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UFJF celebra 60 anos de Jornalismo com ERECOM e Jornadas Internas

A Faculdade de Comunicação da Universidade Federal de Juiz de Fora (UFJF) sedia, de segunda a quarta-feira, 18 a 20 de setembro, a 15ª edição do Encontro Regional de Comunicação (Erecom).

JORNADAS

Este ano, o ERECOM será realizado em conjunto com a quinta edição das Jornadas Internas do PPGCOM. A coordenadora do evento, Marise Mendes, faz uma avalia positiva:

“Isso é importante porque a gente conseguiu trazer para as Jornadas, que são voltadas para apresentação de trabalhos dos alunos, as palestras e oficinas”. Marise acredita que esse formato contempla tanto os estudantes de jornalismo quanto os do novo curso de Rádio, Tv e Internet.

O Encontro Regional de Comunicação – ERECOM – foi criado em 2003, visando proporcionar um intercâmbio entre os cursos de Comunicação Social da Zona da Mata e Campo das Vertentes, debatendo temas relevantes no âmbito da graduação, da pós-graduação e das práticas profissionais no campo da Comunicação.
Neste ano, quando se comemoram 60 anos do curso de Jornalismo da UFJF, o ERECOM estará completando 15 anos de existência e dividirá essa importante datas com outra grande celebração,:os 10 anos de criação do Programa de Pós-Graduação, através da realização conjunta com as V Jornadas Internas do PPGCOM.

Os alunos de graduação, bem como os do programa de Pós-Graduação vão apresentar suas produções durante os 3 dias: “A gente entende que o Erecom é uma forma especialmente dos nossos alunos de graduação – que muitas vezes têm mais dificuldade de participar do Intercom ou outros eventos – começarem e se incentivar a apresentar trabalhos”.

Além das apresentações, os alunos também poderão participar de oficinas. Algumas das atividades oferecidas são de edição, música e conteúdo, jornalismo gastronômico e publicidade. As inscrições para participar das oficinas vão ser feitas nesta segunda, a partir das 9h, quando será oficialmente aberto o ERECOM 2017.

Beleza nota 10 em Gramado !

Gramado logo

Gramado é encantadora ! Isso, além de não ser novidade, é voz geral !

O que ainda não é tão conhecido assim é a marca que une Salão e Produtos de Beleza num estilo único e especial, o Gramado Professional !

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A linha de produtos especiais, criada a partir de um Centro Técnico de Beleza

Atendimento Gramado Professional especial para o Festival de Gramado…

Jussara München: anfitriã com look especial de pedras preciosas…

Eles formam uma equipe que alia Salão de Beleza, Cafeteria, Espaço para eventos, cosméticos, showroom e cafeteria gourmet ! São produtos que usam a tecnologia das pedras preciosas com produtos exclusivos para deixar qualquer cabelo e rosto Belos, Chics e Elegantes !

Durante o Festival de Cinema, a Gramado Professional estava com uma equipe à disposição dos convidados e homenageados especiais.

Ali, a hostess era Jussara München, que nos atendia sempre com muita delicadeza e atenção. Sorriso full time e uma beleza de dar inveja !

Aurora Miranda Leão e Jussara München no 45o Festival de Gramado…

Na equipe comandada por Jussara, há maquiadoras e o personal hair style Boaz Gomes, cearense mãos-de-ouro, que trabalha com exímia habilidade, rapidez, sensibilidade e deixa a clientela sempre satisfeita !

Boaz Gomes entre Aurora Miranda Leão e Alice Gonzaga…

Falamos assim  porque tivemos a bendita sorte de sermos atendidas por ele. E nosso look desfilou colhendo elogios pela adorável cidade gaúcha.

No Palácio dos Festivais: a equipe Gramado Professional Hair com Alice Gonzaga e Aurora Miranda Leão…

Jussara Munchen e Boaz Gomes com Aurora Miranda Leão…

E um detalhe muito especial: a linha de produtos Gramado Professional tem fórmulas exclusivas e inovadoras, enriquecidas com minerais de pedras preciosas.

Alana Pinheiro cuida do look de Alice Gonzaga…

Alice Gonzaga, homenageada da 45a edição do Festival de Gramado, conferindo o look após embelezamento com profissionais e produtos Gramado Professional…

Betse de Paula, Alice Gonzaga e Aurora Miranda Leão chegam ao Palácio dos Festivais, em Gramado…

Portanto, nós recomendamos a linha de Beleza GRAMADO PROFESSIONAL para você que está em Gramado, ou a você que pensa em visitar a cidade gaúcha:

Não deixe de fazer uma visita ao salão Gramado Professional Hair: com certeza, seu dinheiro será bem empregado e você vai sair de lá muito mais bonito (a) e feliz !

Jussara Munchen e Alice Gonzaga: beleza e estilo em dose dupla !

Betse de Paula, a diretora do filme Desarquivando Alice Gonzaga, também aprovou o look de sua ‘Estrela’ !

Anote aí:

Gramado Professional Cosmetics

RS 235, nº 33230 Bairro Tirol,  Gramado | Rio Grande do Sul

CONTATO: 54-3286.9493

Luiz Melodia: Brasil perde sua voz-veludo

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Minha voz tá quase muda: perdemos Luiz Melodia…

Arranje algum sangue, escreva num pano: 

PÉROLA NEGRA, TE AMO, TE AMO !

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Rasgue a camisa, enxugue meu pranto…

Ele partiu nesta sexta de nordeste ensolaradamente triste. E a tristeza só não é maior porque nosso genial Pérola Negra já vinha sofrendo há tempos. Foram muitos meses  de internação. Sofria Luiz Melodia num leito de hospital enquanto, do lado de cá, nós, seus inúmeros fãs, sofríamos por saber o motivo da voz calada. Nunca porque faltava o amor, ao contrário: com Melodia, tudo era

Palavra figura de espanto, quanto
Na terra tento descansar

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O cantor, compositor e músico carioca Luiz Carlos dos Santos, o Luiz Melodia, morreu, na manhã desta sexta, 4 de agosto, no Rio. Aos 66, o cantor lutava contra um câncer que atacou a medula óssea. Ele morreu na madrugada, por volta das 5h.

A informação foi confirmada ao colunista Mauro Ferreira, do G1, por Renato Piau, guitarrista que tocou com Melodia, após ligação para a família do artista. Melodia chegou a fazer um transplante de medula óssea e resistiu ao procedimento, mas não vinha respondendo bem à quimioterapia.

 
Desde julho do ano passado, o artista tratava uma doença autoimune, e precisava fazer um transplante de medula, o que acabou acontecendo, segundo sua esposa Jane Reis. Segundo boletim médico divulgado na época pela produção do músico, com o início da quimioterapia, houve uma baixa glicêmica e acidez sanguínea. Por isso, o cantor permaneceu internado no CTI. O câncer voltou e o estado de saúde de Melodia se agravou bastante nesta quinta-feira (3).

O último trabalho do cantor, “Zerima”, foi lançado em 2014. Este foi seu décimo terceiro álbum de estúdio com músicas inéditas.

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Sou feito cobra coral/Semente brota em qualquer local…

MELODIA nasceu em 7 de janeiro de 1951 no Morro do São Carlos, no Estácio, região central do Rio. Filho único, começou sua caminhada na música após ver seu pai tocando em casa. O menino Luiz Carlos dos Santos cresceu jogando bola na favela e dançando nas rodas com os músicos da escola de samba Estácio de Sá. Sua ligação afetiva com o berço foi eternizada numa de suas mais belas canções, “Estácio, Holly Estácio”, na qual determinava que “se alguém quer matar-me de amor, que me mate no Estácio”.

*Com informações do jornal O GLOBO.

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No dia em que ouvi CRUEL, meu coração disparou e as lágrimas transbordaram meu coração…

CONFIRA:

Tudo cruel, tudo sistema
Torre babel, falso dilema
É uma dor que não esconde o seu papel
São Carlos, morro, Borel
Eu subo e nunca estou no céu

Tudo João, nada na mesa
Deu no jornal, mãos na cabeça
Um marginal que já não pode mais fugir
Vai reagir
Menino é bom ficar de olho aí

Que tudo é desse mundo
Surpresa também
Espinho é bem mais fundo
Destino também
O amor tá quase mudo
Minha voz também
Cruel é isso tudo

Tudo tão mal, tão sem beleza
Doce de sal, lágrima presa
O que eles falam não se deve nem ouvir
Verbo mentir
Menino é bom ficar de olho aí

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Só queria que todos tivessem comida
Tivessem oportunidade, tivessem guarida
Não precisassem rezar pedindo melhores dias
Reclamando migalhas, vivendo só de agonia      

*Letra de Pra quê, criação de LUIZ  MELODIA

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É, Luiz, se a gente falasse menos, talvez compreendesse mais…

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O céu hoje ganha um swing novo: Luiz Melodia se junta a Tim Maia… e haja festa no ceú !

P A I X Ã O

A paixão é num instante
Quando vê, ela sumiu
Eu te amo, tu me enganas
É primeiro de abril

Mas não sei viver sem seu xodó
Eu, nós dois, uma pessoa só

A paixão é como um raio
Feito porta que se abriu
O mergulho de uma arraia
Projeto ano de dois mil

Ter paixão é bom
Bombom, feito bala de mel
Se você dar corda
Enrola igual carretel

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Foi muito lindo, MELÔ ! Vai com Deus que a gente aqui continuará cantando, eternamente, suas muitas pérolas negras ! Saravá !

Catanduva perde Salim Muchiba…

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João Elias conquistou o público com seu humor, a partir da Escolinha do Professor Raimundo…

O humorista João Elias nos deixou ontem. Natural da querida cidade de Catanduva (SP), ele estava internado há 90 dias no Hospital Padre Albino, onde teve um acidente vascular cerebral (AVC) durante uma cirurgia vascular de carótidas.  Elias já se recuperava no quarto, quando o quadro de saúde piorou e foi preciso voltar para a Unidade de Tratamento Intensivo (UTI).

A carreira de João Elias começou no rádio, anos 50. Além de humorista, ele também era pintor e escreveu sete livros. Casado há 46 anos, João Elias deixa três filhos e três netos.

O sepultamento de João Elias acontece neste momento no Cemitério Nossa Senhora de Fátima, em Catanduva.

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Reproduzimos a seguir texto do jornalista Felipe Boso Brida, amigo e conterrâneo do artista:

             Faleceu na noite desta sexta-feira, aos 72 anos, o ator e humorista brasileiro João Antônio Elias de Oliveira, mais conhecido como João Elias. famoso por interpretar o personagem de Salim Muchiba na Escolinha do professor Raimundo (de 1991 a 2000), repetindo o personagem na ‘Escolinha do barulho’ e na ‘Escolinha do Gugu’. Radialista, pintor e escritor, Elias faleceu vítima de problemas cardíacos. Era natural de Catanduva, descendente de turcos e árabes, e viveu até o fim da vida na cidade natal. Era casado, pai de dois filhos. Ao lado do falecido amigo e ator Marcos Plonka (o Samuel Blaunstein, da Escolinha) fizeram centenas de shows humorísticos pelo Brasil afora.

Publicou 7 livros de piadas e contos.      

* Texto gentilmente cedido pelo colega Felipe Boso Brida, crítico e professor de Cinema, conterrâneo do humorista João Elias.

 

Narrativas jornalísticas em debate na UFJF

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A ascensão de programas como o Profissão Repórter e A Liga provam: o fazer jornalístico vem se metamorfoseando cada vez mais no contexto da convergência. Além de o produto  ter-se diferenciado, também o perfil do profissional está mais multifacetado, e a forma de interação também mudou com o público estando cada vez mais ativo.

Para debater as narrativas jornalísticas que vêm surgindo nesse contexto e sua relação com outros campos culturais, o Grupo Mídia e Literatura, vinculado ao Programa de Pós-Graduação em Comunicação (Ppgcom) da Universidade Federal de Juiz de Fora (UFJF), promove a I Jornada de Mídia e Literatura – narrativas em tempos de convergência

Reunindo pesquisadores mineiros, gaúchos e cariocas, a Jornada da UFJF tem apoio da Fundação de Amparo à Pesquisa de Minas Gerais (Fapemig) e será realizada dias 8 e 9 de maio, das 9h às 17h, no Auditório da Faculdade de Comunicação (Facom).

Segundo a professora Cláudia Thomé, uma das coordenadoras da Jornada, o objetivo principal é promover o diálogo interdisciplinar entre pesquisas de Letras e de Comunicação num momento em que as duas áreas se aproximam ainda mais, em função das narrativas migratórias e convergentes: “O grupo pretende promover o debate sobre as narrativas literárias e midiáticas no contexto da convergência das mídias, a partir de seus deslizamentos de um meio a outro, e do fluxo de referências que as levam a um processo de mutação e de novas produções de sentido”, diz Cláudia.

Cláudia Thomé acredita que, além de divulgar as pesquisas do grupo, o evento é uma forma de proporcionar o debate interdisciplinar sobre a narrativa midiática. “Nós também temos a oportunidade de consolidar parcerias acadêmicas para uma futura rede de pesquisa, tanto com as professoras convidadas, quanto com a Faculdade de Letras da UFJF.”

Para os organizadores, a Jornada é uma forma de proporcionar o debate interdisciplinar sobre a narrativa midiática atual.

Programação e inscrições

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Luiz Ruffato estará na UFJF conversando e lançando livro novo…

A conferência de abertura caberá ao emérito escritor Luiz Rufatto, autor bastante conhecido e, natural da zona da mata mineira e com crônicas publicadas até no El País. O tema é “Navegação fluvial – do rio Pomba ao rio Tietê passando pelo rio Paraibuna…”.

A Jornada também contará com a participação da professora Sonia Cristina Reis, da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), que discutirá narrativas de pós-guerra na Itália; com a professora Fabiana Piccinin, da Universidade de Santa Cruz do Sul (Unisc), debatendo narrativas audiovisuais; e o professor Marco Aurélio Reis, da Universidade Estácio de Sá (Unesa-RJ), analisando narrativas jornalísticas e crônicas. 

As inscrições são gratuitas e podem ser feitas até segunda-feira, 8, através de um formulário online. Os participantes inscritos que tiverem o mínimo de 75% de frequência receberão certificado emitido pela UFJF.

Saiba mais: http://www.ufjf.br/ufjf/

Eu sou apenas uma moça latino-americana…

 Música perde Belchior: Brasil fica mais pobre                          

                                                                        *Aurora Miranda Leão

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A hora avisava o tempo. Despertar, estudar. Bom Dia ! Foi o que disse no Instagram…

“Eu não estou interessado
Em nenhuma teoria/ Em nenhuma fantasia
Nem no algo mais…”

E uma foto do pequeno cidadão comum, apenas um rapaz latino-americano, conterrâneo gigante do Pessoal do Ceará, convidava à legenda:

“Ouvi dizer num papo
Da rapaziada
Que aquele amigo
Que embarcou comigo
Cheio de esperança e fé
Já se mandou...”

BELCHIOR estava indo e uma tristeza imensa foi tomando conta de mim…
Mas música é desmesura incendida e me sussurou, belchianamente:

“E vou viver as coisas novas
Que também são boas
O amor, humor das praças
Cheias de pessoas
Agora eu quero tudo
Tudo outra vez…”

Eis que o coração guardou uma frase pra mim dentro da canção:

“Se você vier me perguntar por onde andei
No tempo em que você sonhava
De olhos abertos, lhe direi:
Amigo, eu me desesperava
Sei que assim falando pensas
Que esse desespero é moda em 76
Mas ando mesmo descontente
Desesperadamente eu grito em português
Mas ando mesmo descontente
Desesperadamente eu grito em português…”

Outrossim, deixando a profundidade de lado, relembro como um analista amigo meu:

“Cada um guarda mais o seu segredo,
A sua mão fechada, a sua boca aberta
O seu peito deserta, sua mão parada,
Lacrada e selada,
E molhada de medo.”

BELCHIOR veio chegando de mansinho: educação e gentileza sempre a postos, um sorriso ingênuo e franco do rapaz que permaneceu novo encantado.  Tarde ensolarada, era dia de entrevista nos estúdios da Universitária FM, doce vivência de nossa estrada profissional. Acabamos por bater um longo papo, nutrido pela inteligência afiada, a sensibilidade inconteste e o bom humor dele, todo especial.

Com o camarada Fagner (outro cearense do coração), Belchior ensinou que saudade não é pra dar medo. Afinal,

“Moro num lugar comum, perto daqui, chamado Brasil.
Feito de três raças tristes, folhas verdes de tabaco e o guaraná guarani”.

Brazil, raças, guaraná, guarani... Belchior e suas letras cheias de bela e sábia poesia. As sintonias aportam conexões num salto de mágica. Assim como um antigo compositor baiano nos dizia… Gilberto Freyre, Darcy Rineiro, Sérgio Buarque, Raymondo Faoro, estudos para entender esta Nação, precisamos retomar a leitura. Que também me traz à lembrança o cronista Artur da Távola… qual as dele, também temos nossas Dissonâncias Cognitivas a avisar das mensagens na caixa precisando respostas, dos amigos que é preciso abraçar, das risadas tantas que não podem faltar… e sobrevêm o mestre Raimundo Rodriguez e sua criatividade tão linda, ‘louca’ e tão oxigênio para a força popular e o Brasil que precisamos destacar ! E junto dele o guerreiro Jorge, notória inspiração, aviva nossos Latifúndios com seu mosaico elegantemente colorido, que sintetizou nosso Pedacinho de Chão e encharcou nosso sonhário, poeticamente frutificado na sincronia inspiradora do mago Luiz Fernando Carvalho, esse gigante da nossa dramaturgia audiovisual. Sim, tudo porque ele era um cara tão sentimental:

“Era um homem de bons modos: ‘Com licença; – Foi engano’
Era feito aquela gente honesta, boa e comovida
Que caminha para a morte pensando em vencer na vida
Era feito aquela gente honesta, boa e comovida
Que tem no fim da tarde a sensação
Da missão cumprida”

Também sentimos assim… e o remédio é cantar – como indicou outro grande menestrel, o seu Humberto Teixeira do Iguatu… e cantamos:

“Não preciso que me digam, de que lado nasce o sol
Porque bate lá o meu coração”.

E pedimos licença, mas neste domingo dispensamos carona da metodologia porque hoje quem dá o tom é a voz do poeta e a canção nos embala:

“Eu estou muito cansado/ De não poder falar palavra/ Sobre essas coisas sem jeito
Que eu trago em meu peito…” 

Sim, “Não quero o que a cabeça pensa eu quero o que a alma deseja”.

Mas o relógio indômito avisa: é hora do almoço e

“Não quero lhe falar
Meu grande amor
Das coisas que aprendi
Nos discos
Quero lhe contar como eu vivi
E tudo o que aconteceu comigo”

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E na parede da memória, saudades escondidas:

“Eu era alegre como um rio,
um bicho, um bando de pardais;
Como um galo, quando havia…
quando havia galos, noites e quintais.”

Embora haja tantas outras, embaladas agora em material de fina estampa… É, os dias eram assim… E a emoção canta agora o perdão assinado pela dupla titânica, Ivan Lins e Vítor Martins:

“Perdoem a cara amarrada/ Perdoem a falta de abraço/ Perdoem a falta de espaço/ Perdoem a falta de folhas/ Perdoem a falta de ar/ Os dias eram assim…”

Emblema imortalizado na voz de ELIS, que descobriu Ivan e anunciou ao mundo a grandeza de Belchior, este pequeno cidadão comum que o poeta Drummond inspirou… ele também, o cearense que pedia “guarde uma frase pra mim dentro da sua canção”, está há muito a merecer obra grandiosa de nossa teleficção audiovisual para embalar sua canção: a teledramaturgia só tem a ganhar !

Como nossos pais é música que já nasceu filme, moldura bela e profunda, e o Brasil, encantado, fará eco:

“Não quero lhe falar
Meu grande amor
Das coisas que aprendi
Nos discos
Quero lhe contar como eu vivi
E tudo o que aconteceu comigo

Viver é melhor que sonhar
Eu sei que o amor
É uma coisa boa
Mas também sei
Que qualquer canto
É menor do que a vida
De qualquer pessoa…”

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Será que eles venceram ? Não, estaremos sempre na luta !

“Também estou vivo, eu sei,
mas porque posso sangrar
e mesmo vendo que é escuro,
dizer que o sol vai brilhar…”

Sim, precisamos todos rejuvenescer !

STOP: “Eu não estou interessado/ Em nenhuma teoria/ Em nenhuma fantasia/ Nem no algo mais…”

Nossa dor é perceber que ainda somos os mesmos e vivemos como os nossos pais: nossos ídolos ainda são os mesmos e as aparências não enganam, não…

Resta, a FELICIDADE, essa arma quente, e constato que sou apenas uma moça latino-americana, sem parentes importantes e sem dinheiro no banco…

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Vai com Deus, BELCHIOR !

Obrigada por tudo… Emoção, lágrimas e meu aplauso caloroso pra você e sua obra divinal…

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Enquanto as letras calam, a vitrola sintoniza a voz rascante do rapaz de Primeira Grandeza, que insiste em dizer “eu quero é que este canto torto corte a carne de vocês”:

E eu fui embora sorrindo, sem ligar pra nada; como vou ligar
Para essas coisas quando eu tenho a alma apaixonada ?

Do outro lado, ele e o parceiro Ednardo, deixaram AURORA sobre a mesa:

Sonhos de aurora eu sonhava
No colo de minha irmã
Clareia manhã, clareia
Abre as janelas, manhã
Clareia manhã, clareia
Abre as janelas manhã
E deixa essa casa cheia
Do teu cheiro de romã

E o coração dialoga:

_ Sou o que escondo sendo uma mulher
Igual a tua namorada
Mas o que vês,
Quando mostro estrela de grandeza inesperada…

_ A força masculina atrai não é só ilusão/ A mais que a história fez e faz o homem se destina/ A ser maior que Deus por ser filho de adão/Anjo, herói, prometeu, poeta e dançarino/A glória feminina existe e não se fez em vão…

Sigamos BELCHIOR como ele nos ensinou:

É louco que pensou na vida sem PAIXÃO !

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BELCHIOR: saudade e muita emoção na partida do mestre…

Raimundo Rodriguez: um guerreiro no cavalo de São Jorge !

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Raimundo Rodriguez finalizando o Cavalo de São Jorge, que estará em mostra especial na Gamboa, centro da capital carioca…

Raimundo Rodriguez, o notável artista plástico que transforma descartável e lixo em obra de arte – e que tem inteligência e sensibilidade para emprestar seu talento criador para dar conteúdo e beleza ao gênero telenovela – é incansável e ‘imparável’ ! Somos fã dele de carteirinha !

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E olha onde é que Raimundo vai estar amanhã: o dia é de Jorge Guerreiro, e é claro que o fecundo artista só podia estar homenageando seu santo protetor, como cabe a quem de fato se inscreve como devoto.

Neste domingo, 23 de abril,  Raimundo Rodriguez será o anfitrião de Salve São Jorge 23, uma mega exposição inaugural para saudar o Porto das Artes, novo polo de Cultura na Gamboa, zona portuária do Rio – prédio da fábrica de espetáculos do Theatro Municipal, na avenida Rodrigues Alves, 303.

Raimundo Rodriguez, conhecido também como o artista das intervenções urbanas, encabeça o convite para o vernissage da mega expô, na qual ele estará à frente de um coletivo de 200 artistas, inaugurando o espaço cultural PORTO DAS ARTES/ Fábrica de Espetáculos, na capital carioca, pertinho do Museu do Amanhã.

O convite para a abertura da mostra é atraente por si só: ninguém melhor que Raimundo Rodriguez para comandar a overture artística no novo cenário carioca.  Esta será a nona vez consecutiva que Raimundo presta homenagem oficial a São Jorge.

Para a expô deste domingo, Raimundo recriou uma de suas obras mais conhecidas: o Cavalo de São Jorge. Totalmente articulado e com mais de 30 movimentos, o cavalo participará de ‘cena’ com o ator Augusto Vargas, que encarnará o santo guerreiro numa performance que promete causar buchicho !

A exposição comandada por Raimundo Rodriguez vai reunir mais de 150 obras entre pinturas, esculturas, instalações, performances, gravuras, grafites e videoinstalações. São artistas dos mais diversos estilos criando arte com uma temática comum.

A ideia foi germinada a partir de um desejo pessoal e antigo do mestre Raimundo: o artista, criador de dezenas de cavalos articulados para a minissérie de Luiz Fernando Carvalho e Ariano Suassuna, A Pedra do Reino, construiu um para seu acervo particular. Nada mais justo. Como ele mesmo revela: “Adoro cavalos e nunca fiquei com um para mim”.  

Salve São Jorge 23 será aberta amanhã e vai ficar aberta à visitação até dia 6 de maio, com entrada gratuita. Vamos à Gamboa ! E Viva São Raimundo Jorge Guerreiro Rodriguez !

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Saiba mais sobre RAIMUNDO RODRIGUEZ

O artista plástico Raimundo Rodriguez tem fixação por arte, em especial, por obras que dão uma nova dimensão a materiais reciclados, como sobras de madeira, ferro e plástico. Cada um deles, diz, tem energia própria, carrega uma história, por ter passado pelas mãos de outras pessoas. Assim como o painel multicolorido, feito por ele com latas de tinta, que ganhou posição de destaque acima da porta de sua casa. Ou como os tijolos de demolição, centenários, usados para erguer toda a construção.

Raimundo Rodriguez (RR) é um cara inquieto: “Tanto na vida como na arte, gosto de muito”. Tem fascínio por transmutar coisas aparentemente imprestáveis, e um dom especial por criar obras de arte a partir de materiais reciclados ou de peças que a quase totalidade das pessoas vê como coisas velhas, feias, descartáveis.

RR mora numa bela casa, na qual o aproveitamento de peças e a reciclagem de material também impressiona: lá, ele coleciona muitas obras de artistas brasileiros, como Timbuca, Clarissa Campello, Deneír e Felipe Barbosa.

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Raimundo Rodriguez ladeado por Janete Scarani e Aurora Miranda Leão

Raimundo também possui raridades, como um painel original do lendário profeta carioca Gentileza que tinha ido parar no lixo. Em sua galeria particular, Rodriguez não gosta de desperdiçar nada: “A arte contemporânea é marcada pelo excesso. Eu detesto perdas. O que me interessa é transformar”, sentencia.

Filho de carpinteiro, Raimundo Rodriguez é autodidata e, além de artista plástico, é também animador cultural e um dos fundadores do coletivo de arte Imaginário Periférico: “Me orgulho de nunca ter tido carteira assinada. Não ter segurança no emprego sempre me fez viver em movimento”, decreta o devoto de São Jorge, que tem espalhados pela casa diversas imagens e amuletos do santo.

Em 2013, RR foi convidado a construir um Cavalo de São Jorge para a comissão de frente da escola de samba carioca Beija Flor.  E a nota não podia ser outra: 10 por unanimidade ! 

Cearense, Rodriguez mudou-se com seus pais para a Baixada Fluminense ainda criança e nunca mais saiu. Ali ele construiu uma adorável casa, bonita e silenciosa, onde mora com a companheira da vida toda, a produtora Janete Scarani. E diz, muito tranquilo – como aliás Raimundo sempre é – que não troca o lugar por nenhum outro do Rio: “Nova  Iguaçu é uma espécie de ‘Nordeste fluminense’. Sempre digo aos amigos: se nunca foi a Caruaru, venha a Nova Iguaçu”, brinca o artista plástico.

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Um dos altares de Velho Chico, criação de Raimundo Rodriguez…

Como exímio diretor de arte que é,  Raimundo Rodriguez tem seu belíssimo trabalho com cenografia/figurino/direção de arte entranhado em obras como as minisséries A pedra do reino, Hoje é dia de Maria, Capitu, Alexandre e outros heróis, e nas novelas Meu Pedacinho de Chão e Velho Chico (para a qual criou vários altares, mais de mil santos e cerca de 500 estandartes).

É ou não é para aplaudir de pé a criatividade invulgar de Raimundo Rodriguez ?

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Um dos belos ambientes cenográficos de Meu Pedacinho de Chão, obra de Raimundo Rodriguez…

NOSOTROS: imigrantes cantam e dançam numa revoada em praça pública

A carreta-palco da Fraternal Companhia de Arte e Malas-Artes estaciona na capital paulista, mais precisamente no Parque do Trote, a bordo do espetáculo “épico-musical” NOSOTROS. O universo latino-americano entra em cena sob o ângulo mitológico.

A história nasceu por meio de entrevistas com imigrantes de vários países residentes em São Paulo, além da pesquisa sobre as mitologias andina (com o rei inca Inkarri) e brasileira (o mito Guarani da Terra Sem Mal). Daí surgiu Juanito, um imigrante que busca uma vida melhor para si e sua família. Um grupo de saltimbancos chega com o arauto Ekeko, o Deus andino da prosperidade, e com Aracy, uma andarilha indígena brasileira. NOSOTROS tem direção de Ednaldo Freire e dramaturgia do professor, cineasta, roteirista e dramaturgo Alex Moletta.

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SINOPSE:

Uma trupe de saltimbancos, conduzidos por uma revoada humana formada por imigrantes, narram a história de Juanito: um típico andino que deixa seu local de origem para tentar uma vida melhor numa terra sem mal chamada: Nosotros. Uma história permeada por desafios, comicidade, música, sonhos e angústias daqueles que ousam se aventurar por terras desconhecidas.

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FICHA TÉCNICA:

Direção:  Ednaldo Freire

Dramaturgia:  Alex Moletta

Cenário e Figurinos: Luiz Oliveira Santos

Músicas e Direção Musical:Gustavo Kurlat

Arranjos e Produção Musical: Vicente Falek e João Paulo Nascimento

Elenco: Aiman Hammoud, Mirtes Nogueira, Carlos Mira, Maria Siqueira,Giovana Arruda, Harley Nóbrega, Ian Noppeney

Orientador de Pesquisa: Hugo Villavicenzio

Preparação de Voz e Corpo: Verlucia Nogueira

Assistente de Cenografia e Adereços: Vânia Tosta

Cenotécnico: Edson Freire

Operador de Som: Gabriel Kavanji

Operador de Luz: Marco Vasconcellos

SERVIÇO: NOSOTROS, uma revoada latino-americana

                   Novo Espetáculo da Fraternal CIA

O QUE: Espetáculo teatral a ser apresentado no Parque do Trote, na Vila Guilherme, em São Paulo. QUANDO: Estreia dia 18 de março. Horário: 15h  ENTRADA FRANCA.

Entre a saudade e a esperança, repousa a mais bela invenção dos homens

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Sempre que os vejo, brota a mesma emoção. Diante deles, sou uma sempiterna criança entre o alumbramento e o estupor. Sou absolutamente fascinada pelo esplendor que são os fogos de artifício !

Entre comoção e fascínio, eles sempre me renovam as emoções mais bonitas e as mais fundas,sobretudo quando anunciam a involuntária troca de ano.

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Um misto de saudade e esperança toma quando eles começam a estourar no céu ! Carregam junto uma tristeza a ser instalada por um ano que vai perdendo vida, ao mesmo tempo em que reacendem sonhos e anunciam esperanças sempre novas de dias melhores.

Incrível como, a cada ano, eles vem mais cheios de beleza, promovendo uma arrepiante festa de cores no horizonte ! São de uma beleza infinita, sobretudo quando sem misturam formando alianças de cores e formatos nos céus do mundo inteiro. Que magia contagiante e única está embutida na queima de fogos !

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Que magia contagiante e única está embutida na queima de fogos ! Acho-a de um frenesi inigualável, sempre novo porque igual na sua forma de ser sempre fascinante !

Penso que a humanidade já devia ter descoberto ou ‘inventado’ um nome para o ‘criador’ dos fogos de artifício. São, pra mim, uma tão poderosa invenção, que a vida é mais Vida quando celebrada com eles, e se alguém há a merecer um Nobel da Beleza, esse alguém é esse inspirado ‘criador’ dos incomparavelmente notáveis FOGOS DE ARTIFÍCIO !

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A eles, e aos que promovem as celebrações mundiais emolduradas por eles, o caloroso #aplausoblogauroradecinema !

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A todos os leitores e amigos do #blogauroradecinema, nossos melhores votos de um Novo Ano pleno de PAZ, LUZ, Amor e muitos motivos pra comemorar !

             F Z    2017   !

Bilhete atrasado ao Tio Reynaldo, que virou uma estrela…

Inteligência, Bom Humor, Beleza, Simpatia… eram essas as qualidades que sempre exaltavam. Não convivi muito com você, mas o pouco que partilhamos, era uma confirmação espontânea de tudo isso.

Eu era ainda uma pré-adolescente quando você deixou nossa cidade e foi morar em Manaus, terra de seus pais, berço da família Miranda Leão, que na capital manauara é nome de importante rua central e figura também em outros espaços da capital que você logo abraçou como sua.

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Em feliz temporada carioca, Socorrinha e Reynaldo com o filho Fernando ainda criança

Sim, você virou um autêntico manauara, tio Rey ! Com que amor você falava de Manaus ! Era contagiante !

Na única vez em que lá estive, você foi me visitar, fazendo-me uma surpresa que me encheu de alegria ! Lembro como se fora hoje você chegando no hotel em que eu estava (por conta do festival de cinema) e ficamos conversando horas. Depois, fomos até sua casa… claro que você tinha que ir me levar pra ver sua adorada Socorrinho !

No caminho, uma conversa farta na qual lembro com exatidão quando você me falou da crença numa vida que não se acaba com a morte. Esse é o trecho de nossa conversa que recordo com toda exatidão. Impressionou-me o vigor e fortaleza de sua crença. Aliás, você era assim, meu tio querido, e talvez isso eu tenha herdado de você: a paixão para falar sobre as coisas de que gosta, a força natural que provém quando achamos importante defender aquilo em que acreditamos.

Nas poucas vezes em que estivemos juntos, foi sempre bonito, forte, verdadeiro. Algumas vezes, com alegria; outras, nem tanto, como quando você veio para acompanhar o velório do vovô Miranda. Aquela perda foi muito dolorosa para todos nós, mas penso que sua fé te segurou com serenidade e sensatez.

Você foi sempre tão cobrado na família mas acho que a sua história é um bom exemplo de como o machismo prejudica absolutamente, e também os homens são vítimas dele. Você foi pai aos 16… uma loucura, vista em qualquer tempo, e sob qualquer ângulo. Como cobrar de um adolescente as responsabilidades e compromissos que só o avanço da idade traz ?

Àquela época, acho que ainda nem era tempo de videotape. A TV engatinhava e a insípida comunicação ainda fazia com que o mundo fosse uma coisa quase apartada de quem morava numa pequena cidade do nordeste. Na época em que você foi pai a primeira vez, penso que o tempo por aqui tinha 48h, e isso fazia com que tudo andasse quase em câmera lenta. A paternidade deve ter sido um susto para você – quem está preparado para educar alguém aos 16 anos ? -, e por certo deu um revertério na sua energia contagiante, sua alegria de viver, seu gosto pela folia, pela celebração da vida, pelo partilhar com os amigos.

Sim, dessa sua vibe eu lembro bem ! Isso era notório pra quem quer que convivesse com você ! Lembro que eu era ainda uma criança quando você chegou correndo na casa de papai, creio que num fusquinha cheio de amigos, procurando alguns objetos (seriam filmes, discos e livros ?) para conseguir pontos para uma gincana. Você chegou esbanjando vitalidade, falando alto, simulando quantos pontos sua equipe iria conseguir… Inesquecível seu entusiasmo, Tio Rey !

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Alguns anos depois, você estreou uma linda história de amor, e assim protagoniza a mais bela love story da nossa família !

Na sua ida a Manaus, você havia deixado aqui uma cearense que amava muito. Ela era dentista, e muito bem conceituada (lembro meu ortodontista dizendo pra mim e minha mãe, anos depois, que Socorro tinha sido aluna dele, e que era uma de suas mais brilhantes alunas, moça educada, inteligente, muito ética e humana. Pois essa que virou nossa querida Socorrinha (pra vc, sempre, a Socorrinho), largou em Fortaleza consultório montado e uma carreira que se anunciava brilhante para ir ao encontro do grande amor de sua vida.

E assim, você e a querida Socorrinha viveram uns 40 anos juntos ! Uma história linda e cheia de emoção que persiste no nosso coração como um tesouro encantado. E vocês viveram esses anos todos com uma sintonia e um brilho nos olhos que sempre foi inspirador ! E desse encontro de almas, nasceu Fernando César, seu filho caçula, meio primo mais novo e mais querido.

Fernando César veio depois das belas Regina e Maria Thereza (que lhe presentearam belos netos) para concretizar seus laços de amor profundo com Socorrinha, e foi uma dádiva divina para que você pudesse legar ao mundo lições de amor, fraternidade, respeito ao contraditório, liberdade, cidadania, educação, honradez e dignidade. Você foi para Fernando o melhor pai que alguém pode ser ! Como era lindo vê-lo cuidar dele, desdobando-se em incontáveis gestos de amor, ternura e cumplicidade ! Como era estimulante vê-los juntos com os olhos brilhando de alegria e o coração quase saltando pela boca de tanto contentamento !

Que relação amorosa plena que Deus te permitiu viver, e você foi o Pai mais incrível que o primo Fernando podia ter encontrado ! Como a provar que, aos 16 anos, ninguém tem condições de ser pai na plenitude de sua dádiva e na extensão de sua afetividade natural. Até que Fernando lhe trouxe o Victor, e você virou o avô mais apaixonado do mundo ! Como a vida soube resgatar o mais que humano em você, meu tio querido ! Que privilégio ver a Lei do Retorno se fazendo plena e forte em sua vida !

Quando criança, Fernando César era a cara de meu pai. Não foi difícil encantar-me logo com aquele garoto lindo, esperto, vivaz, de imensos olhos verdes, e sorriso farto de quem vivia mergulhado em amor. Aquele menininho lindo, que quando criança eu chamava de Ididi (você gostava do meu jeito carinhoso de chamar o primo, num apelido cujo porquê desconhecíamos), tornou-se também um enxadrista. Ele aprendeu com você, e assim foram você, papai e Fernando os troncos dos Miranda Leão que levaram adiante a paixão do vovô pelo nobre jogo do tabuleiro, essa mescla de arte, jogo e exercício intelectual que muitos enxergam como uma paráfrase da vida, e no qual, quem tudo comanda é a mulher !

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Miranda Leão em Fortaleza: Aurora, Fernando César e Luiz Geraldo, o LG do Cinema…

Sim, meu amado avô, o saudoso pediatra Dr. João Valente de Miranda Leão, sempre foi um feminista, ainda que, ao tempo dele, isso pudesse não ser visto nem levado em conta. Mas a Fortaleza do tempo dele conta que vovó, a Virgínia, causou um verdadeiro escândalo quando ousou vestir calça comprida na atrasada Fortaleza do século XIX, no centro da cidade, ou quando saía de minissaia para eventos sociais. Dizem que dela se dizia uma “mulher muito fogosa”. E você bem sabe o quanto ela era apaixonada por você ! Aliás, você atravessou a história como filho preferido ! Nesse ponto, seu nome exibia um entalhe perfeito: era o Rey dos Miranda Leão.

Como você era formado em Relações Públicas – e você falava da profissão com propriedade e bem querer, até publicou livro sobre o tema -, não foram poucas as vezes em que fui abordada por pessoas do meio jornalístico a me perguntar sobre você. Todos falavam no Reynaldo Miranda Leão com imenso carinho, sempre a ressaltar a qualidade do seu profissionalismo, sua simpatia, caráter e inteligencia. E como eu ficava feliz com isso, Tio !

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De todos da família, você sempre foi o mais empenhado em preservar os laços afetivos: falava bem de todos e sempre procurava criar elos entre cada um dos Miranda Leão, e também dos laços herdados da vovó, pelo lado Bezerra. Lembro-me quando ainda garota você me dizia que eu precisava conhecer a prima Telinha, que era educada, muito bonita, e boa gente. E por causa de você, eu e a prima Auristela (a querida Tela Leão) nos encontramos, ainda que até agora, só virtualmente. Quando lançamos os livros de cinema de papai, você encarregou-se” de espalhar o livro por zil cantos de Manaus, e falava das obras com euforia e orgulho ! Quanto amor você passava em pequenos gestos, tio ! Como isso sempre foi tão relevante pra nos unir ainda mais, e como eu percebia em você a grandeza de uma personalidade que enxergava o Viver como uma benção divina na qual “nosso dever primordial é fazer o Bem”. E é isso que você nos deixa como maior legado: um homem que veio ao mundo e iluminou sua jornada !

Você enfrentou muitas batalhas, algumas muito duras; venceu algumas, perdeu outras, mas levantou-se sempre das quedas com firmeza e energia redobrada, e deixou-se guiar sempre pela veredas da Luz e do Bem ! Por isso, hoje, és uma Estrela ! Um Ser de Luz que já habita e partilha os segredos do Altíssimo, e agora já somos nós que precisamos da sua energia. Agora, pode ter certeza, que seremos nós a pedir por graças a você, Tio Rey Querido.

Na família, nós também sabíamos e falávamos com indubitável orgulho de suas 4 faculdades. Sim, porque o que fica mais patente em sua trajetória é que sua inteligência não lhe permitia ficar parado: você estava sempre recomeçando, criando, fazendo ligações, inventando interfaces e buscando aprender e transmitir, por isso era um professor e profissional da comunicação tão querido e louvado por seus pares !

Tinha sempre um grande livro pra indicar, assim como podia indicar (e indicava com a precisão de quem sempre estudou medicina com afinco) um remédio para tal ou qual mal. Em geral, gostava muito de recorrer à homeopatia, e mais pra frente, tornou-se um defensor da medicina holística. De todos os livros, lembro de seu especial apreço por Os Sertões, de Euclides da Cunha, O Ponto de Mutação, e O Pêndulo de Foucault.

Você sempre esteve mais à esquerda de qualquer política. Era muito crítico de governos, qualquer governo. Talvez, um bem humorado anarquista, o primeiro que conheci. Sim, Anarquistas, graças a Deus !

Você partiu e nos encheu de tristeza e saudade, REY. Mas tenho certeza que está daí de cima a nos dizer que a tristeza não é o sentimento adequado, que você está muito bem, e começa a viver uma outra etapa da vida, uma nova dimensão, com muita alegria, mergulhado em PAZ e serenidade, ao lado de seus amados pais e de outros tantos Miranda Leão que você já encontrou.

Antes de seguir viagem, você viveu um calvário intenso que nos mergulhou em dor e muita tristeza até que a Misericórdia Divina chegou e te ajudou a transcender. Pra mim, é um claro sinal você ter o seu Terceiro Dia na mesma data do aniversário da vovó. Essa aliança iluminadora nos alcançou como um aviso a anunciar sua ressurreição e nos encorajar na certeza de sua chegada, recebido com todo o amor e luz de que é merecedor.

Fica sim um enorme vazio, uma vontade grande de chorar, tio REY, mas fica sobretudo um grande OBRIGADA pelo muito que nos ensinou e um enorme APLAUSO por tudo que você Foi, É, e deixou de Exemplo de Honradez, Bondade, Inteligência, Sabedoria, Capacidade de Reinvenção, deixando um rasto de certeza de que não estamos só de passagem: há muito a se viver, há o Tudo, e para que ele seja Puro, Intenso e Permanente, é preciso que as sementes sejam plantadas aqui, sem olhar a quem, em qualquer terra, a qualquer momento, em todo lugar, para todas as mãos que entendam que plantar e colher o Bom, o Bem e o Belo são os mais doces condões de ligação da nossa alma com o Mistério da Transcendência !

Obrigada por tudo, Tio Rey ! Desfrute do seu novo tempo com Deus, e receba meu carinho maior em forma de abraço amoroso e agradecido.

*A Missa de Sétimo Dia de REYNALDO Miranda Leão acontece nesta sexta, 4 de novembro, às 19h, na Paróquia Nossa Senhora Rainha dos Apóstolos – rua Washington Luís 55 – bairro Dom Pedro – telefone (92) 3656.5445.