Arquivo do mês: abril 2016

Programa do Jô deixará lacuna inestimável na telinha

Como todos já sabem, estamos assistindo neste ano à ultima temporada do programa do apresentador Jô Soares na TV Globo.

Há quase três décadas comandando entrevistas na televisão, Jô Soares estava indisfarçadamente emocionado na gravação do primeiro de seus programas desta nova e derradeira temporada de 2016.

Com a voz rouca e quase embargada, o apresentador (que é multitalento: Jô também é ator, diretor, escritor, roteirista, e dramaturgo) admitiu sentir nervosismo apesar dos 28 anos na mesma tarefa:

“Isso não me acontecia há muito tempo. Estou obviamente emocionado e com a boca seca de nervoso”, disse Jô antes de começar as entrevistas. “Estou nervoso e isso não me acontece há tanto tempo… Olhe só, o quarteto me acompanha desde que o Bira era criança! Quero agradecer à equipe técnica, que faz este programa com tanto amor. Este é um reencontro que me traz muita alegria e eu estou obviamente emocionado”.

Aos 78 anos, Jô Soares deixará de apresentar seu talk show, o mais tradicional da TV brasileira, a partir de 2017. O apresentador estreou no formato em 1988, no SBT, e este é o 16o ano de seu programa diário nas madrugadas da TV Globo: “Este é o último ano do programa no ar. Ao longo de 28 anos, ‘Jô Soares Onze e Meia’ e o ‘Programa do Jô’ totalizaram 14.138 entrevistas, sem contar as que nós ainda vamos fazer este ano. Haja bunda no sofá!”, brincou Jô na abertura do programa.

Dani e Jô

A cantora Daniela Mercury é figura das mais festejadas no sofá do #ProgramadoJò…

Jô Soares também fez um balanço dos entrevistados famosos e anônimos que estiveram no disputado sofá de seu programa: “Já sentaram nesse sofá seis prêmios Nobel. Mas o mais importante foi a descoberta de alguns artistas e conversar com alguns dos grandes anônimos do povo brasileiro, aqueles personagens simples com quem você ri, se identifica e se emociona. E quando me perguntam qual foi o meu melhor entrevistado eu digo que é o próximo. Sempre foi e sempre será”.

Conhecido por sempre dar a sua opinião sobre a política brasileira, Jô Soares ironizou as ofensas constantes que recebe nas redes sociais. O apresentador afirmou que, dadas suas preferências políticas, ele pode ser chamado de “coxista”:

“Sempre tive liberdade para demonstrar todas as minhas tendências políticas, nunca deixei de entrevistar um presidente deste ou daquele partido. Quando entrevistei a Dilma, me chamaram de petista. Quando entrevistei o FHC, virei PSDB. Então eu sou ‘coxista'”, ironizou o apresentador, arrancando aplausos da plateia. “O Lula veio ao programa 13 vezes, o Fernando Henrique dez. Acho que essa é a maior prova de imparcialidade”.

A festejada atriz Glória Pires no famoso sofá do Programa do Jô…

A saída do Programa do Jô da grade de programação da TV Globo já vem sendo muito sentida por seu público fiel e convidados já entrevistados por ele, ou com entrevistas já agendadas: todos lamentam o término do programa mais visto nas madrugadas televisivas.

O Rei Roberto Carlos já ganhou uma edição inteira do Programa do Jô…

O exemplo mais notório é o do poeta gaúcho Fabrício Carpinejar, que dedicou uma bela crônica a Jô Soares (publicada originalmente no jornal Zero Hora), também lamentando que o programa esteja com data certa para acabar.

Confira abaixo a crônica de Carpinejar:

“O término do Programa do Jô abre uma lacuna irremediável na televisão brasileira. Jô é um humorista entrevistando, e o melhor que já tivemos e poderíamos ter, diante da galeria suntuosa de personagens e quadros que inventou no Viva o Gordo (uma das discussões intermináveis sempre foi rivalizá-lo com Chico Anysio, assim como a nossa mania maniqueísta de colocar Chico Buarque contra Caetano).

Só que ele era um intelectual disfarçado de humorista, quebrando as expectativas de seus convidados. O terno colorido, as gravatas borboletas ou de seda, os sapatos italianos indicavam que não estava para brincadeira, que não teria compaixão. Cosmopolita, crítico, enciclopédico, quando subia no talk show representava um aforista, um sátiro, um Oscar Wilde das máximas noturnas. Estava lá para demolir com a inteligência qualquer generalização. Seu riso vinha do sarcasmo, da racionalização constante, da leitura atenta dos pontos fracos e das incoerências de suas atrações. Não havia como ficar previamente feliz ao ser convidado para participar do Programa do Jô: corria grandes chances de ser massacrado para grande audiência. O sexteto que o acompanhava agia como uma banda marcial, pontuando tramas e cortando assuntos. O beijo do Jô tinha a sabedoria do fel, seco, com as duas mãos para o tapa cultural.

Quem esperava encontrar o humorista, esbarrava com o humanista endiabrado e curioso, disposto a fazer amizade pela oposição. Ao procurar a identificação do humanista, encontrava-se com o piadista inspirado, disposto a perder o amigo mas não a piada.  Jô mudava conforme o espírito da conversa, com uma rapidez impressionante de tom. Seu raciocínio sempre desfrutou de câmbio automático, enquanto a maioria ainda engatinhava com a troca de marcha do pensamento. Não perdoava gafes e confissões.

Participei quatro vezes de seu quadro. Jamais relaxei. Na primeira, ele estava encarnado a debochar da minha aparência extravagante, de unhas pintadas na época, óculos mosca e cabelos desenhados.

À primeira impressão, emparedava-me como uma figura folclórica, não um escritor. Mas ele viu que eu pensava ligeiro e passou a se desarmar e firmar cumplicidade com as minhas ideias fora do senso comum. Ganhei o crédito da resiliência. Em outra participação, ele buscou me constranger quando errei a pronúncia de uma palavra, e recorri à saída de incêndio da teatralização do bullying da infância, invocando que ele repetia a vilania dos meus agressores mirins. E rimos juntos. O meu momento mais tenso acabou sendo quando ele me provocou a partir da minha namorada na plateia, e lhe chamei de gay.

— Gay heterossexual? — ele perguntou.

— Não, gay mesmo, Jô! — repliquei.

E rimos juntos. Pois destruir a aparência é a alma dos fortes. Jô ria de si, o que dificultava todo ataque e anulava a brabeza dos interlocutores.

Não existirá majestade igual na telinha. A caneca estará agora vazia de conhecimento.”

Rodrigo Santoro fala sobre sua participação na novela Velho Chico

A boa notícia é que o Programa do Jô deverá ganhar nova emissora, e não sair do ar definitivamente: os rumores dão conta de que a atração comandada por JÔ SOARES passará a ser produzida e exibida pelo canal GNT, o mesmo que já veicula programas como os ótimos Saia Justa (comandado por Astrid Fontenelle) e o Programa de Segunda (com Marcelo Tass).

Jô e P 2

Jô Soares diz que faz bem a ele receber a atriz Paolla Oliveira em seu programa…

Como assistimos ao Programa do Jô com frequência, só nos resta torcer para que o programa prossiga sua vida inteligente na telinha pelo GNT, além de deixar nosso caloroso #aplausoblogauroradecinema ao querido entrevistador e multifacetado artista Jô Soares !

Jô e F

A Diva Fernanda Montenegro, presença iluminada, é sempre ganho na audiência…

Soem trombetas: Roberto Carlos 75… Viva o REI !

Roberto Carlos faz 75 e celebra cantando cada vez melhor !

O cantor e compositor ROBERTO CARLOS, capixaba que tornou a cidade de Cachoeiro do Itapemirim conhecida internacionalmente, faz aniversário. São 75 velinhas e muitas décadas cantando e encantando corações apaixonados, no Brasil e no mundo. ROBERTO CARLOS é, indubitavelmente, o mais aclamado cantor brasileiro no exterior.

Sendo ou não fã do REI, todo mundo tem, pelo menos, uma música de Roberto Carlos da qual se lembra com ternura e emoção. Apenas alguns insistem em ter ‘vergonha’ de assumir tal predisposição.

Já nós, que fazemos este #BlogAuroradeCinema, podemos apontar, no mínimo, umas 30 canções de ROBERTO CARLOS que fazem parte de nosso acervo de canções notáveis do Cancioneiro Brasileiro.


A cada vez que vejo Roberto Carlos cantar, e uma enorme platéia, apaixonada, acompanhá-lo, mais impressiono-me com a poderosa força de sua expressividade artística.

São legiões de pessoas que há anos acompanham sua trajetória – no meio dessas, muitas crianças e pessoas que não acompanharam sua fase mais criativa – anos 70/80. Mesmo assim, a audiência é tomada de emoção por suas músicas e sua voz agradável. Afinal, ROBERTO CARLOS canta melhor a cada dia.

Nascido no Espírito Santo, o capixaba é ídolo POP no país e também no exterior, conforme atestam shows constantes em diversos países e as turnês, sempre lotadas, no Cruzeiro Costa Marine. Foi em abril de 2010, por exemplo, que Roberto Carlos ganhou bela Homenagem na sede da gravadora SONY MUSIC, em New York, por conta de seus 50 de carreira e por ter alcançado a  incrível marca de 100 MILHÕES DE DISCOS VENDIDOS no mundo.

Gosto de destacar o naipe de grandes músicos que acompanha o REI. Há muitas décadas, eles seguem juntos na estrada com ROBERTO. ISSO DE SE OLHAR PARA O PALCO E VER SENHORES DE MEIA-IDADE (A COMEÇAR PELO MAESTRO) E ATÉ O TRIO QUE ATUA COMO BACKING VOCAL, SEM A “OBRIGATORIEDADE” DE VENDER SEMPRE O JOVEM COMO O QUE TEM VALOR, É UM TRAÇO DE SINGULAR SIGNIFICADO NA TRAJETÓRIA DO REI. NELE ESTÃO EMBUTIDOS O VALOR QUE O ARTISTA CONSAGRA ÀS AMIZADES, A CONFIANÇA NOS COMPANHEIROS DE VIDA ARTÍSTICA, O RESPEITO QUE DEDICA À EXPERIÊNCIA, O LASTRO DE CARINHO E APREÇO QUE OS UNE HÁ DÉCADAS. ISSO É, NO MÍNIMO, UM GRANDE EXEMPLO PARA OS QUE ESTÃO INGRESSANDO NA LABORIOSA SINA MUSICAL.

No mais, nosso comovido e mais sincero aplauso a Roberto Carlos, Artista Brasileiro de notável carisma, cuja trajetória intensa, profunda, serena e coerente sempre agrega passos de inestimável valor aos princípios norteadores de qualquer cidadania mais justa, fraterna e amorosa.

Sobretudo neste momento, no qual a informação corre célere e novos rostos surgem a todo momento, com enorme diversificação na área musical, é de suma relevância apostar na difusão de um Artista como RC, renovando as esperanças no ato da comunicação como uma saudável comunhão com o próximo.

Para finalizar com chave de ouro, deixo com você, querido e fiel leitor, a abalisada análise do saudoso cronista Artur da Távola, intitulada ROBERTO CARLOS, O REI SIMBÓLICO:

“A idolatria de um artista popular transborda os conceitos puramente artísticos, penetrando-se de elementos empático-mitológicos de impossível aprisionamento por palavras, conceitos ou análises de exclusivo corte lógico-ideológico-racional. No caso de Roberto Carlos, o lugar-comum expressa-se antes de mais nada por sua mediania. Não é bonito ou feio. A voz é normal, apenas afinada. Nada (salvo talento e sensibilidade) possui em forma de exceção. A sua mediania o identifica com as multidões porque consegue sujeitar o turbilhão de sua sensibilidade, a força do seu talento e as dores de suas amarguras, dentro de um invejável equilíbrio.

De todas as forças que se entrecruzam dentro de sua figura pessoal e a de comunicação resulta a percebida tristeza, representação do que todos sentem e nem sempre sabem e podem expressar.

Fortalece a mitologia do lugar-comum na arte de Roberto Carlos o fato de que o público percebe não haver ódio ou azedume em sua dor por conter-se. Nela, sim, há frustração, impossibilidade, tristeza. Não há raiva, imprecação, ressentimento. O que foi contido, não se recalcou: distribuiu-se pelas várias partes do seu ser, fecundando-as. O público fareja, longe, os representantes da sua frustração. Em maior ou menos escala, há, na vida, uma carga obrigatória de frustração. Ninguém vive sem se frustrar. Quando aparece um artista que, além de representar a frustração transforma-a em arte, em beleza, encanto, em canto, poesia, mensagem ,este receberá a adesão emocional de todos. Principalmente, se na maneira de o fazer mantenha vivos os elos de sua relação com o público, ou seja, a sua mediania […]Em suma: alguém que não ressalta o que o difere. Assim é, pois, um ídolo: a exata expressão de todos os demais em estado de equilíbrio, um igual !

[…] Parece ser a relação misteriosa e secreta com a Transcendência que o fez e faz ser, dela, um representante, carismático leigo a obter a idolatria, título máximo da profundidade do lugar-comum. Está mais para apóstolo que para mártir”.

RC tchau

Roberto Carlos: Parabéns, Camarada ! Receba nosso carinho e o caloroso #aplausobloauroradecinema