Arquivo do mês: fevereiro 2016

Zeca Baleiro pelo Nordeste: Era Domingo !

Compositor maranhense inicia turnê em maio pela cidade de Natal…

Era Domingo é o nome do novo disco de inéditas do artista Zeca Baleiro. O sucessor de O Disco do Ano (2012) sai pela Som Livre, assim como seus mais recentes trabalhos ao vivo: “Calma Aí, Coração” (2014, cd e dvd) e “Chão de Giz – Zeca Baleiro canta Zé Ramalho” (2015, cd e dvd).

Desta vez, a turnê de lançamento de ZECA começa pelo Nordeste. A estreia do show Era Domingo está grifada para 18 de maio no Teatro Riachuelo, em Natal. Depois, Baleiro segue para João Pessoa (20/5 no Teatro Pedra do Reino), Maceió (21/5 no Teatro Gustavo Leite), Recife (27/5 no Baile Perfumado) e Fortaleza (28/5 na Barraca Santa Praia).

Repetindo o esquema usado em O Disco do Ano, Baleiro entregou cada faixa do novo disco a um produtor diferente: É um jeito mais divertido de fazer. Depois de quase 20 anos de carreira e mais de 10 discos lançados, tenho que criar novos modos de fazer, reciclar os métodos. Tudo que eu não quero é um trabalho burocrático. Nesse formato, cada música chega de uma maneira diferente e isso acaba sendo instigante pra mim. Minha voz e o tratamento final é que dão unidade ao trabalho”, afirma o compositor maranhense.

Baleiro

Para o show, Zeca Baleiro promete surpresas, como releituras de suas próprias canções e também de artistas que admira, entre eles David Bowie e Herivelto Martins.

Cultura Popular do Maranhão perde Magno Aires

Euclides Magno

AS PERDAS QUE NOS AFETAM POR DENTRO E POR FORA SÃO COMO “COICES CAVALAR” QUE NOS MACHUCAM 

                                                                              * Euclides Moreira Neto

 

Neste 25 de fevereiro de 2016 acordamos com um sentimento de perda irreparável. Na noite anterior, faleceu subitamente um cidadão que considerávamos amigo, sem os laços próximos de uma amizade mais presente, mas um amigo que nos fazia feliz ao vê-lo, ao tratarmos com ele, à forma como nos tratávamos e como se relacionava com todos os que lhes cercavam: na noite anterior havia falecido, subitamente, Magno Aires, um cidadão maranhense, de origem humilde, apreciador das manifestações de cultura popular, integrante da Sociedade Recreativa Favela do Samba e do Boi da Floresta. Creio que Magno tinha menos de 50 anos.

Esse cidadão morrera por complicações cardíacas e ninguém esperava sua morte súbita. Na Favela do Samba, ele organizava a ala dos passistas, que deu nova qualidade àquela agremiação carnavalesca, pois ele tratava seus integrantes como aliados de primeira ordem e tinha um estreito círculo de relacionamento com todos, fossem homens ou mulheres, e todos o respeitavam com a legitimidade que ele adquiriu ao longo de sua vivência carnavalesca naquela agremiação, em especial durante os ensaios da Bateria Carcará, às terças e quintas-feiras, e nas demais atividades sociais daquela escola de samba.

Magno conseguiu estabelecer uma prática de permuta entre os partícipes dessa ala, uma vez que seus integrantes deixavam claro que era um prazer ir aos ensaios da Bateria da Carcará para se divertirem e para aprender as coreografias que eram recorrentemente criadas para as futuras apresentações que a mesma iria fazer. Além disso, Magno se preocupava com a produção artística de seu grupo, na intenção de que ela fosse uma espécie de cartão de Boas Vindas para os apreciadores do samba emanado pelos ritmistas favelenses.

Agindo assim, Magno Cruz conquistou a direção daquela escola de samba, dos ritmistas, do mestre de bateria, dos casais de mestres-salas e portas-bandeira, pois facilmente dividia o limitado espaço de ensaios com o seu grupo de passistas em uma convivência salutar e pacífica que só engrandecia a escola de samba do bairro do Sacavém. Quando ele não estava, as pessoas sentiam falta e essa falta era manifestada sem grandes preocupações, pois todos sabiam que ele voltaria, embora fizesse falta.

Sem dúvida ao longo do tempo, Magno foi adquirindo o status legitimado simbólico de integrante necessário e indispensável para a escola de samba favelense. Não nos furtamos em comparar sua presença com a de mestre Júlio para os ritmistas da Bateria Carcará, ou como a de Júlio Matos para a confecção dos carros alegóricos da Favela; ou como a de Pedro Padilha para a confecção das fantasias de composição de carros, casais de mestres-salas e portas-bandeira, rainhas de bateria e destaques.

Assim, a notícia de seu falecimento nos deixa órfãos de uma pessoa ímpar, alegre, única, que soltava um sorriso meigo quando tratávamos de assuntos diversos, uma pessoa leal e solidária na construção dos sonhos idealizados para os projetos carnavalescos de sua escola de samba do coração, fato que nos deixava a sensação de que ali estava um patrimônio privado da nação favelense, como são denominados os apreciadores daquela escola de samba.

A última vez que vimos Magno em público foi no último domingo, 22 de fevereiro, durante a feijoada comemorativa daquela agremiação carnavalesca pela conquista do título de campeã no concurso de escolas de samba de São Luís, na temporada de 2016. Ele estava como sempre nos apresentava – feliz, alegre e comunicativo, interagindo com todos que lhe procuravam. Aproveitamos a oportunidade e clicamos uma foto, que depois foi veiculada amplamente nas redes sociais e de quem lhe coube emitir o seguinte comentário: “Pegos de surpresa por Euclides Moreira Neto em uma conversa de carnaval kkk”.

Na foto clicada por nós, Magno estava a conversar com o amigo Jandilson Carvalho, que também ficou pasmo com a notícia de seu falecimento. Na conversa clicada de supresa ele estava a sorrir e trocar ideias, como sempre fazia, e com certeza nem passava pela sua cabeça esse desfecho tão repentino e inesperado. Após o seu falecimento, começam a aparecer as versões de que ele já havia comentado com amigos mais próximos que estava a sentir um desconforto na área do coração e a perna dormente. Ele até procurou auxílio médico, mas a resposta foi a de que eram gazes, pra ele não se preocupar.

O diagnóstico de que o desconforto de Magno eram gazes mostra como a saúde do brasileiro está sendo tratada pelos equipamentos públicos da área da saúde, em que não é feita a devida investigação nos problemas que chegam aos médicos, e uma simples palavra, como se fosse um diagnóstico científico, encerra o procedimento de uma consulta preventiva. A vida humana está banalizada e entregue à sorte de profissionais que nem sempre são éticos nos seus veredictos.

Dessa forma, perdemos um amigo, um companheiro, um ser humano incrivel e de bem com a vida. Perdemos o sorriso simples e humilde de um cidadão que só engrandecia suas relações e os vínculos com quem matinha amizade. Fica pois a sensação de que perdas como essa são “coices cavalar” que recebemos como um bólido, inesperadamente, e que subitamente parou. Ficamos intactos sem saber o que fazer, se não aceitar essa penalização, que não sabemos se é divina.

 A presença de pessoas como Magno Aires à frente de um grupo de pessoas, de uma organização cultural e de qualquer instrumento de relacionamento que seja, é ter a garantia de um capital humano e social raro, como enunciou Pierre Bourdieu (1996), na sua obra “As regras da arte”, quando tenta explicar essas relações sociais que estabelecem laços de vida e de consumo entre as sociedades de forma simbólica, externando uma multiplicidade diversificada de emoções.

No calor da emoção da perda de Magno Aires, recorremos ao investigador científico em história, Fábio Henrique Monteiro Silva (2015, p. 38), quando nos conforta ao afirmar que “A festa carnavalesca, ao adquirir subsídios de sociabilidade e de trocas culturais entre seus participantes, pode proporcionar um entendimento de rede de ligações e revelar os comportamentos da sociedade daquele momento”.

Diz ainda Silva (2015, p. 38) que “Na essência do festejo, o indivíduo torna-se folião e apresenta a possibilidade de entendimento dos seus sentimentos, frustações, negações e impedimentos que envolvem o mundo em que vive”. Esse mesmo autor ressalta como é estranha a influência do carnaval no espírito humano e pergunta: “O que faz com que homens e mulheres de pouca condição social e muitos problemas econômicos saiam às ruas para cantar e dançar?”, e nós complementamos esse raciocínio dizendo “como fazia Magno Aires nos grupos em que atuava”.

Coorroboramos com Silva quando ele afirma que “A soociologia, tampouco a história, consegue explicar tais mudanças de comportamento. Nem a psicologia explica por que no período momesco os atores se tornam pessoas brincalhonas, nem o racionalismo consegue explicar a essência de uma festa que encontrou na terra Brasil o grande palco para sua exposição” (Silva, 2015, p. 38).

Ao contrário da vida que agrega os atos festivos das manifestações culturais de maneira plena e pulsante, compartilhamos com o olhar de que a morte é de fato um forte elemento que desconstrói sonhos e esperanças da vida das pessoas, pois rompem-se elos que talvez não se encontrem outros substitutos. A vida ocupa um lugar privilegiado na produção cultural de qualquer sociedade, como elemento cristalizador, capaz de ritualizar, diluir e até mesmo sacralizar a experiência social dos grupos que a realizam.

Por isso, estamos aqui lamentando a perda deste cidadão único que nos tocou profundamente com sua convivência – Magno Aires –  como elemento construtivo de sonhos e esperanças. Não queremos que ele cai no bloco do esquecimento, portanto, vamos torcer para que, aqueles que tiveram oportunidade do compartilhamento de sua vida, se espelhem nela para dar continuidade ao amanhã.

  • Euclides Moreira Neto é Professor Mestre em Comunicação Social da UFMA e Doutorando em Estudos Culturais na Universidade de Aveiro – Portugal

É Nóis na Fita com inscrições abertas

Depois do sucesso em 2014 e 2015, o projeto É NÓIS NA FITACurso Gratuito de Cinema – chega à 3ª edição

A primeira turma será na Escola da Cidade, região central de São Paulo. As inscrições estão abertas e podem ser feitas até dia 29. Serão 25 vagas para jovens entre 15 e 20 anos. As aulas irão de 12 de março a 22 de maio, aos sábados e domingos, das 9h às 18h.

Ao longo de 9 finais de semana, os alunos vão entrar em contato com todas as etapas da criação e produção audiovisual – roteiro, direção, fotografia, arte, som, edição e finalização – com profissionais e professores das melhores faculdades de audiovisual de São Paulo. E ainda vão produzir 2 curtas-metragens.

Eliana

A carga horária do curso é dividida entre teoria e prática, mas o ápice do processo, segundo os próprios alunos, são os dias de gravação do curta. A atriz, diretora, produtora e roteirista Eliana Fonseca, idealizadora do projeto, acredita que o processo de ver uma ideia sair da cabeça para o papel, do papel para o set e do set para a tela é extremamente gratificante e rico em experiências tanto no nível artístico como no pessoal.

Quem concorda com isso são os 250 alunos da 1ª e da 2ª edições, que em 27 de fevereiro se encontrarão no Cinearte (Av. Paulista, 2073) para a exibição dos 10 curtas produzidos em 2015. Este, aliás, é outro ponto alto que o É NÓIS NA FITA proporciona: a oportunidade de ver os filmes numa sala profissional de cinema, com toda qualidade de som e em tela grande!

É NÓIS NA FITA tem Patrocínio Master do Banco Bradesco e copatrocínio da ALB Air Liquide Brasil.

Em 2016, o projeto será realizado nas 5 regiões da cidade de São Paulo. Até o momento, já foram abertas inscrições para as 3 turmas do 1º semestre: Centro, Zona Sul e Zona Oeste.

Mais informações:

www.enoisnafita.com.br

www.vimeo.com/enoisnafita

Noix

É NÓIS NA FITA – Curso Gratuito de Cinema 2016

Inscrições: www.enoisnafita.com.br

Candidatos devem ter de 15 a 20 anos.

1º Curso 2016: Escola da Cidade

Rua General Jardim, 65 – Vila Buarque – São Paulo/SP

Estação República do metrô (Linha 3 Vermelha e Linha 4 Amarela) – Zona Central

Aulas de 12 de março a 22 de maio, sábados e domingos das 9h às 18h.

Inscrições abertas até 29/02.

2º Curso 2016: CEU Heliópolis

Estrada das Lágrimas, 2.385 – João Clímaco – São Paulo/SP

Estação Sacomã do metrô (Linha 2 Verde)

Aulas: 09 de Abril a 12 de Junho de 2016.

Inscrições abertas até 23/03.

3º Curso 2016 – CEU Jaguaré

Endereço: Avenida Kenkiti Simonoto, 80, Jaguaré – São Paulo/SP.

Estação Jaguaré de trem

Aulas: 14 de Maio a 10 de Julho de 2015.

Inscrições abertas até 24/04.

Rosamaria Murtinho celebra 60 com Nelson Rodrigues

Das mais queridas e importantes atrizes do país, Rosamaria Murtinho volta ao palco em audaciosa montagem de DOROTÉIA, diriigida por Jorge Farjalla…

Em Pecado Capital, de Janete Clair, grande sucesso do final dos anos 70 na TV Globo…

São seis décadas transmudando-se e assumindo novas vidas. Da mocinha que veio de longe e conquistou o país como heroína, passando pela apaixonada Valquíria criada por Janete Clair, até a ousada Romana de Sílvio de Abreu, passando pela falsa madame que de Condessa só tinha a vontade, ou a sogra elegante e interesseira, sempre alfinetada pelo astucioso Félix de Amor à Vida, há uma extensa lista de personagens na telinha, na telona e em palcos de todo o país. Vários são os prêmios, medalhas, troféus, condecorações, além do cobiçado KIKITO pela notável atuação em Primeiro de Abril, da querida cineasta Maria Letícia.

Rosamaria Murtinho como a viúva Lea na novela Chega Mais, de Carlos Eduardo Novaes

ROSAMARIA MURTINHO é um ícone na cena artística brasileira ! Além de reconhecida e enormemente aplaudida pelo talento, a atriz é também símbolo de elegância, estilo e classe. Tudo que Rosinha veste fica bem. E os muitos editoriais de moda e eventos classudos da sociedade carioca atestam o que afirmamos.

Mas além de ser essa mulher elegante e de gosto refinado, Rosamaria Murtinho é também extremamente simples, e cativa pela simpatia e cordialidade com todos quanto a procuram. Conosco, a amizade vem desde os tempos de minha adolescência, e a enorme admiração que sinto pela atriz só aumenta com o passar do tempo, conforme atesta nosso curta documental em sua homenagem, intitulado Adorável Rosa.

Agora, estes 60 bem vividos de arte e interpretação poderão ser, mais uma vez, conferidos e aplaudidos pelo público carioca: no próximo sábado, 20 de fevereiro, Rosamaria Murtinho estreia no palco do Teatro Tom Jobim, no Jardim Botânico, o espetáculo DOROTÉIA, dividindo a cena com a também excelente atriz Letícia Spiller.

A PEÇA

Escrita em 1949, DOROTÉIA fecha o ciclo das obras do chamado ‘teatro desagradável’ de Nelson Rodrigues, intitulado pelo crítico Sábato Magaldi como “peças míticas” ,sendo a única farsa escrita pelo autor.

O texto é uma ode à beleza da mulher, no qual a heroína segue em busca da destruição de sua própria beleza para igualar-se à feiúra de suas primas Dona Flávia, Maura e Carmelita.

A montagem proposta no projeto tem ousada direção de Jorge Farjalla, direção musical de João Paulo Mendonça, e um ‘duelo’ entre as atrizes Rosamaria Murtinho e Letícia Spiller, as quais, pela primeira vez, encenarão um Nelson Rodrigues, encabeçando elenco de mais 10 atores.

O foco principal do espetáculo é o dilaceramento do espírito humano e o delírio que se constitui através da fissura. As personagens são “fissuradas” pelo fascínio por algo que não podem realizar: a convivência entre prazer e pureza, e são, ao mesmo tempo, cortadas ao meio pela tensão daí decorrente. Em consequência, a destruição das formas de vida, ou seja: a personagem central pecou e se arrependeu. Arrependeu-se ? Nem tanto, pois instigada por Dona Flávia para concluir sua purificação pela feiúra e pela doença incurável, Dorotéia deve pecar novamente com Nepomuceno, o senhor das chagas.

De todos os símbolos presentes na obra, o mais enigmático para os dias de hoje é o do “Jarro”, pois ele representa a imagem do espaço do prostíbulo, graças ao uso que dele faziam as mulheres, sobretudo as prostitutas, na precariedade de seus ambientes para se lavar após o ato sexual. Dorotéia é uma mistura de sonho, pesadelo, desatino e destino irremediável. Por um momento, paira a esperança de que a maldição não se cumprirá, mas ela é irrecorrível. As imagens e símbolos da obra de Nelson Rodrigues são um espelho irônico do desespero do autor, expondo sua visão desencantada do espírito humano e, ao mesmo tempo, enfeitiçada por suas contradições.

O projeto Dorotéia surgiu do encontro entre a atriz Rosamaria Murtinho e o ator e diretor Jorge Farjalla (Cia. Guerreiro) após uma apresentação do espetáculo “Paraíso Agora ou Prata Palomares”, trabalho mais recente da companhia. Enxergando nesse tipo de trabalho um uso diferenciado da pesquisa, da linguagem e da proposta cênica no uso do espaço, Rosamaria propôs a Farjalla uma parceria para comemorar seus 60 anos de carreira.

Ancorada na obra de um dos mais relevantes dramaturgos do Brasil, Nelson Rodrigues, a montagem de Dorotéia prestes a estrear propõe uma releitura do clássico, mantendo e ampliando o diálogo com questões contemporâneas, através do olhar de Jorge Farjalla e do trabalho de um elenco dedicado, que há meses ensaia diariamente para trazer ao público mais um auspicioso momento do Teatro Brasileiro.

Doroteia

Vem, DOROTÉIA ! Que os Aplausos se farão ecoar !

 

Atores ensaiam musical e buscam apoio em campanha

Wal e peça

A cooperativa teatral Actuare Produções traz para São Paulo a montagem inédita e autoral de REFÚGIO – O MUSICAL, adaptação do premiado curta-metragem Refúgio, direção de Pedro Diniz com roteiro de Alexandre Biondi, vencedor de vários festivais no Brasil e no exterior. Com direção geral e texto original de Biondi e adaptação do dramaturgo Bruno Bossio, o musical terá 14 músicas inéditas dos diretores musicais Kaio Nobre e Vitor Moutte.

TEASER – https://www.youtube.com/watch?v=F3VnOlZmgUw

 

Amanda peça

A história aborda algumas das dificuldades emocionais que envolvem a descoberta de um relacionamento homossexual, e tem como personagens principais Max e Lucas. Os atores que irão interpretá-los são Max Grácio e Waldírio Castro.

O texto é refinado e sofisticado, mas a clareza dos diálogos dará ao público a percepção de que a trama pode pertencer ao cotidiano de qualquer sociedade. Momentos de sensualidade fazem parte do enredo. As músicas darão leveza e até uma pitada de humor. As 14 composições exclusivas têm arranjos contemporâneos que ressaltam a criatividade brasileira. O musical terá elenco de oito atores com três músicos em cena. Refúgio – O Musical ficará inicialmente três meses em cartaz na capital paulista.

Wald

Waldírio Castro, ator e bailarino paraibano, é um dos destaques de Refúgio

O espetáculo fará uma apresentação para uma associação de portadores de HIV e irá oferecer descontos para portadores de HIV associados. Além disso, terá ingressos com valores acessíveis.

Saiba mais: http://www.kickante.com.br/campanhas/refugio-o-musical

Euclides Moreira e a história de Maria Aragão em livro

Um das praças mais bonitas e conhecidas de São Luís é a Praça Maria Aragão, homenagem à emérita militante maranhense em favor da liberdade de expressão e dos menos favorecidos.

Maria Aragão tem uma história difícil e importante, e, graças ao pesquisador cultural e professor da UFMA, Euclides Moreira Neto, Maria Aragão agora é livro.

Lançado mês passado em São Luís, Maria por Maria traz depoimento concedido pela médica Maria José Aragão, guardado por mais de 25 anos pelo jornalista e professor-mestre Euclides Moreira Neto. O livro tornou-se possível graças ao empenho do profesor Euclides e  parceria com a Secretaria de Ciência, Tecnologia e Inovação, por meio de edição especial dos Cadernos Maria Aragão de Tecnologia Social com a denominação de “Maria por Maria” ou “A Saga da Besta Fera nos porões do Cárcere e da Ditadura”. 

São 346 páginas de pura emoção e revelação da militante política e médica Maria José Aragão, cuja vida foi dedicada à defesa dos menos favorecidos, numa luta incessante por dias melhores e uma vida mais igualitária. O livro reúne o conteúdo de uma série de entrevistas concedida por Maria Aragão ao jornalista Euclides Moreira Neto em 1988, cuja transcrição foi realizada logo após sua morte, ocorrida no mês de julho de 1991. Na época em que concedeu as entrevistas, Euclides realizava pesquisa para fundamentar o enredo carnavalesco desenvolvido pela escola Favela do Samba, que homenageou Maria Aragão no carnaval de 1989 com o tema O Sonho de Maria.

Segundo Euclides Moreira Neto, no momento em que transcreveu a série de entrevistas, sua preocupação era preservar o conteúdo revelado por Maria Aragão, porém uma série de acontecimentos lhe impediram de fazer os devidos ajustes e correções àquela época, como sistematizar as perguntas e assuntos, uma vez que eles são repetidos de forma recorrente pela entrevistada, fatos que levaram o pesquisador a deixar o conteúdo das entrevistas em stand by por mais de 20 anos.

Euclides Moreira Neto ressalta: “Toda a série de entrevistas foi gravada em vídeo no sistema VHS, o que, naturalmente, torna o material audiovisual bastante vulnerável e efêmero”. O autor esclarece ainda que, na transcrição, foi utilizada a mesma sistemática de entrevistas convencionais de perguntas e respostas. As exceções que ocorrem no texto transcrito se registram quando a própria entrevistada cita perguntas e respostas sobre casos e situações que narra, relembrando algo que considerava relevante.

Para Euclides, “A narrativa de Maria Aragão é, sem dúvida, rica em detalhes, embora, eventualmente, ela faça questão de mencionar que não é boa em memorizar nomes e datas, o que faz com alguma frequência durante as entrevistas. Apesar disso, o sentido da força narrativa é preservado e dá perfeitamente para o leitor compreender o que ela gostaria de dizer”.

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Maria Aragão faleceu aos 81 anos no Maranhão em julho de 1991…

E Euclides diz mais: “É impressionante como em sua narrativa, Maria Aragão é respeitosa com todos os que cita, não nos deixando perceber o sentimento do “ódio por ódio”. Percebemos que foi humilde, altiva, guerreira e combativa com aqueles que compartilharam de sua vida, assim como cultivava um profundo amor por aqueles que considerava como amigos e por seus filhos adotivos, de quem falava com muito carinho e orgulho.

Que este texto seja mais um testemunho fidedigno da ação de uma mulher que se doou à causa do socialismo e à luta por um mundo melhor e mais igualitário, sem opressores e oprimidos. Que seus erros e acertos sejam lições de vida para todos nós, pois eu compartilho desses mesmos ideais.”

O AUTOR

Euclides Barbosa Moreira Neto nasceu em 13 de abril de 1957, na cidade de Cururupu-MA. Atualmente é Professor Mestre em Comunicação, lotado no Curso de Comunicação Social do Centro de Ciências Sociais da Universidade Federal do Maranhão; e Doutorando do Curso de Estudos Culturais na Universidade de Aveiro, Portugal.

Graduado em Comunicação Social – Habilitação Jornalismo na UFMA (1976-1979), Euclides Moreira Neto tem dois cursos de Especialização: “Teoria e Prática em Jornalismo”, ministrado na UFMA (1981-1982); e “Planejamento da Comunicação”, na Universidade Federal de Minas Gerais em convênio celebrado com a Universidade Católica de Minas Gerais, Fundação Friedrich Ebert da República Federal da Alemanha, Associação Brasileira de Ensino e Pesquisa da Comunicação – ABPEC com o Centro Internacional de Studios Superiores de Comunicación para América Latina – CIESPAL (1982); “Mestrado em Comunicação” viabilizado por meio de convênio firmado entre a Universidade Federal Fluminense (UFF), Universidade Federal do Maranhão (UFMA) e Universidade Virtual do Maranhão (UNIVIMA) (2009-2011); exerceu a função de “Conselheiro” do Conselho Estadual de Cultura do Maranhão (1991-1994) e (2007-2008); reorganizou e presidiu o Conselho Municipal de Cultura de São Luís (2009-2012).

Ao longo de sua carreira como docente, Euclides Moreira Neto esteve sempre envolvido com a área de extensão e cultura, desenvolvendo atividades em todas as áreas de expressões artísticas, principalmente na área audiovisual. À nível administrativo na UFMA. foi coordenador do Núcleo de Atividades Visuais do Departamento de Assuntos Culturais da Pró-Reitoria de Extensão e Assuntos Estudantis, além de diretor daquele Departamento (CD4) por 12 anos consecutivos (1996-2008).

Coordenou vários projetos culturais de abrangência nacional destacando-se: o Festival Guarnicê de Cinema; “Festival Brasileiro de Canto Coral no Maranhão (FEMACO)”; o “Festival Brasileiro de Canto Lírico no Maranhão (MARACANTO)”; o “Festival Brasileiro de Poesia no Maranhão (POEMARÁ)”; o “Festival Universitário de Reggae (UNIREGGAE)”; a “Mostra Brasileira de Humor no Maranhão (HUMORMARÁ)” e a “Tocata de Bandas e Fanfarras do Maranhão”.

A intensa ação desenvolvida por Euclides Moreira Neto na área cultural da capital maranhense o levou a atuar como produtor cultural, ator, crítico de arte e cineasta. Na atividade audiovisual, Euclides dirigiu e produziu vários filmes, obtendo diversas premiações em festivais de cinema e vídeo pelo Brasil, destacando-se os filmes “Mutações”, “Colonos Clandestinos”, “Bom Jesus”, “A greve da meia-passagem”, “Alegre Amargor”, “Feições”, “Mamucabo”, “Periquito Sujo”, “Jardins Suspensos” e os vídeos “A Saga Maranhense” e “O lavrador de palavras”.

No quadriênio 2009-2012 foi Presidente da Fundação Municipal de Cultura, órgão vinculado à estrutura da Prefeitura de São Luís; no ano de 2012 recebeu do Governo do Estado do Maranhão o título de Comendador considerando-se os bons serviços por ele prestados à cultura maranhense. Como integrante da comunidade universitária, Euclides Moreira Neto dedica-se a investigar a atuação das manifestações culturais “reggae” e “carnaval” no meio cultural maranhense.

Euclides livro

Euclides Moreira Neto é Professor da UFMA e Doutorando da Universidade de Aveiro, em Portugal.

Euclides Moreira Neto analisa carnaval maranhense

​INCENDEIAM-SE AS VAIDADES REPRIMIDAS DOS NOSSOS PRODUTORES CARNAVALESCOS

                                                                                                                                Euclides Moreira Neto* 

Com o fim do período carnavalesco ainda vivemos um caloroso debate referente aos resultados dos diversos concursos carnavalescos postos em prática na nossa ciedade. Observamos o que sempre é constatado: um inflamado debate que foge ao bom senso e à razoabilidade de opiniões provenientes dos mais diversos pontos atuantes da cidade, por meio de pessoas comuns e por aqueles que se rotulam especialistas (entre os quais me incluo). Confessamos que sob o peso dos nossos quase 60 anos, já vivenciamos diversas experiências que hoje nos fazem rever os fatos da atualidade com mais clareza, sem os impulsos de quando èramos mais jovem.

Temos em nossa história marcas que foram significantes e que nos ensinaram muito na formação do nosso olhar e proceder presente com mais firmeza. Podemos perceber melhor as entrelinhas das palavras e das ações de alguns atores do mundo cultural e carnavalescos como fragmentos de verdades cristalizadas em um determinado momento, que quase sempre, o tempo deixa cair por terras, como as juras de amor e fidelidade declaradas aos quatro cantos da cidade, por alguns integrantes dos grupos participantes dessas manifestações carnavalescas. Afinal, o carnaval é um mundo de faz de conta, de ilusão em que as pessoas se deixam também envolver-se como chamas e palavras que se vão ao vento.

É, pois, como uma redoma de certezas contidas em cada mente, em cada pessoa, em cada opinião que podemos conceituar como uma verdadeira “fogueira de vaidades” atuando em cada pessoa integrante desse universo mágico, que se chama carnaval. Vemos as pessoas extravasando sua fala e opiniões como se fossem caminhos exclusivos da verdade, mas opinando como somente a sua verdade fosse a única plenamente confiável, ficando as demais em um descrédito sem precedente, pronta para ir ao lixão do descarte. As opiniões parecem deixar as pessoas cegas, não permitindo-lhes um pouco de coerência; nem dando-lhes a oportunidade do contraditório. Só há valor aquelas opiniões que são congruentes, caso contrário, morra-se.

A paixão pela torcida, pelo ser folião e por participar de um Bloco Tradicional, ou de uma Escola de Samba, de um Bloco Afro, de um Bloco Organizado, de uma Tribo de Índio, de uma Turma de Samba, etc., compara-se aos torcedores de times de futebol, os quais, organizados em patotas, não permitem “a invasão” de integrantes torcedores de outras manifestações culturais – que podemos até conceituá-las como “facções culturais”, uma vez que o envolvimento chega a ser doentio, deixando as pessoas, como já referenciamos acima, míopes e/ou quase cegas de bom senso. Há um travamento intelectual que impede os participantes de perceber as virtudes ou qualidades positivas dos lados envolvidos, ficando quase sempre deixas para a percepção somente dos eventuais defeitos – aliás, esse ponto pode ser extensivo a boa parte dos jurados.

Nessa linha de raciocínio, queremos evidenciar que essa maldita vaidade (que também podemos chamar de orgulho, ostentação, presunção, futilidade, algo sem valor, soberba ou amor próprio) é o desejo de atrair a admiração das outras pessoas, fazendo-as cúmplices de suas opiniões particulares, sem o direito do contraditório, que nos deixa reféns do radicalismo. E essa fogueira de vaidades incendeia-se e nos incendeia, provocando os mais sórdidos sentimentos, muitas vezes revolta por gestos classificados incoerentes, como as atribuições de notas aos quesitos em julgamento nos diversos concursos postos em prática.

Nós, na qualidade de investigador científico no Programa Doutoral em Estudos Culturais na Universidade de Aveiro, Portugal, às vezes ficamos pasmos com algumas notas atribuídas a determinados grupos concorrentes ou do universo carnavalesco participante. Como vamos nos apoiar em fatos verificados e ocorridos no processo de apuração, e nos próprios desfiles oficiais, vamos nos limitar em comentar o universo dos Blocos Tradicionais do Maranhão – objeto de nossa investigação. Por isso, não entraremos no universo das Escolas de Samba e das outras manifestações culturais, considerando que somos ator também atuante nesses outros segmentos.

Percebemos, por exemplo, que parte significativa dos jurados são despreparados para julgar o que estavam a julgar. A revelação de notas consideradas viciadas, também classificadas como “cartas marcadas”, prejudicaram grupos de BTMs que passaram/desfilaram, ao nosso ver, de maneira excelente na passarela do samba, promovendo uma ótima performance. Essas revelações inconsequentes, também ao nosso ver, maculam e machucam o trabalho dedicado de dezenas de pessoas que se doaram a uma causa, que não há como remediar, senão deixando a sensação de roubalheira, idêntica aos assaltos à mão armada promovidos por delinquentes e bandidos profissionais.

Como militante desse universo, percebemos que nos dois dias de concurso dos Blocos Tradicionais, os grupos participantes tiveram uma preocupação muito grande em superar a crise financeira por qual passa nosso país e proporcionar um salto de qualidade em todos os sentidos: na confecção das fantasias, na escolha dos temas, na arrumação dos grupos durante os desfiles, na performance de suas baterias, na inclusão de elementos-surpresas durante o desfile, no cumprimento de horários, enfim, houve uma decisão responsável para que os desfiles fossem melhorados, tendo como consequência mais marcante o respeito ao público, aos participantes das manifestações culturais, aos profissionais da imprensa que cobrem essas atividades, etc.

Apoiando-nos no que diz Canclini (2001, p. 153) sobre a configuração que vêm sofrendo as manifestações culturais e as cidades e seus bairros, quando profundas reformulações são processadas em meio aos intensos fluxos e refluxos socioculturais, políticos e econômicos, influenciados pelo processo de globalização, verificamos que “as cidades já não podem ser pensadas  como  espaços  monolíticos,  homogêneos,  delimitados”, assim os BTMs nos mostram essa transformação pelo viés cultural, pois uma vez que as cidades precisam ser concebidas “como espaço  de  interação  em  que  as  identidades  e  os  sentimentos  de pertencimento são formados com recursos materiais e simbólicos de origem local, nacional e transacional”.

Por outro lado, na contramão dessa decisão responsável dos gestores dos grupos carnavalescos, verificamos que o poder público municipal falhou muito em não providenciar com antecedência a produção do espaço sagrado de desfile – a Passarela do Samba. Isso aconteceu somente na reta final do período carnavalesco, não dando tempo de se produzir dignamente uma decoração ou ambientação para a festa. Aliás, essa ambientação esteve ausente na cidade toda, pois não havia uma simples máscara nos postes como decoração, fato fundamental para também motivar o público e os visitantes para serem partícipes da festa carnavalescas. Este ano foi tudo à seco mesmo.

Voltando ao concurso dos Blocos Tradicionais, permitam-me citar dois grupos que nos impressionaram muito durante o seu desfile em 2016: “Os Reis da Liberdade” e “Principe de Roma”, que, inspirados em temas bem regionais, ousaram na confecção de suas fantasias, fugindo às práticas convencionais do imaginário lúdico veneziano (ou europeu), preferindo apoiar-se no imaginário regional, utilizando personagens culturais locais como pai Francisco e mãe Catirina (Reis da Liberdade) e a figura do Espantalho (Príncipe de Roma), brindando o público com indumentária de alto bom gosto e esmerada criatividade.

Ao citar os grupos “Os Reis da Liberdade” e “Principe de Roma”, não queremos desmerecer os demais participantes da festa carnavalesca dos BTMs – não é isso. Queremos chamar atenção para o fator criativo dos idealizadores desses dois grupos. Os demais grupos foram também muito bons, por isso parabéns especial aos “Os Apaixonados” (BTM campeão do grupo A), de quem eu esperava mais pelo amplo merchandising feito previamente; parabéns também aos “Os Foliões” pelo belo samba reeditado na avenida; aos “Feras”, aos “Brasinhas”, aos “Tremendões”, “Fanáticos” e “Vampiros”, todos do grupo A, pelas belas fantasias apresentadas – cada vez mais requintadas e esmeradas –  mais tudo dentro da normalidade. Surpreendeu-nos também o BTM “La Boêmios de Fátima”, pela ousadia de coreografar os seus balizas – ficou inovador e muito bonito, dando volume e ritmo diferenciado ao grupo durante sua apresentação. No grupo B, ficamos impressionados com “Os Trapalhões” (BTM campeão do grupo B), pelo vigor da bateria e a fantasia criativa; além dos “Vinagreiras Show”, pela singeleza da abordagem do tema; aos “Boêmios do Ritmo”, que nos trouxe de volta a saudação do “Vai querer, vai querer” para dentro da passarela, um hábito que está sendo esquecido… infelizmente. Foram boas também as participações dos demais grupos, que ao nosso ver sobressaíram-se: os grupos de BTMs “Dragões da Liberdade”,  “Os Vigaristas”, “Companhia do Ritmo”, “Os Vingadores”, “Os Coringas”, “Alegria do Ritmo”, todos realizando empolgantes apresentações; e o “Príncipe da Meia Noite”, este último talvez o mais carente de recursos financeiros e que vem lá do distante bairro Jardim América Giniparana, depois da Cidade Operária.

Para encerrar esta nossa reflexão sobre os desfiles dos BTMs no carnaval ludovicense de 2016, lembramos o que reflete Canclini, sobre o reordenamento pelo qual alguns centros urbanos têm passado – sobretudo regiões metropolitanas -, o qual se realiza ao compasso do capitalismo contemporâneo. Ao nosso ver, esta formulação de Canclini ilumina o contexto da introdução e expansão do movimento carnavalesco no Maranhão, considerando que houve todo  um reordenamento de valores, que inclui  a chegada, a distribuição que o faz circular nos diversos segmentos sociais, a difusão, produção, comercialização e aceitação identitária.

* O autor é Professor Mestre em Comunicação Social na UFMA e Doutorando do Programa Doutoral em Estudos Culturais na Universidade de Aveiro – Portugal.
EUCLIDES - FOTO BY MURILO SANTOS
O professor Euclides Moreira Neto, queridíssimo agitador cultural de São Luís e grande apaixonado por carnaval, conclui Doutorado na cidade de Aveiro, em Portugal…