Euclides Moreira e a história de Maria Aragão em livro

Um das praças mais bonitas e conhecidas de São Luís é a Praça Maria Aragão, homenagem à emérita militante maranhense em favor da liberdade de expressão e dos menos favorecidos.

Maria Aragão tem uma história difícil e importante, e, graças ao pesquisador cultural e professor da UFMA, Euclides Moreira Neto, Maria Aragão agora é livro.

Lançado mês passado em São Luís, Maria por Maria traz depoimento concedido pela médica Maria José Aragão, guardado por mais de 25 anos pelo jornalista e professor-mestre Euclides Moreira Neto. O livro tornou-se possível graças ao empenho do profesor Euclides e  parceria com a Secretaria de Ciência, Tecnologia e Inovação, por meio de edição especial dos Cadernos Maria Aragão de Tecnologia Social com a denominação de “Maria por Maria” ou “A Saga da Besta Fera nos porões do Cárcere e da Ditadura”. 

São 346 páginas de pura emoção e revelação da militante política e médica Maria José Aragão, cuja vida foi dedicada à defesa dos menos favorecidos, numa luta incessante por dias melhores e uma vida mais igualitária. O livro reúne o conteúdo de uma série de entrevistas concedida por Maria Aragão ao jornalista Euclides Moreira Neto em 1988, cuja transcrição foi realizada logo após sua morte, ocorrida no mês de julho de 1991. Na época em que concedeu as entrevistas, Euclides realizava pesquisa para fundamentar o enredo carnavalesco desenvolvido pela escola Favela do Samba, que homenageou Maria Aragão no carnaval de 1989 com o tema O Sonho de Maria.

Segundo Euclides Moreira Neto, no momento em que transcreveu a série de entrevistas, sua preocupação era preservar o conteúdo revelado por Maria Aragão, porém uma série de acontecimentos lhe impediram de fazer os devidos ajustes e correções àquela época, como sistematizar as perguntas e assuntos, uma vez que eles são repetidos de forma recorrente pela entrevistada, fatos que levaram o pesquisador a deixar o conteúdo das entrevistas em stand by por mais de 20 anos.

Euclides Moreira Neto ressalta: “Toda a série de entrevistas foi gravada em vídeo no sistema VHS, o que, naturalmente, torna o material audiovisual bastante vulnerável e efêmero”. O autor esclarece ainda que, na transcrição, foi utilizada a mesma sistemática de entrevistas convencionais de perguntas e respostas. As exceções que ocorrem no texto transcrito se registram quando a própria entrevistada cita perguntas e respostas sobre casos e situações que narra, relembrando algo que considerava relevante.

Para Euclides, “A narrativa de Maria Aragão é, sem dúvida, rica em detalhes, embora, eventualmente, ela faça questão de mencionar que não é boa em memorizar nomes e datas, o que faz com alguma frequência durante as entrevistas. Apesar disso, o sentido da força narrativa é preservado e dá perfeitamente para o leitor compreender o que ela gostaria de dizer”.

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Maria Aragão faleceu aos 81 anos no Maranhão em julho de 1991…

E Euclides diz mais: “É impressionante como em sua narrativa, Maria Aragão é respeitosa com todos os que cita, não nos deixando perceber o sentimento do “ódio por ódio”. Percebemos que foi humilde, altiva, guerreira e combativa com aqueles que compartilharam de sua vida, assim como cultivava um profundo amor por aqueles que considerava como amigos e por seus filhos adotivos, de quem falava com muito carinho e orgulho.

Que este texto seja mais um testemunho fidedigno da ação de uma mulher que se doou à causa do socialismo e à luta por um mundo melhor e mais igualitário, sem opressores e oprimidos. Que seus erros e acertos sejam lições de vida para todos nós, pois eu compartilho desses mesmos ideais.”

O AUTOR

Euclides Barbosa Moreira Neto nasceu em 13 de abril de 1957, na cidade de Cururupu-MA. Atualmente é Professor Mestre em Comunicação, lotado no Curso de Comunicação Social do Centro de Ciências Sociais da Universidade Federal do Maranhão; e Doutorando do Curso de Estudos Culturais na Universidade de Aveiro, Portugal.

Graduado em Comunicação Social – Habilitação Jornalismo na UFMA (1976-1979), Euclides Moreira Neto tem dois cursos de Especialização: “Teoria e Prática em Jornalismo”, ministrado na UFMA (1981-1982); e “Planejamento da Comunicação”, na Universidade Federal de Minas Gerais em convênio celebrado com a Universidade Católica de Minas Gerais, Fundação Friedrich Ebert da República Federal da Alemanha, Associação Brasileira de Ensino e Pesquisa da Comunicação – ABPEC com o Centro Internacional de Studios Superiores de Comunicación para América Latina – CIESPAL (1982); “Mestrado em Comunicação” viabilizado por meio de convênio firmado entre a Universidade Federal Fluminense (UFF), Universidade Federal do Maranhão (UFMA) e Universidade Virtual do Maranhão (UNIVIMA) (2009-2011); exerceu a função de “Conselheiro” do Conselho Estadual de Cultura do Maranhão (1991-1994) e (2007-2008); reorganizou e presidiu o Conselho Municipal de Cultura de São Luís (2009-2012).

Ao longo de sua carreira como docente, Euclides Moreira Neto esteve sempre envolvido com a área de extensão e cultura, desenvolvendo atividades em todas as áreas de expressões artísticas, principalmente na área audiovisual. À nível administrativo na UFMA. foi coordenador do Núcleo de Atividades Visuais do Departamento de Assuntos Culturais da Pró-Reitoria de Extensão e Assuntos Estudantis, além de diretor daquele Departamento (CD4) por 12 anos consecutivos (1996-2008).

Coordenou vários projetos culturais de abrangência nacional destacando-se: o Festival Guarnicê de Cinema; “Festival Brasileiro de Canto Coral no Maranhão (FEMACO)”; o “Festival Brasileiro de Canto Lírico no Maranhão (MARACANTO)”; o “Festival Brasileiro de Poesia no Maranhão (POEMARÁ)”; o “Festival Universitário de Reggae (UNIREGGAE)”; a “Mostra Brasileira de Humor no Maranhão (HUMORMARÁ)” e a “Tocata de Bandas e Fanfarras do Maranhão”.

A intensa ação desenvolvida por Euclides Moreira Neto na área cultural da capital maranhense o levou a atuar como produtor cultural, ator, crítico de arte e cineasta. Na atividade audiovisual, Euclides dirigiu e produziu vários filmes, obtendo diversas premiações em festivais de cinema e vídeo pelo Brasil, destacando-se os filmes “Mutações”, “Colonos Clandestinos”, “Bom Jesus”, “A greve da meia-passagem”, “Alegre Amargor”, “Feições”, “Mamucabo”, “Periquito Sujo”, “Jardins Suspensos” e os vídeos “A Saga Maranhense” e “O lavrador de palavras”.

No quadriênio 2009-2012 foi Presidente da Fundação Municipal de Cultura, órgão vinculado à estrutura da Prefeitura de São Luís; no ano de 2012 recebeu do Governo do Estado do Maranhão o título de Comendador considerando-se os bons serviços por ele prestados à cultura maranhense. Como integrante da comunidade universitária, Euclides Moreira Neto dedica-se a investigar a atuação das manifestações culturais “reggae” e “carnaval” no meio cultural maranhense.

Euclides livro

Euclides Moreira Neto é Professor da UFMA e Doutorando da Universidade de Aveiro, em Portugal.

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