Arquivo do mês: outubro 2019

Beth Formaggini registra memória da ditadura em “Pastor Cláudio”

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“Pastor Cláudio”, documentário escrito e dirigido por Beth Formaggini, será exibido hoje e amanhã no Cine São Luiz, em Fortaleza. As sessões serão seguidas de debate.

Estarão presentes Lúcia Alencar (sobrinha do Frei Tito), da Secretaria da Proteção Social Justiça, Cidadania, Mulheres e Direitos Humanos (SPS); Pastor Jamieson Simões, militante dos direitos humanos; e o professor Phillipe Bandeira, realizador audiovisual, pesquisador, curador, fotógrafo, doutorando e mestre em Comunicação (UFPE), bacharel em Ciências Sociais (UFC), que vai coordenar a mesa.

O filme mostra o encontro entre o bispo evangélico Cláudio Guerra — ex-delegado responsável por assassinar e incinerar opositores à Ditadura Militar no Brasil (1964-1985), e Eduardo Passos — psicólogo e ativista dos Direitos Humanos, que trabalha no atendimento a vítimas da violência do estado ontem e hoje. A produção é da 4 Ventos Comunicação.

Respaldado por uma interpretação contestada da Lei da Anistia e hoje membro ativo da comunidade evangélica, o Pastor Cláudio revela, dentre outros crimes, como fazia para desaparecer com corpos durante a atuação como agente do estado brasileiro no período da Ditadura. Com a abertura política, Cláudio trabalhou na segurança pública replicando os métodos do passado. Para registrar o diálogo entre o pastor e o psicólogo, a diretora Beth Formaggini monta um cenário com um telão, no qual são projetadas fotografias e vídeos de militantes assassinados de um passado que perdura.

“Propus uma conversa entre Cláudio e Eduardo durante a qual se projetam as imagens, permitindo-nos ver a vinculação de Cláudio à violência do Estado praticada naqueles anos, além de perceber sua frieza aterradora”, conta a diretora. “A interação dos dois personagens, e as cenas e fotos no telão, que também são projetadas no corpo de Cláudio, trazem à tona memórias e reflexões sobre a banalidade do mal e seus desdobramentos. A violência dos homens e do Estado continua a nos assombrar até hoje no Brasil e no mundo”.

“Pastor Cláudio” surgiu a partir da investigação de Beth Formaggini na direção do documentário “Memória Para Uso Diário” (2007), sobre o grupo Tortura Nunca Mais e os desaparecidos políticos da ditadura. Em 2012, foi lançado o livro “Memórias de Uma Guerra Suja”, no qual Rogério Medeiros e Marcelo Netto reúnem depoimentos de Cláudio Guerra. A partir deles, Beth conseguiu respostas para casos que permaneciam sem esclarecimento da Operação Radar (1973-1976), que executou 19 integrantes do Partido Comunista Brasileiro (PCB). Foi então que a diretora partiu para Vitória em 2015 para entrevistar Cláudio Guerra, em companhia de Eduardo Passos.

O documentário de Formaggini venceu o prêmio de melhor filme no Festival de Vitória 2018 e participou das mostras: Festival Internacional de Cinema Documental (Equador, 2018), Festival Kinoarte de Cinema 2018, Brasil em Movimento (França, 2018), Festival Internacional de Mulheres no Cinema – FimCine 2018, Festival do Rio 2017, Festival de Havana 2017, Festival Internacional de Filme Documentário do Uruguai – Atlantidoc 2017, Forum Doc BH 2017, Festival Internacional Pachamama (Acre, 2017) e Mostra Autres Brèsils, em Paris, este ano.

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Cineasta Beth Formaggini faz mais um filme importante para a história do país.

Sinopse:

Conversa entre o Bispo evangélico Cláudio Guerra, ex-chefe da polícia civil que assassinou e incinerou militantes que se opunham à Ditadura Militar brasileira e Eduardo Passos, psicólogo militante dos direitos humanos.

Ficha técnica:

Direção, roteiro e produção-executiva: Beth Formaggini

Pesquisa: Linara Siqueira, Juliana Machado, Beth Formaggini, Marcia Medeiros, Vinicius Noronha

Produção: Valéria Burke e Linara Siqueira

Fotografia e câmera: Cleisson Vidal e Juarez Pavelak

Montagem: Márcia Medeiros e Julia Bernstein, edt.

Produtor de Finalização: Ade Muri

Edição de som e mixagem: Bernardo Gebara

Mixagem: Bernardo Gebara e Alexandre Jardim

Produção de finalização: Ade Muri

Consultoria: Marta Andreu

Vídeo design: Rogério Costa

Som direto: Toninho Muricy

Tape to Tape e finalização: Link digital

Ano: 2017

Duração: 76′

Classificação: (12 anos)

Empresa Produtora: 4Ventos Comunicação

Site: http://www.4ventosproducoes.com

Distribuição: Arthouse

Plataformas: O filme Pastor Claudio está disponível nas plataformas VOD: iTunes, Google Play, Vivo Play, Now e Looke.

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SERVIÇO:

Exibição gratuita do documentário PASTOR CLÁUDIO, seguida de debate

Quando: 23 e 24 de outubro de 2019

Onde: Cine São Luiz, praça do Ferreira, centro de Fortaleza.

Horário: 19h

ENTRADA FRANCA

 

Cineclubes portugueses agendam encontro para novembro

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O Hotel Termas da Curia: cenário para encontro cineclubista…

A XXIV edição dos Encontros Nacionais de Cineclubes será realizada em novembro em Anadia, no território português.

Esses Encontros, promovidos pela Federação Portuguesa de Cineclubes, têm sido momento cruciais para o movimento cineclubista português e um espaço privilegiado para pensar e intervir no cinema produzido em Portugal. Sendo inclusivos e abrangentes, os Encontros tem sido marcados pela diversidade de debates e de participantes, tentando reunir o maior número de representantes e de sensibilidades.

Na sua 24.ª edição, os focos temáticos centrais são: os desafios da exibição não comercial e o desenvolvimento crítico da cinefilia no seio dos cineclubes. De que forma os cineclubes contribuem e são afectados por estes dois vectores? Até que ponto deveriam os cineclubes beneficiar-se de um tratamento diferenciado face aos demais exibidores no acesso à filmografia?

O Encontro de 2019 está marcado para 8, 9 e 10 de Novembro no Hotel das Termas da Curia, no concelho de Anadia, coração da Bairrada. É uma co-organização com o Cineclube da Bairrada, que vai conta com apoio do Instituto do Cinema e Audiovisual (ICA), do Município e do Hotel.

Saiba mais: https://www.fpcc.pt/encc/

Imaginário, Jornalismo e Memória motivam seminário da Rede JIM

Seminário JIM
Mais um seminário da RedeJIM aconteceu sexta passada, 18 de outubro, no Instituto de Arte e Comunicação Social (IACS) da Universidade Federal Fluminense, em Niterói.
O IV Seminário da Rede JIM foi aberto com saudação da professora Denise Tavares aos participantes, seguindo-se o prof Dr. Juremir Machado da Silva apresentando o resumo do artigo “Por uma análise discursiva dos imaginários de 1969″.
O IV Seminário promovido pela JIM teve como tema 1969 a 1970 – Janelas do Tempo” e reuniu diversos pesquisadores durante toda a sexta-feira na UFF de Niterói para apresentar as pesquisas em andamento por professores e estudantes da pós-graduação, intercambiar experiências, trocar ideias, debater procedimentos metodológicos, e prospectar novos encontros, projetos e ações.
Diversos grupos de pesquisa integram a Rede JIM, que ano passado lançou o livro “1968: de maio a dezembro – Jornalismo, Imaginário e Memória”, organizado pelos professores Álvaro Nunes Larangeira, Christina Ferraz Musse e Juremir Machado da Silva.
Para saber mais sobre Imaginário, confira a definição do professor Juremir Machado:

“Todo o Imaginário é real e todo o real é Imaginário. Todo o Imaginário é real significa que não existem Imaginários que não sejam partes de uma realidade, de uma história, de um acontecimento, de uma vida. Nesse sentido, todo Imaginário é uma realidade, todo Imaginário é concreto. É mais ou menos como a gente imaginar a famosa oposição entre o real e o virtual. O virtual faz parte do real? O virtual e o real não se opõem? O virtual não é outra coisa. Não é porque está lá dentro do computador, que não é real. Mesmo se a gente arrancar o computador, quebrar todo e examiná-lo, não vai existir nada lá dentro, mas é real de toda a maneira. O imaginário também. Quando a gente pensa num unicórnio. Vocês já viram um unicórnio ou um centauro? Não existem, mas existem. Todo mundo sabe o que são e não têm dúvida nenhuma. Eu falo um centauro e está todo mundo imaginando um centauro. Eu falo um unicórnio e está todo mundo imaginando um unicórnio. Ninguém viu um unicórnio, ninguém tocou em um, mas ele existe. Nem tudo que existe concretamente é palpável. Nem tudo que existe precisa ser uma mesa ou um copo, mas não deixa de existir. Ninguém duvida que uma ficção exista e uma ficção é uma ficção, logo em princípio ela é o oposto de uma realidade, mas ela existe. Existe como uma realidade, e o Imaginário também. E, ao mesmo tempo, todo real é Imaginário, porque o real não é alguma coisa dada de uma vez por todas, cem por cento incontestável. O real é uma construção que depende do olhar de cada um de nós.” (MACHADO, 2003).

A Rede JIM é formada pelos grupos de pesquisa (GP) JOR XXI, da Universidade Tuiuti do Paraná (UTP); Tecnologias do Imaginário, da Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul (PUCRS); e Comunicação, Cidade e Memória, da Universidade Federal de Juiz de Fora (UFJF). A novidade do Seminário Janelas do Tempo foi a inclusão de mais quatro grupos na JIM: Núcleo de Estudos e Experimentações do Audiovisual e Multimídia (Multis), da Universidade Federal Fluminense (UFF); Imaginário e Cotidiano, da Universidade do Sul de Santa Catarina (Unisul); Memórias, Afetos e Redes Convergentes, também da Unisul; e Narrativas Midiáticas e Dialogias, também da UFJF.
O dia foi bastante intenso com mais de 15 pesquisas apresentadas, as quais serão reunidas num novo livro da Rede JIM, a ser lançado no primeiro semestre de 2020.
Para você conferir no post, algumas fotos do Seminário 1969 a 1970 – Janelas do Tempo e nosso depoimento sobre a honra de conhecer de perto o professor e jornalista Juremir Machado da Silva.
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O professor Juremir Machado da Silva e as “tecnologias do Imaginário”.
CLAUDIA e Marco
Profa. Cláudia Thomé (UFJF) e Prof Marco Reis (UNESA) apresentam o grupo Narrativas Midiáticas e Dialogias.
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Abertura do IV Seminário da Rede JIM reuniu pesquisadores de vários estados na UFF.
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A profa. Dra. Christina Musse apresenta pesquisa sobre 50 anos do Jornal Nacional.
A imagem pode conter: uma ou mais pessoas e pessoas em pé
Os coordenadores dos grupos de pesquisa: Cláudia Thomé, Christina Musse, Renata Rezende, Denise Tavares, Álvaro Larangeira, Juremir Machado e Marco Reis.
REDE JIM
Os participantes da Rede JIM, pesquisadores do Imaginário, do Jornalismo e da Memória.
JUREMIR e eu - Cópia