Arquivo do mês: março 2018

Sua bênção, Fernanda Montenegro e Lima Duarte !

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Na simplicidade de uma cena, a grandeza de dois intérpretes excepcionais !

                                                                                                    Aurora Miranda Leão*

Uma situação corriqueira do dia-a-dia, numa casinha simples do interior do Tocantins, em que são figuras centrais uma mulher e um homem, já na terceira idade. Os dois são amigos de longa data e por idas e voltas do destino, acabaram se encontrando, reencontrando e mantendo uma intensa e bonita relação afetiva.

A teledramaturgia, que nos dá a chance cotidiana de enxergar o Brasil em suas múltiplas configurações, com sua enorme teia de mazelas, contradições, incongruências, e sentidos, é quem nos traz também a possibilidade do encontro com nossa identidade. A galeria tem fartura para todos os gostos, e é tão rica que há anos nos tem premiado com reconhecimento internacional.

No meio do enorme acervo de obras, no qual há nomes do quilate de Bráulio Pedroso, Janete Clair, Dias Gomes, Jorge Andrade e Cassiano Gabus Mendes, temos os contemporâneos como Gilberto Braga, Ricardo Linhares, Walcyr Carrasco, Duca Rachid, Thelma Guedes e Joãao Emannuel Carneiro, para citar apenas alguns.

Pois hoje nos sentimos de tal modo arrebatada por uma cena ‘corriqueira’ da novela do horário nobre, que nossa primeira tomada de território foi pegar a caneta e escrever. Por isso, este comentário é sobre uma cena da novela de Walcyr Carrasco, O outro lado do paraíso.

A cena é tão trivial que um espectador menos atento pode passar por ela batido. Mas é justamente na extrema simplicidade de sua construção que está imersa a profunda riqueza de sua produção de sentidos. É no assenhorar-se do corriqueiro – como quem debruça na janela e admira o vento a secar roupas no varal – que reside a eloquência de toda a significação da cena.

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Fernanda e Lima reafirmam grandeza excepcional da Teledramaturgia Brasileira ! 

Não há um conflito enorme, não houve nenhum gancho especial, nenhuma interrupção necessária para preparar o espectador, nada de grandes diálogos, falas bem elaboradas, figurinos ou iluminação diferente para nos transportar para um clima A ou B. Todo esse aparente e ordinário lugar comum da cena serviu para ressaltar, emoldurar e destacar ainda mais a grandeza da cena exibida nesta quarta pela TV Globo em O outro lado do paraíso.

Para nós, a novela marcou com a cena seu inesquecível 7 a 1 e serviu para nos tirar o foco da situação crítica terrível  em que está assolado o país – violência e desmandos políticos que corroem o país inteiro –, e para conduzir nossa emoção rumo a uma fenda de esperança que ainda existe e que nos reaviva a crença de que ainda é possível acreditar no país, apesar de tudo e mesmo diante de tanta criminalidade, de toda ordem.

Uma cena como a que Fernanda Montenegro e Lima Duarte protagonizaram nos faz crer que a Teledramaturgia ainda é capaz de nos salvar do abismo em que nos assolaram.

E nos deparamos com indagações assim:

Que país do mundo pode exibir em sua televisão aberta, em horário nobre, um duelo de Gigantes da Cena como o Brasil ?

Que Narrativa de Ficção Seriada do mundo – além da nossa – pode se orgulhar de oferecer ao seu imenso público cotidiano, de graça, a honra de ver a contracena dramática, em sua forma mais perfeita de excelência artística ?

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Que Teledramaturgia do continente pode de arvorar de ter Fernanda Montenegro e Lima Duarte como dois Patrimônios vivos e genialmente sublimes de sua densa e complexa engrenagem estética ?

Nós podemos ! E contar com estes dois gigantes da Cultura Brasileira dando o show desta noite – digno de aplausos em cena aberta – em meio ao caos ético e político em que está chafurdado o país, é um alento e um sopro de esperança em meio ao inóspito cenário em que estamos todos mergulhados !

Por isso é que a gente só pode é RIR MUITO quando a TV Globo concorre ao Emmy e quem ganha é a teledramaturgia (?) da Turquia...

Viva, Fernanda Montenegro !!!
Salve, Lima Duarte !!! 

Ainda que por nada mais merecesse elogios, só por contar com a atuação de Fernanda Montenegro e Lima Duarte, e, sobretudo, pela cena magnânima do capítulo desta quarta, 28 de março, a novela O Outro Lado do Paraíso já pode estampar agora o selo de reconhecimento e aplauso à cena mais linda deste Março de 2018 !

         Levando em conta, ademais, que Lima Duarte é o ator mais longevo em atuação no país – ele está na primeira imagem exibida pela TV brasileira, em setembro de 1950, quando a TV Tupi exibiu as primeiras imagens da TV no Brasil, e que Fernanda Montenegro é, reconhecidamente (por seus pares, pelo público e no mundo inteiro) a Primeira Dama do Teatro Brasileiro (com dezenas de personagens inesquecíveis vividos nos palcos – de Shakespeare a Nelson Rodrigues, de Fassbinder a Domingos de Oliveira, de Millôr Fernandes a Tchecov, de Augusto Boal a Adélia Prado -, a presença dos dois atores na narrativa ficcional brasileira se agiganta !

  Para quem perdeu: a personagem de Fernanda vai avisar que se descobriu viúva e pede o amigo em casamento. Mas ele não aceita que a iniciativa parta da mulher e diz que ele é quem tem de pedir. É tudo muito simples, mas tudo o que a aparente singeleza esconde, explode em atuações soberbas e fornece um material riquíssimo de significações para diversos estudos a partir da narrativa teledramatúrgica.

Um show emocionante, lindo, estupendo ao leve alcance de um click ! Acesse pelo site Globo.com ou veja/reveja pelo Globo Play !

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Um caloroso Parabéns aos notáveis Fernanda Montenegro e Lima Duarte !!! E vida longa à nossa Teledramaturgia !!! 

Pode me chamar: Ana Ratto lança Tantas

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       Pode me chamar ! Este é o nome do single de Anna Ratto que chegou às plataformas digitais. O álbum completo da cantora carioca será lançado dia 6 de abril e se chama Tantas.

       Lançamento da gravadora Biscoito Fino, esse será o quinto álbum da carreira de Anna, que agora traz a competente direção artística da atriz e jornalista Bianca Romaneda.  

     Pode me chamar, da banda Eddie, de Recife, é a música que abre o disco. “Essa música tem uma mistura de samba-rock com dub, com reggae no meio, cheia de ousadia. Abre o disco chamando para pista”, afirma Anna Ratto. A gravação da faixa conta com Jr Tostoi na guitarra e programações; Marcelo Vig na bateria e programações; Fernando Caneca no violão sete cordas e tenor; Alberto Continentino no baixo; e Jovi Jovianiano na percussão. 

        Frevolenta é a faixa do álbum que Anna compôs com Jam da Silva. A ideia de Tantas é que novos compositores tenham trabalhos divulgados. “Já gravei muitos ídolos consagrados, como Gil, Erasmo, Belchior, Tom Zé. Neste disco quis cantar os meus ‘jovens ídolos’ e estar mais comprometida com meu canto, ser canal, sem a obrigação de compor”, comenta. Os compositores interpretados são todos da geração de Anna ou até mais novos.

        O álbum com composições de Caio Prado, Matheus Von Krüger, Ana Clara Horta, Bruna Caram, Duda Brack, Tó Brandileone, João Cavalcanti, Rodrigo Maranhão, tem também participação do Quinteto da Paraíba e Carlos Posada. Na capa do disco, Anna Ratto está com figurino de Ronaldo Fraga numa fotografia de Nana Moraes. A cantora agora está em fase de preparação da turnê de lançamento do álbum, que estreia no Rio de janeiro, dia 27 de abril, no Espaço Cultural Sergio Porto, no Humaitá.

          E a assinatura de Bianca Romaneda na direção artística é, por si só, um diferencial de qualidade importante: Bianca, além de jornalista competente e de acurada sensibilidade, é atriz, flerta bonito com a poesia e a música, e seu trabalho sempre traz um bonito traçado cuja marca principal é uma poética em que a delicadeza tem passos ritmados com igualdade social e liberdade de expressão.

Anna Ratto CD

          Sobre o trabalho com Anna Ratto, Bianca Ramoneda postou em seu Instagram:

“Ela me chamou e eu fui ! Hoje o single está disponível em todas as plataformas digitais. Nasceu uma parceria linda e criamos o conceito visual e cênico deste novo trabalho. Um disco, um show, vem muita coisa boa por aí ! Para criar esta imagem, contamos com a parceria luxuosa da fotógrafa Nana Moraes e do multiartista Ronaldo Fraga. Ronaldo veste Anna com um figurino de tatuagens desenhado exclusivamente pra ela, em papel vegetal, sobre foto clicada por Nana. São camadas e camadas de criações, onde uma ideia se soma à outra, pro bem de todos. Cristina Moura imprime sua sutileza numa make corajosa porque discreta, É como acredito que tudo deva ser. Identidade que fortalece a artista e a representa para o mundo, com a força e a beleza que ela tem. Obrigada a todos que confiam na minha direção artística. E bora dançar que eu tô precisando”.

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Bianca Ramoneda, em encontro com Aurora Miranda Leão, assina a direção artística do novo CD de Anna Ratto.

Saiba mais

         Anna Ratto é considerada uma das melhores vozes de sua geração por Nelson Motta (fonte: Programa Sintonia Fina), lançou o primeiro disco (Do Zero-2006) já sob a chancela e participação de talentos como Pedro Luís e Rodrigo Maranhão. No segundo (Girando-2008) contou com a honrosa presença do mestre Edu Lobo, em duo. Neste disco, a cantora reforçou o lado autoral inaugurando parceria com Edu Krieger, além de fazer releituras ousadas para autores como Roberto e Erasmo Carlos, Gilberto Gil e Novos Baianos.

      Nome artístico da psicóloga Anna Luisa Soares Rodrigues da Cunha Ratto, há mais de 10 anos essa carioca aportou na música com vigor e sensibilidade. Anna Ratto despontou na música com belo repertório, ótima afinação e elogios da crítica especializada.

        Foi em fevereiro de 2014 que Anna Ratto gravou seu primeiro DVD (ao vivo) em parceria com o CANAL BRASIL, no Teatro Rival BR (RJ). O show contou com as participações  de Erasmo Carlos e Lucas Vasconcellos.

       O DVD reuniu canções da safra autoral de Anna, como Cabra-Cega, Serena, Perto-Longe e Seja Lá Como For. “Queremos mostrar mais do que uma intérprete de música brasileira. A Anna compõe e queríamos explorar esse lado. Já tínhamos ótimo material pra isso”, disse Roberta Sá, diretora-artística do DVD, lançado em 2015.

        E as referências da compositora estão lá bem delimitadas: Gilberto Gil e Os Novos Baianos, além de uma versão ‘pop-funkeadada’ da bela “Velha Roupa Colorida”, de nosso conterrâneo Belchior, bem diferente das conhecidas com Elis e o próprio autor. A banda que acompanha Anna Ratto no DVD é formada por um “timaço”: Fernando Caneca (guitarra), Emerson Mardhine (baixo), Fabrizio Iorio (acordeom e teclados), Marcelo Costa (percussão), Cesinha (bateria) e Lucas Vasconcellos (guitarra e programações).

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Ouça nas plataformas digitais:

YouTube https://youtu.be/qRyZc_8YhkI
Apple Music https://itunes.apple.com/br/album/pode-me-chamar-single/1357980094
iTunes 
https://itunes.apple.com/br/album/pode-me-chamar-single/1357980094

*Aurora Miranda Leão é jornalista e edita o #blogauroradecinema

 

 

Gui Castor inova, mais uma vez, e vai lançar Cinema em Vinil

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Em Vitória, há um festival de cinema que nasceu pequenino mas cheio de ousadia. É o aguerrido CINE RUA 7 !
Também pudera: o festival nasceu de uma ideia do fotógrafo, cineasta, publicitário e documentarista Gui Castor, um capixaba cheio de talento e criatividade, que tivemos a alegria de conhecer na bucólica região do Caparaó, em 2006, e nossa conexão foi imediata.
Gui e o Cine
Gui Castor: cineasta e produtor capixaba
De lá pra cá, nunca mais nos desencontramos. Gui Castor é autor (diretor, roteirista e produtor) de alguns dos filmes mais instigantes e bem feitos do país. A diversidade temática é uma de suas marcas, assim como o destaque para questões sociais, com critérios singulares de alteridade, e uma riqueza imagética e de enfoque que o tornam um dos cineastas mais importantes e fecundos de uma geração atenta ao que acontece no seu entorno e, no caso dele, em conexão com coisas relevantes, onde quer que elas estejam sendo produzidas.
Assim como Gui Castor,foi só o Cine Rua 7 ganhar o centro de Vitória e a luz de seu telão se acender para que o festival ganhasse as cores, as caras e os corações da grande Vitória. Já há alguns anos, o Cine Rua 7 virou referência na agenda de eventos audiovisuais do país e é lindo ver o festival acontecendo, os filmes iluminando a efervescente Rua 7 (no coração comercial da capital capixaba) e as pessoas brilhando os olhos e aplaudindo as exibições, de todos os gêneros, para todos os gostos.
E este ano,  Gui Castor já anuncia mais uma novidade para seu querido e grandioso festival da Rua 7:o LP do Cine Rua 7 !
Rua 7
O centro de Vitória pára para verouvir o Cine Rua 7 !
Foi ao final da última edição do festival, em 2015, que surgiu a ideia de fazer o LP Cine Rua 7.
A trilha sonora será composta por músicas autorais de bandas que participaram das edições do festival.
Entre uma música e outra, depoimentos de pessoas que estiveram na plateia de uma edição muito foda feita pelo estúdio Funky Pirata.
Participaram: Zeela; Lordose pra Leão (música inédita); Sol na Garganta do Futuro; Soltos & Prensados; Big Bat Blues Band, Camarilo, Espírito de Porco (inédita) e uma gravação ao vivo de uma ação feita pelos músicos Negoleo; Anderson Paiva (Xuxinha); Hugo Coutinho e Jeremy Naud.
Agora, Gui Castor e a equipe que trabalha com ele na realização do Cine Rua 7 estão em uma campanha de financiamento coletivo para a produção do disco.
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Gui Castor prepara mais uma edição do Cine Rua 7…