Arquivo do mês: janeiro 2017

Dois Irmãos: Luiz Fernando Carvalho faz Poesia da obra de Hatoum

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Cauã Reymond, em papel difícil, reafirma imenso talento…

A minissérie que abriu o tradicional janeiro de grandes minisséries na TV Globo terminou ontem após 10 capítulos de uma produção com a assinatura prodigiosa e relevante de Luiz Fernando Carvalho (LFC).

DOIS IRMÃOS surge após a força dramático-imagética que foi a novela Velho Chico, também dirigida por Luiz Fernando, mas estava já gravada há 2 anos.

Trata-se de adaptação da obra homônima do escritor amazonense Milton Hatoum, adaptada por Maria Camargo. Conta a saga de uma família de libaneses residente em Manaus. O foco central da ação são os gêmeos Omar e Yaqub (vividos em 3 fases distintas pelos atores Lorenzo Rocha, Matheus Abreu e Cauã Reymond). Os gêmeos, desde garotos, vivem em disputa pela atenção dos pais, Halim (Antonio Caloni/Antonio Fagundes) e Zana (Juliana Paes/Eliane Giardini), e o amor da jovem Lívia (Monique Bourscheid/Bárbara Evans). Assim como no livro, a história é narrada por Nael (Ryan Soares e Irandhir Santos), filho de Domingas (Zahy Guajajara), um misto de agregada e empregada da família dos gêmeos.

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Quem acompanha o trabalho sempre instigante e competente de Luiz Fernando Carvalho já sabe: quando vem obra dele, vem produção esmerada, misto de beleza e reflexão, calmaria rítmica e avalanche emocional, músicas que evocam ou sublinham sentimentos que permeiam as emoções em relevo na trama, despertando uma polaridade que conjuga – com extrema delicadeza e pertinência – o claro e o escuro, o trágico e o alegre, o erótico e o rude, o avanço e retrocesso, o direito e o avesso, o sagrado e o profano, a beleza e o sombrio.

Em DOIS IRMÃOS – que a TV Globo lançou com o ótimo apelo “Assista a esse Livro !” – essa polaridade, ancestral e típica da vida, é moldura e conteúdo que Luiz Fernando Carvalho alcança e converte em refinada linguagem, traduzida em brilhante forma artística.

O duplo de cada personagem, das ações, dos acontecimentos, das reações, é dado precípuo da obra. Quem acompanhou com atenção, por certo lembrar-se-á dos momentos de pura euforia de Zana (a matriarca dividida entre Juliana Paes e Eliane Giardini), as nuances de Halim (Antônio Calloni e Antônio Fagundes), e o duelo permanente entre os gêmeos, com a recorrente polaridade evidenciando-se na eterna rivalidade entre irmãos, ademais sendo esses personalidades tão distintas, movidos por ódio e vingança desde muito cedo.

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Trabalho de caracterização foi tão perfeito que levamos um ‘susto’ quando o personagem Nael cresceu e apareceu com Irandhir Santos: parecia tratar-se do mesmo ator em idade mais avançada… Sensacionallll !!!

O escritor Milton Hatoum, amazonense autor do livro, deve estar muito feliz: as vendas de seu livro tiveram expressivo aumento após a estreia da minissérie, e sua obra agora ganha visibilidade nacional. E quem pode concorrer com o alcance da Televisão ? Ganhou Hatoum, ganhamos nós com esta Jóia da Teledramaturgia que é a minissérie DOIS IRMÃOS.

Mesmo já considerando, há tempos, LFC como um dos mais relevantes e competentes diretores de Teledramaturgia do país – costumamos dizer que “Todos os outros fazem novela; só Luiz Fernando Carvalho faz obra de Arte” -, o diretor sempre nos surpreende – positivamente – a cada novo trabalho.

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Que riqueza é assistir a uma obra assinada por LFC ! Que refinamento ele empresta a detalhes ! São pequenas pérolas encravadas em blocos de capítulos, perfazendo um total criativo cuja obra final deve equivaler mais que a um longa-metragem em esforço, trabalho e alcance, tal é o preciosismo na arquitetura cênico-imagética que facilmente identifica-se nas criações de LFC. O diretor é mestre na construção de um matelassê teleaudiovisual que evidencia uma enorme diversificação de intertextualidades, cujo acme é uma analogia constante, permanente, sutil e evidente entre as questões evocadas nas tramas e nas injunções que se desenrolam qual num tabuleiro de xadrez, complexo e inextricável, que esboça a realidade paradoxal e polarizada de um país perplexo ante tantas adversidades.

Em DOIS IRMÃOS é possível também identificar um diálogo com o clássico “O Tempo e os Conways”, do dramaturgo inglês J.B. Priestley, e ainda com O Jardim das Cerejeiras, do notável Anton Tchecov. Outros mais poderão ser aludidos. Esses me vêm à memória agora. O fato é: o sensório de Luiz Fernando Carvalho é pródigo em criar analogias, em promover diálogos, em promover alianças, mergulhando longe e fundo para emergir e iluminar a obra a qual ele está ‘construindo’ com matizes e texturas que apontam, insistentemente, para um universo multifário e poliédrico, pois assim esboça-se a sensibilidade do diretor, conforme o olhar mais atento pode perceber em suas notáveis criações artísticas. Nesse viés, Luiz Fernando Carvalho traz em seu arcabouço uma multiplicidade de influências, inspirações, estilos, e PERGUNTAS ( qual um garimpeiro, sempre em busca de novas pepitas preciosas) que o tornam um profícuo detonador de sentimentos e emoções aflorando em direções várias. É preciso ser muito tosco para não se sentir tocado pelos magnânimos quadros audiovisuais que LFC consagra às suas obras.

*Não sei o nome do clássico do cancioneiro mundial que encerrou a minissérie, mas que achado ! Mão na Luva, como diria Machado de Assis.

Assim, tendo essa ligação estreita e oxigenante com o dia-a-dia do país, é que Luiz Fernando – do alto de sua inquietação criativa – percebeu a ‘necessidade’ de alterar a edição dos capítulos finais de Dois Irmãos, ante a gravidade da rebelião de presídios acontecida em Manaus. Como disse o diretor em entrevista à colega Cristina Padiglione:

“Faz uns dez dias, estava editando a cena da morte de Halim, abatido sobre seu sofá cinza, mudo, cristalizado, perplexo diante das transformações que se iniciaram naqueles tempos, mas que chegam ao ápice nos dias de hoje! Na semana de estreia, assassinatos se multiplicaram nos presídios de Manaus, uma capital abandonada e praticamente esquecida, que entrou para o mapa mundi da tragédia da vida real e ficcional a um só golpe. Tudo se misturou na minha cabeça. Entendo a edição como algo móvel, dinâmico, como a vida. As improvisações continuam ali. Não trabalho com cartilhas. Meu olhar se interessa por estes acasos e espelhamentos. Os acontecimentos em Manaus modificaram a forma de editar os capítulos finais, sim. Senti a necessidade de incorporar à decadência, já posta no romance, a reflexão machadiana de que ‘o progresso já nasce em ruínas’. A edição se tornou mais crítica e política ao refletir o tempo que passa e sua ideia de progresso”.”

Um Viva muito grande e sonoro ao formidável elenco de DOIS IRMÃOS, no qual destacam-se as atuações de Juliana Paes, Antônio Calloni, Eliane Giardini, Antônio Fagundes, Irandhir Santos, e a criação impactante de Cauã Reymond, que esbanjou talento, sensibilidade e invejável profissionalismo.

*Bom rever Michel Melamed, Isaac Bardavid, Ary Fontoura, Maria Fernanda Cândido e Carmen Verônica.

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PARABÉNS ao maestro Luiz Fernando Carvalho e a toda a fabulosa equipe que com ele tornou possível a realização exponencial de DOIS IRMÃOS ! Uma obra que nos enche de admiração por sua riqueza como criação teleaudiovisual, e também por nos relembrar que, no Brasil, há sim motivos muitos para nos orgulharmos, conforme ficamos ao sermos partícipes de um tempo em que se produz obra tão digna em meio a tantas coisas que nos envergonham neste Brasil dos anos 2000.

Cidade dos Homens estreia hoje com Dja Marthins em participação especial

A competente atriz Dja Marthins, mais um talento de peso da cultura  baiana, conhecida por sua presença sempre forte e competente – seja no teatro, cinema ou televisão -, está de volta à telinha esta noite:
DJA participa do primeiro episódio de Cidade dos Homens, que estreia hoje uma nova versão, atualizada em 12 anos. Escrita por George Moura e Daniel Adjafre, a minissérie agora tem direção de Pedro Morelli.
“Faço uma mulher que ganha a vida consertando e recuperando os utensílios domésticos dos moradores de uma comunidade. Mas é uma participação pequenina”, avisa Dja. Apesar de lamentarmos que sua participação seja apenas no primeiro capítulo, é bom de todo modo rever Dja atuando, ainda mais numa minissérie com uma trajetória como a de Cidade dos Homens, que destaca a relação de amizade da famosa dupla Acerola e Laranjinha.
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Acerola e Laranjinha retornam e agora já tem filhos…
Em Cidade dos Homens, Dja contracena com os atores mirins Luan Pessoa (Davi) e Carlos Eduardo Jay (Clayton), que  encarnam os filhos de Laranjinha ( Darlan Cunha) e Acerola (Douglas Silva). Os intérpretes entram em cena para dar continuidade aos inesquecíveis personagens, numa passagem de 12 anos.
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DJA Marthins iniciou a carreira através do importante  trabalho da Oficina de Espetáculos Calouste Gulbenkian, comandada pelos atores Ernesto Piccolo e Rogério Blat. Inscreveu-se mais tarde no curso de teatro da Universidade Estácio de Sá.
E foi através de um belíssimo espetáculo da dupla Picollo & Blat (que criaram e dirigiram diversos espetáculos bonitos e relevantes em aulas populares, as quais misturavam diversas etnias, gerações e classes sociais) que vi DJA pela primeira vez. Em cena, DJA atuava e cantava no inesquecível musical PRAÇA ONZE. O elenco era enorme, formado por alunos da oficina do Centro Cultural Calouste Gulbenkian, e não dava pra guardar nome e rosto de todos. Foi só quando vi DJA Marthins emprestando seu talento em #joiarara, que me encantei com sua atuação. E conversa vai, lembrança vem, e o musical PRAÇA ONZE nos fez recordar momentos lindos que ‘vivenciamos’ em dia de festa no palco.
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 Cartaz do inspirado musical de Ernesto Piccolo e Rogério Blat, onde Dja Marthins atuou…
DJA Marthins é conhecida por vários trabalhos na televisão. Egressa do teatro baiano, a atriz estreou na telinha em 2002 com o Beijo do Vampiro, seguindo nas novelas Cobras & Lagartos (2006), Saramandaia,  Joia Rara (2013) e Haja Coração (2016), citando apenas algumas.
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Na última versão de Saramandaia, obra do também baiano Dias Gomes, o saudoso e notável dramaturgo criador de obras como O Bem Amado e O Santo Inquérito, ela fez  a empregada da personagem Candinha Rosado, vivida pela atriz Fernanda Montenegro, e conta que foi “um prazer enorme trabalhar com essa grande profissional”.
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José Araújo e Dja Marthins contracenando em Joia Rara, obra-prima de Duca Rachid e Telma Guedes…
A personagem de Cidade dos Homens é mais uma que evidencia o talento da atriz em trabalhos que destacam as comunidades cariocas. Na peça “Favela”, Dja mostrou nos palcos a vida da Dona Jurema, uma fofoqueira no cotidiano de quem mora no morro. Texto de Rômulo Rodrigues com direção de Marcio Vieira. Em “Áurea, a Lei da Velha Senhora”, de Jean Mendonça,  Dja encarnou a Negra Velha, encantando o público com sua atuação pujante.
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“Gosto de trabalhar na televisão, mas minha paixão é o teatro.  Estou ensaiando Bodas de Ouro, de Vicente Maiolino, com adaptação e direção de Wilson Caetano. Comigo no elenco está Ricardo Romão,  fundador e líder do grupo musical Saci Chorão”, conta a querida DJA.
No cinema, Dja Martins atuou nas produções “Através da Sombra”(Walter Lima Jr), “Polidoro”(Tiago Arakilian) e “Solteira Quase Surtando”(Caco Souza), além dos curtas-metragens “Safári”(Renata Di carmo) e “Vazio do Lado de Fora”(Eduardo Brandão Pinto). Esse último “é sobre o pessoal que foi desabrigado no autódromo”.
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Dja Martins: orgulho e força do Teatro Baiano, revelada ao país pela teledramaturgia.

Entre a saudade e a esperança, repousa a mais bela invenção dos homens

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Sempre que os vejo, brota a mesma emoção. Diante deles, sou uma sempiterna criança entre o alumbramento e o estupor. Sou absolutamente fascinada pelo esplendor que são os fogos de artifício !

Entre comoção e fascínio, eles sempre me renovam as emoções mais bonitas e as mais fundas,sobretudo quando anunciam a involuntária troca de ano.

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Um misto de saudade e esperança toma quando eles começam a estourar no céu ! Carregam junto uma tristeza a ser instalada por um ano que vai perdendo vida, ao mesmo tempo em que reacendem sonhos e anunciam esperanças sempre novas de dias melhores.

Incrível como, a cada ano, eles vem mais cheios de beleza, promovendo uma arrepiante festa de cores no horizonte ! São de uma beleza infinita, sobretudo quando sem misturam formando alianças de cores e formatos nos céus do mundo inteiro. Que magia contagiante e única está embutida na queima de fogos !

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Que magia contagiante e única está embutida na queima de fogos ! Acho-a de um frenesi inigualável, sempre novo porque igual na sua forma de ser sempre fascinante !

Penso que a humanidade já devia ter descoberto ou ‘inventado’ um nome para o ‘criador’ dos fogos de artifício. São, pra mim, uma tão poderosa invenção, que a vida é mais Vida quando celebrada com eles, e se alguém há a merecer um Nobel da Beleza, esse alguém é esse inspirado ‘criador’ dos incomparavelmente notáveis FOGOS DE ARTIFÍCIO !

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A eles, e aos que promovem as celebrações mundiais emolduradas por eles, o caloroso #aplausoblogauroradecinema !

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A todos os leitores e amigos do #blogauroradecinema, nossos melhores votos de um Novo Ano pleno de PAZ, LUZ, Amor e muitos motivos pra comemorar !

             F Z    2017   !