UFJF põe Mídia e Literatura em pauta

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A Faculdade de Comunicação da Universidade Federal de Juiz de Fora realizou com êxito sua I Jornada de Mídia e Literatura, encerrada ontem, 9 de maio.

Durante dois dias, estudantes de pós e de graduação, professores de várias disciplinas e profissionais ligados às áreas de Letras e Comunicação estiveram em palestras e grupos de trabalho discutindo assuntos pertinentes ao momento atual de intensa ebulição nos processos comunicacionais, priorizando temas a partir do enfoque Narrativas em tempos de convergência.

Navegação fluvial: do rio Pomba ao Tietê passando pelo Paraibuna foi o título da palestra de abertura da Jornada, a cargo do jornalista e escritor Luiz Ruffato, que lotou o auditório da FACOM. Sem esconder que sofre de profunda timidez, o escritor mineiro de Cataguases, fez uma palestra onde informalidade, inteligência, interatividade e espontaneidade convergiram em belas palavras e francas sintonias.

“Estudar narrativas hoje é essencial para conhecermos a sociedade”, disse Ruffato logo no início de sua fala. O escritor  declarou ter compulsão por  reescrever seus livros, e conta que o mais recente trabalho – Inferno Provisório – é um relançamento: “A reescrita que fiz do Inferno Provisório foi uma tentativa de melhorar a partir do que percebi de retorno do leitor”.

Após a conferência de abertura, Luiz Ruffato conversou com o público em mesa que contou com os pesquisadores de sua obra, Rodrigo Cerqueira, doutor pela Faculdade de Letras da UFJF, e Michele Pereira, mestranda do PPGCOM/UFJ. O público fez diversas perguntas e Ruffato respondeu a todos com galhardia. Muito espontâneo, o escritor contou passagens de sua vida, da abordagem de leitores nas redes sociais e mesmo em encontros ao acaso, e disse que sempre o procuram para comentar as crônicas do jornal.

Com relação a questões polêmicas como imigração, Ruffato é taxativo: “No Brasil, somos todos imigrantes. É ridículo falar em xenofobia aqui: só uma pessoa muito burra pode ter esse sentimento no Brasil”, disse o escritor, afirmando que “se houvesse um movimento para tirar imigrantes do país, os primeiros a sair tínhamos que ser todos nós que chegamos tomando o lugar dos índios”.

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Luiz Ruffato e a importância do estudo de Narrativas…

Cronista com publicações semanais no jornal El País, Luiz Ruffato angariou aplausos e reafirmou sua imensa capacidade de sintonia com o leitor: “Meu objetivo é propor uma reflexão política, sendo que nas crônicas está minha opinião pessoal, Nos livros, é o leitor que tem de construir. Numa versão eu sou o cidadão, na outra eu sou o cara que promove a reflexão.”  E com seu jeito bem peculiar de escamotear a timidez, não deixou de ser bem sincero: “Queria encontrar alguém que me conhecesse pela leitura de meus livros…”, ao que se seguiram muitos risos. Afinal, Ruffato é autor de diversas obras, todas com amplo número de vendas no país – algumas já levadas ao teatro e ao cinema (como o premiado filme Redemoinho) -, e bela carreira (inclusive com muitos prêmios) no exterior.

Em seguida à palestra, Luiz Ruffato autografou Inferno Provisório, cujos exemplares, antes mesmo do final de sua fala, já estavam esgotados. O livro é uma edição da Companhia das Letras, e reúne, num único tomo, os cinco volumes do projeto que recria literariamente a história do proletariado brasileiro dos anos 1950 ao início do século XXI.

À tarde, os encontros começaram com apresentações do GT Narrativas Migratórias: Crônicas e Depoimentos Memorialísticos com mediação da professora Doutora Cláudia Thomé. Em seguida, o tema foi Narrativa Jornalística: novas funções e competências com mediação do professor Doutor Marco Aurélio Reis (Unesa- RJ).

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Dia seguinte, a manhã foi aberta com palestra da professora Fabiana Piccinin (Unisc) sobre Narrativas Audiovisuais e a circulação: o real construído pela mídia e pela audiência. Em seguida, a professora Cláudia Thomé enfocou a temática Deslizamento da crônica nos meios de comunicação, seguindo-se apresentações do GT sobre narrativas audiovisuais. Programas como o Globo News em Pauta e Jornal das Dez, ambos da Globo News, e Cidade Alerta, da Record, estão entre os programas jornalísticos tematizados por novas pesquisas de alunos da UFJF.

Na tarde da terça, os assuntos em pauta foram Narrativas do pós-guerra na Itália e a paratopia de Alberto Savínio, a cargo da professora Doutora Sônia Cristina Reis (Letras, UFRJ), seguindo-se palestra sobre Imprensa de Imigração e literatura italiana no Rio de Janeiro oitocentista, tendo como palestrante a professora Doutora Gisele Batista (Letras, UFRJ). E encerrando a jornada, foi a vez do GT Narrativas do pós-guerra na Itália, com mediação da professora Dra. Sônia Cristina Reis.

Outra palestra muito interessante foi a da professora Cláudia Thomé, coordenadora da Jornada, que falou sobre sua pesquisa de pós-doutorado, cujo foco é a crônica e sua trajetória no jornalismo. A atual pesquisa de Cláudia Thomé vem na sequência da publicação de seu livro Literatura de Ouvido, que é a concretização de sua tese de Doutorado, na qual o foco foram as crônicas da escritora Dinah Silveira de Queiroz para o rádio. Para realizar a pesquisa, Cláudia Thomé esteve vários dias em Fortaleza (cidade onde Dinah morou alguns anos pois foi casada com o embaixador cearense Dário de Castro Alves). Foi na capital do Ceará que Cláudia Thomé conseguiu ter acesso às crônicas escritas pela escritora de ‘Floradas na Serra’(1939), romance que tem por tema a vida dos tuberculosos em Campos do Jordão (a obra recebeu o Prêmio da Academia Paulista de Letras), e que chegou ao cinema em filme protagonizado por Cacilda Becker e Jardel Filho.

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Sobre a obra, publicada pela editora Appris (Curitiba, 2015), diz o professor Fred Góes: “Literatura de Ouvido é um livro que vai interessar não somente aos leitores das áreas das letras e das comunicações. É para o grande público. Ao trazer as crônicas de Dinah Silveira de Queiroz escritas para o rádio, amplia os estudos sobre essa forma literária tão brasileira, com fisionomia tão própria e plural, escrita pela grande maioria dos nossos escritores (prosadores, poetas e dramaturgos), como também abre uma nova perspectiva para a reflexão sobre a produção do rádio no Brasi”.

A I Jornada de Mídia e Literatura da UFJF foi organizada pelo grupo de pesquisa Mídia e Literatura CNPq/UFJF, vinculado ao PPGCOM, e cadastrado na Pró-Reitoria de Extensão da UFJF, tendo como proposta central divulgar pesquisas sobre o entrelaçamento de produções jornalísticas, literárias e de outros campos culturais por meio de uma narrativa que se encontra em tempos de convergência. A Jornada teve apoio da Fapemig e reuniu pesquisadores de Minas Gerais, Rio de Janeiro e Rio Grande do Sul.

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