Arquivo do mês: abril 2017

Raimundo Rodriguez: um guerreiro no cavalo de São Jorge !

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Raimundo Rodriguez finalizando o Cavalo de São Jorge, que estará em mostra especial na Gamboa, centro da capital carioca…

Raimundo Rodriguez, o notável artista plástico que transforma descartável e lixo em obra de arte – e que tem inteligência e sensibilidade para emprestar seu talento criador para dar conteúdo e beleza ao gênero telenovela – é incansável e ‘imparável’ ! Somos fã dele de carteirinha !

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E olha onde é que Raimundo vai estar amanhã: o dia é de Jorge Guerreiro, e é claro que o fecundo artista só podia estar homenageando seu santo protetor, como cabe a quem de fato se inscreve como devoto.

Neste domingo, 23 de abril,  Raimundo Rodriguez será o anfitrião de Salve São Jorge 23, uma mega exposição inaugural para saudar o Porto das Artes, novo polo de Cultura na Gamboa, zona portuária do Rio – prédio da fábrica de espetáculos do Theatro Municipal, na avenida Rodrigues Alves, 303.

Raimundo Rodriguez, conhecido também como o artista das intervenções urbanas, encabeça o convite para o vernissage da mega expô, na qual ele estará à frente de um coletivo de 200 artistas, inaugurando o espaço cultural PORTO DAS ARTES/ Fábrica de Espetáculos, na capital carioca, pertinho do Museu do Amanhã.

O convite para a abertura da mostra é atraente por si só: ninguém melhor que Raimundo Rodriguez para comandar a overture artística no novo cenário carioca.  Esta será a nona vez consecutiva que Raimundo presta homenagem oficial a São Jorge.

Para a expô deste domingo, Raimundo recriou uma de suas obras mais conhecidas: o Cavalo de São Jorge. Totalmente articulado e com mais de 30 movimentos, o cavalo participará de ‘cena’ com o ator Augusto Vargas, que encarnará o santo guerreiro numa performance que promete causar buchicho !

A exposição comandada por Raimundo Rodriguez vai reunir mais de 150 obras entre pinturas, esculturas, instalações, performances, gravuras, grafites e videoinstalações. São artistas dos mais diversos estilos criando arte com uma temática comum.

A ideia foi germinada a partir de um desejo pessoal e antigo do mestre Raimundo: o artista, criador de dezenas de cavalos articulados para a minissérie de Luiz Fernando Carvalho e Ariano Suassuna, A Pedra do Reino, construiu um para seu acervo particular. Nada mais justo. Como ele mesmo revela: “Adoro cavalos e nunca fiquei com um para mim”.  

Salve São Jorge 23 será aberta amanhã e vai ficar aberta à visitação até dia 6 de maio, com entrada gratuita. Vamos à Gamboa ! E Viva São Raimundo Jorge Guerreiro Rodriguez !

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Saiba mais sobre RAIMUNDO RODRIGUEZ

O artista plástico Raimundo Rodriguez tem fixação por arte, em especial, por obras que dão uma nova dimensão a materiais reciclados, como sobras de madeira, ferro e plástico. Cada um deles, diz, tem energia própria, carrega uma história, por ter passado pelas mãos de outras pessoas. Assim como o painel multicolorido, feito por ele com latas de tinta, que ganhou posição de destaque acima da porta de sua casa. Ou como os tijolos de demolição, centenários, usados para erguer toda a construção.

Raimundo Rodriguez (RR) é um cara inquieto: “Tanto na vida como na arte, gosto de muito”. Tem fascínio por transmutar coisas aparentemente imprestáveis, e um dom especial por criar obras de arte a partir de materiais reciclados ou de peças que a quase totalidade das pessoas vê como coisas velhas, feias, descartáveis.

RR mora numa bela casa, na qual o aproveitamento de peças e a reciclagem de material também impressiona: lá, ele coleciona muitas obras de artistas brasileiros, como Timbuca, Clarissa Campello, Deneír e Felipe Barbosa.

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Raimundo Rodriguez ladeado por Janete Scarani e Aurora Miranda Leão

Raimundo também possui raridades, como um painel original do lendário profeta carioca Gentileza que tinha ido parar no lixo. Em sua galeria particular, Rodriguez não gosta de desperdiçar nada: “A arte contemporânea é marcada pelo excesso. Eu detesto perdas. O que me interessa é transformar”, sentencia.

Filho de carpinteiro, Raimundo Rodriguez é autodidata e, além de artista plástico, é também animador cultural e um dos fundadores do coletivo de arte Imaginário Periférico: “Me orgulho de nunca ter tido carteira assinada. Não ter segurança no emprego sempre me fez viver em movimento”, decreta o devoto de São Jorge, que tem espalhados pela casa diversas imagens e amuletos do santo.

Em 2013, RR foi convidado a construir um Cavalo de São Jorge para a comissão de frente da escola de samba carioca Beija Flor.  E a nota não podia ser outra: 10 por unanimidade ! 

Cearense, Rodriguez mudou-se com seus pais para a Baixada Fluminense ainda criança e nunca mais saiu. Ali ele construiu uma adorável casa, bonita e silenciosa, onde mora com a companheira da vida toda, a produtora Janete Scarani. E diz, muito tranquilo – como aliás Raimundo sempre é – que não troca o lugar por nenhum outro do Rio: “Nova  Iguaçu é uma espécie de ‘Nordeste fluminense’. Sempre digo aos amigos: se nunca foi a Caruaru, venha a Nova Iguaçu”, brinca o artista plástico.

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Um dos altares de Velho Chico, criação de Raimundo Rodriguez…

Como exímio diretor de arte que é,  Raimundo Rodriguez tem seu belíssimo trabalho com cenografia/figurino/direção de arte entranhado em obras como as minisséries A pedra do reino, Hoje é dia de Maria, Capitu, Alexandre e outros heróis, e nas novelas Meu Pedacinho de Chão e Velho Chico (para a qual criou vários altares, mais de mil santos e cerca de 500 estandartes).

É ou não é para aplaudir de pé a criatividade invulgar de Raimundo Rodriguez ?

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Um dos belos ambientes cenográficos de Meu Pedacinho de Chão, obra de Raimundo Rodriguez…

Final de A LEI redime erros e deslizes da novela

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       *Aurora Miranda Leão

Quem gosta de acompanhar telenovelas, sente quando uma trama descamba para o inverossímil ou quando seus autores perdem o controle da ação e bailam na curva.

Os previsíveis desvios de rota, ou colisões mais ou menos sérias, tem chances de recuperação, sempre, e a melhor delas é introduzir indícios de real no material dramatúrgico. Assim, o telespectador de pronto faz suas próprias conexões e é levado, sutilmente, a se sentir partícipe da obra.

Foi assim com A LEI DO AMOR, encerrada ontem. A novela criou vários pontos de paridade com o real, mas uma cena especial do capítulo final, elevou essa equivalência a um nível emblemático. No momento em que escrevemos estas linhas, uma conversa no espaço vizinho, revela o quanto o final de A Lei mexeu com o imaginário popular…

A trama de Maria Adelaide Amaral e Vincent Villari chegou ao fim com muito boa audiência, como é corrente nas ficções teleaudiovisuais das 21h, que mobilizam sempre a audiência, quer pelo lado da crítica ou pelo viés da adesão.

Ter uma história central forte com um conflito relevante, que faça esse ‘esqueleto’ perdurar com vigor por cerca de 6 a 8 meses – tempo corriqueiro para as telenovelas da TV Globo -, é fundamental para cativar a audiência. A Lei começou com sinais de que teria um thriller político como fio condutor.

Nós, que vínhamos de um mergulho sensório belo e profundo nas entranhas de Velho Chico (obra da notável parceria de Benedito Ruy Barbosa, Bruno Luperi e Luiz Fernando Carvalho com auxílio luxuoso de Raimundo Rodriguez), ressaltamos: desde a estreia, pareceu-nos ver em A Lei do Amor uma tentativa imagética e musical de revalidar sentidos estéticos desenhados (com imensa maestria) pelos artífices de Velho Chico (VC). Senão vejamos: o casal principal (Helô e Pedro) também havia sido separado por artimanhas de vilões que os fizeram ficar distantes por 20 anos (em VC, o afastamento de Teresa e Santo foi de 30 anos); os encontros mais felizes de Santo e Tereza se passavam à beira do famoso rio nordestino. Em A Lei, Pedro e Helô começam seu romance com viagens no veleiro do jovem apaixonado, e as tomadas iniciais (com o veleiro visto do alto e o mergulho do casal no mar) apontavam claras marcas indiciais de intercessão com a ambiência estética de VC. Nada demais: é salutar retomar caminhos que se mostraram belos e abriram janelas para uma bela construção sensorial. E a saudade da trama semeada às margens do São Francisco, referendada por um diálogo artístico com a obra anterior à LEI, também pode ser registrada através da grande ciranda de abertura da trama: pés correndo em direção a melhores oportunidades ou a novos enredos num chão de terra batida, por onde escorre um riacho, como a trazer de volta o sertão ressignificado por VC.

Também na trilha, essa subliminar sintonia com a história anterior se fez presente, submersa ou alicerçando a camada de sentidos principal: se em VC nomes de insuspeita qualidade musical eram também fio condutor do enredo (Elomar, Xangai, Maria Bethânia, Tom Zé, Caetano Veloso, Lenine), em A Lei do Amor também houve (com mais força nos primeiros meses) uma valoração de canções e compositores de reconhecido destaque no cancioneiro nacional, como Roberto Carlos (“À distância”), Raul Seixas (“Cowboy fora da lei”), Gonzaguinha (Grito de alerta); Dalto (Pessoa, sucesso dos anos 80 na voz de Marina Lima). E ainda na interpretação da notável Bethânia para a  belíssima canção Era pra Ser, de Adriana Calcanhotto, tema do casal Thiago e Isabela, que voltou com primorosa eloquência no capítulo final.

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Desfecho insólito para a terrível vilã Magnólia, a grande personagem de A Lei do Amor

Ao observar os muitos comentários sobre A LEI DO AMOR via imprensa e redes sociais, o que mais chamou-nos atenção foi o fato de ninguém reportar-se à direção da novela. E eu mesma me peguei surpresa ao pensar em quem assinava a direção: tive de ir pesquisar pois não lembrava o nome do diretor. Natália Grimberg e Denise Saraceni são as responsáveis.

Neste ponto, que é crucial e onde concentra-se grande parte do resultado de uma obra de ficção teleaudiovisual, registra-se a primeira clara distinção entre A LEI e Velho Chico, por exemplo. Enquanto em A LEI ninguém toca no nome do diretor ao comentar a obra, é impossível falar de VC sem citar Luiz Fernando Carvalho. Apenas uma ressalva relevante que reafirma o diretor como co-autor da obra, ainda quando existe apenas um roteiro a ser filmado (óbvio que, novela começada, há o elenco e toda uma grandiosa equipe que constroem juntos o êxito ou fracasso da obra).

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Vera Holtz em mais uma atuação notável !

Feito esse adendo sobre a questão da direção, vamos aos acertos do capítulo final de A Lei do Amor:

  1. O final trágico de Magnólia, insólito, à altura da personagem, e trazendo o simbolismo da força do trem da vida, cantado na música-tema de Villa-Lobos e Ferreira Gullar, para o centro do desfecho;
  2. Não mostrar o enterro de Magnólia: a dona de vilania tão ostensiva e maléfica não merecia condescendência alguma, nem mesmo na diegese;
  3. A vitória do amor de Helô e Pedro com o nascimento do filho tão esperado: é corriqueiro mas não deixa de emocionar, sempre, a chegada do NOVO trazendo luz em qualquer ambiente, sobretudo ali, após o aflitivo sofrimento vivido pelo casal e suas famílias nos últimos capítulos;
  4. O final em aberto para a relação Isabela-Thiago: autores fizeram uma opção condizente para um casal complexo desde seu início, aludindo à contemporaneidade de um mundo quase perplexo ante mudanças tão rápidas e avanços comportamentais impensáveis décadas atrás;
  5. Boa solução para a punição de Tião Bezerra: um AVC que o deixa preso a uma cama de hospital (o todo-poderoso, com toda a fortuna que amealhou, completamente sozinho), remetendo a uma situação dos primórdios da novela, quando o personagem tinha tido um ‘apagamento’ de memória em plena ponte da cidade de São Dimas;
  6. Dois casais homossexuais leves e felizes em meio a uma festa promovida pela prefeita Salete. A ficção referendando cenários de tolerância e enfatizando a dimensão maior do amor, que corre por diversos atalhos: personagens de Maria Flor (Flávia) e de Raphael Ghanem (Gledson) curtindo plenamente com seus pares formados;
  7. Hércules e Aline, deploráveis vilões, elevados à categoria de mendigos em meio à invisibilidade cotidiana da metrópole;
  8. A surpresa, estendida ao máximo, para o par final de Letícia (Isabella Santoni), culminando por ser quem foi, o bem-humorado Antônio (Pierre Baitelle), seu eterno apaixonado.
  9. Ter citado a dor da tragédia de Mariana através do personagem de Gianecchini (Pedro, o rico bom moço e justiceiro) a cobrar punição para o terrível crime ambiental que vitimou a pequena cidade mineira;

10. A cena final, com viés acentuadamente político, promovendo uma imediata homogenia com o atual cenário político brasileiro. Neste ponto, a presença de Tony Ramos como o notório político do ‘rabo preso” que vai ascender à presidência, e terá ao seu lado a tradicional ‘loura burra’ (feita com esmerado requinte por uma convincente Grazi Massafera), foi triunfante ! Tony foi o intérprete perfeito para todas as ilações imediatas… e a comemoração das futuras vitórias políticas – em espaço luxuoso no qual dividem a mesma mesa, a corrupção, a imoralidade ética, a falta de escrúpulos, os desmandos com a coisa pública, os desvios de verbas, as prevaricações, a instrumentação religiosa, a desonestidade de propósitos, o desrespeito ao erário público, e o desprezo pelos que defendem e lutam por uma vida digna num país com tantos problemas colossais e quase insolúveis, foi um ganho excepcional da novela, através do qual se ‘perdoam’ ou tornam-se de somenos importância os muitos baixos e enganos do enredo.

Ainda que você não tenha visto o último capítulo, veja as imagens de sua cena final, e confirme: para bom entendedor, meia equivalência diz tudo, ainda que numa obra assumidamente de ficção.

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Licença Poética ou ‘furos perdoáveis’

De onde apareceu o carro possante que Isabela dirigiu para levar Thiago à Ilhabela, ela que começara a estudar (antes de virar Marina), com ajuda financeira de Helô – num país em crise como o nosso, como explicar que Marina conseguiu, honestamente, arrumar tão rápido uma fonte de renda para lhe garantir a posse de um carro daquele nível ?

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Como Marina conseguiu a chave que lhe abriu as portas da casa de Ilhabela ?

A rapidez com que Letícia passou a achar o amado pai Tião um homem de ações deletérias;

A igualmente rápida mudança de atitude do apaixonado Pedro, que rapidamente abandonou o lar onde dividia o cotidiano com a amada Helô, ao descobrir uma filha de 4 anos com uma mulher que não via há tempos;

A acelerada mudança de atitude de Mileide, que de mulher com certas conexões paranormais, virou uma fina interesseira no enriquecimento e na ascensão econômica e política… mas a criação/instalação de sua Igreja Sincrética Circular pagou todos os atropelos com a verosimilhança !

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Helô e Pedro num final feliz como o público queria !