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Raimundo Rodriguez: um guerreiro no cavalo de São Jorge !

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Raimundo Rodriguez finalizando o Cavalo de São Jorge, que estará em mostra especial na Gamboa, centro da capital carioca…

Raimundo Rodriguez, o notável artista plástico que transforma descartável e lixo em obra de arte – e que tem inteligência e sensibilidade para emprestar seu talento criador para dar conteúdo e beleza ao gênero telenovela – é incansável e ‘imparável’ ! Somos fã dele de carteirinha !

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E olha onde é que Raimundo vai estar amanhã: o dia é de Jorge Guerreiro, e é claro que o fecundo artista só podia estar homenageando seu santo protetor, como cabe a quem de fato se inscreve como devoto.

Neste domingo, 23 de abril,  Raimundo Rodriguez será o anfitrião de Salve São Jorge 23, uma mega exposição inaugural para saudar o Porto das Artes, novo polo de Cultura na Gamboa, zona portuária do Rio – prédio da fábrica de espetáculos do Theatro Municipal, na avenida Rodrigues Alves, 303.

Raimundo Rodriguez, conhecido também como o artista das intervenções urbanas, encabeça o convite para o vernissage da mega expô, na qual ele estará à frente de um coletivo de 200 artistas, inaugurando o espaço cultural PORTO DAS ARTES/ Fábrica de Espetáculos, na capital carioca, pertinho do Museu do Amanhã.

O convite para a abertura da mostra é atraente por si só: ninguém melhor que Raimundo Rodriguez para comandar a overture artística no novo cenário carioca.  Esta será a nona vez consecutiva que Raimundo presta homenagem oficial a São Jorge.

Para a expô deste domingo, Raimundo recriou uma de suas obras mais conhecidas: o Cavalo de São Jorge. Totalmente articulado e com mais de 30 movimentos, o cavalo participará de ‘cena’ com o ator Augusto Vargas, que encarnará o santo guerreiro numa performance que promete causar buchicho !

A exposição comandada por Raimundo Rodriguez vai reunir mais de 150 obras entre pinturas, esculturas, instalações, performances, gravuras, grafites e videoinstalações. São artistas dos mais diversos estilos criando arte com uma temática comum.

A ideia foi germinada a partir de um desejo pessoal e antigo do mestre Raimundo: o artista, criador de dezenas de cavalos articulados para a minissérie de Luiz Fernando Carvalho e Ariano Suassuna, A Pedra do Reino, construiu um para seu acervo particular. Nada mais justo. Como ele mesmo revela: “Adoro cavalos e nunca fiquei com um para mim”.  

Salve São Jorge 23 será aberta amanhã e vai ficar aberta à visitação até dia 6 de maio, com entrada gratuita. Vamos à Gamboa ! E Viva São Raimundo Jorge Guerreiro Rodriguez !

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Saiba mais sobre RAIMUNDO RODRIGUEZ

O artista plástico Raimundo Rodriguez tem fixação por arte, em especial, por obras que dão uma nova dimensão a materiais reciclados, como sobras de madeira, ferro e plástico. Cada um deles, diz, tem energia própria, carrega uma história, por ter passado pelas mãos de outras pessoas. Assim como o painel multicolorido, feito por ele com latas de tinta, que ganhou posição de destaque acima da porta de sua casa. Ou como os tijolos de demolição, centenários, usados para erguer toda a construção.

Raimundo Rodriguez (RR) é um cara inquieto: “Tanto na vida como na arte, gosto de muito”. Tem fascínio por transmutar coisas aparentemente imprestáveis, e um dom especial por criar obras de arte a partir de materiais reciclados ou de peças que a quase totalidade das pessoas vê como coisas velhas, feias, descartáveis.

RR mora numa bela casa, na qual o aproveitamento de peças e a reciclagem de material também impressiona: lá, ele coleciona muitas obras de artistas brasileiros, como Timbuca, Clarissa Campello, Deneír e Felipe Barbosa.

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Raimundo Rodriguez ladeado por Janete Scarani e Aurora Miranda Leão

Raimundo também possui raridades, como um painel original do lendário profeta carioca Gentileza que tinha ido parar no lixo. Em sua galeria particular, Rodriguez não gosta de desperdiçar nada: “A arte contemporânea é marcada pelo excesso. Eu detesto perdas. O que me interessa é transformar”, sentencia.

Filho de carpinteiro, Raimundo Rodriguez é autodidata e, além de artista plástico, é também animador cultural e um dos fundadores do coletivo de arte Imaginário Periférico: “Me orgulho de nunca ter tido carteira assinada. Não ter segurança no emprego sempre me fez viver em movimento”, decreta o devoto de São Jorge, que tem espalhados pela casa diversas imagens e amuletos do santo.

Em 2013, RR foi convidado a construir um Cavalo de São Jorge para a comissão de frente da escola de samba carioca Beija Flor.  E a nota não podia ser outra: 10 por unanimidade ! 

Cearense, Rodriguez mudou-se com seus pais para a Baixada Fluminense ainda criança e nunca mais saiu. Ali ele construiu uma adorável casa, bonita e silenciosa, onde mora com a companheira da vida toda, a produtora Janete Scarani. E diz, muito tranquilo – como aliás Raimundo sempre é – que não troca o lugar por nenhum outro do Rio: “Nova  Iguaçu é uma espécie de ‘Nordeste fluminense’. Sempre digo aos amigos: se nunca foi a Caruaru, venha a Nova Iguaçu”, brinca o artista plástico.

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Um dos altares de Velho Chico, criação de Raimundo Rodriguez…

Como exímio diretor de arte que é,  Raimundo Rodriguez tem seu belíssimo trabalho com cenografia/figurino/direção de arte entranhado em obras como as minisséries A pedra do reino, Hoje é dia de Maria, Capitu, Alexandre e outros heróis, e nas novelas Meu Pedacinho de Chão e Velho Chico (para a qual criou vários altares, mais de mil santos e cerca de 500 estandartes).

É ou não é para aplaudir de pé a criatividade invulgar de Raimundo Rodriguez ?

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Um dos belos ambientes cenográficos de Meu Pedacinho de Chão, obra de Raimundo Rodriguez…

NOSOTROS: imigrantes cantam e dançam numa revoada em praça pública

A carreta-palco da Fraternal Companhia de Arte e Malas-Artes estaciona na capital paulista, mais precisamente no Parque do Trote, a bordo do espetáculo “épico-musical” NOSOTROS. O universo latino-americano entra em cena sob o ângulo mitológico.

A história nasceu por meio de entrevistas com imigrantes de vários países residentes em São Paulo, além da pesquisa sobre as mitologias andina (com o rei inca Inkarri) e brasileira (o mito Guarani da Terra Sem Mal). Daí surgiu Juanito, um imigrante que busca uma vida melhor para si e sua família. Um grupo de saltimbancos chega com o arauto Ekeko, o Deus andino da prosperidade, e com Aracy, uma andarilha indígena brasileira. NOSOTROS tem direção de Ednaldo Freire e dramaturgia do professor, cineasta, roteirista e dramaturgo Alex Moletta.

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SINOPSE:

Uma trupe de saltimbancos, conduzidos por uma revoada humana formada por imigrantes, narram a história de Juanito: um típico andino que deixa seu local de origem para tentar uma vida melhor numa terra sem mal chamada: Nosotros. Uma história permeada por desafios, comicidade, música, sonhos e angústias daqueles que ousam se aventurar por terras desconhecidas.

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FICHA TÉCNICA:

Direção:  Ednaldo Freire

Dramaturgia:  Alex Moletta

Cenário e Figurinos: Luiz Oliveira Santos

Músicas e Direção Musical:Gustavo Kurlat

Arranjos e Produção Musical: Vicente Falek e João Paulo Nascimento

Elenco: Aiman Hammoud, Mirtes Nogueira, Carlos Mira, Maria Siqueira,Giovana Arruda, Harley Nóbrega, Ian Noppeney

Orientador de Pesquisa: Hugo Villavicenzio

Preparação de Voz e Corpo: Verlucia Nogueira

Assistente de Cenografia e Adereços: Vânia Tosta

Cenotécnico: Edson Freire

Operador de Som: Gabriel Kavanji

Operador de Luz: Marco Vasconcellos

SERVIÇO: NOSOTROS, uma revoada latino-americana

                   Novo Espetáculo da Fraternal CIA

O QUE: Espetáculo teatral a ser apresentado no Parque do Trote, na Vila Guilherme, em São Paulo. QUANDO: Estreia dia 18 de março. Horário: 15h  ENTRADA FRANCA.

Entre a saudade e a esperança, repousa a mais bela invenção dos homens

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Sempre que os vejo, brota a mesma emoção. Diante deles, sou uma sempiterna criança entre o alumbramento e o estupor. Sou absolutamente fascinada pelo esplendor que são os fogos de artifício !

Entre comoção e fascínio, eles sempre me renovam as emoções mais bonitas e as mais fundas,sobretudo quando anunciam a involuntária troca de ano.

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Um misto de saudade e esperança toma quando eles começam a estourar no céu ! Carregam junto uma tristeza a ser instalada por um ano que vai perdendo vida, ao mesmo tempo em que reacendem sonhos e anunciam esperanças sempre novas de dias melhores.

Incrível como, a cada ano, eles vem mais cheios de beleza, promovendo uma arrepiante festa de cores no horizonte ! São de uma beleza infinita, sobretudo quando sem misturam formando alianças de cores e formatos nos céus do mundo inteiro. Que magia contagiante e única está embutida na queima de fogos !

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Que magia contagiante e única está embutida na queima de fogos ! Acho-a de um frenesi inigualável, sempre novo porque igual na sua forma de ser sempre fascinante !

Penso que a humanidade já devia ter descoberto ou ‘inventado’ um nome para o ‘criador’ dos fogos de artifício. São, pra mim, uma tão poderosa invenção, que a vida é mais Vida quando celebrada com eles, e se alguém há a merecer um Nobel da Beleza, esse alguém é esse inspirado ‘criador’ dos incomparavelmente notáveis FOGOS DE ARTIFÍCIO !

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A eles, e aos que promovem as celebrações mundiais emolduradas por eles, o caloroso #aplausoblogauroradecinema !

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A todos os leitores e amigos do #blogauroradecinema, nossos melhores votos de um Novo Ano pleno de PAZ, LUZ, Amor e muitos motivos pra comemorar !

             F Z    2017   !

Bilhete atrasado ao Tio Reynaldo, que virou uma estrela…

Inteligência, Bom Humor, Beleza, Simpatia… eram essas as qualidades que sempre exaltavam. Não convivi muito com você, mas o pouco que partilhamos, era uma confirmação espontânea de tudo isso.

Eu era ainda uma pré-adolescente quando você deixou nossa cidade e foi morar em Manaus, terra de seus pais, berço da família Miranda Leão, que na capital manauara é nome de importante rua central e figura também em outros espaços da capital que você logo abraçou como sua.

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Em feliz temporada carioca, Socorrinha e Reynaldo com o filho Fernando ainda criança

Sim, você virou um autêntico manauara, tio Rey ! Com que amor você falava de Manaus ! Era contagiante !

Na única vez em que lá estive, você foi me visitar, fazendo-me uma surpresa que me encheu de alegria ! Lembro como se fora hoje você chegando no hotel em que eu estava (por conta do festival de cinema) e ficamos conversando horas. Depois, fomos até sua casa… claro que você tinha que ir me levar pra ver sua adorada Socorrinho !

No caminho, uma conversa farta na qual lembro com exatidão quando você me falou da crença numa vida que não se acaba com a morte. Esse é o trecho de nossa conversa que recordo com toda exatidão. Impressionou-me o vigor e fortaleza de sua crença. Aliás, você era assim, meu tio querido, e talvez isso eu tenha herdado de você: a paixão para falar sobre as coisas de que gosta, a força natural que provém quando achamos importante defender aquilo em que acreditamos.

Nas poucas vezes em que estivemos juntos, foi sempre bonito, forte, verdadeiro. Algumas vezes, com alegria; outras, nem tanto, como quando você veio para acompanhar o velório do vovô Miranda. Aquela perda foi muito dolorosa para todos nós, mas penso que sua fé te segurou com serenidade e sensatez.

Você foi sempre tão cobrado na família mas acho que a sua história é um bom exemplo de como o machismo prejudica absolutamente, e também os homens são vítimas dele. Você foi pai aos 16… uma loucura, vista em qualquer tempo, e sob qualquer ângulo. Como cobrar de um adolescente as responsabilidades e compromissos que só o avanço da idade traz ?

Àquela época, acho que ainda nem era tempo de videotape. A TV engatinhava e a insípida comunicação ainda fazia com que o mundo fosse uma coisa quase apartada de quem morava numa pequena cidade do nordeste. Na época em que você foi pai a primeira vez, penso que o tempo por aqui tinha 48h, e isso fazia com que tudo andasse quase em câmera lenta. A paternidade deve ter sido um susto para você – quem está preparado para educar alguém aos 16 anos ? -, e por certo deu um revertério na sua energia contagiante, sua alegria de viver, seu gosto pela folia, pela celebração da vida, pelo partilhar com os amigos.

Sim, dessa sua vibe eu lembro bem ! Isso era notório pra quem quer que convivesse com você ! Lembro que eu era ainda uma criança quando você chegou correndo na casa de papai, creio que num fusquinha cheio de amigos, procurando alguns objetos (seriam filmes, discos e livros ?) para conseguir pontos para uma gincana. Você chegou esbanjando vitalidade, falando alto, simulando quantos pontos sua equipe iria conseguir… Inesquecível seu entusiasmo, Tio Rey !

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Alguns anos depois, você estreou uma linda história de amor, e assim protagoniza a mais bela love story da nossa família !

Na sua ida a Manaus, você havia deixado aqui uma cearense que amava muito. Ela era dentista, e muito bem conceituada (lembro meu ortodontista dizendo pra mim e minha mãe, anos depois, que Socorro tinha sido aluna dele, e que era uma de suas mais brilhantes alunas, moça educada, inteligente, muito ética e humana. Pois essa que virou nossa querida Socorrinha (pra vc, sempre, a Socorrinho), largou em Fortaleza consultório montado e uma carreira que se anunciava brilhante para ir ao encontro do grande amor de sua vida.

E assim, você e a querida Socorrinha viveram uns 40 anos juntos ! Uma história linda e cheia de emoção que persiste no nosso coração como um tesouro encantado. E vocês viveram esses anos todos com uma sintonia e um brilho nos olhos que sempre foi inspirador ! E desse encontro de almas, nasceu Fernando César, seu filho caçula, meio primo mais novo e mais querido.

Fernando César veio depois das belas Regina e Maria Thereza (que lhe presentearam belos netos) para concretizar seus laços de amor profundo com Socorrinha, e foi uma dádiva divina para que você pudesse legar ao mundo lições de amor, fraternidade, respeito ao contraditório, liberdade, cidadania, educação, honradez e dignidade. Você foi para Fernando o melhor pai que alguém pode ser ! Como era lindo vê-lo cuidar dele, desdobando-se em incontáveis gestos de amor, ternura e cumplicidade ! Como era estimulante vê-los juntos com os olhos brilhando de alegria e o coração quase saltando pela boca de tanto contentamento !

Que relação amorosa plena que Deus te permitiu viver, e você foi o Pai mais incrível que o primo Fernando podia ter encontrado ! Como a provar que, aos 16 anos, ninguém tem condições de ser pai na plenitude de sua dádiva e na extensão de sua afetividade natural. Até que Fernando lhe trouxe o Victor, e você virou o avô mais apaixonado do mundo ! Como a vida soube resgatar o mais que humano em você, meu tio querido ! Que privilégio ver a Lei do Retorno se fazendo plena e forte em sua vida !

Quando criança, Fernando César era a cara de meu pai. Não foi difícil encantar-me logo com aquele garoto lindo, esperto, vivaz, de imensos olhos verdes, e sorriso farto de quem vivia mergulhado em amor. Aquele menininho lindo, que quando criança eu chamava de Ididi (você gostava do meu jeito carinhoso de chamar o primo, num apelido cujo porquê desconhecíamos), tornou-se também um enxadrista. Ele aprendeu com você, e assim foram você, papai e Fernando os troncos dos Miranda Leão que levaram adiante a paixão do vovô pelo nobre jogo do tabuleiro, essa mescla de arte, jogo e exercício intelectual que muitos enxergam como uma paráfrase da vida, e no qual, quem tudo comanda é a mulher !

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Miranda Leão em Fortaleza: Aurora, Fernando César e Luiz Geraldo, o LG do Cinema…

Sim, meu amado avô, o saudoso pediatra Dr. João Valente de Miranda Leão, sempre foi um feminista, ainda que, ao tempo dele, isso pudesse não ser visto nem levado em conta. Mas a Fortaleza do tempo dele conta que vovó, a Virgínia, causou um verdadeiro escândalo quando ousou vestir calça comprida na atrasada Fortaleza do século XIX, no centro da cidade, ou quando saía de minissaia para eventos sociais. Dizem que dela se dizia uma “mulher muito fogosa”. E você bem sabe o quanto ela era apaixonada por você ! Aliás, você atravessou a história como filho preferido ! Nesse ponto, seu nome exibia um entalhe perfeito: era o Rey dos Miranda Leão.

Como você era formado em Relações Públicas – e você falava da profissão com propriedade e bem querer, até publicou livro sobre o tema -, não foram poucas as vezes em que fui abordada por pessoas do meio jornalístico a me perguntar sobre você. Todos falavam no Reynaldo Miranda Leão com imenso carinho, sempre a ressaltar a qualidade do seu profissionalismo, sua simpatia, caráter e inteligencia. E como eu ficava feliz com isso, Tio !

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De todos da família, você sempre foi o mais empenhado em preservar os laços afetivos: falava bem de todos e sempre procurava criar elos entre cada um dos Miranda Leão, e também dos laços herdados da vovó, pelo lado Bezerra. Lembro-me quando ainda garota você me dizia que eu precisava conhecer a prima Telinha, que era educada, muito bonita, e boa gente. E por causa de você, eu e a prima Auristela (a querida Tela Leão) nos encontramos, ainda que até agora, só virtualmente. Quando lançamos os livros de cinema de papai, você encarregou-se” de espalhar o livro por zil cantos de Manaus, e falava das obras com euforia e orgulho ! Quanto amor você passava em pequenos gestos, tio ! Como isso sempre foi tão relevante pra nos unir ainda mais, e como eu percebia em você a grandeza de uma personalidade que enxergava o Viver como uma benção divina na qual “nosso dever primordial é fazer o Bem”. E é isso que você nos deixa como maior legado: um homem que veio ao mundo e iluminou sua jornada !

Você enfrentou muitas batalhas, algumas muito duras; venceu algumas, perdeu outras, mas levantou-se sempre das quedas com firmeza e energia redobrada, e deixou-se guiar sempre pela veredas da Luz e do Bem ! Por isso, hoje, és uma Estrela ! Um Ser de Luz que já habita e partilha os segredos do Altíssimo, e agora já somos nós que precisamos da sua energia. Agora, pode ter certeza, que seremos nós a pedir por graças a você, Tio Rey Querido.

Na família, nós também sabíamos e falávamos com indubitável orgulho de suas 4 faculdades. Sim, porque o que fica mais patente em sua trajetória é que sua inteligência não lhe permitia ficar parado: você estava sempre recomeçando, criando, fazendo ligações, inventando interfaces e buscando aprender e transmitir, por isso era um professor e profissional da comunicação tão querido e louvado por seus pares !

Tinha sempre um grande livro pra indicar, assim como podia indicar (e indicava com a precisão de quem sempre estudou medicina com afinco) um remédio para tal ou qual mal. Em geral, gostava muito de recorrer à homeopatia, e mais pra frente, tornou-se um defensor da medicina holística. De todos os livros, lembro de seu especial apreço por Os Sertões, de Euclides da Cunha, O Ponto de Mutação, e O Pêndulo de Foucault.

Você sempre esteve mais à esquerda de qualquer política. Era muito crítico de governos, qualquer governo. Talvez, um bem humorado anarquista, o primeiro que conheci. Sim, Anarquistas, graças a Deus !

Você partiu e nos encheu de tristeza e saudade, REY. Mas tenho certeza que está daí de cima a nos dizer que a tristeza não é o sentimento adequado, que você está muito bem, e começa a viver uma outra etapa da vida, uma nova dimensão, com muita alegria, mergulhado em PAZ e serenidade, ao lado de seus amados pais e de outros tantos Miranda Leão que você já encontrou.

Antes de seguir viagem, você viveu um calvário intenso que nos mergulhou em dor e muita tristeza até que a Misericórdia Divina chegou e te ajudou a transcender. Pra mim, é um claro sinal você ter o seu Terceiro Dia na mesma data do aniversário da vovó. Essa aliança iluminadora nos alcançou como um aviso a anunciar sua ressurreição e nos encorajar na certeza de sua chegada, recebido com todo o amor e luz de que é merecedor.

Fica sim um enorme vazio, uma vontade grande de chorar, tio REY, mas fica sobretudo um grande OBRIGADA pelo muito que nos ensinou e um enorme APLAUSO por tudo que você Foi, É, e deixou de Exemplo de Honradez, Bondade, Inteligência, Sabedoria, Capacidade de Reinvenção, deixando um rasto de certeza de que não estamos só de passagem: há muito a se viver, há o Tudo, e para que ele seja Puro, Intenso e Permanente, é preciso que as sementes sejam plantadas aqui, sem olhar a quem, em qualquer terra, a qualquer momento, em todo lugar, para todas as mãos que entendam que plantar e colher o Bom, o Bem e o Belo são os mais doces condões de ligação da nossa alma com o Mistério da Transcendência !

Obrigada por tudo, Tio Rey ! Desfrute do seu novo tempo com Deus, e receba meu carinho maior em forma de abraço amoroso e agradecido.

*A Missa de Sétimo Dia de REYNALDO Miranda Leão acontece nesta sexta, 4 de novembro, às 19h, na Paróquia Nossa Senhora Rainha dos Apóstolos – rua Washington Luís 55 – bairro Dom Pedro – telefone (92) 3656.5445.

Domingos Montagner: vida real invade a ficção e eterniza VELHO CHICO

        * Por Aurora Miranda Leão

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É ainda sob forte impacto e completamente mergulhada em tristeza e dor que escrevemos este post. Escrevemos sobretudo por causa de você, leitor amigo, e para que nossa solidariedade possa chegar ao coração de form mais contundente a toda a prodigiosa equipe que realiza, sob a batuta do maestro Luiz Fernando Carvalho, esta obra prima colossal que é VELHO CHICO.

Você que nos acompanha bem sabe de nossa imensa admiração pela telenovela, de nosso apreço pelas obras do autor Benedito Ruy Barbosa, e de nosso imenso carinho pelos trabalhadores, famosos e anônimos, que tornam possível a realização de uma obra de proporções tão gigantes como uma telenovela, sobretudo as do horário nobre – as mais difíceis, as mais vistas e também as mais atacadas pela crítica – ainda tão preconceituosa e assaz conservadora, mesmo em pleno terceiro milênio.

A notícia do trágico fim do ator Domingos Montagner, protagonista de Velho Chico,  deu-nos uma quinta-feira de perplexidade absoluta. Diante do imponderável,  o real invadiu nosso cotidiano de forma brutal e fomos jogados na vala fria e dolorosa de um desaparecimento  fatal, nefasto, inconcebível, inaceitável.

Enredados numa abjeta narrativa, infelizmente encharcada de realidade, dramaticamente infeliz, e dessa vez não engendrada por nenhum Coronel Saruê, a notícia do afogamento começou a chegar à redes sociais pouco depois das 14h. Passava um pouco das 16h quando li no site da Globo as primeiras informações. Mesmo sabendo dos riscos que é mergulhar e não voltar à superfície, acreditava em “Santo” em alguma paragem do São Francisco, salvo por algum ribeirinho. Confesso não ter pensado nunca no pior final.

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Mas ele veio, infelizmente. Foi a pior de todas as notícias do dia, aquela que você nunca quer ler, a consciência reluta em aceitar, o coração não quer acreditar, e que um jornalista jamais quer divulgar. Infelizmente, o pior do pior aconteceu, e foi na sempre eficiente Globo News que o desaparecimento funesto de Domingos Montagner foi confirmado, pouco depois das 18h.

Quem acompanha este #auroradecinema também no Instagram, Flickr, Twitter ou Facebook, sabe que, nessas redes, acompanhamos o desenrolar dessa tragédia inconcebível. E o que a torna ainda mais grave: a fatalidade era EVITÁVEL !

Segundo matéria do Jornal Nacional na noite desse sábado, 17 de setembro, a chamada “Prainha” onde Domingos mergulhou e foi colhido pela brava correnteza, era um lugar muito perigoso, proibitivo, e até pouco tempo, havia ali bóias sinalizadoras de que o local era proibido ao banho. Sabe-se lá porquê as bóias foram retiradas do lugar, e como aparenta ser muito tranquilo, por isso convidativo ao mergulho, o ator foi ali celebrar suas gravações finais do personagem “Santo dos Anjos” às margens do São Francisco.

Tivera a prefeitura e os órgãos competentes tido o necessário cuidado em manter os avisos de que aquela área era perigosa e não oferecia segurança ao banho, e nosso Domingos Montagner não teria sido vitimado. Quantos como ele não devem ter perdido a vida ali também, naufragados no descaso com a vida humana, na negligência com o respeito aos princípios básicos da civilidade ? Será preciso que um ator famoso perca a vida de forma tão brutal para que, finalmente, possamos pensar em cobrar das autoridades competentes (?) o devido cuidado com o que devia ser sua tarefa cotidiana  ?

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É URGENTE que o Ministério Público seja convocado a interpelar esse descaso, negligência, desleixo e execrável desrespeito à vida humana para que os responsáveis sejam devidamente punidos e acidentes iguais não venham mais a ocorrer !

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Que Domingos Montagner, nosso eterno Santo dos Anjos, possa agora correr livre nos vastos campos do céu, abençoado por Deus e guiado pelos mais belos anjos do Senhor !

Velho Chico está em suas semanas finais. A novela, obra-prima de Benedito Ruy Barbosa e Luiz Fernando Carvalho (os dois aqui representando a enorme equipe que torna possível a realização primorosa de VELHO CHICO) teve um desfalque no elenco em seus capítulos iniciais, quando o ator Umberto Magnani, que fazia o Padre Romão, sofreu um AVC e não mais se recuperou. Agora, em seus capítulos finais, Velho Chico perde – de forma dolorosa ao extremo -, o talento, o carisma, a força e a grandeza do talento de DOMINGOS MONTAGNER.

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Se nada disso tivesse acontecido, Velho Chico continuaria sendo a obra-prima magistral que É ! Luiz Fernando Carvalho (LFC) reuniu a NATA DA NATA e esmerou-se na ousadia: partiu da Antropofagia Tropicalista e mergulhou em diversas inspirações artísticas definindo uma estética multifária, cheia de dissonâncias e belas sincronicidades. Mesclou a inteligência de suas muitas inspirações poéticas e casou suas percepções imagéticas e sensórias com a inventividade criativa do artista plástico Raimundo Rodriguez. Assim nasceu o Barrococó Neoclássico que encheu nossa telinha de vigor artístico e infinita beleza. A condução fotográfica de Alexandre Fructuoso (que assumiu seu lado fotógrafo graças ao impulso recebido de LFC) nos proporcionou, todas as noites, um mergulho num universo que estourava em beleza e convidava a uma sucessão de referências cognitivas e ressignificações para um cotidiano tão banal (?) como o da vida numa pequena cidade do interior nordestino.

Não tenho dúvida alguma de que o final de VELHO CHICO vai ser apoteótico, não no sentido de espetacularização, mas seguindo pelo viés que sempre conduziu a novela, entre o drama e a tragédia, com cores tantas vezes sombrias a esconder mistérios da família Saruê, e as influências de várias culturas que ali foram mostradas com igual respeito e a devida deferência.

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O final de VELHO CHICO vai coroar uma obra que foi majestosa do principio ao fim e que é um marco relevante e sui generis da Teledramaturgia Brasileira. 

Orgulho-me de ter visto e acompanhado a obra com a maior das atenções.

E acredito: quando um personagem com o nome de SANTO – com toda a fortaleza que o personagem de Domingos simbolizava para a trama – morre na vida real, e não na ficção, isso vai agregar um valor ainda maior à obra, da qual ela não carecia em sentido algum, mas que surge e se impõe com a força avassaladora de uma tragédia shakespereana, autor que Luiz Fernando tão grandiosamente homenageou com sua singular direção.

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Nos  400 anos da morte do dramaturgo considerado o Pai da Dramaturgia Mundial, Shakespeare, que foi colocado no centro da trama de VELHO CHICO através do personagem do coronel Saruê ( vivido com brilhantismo pelo magnânimo Antônio Fagundes, misto de Hamlet e Rei Lear), e o amor cheio de obstáculos de Teresa e Santo (Romeu & Julieta), o desaparecimento mórbido de Domingos Montagner (que partiu no auge da carreira e em plena felicidade com o papel de Santo) transforma-se numa narrativa de arrepiante interferência do real nas trilhas da ficção. Obviamente, sem propósito nem intenção, Shakespeare é agora o autor que assoma numa tragédia nordestinamente brasileira, ancorada às margens do São Francisco, rio fundador de nossa brasilidade (como afirmava o escritor Machado de Assis). Pois é completamente inimaginável deparar-nos com a morte de um personagem principal em pleno período de gravações. Nem a ficção ousou imaginar semelhante despautério.

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Desde a infância, o aprendizado nos confidenciou um mistério que nos aliviava diante da ficção, fosse qual fosse: aprendemos (e como era reconfortante saber disso) que “personagem principal não morre”. E agora choramos a partida daquele que chamaremos eternamente de SANTO. Partida, morte ? Mas Santo é personagem principal, e principal não morre. SANTO é Anjo, no céu ou na terra. Como pode ? Sumiu no mundo sem nos avisar…

O SANTO de Domingos era a Fortaleza da família dos Anjos, o Pai amoroso e dedicado, o filho honrado, o homem do povo – honesto, justo, trabalhador – amado e admirado por seus pares. O SANTO que Benedito e Bruno Luperi entregaram a Domingos Montagner era pra ser um herói quase mitológico, com a força imbatível dos justos, a grandeza dos puros de alma, o fascínio indormido dos grandes heróis, a bravura indomável do rio São Francisco.

Sem o saber nem jamais imaginarem, Benedito Ruy Barbosa, Edmara Barbosa e Bruno Luperi legaram a Domingos Montagner um epíteto sacrossanto que só pode ter sido bendita e espiritualizada inspiração shakesperiana – e que emocionante que assim tenha sido.

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Domingos SANTO Montagner dos ANJOS é uma espécie de herói mítico que une frações de personagens de Shakespeare, de Brecht, de Ibsen e de tantos clássicos da Dramaturgia Universal. Na versão tropicalista de Velho Chico, podemos dizer que SANTO seria (livremente inspirado em Péricles, o Príncipe de Tiro) nosso Príncipe Popular de Grotas.

Afinal, “Há mais coisas entre no céu e a terra do que possa sonhar nossa vã filosofia”.

Cultura Popular e Cotidiano em novos livros de Euclides Moreira Neto

Euclides capa

O professor e pesquisador maranhense Euclides Moreira Neto (Mestre em Comunicação Social) está em São Luís recolhendo dados para sua tese de doutoramento em Estudos Culturais pela Universidade de Aveiro, em Portugal. Nos intervalos de sua investigação doutoral, Euclides, um notório apaixonado pela cultura popular, escreveu os livros “O vai querer dos Blocos Tradicionais”, “Ajuntamento de Memórias” e “Provocações do Cotidiano”, os quais estão em fase de revisão. Os livros deverão ser publicados pela editora da Universidade Federal do Maranhão (EDUFMA) em breve.

Vai Querer

Em O vai querer dos Blocos Tradicionais, Euclides revisita a história que gerou o Inventário dos Blocos Tradicionais do Maranhão (BTM), relatando as etapas que o antecederam e mostrando como a comunidade ludovicense se envolveu com a pesquisa que inventariou aquela manifestação cultural na gestão do ex-Prefeito João Castelo (2009 a 2012). No livro, o autor conclama gestores e apreciadores dos BTMs a retomar a proposta de transformar essa manifestação em Patrimônio Cultural Imaterial do Brasil junto ao IPHAN, e demonstra como é importante desarquivar o processo que inventariou a manifestação.

No livro sobre os BTMs, Euclides Moreira faz merecida homenagem à produtora cultural Maria Michol Pinho de Carvalho, que coordenou o trabalho de pesquisa do INRC e faleceu em novembro de 2012. São quase trezentas páginas de texto e fotografias rememorando as várias etapas desenvolvidas para se chegar ao INRC dos Blocos Tradicionais. Em 2012, quando a documentação foi entregue ao IPHAN/Ministério da Cultura, São Luís contava 49 grupos de BTMs. Atualmente, são pouco mais de 30 grupos, daí a importância de manter viva a proposta de salvaguarda desta manifestação cultural, reafirma Euclides.

Ajuntamento capa

Outro livro a ser lançado por Euclides Moreira – Ajuntamento de Memórias – refere-se a uma longa e providencial entrevista realizada com a saudosa produtora cultural Zelinda de Castro e Lima, na qual ela relembra como eram praticadas as manifestações culturais da cidade de São Luís a partir da década de 1930, do século passado. Dona Zelinda, como é chamada pelos integrantes do meio cultural ludovicense, é uma personagem mais que legitimada com intensa atuação na área cultural local tendo sido gestora de vários equipamentos públicos ligados à cadeia produtiva da área da cultura e do turismo.

Nessa obra, Euclides Moreira Neto incluiu (além da entrevista propriamente dita) um capítulo intitulado “Considerações  sobre  Memorizar”,  quando  reflete  sobre  o  ato  de violar memória oral, como pensou José Carlos Sebe Bom Meihy (1996; 2007)  nas  obras  “Manual  de  História  Oral”  e “História oral: como fazer, como pensar”, além de um item que ele denominou de “Decupagem de Memórias” para reafirmar os conceitos emitidos pela entrevistada, com a sua ótica de entendimento, objetivando fixar esses conceitos e afirmações, produtos da memória oral de dona Zelinda Lima.

Coube a Euclides ouvir, testemunhar, gravar, transcrever, corrigir e tornar  público – por  meio do  livro Ajuntamento  de Memória (alusão a uma expressão utilizada pela entrevistada quando respondeu a uma pergunta por ele realizada referente à definição do que seria bloco) – o legado de Dona Zelinda. Ao responder objetivamente sobre o que era bloco, disse: “Bloco é o ajuntamento de pessoas…”, o que iluminou o autor para chegar ao título do livro.

PROVOCAÇÕES DO COTIDIANO

Prov capa

O terceiro livro que Euclides Moreira vai lançar reúne 20 crônicas e artigos do autor referente a vários assuntos palpitantes na cidade de São Luís, no Maranhão, no país e em Portugal. A obra é uma coletânea de crônicas, artigos e relatos de fatos elaborados jornalisticamente a partir das vivências culturais do autor, testemunhadas por ele e fruto de investigações científicas desenvolvidas durante seu desempenho no Programa Doutoral em Estudos Culturais na Universidade de Aveiro (UA), Portugal. Seu conteúdo reúne visões críticas do autor enquanto investigador cultural, atuante no Maranhão e em Portugal.

Euclides Barbosa Moreira Neto nasceu em 13 de abril de 1957, na cidade de Cururupu-MA. Cursa doutoramento no Programa Doutoral em “Estudos Culturais” na Universidade de Aveiro (PT) desde 2014 (com previsão de conclusão no ano de 2017), sendo seu objeto de investigação os “Blocos Tradicionais do Maranhão”, manifestação cultural do ciclo carnavalesco. Sua formação educacional e acadêmica ocorreu em instituições de ensino público. Atualmente, Euclides é Professor Universitário, lotado no Curso de Comunicação Social do Centro de Ciências Sociais da Universidade Federal do Maranhão, ministrando as disciplinas “Jornalismo Cultural”, “Jornalismo de Revista” e “Laboratório de Telejornalismo”.

Ao longo de sua carreira como docente, Euclides esteve sempre envolvido com a área de extensão e cultura, desenvolvendo atividades em todas as áreas de expressões artísticas, principalmente na área audiovisual. A nível administrativo na UFMA,  coordenou o Núcleo de Atividades Visuais do Departamento de Assuntos Culturais da Pró-Reitoria de Extensão e Assuntos Estudantis, além de ter sido diretor daquele Departamento (CD4) por 12 anos consecutivos (1996-2008).

Como diretor do Departamento de Assuntos Culturais, Euclides Moreira desenvolveu extensa grade de projetos e atividades artístico-culturais, motivando sempre o envolvimento dos Departamentos Acadêmicos nas ações executadas, objetivando revelar novos talentos e propiciar a participação de alunos e professores nos projetos propostos e/ou desenvolvidos por aquele Departamento. Entre os projetos e ações desenvolvidos sob sua coordenação, até o ano de 2008, na UFMA, destacam-se: 12 edições da Mostra Brasileira de Humor no Maranhão (HUMORMARÁ), 25 das 32 edições do Festival Guarnicê de Cinema, 4 edições da Mostra Guarnicê Itinerante de Cine Vídeo, 13 edições do Festival Brasileiro de Canto Lírico no Maranhão (MARACANTO), 12 das 23 edições do Festival Brasileiro de Poesia no Maranhão (POEMARÁ), 12 edições do Festival Universitário de Reggae – UNIREGGAE, 8 edições da Mostra Brasileira de Miniatura Artística no Maranhão.

 

Euclides Moreira coordenou ainda 12 das 33 edições do Festival Brasileiro de Canto Coral no Maranhão (FEMACO), 11 edições da Mostra Maranhense de Arte Efêmera, 12 edições da Tocata de Bandas e Fanfarras do Maranhão, 12 edições da Cantata Natalina, 12 edições da Exposição Presépio, 6 edições do Salão de Artes Plásticas 31 x 31, 6 edições do Projeto Carcará de Cara Nova, 3 edições do Curta Lençóis: Festival de Cine-Vídeo dos Lençóis Maranhenses, 2 edições do Projeto LUSOBRAS: Festival Luso-Brasileiro de Arte Cultura, 10 edições do Programa Regional de Apoio às Artes Plásticas, 2 edições do Maranhão Vídeo de Bolso – Festival Regional de Vídeo de Bolso no Maranhão, e 9 edições do Encontro de Teatro de São Luís na Periferia.

Quase todos os projetos coordenados por Euclides Moreira eram de abrangência regional e/ou nacional, destacando-se que parte deles era de periodicidade semanal e/ou quinzenal, como foi o Projeto Carcará de Cara Nova, executado toda quinta-feira, às 12h30min, no auditório central da UFMA; o Projeto Quarta Cultural, executado toda quarta, às 19 horas, no Espaço Reinaldo Faray do Palacete Gentil Braga; Projeto Sexta Poética, executado toda sexta, às 19 horas, no Espaço Reinaldo Faray do Palacete Gentil Braga; e o Programa Regional de Apoio às Artes Plásticas, que promovia, a cada 15 dias, exposições de artes plásticas na Galeria Antônio Almeida e na Sala Maia Ramos, ambas no Palacete Gentil Braga.

Euclides e noix MA 2008

Teca Pereira, Aurora Miranda Leão, Fafy Siqueira e Euclides Moreira Neto na edição 2008 do Festival Guarnicê, em São Luís (MA).

Dos projetos de abrangência nacional, destacam-se: Festival Guarnicê de Cinema; Festival Brasileiro de Canto Coral no Maranhão (FEMACO); Festival Brasileiro de Canto Lírico no Maranhão (MARACANTO); Festival Brasileiro de Poesia no Maranhão (POEMARÁ); Festival Universitário de Reggae (UNIREGGAE); Mostra Brasileira de Humor no Maranhão (HUMORMARÁ), e Tocata de Bandas e Fanfarras do Maranhão.

A intensa ação desenvolvida por Euclides Moreira na área cultural da capital maranhense o levou a atuar como produtor cultural, ator, crítico de arte e cineasta. Na atividade audiovisual, dirigiu e produziu vários filmes, obtendo diversas premiações em festivais de cinema e vídeo pelo Brasil, destacando-se os filmes “Mutações”, “Colonos Clandestinos”, “Bom Jesus”, “A greve da meia-passagem”, “Alegre Amargor”, “Feições”, “Mamucabo”, “Periquito Sujo”, “Jardins Suspensos” e o vídeo “O lavrador de palavras”.

No quadriênio 2009-2012, Euclides Moreira Neto foi Presidente da Fundação Municipal de Cultura, órgão vinculado à estrutura da Prefeitura de São Luís; em 2012, recebeu do Governo do Estado do Maranhão o título de Comendador, considerando os bons serviços prestados à cultura maranhense. Como integrante da comunidade universitária, Euclides Moreira Neto dedica-se a pesquisar a atuação das manifestações culturais “reggae” e “carnaval”, no meio cultural maranhense.

Euclides e eu 15 ago 15 - Cópia

Aurora Miranda Leão e Euclides Moreira Neto: reencontro feliz em Fortaleza…

Soem trombetas: Roberto Carlos 75… Viva o REI !

Roberto Carlos faz 75 e celebra cantando cada vez melhor !

O cantor e compositor ROBERTO CARLOS, capixaba que tornou a cidade de Cachoeiro do Itapemirim conhecida internacionalmente, faz aniversário. São 75 velinhas e muitas décadas cantando e encantando corações apaixonados, no Brasil e no mundo. ROBERTO CARLOS é, indubitavelmente, o mais aclamado cantor brasileiro no exterior.

Sendo ou não fã do REI, todo mundo tem, pelo menos, uma música de Roberto Carlos da qual se lembra com ternura e emoção. Apenas alguns insistem em ter ‘vergonha’ de assumir tal predisposição.

Já nós, que fazemos este #BlogAuroradeCinema, podemos apontar, no mínimo, umas 30 canções de ROBERTO CARLOS que fazem parte de nosso acervo de canções notáveis do Cancioneiro Brasileiro.


A cada vez que vejo Roberto Carlos cantar, e uma enorme platéia, apaixonada, acompanhá-lo, mais impressiono-me com a poderosa força de sua expressividade artística.

São legiões de pessoas que há anos acompanham sua trajetória – no meio dessas, muitas crianças e pessoas que não acompanharam sua fase mais criativa – anos 70/80. Mesmo assim, a audiência é tomada de emoção por suas músicas e sua voz agradável. Afinal, ROBERTO CARLOS canta melhor a cada dia.

Nascido no Espírito Santo, o capixaba é ídolo POP no país e também no exterior, conforme atestam shows constantes em diversos países e as turnês, sempre lotadas, no Cruzeiro Costa Marine. Foi em abril de 2010, por exemplo, que Roberto Carlos ganhou bela Homenagem na sede da gravadora SONY MUSIC, em New York, por conta de seus 50 de carreira e por ter alcançado a  incrível marca de 100 MILHÕES DE DISCOS VENDIDOS no mundo.

Gosto de destacar o naipe de grandes músicos que acompanha o REI. Há muitas décadas, eles seguem juntos na estrada com ROBERTO. ISSO DE SE OLHAR PARA O PALCO E VER SENHORES DE MEIA-IDADE (A COMEÇAR PELO MAESTRO) E ATÉ O TRIO QUE ATUA COMO BACKING VOCAL, SEM A “OBRIGATORIEDADE” DE VENDER SEMPRE O JOVEM COMO O QUE TEM VALOR, É UM TRAÇO DE SINGULAR SIGNIFICADO NA TRAJETÓRIA DO REI. NELE ESTÃO EMBUTIDOS O VALOR QUE O ARTISTA CONSAGRA ÀS AMIZADES, A CONFIANÇA NOS COMPANHEIROS DE VIDA ARTÍSTICA, O RESPEITO QUE DEDICA À EXPERIÊNCIA, O LASTRO DE CARINHO E APREÇO QUE OS UNE HÁ DÉCADAS. ISSO É, NO MÍNIMO, UM GRANDE EXEMPLO PARA OS QUE ESTÃO INGRESSANDO NA LABORIOSA SINA MUSICAL.

No mais, nosso comovido e mais sincero aplauso a Roberto Carlos, Artista Brasileiro de notável carisma, cuja trajetória intensa, profunda, serena e coerente sempre agrega passos de inestimável valor aos princípios norteadores de qualquer cidadania mais justa, fraterna e amorosa.

Sobretudo neste momento, no qual a informação corre célere e novos rostos surgem a todo momento, com enorme diversificação na área musical, é de suma relevância apostar na difusão de um Artista como RC, renovando as esperanças no ato da comunicação como uma saudável comunhão com o próximo.

Para finalizar com chave de ouro, deixo com você, querido e fiel leitor, a abalisada análise do saudoso cronista Artur da Távola, intitulada ROBERTO CARLOS, O REI SIMBÓLICO:

“A idolatria de um artista popular transborda os conceitos puramente artísticos, penetrando-se de elementos empático-mitológicos de impossível aprisionamento por palavras, conceitos ou análises de exclusivo corte lógico-ideológico-racional. No caso de Roberto Carlos, o lugar-comum expressa-se antes de mais nada por sua mediania. Não é bonito ou feio. A voz é normal, apenas afinada. Nada (salvo talento e sensibilidade) possui em forma de exceção. A sua mediania o identifica com as multidões porque consegue sujeitar o turbilhão de sua sensibilidade, a força do seu talento e as dores de suas amarguras, dentro de um invejável equilíbrio.

De todas as forças que se entrecruzam dentro de sua figura pessoal e a de comunicação resulta a percebida tristeza, representação do que todos sentem e nem sempre sabem e podem expressar.

Fortalece a mitologia do lugar-comum na arte de Roberto Carlos o fato de que o público percebe não haver ódio ou azedume em sua dor por conter-se. Nela, sim, há frustração, impossibilidade, tristeza. Não há raiva, imprecação, ressentimento. O que foi contido, não se recalcou: distribuiu-se pelas várias partes do seu ser, fecundando-as. O público fareja, longe, os representantes da sua frustração. Em maior ou menos escala, há, na vida, uma carga obrigatória de frustração. Ninguém vive sem se frustrar. Quando aparece um artista que, além de representar a frustração transforma-a em arte, em beleza, encanto, em canto, poesia, mensagem ,este receberá a adesão emocional de todos. Principalmente, se na maneira de o fazer mantenha vivos os elos de sua relação com o público, ou seja, a sua mediania […]Em suma: alguém que não ressalta o que o difere. Assim é, pois, um ídolo: a exata expressão de todos os demais em estado de equilíbrio, um igual !

[…] Parece ser a relação misteriosa e secreta com a Transcendência que o fez e faz ser, dela, um representante, carismático leigo a obter a idolatria, título máximo da profundidade do lugar-comum. Está mais para apóstolo que para mártir”.

RC tchau

Roberto Carlos: Parabéns, Camarada ! Receba nosso carinho e o caloroso #aplausobloauroradecinema

 

Stênio Garcia e Marilene: Quando o Amor acontece…

Mari e Stênio

Stênio Garcia e Marilene Saade (Foto: Marcos Serra Lima/EGO)

Eles estão juntos há 18 anos, e a diferença de idade (mais de três décadas) não é problema para o casal Marilene Saade e Stênio Garcia.

Quem os acompanha nas redes sociais, sabe da relação intensa de parceria entre os dois.Eles costumam postar fotos juntos, mandam recadinhos um ao outro e por vezes fazem declarações apaixonadas.

Entretanto, fotos da intimidade do casal vazaram na internet em setembro do ano passado. O caso ganhou repercussão nacional. A atriz conta que aquelas fotos foram feitas porque eles queriam saber se realmente estavam mais magros, e funcionaram como uma espécie de ‘espelho’.Para ela, esse é o melhor crítico. Porém, o vazamento das fotos acabou indo parar na polícia, gerou matérias em vários sites e revistas, e ganhou até matéria especial no consagrado programa dominical Fantástico.

Em entrevista ao site EGO, Marilene Saade conta que toda a celeuma é fruto da mentalidade dos brasileiros: “Nosso país é muito atrasado. Odeio essa mente pequena de terceiro mundo. Um casal de idosos tem que se amar. Se tem vontade de se beijar, de se acariciar, de fazer sexo… pelo amor de Deus ! Estamos vivos!”.

Stenio

Marilene garante que o marido, de 83, é um exemplo de vigor físico e sexual: nunca fez uso de nenhum estimulante sexual e o sexo entre eles é intenso e extremamente prazeroso.

A atriz revela ainda que foi com o marido que conseguiu chegar ao prazer máximo. Stênio lhe mostrou, através do sexo tântrico – prática hinduísta – que o prazer transcende a simples penetração: “Meu pai é libanês e minha mãe portuguesa. Fui criada em escola de freira, com muito bloqueio. Quem me desbloqueou foi o Stênio. Através do toque, do cheiro, do despertar dos cinco sentidos, ele conseguiu me fazer chegar ao prazer máximo. O sexo tântrico faz a mulher se sentir uma deusa”.

Massagens com óleos aromáticos e mel, banho de banheira com pétalas de rosas, fazem parte de seu ritual, além da sintonia com a natureza. Quando casou com Marilene Saade, Stênio Garcia morava num sítio em Xérem, subúrbio carioca, cercado de mato por todos os lados. Na época, a atriz vivia na urbana Ipanema, zona sul do Rio. Stênio mostrou para a mulher que o sexo fazia parte da natureza: “Subimos um morro de onde ela viu animais tendo relações: um cavalo com uma égua, o que é muito excitante, um boi com uma vaca, passarinhos… Eu a fiz prestar atenção no barulhinho da água e a ensinei a se concentrar em si e de se ver diante das coisas”, conta o ator.

Marilene explica que o sexo tântrico não tem como prioridade a penetração mas o despertar dos sentidos: “No sítio em Xerém passamos seis horas fazendo sexo. Mas não era o ato em si. A gente parava, comia chocolate, Stênio passava mel no meu corpo, ele me dava lichia (uma fruta que ele acha ter o aspecto do órgão feminino) e voltávamos ao ato”.

Stenio 2Marilene Saade e Stênio Garcia
(Foto: Marcos Serra Lima/EGO)

Um dos grandes benefícios do sexo tântrico, que desenvolve no homem o poder de ter prazer sem ejacular, é manter a saúde sexual em dia, eles acreditam. “Ele nunca tomou estimulante sexual”, diz Marilene, que tem seus truques para manter o tesão nesses 18 anos de casado. Beijos, carícias, toques e charminhos ajudam a excitar Stênio: “Peço para ele fazer uma massagem na minha nunca, mesmo sem estar com dor e gosto de surpreendê-lo. Uma vez liguei para o seu rádio e pedi para ele vir para casa para transarmos. Ele estava no banco e eu esqueci que o rádio estava no viva-voz e o banco todo ouviu!”

 

A Páscoa na oração de Artur da Távola

Cartão Cristo ARTUR

Para desejar a você, amigo e fiel leitor deste #BlogAuroradeCinema, uma FELIZ PÁSCOA, recorremos à crônica do saudoso Mestre Artur da Távola, intitulada 

 

PERPLEXA ORAÇÃO ATUAL DE SEXTA-FEIRA SANTA

 

“Contemplo-Vos na cruz, Senhor, e só por avaliar, cada vez melhor, Vosso sofrimento, asseguro-me da certeza de que compreendereis o meu, na busca de uma honrada posição para os dilemas contemporâneos.

Quero um tempo de igualdade de oportunidades de liberdade mas observo que as ideias de liberdade muitas vezes são usadas para impedir essa igualdade democrática de oportunidades e que, certos defensores apenas dessa igualdade de oportunidades, não vacilam em usar o Vosso nome para sacrificar a liberdade. […]

Se prego a caridade, endosso os que, em nome de fazê-la, ou fazendo-a, mantém o status quo. E se por causa deles nego a caridade, sinto que deixo de fazer o que está ao meu alcance para minorar sofrimentos.

Optar por qual tipo de dor: a da vitória ou a da derrota ?

Se aceito a igualdade em tudo, serei injusto com os mais capazes. Se baseio a vida e a sociedade apenas nos mais capazes, crio um mundo injusto e desumano.

Se apoio o capital, acabo por apoiar o monopólio. Se apoio o estado, acabo por apoiar formas igualmente totalitárias do exercício do poder.

Se Vos contemplo, Senhor, apenas como o filho de Deus cujo sacrifício serviu para redimir o homem, deixo de ver a dimensão política da Vossa luta contra o “império”, ao qual a Vossa pregação de paz, amor, perdão e tolerância, ameaçava, subversiva. Deixo de ver a Vossa preferência pelos pobres, marginais e deserdados.

Se Vos contemplo, Senhor, na cruz, apenas como um líder político, abandono a dimensão transcendente, a que ascende através. É através do Vosso sacrifício, da eternidade da Vossa pregação, que o homem pôde estabelecer uma ponte de crença e convicção na Verdade e no Absoluto. Se Vos considero apenas na ótica humana, terrena, política, deixo de ver através da Vossa transparência, que nos permite ver o que está no fundo da Vossa mensagem.

Se vos tenho apenas como Filho de Deus, temo não ser capaz de seguir-Vos, perco a dimensão transcendente, a única que acalma e dá a medida da possibilidade humana.

Se Vos tenho apenas como homem e posso, então, ousar seguir-Vos, perco a dimensão transcendente, a única que acalma e pacifica o homem diante de seu nada.

Dai-me, Senhor, a exata medida das coisas. Para que eu esteja sempre do lado dos fracos e oprimidos, lutando pela igualdade humana e pela liberdade do homem. Mas que essa luta não seja um mero disfarce e expediente de dominação e esmagamento em nome da liberdade da igualdade. E que eu saiba distinguir quando liberdade e igualdade estiverem ameaçadas ainda que até pela minha própria vontade de implementá-las.

Fazei com que eu consiga o milagre de compatibilizar justiça com eficácia. Liberdade com ordem. Igualdade humana com democracia. Energia com perdão. Decisão com reflexão. E que nunca precise colocar todo o mal fora de mim nos outros, e todo o bem em mim para me sentir melhor e mais seguro, como fazem tantos entre os que Vos seguem.”

*Crônica publicada em 1980 e incluída no livro Cada um no meu Lugar, lançado em 1980 pela editora PLG/Salamandra.

Artur da Távola foi um brilhante cronista carioca, jornalista dos mais respeitados do país, o mais profícuo analista de televisão do país, radialista, filósofo e emérito Senador da República. Um ser humano iluminado e por demais querido por onde passava. Ao passar para a outra dimensão, em maio de 2008, Artur da Távola era ntão diretor da Rádio Roquette-Pinto e apresentava o programa Quem tem medo de Música Clássica na TV Cultura. Ao Mestre, nossa eterna gratidão e aplauso !

* Aurora Miranda Leão, jornalista assumidamente fã de Artur da Távola, a quem reputa sua maior influência na carreira.

Páscoa cartão 15

Cultura Popular do Maranhão perde Magno Aires

Euclides Magno

AS PERDAS QUE NOS AFETAM POR DENTRO E POR FORA SÃO COMO “COICES CAVALAR” QUE NOS MACHUCAM 

                                                                              * Euclides Moreira Neto

 

Neste 25 de fevereiro de 2016 acordamos com um sentimento de perda irreparável. Na noite anterior, faleceu subitamente um cidadão que considerávamos amigo, sem os laços próximos de uma amizade mais presente, mas um amigo que nos fazia feliz ao vê-lo, ao tratarmos com ele, à forma como nos tratávamos e como se relacionava com todos os que lhes cercavam: na noite anterior havia falecido, subitamente, Magno Aires, um cidadão maranhense, de origem humilde, apreciador das manifestações de cultura popular, integrante da Sociedade Recreativa Favela do Samba e do Boi da Floresta. Creio que Magno tinha menos de 50 anos.

Esse cidadão morrera por complicações cardíacas e ninguém esperava sua morte súbita. Na Favela do Samba, ele organizava a ala dos passistas, que deu nova qualidade àquela agremiação carnavalesca, pois ele tratava seus integrantes como aliados de primeira ordem e tinha um estreito círculo de relacionamento com todos, fossem homens ou mulheres, e todos o respeitavam com a legitimidade que ele adquiriu ao longo de sua vivência carnavalesca naquela agremiação, em especial durante os ensaios da Bateria Carcará, às terças e quintas-feiras, e nas demais atividades sociais daquela escola de samba.

Magno conseguiu estabelecer uma prática de permuta entre os partícipes dessa ala, uma vez que seus integrantes deixavam claro que era um prazer ir aos ensaios da Bateria da Carcará para se divertirem e para aprender as coreografias que eram recorrentemente criadas para as futuras apresentações que a mesma iria fazer. Além disso, Magno se preocupava com a produção artística de seu grupo, na intenção de que ela fosse uma espécie de cartão de Boas Vindas para os apreciadores do samba emanado pelos ritmistas favelenses.

Agindo assim, Magno Cruz conquistou a direção daquela escola de samba, dos ritmistas, do mestre de bateria, dos casais de mestres-salas e portas-bandeira, pois facilmente dividia o limitado espaço de ensaios com o seu grupo de passistas em uma convivência salutar e pacífica que só engrandecia a escola de samba do bairro do Sacavém. Quando ele não estava, as pessoas sentiam falta e essa falta era manifestada sem grandes preocupações, pois todos sabiam que ele voltaria, embora fizesse falta.

Sem dúvida ao longo do tempo, Magno foi adquirindo o status legitimado simbólico de integrante necessário e indispensável para a escola de samba favelense. Não nos furtamos em comparar sua presença com a de mestre Júlio para os ritmistas da Bateria Carcará, ou como a de Júlio Matos para a confecção dos carros alegóricos da Favela; ou como a de Pedro Padilha para a confecção das fantasias de composição de carros, casais de mestres-salas e portas-bandeira, rainhas de bateria e destaques.

Assim, a notícia de seu falecimento nos deixa órfãos de uma pessoa ímpar, alegre, única, que soltava um sorriso meigo quando tratávamos de assuntos diversos, uma pessoa leal e solidária na construção dos sonhos idealizados para os projetos carnavalescos de sua escola de samba do coração, fato que nos deixava a sensação de que ali estava um patrimônio privado da nação favelense, como são denominados os apreciadores daquela escola de samba.

A última vez que vimos Magno em público foi no último domingo, 22 de fevereiro, durante a feijoada comemorativa daquela agremiação carnavalesca pela conquista do título de campeã no concurso de escolas de samba de São Luís, na temporada de 2016. Ele estava como sempre nos apresentava – feliz, alegre e comunicativo, interagindo com todos que lhe procuravam. Aproveitamos a oportunidade e clicamos uma foto, que depois foi veiculada amplamente nas redes sociais e de quem lhe coube emitir o seguinte comentário: “Pegos de surpresa por Euclides Moreira Neto em uma conversa de carnaval kkk”.

Na foto clicada por nós, Magno estava a conversar com o amigo Jandilson Carvalho, que também ficou pasmo com a notícia de seu falecimento. Na conversa clicada de supresa ele estava a sorrir e trocar ideias, como sempre fazia, e com certeza nem passava pela sua cabeça esse desfecho tão repentino e inesperado. Após o seu falecimento, começam a aparecer as versões de que ele já havia comentado com amigos mais próximos que estava a sentir um desconforto na área do coração e a perna dormente. Ele até procurou auxílio médico, mas a resposta foi a de que eram gazes, pra ele não se preocupar.

O diagnóstico de que o desconforto de Magno eram gazes mostra como a saúde do brasileiro está sendo tratada pelos equipamentos públicos da área da saúde, em que não é feita a devida investigação nos problemas que chegam aos médicos, e uma simples palavra, como se fosse um diagnóstico científico, encerra o procedimento de uma consulta preventiva. A vida humana está banalizada e entregue à sorte de profissionais que nem sempre são éticos nos seus veredictos.

Dessa forma, perdemos um amigo, um companheiro, um ser humano incrivel e de bem com a vida. Perdemos o sorriso simples e humilde de um cidadão que só engrandecia suas relações e os vínculos com quem matinha amizade. Fica pois a sensação de que perdas como essa são “coices cavalar” que recebemos como um bólido, inesperadamente, e que subitamente parou. Ficamos intactos sem saber o que fazer, se não aceitar essa penalização, que não sabemos se é divina.

 A presença de pessoas como Magno Aires à frente de um grupo de pessoas, de uma organização cultural e de qualquer instrumento de relacionamento que seja, é ter a garantia de um capital humano e social raro, como enunciou Pierre Bourdieu (1996), na sua obra “As regras da arte”, quando tenta explicar essas relações sociais que estabelecem laços de vida e de consumo entre as sociedades de forma simbólica, externando uma multiplicidade diversificada de emoções.

No calor da emoção da perda de Magno Aires, recorremos ao investigador científico em história, Fábio Henrique Monteiro Silva (2015, p. 38), quando nos conforta ao afirmar que “A festa carnavalesca, ao adquirir subsídios de sociabilidade e de trocas culturais entre seus participantes, pode proporcionar um entendimento de rede de ligações e revelar os comportamentos da sociedade daquele momento”.

Diz ainda Silva (2015, p. 38) que “Na essência do festejo, o indivíduo torna-se folião e apresenta a possibilidade de entendimento dos seus sentimentos, frustações, negações e impedimentos que envolvem o mundo em que vive”. Esse mesmo autor ressalta como é estranha a influência do carnaval no espírito humano e pergunta: “O que faz com que homens e mulheres de pouca condição social e muitos problemas econômicos saiam às ruas para cantar e dançar?”, e nós complementamos esse raciocínio dizendo “como fazia Magno Aires nos grupos em que atuava”.

Coorroboramos com Silva quando ele afirma que “A soociologia, tampouco a história, consegue explicar tais mudanças de comportamento. Nem a psicologia explica por que no período momesco os atores se tornam pessoas brincalhonas, nem o racionalismo consegue explicar a essência de uma festa que encontrou na terra Brasil o grande palco para sua exposição” (Silva, 2015, p. 38).

Ao contrário da vida que agrega os atos festivos das manifestações culturais de maneira plena e pulsante, compartilhamos com o olhar de que a morte é de fato um forte elemento que desconstrói sonhos e esperanças da vida das pessoas, pois rompem-se elos que talvez não se encontrem outros substitutos. A vida ocupa um lugar privilegiado na produção cultural de qualquer sociedade, como elemento cristalizador, capaz de ritualizar, diluir e até mesmo sacralizar a experiência social dos grupos que a realizam.

Por isso, estamos aqui lamentando a perda deste cidadão único que nos tocou profundamente com sua convivência – Magno Aires –  como elemento construtivo de sonhos e esperanças. Não queremos que ele cai no bloco do esquecimento, portanto, vamos torcer para que, aqueles que tiveram oportunidade do compartilhamento de sua vida, se espelhem nela para dar continuidade ao amanhã.

  • Euclides Moreira Neto é Professor Mestre em Comunicação Social da UFMA e Doutorando em Estudos Culturais na Universidade de Aveiro – Portugal