Arquivo do mês: dezembro 2017

AMOR, PAZ, LUZ e FELIZ NATAL !

NATAL Blog

       A você, leitor amigo, e a todos os nossos leitores, parceiros, professores, colegas

                 e queridos que vamos encontrando pelos quatro cantos do mundo !

          Que saibamos ser NATAL em todos os dias do Novo Ano que se avizinha !

    Muito OBRIGADA a todos pelo carinho da visita e pela intensidade da sintonia !

               Sorrie, divulgue, compartilhe !

                      O #blogauroradecinema agradece !

 

Roberto Carlos: o sol sobre a estrada da MPB… e o Sol sobre a estrada é o Sol !

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                                                                                                          *Aurora Miranda Leão

           Roberto Carlos é um fenômeno de Comunicação. Há muito, o notável artista capixaba, deixou de ser apenas um cantor que compõe lindamente, e passou a ser a Força Estranha das coisas que são muito grandes para esquecer.

         Janelas e portas vão se abrir pra ver você chegar... Estes versos soam forte nos solos do Brasil e revestem-se de um significado emblemático. Para entendê-los em plenitude e entender o tanto de significado que carregam, faz-se mister saber e/ou rememorar parte da história do país.

            Vivia a nossa Pátria-Mãe tão distraída sem perceber que era subtraída em tenebrosas transações… O Brasil vivia os anos sombrios da ditadura – esta mesma, registrada em música, literatura e jornalismo -, que existiu de modo inconteste e extirpou a liberdade de seu território, instaurou a violência, a censura, a disparidade social e os desmandos do poder de ordem vária.

Por conta da abjeta repressão, as idéias libertárias foram perseguidas enquanto artistas e pensadores foram obrigados a deixar o país. Augusto Boal, Caetano Veloso, Gilberto Gil, Chico Buarque, Juca de Oliveira, Guarnieri, Fernando Gabeira, Júlio Bressane, Ferreira Gullar, Artur da Távola, Henfil, Betinho e tantos outros passaram anos no exterior, impedidos de voltar à terra natal.  Seus crimes ? Defender a Liberdade !

  É preciso que você, caro leitor, saiba que foi preciso a dor e a luta de muita gente para que você pudesse hoje viver num território onde habita a liberdade, e onde qualquer um pode cantar em alto e bom som – “As luzes e o colorido que você vê agora, nas ruas por onde anda, na casa onde mora…” (ainda que preconceitos nefastos insistam em permanecer vivos).

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Roberto anteviu o símbolo em que Caetano se transformaria: “janelas e portas vão se abrir pra ver você chegar…”

Aqueles anos perversos e inolvidáveis, registram essa inserção poética de Roberto Carlos tem uma atuação poética relevante no que toca esse período umbrífero. Foi o Rei, que com sua voz terna, afinada e inconfundível, destacou a energia de Caetano Veloso para o país quando o músico ainda vivia no exílio e dele pouco se podia falar por aqui. Naqueles terríveis anos de 1970, Roberto Carlos, já um ídolo nacional, jogou luzes, da forma que lhe foi possível, na tensa e deplorável vida sociopolítica brasileira ao celebrar os caracóis de Caetano.  Sim, eram os cachinhos de Caetano que traduziam “um soluço e a vontade de ficar mais um instante”. Algo assim como está tatuado no cancioneiro nacional:  Um dia a areia branca seus pés irão tocar e vai molhar seus cabelos a água azul do mar…

               Por tudo isso, Roberto Carlos abrir seu Especial deste 2017 que se aproxima do final saudando Caetano Veloso foi uma poderosa expressão da grandeza do artista e da riqueza de sua obra. Você poderá indagar: “Caetano ?, mas Caetano nem estava lá...”

            Sim, o baiano querido e festejado em todo o território nacional, não estava lá fisicamente mas Caetano é o autor da música-tema de Roberto Carlos. Foi Veloso quem definiu o Rei como essa força poderosa e inaudita que nos leva a cantar, gerações e gerações, inoxidavelmente, como se o tempo, ainda que passe, tenha o dom de conseguir passar sem nos envelhecer.

            Em seguida, Roberto cantou a sua monumental Fera Ferida, que Caetano gravou em 1987 e, a partir daí, a inscreveu com letras garrafais nas páginas de ouro da Música Brasileira.

           Thiago Iorc, Djavan (dividindo o microfone com o Rei em Pétala e As curvas da estada de Santos), a Sereia Isis Valverde, Simone e Simária, e Erika Ender foram os convidados deste Especial.

              Ao longo de todas essas décadas nas quais Roberto Carlos construiu uma carreira singular no país, estiveram com ele na estrada artistas de todos os matizes, ritmos, tendências. Basta dar uma passada pelo YouTube e você encontrará trocentas vozes distintas cantando e encantando com o Rei. Méritos para o Grande Artista, seu empresário Dody Sirena (que tem uma noção importante sobre o que representa Roberto Carlos para o país), e o magnânimo naipe de músicos que acompanha o Rei há tempos.

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Isis Valverde: Ritinha é a Sereia dos versos do Rei.,,

        O Especial deste 22 de dezembro teve um público muito superior ao dos anos anteriores. A prévia de dados em tempo real, medida pela Kantar, mostra que o programa alcançou cerca de 30 pontos em São Paulo, uma das maiores médias dos últimos 10 anos. Ou seja, bem acima dos 25,1 pontos de 2015 ou dos 22 pontos do ano passado. Mais da metade das TVs ligadas na região estava sintonizada na Globo. Cada ponto do ibope em SP (desde ontem) agora vale por cerca de 72 mil domicílios.

         Roberto Carlos inova e se renova a cada ano ao estar sempre se reinventando, seja pelo funk, o axé, o bolero, o samba, o pagode, o rock, o rap, o hip hop, a Bossa Nova, a salsa, o forró e a música sertaneja. Isso é parte do que explica a presença permanente, benfazeja e instigante de Roberto Carlos na Cultura Brasileira. Além disso, o Rei encanta com sua voz terna, a afinação perfeita, o repertório precioso e cantando cada vez melhor, como diz o colunista Ricardo Feltrin:

“Voz poderosa e com ampla tessitura, sua afinação é absolutamente perfeita, além de uma tonalidade muito bonita. RC não erra, semitona e nem sequer desliza em uma única nota”.

         Aqui, um dado curioso: a presença de RC se irmana a de Caetano Veloso na Música ! Não à toa, os dois artistas dialogam em músicas seminais do cancioneiro popular brasileiro: seja porque um cantou a canção do outro, seja porque outro escreveu pra um, ou porque ambos entoaram juntos músicas e letras que se eternizaram no coração de quem ama. Sim, aquele coração de que nos fala Djavan, no qual, vez em quando, fica faltando um pedaço…

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   Acontece que Roberto Carlos e Caetano Veloso são duas vertentes de um mesmo polo irradiador, no qual a vida brasileira trafega e transita com igual vigor a partir dos ricos atalhos dialógicos erigidos pela obra dos dois artistas. É como se a Força Estranha que vê o tempo brincando ao redor do caminho daquele menino pusesse no riacho os pés que um dia a areia branca irão tocar, e era solto em seus passos, bicho livre, sem rumo, sem laços… por isso essa Voz, essa voz tamanha…

         Roberto & Caetano, Caetano & Roberto são como a água que nasce na fonte serena do mundo e que abre um profundo grotão… Gotas de água da chuva, alegre arco-íris sobre a plantação da MPB ! E assim como essa sinergia fina pode ser sentida na poesia de Guilherme Arantes também se vislumbra nas paralelas dos pneus pelas duas estradas nuas (RC e CV) em que nos encontramos com algumas das principais matrizes que configuram a riqueza do pulsar da identidade brasileira. Tema para futuro artigo nosso.

           Hoje, sorrindo, somos nós que choramos ao ouvir Roberto Carlos cantando cada vez melhor e simbolizando o notável Patrimônio Imaterial que atende pelo nome de Música Popular Brasileira.

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Roberto Carlos e suas letras primorosas: “Eu sei que flores existiram mas que não resistiram a vendavais constantes”…

Quando havia galos, noites e quintais: o presépio de Raimundo Rodriguez no Palácio Quitandinha    

cavalinhos

Vem chegando o NATAL: Tempo de Renovar a Esperança !     

                                                                                              *Aurora Miranda Leão

Um presépio atemporal, inspirado na tradição dos grandes mestres em retratar a cena de adoração aos Reis Magos, transportado para o universo lúdico do artista Raimundo Rodriguez, será aberto hoje no histórico Palácio Quitandinha, na carioca serra de Petrópolis.                 

                            Presépio lindo             

                  Instalação da Esperança Renovada é o título da exposição que une, com absoluta riqueza imagética e sensorial, tempos e espaços, culturas e informações, mistérios e magias. Com sua obra intensa, bela e única, o artista cearense cria uma ponte entre o real e o imaginário, o sonho e o cotidiano, o jornalismo e a ficção, ressignificando todo o nosso espectro de simbologias acerca do Natal.

Rai rei

             Inspirando-se especificamente na obra Adoração dos Magos, do pintor holandês Rogier Van Der Weyden (essa temática significou o reconhecimento da importância de artistas do porte de Leonardo da Vinci durante o século XVI), Raimundo Rodriguez reproduz, com rigor formal, todos os personagens que compõem o presépio, adicionando à concepção de espaço plástico uma luz e dramaticidade neo-barrocas singulares.

Rai janela

            O universo de Raimundo Rodriguez, que a televisão tornou conhecido em todo o país através de obras memoráveis como Hoje é dia de Maria, Capitu, Meu Pedacinho de Chão, e Velho Chico (todas, uma parceria do artista com o diretor Luiz Fernando Carvalho), é uma prolífica mistura de intertextualidades. Nele convivem diversos mundos em plena harmonia, e cada um verá, mais ou menos, conforme seu grau de sensibilidade artística.

nonada Quitandinha

        Diante da criação de Raimundo Rodriguez, é possível encontrar dialogias com mestres de várias escolas: desde um Van Gogh até Kurosawa, passando por Mondrian e  Volpi, flertando com Da Vinci e Kandinsky, nas obras de Raimundo viceja um hibridismo potente e saudável, que nos remete de pronto a Shakespeare (dramaticidade), Samuel Beckett (indagações existenciais), ao genial Georges Méliès (sonho), ao dramaturgo Luigi Pirandello (inquietações), e também à musicalidade de seus conterrâneos Belchior, Fagner e Ednardo. Na obra de Raimundo Rodriguez convivem, em perfeita harmonia, a universalidade dos grandes pensadores da humanidade e a insubmissa e multifária cultura nordestina.

RR coisário

           Portanto, adentrar a Esperança Renovada que Raimundo Rodriguez nos oferece, em cada um dos cenários em que se subdivide esta instalação de Petrópolis, é mergulhar na emoção: há beleza e reflexão, riqueza de detalhes e multiplicidade de significações, há atualidade e memória. Assim, nossa esperança é acolhida num convite natural à interlocução porque a criação de Raimundo Rodriguez só se completa no outro. Nada na obra de Raimundo Rodriguez é definitivo. Nenhum cenário é concluso. Nem mesmo pode haver definição única para qualquer de suas criações.

Rai e a obra

O artista Raimundo Rodriguez diante de sua magnânima criação, que arrebata o olhar e promove uma invasão sensória…

             O que Raimundo Rodriguez faz, com invejável maestria, é apontar possibilidades, sugerir caminhos, acender luzes, estender o tapete para a fantasia. Em cada pequeno quadradinho de sua obra, há ruas a percorrer, portas a abrir, janelas a visitar, paisagens a contemplar, atalhos por descobrir.

    E o melhor de tudo é que você poderá ver e constatar tudo isso, ao vivo e a cores: a instalação de Natal de Raimundo Rodriguez estará aberta à visitação pública, de hoje até dia 24, no Palácio Quitandinha (que, por si só, já vale uma visita), em Petrópolis, e tem ENTRADA FRANCA.

Presépio - menor

O Presépio em foto #auroradecinema, ainda em fase de montagem…

O aplauso muito caloroso do #blogauroradecinema ao artista Raimundo Rodriguez e ao seu belíssimo PRESÉPIO – Instalação da Esperança Renovada, que será aberto hoje no Palácio Quitandinha, em Petrópolis.

*Aurora Miranda Leão é atriz e jornalista.

Conversa com Bial: pra ficar tudo jóia rara…

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Jornalismo, Entretenimento, Atualidade e Memória no Conversa com Bial    

                                                                                                     *Aurora Miranda Leão

         Desde dois de maio, os madrugadores contam com nova opção na TV: Conversa com Bial é o talk show que o jornalista Pedro Bial comanda a partir das 24h. O programa assumiu o lugar até então ocupado pelo programa de Jô Soares, que ficou 20 anos no ar com o programa de entrevistas mais famoso da TV brasileira.

       Conversa com Bial estreou numa terça-feira, tendo a ministra Carmen Lúcia (presidente do Supremo Tribunal Federal) e a atriz Fernanda Torres como convidadas. O programa começou um tanto “engessado” porque os primeiros números foram gravados antecipadamente, mas desde que isso mudou – com gravações mais próximas do dia em que vai ao ar -, o programa mostra-se cada vez mais interessante. A fórmula é simples e bem conhecida:  junta boa conversa, assuntos interessantes, convidados que já possuem alguma sintonia com o público, pouca música, tempo para exposição dos assuntos e espaço para diálogos entre os convidados.

           Isso nos parece ser um dos motivos pelos quais o Conversa com Bial vem ganhando a adesão do público: se antes muita gente queixava-se de que Jô Soares não deixava o entrevistado falar, hoje as pessoas sabem que, se ligarem a TV para ver o programa do Bial, vão ter a oportunidade de ouvir mesmo os convidados.

        O jornalista-apresentador-cineasta, que passou mais de uma década no comando do BBB, tem-se esmerado em deixar que o outro fale mais que ele próprio. Isso faz com que o telespectador saiba que vai ouvir um convidado a contar de seus planos, idéias, ações e atualidades. Outro diferencial deste talk show é a presença de pessoas que estão muito em evidência nas redes sociais, ou ainda pessoas que vem falar de assuntos quase inéditos, como um show que está para estrear, um livro que acaba de sair ou um filme que está às vésperas da estréia, por exemplo.

    Por outro lado, se o programa mantém uma banda em seu auditório – qual o famoso sexteto do Jô, que acabou virando quarteto -, por outro lado incluiu o que nos parece ser o grande diferencial que o diferencia e eleva o nível das edições: a inclusão de pequenos vídeos históricos, os quais referendam a conversa em evidência, atualizam o contexto e trazem um apelo à memória forte, bonito, singular. Isso eleva sobremodo o nível do programa e faz com que a entrevista realmente traga dados novos ao assunto abordado. Foi o caso, por exemplo, do programa em que Guimarães Rosa foi o epicentro e imagens preciosas do escritor na Alemanha, e outras com depoimento de sua viúva, deram à Conversa um quê de ineditismo digno de aplausos. Assim como nesse exemplo, poderíamos citar diversos outros em que isso se observou, como o programa da semana passada, que mostrou imagens muito antigas da atriz Elisangela no início da carreira e até sua fase cantora. Esse viés documental, que traz preciosas imagens de arquivo, por certo está alicerçado na presença de importantes jornalistas ligados ao cinema na redação do programa. É o caso de Renato Terra e Ricardo Calil, autores do belo e importante Uma noite em 67 sobre o histórico festival de música da Record.

         Mas se o Conversa com Bial tem isso de ganho, a um desfalque importante em relação ao programa do Jô: a ausência do prolífico debate que Jô Soares comandava às quartas-feiras quando abria generoso espaço para a participação feminina e reunia um time de mulheres jornalistas (diferente a cada quarta) para comentar assuntos da área política. Destacar a participação feminina no espaço do pensamento político era realmente um auspicioso dado novo, evidenciador de uma decisão editorial relevante, e muito adequado a este momento em que se faz tão necessário dar vez, voz e destaque à presença feminina nas mais diferenças esferas, ajudando a quebrar paradigmas que tanto contribuíram para desmerecer a mulher e dar a elas um lugar sempre à margem da história.

         Assim, acreditamos que o Conversa com Bial entra para o anuário da TV como uma das boas estréia do ano: um programa leve, recheado com boa música, conteúdo pertinente, e informações inéditas até então, o que reforça no imaginário geral o convite de seu antecessor para que o público vá para a cama mais tarde. Ou então, corre-se o risco de ficar sabendo, apenas no dia seguinte, que você perdeu Caetano Veloso tocando e cantando com os três filhos, pela primeira vez na telinha, em momento singular, com revelações incríveis e cenas do arquivo pessoal do artista, anunciando, em primeira mão, o show que estrearia alguns dias depois em São Paulo e no Rio.

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Juliana Paes e Elisangela esbanjaram simpatia e carisma no Conversa com Bial…

Enfim, são em média 40 minutos de programa diário, no qual se acompanha um bate papo interessante com convidados dispostos a contar de si e com visível interesse para trocar idéias, que muitas vezes tempo da atração parece pequeno demais para o que se tem a verouvir.

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Bial recebeu Jô Soares numa bela homenagem ao emérito Artista Brasileiro de mil talentos… #aplausoblogauroradecinema 😉