Eu sou apenas uma moça latino-americana…

 Música perde Belchior: Brasil fica mais pobre                          

                                                                        *Aurora Miranda Leão

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A hora avisava o tempo. Despertar, estudar. Bom Dia ! Foi o que disse no Instagram…

“Eu não estou interessado
Em nenhuma teoria/ Em nenhuma fantasia
Nem no algo mais…”

E uma foto do pequeno cidadão comum, apenas um rapaz latino-americano, conterrâneo gigante do Pessoal do Ceará, convidava à legenda:

“Ouvi dizer num papo
Da rapaziada
Que aquele amigo
Que embarcou comigo
Cheio de esperança e fé
Já se mandou...”

BELCHIOR estava indo e uma tristeza imensa foi tomando conta de mim…
Mas música é desmesura incendida e me sussurou, belchianamente:

“E vou viver as coisas novas
Que também são boas
O amor, humor das praças
Cheias de pessoas
Agora eu quero tudo
Tudo outra vez…”

Eis que o coração guardou uma frase pra mim dentro da canção:

“Se você vier me perguntar por onde andei
No tempo em que você sonhava
De olhos abertos, lhe direi:
Amigo, eu me desesperava
Sei que assim falando pensas
Que esse desespero é moda em 76
Mas ando mesmo descontente
Desesperadamente eu grito em português
Mas ando mesmo descontente
Desesperadamente eu grito em português…”

Outrossim, deixando a profundidade de lado, relembro como um analista amigo meu:

“Cada um guarda mais o seu segredo,
A sua mão fechada, a sua boca aberta
O seu peito deserta, sua mão parada,
Lacrada e selada,
E molhada de medo.”

BELCHIOR veio chegando de mansinho: educação e gentileza sempre a postos, um sorriso ingênuo e franco do rapaz que permaneceu novo encantado.  Tarde ensolarada, era dia de entrevista nos estúdios da Universitária FM, doce vivência de nossa estrada profissional. Acabamos por bater um longo papo, nutrido pela inteligência afiada, a sensibilidade inconteste e o bom humor dele, todo especial.

Com o camarada Fagner (outro cearense do coração), Belchior ensinou que saudade não é pra dar medo. Afinal,

“Moro num lugar comum, perto daqui, chamado Brasil.
Feito de três raças tristes, folhas verdes de tabaco e o guaraná guarani”.

Brazil, raças, guaraná, guarani... Belchior e suas letras cheias de bela e sábia poesia. As sintonias aportam conexões num salto de mágica. Assim como um antigo compositor baiano nos dizia… Gilberto Freyre, Darcy Rineiro, Sérgio Buarque, Raymondo Faoro, estudos para entender esta Nação, precisamos retomar a leitura. Que também me traz à lembrança o cronista Artur da Távola… qual as dele, também temos nossas Dissonâncias Cognitivas a avisar das mensagens na caixa precisando respostas, dos amigos que é preciso abraçar, das risadas tantas que não podem faltar… e sobrevêm o mestre Raimundo Rodriguez e sua criatividade tão linda, ‘louca’ e tão oxigênio para a força popular e o Brasil que precisamos destacar ! E junto dele o guerreiro Jorge, notória inspiração, aviva nossos Latifúndios com seu mosaico elegantemente colorido, que sintetizou nosso Pedacinho de Chão e encharcou nosso sonhário, poeticamente frutificado na sincronia inspiradora do mago Luiz Fernando Carvalho, esse gigante da nossa dramaturgia audiovisual. Sim, tudo porque ele era um cara tão sentimental:

“Era um homem de bons modos: ‘Com licença; – Foi engano’
Era feito aquela gente honesta, boa e comovida
Que caminha para a morte pensando em vencer na vida
Era feito aquela gente honesta, boa e comovida
Que tem no fim da tarde a sensação
Da missão cumprida”

Também sentimos assim… e o remédio é cantar – como indicou outro grande menestrel, o seu Humberto Teixeira do Iguatu… e cantamos:

“Não preciso que me digam, de que lado nasce o sol
Porque bate lá o meu coração”.

E pedimos licença, mas neste domingo dispensamos carona da metodologia porque hoje quem dá o tom é a voz do poeta e a canção nos embala:

“Eu estou muito cansado/ De não poder falar palavra/ Sobre essas coisas sem jeito
Que eu trago em meu peito…” 

Sim, “Não quero o que a cabeça pensa eu quero o que a alma deseja”.

Mas o relógio indômito avisa: é hora do almoço e

“Não quero lhe falar
Meu grande amor
Das coisas que aprendi
Nos discos
Quero lhe contar como eu vivi
E tudo o que aconteceu comigo”

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E na parede da memória, saudades escondidas:

“Eu era alegre como um rio,
um bicho, um bando de pardais;
Como um galo, quando havia…
quando havia galos, noites e quintais.”

Embora haja tantas outras, embaladas agora em material de fina estampa… É, os dias eram assim… E a emoção canta agora o perdão assinado pela dupla titânica, Ivan Lins e Vítor Martins:

“Perdoem a cara amarrada/ Perdoem a falta de abraço/ Perdoem a falta de espaço/ Perdoem a falta de folhas/ Perdoem a falta de ar/ Os dias eram assim…”

Emblema imortalizado na voz de ELIS, que descobriu Ivan e anunciou ao mundo a grandeza de Belchior, este pequeno cidadão comum que o poeta Drummond inspirou… ele também, o cearense que pedia “guarde uma frase pra mim dentro da sua canção”, está há muito a merecer obra grandiosa de nossa teleficção audiovisual para embalar sua canção: a teledramaturgia só tem a ganhar !

Como nossos pais é música que já nasceu filme, moldura bela e profunda, e o Brasil, encantado, fará eco:

“Não quero lhe falar
Meu grande amor
Das coisas que aprendi
Nos discos
Quero lhe contar como eu vivi
E tudo o que aconteceu comigo

Viver é melhor que sonhar
Eu sei que o amor
É uma coisa boa
Mas também sei
Que qualquer canto
É menor do que a vida
De qualquer pessoa…”

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Será que eles venceram ? Não, estaremos sempre na luta !

“Também estou vivo, eu sei,
mas porque posso sangrar
e mesmo vendo que é escuro,
dizer que o sol vai brilhar…”

Sim, precisamos todos rejuvenescer !

STOP: “Eu não estou interessado/ Em nenhuma teoria/ Em nenhuma fantasia/ Nem no algo mais…”

Nossa dor é perceber que ainda somos os mesmos e vivemos como os nossos pais: nossos ídolos ainda são os mesmos e as aparências não enganam, não…

Resta, a FELICIDADE, essa arma quente, e constato que sou apenas uma moça latino-americana, sem parentes importantes e sem dinheiro no banco…

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Vai com Deus, BELCHIOR !

Obrigada por tudo… Emoção, lágrimas e meu aplauso caloroso pra você e sua obra divinal…

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Enquanto as letras calam, a vitrola sintoniza a voz rascante do rapaz de Primeira Grandeza, que insiste em dizer “eu quero é que este canto torto corte a carne de vocês”:

E eu fui embora sorrindo, sem ligar pra nada; como vou ligar
Para essas coisas quando eu tenho a alma apaixonada ?

Do outro lado, ele e o parceiro Ednardo, deixaram AURORA sobre a mesa:

Sonhos de aurora eu sonhava
No colo de minha irmã
Clareia manhã, clareia
Abre as janelas, manhã
Clareia manhã, clareia
Abre as janelas manhã
E deixa essa casa cheia
Do teu cheiro de romã

E o coração dialoga:

_ Sou o que escondo sendo uma mulher
Igual a tua namorada
Mas o que vês,
Quando mostro estrela de grandeza inesperada…

_ A força masculina atrai não é só ilusão/ A mais que a história fez e faz o homem se destina/ A ser maior que Deus por ser filho de adão/Anjo, herói, prometeu, poeta e dançarino/A glória feminina existe e não se fez em vão…

Sigamos BELCHIOR como ele nos ensinou:

É louco que pensou na vida sem PAIXÃO !

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BELCHIOR: saudade e muita emoção na partida do mestre…

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