Arquivo do mês: junho 2017

Alice Gonzaga conquista público e filme de Betse de Paula é ovacionado em Ouro Preto

Alice estreia - edit               Antes da pré-estreia em Ouro Preto , Alice Gonzaga concede entrevista                                                                          

                                                                                         *Aurora Miranda Leão

      A Mostra de Cinema de Ouro Preto, em sua 12ª edição, foi um momento bonito e importante para o Cinema. Com uma programação recheada por cursos, seminários, lançamentos de livros, exibições e debates, a CineOP foi aberta na noite de 22 de junho com uma solenidade marcada por homenagens, falas contra o desmanche da cultura e a permanente agressão aos indígenas.

No histórico Cine-Teatro Vila Rica, lotado, justas homenagens a quem tanto faz pelo cinema: o pesquisador Antônio Leão (com vários livros importantes e um trabalho de formiguinha feito sem nenhum apoio oficial), e a montadora Cristina Amaral (com extensa lista de grandes filmes no currículo); a entrega do Troféu Vila Rica à india Para Yxa Pi; a apresentação da índia Avelin Buniacá Kambiwá, e uma belíssima performance do Coletivo Negras Autoras. Podemos dizer que o tom da solenidade de abertura da CineOP pode ser resumido nas palavras de Para Yxa Pi: “No Brasil, todos temos sangue indígena – nas veias, no coração ou nas mãos. Qual é o seu caso?”

  Mas foi o documentário Desarquivando Alice que encerrou a solenidade oficial de abertura da CineOP, e o clima foi o esperado para um pontapé inicial de qualquer grande evento: risos, aplausos, comunicação imediata, farta e espontânea com o personagem-tema do filme de Betse de Paula.

Betse e Alice noite - edit

         Desarquivando Alice Gonzaga, mais recente documentário de Betse de Paula, tem a arquivista Alice Gonzaga como tema central (com poderosa consultoria do pesquisador Hernani Heffner) e apresenta imagens da protagonista desde a infância, quando fez pontas nos filmes da CINÉDIA – o primeiro estúdio de cinema do Brasil, propriedade de seu pai, Adhemar Gonzaga -, e que transformou-se na vida de Alice desde 71, quando a notável pesquisadora perdeu o pai. Entre cenas inéditas e preciosas, como um dos momentos de Alice Gonzaga esbanjando sua loura beleza ao lado do inesquecível Grande Otelo; o ‘arquivamento’ no cemitério; o véu de noiva tantas vezes usado e que “nunca teve casamento desfeito”; passagens que abordam a presença de Orson Welles no Brasil (foi Adhemar Gonzaga quem emprestou equipamento ao cineasta quando os estúdios americanos quiseram cercear sua atividade fílmica no Brasil) até a insólita queima de nitrato – que impressiona sobremodo a quem é da área audiovisual –, o filme caminha para um final apoteótico que enfatiza o empoderamento feminino protagonizado por uma intrépida Alice e captado por uma sensível e astuta Betse.

alice e telão - Cópia

 O filme começa e revela uma força notável: mesmo após a abertura impactante da CineOP com apresentações e falas de forte cunho político, Desarquivando Alice segue seu curso e envereda pelo universo da preservação, cada vez mais premente nos embates atuais pela relevância de que se reveste hoje o cultivo à memória. E o que se estabeleceu no Cine Vila Rica aquela noite foi uma imediata e notável sintonia com o público. Como bem diz o jornalista Adriano Garrett, “É preciso também destacar o quão prazeroso é acompanhar Alice Gonzaga em tela; a cada nova tirada bem-humorada ela nos faz esquecer temporariamente as deficiências da produção. Mais do que isso, na história dela está contido todo um imaginário do Brasil de ontem e de hoje, passando por temas como as dificuldades estruturais e culturais para mulheres atingirem posições de poder e chegando à preservação da memória de um país, algo que, é importante destacar, se deu no caso de Alice graças a uma vontade pessoal, longe de políticas governamentais.

      Ao criar uma dialogia com Alice Gonzaga, o público tomou conta daquela noite emocionante em Ouro Preto e foi, ele também, o centro das atenções na CineOP. Com olhares atentos, riso solto e gargalhadas permanentes, o que se viu/ouviu em Ouro Preto foi uma bela página de entrosamento filme-plateia-personagem, em que a diretora Betse de Paula saiu cercada de aplausos e assentimento.

       Em seguida a exibição, a Universo Produções anfitrionou uma bela festa com jantar generoso para participantes, realizadores, produtores e convidados. E esta foi um ótimo termômetro para confirmar o acerto do filme de Betse de Paula-Alice Gonzaga: o que mais se ouvia ali eram elogios fartos e emocionados para o Desarquivando Alice.

Betse e Alice OP edit

         Dia seguinte, no QG do Festival – organizado com prodigiosa eficiência pelas irmãs Fernanda e Raquel Hallack e sua Universo Produções – só deu Alice Gonzaga. E Betse de Paula. Ou seja: a dupla que teve a feliz ousadia de DESARQUIVAR o imenso patrimônio do Cinema Brasileiro através da CINÉDIA, marcou um gol de placa, consagrado pelas inúmeras manifestações de carinho, apoio e aplausos dos mais variados matizes: as muitas entrevistas que solicitavam Betse e Alice, os muitíssimos cumprimentos de quem passava pelas cercanias da Universo Produções, e as diversas críticas favoráveis que proliferavam por sites, blogs, programas de rádios, jornais e redes sociais. Como a do crítico Luiz Zanin Oricchio: “Alice Gonzaga, bem entrevistada por Betse, que mantém presença discreta no filme, revela-se uma cicerone das mais desembaraçadas sobre a história do cinema brasileiro e da sua própria família. Fala sem disfarçar do que gosta e de que não gosta. E conta uma história que é das mais apropriadas para um festival de cinema cujo foco é a preservação. Diz ela que um dia perguntou ao pai sobre o paradeiro de determinado filme e, impaciente, Adhemar lhe teria respondido que isso não interessava; estava preocupado com o próximo projeto e não com velharias. Com o futuro e não com o passado. […] Já perto do final da vida, ele muda de ideia. Diz que seria preciso recuperar tudo, pois ninguém podia adivinhar a quantidade de esforço presente em cada uma daquelas antigas películas que haviam produzido. ‘Acho que daí me meio o impulso para a recuperação de todo o nosso acervo’, diz Alice.”

elas fotografadas - edit

       Vale ressaltar que Desarquivando Alice já tem agenda para exibição no Festival Internacional de Cinema de Arquivo, que acontece em novembro, na capital carioca, honroso convite feito por seu curador, Antônio Laurindo.

        Exibir Desarquivando Alice na CineOP reverte-se numa belísssima e poderosa pré-estreia para um filme que tem tudo para ser exibido pelos quatro cantos do país e que coloca em evidência a atualíssima questão da Memória como potência sociocultural e elemento-chave para ressignificação do Patrimônio, tão necessário quanto mais precisa de atenção e cuidado.

Alice prefeito e Betse - edit

Até o prefeito de Ouro Preto surpreendeu ao encontrar Alice numa loja e se dizer encantado com o filme…  foto: Aurora de Cinema

Ao trazer à tona uma personagem emblemática, que é puro magnetismo e diante de quem não se pode passar despercebido – muito bem codinominada pelo jornalista Artur Xexéo como A Primeira Dama do Cinema Brasileiro –, Desarquivando Alice Gonzaga promove um banho de carisma, ao qual se adere instantaneamente e que constrói, de forma simples e ao embalo da espontaneidade, uma narrativa de pura imersão na memória do cinema brasileiro e avulta o empoderamento feminino que Alice Gonzaga representa, ainda que não tenha buscado isso como meta, mesmo que isso tenha se dado da forma mais inconsciente possível.

Alice e eles - edit

Tietando Alice Gonzaga: João Luiz Vieira, Ana Ballalais e Luis Alberto Rocha Melo…

   Por outro lado, ao evidenciar o empoderamento de Alice, Betse de Paula contagia o público e a sensação é de que todas nós, femininas e feministas, saímos do cinema empoderadas. Assim, ver Desarquivando Alice Gonzaga é tomar consciência do quanto pode a força de quem trabalha comendo pelas beiradas, com constância, poder de decisão e firmeza, e que influencia justamente por seguir adiante, como a água, sem enfrentar obstáculos mas aprendendo a contorná-los e, por isso mesmo, vencendo-os, devagar e sempre.

       Aplausos de pé para a tríade Alice-Betse-Desarquivando !

Alice Bet Hernani

Encontro de Cinema: Betse de Paula, Hernani Heffner e Alice Gonzaga em Ouro Preto…

Ao filmar Alice Gonzaga, Betse de Paula dialoga com Umberto Eco e agiganta nossa alma !

                                                                                                      *Aurora Miranda Leão

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Novo filme de BETSE DE PAULA abre esta noite a Mostra de Ouro Preto

“Já tá gravando, então volta que eu vou caprichar melhor !”

É assim que Alice Gonzaga diz para a cineasta Betse de Paula quando esta começava a gravar na CINÉDIA as imagens inaugurais com a notável pesquisadora para levar adiante o projeto do documentário DESARQUIVANDO ALICE GONZAGA, que esta noite abre a Mostra de Cinema de Ouro Preto.

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Alice é assim, uma mulher multicor, híbrida, uma composição de várias facetas, espontaneidade e bom humor sempre a postos !

Recebo o trailer que a AURORA CINEMATOGRÁFICA está a lançar no Vimeo e me emociono com a grandeza do filme que Betse de Paula realizou. E logo me vem as palavras de Edgar Morin:

“Literatura, poesia, cinema, psicologia, filosofia deveriam convergir
para tornar-se escolas da compreensão. A ética da compreensão humana
constitui, sem dúvida, uma exigência chave de nossos tempos de
incompreensão generalizada: vivemos em um mundo de incompreensão
entre estranhos, mas também entre membros de uma mesma sociedade, de
uma mesma família, entre parceiros de um casal, entre filhos e pais. […] A compreensão humana nos chega quando sentimos e concebemos
os humanos como sujeitos; ela nos torna abertos a seus sofrimentos e suas
alegrias. É a partir da compreensão que se pode lutar contra o ódio e a exclusão.”

Não, eu não vi o filme ainda, mas esse trailer super bem editado é o prenúncio de um documentário de escol, que tenho certeza, a cineasta carioca realizou.

Sabendo de antemão da qualidade artística de Betse, que tem filmes ótimos como a comédia Vendo ou Alugo e o precioso documentário sobre Sebastião Salgado – além de ter uma carreira marcada por aprendizados com mestres do quilate de Jean-Claude Carrière, Doc Comparato, Joaquim Pedro de Andrade, e Syd Field -, Betse de Paula coleciona prêmios. São estatuetas de vários festivais de cinema do país e também do exterior. Todas são prova da competência e vocação de BETSE de PAULA para a Sétima Arte.

Saber que Alice Gonzaga vai chegar em breve às telas de todo o país a bordo desse filme-emoção que é DESARQUIVANDO ALICE é por si só uma alegria. Constatar que minha amiga querida vai ganhar a telona pelas lentes e o olhar acurado de Betse de Paula é muito mais que uma alegria: é um chafariz a espargir emoção !

O que Betse de Paula conseguiu ao realizar um documentário sobre Alice Gonzaga tem uma grandeza que só pertence aos que militam no território da emoção.

O trailer da Aurora Cinematográfica tem pouco mais de 2 minutos mas tempo suficiente para revelar a riqueza da narrativa que Betse construiu sobre este Patrimônio Brasileiro que  é ALICE GONZAGA.

Captando cenas de Alice Gonzaga em casa, na rua, por entre suas milhares de pastas de arquivos de cinema e de cultura geral, e criando uma dialogia que é da personagem com diversas etapas de sua vida. Seja evidenciando o trabalho meritório do pioneiro Adhemar Gonzaga ou mostrando Alice no colo da mãe, e ainda menina participando dos filmes produzidos pelo pai e que poderiam ter iniciado uma bela carreira artística para a sapeca lourinha, Betse de Paula ressignifica a história do pioneirismo de Adhemar Gonzaga e evidencia a passagem do tempo com uma delicadeza só possível às grandes almas.

Ao captar os vários tempos de Alice, e editar o vasto material colhido com a sensibilidade que vai chegar ao ecrã, Betse protagoniza uma justa e emocionante Homenagem “a maior arquivista do Brasil”: referenda a atuação da Primeira Dama do Cinema Brasileiro e alça voo rumo a um lugar imbuído de magnitude, qual seja o de repartir história, consolidar conhecimento e reafirmar a força precípua da memória, aventurando-se no difícil território da delicadeza, que perfaz uma linha muito tênue com o pieguismo e a puxa-saquice, mas que, ao contar com a inteligência e a sensibilidade de Betse, converte-se outrossim em força de exemplar significação, muito além do que qualquer opinião precipitada possa supor.

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Alice Gonzaga e os preciosos arquivos da Cinédia…

DESARQUIVANDO ALICE reveste-se de relevância ainda maior porque se insere neste tempo de valores incertos e passageiros, de afetos descartáveis, de desatenção ao humano, de refração da memória, misto de insensibilidade, desconhecimento, desvalorização do permanente (ao invés do antigo), e avidez pelo novo que logo se esvai em busca de um novo mais novo.

A potência do documentário de Betse de Paula contrapõe-se exatamente ao caos informativo vivido na contemporaneidade, e que foi tão bem expresso pelo saudoso Umberto Eco:

“A abundância de informações sobre o presente não lhe permite refletir sobre o passado. Quando eu era criança, chegavam à livraria talvez três livros novos por mês; hoje chegam mil. E você já não sabe que livro importante foi publicado há seis meses. Isso também é uma perda de memória. A abundância de informações sobre o presente é uma perda, e não um ganho.”

Portanto, Desarquivando Alice é, de cara, um acerto porque reflete um ganho ! E Betse de Paula ao realizá-lo revela extrema coragem, tão mais forte quanto mais profunda porque sem alarde.

Nestes tempos em que a memória é aviltada ao correr do vento, Betse de Paula inscreve-se como cineasta que acredita na construção de afetos, valores e memórias, e proclama, através dos frames de seu “desaquirvo”, a força da delicadeza, a pertinência da sensibilidade, a necessidade da cultura, e o cultivo da tolerância. São esses os cânones de um cinema que ela realiza com maestria e o faz com a consciência de ser uma cidadã que empresta a seu cinema o lugar de repositório do belo, onde está inscrita a Arte Maior, da qual comunidade nenhuma pode abdicar, sob pena de elegermos motivos para a concretização de uma Sociedade de Poetas Mortos.

E, se a memória é nossa alma, como disse Umberto Eco, visitar a memória, promovê-la, dar a ela o lugar de Patrimônio que merece, é reavivar sua glória, declarar seu valor e a importância de sua preservação. Visitar a memória é aumentar a alma.

E o que Betse de Paula faz ao sublinhar a importância da memória através de Alice Gonzaga é agigantar nossa alma ! 

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Betse de Paula, Daisy Lúcidi, Alice Gonzaga e Natália Thimberg…

Com DESARQUIVANDO ALICE GONZAGA,, Betse de Paula afirma a eloquência do Cinema, confirma a Sétima Arte como lugar de fala necessário para a demarcação de territórios do sensível, e reafirma a importância das mulheres – a partir de Alice Gonzaga e dela mesma – para a construção de espaços nos quais a injustiça morra de sede, a ingratidão não saiba nadar, a injustiça capengue de inanição e a liberdade possar voar sem medo de ousar e ser feliz !

A Betse de Paula, nosso aplauso mais calorosos pela ousadia de seu cinema, e a Alice Gonzaga outros tantos aplausos pela sua não menor coragem de se expor para as lentes, sem mentiras – sem forjar uma Alice que não é, sem esconder ou negar suas idiossincrasias, suas opções, seu modo de ser e estar no mundo -, repleta de uma verdade que ela assume sem poses ou subterfúgios, e que, por isso mesmo, é uma mulher além de seu tempo !

 

Betse de Paula afirma: “Alice Gonzaga é um gigantesco google de papel, memória viva do nosso Cinema !”

Alice 2010 Conservatória

A noite da próxima quinta-feira será de festa na cidade mineira de Ouro Preto: naquela noite, a cineasta Betse de Paula estará lançando seu mais novo filme – DESARQUIVANDO ALICE GONZAGA – na sessão inaugural da décima-segunda edição da Mostra de Cinema de Ouro Preto – CineOP –, que será aberta àquela data em cerimônia oficial.

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Betse de Paula em noite de entrega do concorrido KIKITO…

Cineasta, produtora e roteirista premiada, desde a infância Betse de Paula vive às voltas com as artes. A família tem vasta tradição, formada por respeitáveis nomes do cinema, do teatro e da TV, como o pai, o cineasta e produtor Zelito Vianna; o tio Francisco (Chico) Anysio, um dos maiores nomes do humor brasileiro; a tia atriz e diretora teatral Lupe Gigliotti; a prima atriz e diretora de televisão Cininha de Paula; e os primos atores, dubladores e radialistas Nizo Neto, Lug de Paula e Bruno Mazzeo, além de ter sempre convivido com grandes nomes da arte brasileira, em especial do cinema, e em particular do Cinema Novo, que frequentavam a casa paterna, como Glauber Rocha, Mário Carneiro, Carlos Diegues e David Neves. Mas foi com o irmão, o futuro ator Marcos Palmeira, que Betse de Paula ainda criança teve a primeira aproximação ao mundo da arte, concebendo e dirigindo peças para o mano atuar.

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Betse de Paula com o irmão Marcos Palmeira no Programa do Jô

A carreira de Betse de Paula é marcada pelo refinamento da matriz cômica, em que atinge a maturidade e o reconhecimento crítico, com o sucesso de Vendo ou Alugo, e o aprofundamento de uma estratégia discursiva para o documentário.

Diretora de filmes importantes como O casamento de Louise e Celeste & Estrela, nos quais retoma elementos das chanchadas e os conjuga com o humor brasileiro contemporâneo (oriundo de programas como Brasil Legal), optando pela leveza do comentário e da ação em vez do escracho e do quiproquó, Betse funda em 97 a Aurora Cinematográfica, sua própria produtora de cinema.

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Betse de Paula com Marieta Severo e Natália Thimberg, protagonistas de seu premiado filme Vendo ou Alugo...

Acompanhando a voga do documentário como principal esteio de produção do cinema brasileiro contemporâneo, Betse de Paula ingressa no longa-metragem com o premiado Revelando Sebastião Salgado, o que lhe permitiu fixar uma linha de trabalho em torno de personagens novamente “enclausuradas”. Nos últimos anos, associou-se à voga das séries contemporâneas, desenvolvendo um longo projeto sobre os diretores de fotografia brasileiros. E outro sobre Guardiãs da Floresta, mulheres que com seu trabalho e modo de vida defendem a Floresta e o Planeta.

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Alice Gonzaga, por sua vez, conhece o mundo da Sétima Arte desde garotinha. Herdeira do jornalista e produtor Adhemar Gonzaga – pioneiro do cinema brasileiro, idealizador da lendária revista Cinearte e fundador da CINÉDIA, famoso e pioneiro estúdio de cinema fundado em 1930 – Alice dedica seu tempo e sua energia a preservar a memória da Cultura, em especial a do Cinema Brasileiro, De 1997 a 2013 desenvolveu incansável trabalho para salvar a filmografia da Cinédia, conseguindo feito inédito no campo da preservação e inspirando muitos outros produtores e realizadores a valorizar suas criações e sua permanência como patrimônio.

Desde que assumiu a condução da Cinédia, em 1971, após a morte do pai, Alice Gonzaga nunca deixou de trabalhar no arquivo documental, nutrindo-o com os acontecimentos do cinema brasileiro e mundial. E assim mais do que triplicou o tamanho do acervo recebido do pai, distribuindo a massa documental que continua a organizar sozinha por mais de 170 arquivos de aço, estantes e armários. Verdadeira fonte de prazer e senso de pertencimento a uma comunidade forjada por seu pai ainda ao tempo da revista Cinearte, o Arquivo Cinédia é atualmente o maior patrimônio documental do país sobre cinema em geral e cinema brasileiro em particular, cobrindo desde os primórdios até a atualidade, acumulando cerca de dois milhões de documentos.

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A ideia para um filme sobre Alice Gonzaga surgiu de um providencial encontro entre a diretora Betse de Paula e sua personagem durante o IV Anápolis Festival de Cinema, em 2014. No início do século XXI, Betse desenvolvera – em parceria com a roteirista Júlia Abreu – um projeto de longa-metragem de ficção sobre a realização do campeão de bilheteria O Ébrio nos estúdios da Cinédia, naquela época funcionando em São Cristovão. Jogada de Milhões nunca foi produzido e ao reencontrar Alice em Anápolis, Betse percebeu que poderia tratar do universo cinediano de outra maneira. Embora estivesse na cidade goiana para apresentar sua mais nova comédia dramática, Vendo ou Alugo, Betse de Paula se aproximara um pouco antes do documentário como uma linguagem que lhe permitia aprofundar certos aspectos de personalidades que lhe interessavam, como em Revelando Sebastião Salgado, seu primeiro documentário, premiado em Gramado e noutros festivais.O novo campo também lhe interessava por desafios de criação opostos aos da ficção, na medida em que tinha que lidar com o imponderável e a mudança constante dos parâmetros de filmagem.

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Alice Gonzaga no red carpet do Amazonas Film Festival ao lado do ator Rômulo Hussen…

Originalmente pensado como um longa centrado em conversas com Alice Gonzaga, Desarquivando Alice logo transformou-se no acompanhamento da rotina diária da incansável pesquisadora, que se conecta menos com a empresa e mais com seu trabalho cotidiano de recolhimento, organização, catalogação e arquivamento de milhares de documentos anuais relativos à atividade cinematográfica no Brasil. Betse descobriu no portentoso Arquivo Cinédia o cenário ideal para desenhar seu novo filme e um lado pouco conhecido daquela que foi chamada pelo jornalista Arthur Xexéo de “Primeira Dama do Cinema Brasileiro”.

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Alice Gonzaga e o curador do acervo Cinédia, o escritor e professor Hernani Heffner…

Certamente a biografia de Alice Gonzaga poderia se confundir com muitos momentos importantes que a cercaram desde os anos 30 do século passado, passando pelo contato com notáveis das artes, da política e da sociedade; poderia acompanhar sua carreira de jornalista, empresária, produtora e cineasta; poderia até mesmo desvendar um pouco do lado self-made-woman que caracteriza Alice desde que ela resolveu ter renda pessoal e trilhar um caminho próprio. Mas uma Alice Gonzaga no presente se impôs. Do alto de seus 82 anos, não havia como deixar de captar a energia, vivacidade e espírito da Sra. Cinédia.

E assim nasceu DESARQUIVANDO ALICE. Foram 10 encontros ao longo do ano de 2016, com Betse sempre seguindo Alice pelos corredores do arquivo, “com ela nos guiando por sua vida ao mesmo tempo em que arquivava os últimos recortes e nos mostrava tesouros da história familiar, da companhia e do cinema brasileiro.”

Um roteiro completamente diferente do que estamos acostumados, só interrompido pelo mergulho nas imagens e sons do tempo, muitos sugeridos por ela, outros descobertos pela produção. “Na medida que os encontros iam se sucedendo, ela vinha com mais informações, mais documentos, mais filmes. Já tínhamos formatado uma primeira montagem e Alice nos presenteou com imagens inéditas de sua primeiríssima infância. Cenas deliciosas dela bebê, com os pais e brincando na Cinédia ainda em formação. Mudamos tudo e poderíamos ter mudado outras vezes porque o arquivo é inesgotável”, comentou Betse com a montadora Dominique Paris ao final da edição.

O resultado final é um delicado equilíbrio entre as diferentes facetas de uma mulher extraordinária, com destaque para a produtora, a arquivista e a preservadora. Esta última persona talvez tenha sido a mais desafiadora e a mais importante, pois o acervo de filmes e documentos da Cinédia poderia ter tido o destino ingrato de tantas outras iniciativas do cinema brasileiro, não fosse a determinação de cuidar, de preservar, de transmitir que Alice teve, ao procurar os filmes, restaurá-los duas vezes e zelar por sua preservação. “Desarquivar Alice foi também desarquivar um pouco dessa história oculta”, afirma a diretora, emocionada.

Agora é marcar a passagem para Ouro Preto e correr pro abraço em Betse de Paula e Alice Gonzaga, duas fortalezas do Cinema Brasileiro !

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Betse de Paula com a família: o mano Marcos Palmeira, a mãe Vera e o pai Zelito Vianna

Latorraca, Milton Nascimento, Wilker e Caetano vão às ruas por Diretas Já !

Os Dias eram assim irrompe em grito de liberdade com denúncias fortíssimas contra o binômio opressão-corrupção

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Sophie Charlotte: Alice num país que não tem nada de Maravilha…

                 Ela é bela e jovem, filha de um grande empresário e mora na zona sul carioca. Transgressora, Alice foi criada sob o tacão da repressão paterna ao tempo em que as agruras da ditadura davam as cartas. Apaixona-se por um jovem médico idealista. Paixão correspondida, a garota vive lindos momentos de descoberta ao lado de Renato, filho mais velho de uma família de classe média. Os pais querem a filha casada com um jovem ‘almofadinha’, que se finge de grande apaixonado por ela, mas apenas almeja tornar-se herdeiro da grande fortuna do sogro. Sem conseguir demover Alice da ideia de abandonar o romance com o médico, que passa a ser perseguido pela polícia por conta do irmão (visto como subversivo), o pai de Alice arma um plano aviltante – com o futuro genro e o delegado mais próximo -, e consegue interromper o vinculo afetivo entre Alice e Renato.

Para Alice, a história oficial diz que o noivo morreu. Até enterro fictício foi feito e a garota passou anos a chorar a morte do grande amor. Por sua vez, Renato, que saiu do país e viveu anos exilado no Chile, guarda o triste rompimento como um trauma gigantesco, nunca totalmente superado. Um não sabe que narrativa foi contada ao outro.

O fato é que, quase 10 anos depois, já no início dos anos 80, ambos estão no Brasil, e são dois corações com uma profunda chaga causada pelo regime ditatorial que manchou a história política brasileira. Renato quer reencontrar Alice para tentar entender porque ela nunca foi ao encontro dele no Chile, conforme havia sido combinado. Alice retorna ao país para enterrar o pai, e, na sequência, volta novamente após brigar com o marido (que a trai descaradamente, é violento, repressor, grosseiro e machista), de quem quer a separação oficial. Mas ela tem 2 filhos de Victor e tem medo que ele consiga a guarda das crianças na Justiça – naquela época, mulher separada ainda era um anátema para as famílias tradicionais. O primogênito é filho de Renato: Victor sabe disso e assim o menino, para ele, é sempre um renovar da certeza de que o grande amor de Alice nunca foi ele.

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Em linhas gerais, é essa a trama de amor de Os Dias Eram Assim, a supersérie que a TV Globo exibe no horário das 22:30h, e que é um notório marco divisor na história da Teledramaturgia Brasileira. A outra trama, a correr em paralelo à história de amor – pois assim se organizam as narrativas teleaudiovisuais desde sempre – é a ditadura que imperou no Brasil, tematizada aqui a partir do ano de 1970.

Já escrevemos outras vezes aqui no #blogauroradecinema sobre o imenso potencial dramático de #osdiaseramassim e sua importância singular para a história da nossa Teledramaturgia, que se reveste de uma relevância ainda maior se a entendemos inserida no conturbado contexto histórico que o Brasil atravessa agora.

Por conta de tudo isso, esperamos que você, leitor amigo do #blogauroradecinema, esteja acompanhando a antológica série da TV Globo. Caso ainda não o esteja fazendo, sugerimos que veja os capítulos já exibidos na telinha através do aplicativo #GloboPlay, e não deixe de acompanhar este grito de denúncia e revolta tantos anos calado, que a teledramaturgia agora vem e redimensiona com toda a excelência de um país que produz a melhor Teledramaturgia do mundo.

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Cássia Kiss e Carla Salle: mãe e filha enterram um morto que não existiu…

OS DIAS ERAM ASSIM é um libelo em defesa da LIBERDADE ! Irmão siamês de um clamor que se ouve nas ruas do pais por DIRETAS JÁ, Fora Temer, Xô Corrupção !

Os Dias eram assim soa como o grito que todos os brasileiros de bem carregam no peito hoje, a procurar guarida e ressonância que apontem para uma forma de escapar do lamaçal que assola o país, onde decência, dignidade e ética parecem estar de eternas férias. Somos vítimas de um enredo que se abastece cotidianamente nas malhas da corrupção, desmandos na esfera política, desvio de verbas, obras inacabadas, e aviltamento da cidadania a escorrer noite e dia dos noticiários que proliferam nas redes sociais. Outrossim, explodem vozes em uníssono por todas as praças do país contra a malfadada representação política instalada no centro do poder, e um desejo muito intenso por mudança parece buscar respaldo num porvir que nos aponte algum atalho para se voltar a respirar sem tantos sobressaltos.

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Daniel de Oliveira, Antônio Calloni e Marco Ricca: personagens são parceiros na repressão

A razão de tudo isso tem uma filiação clara e inequívoca com as cenas que a supersérie OS DIAS ERAM ASSIM mostram com riqueza de detalhes e estrondosa competência. Cada capítulo da obra é para ser observado com a maior atenção e, felizmente, o #globoplay está aí para que possamos ver e rever capítulos e cenas para apurar as sensações, reavivar significações e entender melhor o que no Brasil de hoje é herdeiro direto do país de ontem. Entender para saber prospectar e não mais vacilar.

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Ontem como Hoje: o  povo pede DIRETAS JÁ !

Nesse sentido, a TV Globo vai ainda mais fundo ao exibir, no mesmo período, a novela Novo Mundo, atração das 18h (outra obra primorosa com texto de Thereza Falcão e Alessandro Marson, e direção notável de Vinícius Coimbra). Esta tem como foco o Brasil do Primeiro Reinado com toda a sua carga de tristes estigmas: a escravidão, a opressão à mulher, a repressão à imprensa, a perseguição aos índios, e o aviltamento da classe trabalhadora. Portanto, a emissora carioca está com ícones em sua programação que nos mostram o país que éramos e o Brasil que fomos, cardápio ideal para se pensar com mais clareza (acuidade que as imagens nos propiciam com inquestionável força) que país estamos construindo e para onde queremos ir. Se a esse leque propiciado pela teleficção acrescentarmos os telejornais da programação – Bom Dia Brasil, Jornal Hoje, Jornal Nacional e Jornal da Globo –, teremos então diante de nossos olhos e ao dispor de nossa argumentação uma narrativa que se tece em várias tramas paralelas, mas que compõem, todas juntas, um intrincado painel de analogias/simetrias/sincronias aglutinador da vida nacional e com inegável potencial de significado, capaz de tornar mais nítido o estado caótico atual em que está mergulhado o Brasil.

Esse mesmo de que nos fala Caetano Veloso em seus Podres Poderes, que encerrou o capítulo dessa quinta, 14 de junho (feriado de Corpus Christ) de forma arrepiante:

Será que nunca faremos senão confirmar
Na incompetência da América católica
Que sempre precisará de ridículos tiranos?
Será, será que será que será que será,
Será que essa minha estúpida retórica
Terá que soar, terá que se ouvir por mais zil anos?

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Gabriel Leone é o ‘subversivo’ Gustavo, vítima dos horrores de um tempo cruel…

Assistir à supersérie Os Dias eram Assim é bem mais que reiterar nosso gosto pela teleficção audiovisual, e muito além de apreciar uma obra cheia de qualidades, merecedora de muitos Prêmio EMMY. Assistir à Os Dias eram Assim não é apenas incluir mais uma minissérie no seu currículo de telespectador: é um Exercício Cívico que cada brasileiro deve assumir com a consciência de estar se permitindo o direito de conhecer e/ou entender melhor o significado dos anos de repressão que assolaram o Brasil por mais de duas décadas. É conscientizar-se do profundo mal que o estado de exceção causou na formação sócio-cultural do país para entender que todos, juntos, precisamos saber para definir; entender para não mais permitir que se ande para trás; para que nunca seja possível reviver; para que se caminhe na direção de um país livre, de fato e de direito,  não só da barbaridade da ditadura, mas dos desmandos da corrupção, dos desatinos da classe política, dos desvarios dos que se acham melhores – por condição econômica, classe social, etnia ou subjetividade de qualquer matiz -, dos absurdos da violência, da repressão, da covardia, dos preconceitos (de toda ordem), e da omissão injustificada.

Um aplauso muito afetuoso e entusiasta a todos quanto fazem esta obra-prima que é

         OS DIAS ERAM ASSIM !

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Atores de Os Dias mesclam narrativa ficcional e realidade ao sair as ruas por DIRETAS JÁ !

Cinemas de Juiz de Fora ganham importante registro em livro

livro Cine SL
O dia era 15 de julho de 1955 e o filmeRebelião no Presídio, do diretor Don Siegel*. Comerciantes, industriais, jornalistas, gerentes de banco e radialistas estavam entre os elegantes espectadores na primeira sessão de Cinema do histórico Cine São Luiz, em Juiz de Fora. Essa data marcou uma longa história de muitas sessões de cinema, grande afluência de público, e exibições dos mais diversos títulos, capazes de agradar a todo tipo de plateia.
E não seria para menos: afinal, desde sua abertura, naquela noite de 15 de julho até 2004, foram mais de 50 anos de funcionamento, tempo no qual diversas gerações se revezaram nas poltronas confortáveis do cinema que era espaço tradicional de cultura na cidade mineira da Zona da Mata.

Outrossim, esse Cine São Luiz – espaço relevante do cotidiano cultural de Juiz de Fora -, agora poderá ser revisitado em livro: a importância do São Luiz, um dos mais emblemáticos cenários de lazer e cultura da mineira JF, é o foco do livro Os Cinemas de Rua de Juiz de Fora – Memórias do Cine São Luiz, com lançamento grifado para a próxima quarta, 14 de junho, às 19h30, na Planet Music (Rua Moraes e Castro, 218 – Alto dos Passos, JF).

Viabilizada com financiamento da Lei Murilo Mendes de Incentivo à Cultura, mantida pela Prefeitura de Juiz de Fora (PJF) e gerenciada pela Fundação Cultural Alfredo Ferreira Lage (Funalfa), a publicação apresenta detalhada historiografia do antigo cinema, realizada por Christina Ferraz Musse, Gilberto Faúla Avelar Neto e Rosali Maria Nunes Henriques, todos ligados ao grupo de pesquisa Comunicação, Cidade e Memória, do Programa de Pós-Graduação em Comunicação da Universidade Federal de Juiz de Fora (UFJF).

A ideia do livro nasceu da vontade de seus autores de preservar esse importante momento da cultura juizforana para a posteridade, resgatando e registrando a memória do cinema por meio de relatos orais de frequentadores e ex-funcionários, incluindo vasto material de pesquisa em documentos e acervos.

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Prédio do antigo Cine São Luiz, no centro de Juiz de Fora…

O livro retoma parte da história da Praça da Estação, cenário no qual estava inserido o lendário Cine São Luiz, num prédio com características art déco, destoando do restante do conjunto arquitetônico da região.

Concebido arquitetonicamente com padrões de luxo e conforto, o saudoso cinema podia comportar até 900 espectadores. Diferente do que possa imaginar alguém de uma geração que não frequentou o tradicional cine juizforano, aquela tela se fazia de fato democrática: por ela passaram diversos filmes e todos os gêneros estiveram representados.

Segundo os estudos e pesquisas da trinca Christina Musse, Gilberto Avelar e Rosali Henriques, até 1959 o Cine São Luiz exibia, predominantemente, dramas. Já nos idos de 1960. a tela era mais frequentada por películas bíblicas e de aventuras. Na década seguinte, o drama voltou a ser o gênero com maior número de exibições e, somente a partir dos anos 80, a pornochanchada e os filmes pornográficos começaram a também aparecer na telona e ganhar público.

O livro estará à venda por R$ 20 na noite de lançamento, ou pode ser adquirido diretamente com os autores, por meio do e-mail musse@terra.com.br

* DON (Donald) SIEGEL foi um cineasta americano, nascido em Chicago, Illinois, em 1912, e falecido na Califórnia em 1991. Em 1956, o cineasta realizou o clássico filme B Vampiros de Almas (Invasion of the Body Snatchers), angariando reputação de realizador de excelentes trabalhos, mesmo com limitações de orçamento e produção. Siegel dirigiu também o último filme de JohnWayne, o western clássico O Último Pistoleiro (The Shootist, 1976). Entre seus inúmeros trabalhos na televisão, destacam-se dois episódios da série Além da Imaginação (The Twilight Zone), “The Self-Improvement of Salvadore Ross” e “Uncle Simon”, além de longas-metragens e episódios para diversas outras séries, como Destry, The Lloyd Bridges Show, Bus Stop e The Legend of Jesse James.

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Vampiros de Alma, o mais conhecido filme de Don Siegel…

Sobre o clássico Vampiros de Alma, escreveu o crítico L.G. de Miranda Leão:
“Ao contrário da maioria das histórias de FC, ´Vampiros…´ não nos mostra espaçonaves ou engenhos de galáxias distantes, tampouco marcianos ou monstros horrendos vindos para invadir a Terra. O poder maligno agindo por trás de tudo sequer é visto ou sugerido, mas apenas imaginado pelo leitor-espectador atento: não se sabe quem é nem de onde veio. O objetivo dos invasores é a dominação dos EUA e depois, provavelmente, do planeta. Serve-lhes de cabeça-de-ponte a pequena cidade de Santa Mira, no interior da Califórnia e a invasão se faz através.de misteriosas sementes vindas ´out of the sky´, como diz a certa altura o Dr. Miles Bennel (Kevin MacCarthy, nada a ver com o Senador citado), personagem central. Essas sementes se transformam em enormes vagens, as quais são depositadas no interior das casas para se reproduzirem como formas humanas idênticas, absorver-lhes as memórias e o pensamento crítico, transformá-las em zumbis ou robôs de outra era. Para isso basta caírem no sono as pessoas para cujos corpos as vagens se destinam. Quem não estiver ´acordado´, quem dormir, terá seu corpo tomado por uma réplica vinda de fora. ´Não há dor alguma´, diz o psiquiatra, agora um dos ´transformados´… Gera-se então a desintegração do ´original´ – um novo ser, desprovido de medo, sentimentos, ambições, sem emoções de espécie alguma, apenas com o instinto de sobrevivência e de obediência cega a entidades superiores. 

[…] Em suma, Vampiros de Almas é pequena jóia dos anos 50 não apenas para colecionadores de clássicos mas também para os amantes do bom cinema.”

*L. G. de Miranda Leão, crítico de Cinema e professor universitário, autor dos livros Analisando Cinema (Coleção Aplauso/Imprensa Oficial de SP), e Ensaios de Cinema (edições BNB/BNDES).

Catanduva perde Salim Muchiba…

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João Elias conquistou o público com seu humor, a partir da Escolinha do Professor Raimundo…

O humorista João Elias nos deixou ontem. Natural da querida cidade de Catanduva (SP), ele estava internado há 90 dias no Hospital Padre Albino, onde teve um acidente vascular cerebral (AVC) durante uma cirurgia vascular de carótidas.  Elias já se recuperava no quarto, quando o quadro de saúde piorou e foi preciso voltar para a Unidade de Tratamento Intensivo (UTI).

A carreira de João Elias começou no rádio, anos 50. Além de humorista, ele também era pintor e escreveu sete livros. Casado há 46 anos, João Elias deixa três filhos e três netos.

O sepultamento de João Elias acontece neste momento no Cemitério Nossa Senhora de Fátima, em Catanduva.

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Reproduzimos a seguir texto do jornalista Felipe Boso Brida, amigo e conterrâneo do artista:

             Faleceu na noite desta sexta-feira, aos 72 anos, o ator e humorista brasileiro João Antônio Elias de Oliveira, mais conhecido como João Elias. famoso por interpretar o personagem de Salim Muchiba na Escolinha do professor Raimundo (de 1991 a 2000), repetindo o personagem na ‘Escolinha do barulho’ e na ‘Escolinha do Gugu’. Radialista, pintor e escritor, Elias faleceu vítima de problemas cardíacos. Era natural de Catanduva, descendente de turcos e árabes, e viveu até o fim da vida na cidade natal. Era casado, pai de dois filhos. Ao lado do falecido amigo e ator Marcos Plonka (o Samuel Blaunstein, da Escolinha) fizeram centenas de shows humorísticos pelo Brasil afora.

Publicou 7 livros de piadas e contos.      

* Texto gentilmente cedido pelo colega Felipe Boso Brida, crítico e professor de Cinema, conterrâneo do humorista João Elias.

 

Euclides Moreira Neto autografa hoje livro-homenagem aos 40 do Guarnicê !

Euc livro Guarnecendo Memórias. Este é o título do livro-homenagem que o professor/cineasta/pesquisador Euclides Moreira Neto autografa esta noite no Centro de Criatividade Odylo Costa Filho, no aconchegante centro histórico de São Luis, a partir das 18h.  A noite de autógrafo integra a programação dos 40 anos do Festival Guarnicê de Cinema, do qual o professor Euclides Moreira foi o mais profícuo dos coordenadores.

O livro foi lançado no último dia 2 de junho com apoio da Universidade Federal do Maranhão e do Instituto Guarnicê por ocasião da solenidade de abertura do Festival Guarnicê.

Guarnecendo Memórias é assinado pelo jornalista, Mestre em Comunicação Social e doutorando em Estudos Culturais pela Universidade de Aveiro (Portugal), Euclides Moreira Neto, que participou efetivamente das 31 primeiras edições do referido festival, como concorrente e coordenador, posteriormente. O livro Guarnecendo Memórias reúne 26 depoimentos primorosos de protagonistas do festival audiovisual maranhense, os quais relatam experiências e momentos singulares propiciados pelo Festival Guarnicê. Entre os colaboradores, nomes muitos atuantes no meio cultural maranhense e brasileiro, tais como Alice Gonzaga, Joaquim Haickel, Murilo Santos, Cecília Leite, Aurora Miranda Leão, Amélia Cristina, João Ubaldo de Moraes, Breno Ferreira, Nerine Lobão e Mário Cella.

Falando sobre o livro, o Chefe do Departamento de Comunicação Social da UFMA, Protássio Santos, afirma: “A cada ‘capítulo’ o tempo salta e envolve o leitor, ‘levando-o a reviver todo um diálogo onde o autor e os demais convidados, que violaram suas memórias dando depoimentos primorosos, são protagonistas e narradores”. O professor Doutor Protassio diz ainda que os relatos descritos em Guarnecendo Memórias nos dão a certeza de que o que aconteceu em São Luís por conta do Guarnicê – nas décadas de 70, 80 e 90 do século passado e nos primeiros anos deste século -, “não são coisas do passado e sim a história viva e aguerrida de grande significado atual para nós que vivemos e fazemos a cultura deste estado”.

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Aurora Miranda Leão e Euclides Moreira Neto: amizade nascida no Guarnicê…

E conclui: “Euclides Moreira Neto nos permite, com suas lembranças e “outros  testemunhos férteis”, ver a vida como “uma peça em andamento”, e “fazer o hoje melhor do que o ontem que não conseguimos realizar”. O livro Guarnecendo Memórias nos faz confrontar sentimentos e lutas que ainda habitam em nós, finaliza o professor Protássio Santos, titular do DCSo/UFMA.

RESGATE E HOMENAGEM

Euclides Moreira Neto conta que quando decidiu escrever o livro, o sentimento que lhe moveu foi o de trazer à tona lembranças de fatos e acontecimentos que vivenciou durante sua trajetória na comunidade acadêmica, a qual ele dedicou toda sua competência como gestor público, fazendo da UFMA uma referência no campo cultural nas décadas de 1980, 1990 e nos primeiros anos dos anos 2000, quando aquela Instituição de Ensino Superior era vista como vanguarda no movimento cultural maranhense e do Nordeste.

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Euclides Moreira Neto faz importante resgate histórico do cinema no Maranhão…

Além disso, Euclides diz ter se sentido provocado a prestar contas de sua atuação como gestor e das cumplicidades vividas no campo acadêmico com pessoas de todas as áreas de atuação. Por isso, ao convidar tantos amigos para expressarem suas impressões em relação ao Guarnicê, Euclides também se viu imbuído da ideia de homenagear aqueles tantos com quem partilhou momentos, alegrias, ideias e projetos audiovisuais, eles todos irmanados como construtores de sonhos.

Quando o festival Guarnicê foi criado, em 1977, só havia 2 universidades no Maranhão, a UFMA e a UEMA, e em nenhuma dessas havia cursos ligados ao audiovisual, por isso o festival assumiu um papel vital para manter vivo o movimento audiovisual em terras maranhenses.

Guarnicendo Memórias, lançado pelo selo da editora da UFMA (EDUFMA), tem 376 páginas, e sua primeira edição está sendo impressa na Gráfica Minerva com prefácio do também jornalista e pesquisador de cultura popular, Herbert de Jesus Santos, que afirma em seu depoimento: “Desejamos que Guarnecendo Memórias atinja a culminância traçada pelo seu idealizador, já ele, por assim dizer, sabatinado nos versos do alteroso “I-Juca-Pirama”, ou o monumental poema épico americano, de Gonçalves Dias, colocando voz no chefe Timbira para o guerreiro Tupi: “(…) Dize-nos quem és, teus feitos canta,/ou se mais te apraz, defende-te! (…)”, ou, no popularizado e, também, demasiadamente, repetido, por nós: “Diga com quem andas, e eu te direi quem és!”.

Para Herbert, há muitos outros ditos da coleção maranhense nos quais se pode encaixar, perfeitamente, este entusiasta e reluzente Guarnecendo Memórias, de Euclides Moreira Neto. Mesmo ele, modestamente, avisando aos navegantes que “O tema não se encerra com essa narrativa, porém, que ela seja motivadora, para que outras narrativas venham à tona e delas surjam frutos benéficos para outros se inspirarem”. E arremata: “O Mundo é minha provocação!”.

*O conteúdo do novo livro de Euclides Moreira Neto já está disponibilizado ao público pela plataforma digital da Editora EDUFMA.

Theatro lotado menor

Theatro Arthur Azevedo, Patrimônio do Maranhão, lotado em noite de Cinema na edição Guarnicê 2008…

SERVIÇO 

O QUÊ: Noite de autógrafos do livro Guarnecedendo Memórias

QUANDO: 09 de junho de 2017, às 18 horas

ONDE: Centro de Criatividade Odylo Costa Filho – Centro Histórico de São Luís.

Com depoimentos de: Alice Gonzaga, Amélia Cristina, Aurora Miranda Leão, Arly Arnaud, José Guterres Filho, Joaquim Haickel, Mário Cella, Murilo Santos, Cecília Leite, Luís Carlos Cintra, Bertrand Lira, Breno Ferreira, Joaquim Santos, Miguel Veiga, Francisco Colombo, Nerine Lobão, João Ubaldo de Moraes, Fábio Eneas, José Maria Eça de Queiroz, Raimundo Nonato Medeiros, Renato Alexandre Ferreira, Frederico Machado, Ralf Tambik, Wilson Chagas, Celso Brandão, Isa Albuquerque e outros.

ENTRADA FRANCA

 

Filme de Betse de Paula sobre Alice Gonzaga abre mostra em Ouro Preto

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Alice Gonzaga, Primeira Dama do Cinema Brasileiro, estará na telona de Ouro Preto, captada pelas lentes preciosas da cineasta Betse de Paula…

A cineasta carioca Betse de Paula apresentará em pré-estréia mundial na abertura da 12ª. Mostra de Cinema de Ouro Preto – CineOP, mais importante festival dedicado à memória cinematográfica do país, seu mais novo projeto, o longa metragem Desarquivando Alice Gonzaga. Documentário finalizado em 2K, a produção da Aurora Cinematográfica, empresa originalmente brasiliense que está completando 20 anos de fundação, aborda a vida e a carreira de uma das grandes personalidades do cinema brasileiro, a empresária e preservadora audiovisual Alice Gonzaga.

Rodado ao longo de 2016, Desarquivando Alice Gonzaga revela um lado pouco conhecido da diretora da Cinédia, famoso e pioneiro estúdio de cinema fundado em 1930 por seu pai, o jornalista, produtor e cineasta Adhemar Gonzaga. O filme explora seus relatos de memória – pessoal, familiar e em torno do cinema brasileiro que conheceu e vivenciou junto ao estúdio. E o seu trabalho solitário e cotidiano de arquivar a história do cinema, sob a forma de recortes, fotos, cartazes, cartas e outros registros reunidos no lendário e pouquíssimo visto “Arquivo Cinédia”, gigantesco repositório documental iniciado em 1914 e ainda alimentado nos dias atuais.

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Betse de Paula, cineasta premiada em diversos festivais, estará em Ouro Preto para lançar filme sobre a pesquisadora/produtora Alice Gonzaga.

Em uma rara incursão a esse grande tesouro cultural desconhecido do país, cenário de grande parte do filme e fruto direto de sua persistência, tenacidade e compromisso, a narrativa leve e descontraída de Desarquivando Alice acompanha Alice Gonzaga em sua paixão e relação com a memória, com a organização do passado, pessoal, familiar e corporativo, e com sua preservação para gerações futuras. Bem humorada, vaidosa, sem papas na língua, a personagem comenta também o papel e a posição da mulher que, vinda de uma era machista, sexista e preconceituosa, precisou de uma “autorização para comerciar”, mas soube se impor como empresária, realizadora, produtora, pesquisadora, escritora e preservadora.

O trabalho de conservação e restauração da filmografia da Cinédia e da família Gonzaga rende descobertas e momentos preciosos, desde as imagens do bebê Alice, feitas pelo famoso diretor de fotografia Edgar Brasil, até os raríssimos registros de bastidores dos estúdios de São Cristóvão em sua época de ouro. O material de arquivo, oriundo da era da película, foi digitalizado em alta definição e recebeu tratamento especial de som e imagem, sem retirar o toque de época que Alice tanto preza e preserva. Entre as pérolas estão clips de filmes clássicos como Alô, Alô, Carnaval, registros das famosas feijoadas nos anos 1970 e até momentos dramáticos como a queima dos nitratos originais em 1986 e a enchente que ameaçou o acervo até então restaurado.

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Germano Pereira, Alice Gonzaga, Rubens Ewald Filho e Aurora Miranda Leão

No dizer de sua diretora, Desarquivando Alice Gonzaga não é propriamente uma cinebiografia, mas um auto-retrato composto em grande medida pela própria personagem principal. Uma investigação sincera de um dos grandes ícones por trás das câmaras, na trajetória do cinema brasileiro. Alice conheceu várias gerações de técnicos, realizadores, artistas, distribuidores, críticos e exibidores, convivendo com personalidades como Carmen Miranda, Luís de Barros, Oswaldo Massaini, Francisco Alves, Gilda Abreu e Humberto Mauro, entre centenas de nomes, e traz um relato vibrante de uma cinematografia que teimou em se impor às adversidades.

Ainda sem data de lançamento no circuito comercial, Desarquivando Alice Gonzaga percorrerá inicialmente o circuito de festivais, promovendo também a causa da preservação audiovisual, que tem em sua pessoa uma das encarnações vivas da luta contra o esquecimento e a destruição do patrimônio cinematográfico brasileiro.

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Mulheres de Cinema: Betse de Paula, Daisy Lúcidi, Alice Gonzaga e Nathália Timberg…

SERVIÇO

Pré-estreia do filme DESARQUIVANDO ALICE

Documentário de Betse de Paula

Com Alice Gonzaga

Quando: abertura da 12ª CineOP

            22 de junho, às 20:30h

ONDE: Cine Vila Rica, em Ouro Preto

ENTRADA FRANCA

Junho de Cinema em Ouro Preto

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A décima-segunda edição da CineOP – Mostra de Cinema de Ouro Preto será realizada de 21 a 26 deste mês na cidade histórica mineira. 

A CineOP insere-se no cenário da cultura produtiva como espaço privilegiado de discussão sobre a produção audiovisual brasileira a partir de seus aspectos históricos e estéticos e das formas como o passado influi no presente e aponta caminhos para o futuro.

Nestes dias de junho, Ouro Preto, cidade patrimônio da humanidade, vai ser palco da sétima arte e receberá profissionais do audiovisual, pesquisadores, críticos, acadêmicos, preservadores, jornalistas, representantes de entidades de classe e o público em geral para conhecer, discutir, dialogar, pensar o cinema como patrimônio de uma nação.

O eixo temático desta edição é Quem Conta a História no Cinema Brasileiro ? A programação é gratuita e vai ocupar o Cine Vila-Rica, a Praça Tiradentes (com o Cine BNDES na Praça) e o Centro de Artes e Convenções. Neste ano, serão exibidos 77 filmes, sendo 13 longas, 4 médias e 60 curtas-metragens, vindos de 11 estados (RJ, SP, PE, RS, AC, MG, ES, DF, AM, PR, GO) e 2 países (Brasil e Cuba), com exibições distribuídas entre as seguintes mostras:

Histórica, Preservação, Contemporânea, Educação, Mostrinha e Cine-Escola. O Encontro Nacional de Arquivos e Acervos Audiovisuais Brasileiros e o Encontro da Educação: IX Fórum da Rede Kino  vão reunir  90 profissionais no centro de debates de diversas mesas  e discussões temáticas. Mais de 400 convidados já confirmaram presença.

“Pioneira desde sua criação a enfocar o cinema como patrimônio, a CineOP ao longo de sua trajetória se constitui um espaço único e privilegiado para problematizar possibilidades e limites da pesquisa, acesso, difusão de conteúdos dos mais variados em diálogo com o setor do audiovisual e da educação e, a cada edição, renova seu compromisso colaborativo e de vanguarda a favor do patrimônio audiovisual”, afirma a coordenadora do evento e diretora da Universo Produção, Raquel Hallak. 

ABERTURA E HOMENAGENS

A abertura da 12a CineOP está grifada para a noite de sexta, 22 de junho, no Cine Vila Rica, às 20h30, com pré-estreia mundial do longa  Desarquivando Alice Gonzaga, dirigido pela premiada cineasta Betse de Paula. A sexta será também a noite das homenagens: serão celebradas as carreiras da montadora Cristina Amaral, parceira de trabalho de nomes como Carlos Reichenbach, Andrea Tonacci e Carlos Adriano; do colecionador e pesquisador Antônio Leão da Silva Neto, autor de diversos dicionários fundamentais para a historiografia do cinema brasileiro; e o projeto Vídeo nas Aldeias, que celebra 30 anos como uma das principais iniciativas de inserção audiovisual no país.

Intercalando as três linhas de frente da CineOP – as temáticas Preservação, História e  Educação –, o objetivo da mostra é evidenciar os registros e as formas de olhar daqueles que, historicamente, foram alijados dos processos de preservação e produção e que, graças ao atual momento de discussões sobre representatividade, têm ganhado o espaço e a voz que lhes foram impedidos por tanto tempo.

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Camila e Antônio Pitanga: atriz homenageia o pai em filme co-dirigido com Beto Brant.

 TEMÁTICA PRESERVAÇÃO | PLANO NACIONAL DE PRESERVAÇÃO AUDIOVISUAL

Na Temática Preservação, o foco é discutir a preservação do patrimônio audiovisual digital e o Plano Nacional de Preservação Audiovisual. Sob o título de Emergências Digitais, as discussões propostas buscam dar conta do processo de transformação da cadeia audiovisual com o advento das tecnologias digitais. Pretende-se que o Encontro Nacional de Arquivos e Acervos Audiovisuais Brasileiros, realizado anualmente durante a Mostra, seja um espaço para aprofundar as discussões sobre a preservação digital (tanto dos conteúdos originados digitalmente como dos conteúdos digitalizados) que se entende como urgente. A curadoria da temática Preservação é assinada pelos profissionais José Quental e Ines Aisengart Menezes.

 TEMÁTICA EDUCAÇÃO

 A escolha por tematizar Emergências Ameríndias via Educação significa um duplo movimento: o posicionamento lado a lado com as populações que vêm sendo exterminadas pelo Estado brasileiro e pelo agronegócio e, ao mesmo tempo, a possibilidade de se conectar a uma produção subjetiva, com modos distintos de ver, ouvir e falar sobre o mundo.

A proposta para esta edição é colocar em debate questões urgentes e oportunizar discussões sobre a questão indígena no Brasil. Em meio a conflitos cada vez mais violentos e diariamente noticiados pela mídia, os indígenas seguem batalhando por sua sobrevivência em meio a nebulosos interesses do agronegócio.  A 12ª CineOP  leva ao debate a importância do audiovisual no processo de reconhecimento da causa em décadas recentes durante o Encontro da Educação: IX Fórum da Rede Kino.

Os debates do Encontro de Educação vão incluir a apresentação de diversos trabalhos realizados em vários estados brasileiros por membros da comunidade indígena e professores engajados em tirar a questão de sua invisibilidade. Assinam a curadoria Adriana Fresquet e Isaac Pipano, com a colaboração dos acadêmicos que coordenam a Rede Kino.

 TEMÁTICA HISTÓRICA

Com a missão de debater o cinema como patrimônio e a preservação do audiovisual, a CineOP – Mostra de Cinema de Ouro Preto anualmente propõe uma Temática Histórica que se conecte à trajetória da produção no país. Para a 12a edição, a escolha foi por discutir o questionamento Quem conta a História? – Olhares e Identidades no Cinema Brasileiro. A indagação está presente há décadas nos estudos e nas ideias da crítica e da pesquisa. As ficções e os documentários das últimas décadas dedicaram grande parte dos seus esforços na representação e relação com grupos, classes e culturas historicamente marginalizados e estigmatizados. Mas de onde vêm essas vozes?

Já a dupla de curadores Francis Vogner dos Reis e Lila Foster parte da discussão de como questões de gênero, etnia e classe social passaram a ser pensados também nas relações estéticas e políticas da produção audiovisual. De quem é a narrativa sobre a História? Como grupos fragilizados e alijados dos meios de produção disputaram o imaginário sobre suas próprias culturas e realidade?

 PROGRAMAÇÃO DE FILMES

Entre os filmes da Mostra Histórica estão Um é Pouco, Dois é Bom (1970), com direção de Odilon Lopez, primeiro longa brasileiro assinado por um negro; e A Primeira Missa ou Tristes Tropeços, Enganos e Urucum (2014), de Ana Carolina, uma das mais importantes realizadoras do cinema nacional, que realiza uma ficção satírica sobre a representação histórica de todo um imaginário nacional desde o período do Descobrimento.

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Alice Gonzaga é personagem do novo filme de Betse de Paula, que vai abrir a Mostra Contemporânea em Ouro Preto…

Nos longas da Mostra Contemporânea, o diálogo com a temática permanece, em longas que mexem no baú de memórias do país para montar retratos íntimos, amplos ou panorâmicos de seus caminhos: Desarquivando Alice Gonzaga, de Betse de Paula; No Intenso Agora, de João Moreira Salles; Pitanga, de Camila Pitanga e Beto Brant; Rosemberg – Cinema, Colagem e Afetosde Cavi Borges e Christian Caselli; e Vinte Anos, de Alice de Andrade. Todos eles buscam, em variados tipos de arquivos, as suas razões estéticas para se rearticularem diante dos olhos do presente. São filmes que nascem do passado para existirem efetivamente no momento de hoje.

Entre os curtas-metragens, com curadoria de Lila Foster, o enfoque permanece, numa confluência de temporalidades que se encontra reforçada na configuração das sessões. Os recortes são apostas em trabalhos contemporâneos que dialogam com a História sem abandonar a reinvenção e o arrojo estético. Os trabalhos apresentados também no recorte histórico da seleção têm filmes como A Entrevista, de Helena Solberg; Mato Eles?, de Sérgio Bianchi; Rosae Rosa, de Rosa Maria Antuña; e Kuarup,de Heinz Forthmann.

Na Mostra Educação, serão exibidos Escola de Cinema (2017), de Angelo Ravazi, e Martírio(2016), de Vincent Carelli, Ernesto de Carvalho e Tatiana Almeida. Já na Mostra Preservação, a programação terá 3 títulos: a comédia É um Caso de Polícia! (1959), de Carla Civelli; o drama cubano Memórias do Subdesenvolvimento (1968), de Tomáz Gutiérrez Alea; e o curta de animação Vendo/Ouvindo, dirigido por Lula Gonzaga, que terá exibição em cópia restaurada.

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Documentarista João Moreira Salles vai exibir seu novo filme No Intenso Agora

CONFIRA A LISTA DE FILMES DA 12ª CINEOP

LONGAS

MOSTRA HISTÓRICA
A Primeira Missa ou Tristes Tropeços, Enganos e Urucum, de Ana Carolina – SP
Um é Pouco, Dois é Bom, de Odilon Lopez – RS

MOSTRA PRESERVAÇÃO
É um Caso de Polícia!, de Patricia Civelli – RJ
Memórias do Subdesenvolvimento ( Memorias Del Subdesarrollo), de Tomás Gutiérrez Alea – CUBA

MOSTRA CONTEMPORÂNEA
Desarquivando Alice Gonzaga, de Betse de Paula – RJ
No Intenso Agora, de João Moreira Salles – RJ
Pitanga, de Camila Pitanga e Beto Brant – RJ
Rosemberg – cinema, colagem e afetos, de Cavi Borges e Christian Caselli – RJ
Vinte Anos, de Alice de Andrade – RJ

MOSTRA EDUCAÇÃO
Escola de Cinema , de Angelo Ravazi – SP
Martírio, de Vincent Carelli – PE

MOSTRINHA
A Família Dionti, de Alan Minas – RJ

MOSTRA CINE-ESCOLA
Últimas Conversas, de Eduardo Coutinho – RJ

MÉDIAS

 MOSTRA HOMENAGEM
Já Visto, Jamais Visto, de Andrea Tonacci – SP

MOSTRA HISTÓRICA
Já me Transformei em Imagem, de Zezinho Yube – AC
Mato Eles?, de Sergio Bianchi – SP

MOSTRA EDUCAÇÃO
Educação, de Cezar Migliorin e Isaac Pipano – RJ

CURTAS

MOSTRA HOMENAGEM
A voz e o vazio: a vez de Vassourinha, de Carlos Adriano – SP

MOSTRA HISTÓRICA
A entrevista, de Helena Solberg – RJ
Aniceto do Império, em dia de alforria…?, de Zózimo Bulbul – RJ
Konãgxeka: o Dilúvio Maxakali, de Isael Maxakali e Charles Bicalho – MG
Kuarup, de Heinz Forthmann – RJ
Mbya Mirim, de  Ariel Duarte Ortega e Patrícia Ferreira – RS
Mulheres da Boca, de Inês Castilho e Cida Aidar – SP
Nora malcriada, de Elisangela Fontes Olímpio – AM
Rituais e Festas Borôro, de Luiz Thomaz Reis – RJ
Rosae Rosa, de Rosa Maria Antuña – MG

MOSTRA PRESERVAÇÃO
Vendo/Ouvindo, de Lula Gonzaga

MOSTRA CONTEMPORÂNEA
A maldição tropical, de Luisa Marques e Darks Miranda – RJ
Armazém do Limoeiro, de Fábio Bardella e Filipe Augusto – SP
As Pastoras, de Juliana Chagas – RJ
Balança Brasil, de Carlos Segundo – MG
Cinebiogravura, de Luís Rocha Melo – RJ
Divina Luz, de Ricardo Sá – ES
Farol Invisível, de Bruna Calegari – SP
Festejo muito pessoal, de Carlos Adriano – SP
Hotel Cidade Alta , de Victor Grazie – ES
Passeio Público, de Andrea França e Nicholas Andueza – RJ
Photo Assis: o clique único de Assis Horta, de Jorge Bodanzky – SP
Tekoha –  som da Terra, de Rodrigo Arajeju e Valdelice Veron (Xamiri Nhupoty) – DF

MOSTRA EDUCAÇÃO
46.Sohlo, Colégio Pedro Ii – Centro de Referência em Educação Infantil – Realengo – RJ
A planta mágica, Ingá – Instituto Gaúcho de Estudos Ambientais – RJ
Aqui, é assim!, Escola Municipal Professora Márcia Francesconi Pereira – RJ
Após o apocalipse, Universidade Federal Fluminense – RJ
Casa de reza Ara Hovy, Projeto Guardiões da Memória – Uff – RJ
Com a gente é assim!, Escola Municipal Professora Márcia Francesconi Pereira – RJ
Dança cultura Timor-Leste, Programa de Qualificação De Docentes e Ensino de Língua Portuguesa No Timor-Leste & Fundação Oriente – SP
Das crianças do São Bento para o mundo, Emeb Horácio de Salles Cunha & Sae – Unicamp/Sp – SP
Dinossaurena e as paredes mágicas, E.E. São Pedro e São Paulo -SP
Do lado de cá, Escola Municipal Professora Márcia Francesconi Pereira – RJ
Escola Vale Do Amanhecer, de Calcilandia, Escola Municipal Vale do Amanhecer – GO
Hakat (Atravessar), Programa de Qualificação de Docentes e Ensino de Língua Portuguesa no Timor-Leste & Fundação Oriente – SP
Kuikuru, Escola Bakhita – SP
Maldição, Instituto Educacional Livre Ofício – MG
Minuto Edilson, Projeto Guardiões da Memória – Uff – RJ
Minuto Fabrício, Projeto Guardiões da Memória – Uff – RJ
Minuto Lumiere no distrito de Uvá, E.E. São Pedro e São Paulo – GO
Motoquinhas: A invasão, Escola Municipal de Educação Infantil Perseu Leite De Barros – SP
Nossa escola – Fora, Produção independente – SP
Posso filmar?, Colégio Pedro Ii – Centro de Referência em Educação Infantil – Realengo – RJ
Segue o Caio…, Colégio Pedro Ii – Centro de Referência em Educação Infantil – Realengo – RJ
Um rio que mora aqui, Projeto Janela Periférica – PR
Vídeo retrato, Colégio Estadual Guilherme Briggs e Instituto De Artes e Comunicação Social – Uff – SP
Visto como crime, apreciado como arte, Bertovi Produções – PR

MOSTRA CINE-ESCOLA
A menina espantalho, de Cássio Pereira dos Santos – MG
A vida deve ser assim de Roberto Burd – RS
Cadê meu Rango?, de George Munari Damiani – SP
Caminho dos Gigantes, de Alois Di Leo – SP
Da janela do meu quarto, de Cao Guimarães – MG
Escola de Cinema Dilermando Cruz, direção coletiva – MG
Lipe, Vovô e o Monstro, de Felippe Steffens e Carlos Mateus – RS
Marina não vai à praia, de Cássio Pereira dos Santos – MG
Médico de Monstro, de Gustavo Teixeira – SP
Meu nome é Paulo Leminski, de Cezar MigliorinRJ
O menino quadradinho, de Diego Lopes – PR
Pai aos 15, de Danilo Custódio – PR
Pierre e a Mochila, de Iuli Gerbase – RS

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Ouro Preto se prepara para viver dias de Cinema…