Arquivo do mês: outubro 2014

Patrimônio do Cinema, Alice Gonzaga ganha Homenagem Hoje: PARABÉNS !

 

Uma Trajetória dedicada ao Cinema Brasileiro: Centro de Pesquisadores do Cinema Brasileiro e Cinemateca do MAM celebram 80 da emérita pesquisadora, arquivista e realizadora ALICE GONZAGA

Alice boa

O Dia Mundial do Patrimônio Audiovisual será comemorado logo mais às 18h pelo Centro de Pesquisadores do Cinema Brasileiro e a Cinemateca do Museu de Arte Moderna do Rio de Janeiro. Na programação, mesa-redonda, projeções e homenagem especial a Alice Gonzaga.

Alice

Alice Gonzaga em Anápolis, cidade que batizou com o nome de seu pai – Adhemar Gonzaga – sua mostra competitiva de longas-metragens, realizada anualmente…

ALICE GONZAGA é preservadora, pesquisadora, escritora, produtora, realizadora, jornalista, diretora da Companhia CINÉDIA (a pioneira do Brasil em estúdio de cinema), e um dos símbolos da luta pela salvaguarda da Memória do Cinema Brasileiro,. O evento que acontece hoje em homenagem a ela ganhou o título de  Alice Gonzaga: arquivista, pesquisadora, preservadora – uma trajetória dedicada ao Cinema Brasileiro.

O encontro será realizado no Auditório Cosme Alves Netto/Cinemateca do MAM-RJ, localizado à Avenida Infante D. Henrique, 85 (Aterro do Flamengo), com entrada franca, sujeita à lotação da sala.

Adhemar

A mesa-redonda contará com a participação de Hernani Heffner, Rafael de Luna, Roberto Faria, Sílvia Rabello e Myrna Brandão, apresentando a trajetória de Alice Gonzaga como um dos grandes nomes da Preservação Audiovisual Brasileira, pioneira na condução de processos como a restauração cinematográfica, a pesquisa em torno de fontes primárias, a preservação do acervo fílmico e documental da CINÉDIA, e a defesa de uma política pública de proteção dos bens cinematográficos brasileiros.

Alice Laura e David

No Festival de Cinema de Araxá, Alice Gonzaga com a produtora Laura Pires e o ator David Cardoso…

Na ocasião o CPCB, do qual Alice é membro desde 1975, fará homenagem especial à sua trajetória profissional.

Alice azul e Eu

PARABÉNS, ALICE GONZAGA !

Alice Gonzaga, bem apadrinhada pelo jornalista Artur Xexéo como Primeira Dama do Cinema Brasileiro, é uma de minhas mais adoráveis Amigas ! Tenho por ela um carinho e uma admiração de quem aprende enquanto se diverte, de quem percebe lições no correr da conversa e, sobretudo, uma cumplicidade de mãe-amiga-irmã.

Adorável parceira de passeios, plateias, ‘aventuras’ e até de ciladas (por causa de sua bravura, escapei ilesa de um assalto), em sua homenagem realizei com diversos amigos o curta-metragem O Sumiço de Alice, rodado em 2011 entre as cidades goianas de Pirenópolis e Anápolis, no qual ela tem uma participação preponderante, e que pode ser acessado via Youtube. Com ela, além de me divertir pra caramba (é difícil conseguir alcançar seu pique), fico a par de histórias do cinema brasileiro, aprendo sobre culinária, plantas, flores, etiquetas, enfim, Alice é daquelas amigas Mastercard – NÃO TEM PREÇO !

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Germano Pereira, Alice Gonzaga, Rubens Ewald Filho e Aurora Miranda Leão…

Hoje lamentamos muito não estar no Rio para acompanhar a merecida Homenagem que vai receber pelo seu aniversário e pelos anos de dedicação a preservar os numerosos arquivos com grande parte da memória do nosso Cinema, que ela cuida com afinco e notável zelo na CINÉDIA, criada por seu pai, o jornalista e produtor de cinema, Adhemar Gonzaga, há mais de 80 anos.

Que a noite seja linda e emocionante é o que deseja o #BlogAuroradeCinema ! 

O especial abraço desta redatora para ALICE GONZAGA e o efusivo ‪#‎AplausoBlogAuroradeCinema‬

Atrizes

Betse de Paula, Nathália Thimberg, Alice Gonzaga, Daisy Lúcidi e Aurora Miranda Leão, editora do #BlogAuroradeCinema em noite de cinema em Anápolis – maio 2014

 

A Poesia celebra CARPINEJAR: Parabéns, Poeta !

O mais festejado poeta e cronista gaúcho, FABRÍCIO CARPINEJAR é o Aniversariante desta quinta, 23 de outubro de 2014…

Saravá, Carpinejar !

Ele aniversaria justo no primeiro dia em que o signo de Escorpião adentra outubro. Do alto de seu bom humor, assevera ser hoje o único dia em que lhe é permitido ser chato.

E nós, assumidos fãs e leitores cotidianos do Poeta, afirmamos: só há dois tipos de pessoas que não gostam de CARPINEJAR, as doentes e as invejosas !

Para as doentes (de insensibilidade, loucura, burrice, egocentrismo, cegueira mental), há o consolo de um tratamento. Aos invejosos, resta fechar os olhos para a presença intensa, constante e sempre bem vinda do Poeta em jornais, revistas, blogs, páginas do Facebook, televisão, rádio, palestras, seminários, lançamentos de livros e múltiplas ocorrências na web, ou então colocar a violinha no saco.

FABRÍCIO CARPINEJAR é daqueles escritores que não precisam mais do que uma leitura para ganhar o leitor ! Foi assim comigo, quando corria o ano de 2007. Provavelmente, é assim com trocentos outros leitores de todas as partes do país, das mais variadas classes sociais e faixas etárias. Depois que li a primeira crônica do Poeta, nunca mais parei de lê-lo. E a cada novo texto, uma nova surpresa diante de palavras tão sensíveis e inteligência tão acurada, um encantamento maior, uma gratidão inesperada com aquele jeito de escrever de quem adivinha o que vai no coração do outro.

Seja em crônicas, em poemas, em entrevistas, em participações na televisão e no rádio, ministrando cursos, palestras e seminários, CARPINEJAR é sempre uma atração, onde quer que esteja, fazendo qualquer dos ofícios que realiza com a maior dedicação e habilidade, nos quais sempre reluz o brilho de sua inteligência, a força de sua ousadia, a sensibilidade extremada de sua alma repleta de infância e bom humor, uma generosidade intrínseca e um bom-caratismo indisfarçável. Não à toa, possui uma rede de amigos imensa, no qual todos não se cansam de louvar as muitas ( e raras) qualidades do Poeta. E ele retribui da mesma forma, sem medo nem vergonha de assumir que Ama os Amigos, e quem quiser que pense que ele é homossexual. Aliás, Fabrício diz que gosta que pensem que ele é gay, como você pode conferir em crônica publicada ao final deste post.

Como bem diz o escritor Julio Daio Borges, “Carpinejar é um poeta de gênio que, além de tudo, é um ‘gentleman’ (se Nélson Rodrigues estivesse vivo, o chamaria de – o mais inglês dos ingleses -, e talvez até Antonio Callado perdesse na comparação.)”

Ou como afirmou o saudoso jornalista Daniel Piza em artigo no jornal O Estado de São Paulo, de novembro de 2003: “Carpinejar é o melhor poeta de sua geração. […] Poeta bom é o que nos deixa versos na mente, latejando durante dias”.

Carpi e Diana Corso 20 out 14

Registro do lançamento do livro novo do Poeta – CURINGA -, dia 20 de outubro em Porto Alegre: Carpinejar (com a alegria contagiante de seu sorriso) recebe o abraço carinhoso da cronista Diana Corso…

Quem acompanha esta redatora, cotidianamente, em nossa página do Facebook – ou na página do Blog no Face – sabe de nossa declarada sintonia com Carpinejar. Diariamente, postamos textos e frases de Carpi em nossos espaços na web. Afinal, o Poeta tem presença diária no twitter, no rádio, e em programa de TV da emissora gaúcha RBS, além de escrever semanalmente 9 crônicas, e participar, a cada quinze dias, do programa #encontro, apresentado pela jornalista Fátima Bernardes.

Dito isso, só temos a desejar que mais e mais pessoas sigam os passos do Poeta, que é dos mais relevantes e notáveis escritores deste país. CARPINEJAR tem um dom raro: é ENCANTATÓRIO ! Este sim nos representa e nos faz ter muito orgulho de sermos Brasileiros !

São 26 livros publicados, com edições também em Portugal, e diversos prêmios literários, uma legião de fãs e seguidores em todos os espaços onde a poética de CARPI se faz presente. Esta semana, ele lançou mais um título, o livro CURINGA, reunião de suas crônicas matinais na Rádio Gaúcha, lançamento da Arquipélago Editorial.

E hoje, 23 de outubro, quando o Poeta chega a seus iluminados 42 anos de vida, queremos enviar-lhe uma avalanche de aplausos e os melhores votos de muita Saúde, PAZ, LUZ, Amor, Prosperidade e muitas Vitórias ! Que venham mais e mais aniversários com o Poeta sempre a nos brindar com a força de sua Inteligência, a intensidade de seu carisma, o charme do seu bom humor, e a beleza contagiante de sua alma – altruísta, generosa, sensível, e libertariamente transgressora !

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O poeta Carpinejar e a jornalista Aurora Miranda Leão em encontro em Sampa…

Saravá, CARPI ! FELICIDADESSSSSSSSSSSSS, hoje e sempre !

E para rebater os que dizem que o cronista é machista, que é isso e aquilo, o #BlogAuroradeCinema aproveita o aniversário do POETA e reproduz três crônicas antológicas de Carpinejar: uma ode às mulheres, uma magistral defesa do homossexualismo, e o tipo de ‘homem perfeito’ para a mulher. Confira:

SOZINHA!, NÃO SOLITÁRIA

Mulher não é reboque, não é complemento. Mulher é inteira mesmo que esteja ausente. Mulher não precisa de outro para afirmar que é ela.

Fui jantar sozinha, para acompanhar a refeição de um chef italiano. Meu marido não veio porque cuidava de nosso filho pequeno no hotel. Jantar chique, meia-luz, a suspeita começou na entrada. Ao procurar meu nome na lista, a jovem perguntou: – Espera alguém?
– Não, não espero ninguém.

– Vieste sozinha?
– Vim, algum problema?

Eu era o problema. Uma mulher sozinha sempre é um problema para o equilíbrio ecológico, uma ameaça à cadeia evolutiva da noite.

A dificuldade foi escolher uma mesa. A dificuldade mesmo foi andar pelas mesas com os convidados me olhando. Eles não me olhavam, eu me sentia olhada, esperava o olhar deles por antecipação e não conseguia responder a tempo. A maioria ficou sem retorno.

Sentei de canto. E percebi que não tinha muito assunto comigo. Fazia anos que não puxava assunto comigo. Minha conversa é monogâmica, meus pensamentos são solteiros.

Os homens não podem enxergar uma mulher sozinha que já querem seduzi-la. As mulheres não podem enxergar uma mulher sozinha que já ficam com pena.

Homens iniciavam gracejos que caberiam para qualquer uma. Qualquer uma é a mãe deles. Sei o que é uma cantada pela falta de criatividade. Homem pode vir sozinho que não é estranho, você reparou ? É escolha, independência. Mulher sozinha é ausência de opção e incompetência, não conseguiu trazer sequer um homem junto.

Concluo que passei a noite me defendendo. Mulheres apontavam para aquela morena alta, que estava destoando entre dezenas de casais. Procuravam me entender, como se dependesse de compreensão. Estava caçando ? Sim, caçando o cordeiro no meu prato, que não mostrava muita resistência empanado de mostarda e farofa.

O vinho serviu-me de amante. A bebida é amante de mulheres suspeitas como eu. Suspeitas por não estar com seu marido ou namorado. E ainda nos falam que os costumes evoluíram. O que me restava fazer se não beber para me sentir ocupada e aliviada da desconfiança?

Até o garçom vinha com mais freqüência. Até o garçom entendeu minha aflição. Um casal de conhecidos tentou me resgatar. Toda mulher sozinha é identificada como uma afogada. Uma suicida. Salvar de quê ? Salvar de mim? Desejou que sentasse em sua mesa. Como se estivesse no lugar errado.

Toda mulher sozinha está no lugar errado, é o que se acredita. Eu escolhi o lugar, não se cogitou isso ? Ou a solidão é errada? Um crime a solidão.

O senhor insistiu, confundindo a vontade com educação:

– A gente põe uma cadeira a mais em nossa mesa!

O convite migrou para mendicância. Colocar uma cadeira a mais é dizer que não era planejada e apertar os acomodados. Nunca diga que vai colocar uma cadeira a mais. É um favor. Mulher não depende de favor para existir. Nem de nenhum homem.

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Agora a crônica de Carpinejar sobre Homossexualismo – que já deveria ter sido incorporada pelo movimento LGBT há tempos !

Pode me chamar de gay

Pode me chamar de gay, não está me ofendendo. Pode me chamar de gay, é um elogio. Pode me chamar de gay, apesar de ser heterossexual, não me importo de ser confundido. Ser gay me favorece, me amplia, me liberta dos condicionamentos. Não é um julgamento, é uma referência. Pode me chamar de gay, não me sinto desaforado, não me sinto incomodado, não me sinto diminuído, não me sinto constrangido.

Pode me chamar de gay, está dizendo que sou inteligente. Está dizendo que converso com ênfase. Está dizendo que sou sensível. Pode me chamar de gay. Está dizendo que me preocupo com os detalhes. Está dizendo que dou água para as samambaias. Está dizendo que me preocupo com a vaidade. Está dizendo que me preocupo com a verdade. Pode me chamar de gay. Está dizendo que guardo segredo. Está dizendo que me importo com as palavras que não foram ditas. Está dizendo que tenho senso de humor. Está dizendo que sou carente pelo futuro. Está dizendo que sei escolher as roupas.

Pode me chamar de gay. Está dizendo que cuido do corpo, afino as cordas dos traços. Está dizendo que falo sobre sexo sem vergonha. Está dizendo que danço levantando os braços. Pode me chamar de gay. Está dizendo que choro sem o consolo dos lenços. Está dizendo que meus pesadelos passaram na infância. Está dizendo que dobro toalha de mesa como se fosse um pijama de seda.

Pode me chamar de gay. Está dizendo que sou aberto e me livrei dos preconceitos. Está dizendo que posso andar de mãos dadas com os anéis. Está dizendo que assisto a um filme para me organizar no escuro. Pode me chamar de gay. Está dizendo que reinventei minha sexualidade, reinventei meus princípios, reinventei meu rosto de noite. Pode me chamar de gay. Está dizendo que não morri no ventre, na cor da íris, no castanho dos cílios. Pode me chamar de gay. Está dizendo que sou o melhor amigo da mulher, que aceno ao máximo no aeroporto, que chamo o táxi com grito.

Pode me chamar de gay. Está dizendo que me importo com o sofrimento do outro, com a rejeição, com o medo do isolamento. Está dizendo que não tolero a omissão, a inveja, o rancor. Pode me chamar de gay. Está dizendo que vou esperar sua primeira garfada antes de comer. Está dizendo que não palito os dentes. Está dizendo que desabafo os sentimentos diante de um copo de vinho. Pode me chamar de gay. Está dizendo que sou generoso com as perdas, que não economizo elogios, que coleciono sapatos.

Pode me chamar de gay. Está dizendo que sou educado, que sou espontâneo, que estou vivo para não me reprimir na hora de escrever. Pode me chamar de gay. Que seja bem alto.

A fragilidade do vidro nasce da força e do ímpeto do fogo.

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Um recado de Carpinejar aos Homens:

HOMEM PERFEITO

Não interessa a uma mulher um homem que saiba tudo sobre ela, um homem que saiba tudo sobre o amor, um homem que saiba tudo sobre os prazeres proibidos do corpo. Uma mulher não se interessa por um homem que não tenha uma dose de insegurança, um quê de fascínio infantil, uma ponta de orgulho bobo, uma forquilha de medo entre os joelhos. Uma mulher não se interessa por homem que não teme as perguntas, que resolve os problemas com sarcasmo, que fala convicto e intrépido sobre os mais diversos assuntos; o coração dele congelado para transplante no isopor entre garrafas de cerveja. Uma mulher não se interessa por homem que pisca ao garçom, que conversa nos ouvidos com os seguranças das boates, que a mostra com malícia e desfaçatez para os outros. Uma mulher não se interessa por um homem que está se exibindo mais do que sendo transparente. Uma mulher não se interessa por um homem que ela não conta com a mínima chance de modificá-lo e elogiar as transformações. Uma mulher não se interessa por um homem que se diverte dos próprios comentários antes dela. Uma mulher não se interessa por um homem carregado de estratégias, que encadeia a noite ideal, sem nenhuma falha, sem nenhum vacilo, sem nenhuma turbulência. Ele ensaiou com quantas antes ? Uma mulher se interessa por um homem inseguro, mas sincero, tímido, mas autêntico, que sofre com suas gafes, engatilha desculpas ao usar um palavrão, que pede ajuda para completar a noite. Uma mulher não se interessa por um homem blindado, que não escuta, que se esconde em um personagem para contar mais um feito aos amigos. Uma mulher não se interessa por um homem que logo vai atacando, logo vai oferecendo o endereço para esticar a conversa. Uma mulher não se interessa pelo terno alinhado, os cabelos em dia, o pescoço perfumado, se não haverá nenhum sussurro que desperte a fragilidade masculina do outro lado. Uma mulher não se interessa em receber flores sem raízes nos dedos. Uma mulher não se interessa por um homem convicto, que a convida para sair, que passa uma cantada impecável e finge delicadeza para ser indelicado no dia seguinte e não telefonar. Uma mulher não se interessa por um homem que não mudará a ordem das palavras que teve sucesso com as mulheres anteriores e repetirá as mesmíssimas vaidades da conquista. Uma mulher se interessa por um homem que confunde o desejo com a loucura e tropeça nas palavras para logo descer ao chão com ela. Uma mulher não se interessa por um homem que seduz como quem dá as cartas, um homem que solicita a conta como quem fecha um negócio, que a envolve como se fosse um investimento. Uma mulher não se interessa por um homem que não tenha também músculo nas pálpebras para chorar por ela, músculos na boca para guardar sua língua. Uma mulher não se interessa por homens prontos, fechados, absolutamente perfeitos. Não se interessa por cadáveres.

– Sua Bênção, Carpinejar !

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CARPINEJAR e a jornalista Aurora Miranda Leão, fã incondicional do Poeta…

* Todas as crônicas aqui publicadas são do jornalista, escritor e poeta gaúcho Fabrício CARPINEJAR !

Criação de Raimundo Rodriguez concorre ao Emmy

Minissérie com direção de arte do genial artista é um dos programas da TV Globo indicados ao cobiçado Prêmio EMMY deste ano

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O artista #RaimundoRodriguez assina a primorosa Direção de Arte de ‘Alexandre e Outros Heróis’…

A TV Globo concorre, mais uma vez,  ao Prêmio Emmy Internacional, considerado o Oscar da televisão mundial. Desta vez, em três categorias com as produções: #Jóia Rara, de Thelma Guedes e Duca Rachid, disputan a estatueta de melhor telenovela; o seriado A Mulher do Prefeito, o-produção com a O2 Filmes, estrelada por Tony Ramos e Denise Fraga, concorrendo a Melhor Comédia; e na categoria minissérie ou filme para TV, foi indicado o especial Alexandre e Outros Heróis, dirigido por Luiz Fernando Carvalho.

Mel Maia protagoniza a novela #JóiaRara em atuação primorosa…

Os vencedores serão anunciados dia 24 de novembro. Na cerimônia de gala, em Nova York, o presidente do Grupo Globo, Roberto Irineu Marinho, vai receber o prêmio “Personalidade Mundial da Televisão”.

Latorraca em Alex

SAIBA MAIS sobre ALEXANDRE e Outros Heróis

Uma equipe da TV Globo ficou quase dois meses no município de Pão de Açúcar, distante 150 km de Maceió, para fazer a produção do especial de fim de ano “Alexandre e outros Heróis”, dirigido por Luiz Fernando Carvalho (das microsséries “Subúrbia”, “Capitu”, “Hoje é Dia de Maria”). Ney Latorraca interpretou o Coronel Alexandre, personagem central da obra, baseada em história escrita pelo alagoano Graciliano Ramos (1892-1953), lançada originalmente no livro de causos destinado ao público infanto-juvenil “Histórias de Alexandre”, de 1944 – reeditada no compêndio “Alexandre e outros Heróis”, de 1962, que incluiu dois novos contos, “Pequena História da República” e “Terra dos Meninos Pelados”.
NEY Latorraca tem atuação sublime na minissérie Alexandre e Outros Heróis
Rai Alex
As histórias contadas pelo vaqueiro Alexandre, narradas pelo personagem já velho e interpretado por Ney Latorraca, trazem uma mitologia do Sertão  – da onça que engana o vaqueiro se passando por um cavalo ou da cobra que o vaqueiro confunde com a bota –, caindo como uma luva nas mãos do diretor Luiz Fernando Carvalho, com obras de impacto literário e efeitos visuais como “Hoje é Dia de Maria”, gravado em duas jornadas em 2005, ‘A Pedra do Reino’, e a novela #Meu Pedacinho de Chão (deste 2014), entre outras obras notáveis da Teledramaturgia Brasileira.
A produção do especial em Pão de Açúcar reservou pousadas e alugou casas no município localizado às margens do baixo rio São Francisco – deixando moradores e autoridades municipais em alerta, afinal todos queriam ajudar. O trabalho foi uma bela homenagem aos 60 anos de morte do escritor Graciliano Ramos com a adaptação de dois contos do escritor alagoano: “O olho torto de Alexandre” e “A morte de Alexandre”.

Trazendo e valorizando o ambiente do nordeste brasileiro, a comédia é exibida em volta das fanfarronices de um típico mentiroso do sertão. Toda a  história faz parte do folclore nordestino. As gravações aconteceram no sertão de Alagoas, terra natal de Graciliano. A locação foi uma antiga fazenda às margens do Rio São Francisco, o mesmo rio que faz divisa entre as cidades de Petrolina, em Pernambuco e Juazeiro, na Bahia.

Alexandre e Outros Heróis tem texto de Luís Alberto de Abreu e Luiz Fernando Carvalho e direção de núcleo de Luiz Fernando Carvalho.

ENTENDA COMO RAIMUNDO RODRIGUEZ trabalha:

Para conseguir retratar com fidelidade um nordeste que sofria nas mãos de coronéis e em meio a muita seca, o diretor Luiz Fernando Carvalho valeu-se, mais uma vez, de sua sensibilidade e inteligência e convidou o parceiro Raimundo Rodriguez para ser o ‘construtor’ da fictícia fazenda do coronel Alexandre.

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Foram quase dois meses na pequenina cidade alagoana de Pão de Açúcar para conseguir ambientar o cenário da minissérie Alexandre e Outros Heróis. #Raimundo Rodriguez diz que é chamado de ‘jagunço’ por Luiz Fernando Carvalho e conta sobre a experiência: “Andamos por várias cidades e fazendas. Foi justamente na última que eu encontrei. Recuperamos telhados, reconstituímos madeiras pintadas e restauramos um piso de cerâmica feito à mão”.

Rai latas

“É preciso ter Amor no trabalho senão não tem sentido fazer” #RaimundoRodriguez

Não importa que tenha um cargo de diretor: Raimundo gosta de trabalhar mergulhando de cabeça e arregaça as mangas: “Trabalho 15 horas por dia de capacete e luva. São mais de 30 anos de trabalho e meto a mão na massa do começo ao fim”.

Para a empreitada, Raimundo recrutou 15 operários de Pão de Açúcar e teve de convencê-los a mudar de hábitos: “Eles não trabalhavam às segundas porque é o dia de feira deles. Foi uma tarefa difícil dada a urgência com que a TV trabalha”. E o artista teve de trabalhar muitos dias sozinho: “Se eu não me envolvo, não me interessa fazer aquele trabalho. Dinheiro não é o que me move. Tem de ter amor, senão o trabalho não é reconhecido”.

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Raimundo Rodriguez envelhecendo as paredes para alcançar outro tempo dramatúrgico…

Para deixar a casa com uma imagem semelhante a dos anos 40, Raimundo Rodriguez usou recursos simples, como aliás costuma fazer em toda a sua impactante produção: “Minha verve é aproveitar o que tem. Se não tiver tinta, uso barro. Compramos todo o estoque de chá preto da cidade para envelhecer as paredes. Faço sempre um processo natural. Fiquei horas passando a mão com cera de chão nas paredes”.

Mesmo o equipamento de gravação, cujas imagens são feitas em alta definição, passou por um processo rudimentar: “Fizemos refletores (que iluminam a cena) com papel vegetal”, explica #Raimundo Rodriguez.

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“Quarenta minutos antes de gravar, ele queria que eu arrumasse uma mala de boticário de época. Quando comecei a tentar fazer, descobri que a viúva do boticário da cidade, ainda tinha a mala dele”, diz Raimundo. Mas ele diz não se importar com os pedidos difíceis do diretor: “É importante não dizer não. Tenho muita fé de que tudo vai dar certo”.

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Assim é #RaimundoRodriguez, este cearense arretado da molesta, que faz Arte até com o sopro do vento na poeira das estradas. Saravá !!!

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Veja aqui um pouco do que foi ao ar: 

Confira aqui bastidores das gravações: 

Carpinejar e a arte de embelezar até a dor

REFÉM DA SEPARAÇÃO

Arte de Remedios Varo

Você mergulhou no relógio lento de um sequestro.

À espera de um telefonema, de uma mensagem, de um comunicado do valor a retirar do fundo de si.

Não pretende envolver a polícia dos familiares, não falará para ninguém, para evitar represálias.

Só quer seu amor de volta. Inteiro. Ouvir a voz do amor para ter certeza de que está vivo e não sofreu nenhum ferimento.

Seu tempo é voltar atrás, é retornar os ponteiros, é ontem e anteontem. Não mais frequenta o tempo normal. O tempo parado da rotina. O tempo absoluto da continuidade, de explicar a manhã pela tarde e a tarde pela noite.

Não orbita mais no tempo dos compromissos, da agenda, do café/almoço/janta.

Não tem pressa de sair de casa, tem pressa por algo que não sabe nem o que é.

Sua pressa é um disparo aleatório, um rompante inexplicável, um ataque de ansiedade. É uma urgência de não fazer coisa alguma. É um desespero sem vontade, uma dor sem lugar para doer.

Escuta sua respiração, nítida, como se estivesse caminhando dentro d’ água. Andando no interior de uma piscina, economizando ar. As palavras sobem à superfície, presas em bolhas. São bolhas de sabão da tristeza, do desencanto adulto.

Desde que você se separou, os minutos são horas, as horas são dias.

Acredita que sobreviveu a um ano sem aquela que amava mas apenas transcorreu um dia.

A sensação é que no seu rosto falta uma sobrancelha, um nariz, um ouvido, e todos já identificaram a ausência, menos você.

Passeia aparentemente inteira porque guarda sua imagem da véspera. Não viu como está agora. Tem medo de ver.

Você não se separou dela, mas de si.

Sua boca é aflitiva, na densidade da água no ar, juntando lembranças e força para pagar um resgate.

Como pagar oito anos de volta? Quanto orgulho custa uma reconciliação?

Você olha o mundo e não enxerga. Pede emprestado para qualquer sombra que passa. Olha um pássaro e pede seu voo emprestado. Olha um cachorro e pede seu faro emprestado. Olha um gato e pede sua elasticidade emprestada.

Sua angústia tomou o tamanho da esperança.

Enquanto dorme e sonha, não lembra que está sozinha.

É acordar que logo recorda da mão vazia de anéis. Tem aquela confusão da descrença: será que aconteceu mesmo?

Está acontecendo sempre quando acorda. Não para de acontecer.

Estende as pernas para tocar no corpo dela e o pé descobre que a cama não termina de terminar.

O coração não termina de terminar.

A palavra não termina de terminar.

Nada termina, nada anoitece, nada é eterno como já foi um dia.

 * Crônica publicada no jornal O GLOBO de hoje, 15/10/2014.

Fabrício CARPINEJAR é colunista exclusivo do jornal carioca, no qual escreve semanalmente.

 

Comédia ‘Tô Grávida’ diverte e público aplaude de pé

Fernanda Rodriguez e Paulo Vilhena realçam qualidade do texto de Regiana Antonini em ótima direção de Pedro Vasconcelos 

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Eles estão em segunda temporada no Teatro Fashion Mall, em São Conrado, no Rio. Como o título indica, a comédia foca no período de gravidez de um casal apaixonado. Tudo começa ainda no tempo do namoro, quando o par começa a rememorar o que os uniu, as diferenças, semelhanças, sintonias e dessintonias. Os dois, muito apaixonados um pelo outro, mas com questões que muitas vezes terminam em brigas e diversos conflitos, como é tão próprio aos relacionamentos de adolescência e entre casais ‘de primeira viagem’.

Encenada em dois tempos, a peça mostra Thales e Bianca numa terapia de casal, contando cenas de seu namoro, o tempo que ele ‘perdia’ esperando ela ficar pronta, o quanto achava isso chato, enquanto ela sempre na dúvida do que vestir, se achando fora de forma, e lamentando que, quando os dois se encontravam, ele sequer dizia “Como você ficou bem nesse vestido”… vivências que todo casal sabe ser muito pertinente ao seu dia-a-dia. Na segunda parte de Tô Grávida, cenas ainda mais engraçadas, pontuadas por conflitos muitas vezes ingênuos de um casal em começo de vida a dois, ganham o palco.

Escrita por Regiana Antonini e dirigida por Pedro Vasconcelos, a peça deixa na mão do público a decisão pelo desfecho da história, a partir de uma enquete.

As situações são todas muito bem colocadas e encenadas com propriedade, a partir de uma direção bastante competente, assinada por um jovem que surgiu na telinha como ator, e depois sagrou-se diretor de Teatro e TV. Pedro Vasconcelos faz uma direção precisa, tanto nas marcações como na interpretação dos atores, entonações, gestos, iluminação, trilha, além de promover uma descontraída interação com a plateia.

Como as situações criadas pela autora são muito comuns a quem vive a primeira espera de um filho, tudo no texto é muito crível e isso o torna facilmente assimilável, daí a sintonia tão imediatada com a atuação de Fernanda Rodrigues e Paulo Vilhena. Vale ressaltar a leveza, graça, e competência com que os atores estão no palco: ver Fernanda Rodrigues e Paulo Vilhena em cena é uma delícia ! Os dois fazem rir e, às vezes, levam a emoção do espectador até quase às lágrimas, tal é o domínio do texto, da cena, da intenção do autor, do propósito saudável e ótimo de integração com a plateia.

Fernanda Rodrigues e Paulinho Vilhena em cena…

Assistimos ao espetáculo numa noite de sábado com casa cheia, na companhia do querido casal Rosamaria Murtinho e Mauro Mendonça, que ao ser notado pelos protagonistas, foi elogiado em cena aberta. Ao final do espetáculo, Rosinha e Mauro – dois ícones sagrados da nossa Dramarturgia -, foram aplaudidos por atores e plateia, efusivamente. Diga-se, aliás, que Rosamaria Murtinho e Mauro Mendonça saíram do teatro encantados com a comédia e com a interpretação de Fernandinha e Vilhena.

Rosa e Mauro

E não foram só eles não: pelo que o #BlogAuroradeCinema constatou, o público também consagra um sonoro DEZ à comédia Tô Grávida e a seus intérpretes pois o espetáculo foi aplaudido de pé !

Teatro Tô Grávida

Quem quiser conferir, e concordar ou não conosco, basta dar uma chegadinha ao Teatro Fashion Mall, onde a peça permanece em cartaz, com sessões aos sábados, às 21h, e domingos, às 20h.

O #BlogAuroradeCinema parabeniza a toda a equipe responsável pela criação e montagem de Tô Grávida e deseja que a temporada prossiga com êxito no Rio, e siga em turnê pelo país.

Vocês, Fernanda Rodrigues e Paulo Vilhena, são duas gratas revelações no palco: beleza e talento não lhes falta e disso já sabíamos pelas telas do cinema e da TV. Mas interpretar no Teatro, o berço de todas as outras formas dramáticas, é um diferencial relevante (e disso vocês também sabem). No palco, é o aqui-agora, é entrega absoluta, é intensidade, é força, é vocação testada ao vivo, é prova inconteste do talento de vocês e de novos belos trabalhos que hão de vir em vossas carreiras.

PARABÉNS ! Nós que somos público ficamos de alma lavada quando sentimos da plateia toda a vibração advinda de um trabalho feito com dedicação, amor, e vontade de acertar e entregar o melhor para quem se dispõe a sair de casa e opta por assistir a tal e qual espetáculo. Isso é responsabilidade e isso faz toda a diferença. No Teatro ou onde quer que a integração humana se faça necessária. Portanto, ao estarem num palco, fazendo o que muitos consideram uma coisa menor – por ser comédia e por serem vocês duas carinhas bem conhecidas da TV -, e fazendo com toda a destreza com que fazem, vocês ‘dão a cara a tapa’ sem medo, mergulham no jogo cênico com indiscutível alegria, e reafirmam a importância de abrirem-se as cortinas !

Tô Grávida é um espetáculo redondinho, cheio de acertos, que executa com méritos o que pretende alcançar, desde sua gestação: levar graça e reflexão com leveza e enaltecimento das virtudes emotivas ao espectador. Claro, tudo isso tem como esteio as vigorosas palavras da dramaturga Regiana Antonini (de tantos bons textos e encenações), e a direção segura e precisa deste ator que até outro dia era um ‘garoto querendo fazer teatro’, o aguerrido Pedro Vasconcelos.

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O caloroso #AplausoBlogAuroradeCinema para Fernandinha Rodrigues e Paulinho Vilhena, e a toda a equipe de Tô Grávida.

Como não querer ‘Latifundiar’ o que há de bom ?

Obra de #RaimundoRodriguez é impactante e nos dá a certeza de que é possível tornar belo até o que parece descartável. Isso se chama TALENTO e é isso os que os #Latifúndios evidenciam !

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Minha cearensidade não é regionalista nem estacionária, não tem ranço algum de retirantismo cultural: minha cearensidade é universalista e em constante movimento para o encontro de todas as culturas. Assim, deparar-me com a grandiosidade da Arte de Raimundo Rodriguez reacendeu uma gostosa sensação de protagonismo, de inserção de várias culturas, de boas vindas a trocentas matrizes culturais, de enxergar o mundo com a grandeza com que a enxergava o poeta Fernando Pessoa… porque “Tudo vale a pena se a alma não é pequena”.

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No MAC: a atriz Alcione Mazzeo também ficou encantada com os #Latifúndios de #RaimundoRodriguez…

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Uma das obras de Raimundo Rodriguez é a série #Latifúndios, iniciada no ano 2000. De lá pra cá, a obra vai se modificando, transforma-se, é acrescida de novos formatos, ideias, cores e sensações, e os #Latifúndios continuam se proliferando, sempre novos, belos, impactantes.

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Uma das coisas que Raimundo costuma dizer é que faz um trabalho sociológico, pois nada do que se vê nos #Latifúndios teve cor ou desenho escolhido por ele: “As cores que estão nas obras são as cores que ficam nas latas de tintas que as pessoas escolheram para comprar. Eu apenas pego as latas, e as cores que restaram dentro delas, e vou abrindo e vendo surgir cores e formas inesperadas. Tudo que faço me foi encaminhado pelo outro, pelo gosto do outro, pelo olhar do outro… na verdade, ninguém cria nada: estas formas que você vê aqui nos painéis, eu via nas colchas de retalhos que as vizinhas dependuravam em seus varais… quando começo a olhar ao redor, vejo várias formas latifundiárias num incessante em se formando ao nosso redor. Tudo depende da disponibilidade pra ver e do como reprocessar tudo isso”.

Rai mostraRaimundo Rodriguez fala com uma simplicidade tamanha que até nos convence de que é facinho ser um Artista com a imensidão do Talento dele. Saravá !

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Em conversa no MAC, Raimundo Rodriguez conta sobre os #Latifúndios e público ouve atento…

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A editora do #BlogAuroradeCinema celebra a maravilha dos #Latifúndios

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Raimundo Rodriguez com sua Janete e amigas…

* Você, leitor amigo que mora no Rio de Janeiro, ou está de passagem pela Cidade Maravilhosa, tem somente até domingo, 5 de outubro, para ver de perto a grandiosidade dos #Latifúndios de #Raimundo Rodriguez. Vá ao MAC de Niteroi e confira !