BABILÔNIA termina hoje e firma-se como libelo em defesa do Amor e da Tolerância

Teresa e Stella: porque o Amor também é artigo para a Terceira Idade !

BABILÔNIA tem capítulos finais com reviravolta e muita emoção !

Esta noite vai ao ar o último capítulo. Uma novela que vai deixar saudades. Com ótimas revelações e méritos muito importantes, como os diálogos, a presença de Fernanda Montenegro e Natália Thimberg, e a defesa delicada e enfática de temas como o Amor, o preconceito, a corrupção, a tolerância, a homofobia.

Assinada pelo mestre Gilberto Braga, Ricardo Linhares (seu colaborador mais assíduo) e João Ximenes Braga, Babilônia começou – como acontece com toda novela de Gilberto – com um impacto intenso logo no primeiro capítulo. Foi assim em Celebridades, Paraíso Tropical, e Insensato Coração, para citar apenas as mais recentes. Desta vez, o ‘choque’ veio com o inesperado beijo entre as personagens de Fernanda Montenegro e Natália Thimberg.

Perceba a força que tem isto numa sociedade atrasada e moralista como a nossa: Fernanda e Natália – dois festejados ícones da nossa Dramaturgia, cujo talento e carisma ninguém discute – trocando um beijo de amor em pleno horário nobre na emissora líder de audiência do país. A cena, que deveria ter sido motivo de aplauso e loas pela maior parte do público, causou revolta, constrangimento e sérios abalos na moral provinciana.

No dia seguinte, redes sociais, blogs, colunas, e informativos de toda espécie davam conta do ‘escândalo’, que seria capaz de destruir as mais sólidas famílias brasileiras ! E logo armou-se uma abjeta campanha de destruição da obra, que já dissera ao que vinha em seu capítulo de estreia. E os moralistas de plantão, os retrógrados de todas as correntes religiosas, os falsos profetas de todas as seitas e os tradicionais ‘defensores dos bons costumes’ logo trataram de assacar toda sorte de ‘elogios’ e imputar defeitos e malefícios da telenovela, que – na visão deles – iria destruir os sólidos laços afetivos e os princípios éticos e morais da sociedade brasileira. E o circo foi armado, e não foram precisos muitos dias para a opinião pública (?) imediatamente começar a desligar a TV ou trocar de canal para procurar obra mais digna a ver.

Marcos Palmeira e Arlete Salles: atuações irretocáveis !

E nessa fluidez da chamada ‘opinião pública’, uma gama enorme e arcaica de dogmas, preconceito e paradigmas  pairava submersa: intolerância religiosa, machismo, preconceito racial, negação ao impulso amoroso e sexual na Terceira Idade, homofobia e outras questões análogas. E os detratores, legítimos seguidores dos mais obsoletos e carcomidos padrões morais, acabaram por contaminar uma extensa faixa de público potencial que costuma não remar contra a maré, ao invés, apenas segue, sem sequer duvidar, a fala mais presente nas redes sociais e espaços midiáticos. Como se esses fossem uma espécie de tábua das marés, a qual é necessário seguir para não se dar mal com as idas e vindas do mar !

Arlete Salles fez de Consuelo o melhor papel de sua carreira !

Sophie Charlotte e Cássio Gabus Mendes: o Amor venceu !

E como ao lado ‘desses senhores’ caminha paralelo um rosário mofado mas ainda vigente que só consegue enxergar a televisão como um eletrodoméstico, uma ferramenta mercadológica sem nenhuma chance de produção de conteúdo artístico, essas forças se juntaram (ainda que em campos diferentes) e construíram uma corrente de rejeição à novela desleal, inculta, torpe e não condizente com o padrão oferecido pela telenovela. Coisas como violência demais pro horário, mãe e filha em brigas constantes, muita vilania, e assertivas desse nível, vieram à tona, e acabaram por sobrepor-se ao foco central de Babilônia.

Igor Angelkorte e Paulo Verlings: atuação marcante como cariocas típicos !

Sendo a teledramaturgia um produto que não vive sem a retroalimentação com o mercado – como de resto é o que termina por acontecer com toda produção da ‘indústria cultural’ -, os autores foram forçados a operar mudanças na trama, no cerne de alguns personagens e nos desmembramentos de alguns núcleos. O que de modo algum é demérito para a telenovela, sabendo todos nós com um mínimo de noção acerca do assunto, que a telenovela é uma obra aberta e, como tal, vive sujeita às interações com a audiência.

Chay Suede e Luísa Arraes: talentos jovens e de imenso valor !

Quando a novela dava claros sinais de que continuaria em seu firme propósito de defender o Amor como questão vital para a convivência saudável, a tolerância e o respeito às diferenças como padrão básico de harmonia social, os pregadores do bloqueio/rejeição à Babilônia, passaram a apelar para questões irrelevantes e sem peso algum, como aconteceu no caso da mudança com a personagem Alice, vivida com garbo pela bela e competente Sophie Charlotte. Ao invés de o foco da críitica (?) ser a veracidade ou não da interpretação da atriz, os queixosos diziam “Mas ela seria garota de programa…”

E daí ? Seria mas não foi mais porque assim decidiram seus autores, a direção da obra e a direção da emissora. Ao invés de olharem para o que estava sendo, choravam o que ‘deveria ter sido’, como anacrônicas e desalmadas viúvas do Nada. Neste, como em outros casos, o que vale é saber se a mudança afetou a obra pra melhor e se o novo caminho tomado tornou-se convincente para o público.

Como diz Bourdier em seu respeitado artigo sobre a Opinião Pública, “Um dos efeitos mais perniciosos da pesquisa de opinião consiste precisamente em colocar pessoas respondendo perguntas que elas não se perguntaram.. Como por exemplo as questões que giram em torno dos problemas da moral, tratem elas sobre a severidade dos pais, as relações entre professores e alunos, a pedagogia diretiva ou nãodiretiva, etc., problemas que são encarados como problemas éticos à medida em que se desce na hierarquia social, mas que podem ser considerados como problemas políticos pelas classes superiores. Um dos efeitos da pesquisa consiste em transformar as respostas éticas em respostas políticas pelo simples efeito de imposição da problemática.”

Bruno Gagliasso, mais uma vez, tem atuação digna de todos os Aplausos !

Enfim, por hoje ficamos aqui. Essa foi apenas nossa forma afirmativa de dizer PARABÉNS a todos os que fizeram de Babilônia esta novela importante, corajosa, enfaticamente defensora da liberdade, do amor, do respeito ao próximo, da tolerância com a diferença. Poucas novelas, como esta, foram tão incisivas na discussão e defesa de questões tão pulsantes no cotidiano social do país no momento em que elas acontecem. E tudo feito com apuro técnico e notável qualidade artística !

Sabrina Nonata, Camila Pitanga e Virgínia Rosa protagonizaram cenas lindas de incisivo combate à intolerância racial !

Daí nossos efusivos PARABÉNS a Gilberto Braga, Dennis Carvalho e Maria de Médicis, Fernanda Montenegro, Natália Thimberg, Adriana Esteves, Glória Pires, Marcos Palmeira, Cássio Gabus Mendes e Arlete Salles, para citar apenas os principais maestros. Eles permitiram que a orquestra tocasse sua valsa mais solene a plenos pulmões e é isto que faz uma obra ganhar notoriedade e cravar seu nome com letras de ouro na história da nossa Teledramaturgia,

E antes que nos perguntem quais foram as boas revelações, citamos as principais:  a presença notável do ator Marcos Veras (egresso do sucesso ‘Porta dos Fundos’), firmando-se como nome que não mais deve ficar ausentar do cast dramático da televisão brasileira. Ao lado dele, os ótimos Igor Angelkorte e Paulo Verlings, que somaram com irretocável talento sua presença na telinha.  Luísa Arraes teve desempenho supimpa para uma estreante, confirmando um talento que vem de berço e tem longa estrada de grandes personagens pra encarar. Sabrina Nonata, a doce Julinha, foi outra revelação digna de aplausos. Trazer Lu Grimaldi e Débora Duarte de volta à cena foi outro ganho de Babilônia. E Maria de Médicis firma-se, a partir desta obra, como uma diretora que não chegou na área a passeio e anda vai assinar muitos outras obras dignas de aplauso.

Thiago Fragoso e Camila Pitanga com a diretora Maria de Médicis, que mostrou estar apta a voos cada vez maiores e mais intensos !

No mais, Babilônia termina hoje e inscreve-se já no imenso rol de obras de relevância e qualidade insigne da Teledramaturgia Brasileira. Enfim, uma obra necessária !

Marcos Veras e Juliana Alves – sintonia fina entre os atores, e a confirmação do tema principal de #Babilônia:  O AMOR É A COISA MAIS IMPORTANTE DO MUNDO !

Fernanda, Gilberto Braga, Natália e Glória: afinados na construção de uma obra repleta de méritos ! #AplausoBlogAuroradeCinemapara Babilônia

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