Negras cabeleireiras, feministas e antirracistas… Sábado de KBELA no Rio

KBELA

A tela de KBELA: experiência audiovisual sobre ser mulher e tornar­-se negra

Hoje é a vez dos cariocas conhecerem o conteúdo e o mosaico audiovisual de KBELA, curta-metragem da diretora Yasmim Thayná, que tem estreia agendada pro Cine Odeon.

Trata-se de projeto audiovisual experimental realizado de forma colaborativa por mulheres negras sobre mulheres negras. A internet foi a ponte usada para convocar elenco e recolher fundos para viabilizar a materialização da obra, uma experiência sobre a importância de se assumirem os cabelos crespos.

Seja através do cinema ou através dos cabelos, as mulheres de KBELA têm em comum a busca por novas possibilidades para narrar suas histórias em diferentes campos onde machismo e racismo são obstáculos que precisam ser superados e rechaçados.

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É muito interessante poder constatar a badalada máxima de que “A união faz a força”. Sobretudo quando essa constatação se consolida num trabalho audiovisual, que une texto, imagem e muitas simetrias.

Em KBELA, tudo é assim, a partir do processo de produção, baseado nas redes de afeto e da internet. Para garantir a diversidade de personagens, a diretora Yasmin e suas colaboradoras decidiram convocar o elenco pelas redes sociais. Assim, há uma rica diversidade de histórias pessoais que contribuem para formar o universo do curta. Além disso, uma vaquinha online arrecadou R$ 5.000 para custear parte do orçamento.

A sinopse diz: Um olhar sensível sobre a experiência do racismo vivido cotidianamente por mulheres negras. A descoberta de uma força ancestral que emerge de seus cabelos crespos transcendendo o embranquecimento. Um exercício subjetivo de autorrepresentação e empoderamento.

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Yasmin Thayná assina roteiro e direção do filme, livre  adaptação de seu conto Mc K­bela, publicado na coletânea Flupp Pensa ­ 43 novos autores (Réptil/ Aeroplano, 2012).

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Construída a partir de memórias afetivas, a história narra a relação da autora com seu cabelo, desde as dolorosas sessões de alisamento químico com sua avó, até o reconhecimento de sua ancestralidade nas raízes do cabelo natural, passando por situações-limite de opressão e pelo reconhecimento de importantes círculos de acolhimento. Em 2013, o mesmo conto foi transposto para o teatro com uma cena curta criada especialmente para o primeiro Home Theatre ­ Festival Internacional de Cenas em Casa.

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O projeto KBELA é um catalisador de memórias, histórias, forças, ancestralidades e lutas expresso através de imagens. Durante os dois dias de gravações, uma equipe de mais de 50 pessoas de diferentes regiões do Brasil (e uma atriz de Portugal) esteve mobilizada: metade do time é formada por mulheres negras, ­ incluindo Maria Clara Araújo, 18, mulher trans negra de Recife, que acaba de entrar para o curso de pedagogia na UFPE.

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Maria Clara Araújo, trans negra de Recife, também está em KBELA…

Dados da Universidade Estadual do Rio de Janeiro (Uerj) apontam que nos últimos dez anos, mulheres negras representaram apenas 4,4% do elenco dos principais filmes de longa-­metragem brasileiros. A pesquisa também revela que, no mesmo período, as mulheres ocuparam apenas 14% dos cargos de direção e 26% assinaram roteiros, nenhuma delas era negra.

Assim, no contexto brasileiro, KBELA é um projeto político feminista e anti­racista no campo das artes pela construção e afirmação de espaços de autorrepresentação das mulheres negras.

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A equipe de KBELA: união defende negritude e fim do racismo…

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