Cinemas de Juiz de Fora ganham importante registro em livro

livro Cine SL
O dia era 15 de julho de 1955 e o filmeRebelião no Presídio, do diretor Don Siegel*. Comerciantes, industriais, jornalistas, gerentes de banco e radialistas estavam entre os elegantes espectadores na primeira sessão de Cinema do histórico Cine São Luiz, em Juiz de Fora. Essa data marcou uma longa história de muitas sessões de cinema, grande afluência de público, e exibições dos mais diversos títulos, capazes de agradar a todo tipo de plateia.
E não seria para menos: afinal, desde sua abertura, naquela noite de 15 de julho até 2004, foram mais de 50 anos de funcionamento, tempo no qual diversas gerações se revezaram nas poltronas confortáveis do cinema que era espaço tradicional de cultura na cidade mineira da Zona da Mata.

Outrossim, esse Cine São Luiz – espaço relevante do cotidiano cultural de Juiz de Fora -, agora poderá ser revisitado em livro: a importância do São Luiz, um dos mais emblemáticos cenários de lazer e cultura da mineira JF, é o foco do livro Os Cinemas de Rua de Juiz de Fora – Memórias do Cine São Luiz, com lançamento grifado para a próxima quarta, 14 de junho, às 19h30, na Planet Music (Rua Moraes e Castro, 218 – Alto dos Passos, JF).

Viabilizada com financiamento da Lei Murilo Mendes de Incentivo à Cultura, mantida pela Prefeitura de Juiz de Fora (PJF) e gerenciada pela Fundação Cultural Alfredo Ferreira Lage (Funalfa), a publicação apresenta detalhada historiografia do antigo cinema, realizada por Christina Ferraz Musse, Gilberto Faúla Avelar Neto e Rosali Maria Nunes Henriques, todos ligados ao grupo de pesquisa Comunicação, Cidade e Memória, do Programa de Pós-Graduação em Comunicação da Universidade Federal de Juiz de Fora (UFJF).

A ideia do livro nasceu da vontade de seus autores de preservar esse importante momento da cultura juizforana para a posteridade, resgatando e registrando a memória do cinema por meio de relatos orais de frequentadores e ex-funcionários, incluindo vasto material de pesquisa em documentos e acervos.

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Prédio do antigo Cine São Luiz, no centro de Juiz de Fora…

O livro retoma parte da história da Praça da Estação, cenário no qual estava inserido o lendário Cine São Luiz, num prédio com características art déco, destoando do restante do conjunto arquitetônico da região.

Concebido arquitetonicamente com padrões de luxo e conforto, o saudoso cinema podia comportar até 900 espectadores. Diferente do que possa imaginar alguém de uma geração que não frequentou o tradicional cine juizforano, aquela tela se fazia de fato democrática: por ela passaram diversos filmes e todos os gêneros estiveram representados.

Segundo os estudos e pesquisas da trinca Christina Musse, Gilberto Avelar e Rosali Henriques, até 1959 o Cine São Luiz exibia, predominantemente, dramas. Já nos idos de 1960. a tela era mais frequentada por películas bíblicas e de aventuras. Na década seguinte, o drama voltou a ser o gênero com maior número de exibições e, somente a partir dos anos 80, a pornochanchada e os filmes pornográficos começaram a também aparecer na telona e ganhar público.

O livro estará à venda por R$ 20 na noite de lançamento, ou pode ser adquirido diretamente com os autores, por meio do e-mail musse@terra.com.br

* DON (Donald) SIEGEL foi um cineasta americano, nascido em Chicago, Illinois, em 1912, e falecido na Califórnia em 1991. Em 1956, o cineasta realizou o clássico filme B Vampiros de Almas (Invasion of the Body Snatchers), angariando reputação de realizador de excelentes trabalhos, mesmo com limitações de orçamento e produção. Siegel dirigiu também o último filme de JohnWayne, o western clássico O Último Pistoleiro (The Shootist, 1976). Entre seus inúmeros trabalhos na televisão, destacam-se dois episódios da série Além da Imaginação (The Twilight Zone), “The Self-Improvement of Salvadore Ross” e “Uncle Simon”, além de longas-metragens e episódios para diversas outras séries, como Destry, The Lloyd Bridges Show, Bus Stop e The Legend of Jesse James.

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Vampiros de Alma, o mais conhecido filme de Don Siegel…

Sobre o clássico Vampiros de Alma, escreveu o crítico L.G. de Miranda Leão:
“Ao contrário da maioria das histórias de FC, ´Vampiros…´ não nos mostra espaçonaves ou engenhos de galáxias distantes, tampouco marcianos ou monstros horrendos vindos para invadir a Terra. O poder maligno agindo por trás de tudo sequer é visto ou sugerido, mas apenas imaginado pelo leitor-espectador atento: não se sabe quem é nem de onde veio. O objetivo dos invasores é a dominação dos EUA e depois, provavelmente, do planeta. Serve-lhes de cabeça-de-ponte a pequena cidade de Santa Mira, no interior da Califórnia e a invasão se faz através.de misteriosas sementes vindas ´out of the sky´, como diz a certa altura o Dr. Miles Bennel (Kevin MacCarthy, nada a ver com o Senador citado), personagem central. Essas sementes se transformam em enormes vagens, as quais são depositadas no interior das casas para se reproduzirem como formas humanas idênticas, absorver-lhes as memórias e o pensamento crítico, transformá-las em zumbis ou robôs de outra era. Para isso basta caírem no sono as pessoas para cujos corpos as vagens se destinam. Quem não estiver ´acordado´, quem dormir, terá seu corpo tomado por uma réplica vinda de fora. ´Não há dor alguma´, diz o psiquiatra, agora um dos ´transformados´… Gera-se então a desintegração do ´original´ – um novo ser, desprovido de medo, sentimentos, ambições, sem emoções de espécie alguma, apenas com o instinto de sobrevivência e de obediência cega a entidades superiores. 

[…] Em suma, Vampiros de Almas é pequena jóia dos anos 50 não apenas para colecionadores de clássicos mas também para os amantes do bom cinema.”

*L. G. de Miranda Leão, crítico de Cinema e professor universitário, autor dos livros Analisando Cinema (Coleção Aplauso/Imprensa Oficial de SP), e Ensaios de Cinema (edições BNB/BNDES).

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