Rosamaria Murtinho celebra 60 com Nelson Rodrigues

Das mais queridas e importantes atrizes do país, Rosamaria Murtinho volta ao palco em audaciosa montagem de DOROTÉIA, diriigida por Jorge Farjalla…

Em Pecado Capital, de Janete Clair, grande sucesso do final dos anos 70 na TV Globo…

São seis décadas transmudando-se e assumindo novas vidas. Da mocinha que veio de longe e conquistou o país como heroína, passando pela apaixonada Valquíria criada por Janete Clair, até a ousada Romana de Sílvio de Abreu, passando pela falsa madame que de Condessa só tinha a vontade, ou a sogra elegante e interesseira, sempre alfinetada pelo astucioso Félix de Amor à Vida, há uma extensa lista de personagens na telinha, na telona e em palcos de todo o país. Vários são os prêmios, medalhas, troféus, condecorações, além do cobiçado KIKITO pela notável atuação em Primeiro de Abril, da querida cineasta Maria Letícia.

Rosamaria Murtinho como a viúva Lea na novela Chega Mais, de Carlos Eduardo Novaes

ROSAMARIA MURTINHO é um ícone na cena artística brasileira ! Além de reconhecida e enormemente aplaudida pelo talento, a atriz é também símbolo de elegância, estilo e classe. Tudo que Rosinha veste fica bem. E os muitos editoriais de moda e eventos classudos da sociedade carioca atestam o que afirmamos.

Mas além de ser essa mulher elegante e de gosto refinado, Rosamaria Murtinho é também extremamente simples, e cativa pela simpatia e cordialidade com todos quanto a procuram. Conosco, a amizade vem desde os tempos de minha adolescência, e a enorme admiração que sinto pela atriz só aumenta com o passar do tempo, conforme atesta nosso curta documental em sua homenagem, intitulado Adorável Rosa.

Agora, estes 60 bem vividos de arte e interpretação poderão ser, mais uma vez, conferidos e aplaudidos pelo público carioca: no próximo sábado, 20 de fevereiro, Rosamaria Murtinho estreia no palco do Teatro Tom Jobim, no Jardim Botânico, o espetáculo DOROTÉIA, dividindo a cena com a também excelente atriz Letícia Spiller.

A PEÇA

Escrita em 1949, DOROTÉIA fecha o ciclo das obras do chamado ‘teatro desagradável’ de Nelson Rodrigues, intitulado pelo crítico Sábato Magaldi como “peças míticas” ,sendo a única farsa escrita pelo autor.

O texto é uma ode à beleza da mulher, no qual a heroína segue em busca da destruição de sua própria beleza para igualar-se à feiúra de suas primas Dona Flávia, Maura e Carmelita.

A montagem proposta no projeto tem ousada direção de Jorge Farjalla, direção musical de João Paulo Mendonça, e um ‘duelo’ entre as atrizes Rosamaria Murtinho e Letícia Spiller, as quais, pela primeira vez, encenarão um Nelson Rodrigues, encabeçando elenco de mais 10 atores.

O foco principal do espetáculo é o dilaceramento do espírito humano e o delírio que se constitui através da fissura. As personagens são “fissuradas” pelo fascínio por algo que não podem realizar: a convivência entre prazer e pureza, e são, ao mesmo tempo, cortadas ao meio pela tensão daí decorrente. Em consequência, a destruição das formas de vida, ou seja: a personagem central pecou e se arrependeu. Arrependeu-se ? Nem tanto, pois instigada por Dona Flávia para concluir sua purificação pela feiúra e pela doença incurável, Dorotéia deve pecar novamente com Nepomuceno, o senhor das chagas.

De todos os símbolos presentes na obra, o mais enigmático para os dias de hoje é o do “Jarro”, pois ele representa a imagem do espaço do prostíbulo, graças ao uso que dele faziam as mulheres, sobretudo as prostitutas, na precariedade de seus ambientes para se lavar após o ato sexual. Dorotéia é uma mistura de sonho, pesadelo, desatino e destino irremediável. Por um momento, paira a esperança de que a maldição não se cumprirá, mas ela é irrecorrível. As imagens e símbolos da obra de Nelson Rodrigues são um espelho irônico do desespero do autor, expondo sua visão desencantada do espírito humano e, ao mesmo tempo, enfeitiçada por suas contradições.

O projeto Dorotéia surgiu do encontro entre a atriz Rosamaria Murtinho e o ator e diretor Jorge Farjalla (Cia. Guerreiro) após uma apresentação do espetáculo “Paraíso Agora ou Prata Palomares”, trabalho mais recente da companhia. Enxergando nesse tipo de trabalho um uso diferenciado da pesquisa, da linguagem e da proposta cênica no uso do espaço, Rosamaria propôs a Farjalla uma parceria para comemorar seus 60 anos de carreira.

Ancorada na obra de um dos mais relevantes dramaturgos do Brasil, Nelson Rodrigues, a montagem de Dorotéia prestes a estrear propõe uma releitura do clássico, mantendo e ampliando o diálogo com questões contemporâneas, através do olhar de Jorge Farjalla e do trabalho de um elenco dedicado, que há meses ensaia diariamente para trazer ao público mais um auspicioso momento do Teatro Brasileiro.

Doroteia

Vem, DOROTÉIA ! Que os Aplausos se farão ecoar !

 

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