Latorraca, Milton Nascimento, Wilker e Caetano vão às ruas por Diretas Já !

Os Dias eram assim irrompe em grito de liberdade com denúncias fortíssimas contra o binômio opressão-corrupção

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Sophie Charlotte: Alice num país que não tem nada de Maravilha…

                 Ela é bela e jovem, filha de um grande empresário e mora na zona sul carioca. Transgressora, Alice foi criada sob o tacão da repressão paterna ao tempo em que as agruras da ditadura davam as cartas. Apaixona-se por um jovem médico idealista. Paixão correspondida, a garota vive lindos momentos de descoberta ao lado de Renato, filho mais velho de uma família de classe média. Os pais querem a filha casada com um jovem ‘almofadinha’, que se finge de grande apaixonado por ela, mas apenas almeja tornar-se herdeiro da grande fortuna do sogro. Sem conseguir demover Alice da ideia de abandonar o romance com o médico, que passa a ser perseguido pela polícia por conta do irmão (visto como subversivo), o pai de Alice arma um plano aviltante – com o futuro genro e o delegado mais próximo -, e consegue interromper o vinculo afetivo entre Alice e Renato.

Para Alice, a história oficial diz que o noivo morreu. Até enterro fictício foi feito e a garota passou anos a chorar a morte do grande amor. Por sua vez, Renato, que saiu do país e viveu anos exilado no Chile, guarda o triste rompimento como um trauma gigantesco, nunca totalmente superado. Um não sabe que narrativa foi contada ao outro.

O fato é que, quase 10 anos depois, já no início dos anos 80, ambos estão no Brasil, e são dois corações com uma profunda chaga causada pelo regime ditatorial que manchou a história política brasileira. Renato quer reencontrar Alice para tentar entender porque ela nunca foi ao encontro dele no Chile, conforme havia sido combinado. Alice retorna ao país para enterrar o pai, e, na sequência, volta novamente após brigar com o marido (que a trai descaradamente, é violento, repressor, grosseiro e machista), de quem quer a separação oficial. Mas ela tem 2 filhos de Victor e tem medo que ele consiga a guarda das crianças na Justiça – naquela época, mulher separada ainda era um anátema para as famílias tradicionais. O primogênito é filho de Renato: Victor sabe disso e assim o menino, para ele, é sempre um renovar da certeza de que o grande amor de Alice nunca foi ele.

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Em linhas gerais, é essa a trama de amor de Os Dias Eram Assim, a supersérie que a TV Globo exibe no horário das 22:30h, e que é um notório marco divisor na história da Teledramaturgia Brasileira. A outra trama, a correr em paralelo à história de amor – pois assim se organizam as narrativas teleaudiovisuais desde sempre – é a ditadura que imperou no Brasil, tematizada aqui a partir do ano de 1970.

Já escrevemos outras vezes aqui no #blogauroradecinema sobre o imenso potencial dramático de #osdiaseramassim e sua importância singular para a história da nossa Teledramaturgia, que se reveste de uma relevância ainda maior se a entendemos inserida no conturbado contexto histórico que o Brasil atravessa agora.

Por conta de tudo isso, esperamos que você, leitor amigo do #blogauroradecinema, esteja acompanhando a antológica série da TV Globo. Caso ainda não o esteja fazendo, sugerimos que veja os capítulos já exibidos na telinha através do aplicativo #GloboPlay, e não deixe de acompanhar este grito de denúncia e revolta tantos anos calado, que a teledramaturgia agora vem e redimensiona com toda a excelência de um país que produz a melhor Teledramaturgia do mundo.

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Cássia Kiss e Carla Salle: mãe e filha enterram um morto que não existiu…

OS DIAS ERAM ASSIM é um libelo em defesa da LIBERDADE ! Irmão siamês de um clamor que se ouve nas ruas do pais por DIRETAS JÁ, Fora Temer, Xô Corrupção !

Os Dias eram assim soa como o grito que todos os brasileiros de bem carregam no peito hoje, a procurar guarida e ressonância que apontem para uma forma de escapar do lamaçal que assola o país, onde decência, dignidade e ética parecem estar de eternas férias. Somos vítimas de um enredo que se abastece cotidianamente nas malhas da corrupção, desmandos na esfera política, desvio de verbas, obras inacabadas, e aviltamento da cidadania a escorrer noite e dia dos noticiários que proliferam nas redes sociais. Outrossim, explodem vozes em uníssono por todas as praças do país contra a malfadada representação política instalada no centro do poder, e um desejo muito intenso por mudança parece buscar respaldo num porvir que nos aponte algum atalho para se voltar a respirar sem tantos sobressaltos.

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Daniel de Oliveira, Antônio Calloni e Marco Ricca: personagens são parceiros na repressão

A razão de tudo isso tem uma filiação clara e inequívoca com as cenas que a supersérie OS DIAS ERAM ASSIM mostram com riqueza de detalhes e estrondosa competência. Cada capítulo da obra é para ser observado com a maior atenção e, felizmente, o #globoplay está aí para que possamos ver e rever capítulos e cenas para apurar as sensações, reavivar significações e entender melhor o que no Brasil de hoje é herdeiro direto do país de ontem. Entender para saber prospectar e não mais vacilar.

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Ontem como Hoje: o  povo pede DIRETAS JÁ !

Nesse sentido, a TV Globo vai ainda mais fundo ao exibir, no mesmo período, a novela Novo Mundo, atração das 18h (outra obra primorosa com texto de Thereza Falcão e Alessandro Marson, e direção notável de Vinícius Coimbra). Esta tem como foco o Brasil do Primeiro Reinado com toda a sua carga de tristes estigmas: a escravidão, a opressão à mulher, a repressão à imprensa, a perseguição aos índios, e o aviltamento da classe trabalhadora. Portanto, a emissora carioca está com ícones em sua programação que nos mostram o país que éramos e o Brasil que fomos, cardápio ideal para se pensar com mais clareza (acuidade que as imagens nos propiciam com inquestionável força) que país estamos construindo e para onde queremos ir. Se a esse leque propiciado pela teleficção acrescentarmos os telejornais da programação – Bom Dia Brasil, Jornal Hoje, Jornal Nacional e Jornal da Globo –, teremos então diante de nossos olhos e ao dispor de nossa argumentação uma narrativa que se tece em várias tramas paralelas, mas que compõem, todas juntas, um intrincado painel de analogias/simetrias/sincronias aglutinador da vida nacional e com inegável potencial de significado, capaz de tornar mais nítido o estado caótico atual em que está mergulhado o Brasil.

Esse mesmo de que nos fala Caetano Veloso em seus Podres Poderes, que encerrou o capítulo dessa quinta, 14 de junho (feriado de Corpus Christ) de forma arrepiante:

Será que nunca faremos senão confirmar
Na incompetência da América católica
Que sempre precisará de ridículos tiranos?
Será, será que será que será que será,
Será que essa minha estúpida retórica
Terá que soar, terá que se ouvir por mais zil anos?

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Gabriel Leone é o ‘subversivo’ Gustavo, vítima dos horrores de um tempo cruel…

Assistir à supersérie Os Dias eram Assim é bem mais que reiterar nosso gosto pela teleficção audiovisual, e muito além de apreciar uma obra cheia de qualidades, merecedora de muitos Prêmio EMMY. Assistir à Os Dias eram Assim não é apenas incluir mais uma minissérie no seu currículo de telespectador: é um Exercício Cívico que cada brasileiro deve assumir com a consciência de estar se permitindo o direito de conhecer e/ou entender melhor o significado dos anos de repressão que assolaram o Brasil por mais de duas décadas. É conscientizar-se do profundo mal que o estado de exceção causou na formação sócio-cultural do país para entender que todos, juntos, precisamos saber para definir; entender para não mais permitir que se ande para trás; para que nunca seja possível reviver; para que se caminhe na direção de um país livre, de fato e de direito,  não só da barbaridade da ditadura, mas dos desmandos da corrupção, dos desatinos da classe política, dos desvarios dos que se acham melhores – por condição econômica, classe social, etnia ou subjetividade de qualquer matiz -, dos absurdos da violência, da repressão, da covardia, dos preconceitos (de toda ordem), e da omissão injustificada.

Um aplauso muito afetuoso e entusiasta a todos quanto fazem esta obra-prima que é

         OS DIAS ERAM ASSIM !

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Atores de Os Dias mesclam narrativa ficcional e realidade ao sair as ruas por DIRETAS JÁ !

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