Arquivo do mês: agosto 2018

Beto Falcão eleva emoção de Segundo Sol

Resultado de imagem para segundo sol beto no julgamento      

                     Novela tem cena com emoção típica de Último Capítulo

* Aurora Miranda Leão

         Segundo Sol é novela daquelas que Chegou, chegando. Tipo Celebridade, de Gilberto Braga, ou Jóia Rara, de Duca Rachid e Thelma Guedes. Desde a estreia, a novela nos evidenciou, com extrema vivacidade, a volta do melhor de João Emanuel Carneiro à narrativa teleaudiovisual.

      Quem acompanha novela, como esta redatora, ou quem conhece bem a dramaturgia de João Emanuel Carneiro, sabe: o autor se notabilizou por sua extrema competência em criar boas histórias. Mas tem mais do que isso: a capacidade singular do autor em criar ganchos, aquelas pausas ou interrupções que separam um capítulo de outro, suspendendo o suspense ou o desenrolar da cena num momento de muita emoção, para cativar o telespectador e fazer com que este retorne à telinha no horário combinado, dia seguinte.

Resultado de imagem para segundo sol logotipo

       Isso é uma característica primordial das telenovelas e esse aspecto não nos permite esquecer que foi assim que os romances-folhetins fizeram história no início do século XIX. A aceitação do público foi tamanha que os folhetins ganharam lugar cativo na imprensa, a partir da França, e se espalharam pelo mundo, sempre com extrema empatia popular. No Brasil, escritores famosos escreveram romances do gênero, especialmente para figurar nos rodapés das páginas dos jornais. E o êxito foi tanto que as vendas dos matutinos aumentaram e escritores chegaram a ser contratados para escrever especialmente para esse espaço dos jornais.

Autores como José de AlencarMachado de AssisManuel Antônio de AlmeidaLima Barreto e Joaquim Manuel de Macedo, por exemplo, criaram folhetins para publicação em jornais, os quais depois seriam editados em livros. O romance urbano A Moreninha, de Joaquim Manuel de Macedo, é considerado o exemplo de folhetim mais popular da história do Brasil, tendo feito sucesso em época na qual a maioria da população do país ainda era analfabeta.

Bom, mas essas informações, a título de introdução, são só para evidenciar que os ganchos são um fenômeno secular, que sempre teve como premissa conquistar leitores, amealhar seguidores e conquistar audiência. E nessa seara, quando chegamos à teledramaturgia, temos em João Emanuel Carneiro – autor de Da cor do pecado, Cobras e lagartos, A Favorita, Avenida Brasil, A regra do jogo, e Segundo sol, seu representante mais notório.

João Emanuel Carneiro é, apropriadamente, conhecido como o Rei do Gancho. E o codinome é mais que merecido, não só porque ele cria ganchos ótimos mas pela quantidade e qualidade dos ganchos que cria a cada capítulo. E mais além: os ganchos do autor acontecem também entre um bloco e outro de sequências, a cada intervalo. Ou seja: não é só de um capítulo para o outro que o telespectador fica vidrado esperando que rumo tomará o conflito da vez, e sim a cada pausa de bloco para entrar nos “reclames do plim plim”, como diria o incansável Faustão.

Daí, vem a excelência de João Emanuel: uma capacidade espetacular e incomparável de criar ganchos sem fazer a história voltar pra trás, sem criar inverossimilhanças, sem quebrar a diegese (coerência interna da história) e, sobretudo, sem tripudiar com a fidelidade do telespectador. Daí porque, quem assiste às novelas de João, vira fã e fica cativo da obra do dramaturgo, como esta que vos escreve.

Resultado de imagem para segundo sol beto e a familia em cena

Karola, Remmy e Beto na cena fatídica que vitimou Beto e o marido de Luzia…

Um exemplo inconteste do que dizemos é a novela Segundo Sol, atração atual das 21h na Rede Globo. O que o autor tem emocionado seu público com a pertinência, beleza, eficácia e prodígio de sua narrativa não é coisa para se menosprezar, muito menos ignorar. Segundo Sol vai terminar sua trama como a novela mais bem realizada dos últimos 5 anos, pelo menos, e, oxalá, vai até bater a emblemática Avenida Brasil em termos de construção narrativa (aqui somando-se excelência do roteiro, dos diálogos, das estratégias argumentativas, dos conflitos, dos capítulos-chave, da sinergia perfeita com as músicas, da direção, atores, figurinos, fotografia).

Ou seja: tudo em Segundo Sol concorre para seu êxito. E, obviamente que, de Avenida Brasil pra cá, o autor viveu novas situações, aprimorou suas leituras, ouviu diversas narrativas, contabilizou novas histórias, e lapidou ainda mais sua aptidão para a escrita teleaudiovisual, assim como novos recursos tecnológicos apareceram e foram incorporados pela produção da emissora líder, fatos que contribuem, de forma inconteste, para a riqueza do constructo audiovisual que conferimos diariamente no horário nobre.

Acerca de tudo isso, vimos falando desde o início da novela em nosso instagram (@auroradecinema). Quem nos acompanha, já sabe de nossa imensa admiração por João Emanuel e de nossa adesão a Segundo Sol. O que queremos mesmo ressaltar neste post é o quão magnífico foi o capítulo desta quarta, 29 de agosto, no qual o ápice foi o novo julgamento de Luzia Batista, vivida com maestria por Giovanna Antonelli.

Toda a situação que envolve esse novo julgamento – incluindo a coragem de Luzia e de Beto de se submeterem ao tribunal sabendo dos grandes riscos que correm -, o drama e a apreensão dos filhos e da família dos dois, a dúvida sobre o depoimento da única testemunha (um senhor pobre e doente), anteriormente comprada, as ameaças de Laureta e Karola, a revelação da falsa morte do grande popstar do Axé -, tudo isso reveste o capítulo de uma dose emocional extra, com potência de último capítulo. Acresça-se ainda o grande show Tributo a Beto Falcão, que acontece em paralelo no centro histórico de Salvador para reverenciar a memória do ídolo morto. E quem organiza é a diretora-mor do fã clube de Beto, a despachada Goretti (Thalita Carauta em atuação excelente), namorada do irmão caçula do músico, que até fez música ‘psicografada’ pelo espírito do compositor Falcão.

Resultado de imagem para segundo sol julgamento de luzia

 O epicentro da cena do julgamento de Luzia foi Beto Falcão: com um texto pujante, de acentuado cunho ético, moral, social e amoroso, a cena foi de arrepiar ! Não bastassem as lindas palavras ditas por Beto, revelando toda a farsa em que se viu enrolado – as dificuldades que passou, os dias de coma, a separação drástica de Luzia, o afastamento dos filhos que esta teve de passar, o rompimento inesperado do relacionamento dos dois -, Beto anunciou, com toda veemência, que poderia ser preso ou sofrer qualquer tipo de punição mas estava ali prestando seu depoimento para salvar Luzia pois “ela é inocente e eu faço tudo isso para livrar Luzia da cadeia, porque ela é inocente, ela nunca teve culpa nenhuma pela morte do marido”.

Resultado de imagem para segundo sol beto no julgamento

Emílio Dantas em interpretação magistral como o apaixonado e sofrido Beto/Miguel…

E, em nenhum momento, Beto acusou a verdadeira vilã, sua ex-mulher (e encosto permanente) Karola, nem o irmão cafajeste Remmy, nem a cafetina Laureta. Com a postura mais serena do mundo, e falando como quem extrai as sílabas do coração, Beto assumiu todas as culpas, pediu perdão aos pais, a toda a família, aos filhos de Luzia, aos fãs e, sobretudo, ao filho Valentim. E reiterou, diversas vezes, que Luzia é inocente e que a ama, e ama desde sempre. Desde quando a conheceu na ilha de Boiporã.

Resultado de imagem para segundo sol familia de beto

Giovanna Antonelli, Chay Suede, Luisa Arraes e Emílio Dantas na fictícia Boiporã…

No tribunal, assistindo a tudo calados e extremamente comovidos, os enteados Icaro e Manuela, o filho Valentim, a futura cunhada Cacau, Groa (o amigo islandês de Luzia), e as vilãs Laureta e Karola. Uma cena lindamente construída, emoção de alta magnitude, com capacidade para fazer rir e chorar de empatia, em volume máximo. Emílio Dantas em atuação estupenda ! Aliás, o ator atua com tamanha espontaneidade que já virou Beto Falcão, dentro e fora da narrativa. Porque a gente simplesmente esquece que ele é Emílio (tal sua transformação), e só o vê como Beto Falcão, o autor da famosa Axé Pelô. Aplausos de pé para o Ator !!!

Resultado de imagem para segundo sol beto e valentim

Emílio Dantas e Danilo Mesquita em bela parceria no horário nobre…

A cena era apenas mais uma,  fruto da vocação extraordinária de João Emanuel de escrever belos textos, situações comoventes e diálogos preciosos. Que são enriquecidos pela competência de Maria de Médicis e a equipe de diretores que ela coordena com eficácia, e integram o núcleo do não menos competente Dennis Carvalho. Mas acabou tornando-se A Cena !

lau post meu - Cópia

A fala de Laureta após ouvir Beto defendendo Luzia em discurso emocionante…

Portanto, assistimos todos a um capítulo com potencial para ser o grandioso Último Capítulo. Mas o autor sabe tanto que tem muito mais para oferecer a seu telespectador, que não hesita em fazer de cada capítulo de Segundo Sol uma página de ouro a figurar na literacia dramática da ficção seriada televisiva.

                 Nota DEZ com louvor ! 

                Viva, Segundo Sol ! E Parabéns a toda a equipe de atores, atrizes e profissionais notáveis que fazem desta a melhor telenovela dos últimos anos no horário nobre !

equipe SS

Emílio Dantas, Gio Antonnelli, Fabrício Boliveira, a diretora Maria de Médicis, Deborah Secco, Vladimir Brichta e Adriana Esteves na coletiva de lançamento da novela.

 

Empate de Cinema em Gramado !

Imagem relacionada

A noite de sábado, 25 de agosto, foi de festa de cinema e entrega de KIKITOS em Gramado. A 46a edição do festival de cinema mais conhecido do país consagrou os longas “Ferrugem” e “Benzinho“, coroando cada um dos filmes com 7 troféus. Já a coprodução paraguaia “As herdeiras” dominou a premiação na mostra de longas estrangeiros. 

Os discursos políticos por parte dos artistas premiados, com aplausos e vaias como resposta do público, permearam toda a festa. A defesa aguerrida do curta-metragem como formato a ser considerado no novo sistema de pontuação da Agência Nacional de Cinema (Ancine) também entrou na agenda de reivindicações dos cineastas.

Resultado de imagem para Ferrugem vence Gramado

Na competição brasileira, Ferrugem ficou com o Kikito de melhor filme e mais dois troféus, de melhor roteiro, dividido pelo diretor Aly Muritiba e a corroteirista Jessica Candal, e de melhor desenho de som, para Alexandre Rogoski.

Imagem relacionada

Adriana Esteves e Karine Teles em cena de Benzinho

“Benzinho”, que está em cartaz no circuito comercial desde quinta, ficou com quatro estatuetas, incluindo os prêmios das votações da crítica e do júri popular. Do júri oficial, o título levou os troféus de melhor atriz, para Karine Teles, e de melhor atriz coadjuvante, para Adriana Esteves.

Resultado de imagem para osmar prado em Gramado

Premiado como Melhor Ator, Osmar Prado pediu a volta do Estado de Direito no Brasil, o fim das conduções coercitivas e denunciou “a injusta prisão do presidente Lula”.

O restante da premiação artística ficou dividida entre “10 segundos para vencer” e “A voz do silêncio”, com dois Kikitos cada. Do primeiro, Osmar Prado, como Kid Jofre, pai e treinador de Éder Jofre, ganhou o prêmio de melhor ator, e Ricardo Gelli, como Tonico Zumbano, ficou com o prêmio de melhor ator coadjuvante. Do outro, André Ristum ficou com a estatueta de direção, e Gustavo Giani com o de montagem.

Simonal amealhou três prêmios, todos técnicos. Entre eles, o de melhor trilha sonora, para os irmãos Max de Castro e Simoninha, músicos e filhos de Wilson Simonal.

Única animação da competição brasileira de longas e o representante gaúcho da mostra, A cidade dos piratas recebeu uma menção honrosa do júri. Na justificativa da premiação, no entanto, um aviso: não foi por unanimidade.

O júri formado pelo exibidor Adhemar de Oliveira, pelo produtor Rodrigo Teixeira, pela atriz Zezé Polessa e pelos diretores Iberê Carvalho e Lina Chamie deixou de fora dois filmes. “Mormaço“, de Marina Meliande, e “O avental rosa”, de Jayme Monjardim.

*Com informações de ALESSANDRO GIANNINI
Leia mais: https://oglobo.globo.com/cultura/filmes/ferrugem-benzinho-sao-os-grandes-vencedores-do-46-festival-de-gramado-23012343#ixzz5PJx0avdP 
stest 

Resultado de imagem para Ferrugem filme de aly muritiba em Gramado

Filme estreia dia 30: vamos ao Cinema !

Festival de Gramado começa nesta sexta

Resultado de imagem para festival de gramado

Será aberta amanhã a 46a edição do Festival de Cinema de Gramado !

As ruas da cidade gaúcha estão inteiramente decoradas com motivos do evento – incluindo as bicicletas que homenageiam filmes e os premiados desta edição. No Hotel Serra Azul, a estrutura de recepção aos convidados e imprensa, e as salas de debates e conferências ganharam módulos e praticáveis que segmentam os amplos salões, com a identidade visual do festival. 
Ao todo, entre 400 e 500 trabalhadores estão envolvidos diretamente na realização do evento, dividindo-se entre as equipes de produção geral, produção de palco, Gramado Film Market, bilheteria e Educavideo, além daquelas que dão suporte técnico para que tudo aconteça a contento, como o receptivo, segurança, limpeza, produção, transporte, brigadistas e o pessoal responsável pelos geradores.
Nesta edição 2018, o Festival de Cinema de Gramado conta com patrocínio de Snowland,  Stella Artois e Casa Aveiro By Dolores. Tem ainda apoio de Gramado Parks, Stemac Grupos Geradores, Lugano, Cristais de Gramado, Viviela London, G2 Net Sul e ENIT – Agência Nacional de Turismo da Itália. A agência oficial é a Vento Sul Turismo, e a empresa responsável pelo transporte, a Kia.

Abraccine lança livro sobre os 100 filmes essenciais da animação nacional

A Associação Brasileira de Críticos de Cinema (Abraccine) vai lançar, dia 20, o livro Animação Brasileira – 100 Filmes Essenciais, que apresenta as principais obras do gênero no Brasil, cuja trajetória começou em 1917 com o curta-metragem “O Kaiser”, dirigido por Seth. O livro também oferece artigos históricos registrando os principais movimentos e personagens da centenária história da animação brasileira.

Animação Brasileira – 100 Filmes Essenciais é a terceira publicação da série “Melhores”, lançada pela entidade, que já compilou destaques entre os documentários e entre todos os filmes brasileiros da história. Além de repetir a parceria com o Canal Brasil e a editora Letramento, a obra contou com a parceria da ABCA – Associação Brasileira de Cinema de Animação.

No lançamento, haverá debate entre cineastas e críticos sobre o panorama da animação brasileira. Os convidados para a mesa são Nara Normande, diretora do curta “Guaxuma”, que participa da competição em Gramado; Ivonete Pinto, autora de artigo sobre “Castelos de Vento” e professora da Universidade Federal de Pelotas; Daniel Feix, presidente da Associação de Críticos de Cinema do Rio Grande do Sul; e Gabriel Carneiro, organizador de Animação Brasileira – 100 Filmes Essenciais e integrante do júri da imprensa no Festival de Gramado. A mediação será de Paulo Henrique Silva, presidente da Abraccine e também organizador do livro, que estará à venda na ocasião.

Depoimentos de diretores convidam para o Festival

As redes do 46º Festival de Cinema de Gramado já estão no clima do evento, com dezenas de depoimentos de cineastas, atores e atrizes, que estarão na serra gaúcha para o mais tradicional festival de cinema do Brasil, realizado de forma ininterrupta desde sua criação, em 1973. No Facebook, vídeos gravados por figuras importantes do cinema nacional mostram as expectativas de quem está contando os minutos para mostrar suas produções.

É o caso de Jayme Monjardim, que depois de ser aclamado com sua superprodução “Olga”, em 2004, que abriu o festival de cinema em sessão hors-concours, apresenta, em 2018, aquele que ele vem considerando seu primeiro filme autoral, “O Avental Rosa”: “Vai ser um momento mágico”, aposta. André Ristum, diretor de “A Voz do Silêncio”, quarto filme com o qual participa em Gramado, espera uma “noite incrível, com sala cheia” para a estreia nacional de seu longa: “Será a primeira sessão pública no Brasil!”, comemora.

Já a diretora de O Banquete, Daniela Thomas, escreveu depoimento sobre as razões por trás de seu filme – desde a concepção do roteiro, o desafio de filmar em planos-sequência de mais de uma hora de duração, até a trajetória da ideia, surgida há mais de 20 anos: “Um filme construído, de um lado, pelo meu fascínio por atores – com quem trabalho e convivo há quarenta anos – com o engajamento que eles podem trazer para um papel, e de outro, pela verossimilhança que persigo no meu cinema e que aqui centrou-se no diálogo”, declara.

Resultado de imagem para festival de gramado

Palácio dos Festivais Abre Hoje

Nesta quinta, o Palácio dos Festivais abrirá suas portas para a avant-première do evento, quando o público pode conferir a produção dos jovens cineastas gramadenses. São obras produzidas dentro do escopo do Programa Municipal Escola de Cinema, o Educavídeo, que este ano acolhe 75 alunos de colégios públicos de Gramado, oferecendo capacitação em técnica audiovisual.