultural

Raimundo Rodriguez instala ‘Latifúndios’ em Niteroi

Nova exposição do notável artista plástico será aberta dia 13 no MAC: IMPERDÍVEL !!!

 
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Raimundo Rodriguez e seus ‘Latifúndios’: artista inaugura nova exposição no próximo dia 13 – foto Luísa Gomes Cardoso
 

Como parte das comemorações do aniversário de 18 anos do Museu de Arte Contemporânea de Niterói – MAC inaugurado em 2 de setembro de 1996 -, o artista plástico Raimundo Rodriguez ministrou ali sábado passado a oficina gratuita “Latifúndios de Papel” durante a quarta edição do projeto MAC como Obra de Arte.

A proposta do projeto é transformar o museu num laboratório de experiências de metáforas da criação participativa e aberta, ocupando os seus espaços, que passam a funcionar como laboratório de práticas artísticas, pedagógicas e sociais.

 

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Assim, como no próximo dia 13, Raimundo Rodriguez – festejado artista plástico que criou diversas obras importantes – muitas das quais conhecidas através de sua inserção em obras da teledramaturgia brasileira – inaugura no MAC de Niteroi sua exposição  Latifúndios, ele foi o artista convidado para abrir esta edição do projeto MAC como Obra de Arte. E como era de se esperar, a oficina com Raimundo Rodriguez foi um absoluto sucesso.

 
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Os que não puderam participar ou tem interesse em conhecer mais e melhor a obra de RAIMUNDO RODRIGUEZ tem um encontro marcado com o artista no próximo dia 13, a partir das 17h: PARTICIPE da abertura da exposição LATIFÚNDIOS que o MAC vai abrigar e na qual serão apresentados seus novos trabalhos, evolução da série iniciada em 2000 e, que, de lá pra cá, está em constante aprimoramento. A matéria-prima do trabalho de Raimundo Rodriguez são latas de tinta das mais variadas cores e seus desgastes naturais com nuances e degradés.
 
RAI painel

SAIBA MAIS SOBRE RAIMUNDO RODRIGUEZ

Raimundo Rodriguez nasceu no Ceará e mora no Rio de Janeiro há mais de 30 anos. Sua fonte de inspiração vem da arte popular brasileira, do neodadaísmo, do dadaísmo, do neorrealismo e pop art. É o responsável artístico e curador da galeria Café Baroni, localizada no edifício Bolsa do Rio (na Praça XV). Representando pela Sergio Gonçalves Galeria de Arte (http://www.sergiogoncalvesgaleria.com), Raimnundo Rodriguez participou das três ultimas edições da SP-Arte e também da Feira Pinta, de Nova York, sempre com grande destaque.
 

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Para saber mais sobre o artista e sua obra acesse: http://raimundorodriguez.blogspot.com.br/ ehttps://www.facebook.com/rraimundorodriguez

SERVIÇO

Exposição Latifúndios

ARTISTA: Raimundo Rodriguez

Curadoria: Luiz Guilherme Vergara
Inauguração: 13 de setembro, às 17h.
Local: Museu de Arte Contemporânea (MAC) Mirante da Boa Viagem, s/nº. Niterói, RJ

Período de exposição: de 13 de setembro a 5 de outubro de 2014, de terça a domingo das 10h às 18h.

Visite a fã page do artista: https://www.facebook.com/rraimundorodriguez
Saiba maishttp://raimundorodriguez.blogspot.com.br/

* O #BlogAuroradeCinema vai conferir de perto a grandeza da obra do artista RAIMUNDO RODRIGUEZ e recomenda a presença na abertura da exposição LATIFÚNDIOS !