A Poesia celebra CARPINEJAR: Parabéns, Poeta !

O mais festejado poeta e cronista gaúcho, FABRÍCIO CARPINEJAR é o Aniversariante desta quinta, 23 de outubro de 2014…

Saravá, Carpinejar !

Ele aniversaria justo no primeiro dia em que o signo de Escorpião adentra outubro. Do alto de seu bom humor, assevera ser hoje o único dia em que lhe é permitido ser chato.

E nós, assumidos fãs e leitores cotidianos do Poeta, afirmamos: só há dois tipos de pessoas que não gostam de CARPINEJAR, as doentes e as invejosas !

Para as doentes (de insensibilidade, loucura, burrice, egocentrismo, cegueira mental), há o consolo de um tratamento. Aos invejosos, resta fechar os olhos para a presença intensa, constante e sempre bem vinda do Poeta em jornais, revistas, blogs, páginas do Facebook, televisão, rádio, palestras, seminários, lançamentos de livros e múltiplas ocorrências na web, ou então colocar a violinha no saco.

FABRÍCIO CARPINEJAR é daqueles escritores que não precisam mais do que uma leitura para ganhar o leitor ! Foi assim comigo, quando corria o ano de 2007. Provavelmente, é assim com trocentos outros leitores de todas as partes do país, das mais variadas classes sociais e faixas etárias. Depois que li a primeira crônica do Poeta, nunca mais parei de lê-lo. E a cada novo texto, uma nova surpresa diante de palavras tão sensíveis e inteligência tão acurada, um encantamento maior, uma gratidão inesperada com aquele jeito de escrever de quem adivinha o que vai no coração do outro.

Seja em crônicas, em poemas, em entrevistas, em participações na televisão e no rádio, ministrando cursos, palestras e seminários, CARPINEJAR é sempre uma atração, onde quer que esteja, fazendo qualquer dos ofícios que realiza com a maior dedicação e habilidade, nos quais sempre reluz o brilho de sua inteligência, a força de sua ousadia, a sensibilidade extremada de sua alma repleta de infância e bom humor, uma generosidade intrínseca e um bom-caratismo indisfarçável. Não à toa, possui uma rede de amigos imensa, no qual todos não se cansam de louvar as muitas ( e raras) qualidades do Poeta. E ele retribui da mesma forma, sem medo nem vergonha de assumir que Ama os Amigos, e quem quiser que pense que ele é homossexual. Aliás, Fabrício diz que gosta que pensem que ele é gay, como você pode conferir em crônica publicada ao final deste post.

Como bem diz o escritor Julio Daio Borges, “Carpinejar é um poeta de gênio que, além de tudo, é um ‘gentleman’ (se Nélson Rodrigues estivesse vivo, o chamaria de – o mais inglês dos ingleses -, e talvez até Antonio Callado perdesse na comparação.)”

Ou como afirmou o saudoso jornalista Daniel Piza em artigo no jornal O Estado de São Paulo, de novembro de 2003: “Carpinejar é o melhor poeta de sua geração. […] Poeta bom é o que nos deixa versos na mente, latejando durante dias”.

Carpi e Diana Corso 20 out 14

Registro do lançamento do livro novo do Poeta – CURINGA -, dia 20 de outubro em Porto Alegre: Carpinejar (com a alegria contagiante de seu sorriso) recebe o abraço carinhoso da cronista Diana Corso…

Quem acompanha esta redatora, cotidianamente, em nossa página do Facebook – ou na página do Blog no Face – sabe de nossa declarada sintonia com Carpinejar. Diariamente, postamos textos e frases de Carpi em nossos espaços na web. Afinal, o Poeta tem presença diária no twitter, no rádio, e em programa de TV da emissora gaúcha RBS, além de escrever semanalmente 9 crônicas, e participar, a cada quinze dias, do programa #encontro, apresentado pela jornalista Fátima Bernardes.

Dito isso, só temos a desejar que mais e mais pessoas sigam os passos do Poeta, que é dos mais relevantes e notáveis escritores deste país. CARPINEJAR tem um dom raro: é ENCANTATÓRIO ! Este sim nos representa e nos faz ter muito orgulho de sermos Brasileiros !

São 26 livros publicados, com edições também em Portugal, e diversos prêmios literários, uma legião de fãs e seguidores em todos os espaços onde a poética de CARPI se faz presente. Esta semana, ele lançou mais um título, o livro CURINGA, reunião de suas crônicas matinais na Rádio Gaúcha, lançamento da Arquipélago Editorial.

E hoje, 23 de outubro, quando o Poeta chega a seus iluminados 42 anos de vida, queremos enviar-lhe uma avalanche de aplausos e os melhores votos de muita Saúde, PAZ, LUZ, Amor, Prosperidade e muitas Vitórias ! Que venham mais e mais aniversários com o Poeta sempre a nos brindar com a força de sua Inteligência, a intensidade de seu carisma, o charme do seu bom humor, e a beleza contagiante de sua alma – altruísta, generosa, sensível, e libertariamente transgressora !

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O poeta Carpinejar e a jornalista Aurora Miranda Leão em encontro em Sampa…

Saravá, CARPI ! FELICIDADESSSSSSSSSSSSS, hoje e sempre !

E para rebater os que dizem que o cronista é machista, que é isso e aquilo, o #BlogAuroradeCinema aproveita o aniversário do POETA e reproduz três crônicas antológicas de Carpinejar: uma ode às mulheres, uma magistral defesa do homossexualismo, e o tipo de ‘homem perfeito’ para a mulher. Confira:

SOZINHA!, NÃO SOLITÁRIA

Mulher não é reboque, não é complemento. Mulher é inteira mesmo que esteja ausente. Mulher não precisa de outro para afirmar que é ela.

Fui jantar sozinha, para acompanhar a refeição de um chef italiano. Meu marido não veio porque cuidava de nosso filho pequeno no hotel. Jantar chique, meia-luz, a suspeita começou na entrada. Ao procurar meu nome na lista, a jovem perguntou: – Espera alguém?
– Não, não espero ninguém.

– Vieste sozinha?
– Vim, algum problema?

Eu era o problema. Uma mulher sozinha sempre é um problema para o equilíbrio ecológico, uma ameaça à cadeia evolutiva da noite.

A dificuldade foi escolher uma mesa. A dificuldade mesmo foi andar pelas mesas com os convidados me olhando. Eles não me olhavam, eu me sentia olhada, esperava o olhar deles por antecipação e não conseguia responder a tempo. A maioria ficou sem retorno.

Sentei de canto. E percebi que não tinha muito assunto comigo. Fazia anos que não puxava assunto comigo. Minha conversa é monogâmica, meus pensamentos são solteiros.

Os homens não podem enxergar uma mulher sozinha que já querem seduzi-la. As mulheres não podem enxergar uma mulher sozinha que já ficam com pena.

Homens iniciavam gracejos que caberiam para qualquer uma. Qualquer uma é a mãe deles. Sei o que é uma cantada pela falta de criatividade. Homem pode vir sozinho que não é estranho, você reparou ? É escolha, independência. Mulher sozinha é ausência de opção e incompetência, não conseguiu trazer sequer um homem junto.

Concluo que passei a noite me defendendo. Mulheres apontavam para aquela morena alta, que estava destoando entre dezenas de casais. Procuravam me entender, como se dependesse de compreensão. Estava caçando ? Sim, caçando o cordeiro no meu prato, que não mostrava muita resistência empanado de mostarda e farofa.

O vinho serviu-me de amante. A bebida é amante de mulheres suspeitas como eu. Suspeitas por não estar com seu marido ou namorado. E ainda nos falam que os costumes evoluíram. O que me restava fazer se não beber para me sentir ocupada e aliviada da desconfiança?

Até o garçom vinha com mais freqüência. Até o garçom entendeu minha aflição. Um casal de conhecidos tentou me resgatar. Toda mulher sozinha é identificada como uma afogada. Uma suicida. Salvar de quê ? Salvar de mim? Desejou que sentasse em sua mesa. Como se estivesse no lugar errado.

Toda mulher sozinha está no lugar errado, é o que se acredita. Eu escolhi o lugar, não se cogitou isso ? Ou a solidão é errada? Um crime a solidão.

O senhor insistiu, confundindo a vontade com educação:

– A gente põe uma cadeira a mais em nossa mesa!

O convite migrou para mendicância. Colocar uma cadeira a mais é dizer que não era planejada e apertar os acomodados. Nunca diga que vai colocar uma cadeira a mais. É um favor. Mulher não depende de favor para existir. Nem de nenhum homem.

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Agora a crônica de Carpinejar sobre Homossexualismo – que já deveria ter sido incorporada pelo movimento LGBT há tempos !

Pode me chamar de gay

Pode me chamar de gay, não está me ofendendo. Pode me chamar de gay, é um elogio. Pode me chamar de gay, apesar de ser heterossexual, não me importo de ser confundido. Ser gay me favorece, me amplia, me liberta dos condicionamentos. Não é um julgamento, é uma referência. Pode me chamar de gay, não me sinto desaforado, não me sinto incomodado, não me sinto diminuído, não me sinto constrangido.

Pode me chamar de gay, está dizendo que sou inteligente. Está dizendo que converso com ênfase. Está dizendo que sou sensível. Pode me chamar de gay. Está dizendo que me preocupo com os detalhes. Está dizendo que dou água para as samambaias. Está dizendo que me preocupo com a vaidade. Está dizendo que me preocupo com a verdade. Pode me chamar de gay. Está dizendo que guardo segredo. Está dizendo que me importo com as palavras que não foram ditas. Está dizendo que tenho senso de humor. Está dizendo que sou carente pelo futuro. Está dizendo que sei escolher as roupas.

Pode me chamar de gay. Está dizendo que cuido do corpo, afino as cordas dos traços. Está dizendo que falo sobre sexo sem vergonha. Está dizendo que danço levantando os braços. Pode me chamar de gay. Está dizendo que choro sem o consolo dos lenços. Está dizendo que meus pesadelos passaram na infância. Está dizendo que dobro toalha de mesa como se fosse um pijama de seda.

Pode me chamar de gay. Está dizendo que sou aberto e me livrei dos preconceitos. Está dizendo que posso andar de mãos dadas com os anéis. Está dizendo que assisto a um filme para me organizar no escuro. Pode me chamar de gay. Está dizendo que reinventei minha sexualidade, reinventei meus princípios, reinventei meu rosto de noite. Pode me chamar de gay. Está dizendo que não morri no ventre, na cor da íris, no castanho dos cílios. Pode me chamar de gay. Está dizendo que sou o melhor amigo da mulher, que aceno ao máximo no aeroporto, que chamo o táxi com grito.

Pode me chamar de gay. Está dizendo que me importo com o sofrimento do outro, com a rejeição, com o medo do isolamento. Está dizendo que não tolero a omissão, a inveja, o rancor. Pode me chamar de gay. Está dizendo que vou esperar sua primeira garfada antes de comer. Está dizendo que não palito os dentes. Está dizendo que desabafo os sentimentos diante de um copo de vinho. Pode me chamar de gay. Está dizendo que sou generoso com as perdas, que não economizo elogios, que coleciono sapatos.

Pode me chamar de gay. Está dizendo que sou educado, que sou espontâneo, que estou vivo para não me reprimir na hora de escrever. Pode me chamar de gay. Que seja bem alto.

A fragilidade do vidro nasce da força e do ímpeto do fogo.

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Um recado de Carpinejar aos Homens:

HOMEM PERFEITO

Não interessa a uma mulher um homem que saiba tudo sobre ela, um homem que saiba tudo sobre o amor, um homem que saiba tudo sobre os prazeres proibidos do corpo. Uma mulher não se interessa por um homem que não tenha uma dose de insegurança, um quê de fascínio infantil, uma ponta de orgulho bobo, uma forquilha de medo entre os joelhos. Uma mulher não se interessa por homem que não teme as perguntas, que resolve os problemas com sarcasmo, que fala convicto e intrépido sobre os mais diversos assuntos; o coração dele congelado para transplante no isopor entre garrafas de cerveja. Uma mulher não se interessa por homem que pisca ao garçom, que conversa nos ouvidos com os seguranças das boates, que a mostra com malícia e desfaçatez para os outros. Uma mulher não se interessa por um homem que está se exibindo mais do que sendo transparente. Uma mulher não se interessa por um homem que ela não conta com a mínima chance de modificá-lo e elogiar as transformações. Uma mulher não se interessa por um homem que se diverte dos próprios comentários antes dela. Uma mulher não se interessa por um homem carregado de estratégias, que encadeia a noite ideal, sem nenhuma falha, sem nenhum vacilo, sem nenhuma turbulência. Ele ensaiou com quantas antes ? Uma mulher se interessa por um homem inseguro, mas sincero, tímido, mas autêntico, que sofre com suas gafes, engatilha desculpas ao usar um palavrão, que pede ajuda para completar a noite. Uma mulher não se interessa por um homem blindado, que não escuta, que se esconde em um personagem para contar mais um feito aos amigos. Uma mulher não se interessa por um homem que logo vai atacando, logo vai oferecendo o endereço para esticar a conversa. Uma mulher não se interessa pelo terno alinhado, os cabelos em dia, o pescoço perfumado, se não haverá nenhum sussurro que desperte a fragilidade masculina do outro lado. Uma mulher não se interessa em receber flores sem raízes nos dedos. Uma mulher não se interessa por um homem convicto, que a convida para sair, que passa uma cantada impecável e finge delicadeza para ser indelicado no dia seguinte e não telefonar. Uma mulher não se interessa por um homem que não mudará a ordem das palavras que teve sucesso com as mulheres anteriores e repetirá as mesmíssimas vaidades da conquista. Uma mulher se interessa por um homem que confunde o desejo com a loucura e tropeça nas palavras para logo descer ao chão com ela. Uma mulher não se interessa por um homem que seduz como quem dá as cartas, um homem que solicita a conta como quem fecha um negócio, que a envolve como se fosse um investimento. Uma mulher não se interessa por um homem que não tenha também músculo nas pálpebras para chorar por ela, músculos na boca para guardar sua língua. Uma mulher não se interessa por homens prontos, fechados, absolutamente perfeitos. Não se interessa por cadáveres.

– Sua Bênção, Carpinejar !

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CARPINEJAR e a jornalista Aurora Miranda Leão, fã incondicional do Poeta…

* Todas as crônicas aqui publicadas são do jornalista, escritor e poeta gaúcho Fabrício CARPINEJAR !

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