Arquivo do mês: julho 2016

O Barrococó Neoclássico de Raimundo Rodriguez e Luiz Fernando Carvalho

A Teresa de Camila Pitanga: presença destacada por uma composição artística que semelha quadro de um grande pintor: obra de Raimundo Rodriguez !      #aplausoblogauroradecinema

Parceria profícua dos dois Artistas de Velho Chico são parte fundamental do êxito da novela do horário nobre !

Luiz Fernando dirigindo as primeiras cenas parece inserido num quadro, cuja estética leva a assinatura de Raimundo Rodriguez…

Você que nos acompanha aqui pelo #blogauroradecinema, ou por nossa presença em redes sociais como Instagram, Flickr, Twitter e Face, já deve saber o quanto somos fãs de Raimundo Rodriguez e de seu singular trabalho criativo.

Rai edit

Raimundo Rodriguez em seu atelier…     foto #auroradecinema

Raimundo Rodriguez trabalha com Arte há muitos anos, e deve vir inventando coisas novas desde o berço. Tão simples quanto criativo, o artista tem a nobre tarefa de responder por todo o visual plástico da novela Velho Chico. Ele foi convidado pelo diretor Luiz Fernando Carvalho logo que este foi ‘convocado’ pela direção artística da TV Globo para ‘aprontar’ em tempo recorde uma nova novela para o horário das 21h – quando ainda estava no ar A Regra do Jogo e a audiência começava a dar sinais de combustível na reserva.

E Luiz Fernando (que tem uma bela e vasta parceria com Raimundo) logo chamou o companheiro de tantos trabalhos belos e ousados. E os dois começaram a elaborar mentalmente como seria o visual da nova novela de Benedito Ruy Barbosa. Seria a estreia da dupla no horário nobre. Antes eles fizeram as minisséries “A Pedra do Reino”, “Hoje é Dia de Maria”,“Capitu” e “Alexandre e Outras Heróis”. E, com bastante destaque, a belíssima e inesquecível #MeuPedacinhodeChao, outra novela de Benedito Ruy Barbosa, exibida em 2014 no horário das 18h.

Teto sala

O teto da sala de Milagres em Velho Chico: obra de Raimundo Rodriguez…

“Com Velho Chico, estou voltando para minhas origens. Por ser cearense, a religião sempre esteve em minha vida e me influenciou demais. Ainda mais a religiosidade do sertão”, diz um artista cheio de talento e criatividade, completamente mergulhado no trabalho e contente com os elogios que suas criações vem recebendo em toda parte.

Não é pra menos: o que Raimundo Rodriguez cria – em geral de material reciclado: o artista não gosta de ver nada sendo descartado, logo imagina como transformar aquilo num objeto de arte – é impressionante !

oratórios

Os oratórios e santos definem o poderoso conceito estético de Barrococó Neoclássico

Para atestar o que dizemos, basta ver Velho Chico, ou qualquer dos outros trabalhos assinados por Luiz Fernando Carvalho em que os dois são parceiros, ou acompanhar os trabalhos de RR pelas redes sociais e em muitas galerias cariocas, como a Sérgio Gonçalves (que representa o artista) e na galeria do Café Baroni (da qual Raimundo é curador), no centro do Rio.

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A Sala de Milagres da igreja de Grotas…

O casamento de Afrânio e Leonor: preciosismo nos mínimos detalhes…

Raimundo Rodriguez é o responsável por toda aquela beleza que habita em Grotas do São Francisco, a fictícia cidade onde acontecem as pelejas entre as famílias de Santo e do Coronel Saruê. Quem conhece a obra de Raimundo, logo identifica a ‘presença’ do notável artista, não só nas obras de arte propriamente ditas mas em todo o pensar artístico que emoldura esteticamente as cenas da novela das 21h...

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Detalhe do altar do casamento de Afrânio e Leonor: como é luxuosa a Cultura Popular !

santos de RR

A barraquinha de Santos em dia de festa na praça de Grotas…

É de Raimundo Rodriguez a arte que inunda as cenas através da religiosidade tão própria do nordeste, impregnada nos artefatos da cultura popular (nas muitas festas que acontecem em Grotas), nos diversos oratórios, altares e santos dos personagens. Assim como aconteceu nos casamentos de Afrânio e Leonor (sua falecida esposa), e de Teresa e Carlos Eduardo, sem esquecer da riqueza visual que assomava na Missa do Vaqueiro (e sobre a qual falamos em post anterior).

Doninha altar

O oratório do quarto de Doninha, a governanta da fazenda dos Saruê…

Raimundo ajeita

Raimundo Rodriguez passa o dia no Projac e cuida pessoalmente de todos os detalhes de sua criação para a novela Velho Chico

Velho Chico explode em beleza e nordeste agradece

Novela chega ao acme emocional com Missa do Vaqueiro…

                        *Aurora Miranda Leão

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Os ‘vaqueiros’: Domingos Montagner e Marcos Palmeira em ótimas atuações !

O nordestino que habita em Luiz Fernando Carvalho (filho de mãe alagoana) encontra no artista e parceiro Raimundo Rodriguez  um esteio fabuloso ! Cearense que é, mesmo tendo deixado a terra natal há muitos anos, Raimundo Rodriguez com seu magnânimo “latifúndio” de preciosidades da cultura popular (que ele transforma em Arte num piscar de olhos), deve ter ficado com o coração tonto de tanto cantar, vexado de alegria com o resultado plástico tão lindo que foi este capítulo da Missa do Vaqueiro e da Pega do Boi.

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Belmiro dos Anjos (Chico Diaz) quase salta da tela para conferir a Missa em sua homenagem, tal a perfeição da pintura de Raimundo Rodriguez…

O padre Benício organiza a missa para celebrar a data festiva, na qual o grande homenageado é Belmiro dos Anjos, o pai assassinado de Santo e Bento. Então, mesmo os que estavam à toa na vida foram à praça, que se enfeitou de alegria para festejar a nordestinidade, emoldurada com seus chãos sagrados nas bandeiras de todos os estados da região – e quando a câmara tirou o foco do padre (Carlos Vereza com a competência que todos conhecemos e aplaudimos !), a primeira bandeira que se viu foi a bandeira do Ceará de Raimundo ! Que delicadeza grandiosa de Luiz e sua equipe com o parceiro das terras de Alencar !

vaqueiro missa

Uma tradução da Missa do Vaqueiro por Raimundo Rodriguez, também autor da foto…

Com a inconteste capacidade de conseguir que toda a equipe mergulhe sem freios na ideia central do espetáculo, o que se vê através de Velho Chico (desde o início, diga-se de passagem) é um país que ganha relevância e aprofunda raízes através de uma inequívoca brasilidade que a novela expressa e tanto bem faz aos olhos e ao coração.

A partir do reencontro Teresa e Santo – conforme já dissemos aqui em matéria anterior -, a novela inaugurou uma terceira fase. Desde então, tudo está mais aflorado, mais denso e mais emocionante, por isso mais belo.

O capítulo desta segunda, 25 de julho, foi especialmente tocante ! Quem não arrepiou diante da tela é porque nada de brasileiro tem, ou pode ser que tenha ‘coração de gelo’, como dizia um famoso personagem de desenho infantil que minha filha gostava de ver.

Luzia e Santo

Lucy Alves vive a ardilosa Luzia, que trama mil e uma pra ficar com Santo…

O capítulo de sábado acertou com ótimo gancho, deixando antever que na segunda viria um capítulo “importante” (entre aspas, porque em novela boa, todo capítulo é assaz importante). Pois o capítulo desta segunda tinha como temática a Missa do Vaqueiro, tradicional acontecimento do nordeste brasileiro. E o que a equipe da novela construiu, a partir da regência de Luiz Fernando Carvalho, foi um autêntico HINO DE AMOR AO NORDESTE !

Mesmo sendo essa missa já tão mostrada em fotos, filmes, livros, e vista por nós também no interior do Ceará, o que Velho Chico mostrou foi de uma fortaleza tão grande que gritava – entre figurinos, cavalos, uma constelação imensa de figurantes com seu figurino de gibão de couro e tudo o mais – “Este é o Brasil dos brasileiros e para os brasileiros, com a vastidão de sua riqueza cultural, e nem precisamos de muitos cortes, nem vasta tecnologia: mostramos a tessitura de que é feito este país, e porque mostramos com competência e sensibilidade, e destituído de preconceitos, a tela se encharca de poesia e a audiência retribui com um caloroso e silente aplauso,  depois confirmado pelas estatísticas !”

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Antônio Fagundes e Marcelo Serrado: competência em Lá Maior !

Mesmo nós, que do sertão propriamente dito não viemos, sentimos pulsar ali – na escolha dos closes, dos grandes planos, na emoção estampada no olhar de cada ator, no figurino magnífico de Thanara Schönardie (mesclando o ousado e o tradicional), na escolha de cada take, em cada enquadramento, nos diálogos, nos sentimentos latentes, enfim, em todo o desenho estético minuciosamente pensado e realizado com invejável esmero – a inteireza de nossa alma, filigranada em várias camadas sobrepostas (qual labirinto ou filé de toalha de renda), e um fio condutor, a Paixão !

Teresa

Teresa (Camila Pitanga) foi ver de perto a tradicional ‘pega do boi’ onde o amado era figura central…

Fora a telinha caseira de cada um de nós um dispositivo compartilhado numa sala de cinema ou num teatro, e ali estaríamos todos a aplaudir a excelência do capítulo desta segunda, 25 de julho, em que Luiz Fernando Carvalho e sua equipe extrapolaram do direito de ser notáveis !

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Lucy Alves e Irandhir Santos em momento de tensão de seus personagens…

Encerrar com Santo entregando a corda do boi por ele conquistada na batalha travada na caatinga ao grande amor de sua vida (Teresa), depois de toda a tensão que ronda o personagem vivido com galhardia por Domingos Montagner desde o capítulo anterior, foi um dos mais lindos happy ends de capítulo que já vi !

ANTOLÓGICO !!!

Santo

A Vitória: Teresa é a grande vencedora na ‘pega do Boi’…

SENSACIONALLLLLLLLLL !!!

Como diria Mestre Vinícius, “Sua bênção, oh Luiz Fernando… sua bênção, Benedito… sua bênção, oh Domingos, sua bênção Fagundes, que a gente gosta tanto que até aceita vê-lo fazendo um coronel… sua bênção, Camilinha, menina linda, de sorriso doce, que só dela podia ser a Teresa… sua bênção, oh Mestre Raimundo Rodriguez, que não és um só, és tantos, tantos como o meu Brasil de todos os santos, inclusive meu São Sebastião… Saravá !”

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O sorriso lindo e meigo que Camila Pitanga empresta à Teresa é trunfo da empatia da atriz com o público…

Velho Chico e a riqueza da criação de Raimundo Rodriguez

                                                 Aurora Miranda Leão*

altar 1                                                                          

Não é preciso muito para se encantar diante da obra de Raimundo Rodriguez. O artista, que assina todo o conteúdo cenográfico da novela Velho Chico, tem um vasto e aplaudido currículo nas artes visuais e há uma década trabalha junto com o diretor Luiz Fernando Carvalho.

Os dois trilham uma harmoniosa parceria na qual sobram talento, dedicação, conhecimento, inventividade e mergulho profunda num repertório de múltiplas inspirações artísticas. É difícil saber onde começa a criação de hoje e por onde envereda a cumplicidade do outro. Porque o casamento artístico de Raimundo Rodriguez (RR) e Luiz Fernando Carvalho (LFC) assoma na copa de muitas hortas, depois de suas raízes beberem em reservatórios de intensa sensibilidade, mergulhando em águas salobras que dá um Velho Chico de beleza e imensidão de referências.

É por isso que quando se olha para uma obra teledramatúrgica com a assinatura de Luiz Carvalho, a sensação primeira é de ENCANTAMENTO !

Como num quebra-cabeças, a sensibilidade vai juntando as peças que, unidas, causam aquele esplendor, e nesse exercício sensorial, você vai chegar, indubitavelmente, ao trabalho precioso de Raimundo Rodriguez !

Vamos falar especificamente de Velho Chico, a novela do horário nobre que ora Raimundo Rodriguez assina junto com Luiz Fernando, maestro de uma laboriosa e notável equipe que faz da obra atual de Benedito Ruy Barbosa um marco da Teledramaturgia Brasileira.

Muito antes de a novela começar, Raimundo Rodriguez, Luiz Fernando e mais uma equipe numerosa, seguiu para os grotões do Nordeste em busca de locações que representassem as entrelinhas e os entremeios da criação de Benedito, Edmara Barbosa e Bruno Luperi. Vasculhando as terras castigadas pelo inclemente sol nordestino, ancoraram entre a Bahia e a Paraíba e aí decidiram ambientar a fictícia Grotas do São Francisco, cidade onde manda e desmanda o Coronel Afrânio de Sá Ribeiro, o terrível Coronel que a Sabedoria Popular em hora propícia cognominou de Saruê (alusão ao mais fedorento gambá de que se tem notícia na região).

Criações artísticas de Raimundo Rodriguez destacam  atuação do elenco…

A dupla Raimundo-Luiz Fernando fez um laboratório de pesquisa amplo, intenso e minucioso, bem registrado por Raimundo em fotos que acompanhamos com muito interesse via Instagram e em outras redes sociais, nas quais o artista está sempre presente com seu olhar acurado e disposição inata para descobrir o inusitado e flagrar o belo. Ali, naquelas primeiras imagens, há o que depois viraram detalhes no vasto território velho chiqueano, através dos quais a emoção mergulha e viaja em referências próprias de uma cultura que nos é familiar e tão corriqueira que, no mais das vezes, a deixamos escapar sem sequer saber traduzi-la.

Raimundo Rodriguez: o dom de transformar o cotidiano em obra de Arte !

É para que esse relicário de miudezas físicas e grandezas emotivas não se perca, nos desvãos do tempo e na insensatez da pressa que deixa o essencial escapar, que é fundamental, relevante e, sobretudo, NECESSÁRIA a existência de um artista como Raimundo Rodriguez !

Mas se fazia mister que esse olhar primoroso de RR encontrasse um outro olhar, tão sensível e poderoso como o seu, para que sua obra majestosa pudesse sair do restrito mercado das galerias e ganhasse outros espaços, uma dimensão que pudesse evidenciar toda essa magnitude que está no cerne de Velho Chico, bem como nas obras A Pedra do Reino, Hoje é Dia de Maria, Capitu, e Meu Pedacinho de Chão (!!!). E esse encontro de olhares aconteceu quando Luiz Fernando Carvalho visitou uma exposição de Raimundo Rodriguez, em 94. E logo veio o convite para que os dois trabalhassem juntos. E foi a televisão, ou mais precisamente, a TELEDRAMATURGIA, que ocupou esse bendito lugar, de tornar visível ao grande público, de ‘desencantar’, de fazer prosperar e reverberar as criações assinadas pelo mestre Raimundo Rodriguez.

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A partir de sua obra #latifúndios, Raimundo Rodriguez fez nascer o esplendor da mágica vila onde habitavam os personagens de #meupedacinhodechão…

Bendito seja pois Luiz Fernando Carvalho – e a dramaturgia que ele engrandece com sua notável incursão artística na televisão – ao tornar acessível ao grande público (são mais de 50 milhões de telespectadores envolvidos pelas telenovelas em todo o país) um trabalho importante e belo como o de Raimundo Rodriguez !

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Oratório de Eulália e Ernesto Rosa na primeira fase de #velhochico…

Ao evidenciar o trabalho artístico de Raimundo Rodriguez através da teledramaturgia, Luiz Fernando Carvalho não só propiciou que a criação de RR chegasse aos mais distantes e distintos locais do país – o que sem a força da TV jamais seria possível -, como elevou o nível de excelência artística da Televisão Brasileira (notadamente da TV Globo,  única emissora que investe pesada e maciçamente em literatura brasileira e conteúdo nacional). Portanto, ao perceber em Raimundo um futuro parceiro com quem muito poderia produzir, Luiz Fernando marcou um gol triplo (coisa só afeta a grandes gênios): evidenciou a criação de Raimundo Rodriguez, redimensionou seu trabalho (as melhores obras televisivas de LFC são as que tem RR como Artista Plástico), e deu um upgrade na qualidade da Teledramaturgia Brasileira ! E o maior dentre todos os beneficiados é o grande público, no qual nos incluímos, grata.

Julia

Assistir a Velho Chico é embarcar diariamente num rio de caudalosa beleza ! Impossivel assistir à novela que torna ainda mais nobre o horário, e não arrepiar a emoção a partir dos olhos, extasiados de encantamento ! Se você a assiste, deve conosco concordar. Em caso contrário, discorde: as dissidências farão pulsar mais forte os aplausos à novela. E se você não assiste por puro preconceito (nocivo e decadente como todos os outros), saiba que é você o grande perdedor.

Neste caudal de belezas e símbolos fortemente referenciados nos escaninhos de nossa cultura, avulta o que Raimundo Rodriguez e Luiz Fernando Carvalho chamam de estilo ‘barrococó neoclássico contemporâneo’.

Raimundo Rodriguez é o artista que assina toda a riquíssima ambiência cênica de #velhochico…

Raimundo Rodriguez, que tem a simplicidade própria aos verdadeiros sábios, sempre fala com prazer sobre seu trabalho e enaltece a parceria com o diretor: “O Luiz é muito culto e me dá sempre referências”, afirma. “Às vezes, ele fala apenas uma palavra e eu trabalho em cima”. Foi assim com “rica” e “miscigenação”. A primeira definiu o caminho da estética religiosa das peças da matriarca Encarnação (Selma Egrei no melhor papel da carreira). A segunda, o altar de Doninha, a governanta da fazenda dos Sá Ribeiro, interpretada por Bárbara Reis/Suely Bispo: “Ali misturei índios e caboclos com imagens de santos católicos”.

Quando assistimos a Meu Pedacinho de Chão, ficamos completamente tomados por aquele vasto arsenal de beleza que Raimundo e Luiz Fernando criaram para a história de Benedito Ruy Barbosa. Porque se RR cria artesanalmente suas obras nos terrenos das Artes Plásticas, é Luiz Fernando quem está por entre câmaras, fios e microfones como maestro de uma prodigiosa equipe, para a qual contribuem os trabalhos também notáveis de fotógrafos, editores, iluminadores, sonoplastas, direção de arte, caracterização, produção, maquiagem, figurino e atores, e todos esses engrandecem e são engrandecidos pelo trabalho de formiguinha (ágil, indormida, astuta e laboriosa) de RAIMUNDO RODRIGUEZ !

Bento

Irandhir Santos é o aguerrido vereador Bento dos Anjos em #velhochico…

Benza Deus ! E que todos os Santos, sobre os quais Raimundo Rodriguez trabalha com tanto sentimento e afinco, digam AMÉM e proliferem esta saudável e profícua cumplicidade e parceria de Raimundo Rodriguez e Luiz Fernando Carvalho por tantos e fartos anos.

Afinal, como diz a belíssima canção do querido José Miguel Wisnik (emérito compositor e profundo conhecedor de Música e Literatura), sobre letra do saudoso poeta Gregório de Matos]),

“Quem não cuida de si, que é terra, … erra,
Que o alto Rei, por afamado … amado,
É quem lhe assiste ao desvelado … lado,
Da morte ao ar não desaferra, … aferra.

Quem do mundo a mortal loucura … cura,
A vontade de Deus sagrada … agrada
Firmar-lhe a vida em atadura … dura”.
 

* Aurora Miranda Leão é atriz, jornalista e editora do #blogauroradecinema    

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“Firmar-lhe a vida em atadura … dura”…                                                

Tony Ramos e Sônia Braga: os homenageados de Gramado

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Na próxima edição do Festival de Cinema de Gramado, a acontecer de 26 de agosto a 3 de setembro, Tony Ramos receberá o Troféu Cidade  de Gramado, e Sônia Braga o Troféu Oscarito. O filme de abertura será Aquarius, do diretor Kleber Mendonça Filho, representante do Brasil na última edição do Festival de Cannes. Estrelado por Sônia Braga, o filme ganhou prêmio de melhor filme no Festival de Cinema de Sydney.

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Tony Ramos receberá justíssima homenagem em Gramado…

No compasso dos atuais movimentos cinematográficos, o Festival de Cinema de Gramado chega a sua 44ª edição refletindo e acompanhando a pluralidade da atual filmografia brasileira e latina, em franca expansão e consolidando um novo modelo de gestão e realização. Desde as mudanças firmadas na sua edição comemorativa de 40 anos, em 2012, o Festival tem redesenhado sua identidade sem perder os conceitos que lhe consagram como o maior evento ininterrupto do gênero no Brasil.

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Sônia Braga estará na serra gaúcha para receber homenagem do Festival de Gramado…

Observando os nomes que protagonizam o fazer cinematográfico contemporâneo sem deixar de enaltecer quem abriu os caminhos dessa arte para os talentos de hoje, Gramado se remodela e aposta em homenagear nomes de prestígio como Glória Pires, Juan José Campanella, Marília Pêra, Othon Bastos Rodrigo Santoro, Wagner Moura e Walter Carvalho.

Rubens Ewald Filho: a Enciclopédia Ambulante de Cinema !

Com curadoria assinada por Eva Piwowarski, Marcos Santuario e Rubens Ewald Filho, o Festival de Cinema de Gramado também se fortaleceu como palco de importantes estreias: da primeira exibição em território nacional de “360”, filme realizado internacionalmente por Fernando Meirelles, à escolha do celebrado “Que Horas Ela Volta?” por começar sua trajetória no Brasil com exibição inédita na Serra Gaúcha, o festival ainda expandiu sua latinidade: somente em 2015, a mostra estrangeira apresentou filmes de sete países diferentes.

É sublinhando essa atualizada trajetória do Festival que a Gramadotur, autarquia municipal criada com a missão de fazer a gestão dos grandes eventos da cidade, realiza a 44ª edição do mais tradicional festival de cinema do país: “Ao longo de quatro anos à frente do Festival, a Gramadotur já sente amadurecimento na gestão e transparência nos processos do Festival. Isso nos permite pensar em projetos mais ousados e mais calculados a cada edição. Conquistamos a premiação em dinheiro para os vencedores dos Kikitos, por exemplo, uma reivindicação de longa data da classe”, comenta o presidente da Gramadotur João Pedro Till.

Diretor de eventos da autarquia e coordenador geral da 44ª edição, Enzo Arns acredita na realização de um festival responsável do ponto de vista de gestão sem perder a qualidade artística: “Esta é uma edição realizada com o devido planejamento de gestão que, ao mesmo tempo em que amplia o diálogo com as entidades de cinema do Rio Grande do Sul, incrementa parcerias e abre novas janelas para o cinema brasileiro, latino e internacional. Gramado este ano apresenta um festival maduro, atento a seus acertos e preocupado com aperfeiçoamentos. Para esta edição, também nos dedicamos às novas possibilidades do audiovisual, com programações paralelas que colocam Gramado nas pautas sobre os avanços da plataforma on demand e também como polo de encontros que fomentam a ideia do cinema como negócio”, projeta Arns.

Direção artística

Para sua 44ª edição, a Gramadotur agrega ao time da comissão executiva a figura de um diretor artístico.: Edson Erdmann assume a função e, juntamente com a curadoria e Gramadotur, trabalha o conceito criativo da edição, propondo diferenciais estéticos e de conteúdo. “Estamos pensando em um festival mais envolvente e glamouroso. Queremos aproximar cada vez mais Gramado da linguagem dos grandes festivais, sem nunca perder o charme e as características que tanto tornam esse evento especial e único dentro da cinematografia brasileira. Essa edição deve surpreender e encantar, valorizando o público que celebra o evento. Estamos propondo um Festival que vai ultrapassar o Palácio dos Festivais e toma conta da cidade emocionando público e convidados. Um conceito novo, contemporâneo, dinâmico e que vai trazer um movimento diferente ao evento”, afirma Erdmann.

KIKITO, a cobiçada estatueta de Gramado, troféu relevante em qualquer estante

Museu do Festival de Cinema de Gramado

Está agendada para a semana do evento a abertura do Museu do Festival. O empreendimento, esperado ao longo de décadas, visa celebrar a sétima arte sob a luz do Kikito e seus melhores filmes, diretores, atrizes e atores. Grandes momentos da história do evento serrano estarão eternizados no Museu. Instalado ao lado do Palácio dos Festivais e da Igreja São Pedro, o empreendimento conta uma área de 584 m² e vista panorâmica para o centro da cidade. A proposta é um museu interativo com  tecnologia e dinamismo, que, além do acervo, deve oferecer exposições e atrações durante todo o ano. A administração é do grupo Gramado Parks.

O cinema gaúcho em Gramado

O Festival é internacional, mas os holofotes nunca deixam de dar protagonismo ao cinema gaúcho. Neste ano, duas importantes novidades para os realizadores do Estado: o Prêmio Assembleia Legislativa – Mostra Gaúcha de Curtas ganha uma nova sessão – na sexta-feira à tarde, antes da abertura -, ampliando a sua janela de exibição, e incrementa a sua premiação em dinheiro, que agora distribuir R$ 48 mil no total, um aumento de 16% em comparação aos anos anteriores.

O Festival pelos gramadenses – Educavídeo

Iniciativa já definitivamente incorporada à programação oficial do Festival de Cinema de Gramado, a avant première para a comunidade gramadense segue celebrando os alunos da rede municipal que participam do Educavídeo, projeto que dá acesso a diferentes manifestações culturais, como criação, edição e produção com as novas tecnologias, gerando mercado de trabalho e renda com a formação de novos talentos. Os grupos conhecem toda a rotina da realização de um filme e fazem de tudo, desde a pré-produção até a edição das imagens. Em 2016, eles exibem os resultados de seus trabalhos mais recentes na noite do dia 25 de agosto no Palácio dos Festivais.

Luiz Fernando Carvalho mergulha em Shakespeare e Machado e faz elegia de amor ao nordeste

Por AURORA MIRANDA LEÃO*

VC

Audiência responde e novela chega ao capítulo 100 com recorde de audiência

Assistir a Velho Chico tem sido um convite diário ao encantamento !

A primeira imagem que, habitualmente, ganha a tela depois de exibido o título da novela do horário nobre, é um plano geral sobre o rio São Francisco, e não há má vontade nenhuma que não se aperceba dessa maravilha de cenário.

É um episódio relicário que o artista num sonho genial A letra da canção de Martinho da Vila se achega como trilha precisa para a emoção que aflora ao nos reportarmos à novela, escrita por Benedito Ruy Barbosa e seu neto Bruno Luperi, e dirigida com maestria por Luiz Fernando Carvalho (LFC).

Luiz Fernando Carvalho costuma dizer que seu intuito é tornar o invisível visível. Diz que, em geral, parte de um som, de uma cor, de uma música: “Tenho um delírio de associações muito amplas, e boto todos os meus colaboradores nessa energia. É um processo alquímico.” E não é difícil perceber essa forma de mergulho artístico que Luiz Fernando faz: basta reparar em quaisquer das obras assinadas por ele – desde o filme Lavoura Arcaica, baseado na complexa obra do escritor Raduan Nassar, e um divisor de águas na carreira do ator Selton Mello – para entender direitinho que essa alquimia acontece mesmo, como a transformar tudo ao calor da entrega e ao sabor da paixão. Quem viu Hoje é dia de Maria, A Pedra do Reino, ou Meu Pedacinho de Chão há de concordar conosco. Afinal, é como se o olhar de quem assiste fosse convidado, diariamente, para contemplar o belo e, delicadamente, fosse convocado a pensar o cotidiano por outro viés, tomar novos caminhos, buscar atalhos, e daí então fique fácil perceber a multiplicidade de questões que tantas vezes nos são roubadas pela avalanche de informações do dia-a-dia e a pressa habitual do time is money.

FAZENDA

A fazenda do Coronel Afrânio na primeira fase da novela, quando o padre ainda era interpretado pelo saudoso ator Umberto Magnani…

Santoro

Rodrigo Santoro marcou com brilhantismo sua participação na primeira fase…

Em todas essas obras, nota-se claramente que a equipe realizadora – do elenco aos maquiladores – está mergulhada num mesmo caldeirão, envolvida até a alma para que a obra televisual em produção se defina com beleza, magnitude e força aos olhos do telespectador. E assim LFC criou um estilo de direção diante do qual o público se apercebe tocado por uma sensorialidade diferente, capaz de sentir-se convidado a embarcar num outro universo, bem distante de uma fruição rápida, respingada de ofertas consumistas e inserções que em nada acrescentam à teledramaturgia.

Fag menor

Antônio Fagundes é o perverso e todo-poderoso Coronel Afrânio…

Velho Chico estreou em março com a árdua tarefa de recuperar a audiência do horário das 21h. Mesmo diante de uma novela de João Emanuel Carneiro – notabilizado por sua incomparável Avenida Brasil -, o público foi escasseando ao longo de A Regra do Jogo. A par do enorme talento da maioria de seus atores, era duro ver, com frequência, um Cauã Reymond de arma em punho, ou um Tony Ramos desferindo maldades e matando quem em seu caminho ousasse se intrometer. Mesmo sendo ações exigidas aos personagens, eles não deixam de ser Cauã e Tony, fortemente assimilados e amados pelo público.

Aí chega Velho Chico e nos mostra – como no potente capítulo da sexta-feira, 8 de julho – um perverso Coronel Afrânio (Antônio Fagundes) jogar sua arma no chão e declinar da vontade de agredir ao receber das mãos da matriarca da família rival, Piedade (vivida com enorme competência pela atriz paraibana Zezita Mattos) um ramo de flores, explodindo num gesto comovente e altamente simbólico de fraternidade e onipresença do AMOR.

Fag e Mig

Fagundes e Gabriel Leone em momento tenso da trama de #VelhoChico

E ao final da cena, os três personagens masculinos, agora membros da mesma família (vividos por Domingos Montagner, Irandhir Santos e Gabriel Leone) riscarem no chão barrento um triângulo como vórtice da família Dos Anjos, e nele jogarem o ramo de flores, que o vento leva como a inscrever na aridez da terra que a PAZ deve prevalecer.

A potência que tem para o telespectador mais comum dos comuns, ou mesmo entre aqueles que nem assistem à novela mas passam por algum lugar na hora em que a cena é exibida, é incomensurável ! Tem um valor simbólico inestimável em defesa da PAZ, do respeito às diferenças, da necessária convivência dos contrários e do respeito ao próximo.

Se outros méritos não tivesse, só uma cena desse quilate já faz de VELHO CHICO um marco relevante, sério e NECESSÁRIO para a produção teleaudiovisual do país. Aplausos de pé !!!

Cel e vó

Então… chegou um momento em que a audiência de A Regra do Jogo ficou preocupante e a direção da TV Globo acelerou o fim da novela: convocou Benedito, Luiz Fernando e sua trupe para o centro da cena  fim de dar uma guinada nesse panorama. E o intuito foi alcançado. Velho Chico estreou com uma audiência das maiores do horário, trazendo de volta à produção audiovisual brasileira o ator Rodrigo Santoro, que hoje vive na ponte Rio-EUA, e é o ator brasileiro de maior reconhecimento no exterior. Rodrigo, Carol Castro, Rodrigo Lombardi, Chico Diaz e Fabíula Nascimento foram alguns dos atores que participaram da primeira fase da novela, e a segunda estreou cerca de 4 semanas depois (novela estreou em 14 março e segunda fase começou dia 11 de abril).

Nós dissemos que uma terceira fase da novela começou no dia em que os personagens de Teresa e Santo se reencontraram, trinta anos depois do tórrido romance que tiveram na adolescência. E nas cenas emocionantes que, desse reencontro, explode em sensação latente o clássico  Romeu e Julieta.

tereza e santo

Belíssimo figurino de Thanara Schönardie é um reforço ao belo que inunda #VelhoChico…

Como de resto é de amor e paixão que todos estamos a falar – mesmo os que disso parecem fugir -, o reencontro de Teresa e Santo foi qual uma assinatura da obra, como a dizer “Estamos a falar de muitas coisas, mas de todas elas a mais importante é o AMOR”.

A ideia motriz de Velho Chico, fácil perceber, é uma disposição antropofágica, inteligentemente ressignificada por LFC no sentido de estabelecer uma espécie de neo-barroco, lindamente anunciado desde a vinheta de abertura com a música-tema de Caetano (um dos ícones do tropicalismo) sendo ‘ilustrada’ por cores vivas e traços acentuadamente originários dessa matriz cultural.

A justaposição de imagens e conceitos é capaz de provocar  uma multiplicidade de interpretações, desaguando num farto território de amplos signos culturais, focando num manancial de referências profundas e formadoras do povo brasileiro. Assim, o Velho Chico – que estoura em beleza na fotografia da novela, assinada por  Alexandre Fructuoso -, figura como o símbolo decantado por nosso mais célebre escritor, conforme citou LFC em entrevista no dia do lançamento da novela – “Machado de Assis dizia que o São Francisco é o rio da integração nacional. Ele reúne as culturas fundadoras da identidade brasileira”. E é desse VELHO CHICO que tudo o mais deriva, nasce, renasce, volta e se recria. Na vida brasileira, como no rico contexto teledramatúrgico de que falamos.

DIRA

Lee Taylor, Dira Paes e Irandhir Santos: figuras de destaque no cotidiano de Grotas…

Essa inspiração em parâmetros ancestrais se faz notar também, de modo a evidenciar uma estética pensada com amplos mergulhos nas mais variadas fontes, quando se coloca o velho coronel Afrânio num misto de Rei Lear e Hamlet ao defrontar-se com o espelho e pronunciar um discurso existencial sobre como chegou até aquele ponto, que momentos o fizeram tornar-se o que é hoje, figura da qual não pode mais abrir mão mas que não era o que ele próprio idealizara quando jovem; assim como se nota em força e beleza a presença dos cânones shakespearianos quando os personagens de Tereza e Miguel se deparam com a ‘tragédia’ de ter vivido 30 anos debaixo da mentira de uma família que nunca existiu de verdade, ou por outra, nunca foi integralmente de sangue.

Camila Pitanga e Gabriel Leone, mãe e filho, em ótimas atuações…

A forma como LFC se ‘apropria’ de um ícone do valor de um dramaturgo como Shakespeare – cuja morte chegou este ano aos 400 – e o coloca numa obra popular como uma telenovela (que atinge a marca de mais de 50 milhões de telespectadores no país – marca que deixou os americanos que fizeram matéria sobre as olimpíadas no Brasil de queixo caído) é simplesmente revolucionária e genial !

Revolucionária porque coloca Shakespeare no cerne de uma questão que se passa no interiorzão do Brasil, há mais de 400 de sua morte; e genial porque reafirma o valor do bardo e ressignifca sua inconteste importância e atemporalidade. Outrossim, ao atualizar a obra de Shakespeare, evidenciando-a num veículo ainda tão desprezado pela elite intelectual do Brasil como a TV, Luiz Fernando confirma o que tanto diz: que só trabalha com absoluta condição de liberdade e que seu objetivo é sempre procurar o novo e traduzi-lo.

Quando LFC junta Shakespeare (que não tem nada de antigo e sim de PERMANENTE), a Antônio Fagundes (ator de notável envergadura e desde sempre um apaixonado por teatro), Caetano Veloso, Raimundo Rodriguez, Gabriel Leone, Irandhir Santos, Camila Pitanga, rio São Francisco, Machado de Assis, santos tradicionais, e ícones da cultura popular, entre tantos outros, ele está simplesmente elevando o nível da nossa Teledramaturgia, mostrando que é possível fazer (basta ter Talento, bagagem cultural, não ter viseira nas retinas e estar aberto à procura do novo), fazer com galhardia e ainda tornar essa alquimia assimilável pela audiência.

Egrei

Selma Egrei interpreta a ranzinza Dona Encarnação, matriarca do clã Sá Ribeiro…

Gésio Amadeo é Chico Criatura, o popular dono de boteco de Grotas…

Assim, a novela é um banho de beleza, cultura, dramaturgia, música, fotografia ! Enfim, VELHO CHICO é uma inovação que requer um olhar atento, arguto e não pré-concebido de quem pretende entender a complexidade que é fazer telenovela – produto caríssimo, de ampla repercussão social, e sérias implicações mercadológicas -, e fazer com um nível de excelência que o exterior inteiro aplaude, e do qual devemos nos orgulhar !

Quem está à frente e por trás das câmeras são todos profissionais brasileiros (à exceção de um ou outro, como é o caso da atriz francesa Yara Charry, que faz a Sophie), num trabalho hercúleo (os que fazem protagonistas, mal tem tempo de parar em casa), que em termos artísticos e técnicos corresponde mais ou menos a fazer um curta-metragem por dia. E nós, que também lidamos com o cinema, sabemos o quão difícil é realizar um Curta-Metragem, que dirá um por dia, durante 8 meses… benza Deus !

Rai VC

A riqueza dos santuários criados por Raimundo Rodriguez

Nós aplaudimos com louvor ! Sobretudo em se tratando de uma obra com as fartas qualidades que apontamos em Velho Chico. 

E é com inteligência, simplicidade, coerência e inegável paixão, que Luiz Fernando Carvalho resume o trabalho complexo, intenso, sensível e quase artesanal que vem fazendo, à frente de uma equipe super competente, na qual figuram nomes como os de Raimundo Rodriguez (que assina a obra como Artista Plástico, assim como foi em Meu Pedacinho de Chão e tantas outras em parceria com LFC) e o da figurinista Thanara Schönardie):

“Eu coloco todo mundo para trabalhar em torno disso, trazendo experiências, estudiosos, elementos, para fundamentar e contextualizar o que é isso que estou chamando de neobarroco, que neoantropofagia é essa, que engole a própria linguagem da televisão para gerar uma nova televisão, uma televisão em que acredito. Uno todo mundo para produzir esse novo olhar sobre o país”

 

 

 

 

 

 

 

 

Luiz Fernando Carvalho dirigindo Antônio Fagundes… 

Do lado de cá da poltrona, rendemos homenagens a estes profissionais e ousamos afirmar: é como se Velho Chico fosse do país, a partir do nordeste (e toda sua imensa soma de valores – música, atores, folguedos, festas populares), “A sua mais completa tradução… e os novos baianos (artistas nordestinos em papéis de destaque na novela) passeiam na tua garoa, e novos baianos te podem curtir numa boa”

*Aurora Miranda Leão é atriz, jornalista, e editora do #BlogAuroradeCinema