Junho de Cinema em Ouro Preto

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A décima-segunda edição da CineOP – Mostra de Cinema de Ouro Preto será realizada de 21 a 26 deste mês na cidade histórica mineira. 

A CineOP insere-se no cenário da cultura produtiva como espaço privilegiado de discussão sobre a produção audiovisual brasileira a partir de seus aspectos históricos e estéticos e das formas como o passado influi no presente e aponta caminhos para o futuro.

Nestes dias de junho, Ouro Preto, cidade patrimônio da humanidade, vai ser palco da sétima arte e receberá profissionais do audiovisual, pesquisadores, críticos, acadêmicos, preservadores, jornalistas, representantes de entidades de classe e o público em geral para conhecer, discutir, dialogar, pensar o cinema como patrimônio de uma nação.

O eixo temático desta edição é Quem Conta a História no Cinema Brasileiro ? A programação é gratuita e vai ocupar o Cine Vila-Rica, a Praça Tiradentes (com o Cine BNDES na Praça) e o Centro de Artes e Convenções. Neste ano, serão exibidos 77 filmes, sendo 13 longas, 4 médias e 60 curtas-metragens, vindos de 11 estados (RJ, SP, PE, RS, AC, MG, ES, DF, AM, PR, GO) e 2 países (Brasil e Cuba), com exibições distribuídas entre as seguintes mostras:

Histórica, Preservação, Contemporânea, Educação, Mostrinha e Cine-Escola. O Encontro Nacional de Arquivos e Acervos Audiovisuais Brasileiros e o Encontro da Educação: IX Fórum da Rede Kino  vão reunir  90 profissionais no centro de debates de diversas mesas  e discussões temáticas. Mais de 400 convidados já confirmaram presença.

“Pioneira desde sua criação a enfocar o cinema como patrimônio, a CineOP ao longo de sua trajetória se constitui um espaço único e privilegiado para problematizar possibilidades e limites da pesquisa, acesso, difusão de conteúdos dos mais variados em diálogo com o setor do audiovisual e da educação e, a cada edição, renova seu compromisso colaborativo e de vanguarda a favor do patrimônio audiovisual”, afirma a coordenadora do evento e diretora da Universo Produção, Raquel Hallak. 

ABERTURA E HOMENAGENS

A abertura da 12a CineOP está grifada para a noite de sexta, 22 de junho, no Cine Vila Rica, às 20h30, com pré-estreia mundial do longa  Desarquivando Alice Gonzaga, dirigido pela premiada cineasta Betse de Paula. A sexta será também a noite das homenagens: serão celebradas as carreiras da montadora Cristina Amaral, parceira de trabalho de nomes como Carlos Reichenbach, Andrea Tonacci e Carlos Adriano; do colecionador e pesquisador Antônio Leão da Silva Neto, autor de diversos dicionários fundamentais para a historiografia do cinema brasileiro; e o projeto Vídeo nas Aldeias, que celebra 30 anos como uma das principais iniciativas de inserção audiovisual no país.

Intercalando as três linhas de frente da CineOP – as temáticas Preservação, História e  Educação –, o objetivo da mostra é evidenciar os registros e as formas de olhar daqueles que, historicamente, foram alijados dos processos de preservação e produção e que, graças ao atual momento de discussões sobre representatividade, têm ganhado o espaço e a voz que lhes foram impedidos por tanto tempo.

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Camila e Antônio Pitanga: atriz homenageia o pai em filme co-dirigido com Beto Brant.

 TEMÁTICA PRESERVAÇÃO | PLANO NACIONAL DE PRESERVAÇÃO AUDIOVISUAL

Na Temática Preservação, o foco é discutir a preservação do patrimônio audiovisual digital e o Plano Nacional de Preservação Audiovisual. Sob o título de Emergências Digitais, as discussões propostas buscam dar conta do processo de transformação da cadeia audiovisual com o advento das tecnologias digitais. Pretende-se que o Encontro Nacional de Arquivos e Acervos Audiovisuais Brasileiros, realizado anualmente durante a Mostra, seja um espaço para aprofundar as discussões sobre a preservação digital (tanto dos conteúdos originados digitalmente como dos conteúdos digitalizados) que se entende como urgente. A curadoria da temática Preservação é assinada pelos profissionais José Quental e Ines Aisengart Menezes.

 TEMÁTICA EDUCAÇÃO

 A escolha por tematizar Emergências Ameríndias via Educação significa um duplo movimento: o posicionamento lado a lado com as populações que vêm sendo exterminadas pelo Estado brasileiro e pelo agronegócio e, ao mesmo tempo, a possibilidade de se conectar a uma produção subjetiva, com modos distintos de ver, ouvir e falar sobre o mundo.

A proposta para esta edição é colocar em debate questões urgentes e oportunizar discussões sobre a questão indígena no Brasil. Em meio a conflitos cada vez mais violentos e diariamente noticiados pela mídia, os indígenas seguem batalhando por sua sobrevivência em meio a nebulosos interesses do agronegócio.  A 12ª CineOP  leva ao debate a importância do audiovisual no processo de reconhecimento da causa em décadas recentes durante o Encontro da Educação: IX Fórum da Rede Kino.

Os debates do Encontro de Educação vão incluir a apresentação de diversos trabalhos realizados em vários estados brasileiros por membros da comunidade indígena e professores engajados em tirar a questão de sua invisibilidade. Assinam a curadoria Adriana Fresquet e Isaac Pipano, com a colaboração dos acadêmicos que coordenam a Rede Kino.

 TEMÁTICA HISTÓRICA

Com a missão de debater o cinema como patrimônio e a preservação do audiovisual, a CineOP – Mostra de Cinema de Ouro Preto anualmente propõe uma Temática Histórica que se conecte à trajetória da produção no país. Para a 12a edição, a escolha foi por discutir o questionamento Quem conta a História? – Olhares e Identidades no Cinema Brasileiro. A indagação está presente há décadas nos estudos e nas ideias da crítica e da pesquisa. As ficções e os documentários das últimas décadas dedicaram grande parte dos seus esforços na representação e relação com grupos, classes e culturas historicamente marginalizados e estigmatizados. Mas de onde vêm essas vozes?

Já a dupla de curadores Francis Vogner dos Reis e Lila Foster parte da discussão de como questões de gênero, etnia e classe social passaram a ser pensados também nas relações estéticas e políticas da produção audiovisual. De quem é a narrativa sobre a História? Como grupos fragilizados e alijados dos meios de produção disputaram o imaginário sobre suas próprias culturas e realidade?

 PROGRAMAÇÃO DE FILMES

Entre os filmes da Mostra Histórica estão Um é Pouco, Dois é Bom (1970), com direção de Odilon Lopez, primeiro longa brasileiro assinado por um negro; e A Primeira Missa ou Tristes Tropeços, Enganos e Urucum (2014), de Ana Carolina, uma das mais importantes realizadoras do cinema nacional, que realiza uma ficção satírica sobre a representação histórica de todo um imaginário nacional desde o período do Descobrimento.

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Alice Gonzaga é personagem do novo filme de Betse de Paula, que vai abrir a Mostra Contemporânea em Ouro Preto…

Nos longas da Mostra Contemporânea, o diálogo com a temática permanece, em longas que mexem no baú de memórias do país para montar retratos íntimos, amplos ou panorâmicos de seus caminhos: Desarquivando Alice Gonzaga, de Betse de Paula; No Intenso Agora, de João Moreira Salles; Pitanga, de Camila Pitanga e Beto Brant; Rosemberg – Cinema, Colagem e Afetosde Cavi Borges e Christian Caselli; e Vinte Anos, de Alice de Andrade. Todos eles buscam, em variados tipos de arquivos, as suas razões estéticas para se rearticularem diante dos olhos do presente. São filmes que nascem do passado para existirem efetivamente no momento de hoje.

Entre os curtas-metragens, com curadoria de Lila Foster, o enfoque permanece, numa confluência de temporalidades que se encontra reforçada na configuração das sessões. Os recortes são apostas em trabalhos contemporâneos que dialogam com a História sem abandonar a reinvenção e o arrojo estético. Os trabalhos apresentados também no recorte histórico da seleção têm filmes como A Entrevista, de Helena Solberg; Mato Eles?, de Sérgio Bianchi; Rosae Rosa, de Rosa Maria Antuña; e Kuarup,de Heinz Forthmann.

Na Mostra Educação, serão exibidos Escola de Cinema (2017), de Angelo Ravazi, e Martírio(2016), de Vincent Carelli, Ernesto de Carvalho e Tatiana Almeida. Já na Mostra Preservação, a programação terá 3 títulos: a comédia É um Caso de Polícia! (1959), de Carla Civelli; o drama cubano Memórias do Subdesenvolvimento (1968), de Tomáz Gutiérrez Alea; e o curta de animação Vendo/Ouvindo, dirigido por Lula Gonzaga, que terá exibição em cópia restaurada.

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Documentarista João Moreira Salles vai exibir seu novo filme No Intenso Agora

CONFIRA A LISTA DE FILMES DA 12ª CINEOP

LONGAS

MOSTRA HISTÓRICA
A Primeira Missa ou Tristes Tropeços, Enganos e Urucum, de Ana Carolina – SP
Um é Pouco, Dois é Bom, de Odilon Lopez – RS

MOSTRA PRESERVAÇÃO
É um Caso de Polícia!, de Patricia Civelli – RJ
Memórias do Subdesenvolvimento ( Memorias Del Subdesarrollo), de Tomás Gutiérrez Alea – CUBA

MOSTRA CONTEMPORÂNEA
Desarquivando Alice Gonzaga, de Betse de Paula – RJ
No Intenso Agora, de João Moreira Salles – RJ
Pitanga, de Camila Pitanga e Beto Brant – RJ
Rosemberg – cinema, colagem e afetos, de Cavi Borges e Christian Caselli – RJ
Vinte Anos, de Alice de Andrade – RJ

MOSTRA EDUCAÇÃO
Escola de Cinema , de Angelo Ravazi – SP
Martírio, de Vincent Carelli – PE

MOSTRINHA
A Família Dionti, de Alan Minas – RJ

MOSTRA CINE-ESCOLA
Últimas Conversas, de Eduardo Coutinho – RJ

MÉDIAS

 MOSTRA HOMENAGEM
Já Visto, Jamais Visto, de Andrea Tonacci – SP

MOSTRA HISTÓRICA
Já me Transformei em Imagem, de Zezinho Yube – AC
Mato Eles?, de Sergio Bianchi – SP

MOSTRA EDUCAÇÃO
Educação, de Cezar Migliorin e Isaac Pipano – RJ

CURTAS

MOSTRA HOMENAGEM
A voz e o vazio: a vez de Vassourinha, de Carlos Adriano – SP

MOSTRA HISTÓRICA
A entrevista, de Helena Solberg – RJ
Aniceto do Império, em dia de alforria…?, de Zózimo Bulbul – RJ
Konãgxeka: o Dilúvio Maxakali, de Isael Maxakali e Charles Bicalho – MG
Kuarup, de Heinz Forthmann – RJ
Mbya Mirim, de  Ariel Duarte Ortega e Patrícia Ferreira – RS
Mulheres da Boca, de Inês Castilho e Cida Aidar – SP
Nora malcriada, de Elisangela Fontes Olímpio – AM
Rituais e Festas Borôro, de Luiz Thomaz Reis – RJ
Rosae Rosa, de Rosa Maria Antuña – MG

MOSTRA PRESERVAÇÃO
Vendo/Ouvindo, de Lula Gonzaga

MOSTRA CONTEMPORÂNEA
A maldição tropical, de Luisa Marques e Darks Miranda – RJ
Armazém do Limoeiro, de Fábio Bardella e Filipe Augusto – SP
As Pastoras, de Juliana Chagas – RJ
Balança Brasil, de Carlos Segundo – MG
Cinebiogravura, de Luís Rocha Melo – RJ
Divina Luz, de Ricardo Sá – ES
Farol Invisível, de Bruna Calegari – SP
Festejo muito pessoal, de Carlos Adriano – SP
Hotel Cidade Alta , de Victor Grazie – ES
Passeio Público, de Andrea França e Nicholas Andueza – RJ
Photo Assis: o clique único de Assis Horta, de Jorge Bodanzky – SP
Tekoha –  som da Terra, de Rodrigo Arajeju e Valdelice Veron (Xamiri Nhupoty) – DF

MOSTRA EDUCAÇÃO
46.Sohlo, Colégio Pedro Ii – Centro de Referência em Educação Infantil – Realengo – RJ
A planta mágica, Ingá – Instituto Gaúcho de Estudos Ambientais – RJ
Aqui, é assim!, Escola Municipal Professora Márcia Francesconi Pereira – RJ
Após o apocalipse, Universidade Federal Fluminense – RJ
Casa de reza Ara Hovy, Projeto Guardiões da Memória – Uff – RJ
Com a gente é assim!, Escola Municipal Professora Márcia Francesconi Pereira – RJ
Dança cultura Timor-Leste, Programa de Qualificação De Docentes e Ensino de Língua Portuguesa No Timor-Leste & Fundação Oriente – SP
Das crianças do São Bento para o mundo, Emeb Horácio de Salles Cunha & Sae – Unicamp/Sp – SP
Dinossaurena e as paredes mágicas, E.E. São Pedro e São Paulo -SP
Do lado de cá, Escola Municipal Professora Márcia Francesconi Pereira – RJ
Escola Vale Do Amanhecer, de Calcilandia, Escola Municipal Vale do Amanhecer – GO
Hakat (Atravessar), Programa de Qualificação de Docentes e Ensino de Língua Portuguesa no Timor-Leste & Fundação Oriente – SP
Kuikuru, Escola Bakhita – SP
Maldição, Instituto Educacional Livre Ofício – MG
Minuto Edilson, Projeto Guardiões da Memória – Uff – RJ
Minuto Fabrício, Projeto Guardiões da Memória – Uff – RJ
Minuto Lumiere no distrito de Uvá, E.E. São Pedro e São Paulo – GO
Motoquinhas: A invasão, Escola Municipal de Educação Infantil Perseu Leite De Barros – SP
Nossa escola – Fora, Produção independente – SP
Posso filmar?, Colégio Pedro Ii – Centro de Referência em Educação Infantil – Realengo – RJ
Segue o Caio…, Colégio Pedro Ii – Centro de Referência em Educação Infantil – Realengo – RJ
Um rio que mora aqui, Projeto Janela Periférica – PR
Vídeo retrato, Colégio Estadual Guilherme Briggs e Instituto De Artes e Comunicação Social – Uff – SP
Visto como crime, apreciado como arte, Bertovi Produções – PR

MOSTRA CINE-ESCOLA
A menina espantalho, de Cássio Pereira dos Santos – MG
A vida deve ser assim de Roberto Burd – RS
Cadê meu Rango?, de George Munari Damiani – SP
Caminho dos Gigantes, de Alois Di Leo – SP
Da janela do meu quarto, de Cao Guimarães – MG
Escola de Cinema Dilermando Cruz, direção coletiva – MG
Lipe, Vovô e o Monstro, de Felippe Steffens e Carlos Mateus – RS
Marina não vai à praia, de Cássio Pereira dos Santos – MG
Médico de Monstro, de Gustavo Teixeira – SP
Meu nome é Paulo Leminski, de Cezar MigliorinRJ
O menino quadradinho, de Diego Lopes – PR
Pai aos 15, de Danilo Custódio – PR
Pierre e a Mochila, de Iuli Gerbase – RS

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Ouro Preto se prepara para viver dias de Cinema…

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