Arquivo do dia: 04/09/2014

Carpinejar… porque é impossível ser indiferente !

A crônica de hoje do Poeta FABRÍCIO CARPINEJAR é mais uma de suas escritas antológicas. Não tem como não querer espalhar esta riqueza de sensibilidade, caráter e inteligência com o mundo.

O #BlogAuroradeCinema, mais uma vez, aplaude e reverencia o mais profícuo, relevante e importante Poeta da Contemporaneidade:

Valei-nos, Carpinejar !

 
ÓRFÃOS DE GERAÇÃO Arte de Juan Sánchez-Cotán Fabrício Carpinejar E quando você descobre que seu pai é racista, o que fazer? Quando você percebe que seu pai acha absolutamente normal chamar alguém de macaco, que seu pai acredita que negro é preto, que é absolutamente contra cotas, onde colocar seu desespero? Aquele pai amoroso, afetivo, preocupado, atento, dedicado, que trabalhou o tempo inteiro para que pudesse viver bem, tem um outro por dentro e é um outro por fora.  Qual o desencantamento quando você entende que ele é seu pai biológico, mas não é seu pai ideológico, muito menos seu pai espiritual, que não concorda com nenhuma de suas convicções sociais? Ele é uma aberração para a sociedade resmungando daquele jeito no almoço. Não difere de um nazista defendendo a discriminação enquanto procura retirar com os dentes a carne do osso da costela.   Não usa guardanapo para falar, assim como usa para comer.  Eu não imagino o quanto o filho deve sofrer. Não é somente decepção, é uma humilhação interminável.  Pela distância de geração, não tem como convencê-lo. Ele se considera pai e superior, ele se considera pai e sábio, ele se considera velho e esclarecido. Grita e gesticula suas verdades equivocadas como se fossem naturais.  Espera que obedeça e concorde, mas é impossível ser indiferente.  Você apenas não consegue encaixar aquele pai educado e gentil com aquele pai preconceituoso e criminoso.  Mas são a mesma pessoa. A mesma gente.  Você tem amigos negros, já teve namoradas negras, o preconceito dói em si como se arrancasse sua pele, e seu pai encarna o que mais abomina: o ódio burro, a raiva escravocrata. Como continuar sendo seu filho? Como cortar o cordão umbilical do abraço?  Não sei a resposta. Não sei o que dizer. É um desencanto maior do que a morte. Como separar os momentos felizes paternos das palavras coléricas e espantosamente injustas contra toda uma cultura?  Como falar depois disso que seu pai é ótimo, é sensível, é perfeito? Como escrever cartões elogiando sua emoção?  É igual com a mãe que é homofóbica. E homofóbica quando o próprio filho é homossexual. Não tenho ideia o quanto sangra alguém rejeitado pela família. Alguém que precisa disfarçar seu temperamento, sua escolha afetiva, seus namorados, para não se opor à monstruosidade caseira.  Aquela mãe que colocou você no colo, que cativou sua adoração por histórias, que ensinou a cordialidade, que é cúmplice e delicada, vira uma fascista ao falar de gays. Confia piamente que sexo e amor só podem ser realizados entre homem e mulher, que a homossexualidade é doença, que a homossexualidade tem que ser tratada pela psiquiatria.  É tão comum testemunhar filhos que amam seus pais, mas que não tem como amar o que seus pais acreditam. O que fazer? Como prantear essa distância filial? Como enterrar a admiração pelas pessoas mais importantes de sua vida?
 

ÓRFÃOS DE GERAÇÃO
Arte de Juan Sánchez-Cotán

Fabrício Carpinejar

E quando você descobre que seu pai é racista, o que fazer?

Quando você percebe que seu pai acha absolutamente normal chamar alguém de macaco, que seu pai acredita que negro é preto, que é absolutamente contra cotas, onde colocar seu desespero?

Aquele pai amoroso, afetivo, preocupado, atento, dedicado, que trabalhou o tempo inteiro para que pudesse viver bem, tem um outro por dentro e é um outro por fora.

Qual o desencantamento quando você entende que ele é seu pai biológico, mas não é seu pai ideológico, muito menos seu pai espiritual, que não concorda com nenhuma de suas convicções sociais?

Ele é uma aberração para a sociedade resmungando daquele jeito no almoço. Não difere de um nazista defendendo a discriminação enquanto procura retirar com os dentes a carne do osso da costela.

Não usa guardanapo para falar, assim como usa para comer.

Eu não imagino o quanto o filho deve sofrer. Não é somente decepção, é uma humilhação interminável.

Pela distância de geração, não tem como convencê-lo. Ele se considera pai e superior, ele se considera pai e sábio, ele se considera velho e esclarecido. Grita e gesticula suas verdades equivocadas como se fossem naturais.

Espera que obedeça e concorde, mas é impossível ser indiferente.

Você apenas não consegue encaixar aquele pai educado e gentil com aquele pai preconceituoso e criminoso.

Mas são a mesma pessoa. A mesma gente.

Você tem amigos negros, já teve namoradas negras, o preconceito dói em si como se arrancasse sua pele, e seu pai encarna o que mais abomina: o ódio burro, a raiva escravocrata.

Como continuar sendo seu filho? Como cortar o cordão umbilical do abraço?

Não sei a resposta. Não sei o que dizer.

É um desencanto maior do que a morte.

Como separar os momentos felizes paternos das palavras coléricas e espantosamente injustas contra toda uma cultura?

Como falar depois disso que seu pai é ótimo, é sensível, é perfeito? Como escrever cartões elogiando sua emoção?

É igual com a mãe que é homofóbica.

E homofóbica quando o próprio filho é homossexual. Não tenho ideia o quanto sangra alguém rejeitado pela família. Alguém que precisa disfarçar seu temperamento, sua escolha afetiva, seus namorados, para não se opor à monstruosidade caseira.

Aquela mãe que colocou você no colo, que cativou sua adoração por histórias, que ensinou a cordialidade, que é cúmplice e delicada, vira uma fascista ao falar de gays. Confia piamente que sexo e amor só podem ser realizados entre homem e mulher, que a homossexualidade é doença, que a homossexualidade tem que ser tratada pela psiquiatria.

É tão comum testemunhar filhos que amam seus pais, mas que não tem como amar o que seus pais acreditam. O que fazer? Como prantear essa distância filial? Como enterrar a admiração pelas pessoas mais importantes de sua vida?

Carpi unhas

Cronista gaúcho: o nome mais relevante da Poesia Contemporânea ! IMPOSSÍVEL não AMAR CARPINEJAR  !!!

Jorge Salomão convida jornalista cearense para Sarau Cultural de Setembro

A e Salomão

Jorge Salomão e Aurora Miranda Leão levam sintonia ao palco – foto Catarina Coelho

O poeta Jorge Salomão, grande agitador carioca, ativista cultural, autor de livros, criador de emblemáticas capas de discos e cartazes de shows, autor de matérias para revistas culturais, jurado em diversos festivais de cinemas, integrante da corrente tropicalista que mexeu com o país nos anos 70, performer, ator e diretor de shows musicais, já é bem conhecido por quem trafega pelas jornadas artísticas Brasil afora.

Ano passado, JORGE SALOMÃO ficou meses em cartaz no Teatro do SESI com os espetáculos Não sou um poeta, sou um malabarista…

Em agosto passado, no último dia 19, estreou mais uma temporada de ecléticos saraus, onde se misturam, num mesmo cenário, artistas de diversas linguagens no palco do Teatro do SESI, no centro da capital do Cristo Redentor, sempre numa terça-feira do mês.

O convite do SESI é instigante: “Grandes encontros, poesia, música, dança, piano, mágica, bola de cristal e microfone aberto para o público. Estes são os ingredientes de Jorge Salomão para um sarau inesquecível”.

Agora neste setembro, o Sarau Cultural de Jorge Salomão está grifado para o próximo dia 16, e terá entre seus convidados a jornalista cearense Aurora Miranda Leão, grande amiga do Poeta, há muitos anos.

A e Saló na chegada

Encontro feliz: Poeta Jorge Salomão e jornalista Aurora Miranda Leão

O convite de Jorge veio nos moldes afeitos ao poeta Salomão: simples, espontâneo, direto, transgressor e libertário ! “Aurora: quero você dividindo o palco comigo no teatro. Tenho essas datas para você escolher a que combinar melhor com sua agenda”.

E assim foi escolhido o dia 16 de setembro, data na qual a atriz, jornalista, documentarista, produtora cultural, radialista e redatora Aurora Miranda Leão subirá ao palco do Teatro do SESI ao lado do poeta Jorge Salomão.

Na bagagem de Aurora, poesias, músicas, e muitos anos de atuação no rádio, no Teatro, no Cinema e na TV…  a jornalista cearense, redatora deste #BlogAuroradeCinema, levará ao palco nomes como Vinícius de Moraes, Lupicínio Rodrigues, Herbert Vianna, Fabrício Carpinejar, poesias de sua própria autoria, e também algumas ‘cartas na manga’ que ela guarda para improvisar na hora.

SERVIÇO

Sarau Cultural com JORGE SALOMÃO

Saló palco

Uma noite inesquecível com o Poeta e seus convidados

Duração: 80 min | Poemas: Jorge Salomão | Direção: Emmanuel Santos Realização: BeijaCéu Produções Artísticas

Dia e Hora: 16 de setembro, a partir das 19h

LOCAL: Teatro do SESI – av. Graça Aranha, número 1 (centro do RIO)
Ingressos: R$ 2,00
Telefone 0800 0231 231

Mais detalhes: http://www.firjan.org.br/sesicultural