Arquivo do mês: maio 2017

Os Dias eram assim como Belchior cantou

            *Aurora Miranda Leão

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Gabriel Leone e Renato Goes em Os dias eram assim

Era meados dos anos 70. O capítulo começa com uma panorâmica sobre a orla carioca. Depois, se vê IMPRENSA LIVRE em letras garrafais na vidraça de um prédio, logo em seguida estourada… Um militar aparece dizendo: “Ato público está proibido: não aceitamos passeata nem comício”. A violência invade as ruas do centro do Rio; foco no cineasta Glauber Rocha que diz: “A loucura, meus amigos, a loucura da violência”. Na sequência, mais cenas de violência: policiais montados em cavalos irrompem contra as pessoas na rua, estudantes são vítimas de agressões e bombas estouram; o general Médici passa a faixa para o general Geisel. Era 1974. Na Nigéria, estavam Renato e Rimena em missão solidária. Em Miami, Victor e Alice formam uma família feliz (?) com os filhos num belo apartamento de classe alta. Corte para uma menina negra: olhar carente, com um buquê de flores, ela olha o médico como quem agradece com ternura, e uma tristeza funda assoma naquele rosto tão puro e ainda imune às maldades do mundo.

São pequenos detalhes que vão se unindo num crescendo a formar um conjunto eloquente de significação, captados por uma câmara operada com intensidade latente, reforçada por uma edição primorosa. Imagens históricas, nunca antes exibidas na teleficção, tomam conta da tela em linha simétrica com imagens ficcionais: um general declara que estão proibidas manifestações e protestos populares nas ruas. Glauber Rocha aparece bradando contra a ditadura, imagens da repressão passam em ritmo veloz e o Cálice de Chico e Milton emoldura uma narrativa teledramatúrgica de forte acento político, que tem o período mais duro da vida brasileira como ambiente.

Em meio a lembranças que tanto doem na parede da memória, a narrativa de extrema competência, beleza, pujança, senso estético e sentido de cidadania de OS DIAS ERAM ASSIM é a comprovação mais cabal – guardada nos arquivos históricos da teleficção – do nível de excelência alcançado pela nossa Teledramaturgia ! Que vigor, que potência, que qualidade alcançamos !

Assisto à supersérie e, depois de todas as sensações que ela me provoca, e todas as emoções que ela aviva, sobrevém um enorme orgulho de constatar o nível magistral de qualidade a que chegamos. Sinto-me honrada de ser partícipe deste tempo no qual a Teledramaturgia consagra sua magnitude como testemunho da contemporaneidade, e se inscreve com fundamental importância como portadora de um sentido de pertença e de memória da vida de um país como jamais antes nenhuma outra linguagem brasileira alcançou. Este mérito de guardar, repassar, prospectar, divulgar, reavivar, rememorar, ressignificar a história em som e imagem com a amplidão que a teledramaturgia alcança no país (milhares de locais com acesso à produção audiovisual gratuita), amplificada por conta dos avanços da tecnologia – podendo ser vista por qualquer pessoa, a qualquer hora, em qualquer lugar, de graça -, jamais foi alcançado por nenhum outro meio de comunicação no país. Outrossim, poder assistir a um produto audiovisual de tamanha qualidade, todo criado e executado por profissionais brasileiros, que dão o seu melhor para chegar à telinha com o padrão que chegam, é por demais auspicioso.

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Antônio Calloni, Mariana Lima e Bárbara Reis em Os dias eram assim

E no capítulo da quinta passada, para coroar tudo o que a supersérie já traz de bom e louvável, seus criadores ainda incluíram Belchior e seu emblemático canto menestrel na preciosa trilha sonora de OS DIAS ERAM ASSIM:

Foi quando o jovem Gustavo (Gabriel Leone em atuação soberba), defensor da causa democrática, finalmente deixa a prisão, após 5 anos encarcerado, e a mãe e a irmã vão buscá-lo: quando Gustavo surge na porta da penitenciária, a voz de Belchior avulta…

“Não quero lhe falar meu grande amor/ Das coisas que prendi nos livros/ Quero lhe contar como eu vivi/ E tudo que aconteceu comigo…”

E a emoção vai lá no alto: BELCHIOR era a voz que precisava intervir no contexto narrativo profundo, cívico e profundamente relevante de Os Dias eram Assim.

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“Quero lhe contar como eu vivi, e tudo  que aconteceu comigo…”

Cabe-nos ressaltar que, há alguns dias, havíamos falado aqui no #blogauroradcinema que esta música – COMO NOSSOS PAIS – já merecia há tempos uma olhada séria e bem intencionada da teledramaturgia para lhe dar realce e fazê-la ecoar pelos milhões de lares brasileiros que sintonizam a emissora líder em todos os cantos do país, inclusive naqueles distantes lugares que a gente nem sequer imagina existirem.

Fizemos aqui no #bloauroradecinema uma analogia sobre a tradução poética que as canções Aos Nossos Filhos (o tema de abertura, de Ivan Lins e Victor Martins) e Como nossos Pais (de Belchior, consagrada na voz de Elis Regina) fazem de um tempo histórico com precisão de ourives. Pois foi com a emoção latejando por tudo que nos diz esta supersérie OS DIAS ERAM ASSIM (sobre ética, política, dignidade, liberdade, tempos sombrios, violência e repressão, mas também sobre amor, arte e pessoas que ousaram ir além e não deixaram de gritar por LIBERDADE) e a saudade musical ensejada pela partida repentina de Belchior, que assistimos àquela cena e fomos às lágrimas.

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Ana Miranda, Gabriel Leone, Carla Salle e Cássia Kiss em Os dias eram assim

E é assim, ainda marejando de emoção, que deixamos um caloroso aplauso para toda a equipe que assina OS DIAS ERAM ASSIM.

Por hoje, ficamos aqui mas não sem antes sugerir que assistam a esse primoroso capítulo da quinta passada, 25 de maio. Está no site Globo.com ou no app Globo Play, de graça. Pode ter certeza: é você quem vai ganhar ao assistir uma obra audiovisual com a qualidade estrondosa que tem OS DIAS ERAM ASSIM.

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Antônio Calloni, um Mestre, em atuação digna de todos os aplausos !

Orgulho enorme do naipe excepcional de criadores que assina este trabalho lindo: desde suas autoras Ângela Chaves e Alessandra Poggi; aos diretores Walter Carvalho,  Isabella Teixeira e Cadu França, mais o diretor artístico Carlos Araújo, passando por toda a equipe técnica e de produção, pedimos licença hoje para cumprimentarmos a todos nas pessoas do ator Antônio Calloni (magnânimo na interpretação do abjeto empresário que apoiou/financiou a ditadura), Natália do Valle, Sophie Charlotte e Gabriel Leone.

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As autoras Ângela Chaves e Alessandra Poggi com o diretor Carlos Araújo…

A antropofagia imagética de Gui Castor em diálogo com mestres da Fotografia

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GUI CASTOR começa o mundo em Vitória…

Homem do espaço6

Daqui começo o mundo este é o título da instigante exposição do artista, fotógrafo e cineasta GUI CASTOR em cartaz na Galeria Homero Massena em Vitória, capital do Espírito Santo.

O mundo de Gui Castor começa sempre com um farto sorriso e é isso que convoca imediata empatia com o artista. Na sequência, a sensibilidade de GUI promove conexões com uma benfazeja capacidade de descobrir porções do inusitado que ele sai recolhendo por onde passa e oferece em porções imagéticas através de belas fotografias e inusitados vídeos e filmes.

A trajetória de GUI CASTOR é pontilhada de participações em eventos internacionais, exposições coletivas, festivais de cinema, oficinas, e coisas afim. Agora, o jovem capixaba juntou as paixões – fotografia e cinema – e reúne alguns de seus principais takes e olhares no livro Daqui começo o mundo.

Na obra atual de GUI Castor há um diálogo evidente com a exposição “Moderna Para sempre – Fotografia Modernista Brasileira na Coleção Itaú”, em cartaz no Palácio Anchieta na capital do Espírito Santo, que reúne um dos mais importantes e significativos conjuntos dos primórdios da fotografia artística no Brasil.

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A galeria Humberto Massena abriga a exposição com obras de GUI Castor…

Como parte integrante desta programação dedicada aos temas da fotografia no campo da arte, a Galeria Homero Massena recebe o trabalho fotográfico e em vídeo do artista capixaba Gui Castor. A intenção dos organizadores foi criar uma exposição com referência histórica e consolidada no campo da fotografia, ao mesmo tempo em que um jovem artista elabora trabalhos que podem ser interpretados como respostas contemporâneas a questões semelhantes às desenvolvidas pelos grandes fotógrafos brasileiros dos anos 1940 a 1970, apresentados pela mostra do Instituto Itaú Cultural.

Assim, as duas exposições apresentam complementaridade em suas abordagens. O visitante que vai ao Palácio Anchieta e tem contato com uma produção das mais importantes do Brasil, poderá também ter contato intenso com a produção atual, a partir do olhar inspirado de GUI CASTOR, jovem artista capixaba.

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Gui Castor é também o idealizador do popular festival de cinema Cine Rua 7

O título Daqui começo o mundo é inspirado em pintura do renomado Cícero Dias, na qual há uma valorização do local para a interpretação do mundo. O artista escreve em sua tela uma das jóias do modernismo pernambucano/brasileiro: “Eu vi o mundo, ele começava no Recife”. Esta é uma frase que faz com que a herança européia e as referências dominantes da arte sejam metabolizadas e reinterpretadas segundo um sotaque local.

Nesse sentido, há um trânsito que incorpora aspectos da alteridade, ao mesmo tempo em que constrói a própria identidade, um contato com o outro mas com constante referências ao local. Segundo o curador da mostra, o mineiro Júlio Martins,“Gui Castor é um artista que possui muitas obras em solo estrangeiro, mas ele estabelece contatos e firma seu local de fala a partir de um sotaque próprio, um sotaque capixaba.”

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Gui Castor finalizando a montagem da exposição…

As várias linguagens presentes na mostra contribuem com a politização do discurso do modernismo brasileiro que hoje, na contemporaneidade, é matéria para o trabalho de muitos artistas, que pesquisam, problematizam e desdobram as heranças da estética moderna. Novamente, segundo Martins, “a produção de Gui Castor é interessante pois traça uma voz que foi esquecida pelo discurso dominante da modernidade e que ressurge na modernidade como problematização”.

Por exemplo, foram construídas, sob a mesma lógica moderna, cidades para abrigar e excluir os leprosos do convívio social, e Gui Castor passou dois anos investigando como esta cidade hoje, no interior do Espírito Santo, bastante à margem portanto, lida com os dilemas de consciência em relação à doença ter se modificado enquanto que o preconceito continua o mesmo.

De certa maneira a leitura do modernismo é muito formal, somente interessado nas formas, nos jogos de percepção, deixando de lado o contexto social e político. Os trabalhos de Gui Castor lidam com a herança moderna mas realizam uma contra leitura, uma leitura crítica e atual dos temas. É um convite aos contrapontos.

O título da exposição de GUI CASTOR é inspirado na tela do pintor modernista pernambucano Cícero Dias: a obra “Eu vi o mundo, ele começava no Recife” é uma afirmação muito forte e no melhor espírito da antropofagia brasileira. A frase é uma afirmação antropofágica e de autoestima. Desenha a possibilidade de se apropriar de diversas influências, de vários lugares, como a dita alta cultura européia, numa mistura própria. Para o curador, “a antropofagia constitui uma das matrizes mais poderosas da formação da nossa cultura brasileira. O sentido da frase que batiza a exposição Daqui começo o mundo diz respeito a esta habilidade em receber a cultura que vem de fora e devolvê-la em novos contornos, aqueles que me interessam. É algo muito poderoso e de extrema autoestima, algo que precisamos recuperar na contemporaneidade”.

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Artista capixabamente universal, GUI CASTOR é um Querido desde sempre !

Outro aspecto a se destacar é a postura do artista Gui Castor como antropólogo do contemporâneo. O artista participa de uma tendência das artes atuais em buscar o convívio e o diálogo com o outro, de construir relações, encontros, tal como o approach de um antropólogo, que chega em uma tribo sem informações prévias e busca conhecer e evidenciar os fatos que vivencia, relacionando-se diretamente com seu objeto de estudo.

O curador Júlio Martins relembra uma frase de Cildo Meireles: “o artista, tal como o garimpeiro, vive de procurar o que nunca perdeu.” Assim, nessa postura de “artista como etnólogo”, como conceituou o crítico de arte Hal Foster, Gui Castor procura em seus trabalhos estabelecer encontros e relações com o outro. O artista define sua postura assim: Exercito um olhar aberto que recolhe, nos encontros rápidos e anônimos, a busca do contato com o outro”.

Gui e eu

Esta redatora e Gui Castor: sempre um encontro de ótimas energias !

SERVIÇO:

Daqui começo o mundo: fotografias, videos e livros de GUI CASTOR

Curadoria Júlio Martins

Galeria Homero Massena
Dia 29 de maio, TERÇA: lançamento do livro COLÔNIA com bate-papo entre Gui Castor e Júlio Martins

HORA e LOCAL: 19h, galeria Homero Massena – ENTRADA FRANCA

Mirian Tavares e a LITERACIA: a Arte de decifrar as imagens

Mirian lap - Cópia

Mirian Tavares ensina a Literacia Fílmica para melhor compreensão do Cinema…

Qualquer forma de Audiovisual vale a pena ! Todas elas, que vemos hoje proliferarem pelo mundo em ritmo intenso, são filhas do Cinema. A partir dessa premissa, mergulhar no mundo do cinema se faz necessário. Ou melhor: é preciso entender como se processa o modo de criação de linguagem através das imagens.

Porque não se trata apenas de abrir os olhos e ver. Há na visualização das imagens uma multifária capacidade de produzir sentidos. Os resultados a alcançar vão ser inferidos a partir da visão mais ou menos abrangente do espectador, ou da menor ou maior alfabetização de quem acesse seus conteúdos.

Para ‘entender’ cinema, não temos necessidade de um “tradutor” – basta abrir os olhos e se veem as imagens – , como nos ensina Mirian Tavares, e é nesse ponto que começa o nó da questão: achar que o que vemos é a realidade ! Aqui é dado o start para que a LITERACIA se faça uma ferramenta de suma importância e acuidade: a sensação primeira de qualquer pessoa diante do ecrã (tela) é de acreditar que o que está sendo exibido é real. Quer seja em televisão, vídeos, fotos no Instagram, Face ou qualquer outra rede social, acreditamos de pronto que o que se mostra é a realidade. A sensação é de  “se eu vejo é porque existe”.

Acontece que essa operação que poderia parecer um plano-sequência óbvio, não tem nada de simples nem de resultados óbvios: para ser entendida em toda sua complexidade, a expressão imagética via tela requer um acurado conhecimento de diversas operações que constituem o cerne do que se chama Sétima Arte.

O Cinema fascina o olhar e instiga diversas sensações, ao mesmo tempo em que é uma linguagem altamente sofisticada, construída sobre um processo que remonta ainda ao Renascimento, baseado em elaborados processos matemáticos que partem da proporção para representar o mundo. Isto é, o que vemos na tela nada mais é do que uma REPRESENTAÇÃO. O CINEMA  e todas as artes ligadas à IMAGEM são representações. E não a vida real, como a maioria supõe.

“Toda imagem é filha de um recorte, tem uma visão autoral que decide o que quer mostrar e, portanto, define o que será visto. O que vai para a tela é uma escolha de alguém para dizer alguma coisa”, nos ensina Mirian Tavares.

Por conta disso, a LITERACIA então se faz relevante e necessária, cada vez mais, para que possamos entender que, por trás das imagens, há sempre um autor e uma intenção. Ou por outra: se você quer entender o que falam as imagens, ou se pretende decifrar o que uma imagem está a dizer, será preciso que conheça e entenda a LITERACIA FÍLMICA.

Basicamente, Literacia é uma alfabetização que oportuniza o aprendizado da leitura das imagens mas não apenas isso: a LITERACIA é uma ferramenta de aprendizado para ensinar a ver/ler imagens de CINEMA de forma crítica, como nos ensina Mirian Tavares.

Inicialmente, é preciso ter em conta que O OLHO é uma operação altamente sofisticada, ele não é um instrumento neutro: é um dos postos avançados do encontro do cérebro com o mundo, é o mediador entre a realidade e o cérebro. Nesse sentido, a intenção da Literacia é dotar as pessoas da capacidade de ler o mundo de forma mais profunda e mais completa do que simplesmente ver, conforme palavras da profa Mirian Tavares.

Partindo do princípio de que REALIDADE é tudo o que está fora do ecrã, ser um estudante ou seguidor da Literacia significa ter “a capacidade de manuseamento e apreensão crítica das imagens”.

Para que serve mesmo essa coisa chamada LITERACIA ?

Para dotar as pessoas de capacidade para ler o mundo de forma mais profunda e mais completa do que simplesmente ver, como nos explica a professora Mirian Tavares.

Porque na nossa relação com as imagens, além da parte físico/química, intervém ainda nossa capacidade perceptiva, os afetos, o saber, as crenças, a sua relação social, histórica, mas há também constantes trans-históricas e interculturais.

mirian e Bunuel - Cópia

Mirian Tavares e imagens do cinema de Buñuel, cineasta-tema de sua tese de Doutorado

Assim, o ato de ver seria comparar o que vemos com o que sabemos do mundo e, dessa forma, VER torna-se uma tradução de nossa capacidade de contextualizar as imagens e fazer conexões com o mundo. Mais ou menos como disse Ernest Gombrich: a imagem tem por função garantir, reforçar, reafirmar e explicitar a nossa relação com o mundo visual. E diante delas, há duas formas possíveis de investimento psicológico: o Reconhecimento e a Rememoração. Por isso, o Cinema é ponte, promove interligações com o que já trazemos de conhecimento do mundo.

O cinema seria então, como o sentia George Melliés, mágico e fazedor de espetáculos, um meio hipnotizador. Foi isso que o cineasta buscou no Cinema: seu aspecto  mágico, de entorpecimento da alma, de hipnotização dos sentidos. E entramos num estado de sonolência, a partir do qual tudo é possível. Cabe ao realizador a maior ou menor capacidade de instigar e contaminar o público, tornando-o parceiro de sua maneira de conceber o mundo.

Mirian entrevista

Para finalizar, as palavras de Mirian Tavares:

“É preciso termos em conta que dentro do quadro há uma realidade, e fora do quadro existe outra. Ou seja: entender a imagem é fazer uma abstração entre ela e o real. A Literacia nos mostra que só nos hipnotizamos se quisermos. A Literacia serve para nos deixar conscientes o bastante para saber que, só entramos no estado de hipnose, se assim nos deixarmos conduzir.”

Mirian Tavares no reino da LITERACIA 

aula Mirian - Cópia

Mirian Tavares diz que as imagens são um processo de construção…

Há pessoas que tem o dom de encantar. Seja de que forma for: pela delicadeza, pela inteligência, pela simplicidade, por nos contaminarem com seu escopo cultural e nos promoverem imediata adesão, por nos provocarem sintonias, ou por partilharem as mesmas preferências artísticas, ou até por nos trazerem, em sua seiva de conhecimento, laços por demais semelhantes aos que mantemos com nosso pai. Comigo, em relação à professora Mirian Tavares, emérita pesquisadora, Doutora e Mestre da Universidade do Algarve, foi isso que se deu.

Mirian Tavares, além de ser uma profissional que tem profundo conhecimento sobre o Cinema, área de atuação de sua preferência, é uma intelectual de alto gabarito: fala de temas os mais diversos, sempre partindo do cinema ou sendo por ele conduzida, com a segurança notável de quem fala sobre o que ama, e o faz com tanta categoria, que é impossível ouvi-la e não ficar completamente encantado. Com ela e com a Sétima Arte. Como se não bastasse tudo isso, Mirian Tavares ainda carrega consigo uma simplicidade que emoldura com delicada beleza seu potencial de Conhecimento.

Tive a honra de estar na seleta plateia de seu minicurso de Literacia Fílmica na Faculdade de Comunicação da Universidade Federal de Juiz de Fora. E posso garantir qe de todas as muitas aulas de cinema as quais assisti, as de Mirian foram as mais iluminadoras. Uma imensa alegria e gratidão ter partilhado de momentos tão singulares propiciados pela competência e profunda bagagem cultural da professora Mirian Tavares. Orgulho tê-la como conterrânea. Mirian Tavares Significa !

Nesse sentido, louvamos aqui o curso de Comunicação da Universidade Federal de Juiz de Fora, que está constantemente realizando eventos, jornadas, cursos, seminários, ou seja, ensejando ações que promovam o gosto pelo ato de estudar, que motivem alunos e comunidade de modo geral, a descobrir novos modos de aprender e de estar sempre em busca de novos caminhos por onde enriquecer nossos repertórios culturais.  O que a FACOM/PPGCom/UFJF oportuniza a seu corpo docente é o gosto pela busca de novas fontes de leitura e aprendizado sobre o Saber, e assim está sempre a promover a abertura de novas janelas ao conhecimento, o que por si só já torna a UFJF uma instituição cheia de méritos, merecedora de aplausos de aprovação e incentivo para seguir na trilha que nos oferta tão generosamente.

Nesse cenário, é preciso ressaltar o trabalho da professora Doutora Gabriela Borges, coordenadora do Programa de Pós-Graduação em Comunicação da UFJF, bem como o de todos os seus colegas Mestres Doutores, que cuidam de multiplicar o Conhecimento e instigar novos saberes, repassando o que sabem com desvelo e prestimosidade sempre a postos.

Mirian e eu

Encontro com Mirian Tavares em minicurso na UFJF…

E para terminar, deixamos você, leitor amigo do #blogauroradecinema, com um precioso texto da professora Mirian Tavares:

O Turista acidental

A imagem como ponto de partida para um encontro ou reencontro

Quando a viagem está forçada por trabalho ou necessidade as sensações são diferentes
Quando a viagem está forçada por trabalho ou necessidade as sensações são diferentes
                                                                             * MIRIAN NOGUEIRA TAVARES

O cinema, pródigo criador de imagens, serviu em muitos momentos para suprir, de alguma maneira, ausências. Isto não é um cachimbo. Mas sua imagem pode trazer a boca um certo gosto conhecido, ao olfato um cheiro distante. Como as famosas bolachas de Madeleine que habitaram o imaginário (e os sentidos proustianos), uma imagem (real ou virtual) serve como ponto de partida para um encontro e/ou reencontro com algo que já não está, que nos falta, que foi nosso ou nunca nos pertenceu. Bazin, em seu já mais que célebre texto sobre a Ontologia da Imagem Fotográfica, requeria o carácter de verdade às imagens, realistas em sua origem, cuja função primordial era “salvar o ser pela aparência”[1] – mesmo que discordemos de sua visão do cinema temos que nos render a esta evidencia: “Não se acredita mais na identidade ontológica de modelo e retrato, porém se admite que este nos ajuda a recordar aquele e, portanto, a salvá-lo de uma segunda morte espiritual.” [2] Assim temos que a imagem surge, fundamentalmente, na arte, para salvar a todos da morte certa do esquecimento. Portanto o cinema funciona como o medium perfeito para traçar trajetórias de lembranças, como um álbum de recordações, e mais ainda, para mostrar, a sua maneira, como a nossa relação com o mundo é construída de fragmentos que vão sendo justapostos na tentativa de recriar algo que agora nos falta (ou que sempre nos faltou). Por isso alguns realizadores, em vários momentos de suas cinematografias, traduzem essa maneira especial de estarmos num mundo que não existe por si mesmo, ele é apenas o resultado da nossa invenção. Às vezes a necessidade de reinventarmos o espaço que vivemos torna-se mais premente, como por exemplo, quando estamos longe, deslocados, desterritorializados. Quando somos “turistas acidentais” levados, por vários motivos, a sair daquilo que chamamos lar e chegarmos a um outro lugar que poderá e/ou deverá tornar-se nossa nova casa. Ao contrário dos turistas do costume que viajam em busca da alteridade, esses buscam o mesmo no outro – pedaços reconhecíveis de uma história que ficou para trás.

“Moro no Menino de Deus, do qual Porto Alegre é apenas o que há em volta”. O escritor Caio Fernando Abreu, que escolheu o autoexílio dentro do próprio país, fala da sua cidade, que não é o todo que está em volta, mas seu cantinho, seu bairro, seu microcosmo. E assim resume a nossa relação com a cidade – ela é metonímica. Criamos a nossa própria cartografia, que se compõe de fragmentos que montamos através do traçado do nosso desejo. Saio do bairro se meu desejo está além, mas minha casa, minha cidade é bem mais pequena e circunscrita não só geográfica mas também emocionalmente. Há em todos nós, em maior ou menor grau, uma relação telúrica com o lugar que nos dizem ser o nosso, pátria, terra, casa. Mas somos conduzidos pelo desejo a errar por outras terras, o que nos faz sentir solitários, ou como os personagens de Wenders, eternos errantes. E é por Wenders que quero começar a falar desses turistas acidentais: que deixaram sua cidade natal e partiram. Vou então percorrer três cidades, vistas por 3 cineastas de origens diversas, cujos filmes só podem ser relacionados por mostrarem aqueles que vivem à margem, de uma maneira muito especial, no caso de Wenders, mas que estão “fora de sítio”, deslocados. O cinema, que não pode dizer o indizível, mostra. Revela na sua montagem, na sua essência de fragmentos que são recompostos, a dor que não pode ser sublimada, mas que habita os habitantes, muitas vezes invisíveis dessas cidades, Berlim, Paris e Lisboa, metrópoles que acolhem, mesmo sem querer, sonhos e pessoas que correm atrás deles.

As cidades, com suas particularidades e idiossincrasias, possuem em comum uma voracidade que a tudo devora, uma velocidade que obriga aos que nela vivem, a capacidade de síntese, pois é preciso reconstrui-la quotidianamente a partir de pedaços esparsos, de vazios. A modernidade trouxe consigo um novo conceito de espaço urbano, que aparece, por exemplo, nos ensaios de Baudelaire e de Benjamin. E trouxe também um novo modelo de visão: subjetiva, corpórea, direcionada. Para montar o puzzle que é o espaço urbano, caminhamos orientados por peças fundamentais que destacamos de todo o resto. E todo o resto fica à margem. E é assim que funciona o cinema – concentra o nosso olhar naquilo que realmente interessa à diegese. A nossa visão do mundo é subjetiva e composta de flashbacks: vemos o que nos prende a atenção e aquilo que nos chama a atenção relaciona-se com algo que já vi (vivi). Portanto, a cidade é construída através da montagem que faço com pedaços dela mesma e com outros tantos que já trago dentro de mim. Vivemos numa cidade, que é nossa, onde conhecemos os que passam e cada canto parece ser um velho amigo, só que por alguma razão, seja ela qual for, passamos a errância e acabamos por parar em outras cidades que outrora eram apenas um sonho, um desejo que se torna real deixando assim de ser desejo. E aquela cidade, lá no fundo de nós, que ficou para trás, apodera-se deste novo espaço, e cresce, adquirindo a aura da distância, como as histórias do marinheiro de Benjamin – ela é agora o que já não tenho.

O cinema que mostra os “turistas acidentais” revela o desejo do realizador de desvelar a visão dos que saíram de casa e ainda não sabem bem se aquele lugar que os acolhe será seu novo lar. Assim, Wenders, que é um errante, perde-se na cidade natal (Asas do Desejo), trazendo seres invisíveis que não pertencem a lugar nenhum. Talvez a um céu imaginário. Os anjos de Wenders pousam sobre as coisas e estão ao lado das pessoas mas ninguém os vê. E seu mecanismo de atenção dilui-se e já não ouvem mais nada, só murmúrios indecifráveis e deles filtram apenas a dor. Para participar da cidade, ser parte dela, integrar-se, é preciso estar preparado para a queda. E qual estrangeiros vagueiam pela cidade que agora concreta, torna-se uma estranha, com novos traçados que deverão ser aprendidos, palmilhados e descobertos aos poucos. Vê-se a cidade de baixo e ela não é a mesma – a grande distância entre o sonho e a realidade é mostrado de uma maneira sublime, pensado no sublime como o abismo que nos espreita. O anjo caído de Wenders é uma recorrência no seu cinema, há muitos anjos caídos e sobretudo deslocados e sem destino. Não importa a cidade, podemos ser estrangeiros no lugar mesmo que nos viu nascer. E aí, a cidade que é nossa, deixa de nos pertencer. Torna-se uma estranha cuja cartografia não dominamos e acabamos por nos perder num labirinto interior que se projeta na urbe que nos envolve.

Na obra de Solanas, realizador argentino, somos apresentados a pessoas que partiram porque não podiam ficar (Tangos – O Exílio de Gardel). Paris era o destino sonhado. Mas a visão que eles têm da cidade é uma estação – onde se chega, mas também se parte. Um lugar no meio, entre dois destinos. Um telefone que traz as vozes que ficaram e o desejo de fazer de Paris a Buenos Aires natal. Paris não é o destino turístico dos amantes, sejam eles de qualquer espécie, aqui é um lugar no meio – estão exilados, não podem voltar. Os turistas comuns são também pessoas que chegam e partem, que se relacionam com a cidade de uma maneira impermanente. O que marca profundamente a diferença é que estes, os turistas do costume, percorrem a cidade cartão postal, sem surpresas, sem recantos, sem nostalgia, pois a sua casa está lá, em outro lugar que é o seu ponto de chegada e partida. Mas os outros, de que fala o filme de Solanas, chegaram e não sabem se vão partir, mesmo que não desejem ficar. Não pertencem à cidade e vivem à margem com os olhos voltados para a estação – partir… Não há o gozo do sonho, há a angústia e a nostalgia embalada pelos tangos de Gardel. O realizador faz uma estranha homenagem a uma cidade que acolhe seus personagens que querem e não querem estar ali. Que querem trazer para junto de si a cidade que ficou para trás. Assim vão reconstruindo uma Paris que só existe dentro de cada um deles. O exílio torna-se menos duro quando a memória reinventa o espaço.

O realizador Walter Sales realiza uma viagem à Lisboa no seu filme Terra Estrangeira. Seus personagens escolhem Lisboa como destino para um autoexílio após uma grande desilusão com seu próprio país. Lisboa é estrangeira, mas é também a cidade mãe, centro de um país que partiu para o atlântico e desbravou uma nova-velha terra. É, de alguma maneira, uma terra não estrangeira, uma doce recordação, um déjà-vu. “Ai como eu queria tanto agora ter uma alma portuguesa para te aconchegar ao meu seio e te poupar estas futuras dores dilaceradas”[3] . Mas ao chegar à Lisboa, aqueles que vieram, talvez para ficar, sentem-se como se estivessem “por fora do movimento da vida” e parece que desaprenderam “a linguagem dos outros”. Há um código especial que eles não conhecem. Há uma palavra-passe que não lhes foi fornecida. E a cidade, tão grande, faz com que eles se misturem no mundo dos invisíveis, que passam pelas ruas e ninguém os vê. Ninguém cumprimenta, ninguém conhece. É uma existência que nega a própria existência. É como se o corpo se fundisse com a calçada e as ruas e os carros e a poluição. E os olhos do invisível, não vê a cidade nova que se está à sua frente, mas vê o porto, o atlântico, tão imenso, atravessado na garganta. E o filme mostra: Lisboa fragmentada, marginal, magnífica quando distante, intangível. E os personagens correm para a praia. E um navio ao longe parte, ou chega. Partir e chegar, como diz a canção, são só dois lados de uma mesma viagem. Moro no menino de Deus… Todos moramos no Menino de Deus, de alguma maneira. E o mundo é apenas o que há em volta.

Notas

[1] BAZIN, André. O Cinema. São Paulo, Brasiliense, 1991, p. 19.
[2] Idem, ib. p.20
[3] Trechos retirados do conto “Dama da Noite” de Caio Fernando Abreu.

E quando passarem a limpo, a Teledramaturgia dirá PRESENTE…

 OS DIAS ERAM ASSIM: história revisitada com coragem e qualidade artística                                                                                                                                                                                                                                 *Aurora Miranda Leão

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Tenho ficado um tanto macambúzia a cada vez em que termina um capítulo desta nova minissérie da TV Globo, obra que a emissora decidiu categorizar como supersérie – porque menor que uma novela tradicional e maior que o formato consagrado das minisséries –, o que facilitará também a venda para o mercado internacional. Mas Os dias eram assim é uma Supersérie não só por isso: a construção narrativa de Os Dias faz de sua teledramaturgia uma obra com todas as qualidades para demarcá-la como um divisor de águas.

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A história começa no dia da vitória da seleção brasileira na Copa de 1970. E segue a partir daí num enredo que tem a política como ponto central, do qual partem todas as ações e referências. A política está na escolha das músicas, na direção de arte, nos espaços cênicos, no foco diegético, enfim.

Cada um observa a obra pelo viés que melhor lhe apraz, mas não vale dizer que Os dias eram assim é apenas mais uma história de amor e que, por causa dela, a questão política aparece apenas como pano de fundo.

Dizer isso é faltar com a verdade. Uma obra que tem a abertura com imagens em preto e branco reportando ao período nefasto que tomou conta do Brasil nos anos 60 -70 – 80, embalada pela canção Aos nossos filhos, de Ivan Lins e Victor Martins, por mais que se queira, jamais poderá deixar de ser política, desde sua gênese.

Arrepio toda vez que escuto a canção: Aos nossos filhos semelha uma ode. É quase um estribilho (cantado na abertura pelos próprios atores, mas a música ganhou o país quando de seu lançamento com a gravação emblemática de Elis Regina), um emocionado/emocionante pedido de ‘perdão’ às gerações que se seguiram após às que viveram/sobreviveram ao período da ditadura no país. Escutar “Perdoem a falta de ar… os dias eram assim” é como um estilete penetrando fundo na alma. Precisa não conhecer nada de história para não se sensibilizar com  o que a supersérie mostra todas as noites na tela da TV (excetuando a quarta, para tristeza nossa), e de forma absolutamente bem realizada.

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A maestria com que a direção cuida de cada cena – os enquadramentos, os movimentos de câmara, a fotografia, a condução do elenco, a escolha das músicas -, a interpretação dos atores (todos numa entrega notória e necessária para dar veracidade às cenas), a caracterização e a reconstituição de época (direção de arte esmerada), a qualidade da produção, e a primorosa edição fazem de Os dias eram assim a teleficção mais relevante exibida pela TV Globo este ano, até então.

Acompanhar a supersérie, sabendo que o enredo foca nos anos 70-80, é visitar aquele tempo sombrio um pouco a cada noite. Não é agradável ver o que vemos, mas é necessário, importante, corajoso e iluminador.  Cada cena é apresentada com inegável rigor estético e dramatúrgico, perpassada com muita coerência e com implícito vigor moral e psicológico. O país vivia uma convulsão sócio-política que deixou profundas marcas em sua história, e a supersérie apresenta tudo isso num painel pungente que inaugura uma página nova, e altamente expressiva, na teledramaturgia.

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Cláudia Abreu e Betty Lago em cena de Anos Rebeldes

Gilberto Braga e Sérgio Marques foram os pioneiros na teledramaturgia ao mostrar os abomináveis anos de chumbo em sua linda e inesquecível Anos Rebeldes, de quem Os dias eram assim claramente descende. Nesta como naquela, a qualidade estética e dramatúrgica são inegáveis e dignas dos maiores aplausos. 

O que hoje Os dias eram assim traz de novo e de suma relevância é a abordagem por um viés inaugural. Motivado decerto pelo galope indomável do tempo, este “senhor dos enganos” de que nos fala a canção de Herbert Vianna, o enfoque que conduz a supersérie é fruto da contemporaneidade veloz e tecnologicamente conectada que liga o mundo em redes, das quais seus criadores, em saudável sintonia, não esqueceram na hora de retomar a questão. Em Anos Rebeldes, a notável criação do querido Gilberto Braga (!), a abordagem foi pioneira também. E tão meritória que até hoje é alvo de estudos e pesquisas no país e além fronteiras. Os dois marcos que as minisséries simbolizam enriquecem nossa Teledramaturgia.

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Gilberto Braga quando do lançamento do livro sobre Anos Rebeldes em 2001

Os dias eram assim acrescenta uma nova perspectiva para a memória teleaudiovisual do país naquele período, não abordada até então.  Mostrar que os padrões do empresariado e da classe dominante do país eram avessos à liberdade e à justiça social, ou seja, estavam contaminados pelos mesmos valores sórdidos, abjetos, deploráveis e desumanos que motivaram parte dos militares a promover o cerceamento de todas as liberdades no país, é novo, forte, corajoso, relevante.

Isso é o que mais avulta em Os Dias Eram Assim !

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Antônio Calloni em atuação digna de todos os prêmios: Colossal !

Quando você assiste a um painel televisual com a intensidade e a qualidade – histórica, imagética, dramatúrgica – de Os dias eram assim, e de repente ouve músicas como Deus lhe pague (Chico Buarque), Pra não dizer que não falei de flores (Geraldo Vandré), e Cálice (Chico Buarque e Milton Nascimento), a emoção lhe toma de assalto. Mais ou menos como diria nosso saudoso amigo e emérito cronista Artur da Távola:

“Quando a razão volta, o coração já se derramou”.

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Portanto, desliguem o botão do preconceito e assistam à obra com coragem de se emocionar e revisitar um passado nem tão distante assim. Sugiram a filhos, netos, sobrinhos, pais, mães, tios, primos, amigos, alunos e vizinhos que assistam à supersérie. A hora não é mais problema na grade televisiva: quem não pode ver no horário marcado, assiste quando couber na agenda ! Basta ligar no Globo Play ! Ainda por cima, é de graça.

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*Já elogiamos aqui a interpretação magistral de Antônio Calloni, o esteio visceral de Os dias eram assim. Mas nossos aplausos estendem-se a todos, em especial para Gabriel Leone, Sophie Charlotte, Cássia Kiss, Daniel de Oliveira, Renato Goes e todos os demais, incluindo a prodigiosa equipe técnica, que participa de um marco da nossa Teledramaturgia.

Voltaremos ao tema.

* Confira a letra de AOS NOSSOS FILHOS 

Perdoem a cara amarrada

Perdoem a falta de abraço

Perdoem a falta de espaço

Os dias eram assim

 

Perdoem por tantos perigos

Perdoem a falta de abrigo

Perdoem a falta de amigos

Os dias eram assim

 

Perdoem a falta de folhas

Perdoem a falta de ar

Perdoem a falta de escolha

Os dias eram assim

 

E quando passarem a limpo

E quando cortarem os laços

E quando soltarem os cintos

Façam a festa por mim

 

E quando largarem a mágoa

E quando lavarem a alma

E quando lavarem a água

Lavem os olhos por mim

 

Quando brotarem as flores

Quando crescerem as matas

Quando colherem os frutos

Digam o gosto pra mim 

Perdoem a falta de ar…. Precisa dizer mais ?

Cinema é Fundamental: saiba mais com a Literacia Fílmica

 Literacia

A professora Mirian Tavares, titular da Universidade do Algarve (UAlg) é a convidada especial semana da Universidade Federal de de Juiz de Fora. A eminente mestre irá participar de dois valiosos momentos no campus da tradicional universidade mineira: Mirian fará palestra no projeto Pão de Queijo e vai ministrar minicurso de LITERACIA FILMICA.

O Pão de Queijo será às 17: 30h da próxima quarta, com entrada aberta ao público, enquanto o minicurso em Literacia Fílmica será realizado de terça a quinta, das 10h às 12h, no prédio da FACOM.

Mas o que é mesmo essa nova modalidade de apreensão das imagens, a LITERACIA FILMICA ?

Esse conceito parte da ideia de que as imagens nos dizem muito mais do que está em sua aparência. Por isso, torna-se fundamental que, antes de tudo, saibamos “ler” as imagens para que elas possam dialogar conosco: “Para lê-las, temos que treinar o olhar e perceber que toda e qualquer imagem é uma construção sócio-econômico-cultural, que não são nem neutras nem ingênuas. A partir disso, é possível contextualizá-las e decodificar o seu funcionamento, “importante, sobretudo, porque o cinema é também o modelo que diversos outros meios utilizam para criar imagens”, arremata a professora convidada da UFJF.

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Mirian Tavares, pesquisadora da UAlg, enriquece semana de estudos na Faculdade de Comunicação da UFJF. (Foto: Daniel Pina – Universidade de Algarve)

MIRIAN TAVARES vai explorar o conceito de literacia fílmica partindo da ideia de cinema como arquivo, responsável por parte significativa da memória ocidental: “Por um lado, ele é responsável pela criação dessa memória, com suas imagens que eternizam e difundem e, por outro, age como um repositório de gestos e modos que, de outra forma, poderiam se perder”, aponta.

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A Mulher do Lado, filme de François Truiffaut, é uma das obras estudadas pela professora Mirian Tavares…

Mirian Tavares ressalta a importância de, antes de tudo, sabermos “ler” as imagens para que elas possam dialogar conosco: “Para lê-las, temos que treinar o olhar e perceber que toda e qualquer imagem é uma construção sócio-econômico-cultural, que não são nem neutras nem ingênuas.” A partir disso, é possível contextualizá-las e decodificar o seu funcionamento, “importante, sobretudo, porque o cinema é também o modelo que diversos outros meios utilizam para criar imagens”, completa.

O objetivo principal do curso de LITERACIA FÍLMICA é promover uma autêntica alfabetização, não só do cinema, mas do mundo das imagens em geral: “Cada tela que nos cerca traz um universo que absorvemos, muitas vezes, sem nos darmos conta do que, de fato, estamos vendo”, explica. “Para alunos da área da comunicação, é fundamental ter esta formação, bem como para alunos de outras áreas, como as artes, por exemplo.”

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O minicurso com MIRIAN TAVARES vai  trabalhar o assunto por meio da exibição de filmes e excertos, de quadros, publicidade e da discussão de conceitos fundamentais para  apreensão do cinema:. “Com esse material, pretendo desenvolver uma metodologia que permita aos alunos um espaço de intervenção e de reflexão”, diz.

Segundo a professora Gabriela Borges, coordenadora do Programa de Pós-graduação em Comunicação (PPGCom) e responsável pela iniciativa, o curso vem em um momento importante para desenvolver o campo de estudos em literacia na Universidade. “É muito relevante para os nossos alunos ter a possibilidade de acompanhar o trabalho de alguém que estuda cinema há muitos anos e pode apresentar uma perspectiva europeia sobre o assunto”, esclarece. “O trabalho da Mirian Tavares também dialoga com diversas pesquisas desenvolvidas no PPGCom, o que permite a troca de experiências com o grupo”.

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Além do minicurso, a professora MIRIAN TAVARES atuará como consultora do projeto de doutorado a ser apresentado para a Capes e participará do Pãodequeijo.com, evento bimestralmente promovido pela Pós-graduação de Comunicação da UFJF. Na edição desta quarta, 17 de maio, o tema será Estética e Política, e o início do encontro está grifado para às 17h30, na sala de pesquisa do PPGCom.

Quem é MIRIAN TAVARES

Mirian Tavares é cearense, mestre em Comunicação, Semiótica e Estudos Culturais, com doutorado em Comunicação e Cultura Contemporâneas na Universidade Federal da Bahia (UFBA). A professora é também coordenadora do Centro de Investigação em Artes e Comunicação (CIAC), diretora do Doutoramento em Comunicação, Cultura e Artes da Universidade do Algarve (PT) e subdiretora do Doutoramento em Média-Arte Digital da Universidade Aberta e da Universidade do Algarve.

Com grande conhecimento em cinema africano de língua portuguesa (objeto de seus estudos e investigações), a pesquisadora Mirian Tavares é responsável pela criação de vários cursos de Licenciaturas, Pós-Graduações, Mestrados e Doutoramentos na área de Artes, Literatura e Cinema, integrando também várias associações profissionais / científicas, como a Socine (Sociedade Brasileira de Estudos de Cinema e Audiovisual); a SOPCOM (Sociedade Portuguesa de Ciências da Comunicação); o NUCA (Núcleo de Comunicação e Arte, onde é também investigadora); e o GIIACT (Grupo Internacional de Investigación de Análisis Cinematográfico y Televisivo).

Parceria
A parceria da Universidade de Algarve (UALG) com a UFJF já tem história. Além de um protocolo de cooperação entre as duas instituições, que permite o doutoramento nas mesmas condições de alunos nacionais, a colaboração tem gerado trabalhos em conjunto, visitas e co-orientações de projetos. “No momento, temos dois professores da UFJF fazendo o doutorado em Algarve”, diz Mirian Tavares. “Por outro lado, a professora Gabriela Borges colabora conosco lecionando um módulo do Doutoramento em Media-Arte Digital, bem como participa de diversos projetos que desenvolvemos no campo da Literacia dos media”.

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Gabriela Borges, pesquisadora e profa Doutora da UFJF, é colaboradora do Doutoramento de Algarve com o módulo Media-Arte Digital. (Foto: Alexandre Dornelas)

Um dos projetos que conta com o envolvimento da professora GABRIELA BORGES (UFJF) é o Centro de Investigação em Artes e Comunicação (Ciac). Coordenado por Mirian Tavares, o Centro desenvolve pesquisas no campo das artes, cultura e mídia, tanto na parte teórica quanto prática. O grupo participa de diversos projetos europeus liderados pelo British Film Institute sobre a literacia dos media, especificamente sobre a fílmica.

Mirian Tavares também afirma que o sucesso da colaboração provocou novas ideias: “Estamos preparando um projeto com outras instituições no campo da literacia para desenvolver uma rede de investigação que produza congressos, encontros e materiais de divulgação científica nesta área”, arremata a professora da UALg.

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MIRIAN TAVARES: “O Cinema assume um papel absolutamente inquestionável em qualquer sociedade que se denomine sociedade do conhecimento e da informação”.

UFJF põe Mídia e Literatura em pauta

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A Faculdade de Comunicação da Universidade Federal de Juiz de Fora realizou com êxito sua I Jornada de Mídia e Literatura, encerrada ontem, 9 de maio.

Durante dois dias, estudantes de pós e de graduação, professores de várias disciplinas e profissionais ligados às áreas de Letras e Comunicação estiveram em palestras e grupos de trabalho discutindo assuntos pertinentes ao momento atual de intensa ebulição nos processos comunicacionais, priorizando temas a partir do enfoque Narrativas em tempos de convergência.

Navegação fluvial: do rio Pomba ao Tietê passando pelo Paraibuna foi o título da palestra de abertura da Jornada, a cargo do jornalista e escritor Luiz Ruffato, que lotou o auditório da FACOM. Sem esconder que sofre de profunda timidez, o escritor mineiro de Cataguases, fez uma palestra onde informalidade, inteligência, interatividade e espontaneidade convergiram em belas palavras e francas sintonias.

“Estudar narrativas hoje é essencial para conhecermos a sociedade”, disse Ruffato logo no início de sua fala. O escritor  declarou ter compulsão por  reescrever seus livros, e conta que o mais recente trabalho – Inferno Provisório – é um relançamento: “A reescrita que fiz do Inferno Provisório foi uma tentativa de melhorar a partir do que percebi de retorno do leitor”.

Após a conferência de abertura, Luiz Ruffato conversou com o público em mesa que contou com os pesquisadores de sua obra, Rodrigo Cerqueira, doutor pela Faculdade de Letras da UFJF, e Michele Pereira, mestranda do PPGCOM/UFJ. O público fez diversas perguntas e Ruffato respondeu a todos com galhardia. Muito espontâneo, o escritor contou passagens de sua vida, da abordagem de leitores nas redes sociais e mesmo em encontros ao acaso, e disse que sempre o procuram para comentar as crônicas do jornal.

Com relação a questões polêmicas como imigração, Ruffato é taxativo: “No Brasil, somos todos imigrantes. É ridículo falar em xenofobia aqui: só uma pessoa muito burra pode ter esse sentimento no Brasil”, disse o escritor, afirmando que “se houvesse um movimento para tirar imigrantes do país, os primeiros a sair tínhamos que ser todos nós que chegamos tomando o lugar dos índios”.

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Luiz Ruffato e a importância do estudo de Narrativas…

Cronista com publicações semanais no jornal El País, Luiz Ruffato angariou aplausos e reafirmou sua imensa capacidade de sintonia com o leitor: “Meu objetivo é propor uma reflexão política, sendo que nas crônicas está minha opinião pessoal, Nos livros, é o leitor que tem de construir. Numa versão eu sou o cidadão, na outra eu sou o cara que promove a reflexão.”  E com seu jeito bem peculiar de escamotear a timidez, não deixou de ser bem sincero: “Queria encontrar alguém que me conhecesse pela leitura de meus livros…”, ao que se seguiram muitos risos. Afinal, Ruffato é autor de diversas obras, todas com amplo número de vendas no país – algumas já levadas ao teatro e ao cinema (como o premiado filme Redemoinho) -, e bela carreira (inclusive com muitos prêmios) no exterior.

Em seguida à palestra, Luiz Ruffato autografou Inferno Provisório, cujos exemplares, antes mesmo do final de sua fala, já estavam esgotados. O livro é uma edição da Companhia das Letras, e reúne, num único tomo, os cinco volumes do projeto que recria literariamente a história do proletariado brasileiro dos anos 1950 ao início do século XXI.

À tarde, os encontros começaram com apresentações do GT Narrativas Migratórias: Crônicas e Depoimentos Memorialísticos com mediação da professora Doutora Cláudia Thomé. Em seguida, o tema foi Narrativa Jornalística: novas funções e competências com mediação do professor Doutor Marco Aurélio Reis (Unesa- RJ).

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Dia seguinte, a manhã foi aberta com palestra da professora Fabiana Piccinin (Unisc) sobre Narrativas Audiovisuais e a circulação: o real construído pela mídia e pela audiência. Em seguida, a professora Cláudia Thomé enfocou a temática Deslizamento da crônica nos meios de comunicação, seguindo-se apresentações do GT sobre narrativas audiovisuais. Programas como o Globo News em Pauta e Jornal das Dez, ambos da Globo News, e Cidade Alerta, da Record, estão entre os programas jornalísticos tematizados por novas pesquisas de alunos da UFJF.

Na tarde da terça, os assuntos em pauta foram Narrativas do pós-guerra na Itália e a paratopia de Alberto Savínio, a cargo da professora Doutora Sônia Cristina Reis (Letras, UFRJ), seguindo-se palestra sobre Imprensa de Imigração e literatura italiana no Rio de Janeiro oitocentista, tendo como palestrante a professora Doutora Gisele Batista (Letras, UFRJ). E encerrando a jornada, foi a vez do GT Narrativas do pós-guerra na Itália, com mediação da professora Dra. Sônia Cristina Reis.

Outra palestra muito interessante foi a da professora Cláudia Thomé, coordenadora da Jornada, que falou sobre sua pesquisa de pós-doutorado, cujo foco é a crônica e sua trajetória no jornalismo. A atual pesquisa de Cláudia Thomé vem na sequência da publicação de seu livro Literatura de Ouvido, que é a concretização de sua tese de Doutorado, na qual o foco foram as crônicas da escritora Dinah Silveira de Queiroz para o rádio. Para realizar a pesquisa, Cláudia Thomé esteve vários dias em Fortaleza (cidade onde Dinah morou alguns anos pois foi casada com o embaixador cearense Dário de Castro Alves). Foi na capital do Ceará que Cláudia Thomé conseguiu ter acesso às crônicas escritas pela escritora de ‘Floradas na Serra’(1939), romance que tem por tema a vida dos tuberculosos em Campos do Jordão (a obra recebeu o Prêmio da Academia Paulista de Letras), e que chegou ao cinema em filme protagonizado por Cacilda Becker e Jardel Filho.

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Sobre a obra, publicada pela editora Appris (Curitiba, 2015), diz o professor Fred Góes: “Literatura de Ouvido é um livro que vai interessar não somente aos leitores das áreas das letras e das comunicações. É para o grande público. Ao trazer as crônicas de Dinah Silveira de Queiroz escritas para o rádio, amplia os estudos sobre essa forma literária tão brasileira, com fisionomia tão própria e plural, escrita pela grande maioria dos nossos escritores (prosadores, poetas e dramaturgos), como também abre uma nova perspectiva para a reflexão sobre a produção do rádio no Brasi”.

A I Jornada de Mídia e Literatura da UFJF foi organizada pelo grupo de pesquisa Mídia e Literatura CNPq/UFJF, vinculado ao PPGCOM, e cadastrado na Pró-Reitoria de Extensão da UFJF, tendo como proposta central divulgar pesquisas sobre o entrelaçamento de produções jornalísticas, literárias e de outros campos culturais por meio de uma narrativa que se encontra em tempos de convergência. A Jornada teve apoio da Fapemig e reuniu pesquisadores de Minas Gerais, Rio de Janeiro e Rio Grande do Sul.

Direitos Humanos na tela de Vitória

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A 11ª edição da Mostra de Cinema e Direitos Humanos será aberta nesta terça, 9 de maio, em Vitória. Ao todo, serão exibidos 37 filmes no Cine Metrópolis/ Universidade Federal do Espírito Santo (Ufes). 

Nesta edição, o circuito principal conta com 29 filmes entre curtas, médias e longas-metragens, divididos em três mostras: Panorama, Temática e Homenagem – com foco na obra da cineasta Laís Bodanzky.

Uma das novidades deste ano é a Mostrinha, voltada para o público infanto-juvenil, na qual serão exibidos 8 curtas-metragens. A mostra é acessível, tendo duas sessões com audiodescrição, dia 12, às 14h , e dia 13, às 16h; duas sessões com closet caption, dia 11, às 14h e às 15h30. Além dessas, haverá ainda duas sessões com debates, nos quais serão abordados os temas “Racismo e Intolerância Religiosa” e “Gênero”, dias 11 e 12, após a sessão das 15h30. Todas as exibições serão gratuitas.

Para a Secretária de Cidadania e Direitos Humanos, Nara Borgo, o evento é muito importante não só para a capital, mas também para todo o Estado: “Esse é um tema que deve ser discutido cada vez mais com a sociedade”.

Segundo Nara Borgo, discutir o tema por meio da cultura faz com que as pessoas possam conhecer e refletir sobre o assunto, além de desfrutar de belos trabalhos artísticos: “É uma forma de valorizar a arte e sensibilizar para os direitos humanos”, diz a Secretária de Cidadania e Direitos Humanos.

A iniciativa é uma realização do Ministério dos Direitos Humanos e tem apoio da Prefeitura de Vitória.

Mostra Panorama

Na tela do cine Metrópolis, serão exibidos 17 filmes entre curtas, médias e longas-metragens, que contemplam aspectos como direitos das pessoas com deficiência, população LGBT/enfrentamento da homofobia, memória e verdade, crianças, adolescentes e juventude, pessoas idosas, população negra, população em situação de rua, mulheres, direitos humanos e segurança pública, proteção aos defensores de direitos humanos, direito à participação política, combate à tortura, situação prisional, democracia e Direitos Humanos, saúde mental, cultura e educação em Direitos Humanos.

Mostra Temática

Apresentará a questão de gênero. Para essa categoria, foram selecionados 7 títulos que abordam temas relacionados a mulheres, orientação sexual e identidade de gênero, como empoderamento feminino, violência contra a mulher, estereótipos de gênero, LGBTfobias, conquistas sociais, políticas e econômicas, o direito à igualdade e à não discriminação, dentre outros.

Mostra Homenagem

Tem como tradição homenagear cineastas cuja filmografia explora a temática Direitos Humanos, trazendo-a para o foco dos debates. A homenageada desta edição é a cineasta Laís Bodanzky, cuja obra tematiza um mundo onde todos possam se reconhecer e viver a igualdade e direitos de oportunidades. Cinco filmes da cineasta fazem parte da programação.

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Laís Bodanzky é a cineasta a ser homenageada em Vitória

Mais informações: 


 

Narrativas jornalísticas em debate na UFJF

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A ascensão de programas como o Profissão Repórter e A Liga provam: o fazer jornalístico vem se metamorfoseando cada vez mais no contexto da convergência. Além de o produto  ter-se diferenciado, também o perfil do profissional está mais multifacetado, e a forma de interação também mudou com o público estando cada vez mais ativo.

Para debater as narrativas jornalísticas que vêm surgindo nesse contexto e sua relação com outros campos culturais, o Grupo Mídia e Literatura, vinculado ao Programa de Pós-Graduação em Comunicação (Ppgcom) da Universidade Federal de Juiz de Fora (UFJF), promove a I Jornada de Mídia e Literatura – narrativas em tempos de convergência

Reunindo pesquisadores mineiros, gaúchos e cariocas, a Jornada da UFJF tem apoio da Fundação de Amparo à Pesquisa de Minas Gerais (Fapemig) e será realizada dias 8 e 9 de maio, das 9h às 17h, no Auditório da Faculdade de Comunicação (Facom).

Segundo a professora Cláudia Thomé, uma das coordenadoras da Jornada, o objetivo principal é promover o diálogo interdisciplinar entre pesquisas de Letras e de Comunicação num momento em que as duas áreas se aproximam ainda mais, em função das narrativas migratórias e convergentes: “O grupo pretende promover o debate sobre as narrativas literárias e midiáticas no contexto da convergência das mídias, a partir de seus deslizamentos de um meio a outro, e do fluxo de referências que as levam a um processo de mutação e de novas produções de sentido”, diz Cláudia.

Cláudia Thomé acredita que, além de divulgar as pesquisas do grupo, o evento é uma forma de proporcionar o debate interdisciplinar sobre a narrativa midiática. “Nós também temos a oportunidade de consolidar parcerias acadêmicas para uma futura rede de pesquisa, tanto com as professoras convidadas, quanto com a Faculdade de Letras da UFJF.”

Para os organizadores, a Jornada é uma forma de proporcionar o debate interdisciplinar sobre a narrativa midiática atual.

Programação e inscrições

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Luiz Ruffato estará na UFJF conversando e lançando livro novo…

A conferência de abertura caberá ao emérito escritor Luiz Rufatto, autor bastante conhecido e, natural da zona da mata mineira e com crônicas publicadas até no El País. O tema é “Navegação fluvial – do rio Pomba ao rio Tietê passando pelo rio Paraibuna…”.

A Jornada também contará com a participação da professora Sonia Cristina Reis, da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), que discutirá narrativas de pós-guerra na Itália; com a professora Fabiana Piccinin, da Universidade de Santa Cruz do Sul (Unisc), debatendo narrativas audiovisuais; e o professor Marco Aurélio Reis, da Universidade Estácio de Sá (Unesa-RJ), analisando narrativas jornalísticas e crônicas. 

As inscrições são gratuitas e podem ser feitas até segunda-feira, 8, através de um formulário online. Os participantes inscritos que tiverem o mínimo de 75% de frequência receberão certificado emitido pela UFJF.

Saiba mais: http://www.ufjf.br/ufjf/

UFSCar prepara sua XIV Feira do Livro

A Universidade Federal de São Carlos (UFSCar) vai realizar semana que vem a XIV Feira do Livro. Além da presença de editoras universitárias e comerciais oferecendo descontos de até 50%, a Feira também terá programação cultural, incluindo oficinas e palestras. Todas as atividades são gratuitas.

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Nesta edição, estarão presentes as editoras: 34, Aleph, Blucher, Boitempo, Carochinha, Cortez, Estação Liberdade, Expressão Popular, Girassol, Global, Grupo Companhia das Letras, Grupo Editorial Record, Junqueira & Marin, L&PM, Martin Claret, Rocco, UBU, Senac, Summus, Unesp, Vozes e Zahar, além da EdUFSCar.

Dentro da programação cultural, na terça, 9, às 14 horas, no Auditório 1 da Biblioteca Comunitária (BCo), acontecerá a primeira parte da oficina literária O conto segundo os escritores, ministrada por Wilson Alves-Bezerra, docente do Departamento de Letras (DL) da UFSCar. No mesmo dia, Rosana Pinheiro-Machado, docente visitante do Departamento de Sociologia da Universidade de São Paulo (USP), ministra a palestra Caos político: os desafios dos movimentos sociais e dos intelectuais na reconstrução do futuro, às 16h30, no Teatro Florestan Fernandes.

Dia 10, haverá duas oficinas: Desenhando letras: introdução ao lettering, com a arquiteta Juliana Ottaviani, às 14 horas; e Encadernação criativa, com a artesã Fernanda San Juan, às 16 h. E já no último dia da Feira, 11, às 14 h, será realizada a segunda parte da oficina literária O conto segundo os escritores. Essas oficinas também acontecerão no Auditório 1 da BCo. Finalizando a programação cultural, às 16 h, haverá sessão de autógrafos do livro Páginas latino-americanas, de autoria de Alves-Bezerra, na Livraria da EdUFSCar.

A XIV Feira do Livro da UFSCar é aberta ao público e pode ser visitada das 9h às 20h na área externa da BCo, localizada na área Norte do Campus São Carlos da UFSCar.

Mais informações: comercialedufscar@ufscar.br ou pelo (16) 3351-8927

Paul McCartney volta ao Brasil em outubro

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Paul McCartney, o idolatrado ex-Beatle, estará de volta ao Brasil em outubro !

McCartney vem com a turnê One On One e vai cantar na capital gaúcha dia 13 de outubro, no estádio Beira-Rio. As vendas de ingressos começam HOJE, 5 de maio, para clientes cartão ELO e 8 de maio para o público em geral. O Grupo RBS divulgará em breve sobre as áreas Premium a serem disponibilizadas para compra.

A nova turnê de Paul foi lançada nos Estados Unidos em 2016 com 41 apresentações em 12 diferentes países para um público de mais de 1.2 milhão de pessoas. Clientes cartão ELO terão pré-venda exclusiva para os shows de Porto Alegre, São Paulo e Belo Horizonte, entre os dias 5 e 6 de maio, começando às 0h01 do dia 5 pela internet (www.ticketsforfun.com.br), 10h na bilheteria oficial de Porto Alegre (sem taxa de conveniência – Estádio Beira-Rio), bem como nos pontos de venda espalhados pelo Brasil. As vendas para o público em geral começam a partir da 00h01 do dia 8 de maio pela internet e 10h nas bilheterias oficiais e pontos de venda. A turnê, no Brasil, é apresentada por Cartão ELO e tem realização de MPL, Marshall Arts, TIME FOR FUN e Planmusic.

One On One apresenta uma produção nova, utilizando áudios e vídeos de última geração para garantir uma experiência inesquecível ao público. Painéis de LED gigantes, lasers, fogos de artifício e uma seleção surpreendente das melhores canções escritas e interpretadas por Paul fazem parte do espetáculo. Cada show de Paul McCartney promete uma noite que transcende e eleva o potencial da música ao vivo.

Abrangendo toda a sua carreira – do trabalho mais antigo com The Quarrymen até sua mais recente colaboração com Kanye West e Rihanna –, bem como os tesouros mundiais do The Beatles, Wings e também sua carreira solo –, não faltarão surpresas em seus shows, ainda mais em 2017, ano em que o Sgt. Pepper’s Lonely Hearts Club Band, um dos discos mais emblemáticos da história do rock, completa 50 anos.

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Em sua primeira visita ao Brasil, em 1990, Paul estabeleceu um novo recorde mundial tocando para o maior público de shows: foram mais de 184.000 pessoas assistindo à sua apresentação no Maracanã, na capital carioca.

A última visita de Paul McCartney ao Brasil foi em 2014 com a turnê Out There, que teve todos os shows lotados. O notável músico também levará seus shows para São Paulo, Belo Horizonte e Salvador.

Mais informações: www.ticketsforfun.com.br

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PAUL McCARTNEY – ONE ON ONE TOUR

Apresentado por: Cartão Elo

Cerveja Oficial: Heineken

Realização: TIME FOR FUN

PORTO ALEGRE (RS)

Data: Sexta-feira, 13 de outubro de 2017.

Local: Estádio Beira-Rio – Av. Padre Cacique, 891 – Praia de Belas – Porto Alegre -RS

Abertura dos Portões: 17h30

Horário do show: 21h30
Capacidade: 49.500 pessoas
Ingressos: a partir de R$ 175 (ver tabela completa)

– Os clientes cartão ELO contarão com pré-venda exclusiva entre os dias 05 e 06 de maio de 2017,começando dia 05 – 00h01min pela internet e 10h na bilheteria oficial – e finalizando dia 06 de maio – às 23h59.

– O público em geral poderá adquirir os ingressos a partir do dia 08 de maio de 2017, começando 00h00 pela internet e 10h na bilheteria oficial.

– A compra poderá ser parcelada em até 5X para clientes cartão ELO durante o período da pré-venda exclusiva. Após o período de pré-venda, os clientes cartão ELO poderão parcelar a compra do ingresso em até 3X.

– Na venda geral, os ingressos poderão ser parcelados em até 2x (demais bandeiras de cartão de crédito)

– Será possível comprar até 6 ingressos por CPF na pré-venda ou venda geral.

– Na pré-venda para clientes cartão ELO será possível comprar apenas um ingresso meia-entrada por CPF.

BILHETERIA OFICIAL – SEM TAXA DE CONVENIÊNCIA

Estádio Beira-Rio – Av. Padre Cacique, 891 – Praia de Belas – Porto Alegre -RS

Domingo: Fechado.

Segunda-feira a sábado: das 10h00 às 18h00.

LOCAIS DE VENDA – COM TAXA DE CONVENIÊNCIA

Pela Internet: www.ticketsforfun.com.br

Taxas de conveniência e de retirada.

Pontos de venda no link: http://premier.ticketsforfun.com.br/shows/show.aspx?sh=pdv

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