Arquivo do mês: maio 2019

Cearenses celebram Cultura e Arte em Vaivém de redes em São Paulo

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Símbolo da cultura indígena e objeto presente na criação da identidade brasileira, a rede está em trabalhos de cerca de 140 artistas, incluindo Associação das Rendeiras de Bilro da Santana do Cariri, Nilo, Vanessa Teixeira e Virgínia Pinho      

Nove artistas cearenses participam da exposição Vaivém, em cartaz no Centro Cultural Banco do Brasil São Paulo até 29 de julho.

Com curadoria de Raphael Fonseca, crítico, historiador da arte e curador do MAC-Niterói, a mostra reúne 300 obras de 141 artistas (sendo 32 indígenas) dos séculos 16 ao 21, reveladoras do valor das redes de dormir para  as artes e a cultura visual do Brasil.

Entre os artistas, Antônia Cardoso, Gertrudes Gonçalves, Graça Maria, Joana D’Arc Pereira, Maria Luiza Lacerda e Sheila Caetano, da Associação das Rendeiras de Bilro da Santana do Cariri. A obra é uma rede de bilro confeccionada por elas.

O público também pode apreciar a xilogravura O sepultamento de Jesus – Via Sacra, de Nilo, uma rede de carnaúba feita pela Vanessa Teixeira, e a obra A saída da fábrica Cione, de Virgínia Pinho.

“Longe de reforçar os estereótipos da tropicalidade, esta exposição investiga as origens das redes e suas representações iconográficas: ao revisitar o passado, conseguimos compreender como um fazer ancestral, criado pelos povos ameríndios, foi apropriado pelos europeus e, mais de cinco séculos após a invasão das Américas, ocupa um lugar de destaque no panteão que constitui a noção de uma identidade brasileira”, afirma o curador, que pesquisou o tema por mais de quatro anos para sua tese de doutorado numa universidade pública. 

Com pinturas, esculturas, instalações, fotografias, vídeos, documentos, intervenções e performances, além de objetos de cultura visual, como HQs e selosVaivém ocupa todos os espaços expositivos do CCBB São Paulo, do subsolo ao quarto andar, e está estruturada em seis núcleos temáticos e transhistóricos.

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PERCORRENDO A EXPOSIÇÃO  

Vaivém tem início com Resistências e permanências, instalada no subsolo do edifício e mostra as redes como símbolo e objeto onipresente da cultura dos povos originários do Brasil: “Mesmo com séculos de colonização e até com as recentes crises políticas quanto aos direitos indígenas, elas se perpetuaram como uma das muitas tecnologias ameríndias”, conta Raphael Fonseca.

Nesse núcleo, a maioria das obras é produzida por artistas contemporâneos indígenas, como Arissana Pataxó. No vídeo inédito Rede de Tucum, ela documenta Takwara Pataxó, a Dona Nega, única mulher da Reserva da Jaqueira, em Porto Seguro (BA), que ainda guarda o conhecimento sobre a produção das antigas redes de dormir Pataxó, feitas com fibras extraídas das folhas da palmeira Tucum.

Carmézia Emiliano começou a pintar de maneira autodidata, em Roraima. Ficou conhecida por telas que registram o cotidiano dos indígenas Macuxi, muitas protagonizadas por mulheres, e terá expostas pinturas feitas especialmente para o projeto, além de obras mais antigas. Também da etnia Macuxi, Jaider Esbell criou a instalação A capitiana, que conta a nossa história: a uma rede de couro de boi estão presos um texto de autoria do artista e uma publicação com documentos sobre as discussões em torno das áreas indígenas de seu estado.

Outro destaque é Yermollay Caripoune, que, vivendo na região do Oiapoque, entre a aldeia e a cidade, participou de poucas exposições fora do Amapá. Na série de seis desenhos que desenvolveu para Vaivém, o artista apresenta a narrativa dos Karipuna sobre a origem das redes de dormir.

O núcleo reúne ainda trabalhos de grandes nomes da arte brasileira, como fotografias dos artistas e ativistas das causas indígenas Bené Fonteles Cláudia Andujar, e o objeto de Bispo do Rosário Rede de Socorro, uma pequena rede de tecido onde se lê o título da obra.

O segundo núcleo da exposição, A rede como escultura, a escultura como rede reúne trabalhos que mostram redes de dormir a partir da linguagem escultórica, distribuídas por diferentes espaços do CCBB São Paulo, a começar pelo hall de entrada. Rede Social é uma instalação interativa do coletivo Opavivará!, com uma rede gigante que convida o público a se deitar e balançar ao som de chocalhos.  

arte CCBB

Estão neste núcleo trabalhos do jovem artista Gustavo Caboco (foto), de Curitiba e filho de mãe indígena, e Sallissa Rosa, nascida em Goiânia e filha de pai indígena. Ele apresenta uma série de gravuras em que discute seu pertencimento e não-pertencimento às culturas ameríndias do Brasil. Ela, um vídeo criado a partir de selfies enviadas por mulheres em redes de dormir, revelando uma visão complexa sobre o lugar da mulher indígena na sociedade contemporânea brasileira.

De Hélio Oiticica foram selecionadas fotografias da pouco conhecida sérieNeyrótika. De Ernesto Neto, um conjunto de obras do início de sua carreira, anos 1980, nas quais as redes não aparecem literalmente, mas são sugeridas numa dinâmica de tensão e equilíbrio.  A ação Trabalho, de Paulo Nazareth, ganha nova versão: com uma vaga de emprego anunciada em jornal, o artista contratou um funcionário, que deverá permanecer deitado numa rede instalada no CCBB São Paulo durante oito horas por dia, até o fim da mostra. Integram ainda o segmento redes de artesãs de diversas regiões do Brasil.

No segundo andar do edifício estão dois núcleos. Olhar para o outro, olhar para si traz documentos e trabalhos de artistas históricos e viajantes, como Hans Staden, Jean-Baptiste Debret Johann Moritz Rugendas, que registraram os aspectos da vida no Brasil durante a colonização. Ao lado deles, artistas contemporâneos indígenas foram convidados a desconstruir o olhar eurocêntrico dessas imagens a respeito de seus antepassados e propor novas narrativas.

Entre eles, dois do Amazonas: a pintora Duhigó, que apresenta a inédita acrílica Nepũ Arquepũ (Rede Macaco), sobre o ritual de nascimento de um bebê Tukano, e Dhiani Pa’saro, ainda pouco conhecido fora de seu estado natal, que expõe a marchetaria Wũnũ Phunô (Rede Preguiça), composta por 33 tipos de madeira e inspirada em duas variações de grafismos indígenas: o “casco de besouro” (Wanano) e o “asa de borboleta” (Ticuna).

O coletivo MAHKU (Movimento dos Artistas Huni Kuin), do Acre, criou para o CCBB São Paulo uma pintura mural que faz referência ao canto Yube Nawa Aibu, entoado para trazer força e abrir os caminhos em cerimônias tradicionais. Já Denilson Baniwá, nascido no Amazonas e residente no Rio de Janeiro, fez intervenções digitais e físicas sobre obras de artistas brancos que retrataram povos indígenas.

Em Disseminações: entre o público e o privado, as redes surgem em atividades do cotidiano do Brasil colonial, como mobiliário, meio de transporte e práticas funerárias. Um dos destaques é Dalton Paula, artista afro-brasileiro de Goiás, que lança em suas pinturas um olhar sobre as narrativas a respeito da negritude no Brasil desde a colonização.

Os lugares que as redes ocupam na vida contemporânea no Brasil, em especial na região Norte, também estão pontuados nesse núcleo. Fotografias de Luiz Braga, por exemplo, exibem redes de dormir em cenas do dia-a-dia no Pará.

No terceiro andar do CCBB São Paulo, Modernidades: espaços para a preguiça, a rede passa a ser associada à preguiça, à estafa e ao descanso decorrentes do encontro entre o trabalho braçal e o calor tropical. O ponto central é ocupado por “Macunaíma” (1929), livro de Mário de Andrade. O personagem que passa grande parte da história deitado em uma rede está em obras de diferentes linguagens.

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Macunaíma: imortalizado no cinema pelo talento de Grande Otelo

Carybé, o notável argentino amigo de Vinícius, foi o primeiro artista a fazer ilustrações de Macunaíma. Um desenho pouco exibido de Tarsila do Amaral mostra o Batizado de Macunaíma.Joaquim Pedro de Andrade dirigiu o longa-metragem que, estrelado por Grande Otelo, completa 50 anos em 2019, e os cartunistas Angelo Abu e Dan X adaptaram a história em quadrinhos.

No espaço também estão a célebre Djanira, com o raro autorretrato Descanso na rede, em que surge ao lado de seu cachorro, e peças de mobiliário desenhadas por Paulo Mendes da Rocha Sergio Rodrigues.

No quarto andar, o núcleo Invenções do Nordeste, no qual estão obras que transformam em imagens mitos a respeito da relação entre as redes e esta região do país, além de trabalhos nos quais elas surgem como símbolo de orgulho local e de sua potente indústria têxtil. Destaque para uma série de fotografias de Maurren Bisilliat pelo sertão nordestino e as cerâmicas do artista pernambucano Mestre Vitalino que retratam grupos de pessoas enterrando entes dentro de redes.

Ainda no último andar do edifício, uma homenagem a Tunga. O artista, que inaugurou o CCBB São Paulo, em abril de 2001, retorna à instituição 18 anos depois. A instalação Bells Falls ganha uma nova versão e é apresentada ao lado dos registros fotográficos da performance “100 Rede”, realizada em 1997 na Avenida Paulista.

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ITINERÂNCIA DA EXPOSIÇÃO

Vaivém fica em cartaz no Centro Cultural Banco do Brasil São Paulo até 29 de julho. A exposição será também exibida nos CCBB de Brasília (setembro/2019), Rio de Janeiro (dezembro/2019) e Belo Horizonte (março/2020).

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               VAIVEM

Local: Centro Cultural Banco do Brasil São Paulo

Endereço: Rua Álvares Penteado, 112 – Centro

Período da visitação: 22 de maio a 29 de julho de 2019 – Entrada gratuita

Horário: Todos os dias, das 9h às 21h, exceto terças

Telefone: (11) 3113-3651

Visitação com hora agendada: pelo app/site da Eventim

Silvio Tendler lança novo filme e é homenageado na Mostra Ecofalante

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O cineasta carioca Silvio Tendler é o grande homenageado da 8ª Mostra Ecofalante, a ser aberta dia 29 (sessão para convidados) e com exibições gratuitas de 30/05 a 12 de junho, em São Paulo. 

Conhecido por documentários de grande repercussão e por retratar personalidades – como os ex-presidentes João Goulart e Juscelino Kubitschek, o cineasta Glauber Rocha e  Milton Santos, considerado como um dos maiores geógrafos do mundo -,Tendler já produziu e dirigiu mais de 80 títulos, entre longas, médias e curtas-metragens, além de séries televisivas.  Temos a honra de ter o mestre Sílvio em participação especial no nosso curta-metragem Resta Um, lançado em 2011. Nesse curta, com roteiro e direção de Aurora Miranda Leão, Sílvio Tendler dá um belo depoimento em defesa do Cinema !

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Na Mostra Ecofalante, que começa na quarta, serão exibidos onze de seus filmes mais  marcantes. 

A programação inclui Dedo na Ferida” (Brasil, 2017, 91 min), grande vencedor da  Mostra Ecofalante de Cinema Ambiental na categoria ‘Longas’ da Competição Latino-Americana. O filme trata do fim do estado de bem-estar social e da interrupção dos sonhos de uma vida melhor para todos num cenário em que a lógica homicida do capital financeiro inviabiliza qualquer alternativa de justiça social. 

Sílvio Tendler assina duas das maiores bilheterias do cinema documental brasileiro de todos os tempos, presentes na programação. Tendo alcançado 800 mil espectadores nas salas comerciais, “Os Anos JK – Uma Trajetória Política”(Brasil, 1980, 110 min) retrata a eleição de Juscelino Kubitschek, o nascimento de Brasília e o golpe militar. Tem ainda Jango” (Brasil, 1984, 114 min), que refaz a trajetória política de João Goulart, o 24° presidente brasileiro, deposto por um golpe militar nas primeiras horas de 1º de abril de 1964. A obra chegou à impressionante marca de um milhão de espectadores. 

O filme O Fio da Meada (Brasil, 2019, 77 min) estreia no festival. Neste filme, o foco é a luta de povos tradicionais brasileiros contra a urbanização opressora, denunciando a violência no campo e nas comunidades tradicionais. No filme, caiçaras, quilombolas e indígenas lutam para sobreviver e tentar impedir que suas reservas naturais sejam destruídas pelo processo de urbanização. 

O Veneno Está na Mesa (Brasil, 2011, 50 min) retrata como o Brasil é o país que mais consome agrotóxicos no planeta, com 5,2 litros por ano por habitante. Muitos desses herbicidas, fungicidas e pesticidas que consumimos estão proibidos em quase todo o mundo pelo risco que representam à saúde pública.Após impactar o Brasil mostrando as perversas consequências do uso de agrotóxicos, sua continuação, O Veneno Está na Mesa 2” (Brasil, 2014, 70 min), apresenta uma nova perspectiva, na qual atualiza e avança na abordagem do modelo agrícola nacional e suas danosas consequências para a saúde pública.

O filme apresenta experiências agroecológicas empreendidas, com alternativas viáveis de produção de alimentos saudáveis, que respeitam a natureza, os trabalhadores rurais e os consumidores. Por sua vez, “Agricultura Tamanho Família” (Brasil, 2014, 58 min) focaliza como no Brasil, dos quase cinco milhões de estabelecimentos rurais, 4,5 milhões correspondem a iniciativas de agricultura familiar, que se utilizam de estratégias de produção em pleno acordo com o meio ambiente, produzindo a maior parte dos alimentos que chegam à mesa dos brasileiros. Ao lado de “O Veneno Está na Mesa” e “O Veneno Está na Mesa 2”, este filme forma a “Trilogia da Terra” do diretor Sílvio Tendler. 

Quando o mundo estava pautado pelo pensamento único da globalização, o professor Milton Santos foi a voz discordante denunciando as perversidades do que chamou de “globaritarismo”, sistema econômico que provoca a concentração de riqueza entre os ricos e que distribui mais pobreza para os desfavorecidos. O longa-metragem Encontro com Milton Santos ou O Mundo Global Visto do Lado de Cá (Brasil, 2006, 90 min) apresenta a última entrevista do geógrafo, na qual ele traça um painel das desigualdades entre o Norte rico e o mundo do Sul saqueado, apresentando alternativas e um prognóstico otimista sobre o futuro da humanidade.

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Documentário sobre a vida e a morte de Glauber Rocha, o polêmico cineasta baiano que revolucionou o cinema, Glauber o Filme, Labirinto do Brasil (Brasil, 2003, 97 min) traz imagens do seu enterro: depoimentos de quem acompanhou sua trajetória, seu pensamento e idéias, explodem na tela num filme-tributo à memória de um artista que idealizava um cinema independente e libertário. O filme integrou a competição oficial do Festival de Cannes. 

Finalmente, Utopia e Barbárie (Brasil, 2009, 120 min) é um road movie que passa pela Itália, EUA, Brasil, Vietnã, Cuba, Uruguai, Chile, entre outros, documentando lugares e protagonistas da história, a fim de reconstruir uma narrativa do mundo a partir da Segunda Guerra Mundial. Mas tão importante quanto os temas retratados é o olhar do diretor, que vai-se construindo à medida em que o filme vai acontecendo, de maneira a dar voz a diferentes personagens, independentemente de suas orientações político-partidárias, com o objetivo de chegar a um rico painel de nossa época. 

Silvio Tendler e eu EDIT

Jornalista Aurora Miranda Leão e Sílvio Tendler durante festival de cinema em Anápolis

A programação da 8ª Mostra Ecofalante de Cinema ainda traz um ciclo sobre as utopias e o cinema militante pós-68 (com obras assinadas por grande diretores do cinema), o Panorama Internacional Contemporâneo, a Sessão Infantil e o 2º Seminário de Cinema e Educação, além dos novos programas Mostra Brasil Manifesto e Realidade Virtual. 

As atividades da Mostra Ecofalante de Cinema podem ser acessadas através dos seguintes links:

facebook.com/mostraecofalante

twitter.com/MostraEco

instagram.com/mostraecofanlate

www.ecofalante.org.br

 Serviço

8ª Mostra Ecofalante de Cinema

de 30/05 a 12/06

Abertura: 29/05

www.ecofalante.org.br

 

Ceará faz Cinema em Caminhão e mobiliza público de todas as idades

Salvino Lobo cinema

Cearenses se encantam com cinema em praça pública (foto Salvino Lobo).

A V Mostra Itinerante de Cinema do Ceará acontece em várias cidades cearenses até julho. Realização da Instituto Social de Arte e Cultura do Ceará (ISACC) com apoio do Governo do Estado através da Secretaria de Estado da Cultura, a Mostra está em sua quinta edição. O objetivo é levar cinema brasileiro para as populações que não podem ter acesso aos filmes produzidos no país e exibidos em salas comerciais.

A equipe do ISACC, tendo à frente o realizador e produtor cultural Adriano Lima, percorre o Estado num caminhão, levando todo o equipamento necessário para que as exibições aconteçam. Durante a programação, são exibidos gratuitamente filmes de curta e longa-metragem, além de videoclipes produzidos por diretores cearenses.

A edição deste ano começou de fato em dezembro passado, na cidade de Aracati, aquela cidade litorânea cheia de lindezas que o cearense ama e todo turista quer conhecer. O pontapé para a largada na ideia do Cinema Itinerante foi marcado em Aracati porque ali, onde se abriga a paradisíaca Canoa Quebrada, Adriano faz anualmente o festival CURTA CANOA (havendo lacuna do passado por falta de verba, mas torcemos para que o festival retorne com toda sua importância), o que motivou a percepção de que, se em plena praia e ao ar livre, a comunidade se reúne para ver as mais diversas produções de cinema, o mesmo poderia acontecer noutras cidades. E assim foi feito. E tem sido sucesso.

A equação é simples: basta uma tela, no meio de qualquer lugar, para compor um cenário propício à exibição de filmes de qualquer tamanho, com histórias de todo tipo, e ainda produções musicais: a tela causa um fascínio e atrai gente de todas as idades, e isso ajuda a formar público para o audiovisual brasileiro. Por isso, é tão importante a iniciativa do ISACC e a determinação do Governo do Estado em bancar o projeto do Cinema Itinerante.

O projeto já passou pelos municípios de Jaguaruana, Palhano, São João do Jaguaribe, Limoeiro do Norte, Morada Nova, Quixeré, Umari, Pindoretama, Barreira, Redenção e Guaiúba. A programação este ano prossegue até julho, e mais 19 cidades estão no roteiro.

A Mostra Itinerante de Cinema conta ainda com apoio da Secretaria da Educação do Ceará (SEDUC), parceria da Universidade da Integração Internacional da Lusofonia Afro-Brasileira (UNILAB), apoio cultural do Banco do Nordeste (BNB) e tem produção executiva do Instituto Social de Arte e Cultura do Ceará (ISACC).

A finalidade da Mostra Itinerante de Cinema do Ceará é tornar o cinema acessível ao maior número de pessoas, daí porque a iniciativa passa a ser uma política pública de cultura do Estado: “A Mostra tem sido essencial para que pessoas do interior do Estado tenham contato com a arte e a cultura. Muitos aqui tiveram por meio desse projeto o contato pela primeira vez com o cinema e isso é muito gratificante”, afirma Duarte Dias, coordenador de audiovisual da Secult e curador da mostra.

Mas além da exibição gratuita de filmes e videoclipes, a V Mostra Itinerante de Cinema do Ceará também oferece oficinas de Cineclubismo e Animação para as escolas municipais, numa parceria entre a Secretaria da Cultura e Secretaria de Educação do Ceará. Dessa forma, a mostra contribui para a formação dos estudantes, dentro e fora da sala de aula. É uma ótima maneira de aproximar crianças e jovens da linguagem artística e de apresentar possibilidades de inserção no mercado da economia criativa.

Made in Ceará

Outro ponto forte da V Mostra Itinerante de Cinema do Ceará são as produções selecionadas: todas cearenses. Fazem parte da mostra o longa “Padre Cícero: Os Milagres de Juazeiro”, obra de Helder Martins, e seis curtas e médias-metragem que contemplam os gêneros consagrados na linguagem cinematográfica: os documentários “Becco do Cotovelo”, de Pedro Cela e Eduardo Cunha, “Couro Tecido”, de Adriana Barbalho, e “Negro lá, negro cá”, de Eduardo Cunha de Souza; as ficções “Céu Limpo” de Marcley de Aquino e Duarte Dias, “Doce de Coco”, de Allan Deberton, e a animação “Esaú, o contador de história”, de André Dias.

Cinema empresta nova feição para o cotidiano das cidades (foto Salvino Lobo).

Programação da V Mostra Itinerante de Cinema do Ceará

Monsenhor Tabosa

23 e 24 de maio – Exibição20 a 24 de maio – Oficina

Ibicuitinga

26 e 27 de maio – Exibição

03 a 07 de junho – Oficina

Quixadá

28 e 29 de maio – Exibição

03 a 07 de junho – Oficina

Banabuiú

30 e 31 de maio – Exibição

10 a 14 de junho – Oficina

Iguatu

01 e 02 de junho – Exibição

10 a 14 de junho – Oficina

Tarrafas

03 e 04 de junho – Exibição

17 a 21 de junho – Oficina

Potengi

05 e 06 de junho – Exibição

17 a 21 de junho – Oficina

Altaneira

07 e 08 de junho – Exibição

24 a 28 de junho – Oficina

Caririaçu

09 e 10 de junho – Exibição

24 a 28 de junho – Oficina

Crato

11 e 12 de junho – Exibição

24 a 28 de junho – Oficina

Jati

29 e 30 de junho – Exibição

01 a 05 de julho – Oficina

Jardim

01 e 02 de julho – Exibição

01 a 05 de julho – Oficina

Abaiara

09 e 10 de julho – Exibição

08 a 12 de julho – Oficina

Barbalha

11 e 12 de julho – Exibição

08 a 12 de julho – Oficina

*Para mais informações, acesse https://www.secult.ce.gov.br/

Conceição Evaristo será a Homenageada do Prêmio Jabuti 2019

EVARISTO

Bravo: Conceição Evaristo, escritora mineira, é destaque na luta contra a discriminação racial, de gênero e de classe.

Editores e autores brasileiros tem até 28 de junho para inscrever suas obras no mais tradicional e prestigiado prêmio do livro do Brasil, o Prêmio Jabuti.

Realizado pela Câmara Brasileira do Livro (CBL), o Jabuti confere aos vencedores o reconhecimento da comunidade intelectual brasileira, do mercado editorial e, principamente, dos leitores. Serão 19 categorias e um vencedor do Livro do Ano.

“É missão da CBL elevar o livro e a leitura a novos patamares. É com orgulho e satisfação que lançamos a 61ª edição do Prêmio Jabuti, que prestigia os esforços e valoriza autores, editores, escritores, ilustradores, capistas, designers e tradutores nas diferentes categorias da criação e produção editorial do livro”, afirma Vitor Tavares, presidente da CBL.

CEV

Organizadores do JABUTI acertam em Homenagear Conceição Evaristo

A personalidade homenageada deste ano será a escritora Conceição Evaristo, escritora e ativista dos movimentos de valorização da cultura negra, que evidencia traços marcantes de sua origem humilde nos seus escritos, com personagens femininas fortes e resistentes. Conceição é Mestre em Literatura Brasileira pela PUC Rio e Doutora em Literatura Comparada na Universidade Federal Fluminense.

“A escolha da Conceição foi resultado de uma reflexão de toda a Comissão do Prêmio Jabuti sobre obra da autora, sua relevância cultural para o Brasil hoje, e por muito o que ela ainda tem a oferecer. Conceição representa os valores essenciais para o Prêmio Jabuti. E o Jabuti se sente orgulhoso por homenageá-la”, diz o curador Pedro Almeida.

Nesta edição, os quatro eixos permanecem organizados em: Literatura, Ensaios, Livro e Inovação. Algumas atualizações foram realizadas para que o Prêmio seja cada vez mais abrangente e alinhado ao leitor e ao mercado:

  • As categorias Infantil e Juvenil foram separadas.
  • Livros de documentário e reportagem passam a ser inscritos junto à categoria Biografia, e não mais na de Humanidades.
  • A categoria Tradução, alocada no eixo Literatura em 2018, a partir desta edição passa para o eixo Livro.
  • A categoria que foi lançada como Formação de Novos Leitores ganha novo nome, a partir desta edição, Fomento à Leitura, para abranger projetos que vão além formação, mas para todas as atividades de promoção da Leitura.
  • Coletâneas compostas por textos não inéditos só poderão ser inscritas nas categorias que compõem os eixos Livro – Capa, Ilustração, Impressão, Projeto Gráfico e Tradução – e Inovação – Fomento à Leitura e Livro Brasileiro Publicado no Exterior.
  • Outra novidade: o Prêmio Jabuti passa a ter duas listas fases de finalistas. Na primeira, serão divulgados pela CBL os dez finalistas para cada uma das 19 categorias. Em um segundo momento, a CBL fará o anúncio dos cinco finalistas.
  • Os primeiros colocados em cada categoria, como ocorre desde o ano passado, serão revelados somente no dia da cerimônia de premiação. Apenas a auditoria Ecovis Pemon terá acesso aos resultados.

O vencedor do Livro do Ano do Prêmio Jabuti 2019 será escolhido entre  as obras vencedoras dos eixos Literatura e Ensaios.

Jaburi

O formato de envio para obras concorrentes nas categorias dos eixos Literatura e Ensaios permanece em arquivo PDF. Apenas para o eixo Livro, será necessário o envio de exemplares físicos, conforme instruções descritas no Regulamento.

 Confira a estrutura de eixos e suas categorias no Prêmio Jabuti 2019:

  • Eixo Literatura (sete categorias): Conto; Crônica; HQ; Infantil; Juvenil; Poesia e Romance.
  • Eixo Ensaios (cinco categorias): Artes; Biografia, Documentário e Reportagem; Ciências; Economia Criativa e Humanidades;
  • Eixo Livro (cinco categorias): Capa; Ilustração; Impressão; Projeto Gráfico e Tradução;
  • Eixo Inovação (duas categorias): Fomento à Leitura e Livro Brasileiro Publicado no Exterior.Cada um dos autores e editoras vencedoras recebem a estatueta do Prêmio Jabuti.Ao autor, caberá também uma premiação em dinheiro:Vencedor de cada uma das 19 categorias: R$ 5.000 (Cinco Mil Reais)

    Vencedor do Livro do Ano: R$ 100.000,00 (Cem Mil Reais).

Entendemos que o prêmio pode ampliar o seu alcance sempre, como um farol sobre a melhor literatura produzida no país e ter reforçado seu caráter de mediador, de fomentador da leitura, nos mais diversos aspectos, gêneros e gostos. Quis formar um conselho de editores que se complementam nas múltiplas experiências: acadêmica, literária, infantil, juvenil, em tradução e edição dos gêneros que compõem o escopo editorial do Prêmio, comenta Pedro Almeida, Curador do Prêmio Jabuti.

Ao lado de Almeida, fazem parte do Conselho Curador do Jabuti 2019:

Camile Mendrot (AB Aeterno Produção Editorial)

Mariana Mendes (Canal Bondelê)

Cassius Medauar (Editor -Editora JBC)

Marcos Marcionilo (Sócio e Publisher da Parábola Editorial)

Indicação de Jurados 

O mercado editorial e os leitores podem fazer indicações ou se candidatar para integrar o júri de cada categoria da premiação. O Conselho Curador será responsável pela verificação, seleção e complementação do corpo de jurados. O corpo de jurados terá 57 integrantes, sendo três para cada categoria. Cada jurado deverá escolher 13 obras e terá dois meses para análise e atribuição das notas. O período de Consulta Pública para indicação de jurados é de 16 de maio a 16 de junho.

JABUTI

Como concorrer?

Poderão concorrer ao Prêmio Jabuti obras inéditas com ISBN e Ficha Catalográfica, impressas ou digitais, publicadas em língua portuguesa no Brasil, em primeira edição, entre 1o de janeiro e 31 de dezembro de 2018.

Na categoria Fomento à Leitura, podem ser inscritas iniciativas realizadas por pessoa física ou jurídica. O período da ação a ser analisado pelos jurados será de 1o de janeiro e 31 de dezembro de 2018.

A autoria da obra deverá ser de autor(es) brasileiro(s) nato(s), naturalizado(s), ou estrangeiro(s) com residência permanente no País.

Coletâneas compostas por textos não inéditos só poderão ser inscritas nas categorias que compõem os eixos Livro e Inovação.

As inscrições vão até 28 de junho e podem ser feitas pelo www.premiojabuti.org.br ouhttp://www.premiojabuti.com.br, onde está o regulamento completo da premiação.

Mercado Audiovisual Nordeste: reta final de inscrição

AUD MAN

Seguem até sexta as inscrições ao 4º MAN – Mercado Audiovisual do Nordeste, que será realizado em Fortaleza de 25 a 28 de junho. Podem participar empresas produtoras, realizadores de trabalhos audiovisuais de todo o país. Os interessados podem inscrever até três projetos para as Rodadas de Negócios, dois para os Pitchings abertos e um para o Encontro Ibero-americano de Coprodução.

Estão confirmados os players: Canal Brasil, GloboNews, Arte 1, Globo Filmes, Canal Curta, TV Record, Boutique Filmes, NBC Universal, Elo Company, Giros, 44 Toons, Bananeira Filmes e Glaz, que tem entre suas realizações o filme “Cine Holliúdy 2”.

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A participação das empresas produtoras e realizadores no 4º MAN é oportunidade para apresentação de novos projetos audiovisuais – como séries e filmes, de uma única vez -, para representantes de vários canais ou plataformas online de exibição durante os Pitchings, de viabilizar novos contratos nas Rodadas de Negócios, e novas parcerias no Encontro Ibero-americano de Coprodução. A curadoria é de Alfredo Manevy, ex-presidente da Spcine e ex-Secretário Executivo do Ministério da Cultura.

Informações e fichas de inscrição estão disponíveis em www.mercadoaudiovisual.com.br. O Iate Plaza Hotel está com tarifa promocional para os participantes. Confira também no site do MAN.

O 4º MAN é apresentado pelo Ministério da Cidadania – Secretaria Especial da Cultura e BRDE. É realizado pela Bucanero Filmes com apoio institucional da Agência de Desenvolvimento do Ceará – ADECE, da Câmara Setorial Audiovisual – CSA e da Universidade Federal do Ceará através da Casa Amarela Eusélio Oliveira. Conta com parceria da BRAVI.

SERVIÇO

4º MAN – Mercado Audiovisual do Nordeste – Inscrições até 24 de maio. O MAN será de 25 a 28 de junho de 2019 na sede do BNB, em Fortaleza (Av. Dr. Silas Munguba, 5700, Passaré – Fortaleza/CE). Informações: www.mercadoaudiovisual.com.br. Contatos: organizacao@mercadoaudiovisual.com.br

Valmir Moratelli vê Alegria na crise do carnaval e faz Cinema saudando força da negritude: Saravá !

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Com o enredo Saravá, Umbanda, a escola de samba carioca Alegria da Zona Sul, do grupo A, enfrentou grandes dificuldades para desfilar na Sapucaí este ano.

Mas a luta valeu a pena: a escola fez bonito na Passarela do Samba, levou sua ginga para celebrar Momo e contagiou a avenida com o vermelho e branco alegre de suas alas, e, de quebra, ainda virou tema de documentário do jornalista Valmir Moratelli.

Valmir 19

Com intenção de espalhar mensagens de otimismo, resistência, força, caridade, amor e fé, a Alegria da Zona Sul valeu-se do enredo do carnavalesco Marco Antonio Falleiros, para desfilar no Sambódromo a história da umbanda através das palavras de um sábio preto velho.

Apaixonado por samba e jornalista com atuação indormida nas lides culturais, Valmir Moratelli convidou o  produtor Fabiano Araruna, da El Tigre Studio, e juntos decidiram registrar o drama da vermelho e branco para não deixar de estar na Sapucaí durante o Carnaval, e realizaram um filme que está em fase final de captação de recursos. É Moratelli quem explica:

— A ideia do documentário surgiu com o objetivo de acompanhar toda a crise que o carnaval carioca atravessou e que acreditamos ser a maior da história. Cubro carnaval há mais de dez anos e nunca vi um cenário tão devastador como este de 2019 nas escolas de samba.

Moratelli e Araruna acompanharam o cotidiano no barracão da escola, a preparação das fantasias, a aflição dos integrantes, a disposição, a garra, o espírito de persistência e levaram a sensibilidade e as câmeras para registrar todos os ensaios da Alegria:

—Escolhemos a Alegria porque o enredo é de grande força, principalmente refletindo o drama vivido pelas escolas. Temos um prefeito que está diminuindo gradativamente, e de forma absurda, a verba para todas as escolas. E ainda coloca a população contra as agremiações ao dizer que reduziu a verba para gastar com saúde e educação — declarou Moratelli à época das filmagens.

A crise vivida pela Alegria da Zona Sul e como a agremiação transformou tristeza, sofrimento, revolta, desgaste e dificuldade em potência e samba no pé estará na telona em breve no documentário “30 DIAS – Um carnaval entre a alegria e a desilusão”.

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O filme de Valmir Moratelli e Fabiano Araruna é uma produção independente e precisa da colaboração de amigos, comunicadores, sambistas, profissionais e estudantes de áreas afetas à música, ao cinema e às artes de modo geral, além de admiradores do samba e da cultura para ser concluído.

Acesse o link e veja como participar: esta é a última semana !

Conheça um pouco mais dessa história conferindo o instigante trailler do filme:

https://www.catarse.me/alegriadoc?fbclid=IwAR1XKeOLj1jD6LIOIB1nnuzjEAWHWmoH9I_U4Ucz5lgoeth0o4QKaYIEL-4

Raízes da Alegria

A escola foi criada em 28 de julho de 1992, a partir da união dos blocos de enredo Alegria de Copacabana e Unidos do Cantagalo. Os blocos, que atraíam moradores do Cantagalo e do Pavão-Pavãozinho, desfilavam na Praia de Copacabana, próximo ao Posto Cinco, onde até hoje ocorrem ensaios. Este ano, a escola ganhou uma quadra, na Rua Frei Caneca 239, ao lado do Sambódromo.