Cultura Popular e Cotidiano em novos livros de Euclides Moreira Neto

Euclides capa

O professor e pesquisador maranhense Euclides Moreira Neto (Mestre em Comunicação Social) está em São Luís recolhendo dados para sua tese de doutoramento em Estudos Culturais pela Universidade de Aveiro, em Portugal. Nos intervalos de sua investigação doutoral, Euclides, um notório apaixonado pela cultura popular, escreveu os livros “O vai querer dos Blocos Tradicionais”, “Ajuntamento de Memórias” e “Provocações do Cotidiano”, os quais estão em fase de revisão. Os livros deverão ser publicados pela editora da Universidade Federal do Maranhão (EDUFMA) em breve.

Vai Querer

Em O vai querer dos Blocos Tradicionais, Euclides revisita a história que gerou o Inventário dos Blocos Tradicionais do Maranhão (BTM), relatando as etapas que o antecederam e mostrando como a comunidade ludovicense se envolveu com a pesquisa que inventariou aquela manifestação cultural na gestão do ex-Prefeito João Castelo (2009 a 2012). No livro, o autor conclama gestores e apreciadores dos BTMs a retomar a proposta de transformar essa manifestação em Patrimônio Cultural Imaterial do Brasil junto ao IPHAN, e demonstra como é importante desarquivar o processo que inventariou a manifestação.

No livro sobre os BTMs, Euclides Moreira faz merecida homenagem à produtora cultural Maria Michol Pinho de Carvalho, que coordenou o trabalho de pesquisa do INRC e faleceu em novembro de 2012. São quase trezentas páginas de texto e fotografias rememorando as várias etapas desenvolvidas para se chegar ao INRC dos Blocos Tradicionais. Em 2012, quando a documentação foi entregue ao IPHAN/Ministério da Cultura, São Luís contava 49 grupos de BTMs. Atualmente, são pouco mais de 30 grupos, daí a importância de manter viva a proposta de salvaguarda desta manifestação cultural, reafirma Euclides.

Ajuntamento capa

Outro livro a ser lançado por Euclides Moreira – Ajuntamento de Memórias – refere-se a uma longa e providencial entrevista realizada com a saudosa produtora cultural Zelinda de Castro e Lima, na qual ela relembra como eram praticadas as manifestações culturais da cidade de São Luís a partir da década de 1930, do século passado. Dona Zelinda, como é chamada pelos integrantes do meio cultural ludovicense, é uma personagem mais que legitimada com intensa atuação na área cultural local tendo sido gestora de vários equipamentos públicos ligados à cadeia produtiva da área da cultura e do turismo.

Nessa obra, Euclides Moreira Neto incluiu (além da entrevista propriamente dita) um capítulo intitulado “Considerações  sobre  Memorizar”,  quando  reflete  sobre  o  ato  de violar memória oral, como pensou José Carlos Sebe Bom Meihy (1996; 2007)  nas  obras  “Manual  de  História  Oral”  e “História oral: como fazer, como pensar”, além de um item que ele denominou de “Decupagem de Memórias” para reafirmar os conceitos emitidos pela entrevistada, com a sua ótica de entendimento, objetivando fixar esses conceitos e afirmações, produtos da memória oral de dona Zelinda Lima.

Coube a Euclides ouvir, testemunhar, gravar, transcrever, corrigir e tornar  público – por  meio do  livro Ajuntamento  de Memória (alusão a uma expressão utilizada pela entrevistada quando respondeu a uma pergunta por ele realizada referente à definição do que seria bloco) – o legado de Dona Zelinda. Ao responder objetivamente sobre o que era bloco, disse: “Bloco é o ajuntamento de pessoas…”, o que iluminou o autor para chegar ao título do livro.

PROVOCAÇÕES DO COTIDIANO

Prov capa

O terceiro livro que Euclides Moreira vai lançar reúne 20 crônicas e artigos do autor referente a vários assuntos palpitantes na cidade de São Luís, no Maranhão, no país e em Portugal. A obra é uma coletânea de crônicas, artigos e relatos de fatos elaborados jornalisticamente a partir das vivências culturais do autor, testemunhadas por ele e fruto de investigações científicas desenvolvidas durante seu desempenho no Programa Doutoral em Estudos Culturais na Universidade de Aveiro (UA), Portugal. Seu conteúdo reúne visões críticas do autor enquanto investigador cultural, atuante no Maranhão e em Portugal.

Euclides Barbosa Moreira Neto nasceu em 13 de abril de 1957, na cidade de Cururupu-MA. Cursa doutoramento no Programa Doutoral em “Estudos Culturais” na Universidade de Aveiro (PT) desde 2014 (com previsão de conclusão no ano de 2017), sendo seu objeto de investigação os “Blocos Tradicionais do Maranhão”, manifestação cultural do ciclo carnavalesco. Sua formação educacional e acadêmica ocorreu em instituições de ensino público. Atualmente, Euclides é Professor Universitário, lotado no Curso de Comunicação Social do Centro de Ciências Sociais da Universidade Federal do Maranhão, ministrando as disciplinas “Jornalismo Cultural”, “Jornalismo de Revista” e “Laboratório de Telejornalismo”.

Ao longo de sua carreira como docente, Euclides esteve sempre envolvido com a área de extensão e cultura, desenvolvendo atividades em todas as áreas de expressões artísticas, principalmente na área audiovisual. A nível administrativo na UFMA,  coordenou o Núcleo de Atividades Visuais do Departamento de Assuntos Culturais da Pró-Reitoria de Extensão e Assuntos Estudantis, além de ter sido diretor daquele Departamento (CD4) por 12 anos consecutivos (1996-2008).

Como diretor do Departamento de Assuntos Culturais, Euclides Moreira desenvolveu extensa grade de projetos e atividades artístico-culturais, motivando sempre o envolvimento dos Departamentos Acadêmicos nas ações executadas, objetivando revelar novos talentos e propiciar a participação de alunos e professores nos projetos propostos e/ou desenvolvidos por aquele Departamento. Entre os projetos e ações desenvolvidos sob sua coordenação, até o ano de 2008, na UFMA, destacam-se: 12 edições da Mostra Brasileira de Humor no Maranhão (HUMORMARÁ), 25 das 32 edições do Festival Guarnicê de Cinema, 4 edições da Mostra Guarnicê Itinerante de Cine Vídeo, 13 edições do Festival Brasileiro de Canto Lírico no Maranhão (MARACANTO), 12 das 23 edições do Festival Brasileiro de Poesia no Maranhão (POEMARÁ), 12 edições do Festival Universitário de Reggae – UNIREGGAE, 8 edições da Mostra Brasileira de Miniatura Artística no Maranhão.

 

Euclides Moreira coordenou ainda 12 das 33 edições do Festival Brasileiro de Canto Coral no Maranhão (FEMACO), 11 edições da Mostra Maranhense de Arte Efêmera, 12 edições da Tocata de Bandas e Fanfarras do Maranhão, 12 edições da Cantata Natalina, 12 edições da Exposição Presépio, 6 edições do Salão de Artes Plásticas 31 x 31, 6 edições do Projeto Carcará de Cara Nova, 3 edições do Curta Lençóis: Festival de Cine-Vídeo dos Lençóis Maranhenses, 2 edições do Projeto LUSOBRAS: Festival Luso-Brasileiro de Arte Cultura, 10 edições do Programa Regional de Apoio às Artes Plásticas, 2 edições do Maranhão Vídeo de Bolso – Festival Regional de Vídeo de Bolso no Maranhão, e 9 edições do Encontro de Teatro de São Luís na Periferia.

Quase todos os projetos coordenados por Euclides Moreira eram de abrangência regional e/ou nacional, destacando-se que parte deles era de periodicidade semanal e/ou quinzenal, como foi o Projeto Carcará de Cara Nova, executado toda quinta-feira, às 12h30min, no auditório central da UFMA; o Projeto Quarta Cultural, executado toda quarta, às 19 horas, no Espaço Reinaldo Faray do Palacete Gentil Braga; Projeto Sexta Poética, executado toda sexta, às 19 horas, no Espaço Reinaldo Faray do Palacete Gentil Braga; e o Programa Regional de Apoio às Artes Plásticas, que promovia, a cada 15 dias, exposições de artes plásticas na Galeria Antônio Almeida e na Sala Maia Ramos, ambas no Palacete Gentil Braga.

Euclides e noix MA 2008

Teca Pereira, Aurora Miranda Leão, Fafy Siqueira e Euclides Moreira Neto na edição 2008 do Festival Guarnicê, em São Luís (MA).

Dos projetos de abrangência nacional, destacam-se: Festival Guarnicê de Cinema; Festival Brasileiro de Canto Coral no Maranhão (FEMACO); Festival Brasileiro de Canto Lírico no Maranhão (MARACANTO); Festival Brasileiro de Poesia no Maranhão (POEMARÁ); Festival Universitário de Reggae (UNIREGGAE); Mostra Brasileira de Humor no Maranhão (HUMORMARÁ), e Tocata de Bandas e Fanfarras do Maranhão.

A intensa ação desenvolvida por Euclides Moreira na área cultural da capital maranhense o levou a atuar como produtor cultural, ator, crítico de arte e cineasta. Na atividade audiovisual, dirigiu e produziu vários filmes, obtendo diversas premiações em festivais de cinema e vídeo pelo Brasil, destacando-se os filmes “Mutações”, “Colonos Clandestinos”, “Bom Jesus”, “A greve da meia-passagem”, “Alegre Amargor”, “Feições”, “Mamucabo”, “Periquito Sujo”, “Jardins Suspensos” e o vídeo “O lavrador de palavras”.

No quadriênio 2009-2012, Euclides Moreira Neto foi Presidente da Fundação Municipal de Cultura, órgão vinculado à estrutura da Prefeitura de São Luís; em 2012, recebeu do Governo do Estado do Maranhão o título de Comendador, considerando os bons serviços prestados à cultura maranhense. Como integrante da comunidade universitária, Euclides Moreira Neto dedica-se a pesquisar a atuação das manifestações culturais “reggae” e “carnaval”, no meio cultural maranhense.

Euclides e eu 15 ago 15 - Cópia

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