Arquivo do mês: março 2016

A Páscoa na oração de Artur da Távola

Cartão Cristo ARTUR

Para desejar a você, amigo e fiel leitor deste #BlogAuroradeCinema, uma FELIZ PÁSCOA, recorremos à crônica do saudoso Mestre Artur da Távola, intitulada 

 

PERPLEXA ORAÇÃO ATUAL DE SEXTA-FEIRA SANTA

 

“Contemplo-Vos na cruz, Senhor, e só por avaliar, cada vez melhor, Vosso sofrimento, asseguro-me da certeza de que compreendereis o meu, na busca de uma honrada posição para os dilemas contemporâneos.

Quero um tempo de igualdade de oportunidades de liberdade mas observo que as ideias de liberdade muitas vezes são usadas para impedir essa igualdade democrática de oportunidades e que, certos defensores apenas dessa igualdade de oportunidades, não vacilam em usar o Vosso nome para sacrificar a liberdade. […]

Se prego a caridade, endosso os que, em nome de fazê-la, ou fazendo-a, mantém o status quo. E se por causa deles nego a caridade, sinto que deixo de fazer o que está ao meu alcance para minorar sofrimentos.

Optar por qual tipo de dor: a da vitória ou a da derrota ?

Se aceito a igualdade em tudo, serei injusto com os mais capazes. Se baseio a vida e a sociedade apenas nos mais capazes, crio um mundo injusto e desumano.

Se apoio o capital, acabo por apoiar o monopólio. Se apoio o estado, acabo por apoiar formas igualmente totalitárias do exercício do poder.

Se Vos contemplo, Senhor, apenas como o filho de Deus cujo sacrifício serviu para redimir o homem, deixo de ver a dimensão política da Vossa luta contra o “império”, ao qual a Vossa pregação de paz, amor, perdão e tolerância, ameaçava, subversiva. Deixo de ver a Vossa preferência pelos pobres, marginais e deserdados.

Se Vos contemplo, Senhor, na cruz, apenas como um líder político, abandono a dimensão transcendente, a que ascende através. É através do Vosso sacrifício, da eternidade da Vossa pregação, que o homem pôde estabelecer uma ponte de crença e convicção na Verdade e no Absoluto. Se Vos considero apenas na ótica humana, terrena, política, deixo de ver através da Vossa transparência, que nos permite ver o que está no fundo da Vossa mensagem.

Se vos tenho apenas como Filho de Deus, temo não ser capaz de seguir-Vos, perco a dimensão transcendente, a única que acalma e dá a medida da possibilidade humana.

Se Vos tenho apenas como homem e posso, então, ousar seguir-Vos, perco a dimensão transcendente, a única que acalma e pacifica o homem diante de seu nada.

Dai-me, Senhor, a exata medida das coisas. Para que eu esteja sempre do lado dos fracos e oprimidos, lutando pela igualdade humana e pela liberdade do homem. Mas que essa luta não seja um mero disfarce e expediente de dominação e esmagamento em nome da liberdade da igualdade. E que eu saiba distinguir quando liberdade e igualdade estiverem ameaçadas ainda que até pela minha própria vontade de implementá-las.

Fazei com que eu consiga o milagre de compatibilizar justiça com eficácia. Liberdade com ordem. Igualdade humana com democracia. Energia com perdão. Decisão com reflexão. E que nunca precise colocar todo o mal fora de mim nos outros, e todo o bem em mim para me sentir melhor e mais seguro, como fazem tantos entre os que Vos seguem.”

*Crônica publicada em 1980 e incluída no livro Cada um no meu Lugar, lançado em 1980 pela editora PLG/Salamandra.

Artur da Távola foi um brilhante cronista carioca, jornalista dos mais respeitados do país, o mais profícuo analista de televisão do país, radialista, filósofo e emérito Senador da República. Um ser humano iluminado e por demais querido por onde passava. Ao passar para a outra dimensão, em maio de 2008, Artur da Távola era ntão diretor da Rádio Roquette-Pinto e apresentava o programa Quem tem medo de Música Clássica na TV Cultura. Ao Mestre, nossa eterna gratidão e aplauso !

* Aurora Miranda Leão, jornalista assumidamente fã de Artur da Távola, a quem reputa sua maior influência na carreira.

Páscoa cartão 15

Inscrições de Finos Filmes prosseguem

Realizadores nacionais e internacionais podem inscrever suas produções audiovisuais no III Festival de Finos Filmes até o próximo dia 01 de Abril.

Para a inscrição, os filmes devem ter no máximo até 20 minutos. Não há categorização por nacionalidade ou gênero: a pré-condição é que o realizador não tenha nenhum longa-metragem no currículo.  Em 2015, foram inscritas cerca de 600 produções, de diferentes países; sendo selecionadas 15, que concorreram em cinco categorias. Este ano, a abertura do Festival será dia 3 de maio, e o encerramento, com a cerimônia de premiação, em 11 de maio. O Finos Filmes conta com apoio do MIS – Museu de Imagem e Som/São Paulo -, e da FAAP – Fundação Armando Álvares Penteado.

“O Finos Filmes chega à sua terceira edição, reafirmando nosso compromisso de tornar-se a vitrine da nova geração de cineastas”, afirma Felipe Arrojo Poroger,  curador do festival.

Para esta terceira edição, estão programadas mostras paralelas e debates. Para a mostra competitiva, serão escolhidos 15 curtas, a serem exibidos gratuitamente em horários alternados nos auditórios do MIS, FAAP, Cinusp, todos em São Paulo,  os quais concorrerão a Melhor Filme, Melhor Filme Nacional, Melhor Diretor, Melhor Roteiro e ao Prêmio de Reconhecimento Artístico. Em 2015, foram escolhidos, respectivamente, Aïssa (Clément Tréhin-Lalanne, França); Carranca (Wallace Nogueira e Marcelo Mattos de Oliveira, Brasil); 2 Girls 1 Cake (Jens Dahl, Dinamarca); O Caminhão do Meu Pai (Maurício Osaki, Vietnã – Brasil); E (Alexandre Wahrhaftig, Helena Ungaretti e Miguel Antunes Ramos, Brasil).

O III Festival de Finos Filmes será realizado de 4 a 11 de maio, na capital paulista.

 Para informações sobre regulamento e mais detalhes sobre inscrições, acesse https://www.facebook.com/finosfilmes, ou www.finosfilmes.com.br.