Arquivo do mês: julho 2017

Baudelaire e o Diabo na terra da praia

Fabian Cantieri* escreve sobre Um homem e seu pecado, filme de Luís Rocha Melo, que encerra exibições hoje na Cinemateca do MAM carioca…cartaz menor

Lívido (Pedro Henrique Ferreira) tem o corpo desconjuntado, o coração empedrado, a alma atormentada: um vulcão guardado sem manejo de suas lavas reprimidas. Um personagem anacrônico e deslocado ao pé de uma juventude afetiva que jamais olharia para uma Igreja com seus grandes olhos vidrados, cheios de indiferença e curiosidade. Um homem e seu pecado é menos sobre o incesto em si do que o pecado como reação ao mundo. Um affair, a cidade cartão-postal, o trabalho, os amigos no bar, o hobby contraventor: nada aquieta ou mobiliza o espírito solitário de Lívido. É preciso que ele seja demitido, leve umas porradas da vida ou do Diabo (Thiago Brito) e esbarre com um louco ou Baudelaire (Hernani Heffner) para que enfim retome alguns nós perdidos. Esse triângulo de ações faz com que nosso protagonista procure sua irmã, convencendo-a sair do monastério para encontrar seu pai e seus fantasmas.

Luis Melo no set

Um homem e seu pecado: Luis Rocha Melo no set…

Luís Rocha Melo faz desse percurso um filme um tanto atípico: existe uma agilidade de encenação que às vezes poderia fazer lembrar dos derradeiros filmes de Alberto Salvá ou Paulo César Saraceni, Na Carne e na Alma (2011) e O Gerente (2011) respectivamente, mas com um peso dramático que o aproxima muito mais de gente como um Walter Hugo Khouri. Este peso está sobre os ombros de Lívido, existencialmente, mas também na religiosidade. Da aridez cristã ao onírico do candomblé, a religiosidade atravessa a família Gomes como pão (que alimenta) e faca (que a dilacera). Deus está morto, não há “Pai” que guie nossos passos e Dr. Gomes (Otoniel Serra) há muito deixou de ser guia norteador de um ethos para seus filhos. Vitória (Anna Karinne Ballalai) se aporta no cristianismo, Lívido vive sem qualquer âncora.

Ballalai no filme

Ana Karinne Ballalai e Pedro Henrique Ferreira protagonizam Um homem  seu pecado

É aí que Baudelaire, vulgo a poesia, sobrevêm como telos. “É necessário estar sempre bêbado”. Trôpegos, errantes e pecadores, andamos. Eis aí um curioso aforismo para o cinema brasileiro: embriagados – de vinho, poesia ou virtude – filmamos. Curioso também como o tema atemporal de O homem e sua paixão, à luz da urbe carioca de hoje, é filmado por uma handycam digital qualquer e isso lhe dá uma desenvoltura toda particular, emprestando ao filme uma cara muito mais irmã à geração de David Neves do que a de seus contemporâneos. O que se destaca não é uma especificidade técnica moderna, mas a leveza de um modus operandi que lhe dá organicidade do entorno germinada em sua filmografia desde, pelo menos, Legião Estrangeira (2011). O que parece interessar mais para Luís Rocha Melo em O homem e seu pecado é uma decupagem calcada nos olhares, a subjetividade em confronto com o mundo e seus atravessamentos. Poderia aqui, inclusive, subverter as palavras do próprio diretor sobre Neves em uma crítica sobre seu primeiro longa-metragem Memória de Helena (1969): o que vemos em ação é “um cronista que observa a sua geração, ou melhor, que observa seus amigos, ou melhor, que ama seus amigos, os filmes de seus amigos e o passado do cinema brasileiro”.

O passado do cinema brasileiro aqui é todo presente. Memória é imaginação. Luís Rocha Melo filma seus amigos não simplesmente pondo-os em cena, mas antes absorvendo algo de intrínseco neles e reformulando à obra. Não há tábula rasa, a fabulação se dá a partir de uma vivência próxima. Há um elo de amizade e intimidade que se desdobra no desabrochar não do drama, mas de suas consequências. Há, antes de tudo, um pacto de fé, uma metafísica aí em jogo: a cena é mais do que a materialidade das coisas. Não só pela crença em Baudelaire ou no Diabo ou pela recorrente dúvida em torno do Mal, mas pelo fora de campo como dialética moral. Não à toa, uma das primeiras referências óbvias – pois não há batedor de carteira mais notável na história do cinema do que Michel, personagem de Martín LaSalle – é Robert Bresson, católico fervoroso do plano.

O filme – e seu mistério – está todo no olhar de Lívido. Frequentemente ele deixa de observar o que olha; seus olhos por vezes fogem de encarar, como seu pai percebe, outras tantas, se reviram para o horizonte distante da realidade por pleno costume de fuga. Alguns contra-planos chicoteados, como na primeira despedida dos filhos na casa do pai, perturbam para depois criar tensão pela fixidez entre os olhares confrontados. Um plano corriqueiro é uma espécie de over the shoulder sobre o protagonista mirando a desenhista, Vitória, Baudelaire ou Dr. Gomes, um plano um tanto esquisito em termos de composição não só pelo ponto de fuga diagonal, como pela aparente necessidade de mostrar alguma primeira reação de alguém – Lívido – que normalmente não teria sua face exposta só ficando de costas. Um olhar sempre tentando apreender as coisas para além da superfície, um olhar nem sempre conseguindo, sem saber, enfim, onde mirar, onde morar.

Um homem 1

Um homem e seu pecado: “Um olhar sempre tentando apreender as coisas para além da superfície”.

Georges Bataille, numa análise de uma escrita de Sarte sobre Baudelaire, escreveu: “o homem não pode se amar completamente se ele não se condena”. Autocondenação é o que não falta à Lívido e no entanto, o pecado reside em sua erradicação ou, ao menos, relativização. Ao fim, o Museu do Universo parece nos contestar a magnitude peremptoriamente estagnada de certos pecados criados pelo homem diante do mundo. Eppur si muove: a mítica frase murmurada por Galileu após ter sido obrigado a renegar sua visão heliocêntrica do mundo, costuma ser um símbolo que sintetiza a teimosia da Ciência contra a censura da fé e a autoridade religiosa. Depois de negar que a Terra se move ao redor do Sol, o físico e filósofo italiano haveria balbuciado: “no entanto se move”. Deste lado do oceano, Paulo Emílio costumava dizer que a mediocridade do cinema brasileiro é imanente – o subdesenvolvimento está em nós. No entanto, algo se move.

*Fabian Cantieri é crítico da revista Cinética

“Existe sempre a promessa agridoce do perdão e do arrependimento”

Ballalai no mar

Anna Karinne Ballalai em cena de Um Homem e seu Pecado

Você tem somente até amanhã para ver Um homem e seu pecado, na Cinemateca do MAM  – ENTRADA FRANCA

*Confira a crítica de Guilherme Sarmiento ao filme de Luis Rocha Melo

Entre 1938 e 1945, George Bernanos viveu no Brasil. Então considerado um dos maiores escritores franceses vivos, o autor do aclamado romance Sob o sol de satã atravessou o Atlântico envolto nos miasmas pestilenciais soltos pela ascensão do fascismo e buscou na maior nação católica do planeta algum alento espiritual e, quem sabe, ser tocado pela visão do paraíso. Estabeleceu-se na cidade mineira de Barbacena, lugar muito adequado a sua imaginação silvestre e afeita ao escrutínio do mal. Logo em torno de sua figura divina e ao mesmo tempo satânica formou-se um círculo de contritos admiradores, alguns deles, inclusive, tornaram-se amigos íntimos como o poeta Augusto Frederico Schmidt, Jorge de Lima, Alceu Amoroso Lima, Austregésilo de Athayde e Murilo Mendes. Não se sabe o quanto Bernanos foi responsável em sua passagem pelo vigor alcançado pelo neocatolicismo literário entre nós, mas o certo é que, coincidentemente ou não, alguns livros bem adequados a certas obsessões bernanosianas foram saindo do prelo dez anos depois de sua partida, como se fossem jabuticabas temporãs: azuis de tão escuras, como pérolas noturnas e pecaminosas. Podemos citar aqui A menina morta, de Cornélio Pena, e Crônica da casa assassinada, de Lúcio Cardoso, como parte dessa safra. Esse longo preâmbulo em torno da emergência do novo pensamento católico entre nós soaria fútil se o novo longa de Luís Alberto Rocha Melo não tivesse guardado em seu íntimo esse coração palpitando após a queda, um órgão ainda pulsante no peito de um decaído.

Essa relação fica clara desde o seu título: Um homem e seu pecado. Se existe um stimmung, uma ambiência, dentro do qual o pensamento católico facilmente se desloca, não vai tão longe quando circunscrito pela noção da culpa e do pecado. E o filme ofertará ao espectador tudo aquilo que a titulação desde o seu início prometeu. O plano de abertura é um crucifixo: diante dele, Lívido, o protagonista da história, reza fervorosamente. Seu nome por si mesmo se apresenta como um indicativo de seu contínuo assombramento, um mundo interior cheio de interditos que nem mesmo o recital de uma oração consegue silenciar por completo. Parte mesmo desses rompantes são forçados por uma oposição barroca entre o sacro e o profano, o bem e o mal, o inferno e o paraíso, a carne e o espírito, mostram-se evidenciados pela montagem muitas vezes reflexiva de estados de espírito descontínuos. Após a gregoriana imersão no mundo espiritual, uma crua e lânguida cena de sexo somente acentua o programa previamente estabelecido pelo diretor. A interposição deste dois momentos, sem nenhum outro respiro, ajuda a compor a cisão interna daquele a partir do qual se baseia o ponto de vista narrativo. O olhar aficionado de Lívido mira, na verdade, o pecado original ao qual sempre retornará para justificar o seu fracasso profissional e amoroso.

E que pecado é esse tão acalentado a ponto dele chamar de seu? Uma relação incestuosa. Eis aqui um dos temas recorrentes dentro do neocatolicismo. A arte e a beleza nada mais são do que a deriva do pensamento em perigosas regiões fronteiriças, onde o homem tem a possibilidade de flertar com o mal sem, no entanto, ser completamente atravessado por ele. Existe sempre a promessa agridoce do perdão e do arrependimento. Porém, a alma de Lívido escorregou para além dessa fronteira e agora ele precisa acertar contas com o seu passado e, quem sabe, ter uma nova chance de ser perdoado e redimido de sua falta monstruosa. Ele, então, resolve visitar o pai em Barra de São João. Porém, antes de fazê-lo, comete um ato que revela toda a sua covardia. Visita o claustro onde sua irmã até então vivia uma vida “piedosa” e a envolve temerosamente em seu plano de redenção. Esse movimento em direção ao vórtice do pecado – de cuja memória sua irmã também compartilha – terá consequências funestas para o destino das duas personagens.

Mas se engana quem achar que Um homem e seu pecado é um filme soturno e carregado, como o tema exigiria, caso estivéssemos diante de uma obra tradicional. A noção de uma irremediável mancha adquirida por uma queda está muito longe da “piedade” notada por Aristóteles ao definir a catarse como fim último da tragédia. Se nas obras do pensamento católico as bases constituintes do trágico continuam intactas, elas, no entanto, vem ungidas por inúmeras crises, incluindo, entre elas, a crise do próprio discurso. Não se passa pelo decadentismo impunemente. A atmosfera frívola e saturada pela pulsão de morte parece domesticada aqui por um sentido de paródia bem cara a Luís Alberto Rocha Melo, abordagem que vai além da mera atualização de um determinado registro literário ou artístico, desautorizando-o através de um riso que irradia desde a superestrutura narrativa. A ética da paródia é uma ética dialógica, onde se desfigura o sentido formal para se denunciar a fixidez artificiosa da norma. Esse pendor ao humor iconoclasta já se encontrava presente em seu longa anterior, Nenhuma fórmula para a contemporânea visão de mundo, mas, aqui, subsiste de forma mais discreta, sem, contudo, deixar de ser notável. Nesse sentido, o filme, em seu humor fino e rebelde, reflete um pensamento articulado a uma atividade crítica intensa, como se o próprio ato de narrar estivesse também sob o jugo de um permanente escrutínio – entregar-se a uma atividade sem esse constante desarme risonho e alerta, nesse caso, seria se dobrar a pior das tentações.

Esse viés de natureza crítica, certamente, foi forjado em anos de colaboração com revistas importantes como Contracampo, Filmecultura, e, também, atividades acadêmicas próprias a trajetória profissional de Luís Alberto Rocha Melo. Vê-se de forma bastante explícita dentro de sua dramaturgia uma gama de referências cinematográficas bastante heterogêneas, que abarcam desde autores do Cinema Novo, especialmente os católicos, como Fernando Coni Campos, e Paulo César Saraceni, até os autores ligados de alguma forma ao cinema da Boca do lixo, aqui, especialmente, Carlos Reichenbach e Rogério Sganzerla, movimento caro ao diretor cuja estreia nos longas-metragens se deu através de um documentário sobre Antônio Polo Galante. A colagem destas referências, por sua vez, ajudam ainda mais a tensionar a narrativa, que oscila entre o leve escracho mobilizado por uma câmera galhofeira e o peso circunspecto construído em torno do protagonista Lívido, cuja força atrativa age sobre a história como um buraco negro.

Essa polaridade também se produz nos diferentes tons impressos pelos atores principais em suas interpretações. Enquanto Anna Karinne Ballalai imprime nuances brechtianas à personagem Vitória, irmã do protagonista, Pedro Henrique Ferreira deixa seu olhar expressivo nuançar as características de Lívido, cuja alma se desintegra diante do espectador. Algo parecido ocorre quando comparamos a atriz à Otoniel Serra, em seu último papel no cinema, que cria a personalidade paterna como uma força apaziguada e quase impotente. Por ser praticamente a co-diretora do longa-metragem, tendo-o montado, produzido e escrito o roteiro junto com Rocha Melo, Balallai demonstra-se cúmplice do distanciamento agenciado pela direção que, mesmo mantendo-se dentro de certo decoro, deixa entrever suas intenções satanicamente satíricas. Mostra-se cúmplice das diabruras propostas pelo diretor. O diabo, como bem notaram os moralistas, mora na inconstância, na mistura e no desregramento e, por todo esse clima de hibridismo, Um homem e.seu pecado consegue criar essa atmosfera fáustica bastante característica de nossa cultura.

Inserido dentro de uma cena peculiar da cinematografia carioca, onde está acompanhado por nomes como André Sampaio, Cavi Borges, Christian Caselli e Guilherme Withaker, e, também, pelo saudoso Ricardo Miranda, Luís Alberto Rocha Melo aos poucos constrói uma obra coerente com um projeto de cinema autoral. Sem desejar ser santo, ainda assim encara a sétima arte como uma missão artística. Desse modo, vai permanecendo aqui na terra elaborando obras singulares e necessárias, à margem de “Deus”, amigado de Zé Pelintra, com quem bebe uma gelada nas horas vagas e, quem sabe, articula novos projetos futuros para o cinema brasileiro.

*Guiherme Sarmiento é professor Doutor em Análise Fílmica pelo Instituto de Letras da Universidade Federal da Bahia.

David Cardoso recebe homenagem do Festival de Inverno de Bonito

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A 18ª edição do Festival de Inverno de Bonito, a 278 quilômetros de Campo Grande, será encerrada hoje.

Sendo o festival de arte e cultura mais tradicional do Mato Grosso, este ano  a programação vai totalizar 149 atrações artísticas, 32 oficinas e cursos, nove estandes e 17 horas diárias de programação gratuita.

E a diversidade é grande: a programação terá exposição de artes, artesanatos, shows, teatro, dança, circo, culinária, e não podia faltar espaço para o cinema.  E no espaço da Sétima Arte, o grande homenageado desta edição é o ator, diretor, roteirista e produtor David Cardoso.

Festa terá shows de Ney Matogrosso e Karol Conka. Foto: Facebook Oficial/Divulgação

A inclusão de atividades no espaço do Centro de Múltiplo Uso (CMU) é uma das novidades desta edição, sendo o novo endereço do FIB em Bonito nesta edição comemorativa. O local vem servindo de ponto de encontro entre os estudantes bonitenses para participarem de oficinas, atividades culturais e espetáculos. Uma tenda de circo recebe apresentações de estudantes de escolas públicas bonitenses e outras instituições, como o Centro de Educação Infantil Laura Vicuña, Pestallozzi, Studio Kadoshi Dance e Instituto Família Legal.

No CMU, também acontecem múltiplas atividades contando com a presença de artistas como o poeta, escritor e ator Emmanuel Marinho, a banda Muchileiros, a cantora Juci Ibanez, os palhaços Anderson Lima, Pietro Lara e Pepa Quadrini & Junior de Oliveira, o mágico Tabajara, o grupo Arte e Riso Cia de Animação e Grupo Guavira com teatro de bonecos, a atriz Ramona Rodrigues com um varal de poesia com a obra de Manoel de Barros e o instrumentista Marcos Assunção com a sua viola pantaneira.

Já o ator David Cardoso, um dos mais notáveis artistas da região pantaneira, é o Homenageado do Festival de Bonito em sua 18a edição. E a trajetória do artista, que tem mais de 80 longas-metragens no curriculo, é por si só um grande reconhecimento para torná-lo merecedor das mais justas homenagens, sobretudo em sua terra natal.

Este sábado em Bonito começou com uma apresentação do grupo de dança sul-matogrossense Bailah, seguindo-se exposições, campeonato de skate, cinema, palestra e passeio noturno de bicicleta até a Capelo do Sinhozinho. Logo mais, às 20h, haverá apresentação da cantora Alzira Espíndola e, logo depois, é a vez do cantor Ney Matogrosso subir ao palco.

Amanhã, a programação termina com a Corrida de Inverno, intervenção artística, teatro, cine truck e shows de Marcelo Loureiro e Gabriel Sater.

David Cardoso, o Homenageado

Engajado com as causas ambientais desde quando isso ainda era uma ferramenta quase desconhecida, David Cardoso tem uma prosa farta e agradável. Difícil estar com ele sem dar boas risadas, falar muito sobre Cinema, cantarolar algumas pérolas do nosso cancioneiro, e tirar sarro das situações mais bizarras. Dizendo melhor: David Cardoso é um gentleman, um homem de Cinema (de fato e de direito), e um Querido, indo e voltando.

David Cardoso não passa incólume em lugar algum onde vá: ele sempre retorna pra casa com novos e muitos convites para ir lançar seu livro, exibir seu filme, fazer palestras e/ou participar de debates sobre Cinema e questões afins em quaisquer eventos onde ser autêntico e fugir do estereótipo de celebridade seja mais importante que arrotar sapiência e enumerar vantagens simplórias travestidas de conhecimento num terreno onde o descartável virou rotina e a desfaçatez posa de bacana.

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David Cardoso ao lado do Rei Roberto Carlos…

“Fiz tudo o que você imaginar sem estudar. Era um analfabeto. Colei a vida toda, o que não recomendo para ninguém. Mas aprendia vendo os outros, de curioso. Quando eu era continuísta, enquanto o pessoal ia para a farra, eu ficava passando as folhas a limpo. Olhava a câmera de 40 e tantos quilos, a lente…”

Aos 74 anos, completados em 9 de abril, David Cardoso conta que o patrimônio adquirido foi fruto de muito suor: “Abri mão de comprar Mustang e fumo – nada contra, mas todo dinheiro que ganhava, mandava para o meu pai”. Atualmente, ele “corre atrás” dos inquilinos que não pagam e acorda antes das 5 horas, dormindo apenas 240 minutos por dia, fruto de uma insônia que o acompanha há 60 anos:

“Hoje acordei às 3h20. Fiz comida, pratiquei uma hora de boxe, vim para o escritório e agora estou falando com você… Não tem preguiça. Nunca cheguei atrasado em qualquer encontro, fosse com homem, mulher, cachorro ou viado. Sei que uma hora vou cair duro, estafado”, revela o irrequieto ator, diretor e produtor. David Cardoso ainda é reconhecido pelo grande público como o “rei da pornochanchada”, aquele que transou com mais de 800 mulheres.

O ator continua: “No táxi, o motorista me reconhece, fala que não vai cobrar nada e liga para a esposa, para mostrar quem está com ele no carro, dizendo que tivemos um papo incrível. Mas há outras pessoas que torcem o nariz. Apesar disso, posso afirmar que tive uma vida gratificante, fulgurosa”, sintetiza o ator, que, entre os filmes mais marcantes, fez “A Moreninha”, com Sônia Braga, e “Caingangue, a Pontaria do Diabo”.

David Cardoso revela que gostaria de ter sido um Tony Ramos, um “cara correto, que dá todo o dinheiro que recebe à mulher”, mas que ele e a TV não foram feitos um para o outro. Chegou a participar de algumas novelas, no final dos anos 70 e início dos 80, mas o fato de ficar longe de sua terra, levou-o a abandonar o estrelato na telinha: “Enquanto estava na Globo, roubaram minha fazenda, pegaram o meu avião para saltar de para-quedas, além de 17 vacas”.

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Amigos de Cinema: Alice Gonzaga, Aurora Miranda Leão e David Cardoso em noite festiva em Araxá…

David Cardoso ficou estigmatizado, rotulado pelas várias produções com mulheres peladas (e ele também): “Falavam que meus filmes tinham de tudo. Durante muito tempo, eu era o rei da sacanagem no Brasil. Nunca participei de suruba, nunca transei com duas mulheres ao mesmo tempo… Mas nada como o tempo para ir acertando tudo”, sublinha.

O problema, segundo ele, é que as pessoas fundiam o personagem com o ator, algo que, admite, não fazia questão de refutar na época, como parte do marketing de suas produções:“Fiz um filme, o ‘Dezenove Mulheres e um Homem’, e falaram que eu tinha comido todas as 19 atrizes… Quando eu era ator e produtor dos filmes, eu não me envolvia com elas. Terminadas as filmagens, aí sim, envolvi-me com várias, não vou negar”.

Segundo David, o lendário “teste do sofá” nunca aconteceu em suas produções, com as atrizes sendo convidadas pela beleza e pelo talento: “A Matilde Mastrangi (uma das rainhas da pornochanchada) fez seis filmes comigo e só pus a mão nela em cena. Numa viagem a Portugal, chegamos a dormir na mesma cama, mas ela era noiva e eu também. Sempre a respeitei”, salienta.

Ele lembra que empregou muita gente e abriu as portas para atrizes que deslancharam no gênero posteriormente. “Vi muitas boas profissionais começando na pornochanchada. Não havia putaria. Nunca as vi fazendo programa. Eram algumas vezes trouxas, caindo de amores por homens, ricos ou pobres”, recorda David.

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David Cardoso, Carlos Alberto Ricceli e Rubens Ewald Filho (foto Aurora de Cinema)

Produtor de 34 filmes, David Cardoso faz questão de frisar que nunca foi acionado na Justiça trabalhista: “Venho da escola Mazzaropi, pagando religiosamente todos os funcionários nas sextas-feiras. Chorava até o último momento, mas pagava o combinado”, destaca. O seu filme de maior bilheteria foi Dezenove Mulheres (no qual só há 18 atrizes porque uma saiu em cima da hora) que ficou oito meses em cartaz no Cine Marabá, de São Paulo.

O filme mais recente produzido por David Cardoso é Sem Defesa, que ele define como um trabalho “contundente, misto de ficção e documentário, sobre a violência brasileira”, com participação dos apresentadores Datena e Ratinho e do senador Álvaro Dias, do Paraná.

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David Cardoso rodando o país para mostrar seu longa Sem Defesa

“A Justiça brasileira é capenga, com ninguém indo preso”, critica David Cardoso, que pôs a mão no bolso para bancar parte dos R$ 400 mil gastos na produção, realizada em apenas quatro dias e já exibida fora do país. “Com esse filme, encerrei a carreira de produtor”, avisa, sem, no entanto, abdicar do amor ao cinema.

“Pedi R$ 100 mil para atuar em um filme paulista. O diretor acabou me pagando R$ 10 mil em dez vezes. Mas se gosto do projeto, não é o dinheiro que irá me fazer desistir. Amo o cinema. Vi ‘Matar ou Morrer’ 46 vezes. ‘Meu Ódio Será Tua Herança’, 28. Vejo um mesmo filme duas vezes num mesmo dia”, registra.

* Trecho de entrevista realizada pelo jornalista Paulo Henrique Silva, do site mineiro Hoje em Dia.

“Um Homem e seu Pecado é uma espécie de Bresson tropical envenenado” – leia a crítica de Carlos Alberto Mattos

Dois bons brasileiros antípodas

 * Carlos Alberto Mattos

Enquanto LOVE FILM FESTIVAL corteja um certo gosto contemporâneo, UM HOMEM E SEU PECADO toma o caminho alternativo dos subtextos.

Vale a pena ver os dois, mas o segundo só fica em cartaz até domingo no MAM  

Com um título que resume perfeitamente sua proposta, LOVE FILM FESTIVAL é uma comédia romântica ambientada em quatro festivais de cinema ao redor do mundo. A diretora Manuela Dias explora o fetiche romântico dessas viagens, onde relações às vezes começam com a mesma fortuidade com que acabam, no hall de um aeroporto. Contudo, para a roteirista e diretora brasileira Luiza (Leandra Leal) e o ator colombiano Adrián (Manolo Cardona), que se conhecem no simpático Festival de Cinema Luso-brasileiro de Santa Maria da Feira, em Portugal, o encontro imprime algo mais que um flerte de festival.

Assim é que a história deles se estende ao Curta Cinema carioca, ao Festival de Cartagena (Colômbia) e ao Festival de Cinema Latino de Chicago. Em cada reencontro ou desencontro, algumas peças do quebra-cabeça amoroso se encaixam ou se perdem, entre hesitações, separações, traições e, claro, sessões de premiação.

Cada cidade tem um diretor específico: Bruno Safadi para o Rio, Vinicius Coimbra em Portugal, Juancho Cardona (irmão de Manolo) na Colômbia e a própria Manuela nos EUA. Ainda assim, e apesar da passagem de tempo real, o filme obtém uma relativa unidade, garantida principalmente pelo charme dos atores, a propriedade naturalista dos diálogos e a intenção de transmitir simpatia, um pouco de turismo e impasses amorosos bastante plausíveis. Está bem resolvido também o desafio de integrar a trama ficcional ao fluxo dos festivais em pleno andamento, coisa em que Terrence Malick fracassou com o seu De Canção em Canção junto aos festivais de rock do Texas.

Canções americanas pontuando o romance, vinhetas em outras línguas carimbando o toque internacional, links entre vida e cinema buscando um efeito pseudodocumental… Vários recursos são usados para sintonizar o filme com um certo gosto do momento. Nada contra isso, mas não precisava apelar para os clichês do sambinha na Cidade de Deus nem a boba discussão do epílogo sobre o final do filme. Em compensação, o plano-sequência do flagra com Leandra Leal e Du Moscovis é um grande momento num filme cheio de bons momentos para quem busca diversão leve e bem feita.



Em cartaz somente até domingo na Cinemateca do MAM, o novo longa de Luís Rocha Melo é uma espécie de Bresson tropical envenenado. UM HOMEM E SEU PECADO começa como uma variante de “Pickpocket” e termina com uma explosão de pulsões familiares represadas. No centro de tudo está Lívido (Pedro Henrique Ferreira), rapaz esquisitão, obcecado por relógios e crucifixos, adepto das técnicas de bater carteiras alheias. Depois de um estranho encontro com Baudelaire (Hernani Heffner!) no Outeiro da Glória, ele resolve convencer a irmã freira (Anna Karinne Ballalai, esposa do diretor e parceira em quase todas as funções do filme) a visitar o pai, em Barra de São João. O segundo ato é um encontro de família cheio de incômodos, onde o subtexto religioso ganha corpo e a relação entre os dois irmãos começa a ganhar dubiedade.

Em seus filmes, Luís Rocha Melo costuma passar sua erudição pelo filtro de um humor mordaz, ainda que aqui bastante distanciado. A súbita transformação da freira numa femme fatale, as cenas da livraria onde Lívido trabalha e a súbita irrupção de cantos gregorianos em situações “inadequadas” são exemplares dessa assinatura algo buñueliana. Por trás da cortina fina da comédia, porém, há um mundo em negra ebulição. A passividade sacrificial de Lívido esconde um emaranhado de desejos e repressões, que se alimentam no sonho e arrebentam como ondas revoltas nos momentos finais.

Duas saudosas figuras do cinema brasileiro fizeram sua despedida em personagens do filme: o ator Otoniel Serra, no papel do pai devotado, e o cineasta Roman Stulbach, como o dono da livraria (o “pai” rigoroso). Nessa trindade, menos que filha, Anna Karinne deveria ser o Espírito Santo.

Anna Karinne Ballalais é atriz em mais um filme de Luis Rocha Melo…

As sessões de UM HOMEM E SEU PECADO acontecem quinta e sexta, às 18h30, e sábado e domingo, às 16h.

*Carlos Alberto Mattos é jornalista, crítico de cinema e edita o Blog Rastros de CarMattos – https://carmattos.com/

 

UFJF vai realizar congresso internacional sobre Competências Midiáticas

O II Congresso Internacional sobre Competências Midiáticas acontecerá de 23 a 25 de outubro na Faculdade de Comunicação da UFJF.

Com o objetivo de promover o intercâmbio de informações sobre as Competências Midiáticas e os resultados encontrados no projeto conjunto que está sendo desenvolvido pela Rede Alfamed, o congresso terá a presença de palestrantes do Brasil e do exterior.

Convidamos professores para submeter textos para as sessões temáticas. E os alunos de graduação e pós-graduação e já graduados para submeter textos e apresentarem seus trabalhos em posters nas mesmas sessões temáticas.

Os trabalhos devem refletir sobre a interseção dos campos da comunicação e da educação, sob a perspectiva das áreas apontadas abaixo, tendo como fonte projetos de pesquisa; extensão; intervenção social, crítica, criativa e artística; trabalhos laboratoriais e de campo; vivências e experimentações.

ST 1 – Comunicação, Educação, Produção e Consumo 
ST 2 – Comunicação, Educação e Artes
ST 3 – Comunicação, Educação e Aprendizagem
ST 4 – Comunicação, Educação e Minorias

Cine Ceará vai oferecer curso gratuito de cinema e literatura

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A adaptação da obra literária para o cinema será abordada no curso Cinema e Literatura – Uma Via de Mão Dupla, a acontecer de 7 a 11 de agosto no Instituto do Ceará, como parte da programação do 27º Cine Ceará – Festival Ibero-americano de Cinema. A atividade será conduzida pelo jornalista e crítico de cinema José Geraldo Couto, autor de artigos e ensaios para os livros O cinema dos anos 80 (Brasiliense) e Folha conta 100 anos de cinema (Imago). As inscrições são gratuitas e devem ser realizadas online, pelo site do festival: www.cineceara.com, até o próximo dia 2 de agosto.

                                          

 O curso é dividido em cinco aulas que exploram temas como as dificuldades de adaptar, autores que centram sua literatura na forma de narrar, afinidades e entrechoques entre escritor e cineasta, além das falsas ideias sobre adaptação literária, como “o livro é sempre melhor que o filme” e “adaptação tem que ser fiel ao texto”. O curso é destinado a estudantes de cinema, comunicação, letras e demais interessados. 

A realização é do 27° Cine Ceará, que acontece de 5 a 11 de agosto, numa promoção da Universidade Federal do Ceará (UFC), através da Casa Amarela Eusélio Oliveira, com apoio do Governo do Estado do Ceará, por meio da Secretaria da Cultura, da Prefeitura Municipal de Fortaleza, via Secultfor, e do Ministério da Cultura, através da Secretaria do Audiovisual. A realização é da Associação Cultural Cine Ceará e Bucanero Filmes e conta com patrocínio da SP Combustíveis e M. Dias Branco, através da Lei Federal de Incentivo à Cultura (Lei Rouanet), e da Enel e da OI, por meio do Mecenato Estadual do Ceará. Além disso, conta ainda com Apoio Cultural da Oi Futuro e Indaiá. 

PROGRAMAÇÃO 

1ª aula (7/08) – As falsas ideias sobre adaptação literária (“O livro é sempre melhor que o filme”; “Adaptação tem que ser fiel ao texto”, etc.). O filme como tradução de um meio a outro, mas também de uma sensibilidade a outra. Afinidades e divergências entre artistas. Os exemplos de Morte em Veneza (Thomas Mann/Visconti) e O processo(Franz Kafka/Orson Welles). Três adaptações de Macbeth, de Shakespeare: por Orson Welles, Kurosawa e Polanski. 

2ª aula (8/08) – O filme como diálogo de uma época com outra. Exemplos deMacunaíma (Mario de Andrade/Joaquim Pedro de Andrade) e De olhos bem fechados(Arthur Schnitzler/Stanley Kubrick). O livro como inspiração ou “estopim” para falar de outra coisa. Exemplos de Psicose (Robert Bloch/Hitchcock) e das adaptações do contoOs assassinos, de Hemingway (por Robert Siodmak, Don Siegel e Andrei Tarkovsky).Três versões de To have and have not, de Hemingway (por Hawks, Michael Curtiz e Don Siegel). Apocalypse now, um diálogo com O coração das trevas, de Conrad. 

3ª aula (9/08) – Autores e livros influenciados pelo cinema. O exemplo de Dashiell Hammett e O falcão maltês. Escritores como roteiristas em Hollywood (Brecht, Faulkner, Fitzgerald, Chandler). Poetas e escritores que se tornaram cineastas para ampliar seus meios de expressão (Jean Cocteau, Graham Greene, Peter Handke, Pasolini, Marguerite Duras, Dalton Trumbo, Paul Auster). Ficcionistas brasileiros no limiar entre literatura e cinema (Rubem Fonseca, Marçal Aquino). 

4ª aula (10/08) – As armadilhas da linguagem. Dificuldade de adaptar autores que centram sua literatura na forma de narrar: Henry James, Proust, Joyce, Guimarães Rosa. Proust por Schlöndorff, Chantal Ackerman e Raoul Ruiz. Joyce por Jack Clayton, John Huston e Ivan Cardoso. Duas versões de Memórias póstumas de Brás Cubas, de Machado de Assis (por Julio Bressane e André Klotzel). Tentativas de mimetizar procedimentos literários: o caso de A dama do lago (Raymond Chandler/Robert Montgomery). 

5ª aula (11/08) – Afinidades e entrechoques entre escritor e cineasta. O caso Stephen King x Kubrick: O iluminado. Nelson Pereira dos Santos e sua variada relação com escritores brasileiros (Graciliano Ramos, Jorge Amado, Nelson Rodrigues, Machado de Assis, Guimarães Rosa). As “meta-adaptações”: filmes centrados no próprio processo de transposição de uma obra literária para outro meio, tempo e lugar. Exemplos de Tchecov (por Louis Malle e Eduardo Coutinho) e Shakespeare (por Al Pacino e Irmãos Taviani).

 

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CineTeatro São Luis vai abrigar mais uma edição do Cine Ceará…

SERVIÇO

Curso Cinema e Literatura – Uma Via de Mão Dupla

Quando: 7 a 11 de agosto

ONDE: Instituto do Ceará (Rua Barão do Rio Branco, 1594 – Centro, Fortaleza – CE).

Horário: 9h às 12h. Vagas: 30. 

Inscrições: São gratuitas e devem ser feitas até 02 de agosto, por meio do www.cineceara.com

  • Participantes com frequência igual ou superior a 75%, receberão certificado emitido pelo 27º Cine Ceará. Informações: (85) 3366 7772.

Filme de Luis Rocha Melo e Anna Ballalai é bem recebido pela crítica

um homem e seu pecado

Depois de ter lotado sua sessão de estreia na Cinemateca do MAM carioca, o filme Um Homem e seu pecado, de Luis Rocha Melo, vem ganhando muitos elogios e críticas favoráveis de diversos profissionais de cinema.

Uma dessas críticas, a do cineasta Leo Pyrata, de Belo Horizonte, você confere aqui no #blogauroradecinema:

UM HOMEM E SEU PECADO

Leo Pyrata*

Um homem e seu pecado é o mais recente longa-metragem de Luís Rocha Melo e mais um fruto de sua parceria com Anna Karinne Ballalai dividindo roteiro, montagem e produção entre outras funções na fita. Antes de falar do filme, é prudente falar um pouco do cinema de Luís Rocha Melo e de seu modo de produção calcado no cinema de guerrilha gerando resultados singelos e bastante inventivos. Assim como em seu longa anterior Nenhuma fórmula para a contemporânea visão do mundo (2012), é importante ter em conta a intertextualidade oswaldiana e buscar a experiência de “ver com olhos livres” o filme. É preciso lembrar que estamos diante de um filme de cinema que não se prende às condições engessantes de produção subordinadas à existência de uma volumosa equipe de cinema, com grande aparato e departamentos, em que o set vai fechando vias nas filmagens externas. Estamos no território mais intimista caro ao cinema documentário de equipe reduzida, realizando ficção à luz e efeito das intempéries possíveis nesse caminho. Na linha daquele que Marcelo Ikeda e Dellani Lima chamaram de “cinema de garagem” e com um dado importante a ser levado em conta: as ruas são também um personagem e estão bem presentes no filme. O desenha a movimentação dos personagens aqui, e era algo que já me agradava bastante também no Nenhuma fórmula. O que é algo por si só bem agradável de ver, pois, na maioria das vezes, filmes que seguem esse modo de produção tendem a se isolar em locações fechadas, onde existe um maior controle. A mise-en-scène flui de forma melíflua e se organiza coletando planos cuja beleza orbita na esfera do possível, ungido pelo inventivo, e sem com que o frescor, o rigor e a beleza sejam negligenciados.

O primeiro plano do filme apresenta um crucifixo iluminado de forma que a luz projeta um triangulo pélvico estabelecendo uma síntese do conflito entre o sacro e o mundano. No contraplano, ajoelhado, está Lívido, interpretado por Pedro Henrique Ferreira. Um batedor de carteiras individualista que trabalha numa livraria com uma apatia quase estoica. Ele tem fixação por relógios e símbolos cristãos, como igrejas e crucifixos. Começa o filme de joelhos, rezando, suplicante, e, momentos depois, transa de forma truncada e sôfrega com uma moça que faz um desenho dele. Neste começo há mais nudez do que o recorrente no cinema brasileiro atual. A maneira com que ele se comporta no mundo também produz um incômodo deslocamento, que é vital para sua enunciação enquanto personagem de ficção. Muito dessa força se traduz tanto em seu olhar quanto na maneira com que ele flana pela cidade, como, por exemplo, na cena dos créditos de abertura, onde ele caminha como um Nosferatu do Brasil desprovido do “joie de vivre” tropical. O modo como Lívido caminha é peculiar e parece retraído como se o personagem usasse um cinto de castidade, e essa sensação será reiterada ao longo do filme.

Em seu ambiente de trabalho formal, Lívido é indagado por um cliente da livraria sobre a possibilidade de se encomendar um livro de Kafka. O tratamento da cena é kafkiano e, no desenrolar, Lívido embolsa para si o dinheiro da encomenda. O que já abre para a especulação do espectador: Lívido busca, ao jogar com o livre arbítrio, talvez conscientemente, a autossabotagem com o intuito de obter alguma reviravolta que faça com que ele consiga sentir alguma coisa. Um detalhe aí é que o livro em questão é Na Colonia Penal, e por conta dele é necessário um parêntese.

No livro Na Colônia Penal de Franz Kafka, uma paródia da ideia de pecado original surge na observação do oficial: “Nunca se deve duvidar da culpa”. Na Colônia Penal foi um livro influenciado pela novela O Jardim dos Suplícios, do escritor francês Octave Mirbeau, uma das grandes obras da literatura decadente. A segunda parte da novela se passa na China, na penitenciária de Cantão. A descrição minuciosa das torturas e seus instrumentos expostos ao ar livre num bosque, produz um contraste feérico perante as flores cultivadas no jardim que dá nome ao livro. Instrumentos de sofrimento salpicando a paisagem paradisíaca com lembranças infernais.

Lívido parece estar sempre deslocado nos espaços que habita perante a câmera. Uma angústia sóbria pontua seu gestual e a maneira com que ele se relaciona com o espaço e interage nos bares – afinal ele carrega culpa enquanto batedor de carteiras. O cinema já explorou a riqueza do gestual do batedor de carteira e suas relações estreitas com os truques de mágica, pois ambas abusam da sugestão do misdirection, mas no caso de Lívido vemos mais os efeitos da tensão. E a paranoia que os delitos produzem no bar onde ele vai beber se explicitam na troca de olhares com o policial, como se no fundo a verdadeira pulsão que busca nessa atividade é a de encontrar alguma forma de punição. Cabe comentar que a decupagem é bastante sofisticada e muito engenhosa no modo como apresenta os personagens e na maneira carinhosa com que filma o boteco, trazendo aqui à lembrança Fulaninha, de David Neves.

Não demora muito e Lívido é demitido da livraria pelo proprietário, Doutor Salles (interpretado por Roman Stubalch em sua última participação em um filme), por conta de seu comportamento de apatia extrema. Evento que não causa em Lívido nenhuma reação ou mesmo surpresa. Depois disso, Lívido é agredido por um homem na rua e novamente não esboça nenhuma reação diante da situação, que é tratada por ele de forma resiliente e passiva. O que deixa no espectador a impressão de algo como a serenidade de um jardineiro confiante diante do germinar de uma semente plantada. Sua deambulação continua no signo da inércia e é interrompida com um encontro inusitado com o poeta Charles Baudelaire, interpretado por Hernani Heffner, que numa paráfrase livre do poema em prosa Enivrez-vous, conclama que Lívido se embriague de vinho, virtude ou poesia para não ser um escravo martirizado do tempo.

Este evento é determinante para que Lívido resolva ir de encontro ao pai e para isso ele escreve para Victoria, sua irmã, interpretada por Anna Karinne Ballalai, propondo que eles visitem o pai, Doutor Gomes, por ocasião de seu aniversário de setenta anos. Lívido vai até o convento onde vive Victoria e a convence a fazer a viagem com ele. Os dois partem para Barra de São João, cidade onde foram criados, para um provável acerto de contas com o passado. A mudança radical do figurino de Victoria após abandonar o hábito religioso caracteriza uma forte metanoia reversa e abre espaço para conjecturas acerca dos pormenores de seu claustro.

A sequência da chegada em Barra de São João traduz em seus planos com frescor a maneira com que o filme enfrenta as ruas com desembaraço, e ali orbita seu universo respirando através de seus personagens. Antes do retorno dos filhos ao encontro do pai, há um encontro alegórico com a ruína numa pequena pausa onde Lívido se recompõe aguardando Victoria. As ruínas onde habitam os bichos de saturno – afinal a natureza onde se imprime a imagem do processo histórico é a natureza decaída. O estado da estória se funde com o cenário de forma concreta – afinal, a presença incontornável da ação do tempo segue reduzindo lembranças e demolindo fachadas condenadas aos escombros da memória. E desse índice sutil de mortificação, o efeito sobre Lívido se traduz da maneira travada, que seu caminhar e sua expressão corporal assumem conforme vai se aproximando o momento de reencontro com o pai. Movimento de retorno às origens e acerto de contas com o passado. Um mergulho como gesto de renovação da própria vida. Dados os detalhes da narrativa, cabe ao espectador mergulhar no gesto praticado pelo cinema proposto aqui por Luís e Anna, e corporificado também por Pedro. Afinal, é no corpo em cena que habita o cinema também. O encontro de Lívido com o pai, Doutor Gomes, interpretado por Otoniel Serra (irretocável em seu último papel no cinema), um personagem incrível que parece sufocar o filho de forma carinhosa, conduz o convívio entre eles para as raias do insuportável e situa de forma coesa o conflito que paira sobre Lívido. É provável que sua determinação em entender e ajudar o filho acabe, por linhas tortas, encaminhando-o e conduzindo-o ao seu renascimento. A figura religiosa e solar do pai bloqueia o desejo incestuoso que Lívido manifesta pela irmã, num sonho e na cena onde visitam o túmulo materno. O fato de Lívido se negar a verbalizar seus problemas o acaba jogando para o campo da ação através de um gesto violento contra o pai, na mesa de almoço após um momento de oração, onde ele se nega a dizer amém. O evento também liberta Victoria e os separa. Ainda que o rompimento paterno seja compartilhado, fica evidente que a atração entre eles está mais na cumplicidade que no desejo. Uma vez livre e alcançado seu retorno de saturno, vemos Lívido num observatório, ainda batendo carteiras, mas agora livre do peso da atração culposa que sofria pela ascendência do pai.

Pode-se apontar em Um homem e seu pecado ecos da fase derradeira de David Neves na forma segura, desembaraçada, serena e tranquila com que as situações são colocadas em cena, suavizando um pouco a dramaticidade barroca da premissa. Este tratamento cuidadoso proporciona ao espectador uma experiência ímpar na cinematografia brasileira contemporânea.

*Leo Pyrata é cineasta. Realizou, entre outros filmes, o premiado curta Imhotep e o longa-metragem Subybaya.

LIBERDADE é tema de Um Homem e seu pecado, estreia desta segunda no MAM

cartaz menor

Um homem e seu pecado é o terceiro longa-metragem de Luís Rocha Melo. Selecionado em 2016 para a 15 ª Mostra do Filme Livre (Rio de Janeiro, São Paulo, Belo Horizonte e Brasília) e exibido na Mostra Cine Patrimonial da Cineteca Nacional (Santiago do Chile), Um homem e seu pecado entra agora em cartaz na Cinemateca do Museu de Arte Moderna do Rio de Janeiro, ficando em exibição do dia 24 a 30 de julho de 2017.
Tendo como um dos eixos recorrentes de seu cinema a investigação das relações entre a expressão audiovisual e o passado cinematográfico brasileiro, Luís Rocha Melo dirigiu, entre outros trabalhos, o média-metragem documental O Galante rei da Boca (2004), prêmio de Melhor Documentário pela Associação Brasileira de Documentaristas de São Paulo (Festival É Tudo Verdade de 2004), e o curta Que cavação é essa? (2008), lançado no 48º Festival de Brasília (2008) e ganhador do prêmio de Melhor Filme pelo Juri Popular no 1º Festival Nacional do Júri Popular (2009).
A narrativa de Um homem e seu pecado expõe um inusitado triângulo de relações familiares, reverberando temas e questionamentos cada vez mais presentes na vida brasileira contemporânea. De acordo com Rocha Melo, “Um homem e seu pecado é um filme noturno sobre uma geração que se pretendia solar. Uma geração que esteve no centro de um grande eclipse ideológico e que ainda hoje procura entender o que fazer e como agir. O filme coloca em questão a ideia de liberdade: o que é ser livre?”
Nos papéis de Lívido (personagem que dá título ao filme) e sua irmã Vitória, Um homem e seu pecado apresenta Pedro Henrique Ferreira e Anna Karinne Ballalai. Pedro, cineasta formado pela PUC-RJ, trabalhou anteriormente com Luís Rocha Melo sendo personagem do documentário Legião estrangeira (2011). O longa registra a viagem de dois jovens cineastas pelo litoral fluminense, enquanto tentam filmar a vida de Walter Benjamin no Brasil. Em Um homem e seu pecado, seu primeiro papel num filme de ficção, teve o desafio de dar vida a um personagem incomum: “O Lívido é uma figura estranha”, afirma Pedro Henrique. “Ele é ao mesmo tempo católico e
cleptomaníaco, obcecado e vagabundo. Mas acho que é uma pessoa estranha que está perdida em um mundo que é mais estranho ainda.”

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Anna Ballalai é roteirista, produtora, atriz e co-editora de Um homem e seu pecado
Formada em Cinema pela UFF, Anna Karinne Ballalai trabalhou em diversas funções em vários curtas-metragens até produzir, roteirizar e estrelar a comédia de longa-metragem Nenhuma fórmula para a contemporânea visão do mundo (Luís Rocha Melo, 2012), início de uma parceria que resultou na realização de Um homem e seu pecado.

 

Neste filme, além do trabalho de atriz, Anna cumpriu as funções de roteirista, produtora e co-editora: “Em cinema, a dramaturgia passa pelo roteiro, pela encenação e pela atuação nas filmagens, mas também pela montagem, que é uma espécie de roteiro às avessas. O Luís me deu espaço para ser uma atriz pudovkiniana, podendo participar da montagem do filme.”
Um homem e seu pecado conta também com a participação de Otoniel Serra, em seu último papel no cinema. Ator formado no final dos anos 1950 pela Escola de Teatro da Bahia, contemporâneo da geração do Cinema Novo, Otoniel Serra atuou em longas como Copacabana mon amour (Rogério Sganzerla, 1970), A lira do delírio (Walter Lima Jr., 1978) e Strovengah – Amor torto (André Sampaio, 2011). Sua marca é a entrega total ao personagem, em performances impactantes e de forte teor experimental.

Em Um homem e seu pecado, no papel do Dr. Gomes, pai dos protagonistas Lívido e Vitória, Otoniel Serra encara o desafio de uma atuação contida, intimista, construindo o drama de um personagem enigmático a partir de nuances de olhares e gestos cotidianos.

O elenco de Um homem e seu pecado tem ainda as participações especiais do cineasta Roman Stulbach (que teve sua estreia como ator em Nenhuma fórmula para a contemporânea visão do mundo, longa anterior de Rocha Melo), e do pesquisador e curador da Cinemateca do MAM, Hernani Heffner, encarnando o poeta Charles Baudelaire numa aparição sobrenatural no Outeiro da Glória.

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O consultor e pesquisador Hernani Heffner faz participação especial no filme Um homem e seu pecado…
SINOPSE:
O jovem Lívido é um individualista radical. Vive em seu próprio mundo e nutre uma estranha obsessão por igrejas e crucifixos. Funcionário relapso numa livraria, à noite perambula pelas ruas do Rio de Janeiro dedicando-se à arte dos batedores de carteira. Após um encontro sobrenatural com Charles Baudelaire, no Outeiro da Glória, Lívido decide tomar um novo rumo e procurar sua irmã, Vitória, que é freira e vive num convento. Sob o pretexto de comemorarem o aniversário de setenta anos de seu pai, Lívido convence Vitória a deixar o convento e a partirem juntos para Barra de São João, cidade em que foram criados. O encontro entre os três torna evidente a impossibilidade do convívio familiar. De volta às paisagens que marcaram a sua infância, Lívido e Vitória redescobrem um sentimento sufocado pelos anos e reprimido pelos cuidados zelosos do pai.

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Anna Karinne Ballalai em cena de Nenhuma Fórmula para a Contemporânea Visão do Mundo, segundo longa de Luis Rocha Melo…
ELENCO:
PEDRO HENRIQUE FERREIRA (Lívido); ANNA KARINNE BALLALAI (Vitória); OTONIEL SERRA (Dr. Gomes); ROMAN STULBACH (Dr. Salles); MIRIAM VIEIRA (A Desenhista); HERNANI HEFFNER (Charles Baudelaire); THIAGO BRITO (O Diabo); MARIO CASCARDO (Leitor Kafkiano); MARIO DU PIN (Inspetor Du Pin); SÉRGIO MILLAN (Policial); EDUARDO REY (O Advogado do Diabo); FRANCISCO SILVA (Garçom); PEDRO FAISSOL; BRUNO FORAIN; DIOGO CAVOUR; DANIEL PECH e EDUARDO CANTARINO. Participações Especiais: JOSÉ CARLOS MACHADO CORRÊA e a equipe da CASA HUMANITÁRIA Dr. ALBERT SCHWEITZER; WALTER ALMEIDA e seu violão.
FICHA TÉCNICA:
Direção: LUÍS ROCHA MELO; Assistentes de Direção: ANNA KARINNE BALLALAI e DIOGO CAVOUR; Argumento e Roteiro: ANNA KARINNE BALLALAI e LUÍS ROCHA MELO; Montagem: LUÍS ROCHA MELO e ANNA KARINNE BALLALAI; Direção de Fotografia e Câmera: LUÍS ROCHA MELO; Correção de Cor: WILLIAM CONDÉ; Fotografia Still: JÚLIO BORGES; Fotografia Still Adicional: MARCO AURÉLIO M. FERREIRA e TATIANA CURZI; Making Of: JÚLIO BORGES; Efeitos Especiais: BIA MEDEIROS, DIOGO CAVOUR e ANNA KARINNE BALLALAI; Som Direto: DIOGO CAVOUR e THIAGO BRITO; Edição de Som e Mixagem: LUÍS EDUARDO CARMO; Desenho de Som: LUÍS EDUARDO CARMO; Pesquisa e Seleção Musical: LUÍS ROCHA MELO, ANNA KARINNE BALLALAI e LUÍS EDUARDO CARMO; Trilha Sonora Musical: PAULO CORRÊA; Direção de Arte: ANNA KARINNE BALLALAI e DENISE FISCHER; Figurinos: LUÍS ROCHA MELO e ANNA KARINNE BALLALAI; Costureira: LOURDES DOS SANTOS; Hair Designer: HUDSON LEMOS; Cabelo e Maquiagem: RENATA CABRAL; Pesquisa de Locação: ANNA KARINNE BALLALAI e JÚLIO BORGES; Direção de Produção: ANNA KARINNE BALLALAI, CRISTINA MENDONÇA e JÚLIO BORGES; Produção de Finalização: ANNA KARINNE BALLALAI e LUÍS ROCHA MELO; Coordenação Geral de Produção: ANNA KARINNE BALLALAI; Produção Executiva: LUÍS ROCHA MELO e ANNA KARINNE BALLALAI. Cartaz: Edward Monteiro. Realização: FILMES DO INSTANTÂNEO | WILD PALMS.

Confira o trailler do filme:

SERVIÇO

Lançamento do filme O Homem e seu pecado

(Luís Rocha Melo, Brasil, 85 min. ficção, 2016)

Quando e Onde: segunda, 24 de julho, 19:30h, na Cinemateca do MAM – Flamengo, Rio

Um Homem e seu Pecado estreia dia 24 na Cinemateca do MAM

cartaz menor

Cineasta Luis Rocha Melo convidando para a estreia de seu novo filme:

Queridos amigos e amigas, 

é com muita felicidade que convido a todas/os para a estreia do nosso longa-metragem Um homem e seu pecado (Luís Rocha Melo, 85′, 2016) na Sala da Cinemateca do Museu de Arte Moderna do Rio de Janeiro, dia 24 de julhosegunda-feira, às 19 horas.
A sessão de estreia vai ser seguida de um debate sobre o filme e sobre as estratégias de criação e de exibição no cinema independente brasileiro contemporâneo, com as participações especialíssimas dos queridos Hernani Heffner (pesquisador, curador-adjunto e conservador-chefe da Cinemateca do MAM), Daniel Caetano (cineasta, crítico e professor da UFF) e Chico Serra (cineasta e curador da Mostra do Filme Livre) – além de mim e da Anna Karinne Ballalai, atriz, roteirista e produtora de Um homem e seu pecado.
O filme ficará em cartaz do dia 24 ao dia 30 de julho
De terça (dia 25) a sexta (dia 28), sessões às 18:30 h
 
Sábado (dia 29) e domingo (dia 30), sessões às 16 horas.
Vai ser um prazer e uma alegria muito grandes encontrá-los lá !
um homem e seu pecado
Um homem e seu pecado é o terceiro longa-metragem de Luís Rocha Melo. Selecionado em 2016 para a 15 ª Mostra do Filme Livre (Rio de Janeiro, São Paulo, Belo Horizonte e Brasília) e exibido na Mostra Cine Patrimonial da Cineteca Nacional (Santiago do Chile), Um homem e seu pecado entra agora em cartaz na Cinemateca do Museu de Arte Moderna do Rio de Janeiro, ficando em exibição do dia 24 a 30 de julho de 2017.
Tendo como um dos eixos recorrentes de seu cinema a investigação das relações entre a expressão audiovisual e o passado cinematográfico brasileiro, Luís Rocha Melo dirigiu, entre outros trabalhos, o média-metragem documental O Galante rei da Boca (2004), prêmio de Melhor Documentário pela Associação Brasileira de Documentaristas de São Paulo (Festival É Tudo Verdade de 2004), e o curta Que cavação é essa? (2008), lançado no 48º Festival de Brasília (2008) e ganhador do prêmio de Melhor Filme pelo Juri Popular no 1º Festival Nacional do Júri Popular (2009).
A narrativa de Um homem e seu pecado expõe um inusitado triângulo de relações familiares, reverberando temas e questionamentos cada vez mais presentes na vida brasileira contemporânea. De acordo com Rocha Melo, “Um homem e seu pecado é um filme noturno sobre uma geração que se pretendia solar. Uma geração que esteve no centro de um grande eclipse ideológico e que ainda hoje procura entender o que fazer e como agir.
O filme coloca em questão a ideia de liberdade: o que é ser livre?”
Nos papéis de Lívido (personagem que dá título ao filme) e sua irmã Vitória, Um homem e seu pecado apresenta Pedro Henrique Ferreira e Anna Karinne Ballalai. Pedro, cineasta formado pela PUC-RJ, trabalhou anteriormente com Luís Rocha Melo sendo personagem do documentário Legião estrangeira (2011).
O longa registra a viagem de dois jovens cineastas pelo litoral fluminense, enquanto tentam filmar a vida de Walter Benjamin no Brasil. Em Um homem e seu pecado, seu primeiro papel num filme de ficção, teve o desafio de dar vida a um personagem incomum: “O Lívido é uma figura estranha”, afirma Pedro Henrique. “Ele é ao mesmo tempo católico e cleptomaníaco, obcecado e vagabundo. Mas acho que é uma pessoa estranha que está perdida em um mundo que é mais estranho ainda.”
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A aconchegante Cinemateca do MAM vai abrigar a estreia de Um homem e seu pecado
Link do trailer de Um homem e seu pecado no Youtube (1080 p):
Cartaz: Edward Monteiro

Goiânia reabre os braços ao Cinema

O Centro Municipal de Cultura Goiânia Ouro, importante cenário para a celebração da cultura na capital goiana, foi reaberto neste julho de férias com uma extensa programação que destaca a música, o teatro e o cinema. E nesta terça, 18 de julho, voltará a exibir CINEMA em seu poderoso telão !

Administrado pela Prefeitura de Goiânia, por meio da Secretaria Municipal de Cultura (Secult), um dos mais queridos e tradicionais pontos de convergência cultural da capital goiana, volta a receber público e artistas num benfazejo sinal de bons ventos para quem produz, quem curte e quem atua na área. Além do cinema e do teatro, o espaço volta com as atividades do Café Cultura, biblioteca, Loja do Artista e o curso de internet básica para maiores de 40 anos.

DE VOLTA, o FestCine 

O Fest Cine Goiânia, que foi criado em 2005 e marcou uma época de grandes nomes do cinema na capital goiana – intercambiando com os profissionais da comunicação e artistas goianos através de palestras, oficinas, realização de filmes e criação de projetos, além da ótima premiação que era ofertada pelo festival -, retorna agora sob o comando de quem idealizou o festival e o levou adiante por todos os anos de sua trajetória, sempre realizando uma programação com filmes, realizadores, artistas e temáticas relevantes, a cineasta e produtora-executiva Débora Tôrres.

Efervescência cultural

Além do show musical de Marcus Biancardini, realizado no último dia 14, o Goiânia Ouro preparou uma programação com uma série de espetáculos de teatro e música, além de uma mostra de cinema voltada para produções de cineastas goianos, que começa amanhã e segue até dia 21.. O Centro Municipal de Cultura Goiânia Ouro fica na rua 03, esquina com Rua 09, nº 1.016, Setor Central..

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Rubens Ewald Filho, mais importante crítico de cinema do país, estará em Goiânia prestigiando o FestCine. Só isso já mostra a importância enorme do Festival da capital goiana…

 
 

Criado em 2005, o FestCine Goiânia retorna com uma programação especial que segue até 15 de dezembro, contando com a exibição de filmes em mostras especiais, lançamentos, oficinas, palestras e homenagens. A abertura oficial acontece nesta terça, 18 de julho, às 19h30, com a exibição do curta Krakö, Os Filhos da Terra, e o batismo da sala de projeção do Centro Cultural, que passará a ser Sala de Cinema Luiz Eduardo Jorge.  

A primeira mostra do festival será em homenagem ao cineasta goiano Luiz Eduardo Jorge, falecido em maio deste ano. }Dez filmes do documentarista serão exibidos até 31 de julho, com três sessões diárias: às 12h30, 15h e 20h, com entrada gratuita.

“Neste ano não teremos a mostra competitiva, mas a ideia é debater com a classe um novo formato, para resgatar toda essa grandiosidade, atendendo também a demanda que surgiu neste período de paralisação, como um anseio por uma mostra competitiva também para os longas goianos”, diz Débora Tôrres, produtora executiva e diretora geral do festival.

Duas palestras já estão agendadas dentro da programação da 8ª edição do Festcine.  A primeira, “O Cinema  presente e seu futuro”,  no dia 8 de agosto, será ministrada pelo jornalista e crítico de cinema Rubens Ewald Filho. No dia 9 será a vez do ator e cineasta Germano Pereira com “Ler, Escrever e Adaptar (para o cinema e para a televisão)”. 

As inscrições serão abertas  a partir do dia 21 de julho, através do site do festival www.festcinegoiania.com 

Serviço:

8º Festcine Goiânia – Edição Especial 2017

Abertura oficial: 18/07

Exibição do filme Krakö, Os Filhos da Terra.

Horário: 19h30

Local: Centro Municipal de Cultura Goiânia Ouro (Rua 3, esquina com Rua 9, Centro)

Entrada franca

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