Arquivo da categoria: CULTURA

Foco nas principais notícias da área cultural

“No caos, ninguém é cidadão !”

                                                                                             * Aurora Miranda Leão

 

Artistas e Pensadores em defesa da Liberdade de Expressão no Theatro NET RIO…

“A ARTE é o exercício experimental da LIBERDADE”

Com esta frase, de Mário Pedrosa, o ator Michel Melamed deu o tom de seu discurso no evento em defesa da LIBERDADE DE EXPRESSÃO realizado na manhã de terça, 10 de outubro, no Theatro NET Rio, em Copacabana.

Por sua vez, a jornalista Daniela Name afirmou: “Precisamos estourar a bolha no ritmo do AMOR, da generosidade e do compartilhamento. Não podemos admitir que a metáfora continue sendo usada para propagar rótulos !

Bianca Ramoneda e Michel Melamed: defesa contundente da Arte e da  Liberdade de Expressão…

Ando por Copacabana e impressiona-me, cada dia mais, o quadro social que a Princesinha do Mar escancara no cotidiano de suas calçadas, tão abandonadas à própria sorte. O medo e o espanto me acompanham de mãos dadas. No meu entorno, gritam a indignidade, a sede de justiça e a certeza de que o país está sendo expropriado de sua cidadania.

Enquanto caminho perplexa e triste diante do que minha vista alcança, abro o jornal e leio diariamente notícias de políticos apunhalando nossa dignidade, exacerbando de seu direito de ser cretinos, vilipendiando uma imensa multidão que trabalha e vê seu dinheiro escorrer, por entre os dias, muito antes do mês acabar. Em linhas paralelas, artistas e pensadores defendem a LIBERDADE DE EXPRESSÃO, gritam BASTA ! e planejam ações conjuntas para minorar o caos em que afundaram o Brasil.

Os desmandos são muitos, gravíssimos e em todas as direções. Daí o título deste artigo, pinçado da música emblemática de Herbert Vianna, O CALIBRE.

As ruas do Rio de Janeiro, a cidade mais amada do Brasil, estão tomadas pela miséria que assola o país: pedaços de papelão forram as calçadas e o medo da violência implícita convive a céu aberto com as injustiças sociais e a indiferença com a dor alheia. O descaso com a vida humana grita Socorro ante tanto desgoverno.

“Mendigos nos sinais e o espanto está nos olhos de quem vê o grande monstro a se criar”.

De novo, os versos de Herbert Vianna compõem a trilha de minha perplexidade. Eles me assaltam a gramática ao passar e ver mais mais um entre tantos casais que estão a morar pelas ruas da cidade escancarando a violência da fome que teima em dizer Presente !

Enquanto isso, cria-se uma celeuma e propagam-se toda sorte de despautérios contra as expressões artísticas, que são a voz da Liberdade em todos os continentes. Museus são alvo de uma espiral de xingamentos, obras de arte são proibidas e performances condenadas em nome da ‘moral e dos bons costumes’. Segundo as vozes do atraso e da repressão que atuam como cupins a corroer o que os cidadãos brasileiros conseguiram conquistar a tanto custo (pós-ditadura), está em risco – por conta da Arte e da Liberdade de Expressão – a preservação da moral e da família. Mas essa mesma moral, em nome da qual se exerce o preconceito, o racismo, a violência de todos os matizes, dorme (?) desapiedada no edifício ao lado, em seus endereços cada vez mais protegidos por câmaras, muros altos, cadeados e trancas… como se fosse possível prosseguir incólume numa canoa furada.

Num exercício subliminar de cerceamento da livre expressão, evidenciando a astúcia de seus idealizadores para escamotear a corrupção e desmandos abjetos que partem do planalto central, atua-se para desviar a atenção dos crimes hediondos, da corrupção, da obstrução da justiça, e do completo desgoverno ancorado em Brasília via tapetão. Um homem nu – visto por uma criança na companhia da mãe – serve de pretexto para recrudescer toda gama de discursos nazi-fascistas contra a Arte, a liberdade de pensamento, o direito à livre expressão, e a igualdade de condições para todos os gêneros !

Que país é este ?

Betse e Aurora celebram Guardiãs

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Cineasta BETSE DE PAULA estreia amanhã a série Guardiãs da Floresta

Betse de Paula anfitrionou estes dias um almoço entre amigos para celebrar os 15 anos de sua produtora de cinema !

A AURORA CINEMATOGRÁFICA tem uma lista considerável de títulos, muitos premiados, todos muito bem humorados, e uma equipe bem entrosada, aguerrida e que atua entre luz e sombras sob a batuta competente e segura da diretora Betse de Paula.

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Alice Gonzaga: vida dedicada a preservar memória do Cinema Brasileira

Ontem à noite, essa equipe esteve junta na Cinemateca do MAM para o lançamento do documentário DESARQUIVANDO ALICE GONZAGA no Festival do Rio. Foi uma noite supimpa, movida a bom humor e descontração, e na qual a afinada equipe da diretora disse Presente com atenção e desvelo. E o melhor: a “personagem” que o filme revela – a pesquisadora/arquivista Alice Gonzaga -, esbanjava alegria ao lado de familiares, amigos e convidados que acorreram à sessão do MAM, mas, sobretudo, Alice fala maravilhas do filme e não poupa elogios à Betse de Paula. Quer prova maior do acerto de uma direção ?

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Quanto à série Guardiãs da Floresta, que começa a ser exibida amanhã  no Cine Brasil, é um projeto que reúne 10 documentários com histórias de mulheres que lutam pela preservação do Meio Ambiente e pela igualdade de direitos para as Mulheres.

Elas são Dona Rosa, Dona Dijé, Sônia Guajajara, Dona Neta, Doutora Joênia Wapixana, Dona Marilene, Telma Taurepang, Dona Nice, Dona Odila e Dona Ivete. A série registra 7 movimentos, 5 estados, 15 cidades, 10.092 km de território brasileiro.

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Mulheres em luta por direitos em registro da Aurora Cinematográfica

Guardiãs da Floresta é uma série documental sobre lideranças femininas; São quilombolas, indígenas, quebradeiras de coco, extrativistas, ribeirinhas, mulheres que com sua luta garantem o futuro e a vida no planeta. A série conta com 20 episódios, cada um com 26 minutos, e estreia domingo às 20:30h.

Confira o trailler: https://vimeo.com/158391106

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Partindo de Betse de Paula, feminista de primeira hora, as Guardiãs da Floresta só pode ser um Pitéu ! Assim como o ‘desarquivamento’ de Alice Gonzaga apresenta ao Brasil uma mulher aguerrida e sempre disposta ao próximo passo, (que desde os 6 anos foi ‘capturada’ pelo mundo do Cinema), a série Guardiãs vai apresentar ao mundo a trajetória de destemidas e altivas mulheres, que dia-a-dia emprestam o melhor de si para tornar o mundo um lugar menos insalubre, doando ao Universo a colaboração maior de mostrar como o afeto, a dedicação, a ética e a dignidade tem um poder intrínseco, que aos demais cabe respeitar e tomar como exemplo.

Outrossim, o que mais nos impressiona ao acompanhar a cinematografia de Betse de Paula é encontrar nela uma instigante tradução: se, ao garimpar guardiãs pelos quatro cantos do país, a cineasta encontrou e colocou na tela luminares espontâneas do planeta, ao levar ao ecrã a trajetória da Cinédia através de Alice Gonzaga, Betse inscreve a insigne arquivista como guardiã da memória do Cinema Brasileiro. E assim, o que subjaz evidenciado na produção da Aurora Cinematográfica é uma arretada duma cineasta baiana. que é, também ela, uma notável Guardiã ! Da Memória, das fortalezas deste Brasil gigante, da luta feminista, das minorias, das causas que clamam por nossa sensibilidade, inteligência e empatia !

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Betse de Paula: uma guardiã do sensível e da vida saudável

Portanto, nosso aplauso caloroso para Betse de Paula !

Os filmes de BETSE estão aqui, aptos a serem vistos por quem tenha olhos de ouvir e ouvidos de ver !

Que bom que a AURORA CINEMATOGRÁFICA chega aos 15 !

Que venham muitos e muitos outros 15 !

O mundo agradece, e nossa emoção se fortalece !

SERVIÇO

  1. Lançamento da série GUARDIÃS DA FLORESTA

      Quando: domingo, 15 de outubro 20:30h, no canal CINE BRASIL

     2. Exibição de DESARQUIVANDO ALICE GONZAGA

                       Quando: 20 de outubro

       Omde: Cinemateca do MAM (Festival RECINE)

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Betse de Paula, Hernani Heffner e Alice Gonzaga: guardiães de Cinema !

 

 

Desarquivando Alice Gonzaga estreia amanhã no Festival do Rio

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“Quero lembrar que estou aqui hoje com 82 anos e que a vida pode ser longa, trabalhosa e difícil, mas que também ela recompensa os que perseveram e trabalham sempre”.

É assim que Alice Gonzaga se expressa, sempre cheia de energia e planejando novos passos.

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Alice Gonzaga e Betse de Paula: felizes com a receptividade que ‘Desarquivando’ vem ganhando por onde passa…

Alice é o tema do documentário DESARQUIVANDO ALICE GONZAGA, da premiada cineasta Betse de Paula. O filme teve pré-lançamento na 12a Mostra de Ouro Preto, realizada em junho deste ano, foi exibido também em Gramado, e agora chega ao Festival do Rio.

A exibição de Desarquivando Alice Gonzaga acontece amanhã, às 19h, na Cinemateca do Museu de Arte Moderna (MAM) do Rio de Janeiro.

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Detentora de boa parte da memória do cinema brasileiro, Alice Gonzaga é pesquisadora, produtora e escritora, e comanda a Cinédia desde os anos de 1970, onde faz um importante trabalho de preservação e recuperação de clássicos da produtora, como “Lábios Sem Beijo”, de Humberto Mauro, e “Alô, Alô, Carnaval!”, de Adhemar Gonzaga.

  • Adhemar Gonzaga criou a CINÉDIA – primeiro estúdio de cinema do Brasil em 1930, e pela Cia foram feitos muitos filmes importantes da Cinematografia Brasileira.

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Ao lado de Grande Otelo, Alice Gonzaga observa frames do cinema brasileiro

“Eu ainda preciso viver mais uns cinco ou dez anos para dar jeito em muita coisa lá na Cinédia”. Foi assim que Alice Gonzaga reagiu a Homenagem que recebeu do Festival de Cinema de Gramado.

A história da Cinédia, de Alice e de seu pai Adhemar Gonzaga é contada no longa Desarquivando Alice Gonzaga, de Betse de Paula, cuja estreia acontece amanhã à noite dentro da programação do Festival do Rio:

Confira o trailler: https://vimeo.com/219126374

“Tenho muito orgulho desse filme, onde conto muitas verdades e lembranças sobre o cinema brasileiro. Vocês não podem perder!”, diz a incansável Alice Gonzaga num convite para que amantes do cinema – e interessados na preservação da memória da cultura brasileira – estejam amanhã na sessão do MAM !

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                       Betse de Paula e Alice Gonzaga convidam:

                                                Vamos ao Cinema !

Crise política e Democracia em discussão na UFJF

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A atual crise política brasileira tem sido tema de diversos debates no universo acadêmico, em busca de uma compreensão maior sobre as dificuldades do momento presente e suas repercussões nos próximos anos. Com objetivos semelhantes, o Núcleo de Estudos sobre Política Local do Programa de Pós-Graduação em Ciências Sociais da UFJF (PPGCSO), coordenado pela professora Marta Mendes, e Grupo de Pesquisa Comunicação, Identidade e Cidadania do PPGCOM/UFJF, coordenado pelos professores Luiz Ademir de Oliveira e Paulo Roberto Figueira Leal, promovem, de quarta a sexta desta semana, o Workshop Dilemas da Representação em Tempos de Crise.

O evento será realizado no Anfiteatro II do Instituto de Ciências Humanas (ICH), e terá palestras e apresentações de papers de alunos da UFJF (incluindo do PPGCOM), da UFMG, USP, UNI-BH, UNICAMP e UERJ. As comunicações orais se darão na parte da manhã (9h às 12h) e tarde (14h às 17h).

No primeiro dia do workshop, às 18h, será realizada a mesa de abertura com o tema Dilemas da representação: abordagens sobre a conjuntura política do Brasil em crise, contando com a participação dos professores Afonso Albuquerque (PPGCOM/UFF) e Paulo Roberto Figueira Leal (PPGCOM/UFJF).

O objetivo do workshop é promover uma reflexão sobre as variáveis que estão por trás da atual crise política, envolvendo temas como os limites do modelo tradicional de representação política e a realidade de disputas eleitorais cada vez mais centradas no ambiente comunicacional. Segundo o professor Paulo Roberto, “É fundamental que a universidade debata questões como essas. Em momentos de crise, setores da sociedade passam a descrer da democracia. Isso é muito perigoso, porque supõe existir alguma solução para problemas políticos que venha de fora da política – uma solução autoritária, por exemplo”. Para ele, a academia deve discutir os riscos dessa linha de pensamento.

O professor Paulo Roberto (PPGCOM) destaca também a importância do diálogo entre os programas de pós-graduação  da universidade, fomentando a transdisciplinaridade, como é o caso deste workshop promovido entre o PPGCOM e PGCSO: “É no encontro com os olhares de outras áreas que sofisticamos nosso próprio olhar. A parceria com o núcleo da professora Marta Mendes, do PPGCSO, é muito relevante para a formação de nossos alunos e para o aprofundamento de nossas pesquisas”, ressalta.

UFJF celebra 60 anos de Jornalismo com ERECOM e Jornadas Internas

A Faculdade de Comunicação da Universidade Federal de Juiz de Fora (UFJF) sedia, de segunda a quarta-feira, 18 a 20 de setembro, a 15ª edição do Encontro Regional de Comunicação (Erecom).

JORNADAS

Este ano, o ERECOM será realizado em conjunto com a quinta edição das Jornadas Internas do PPGCOM. A coordenadora do evento, Marise Mendes, faz uma avalia positiva:

“Isso é importante porque a gente conseguiu trazer para as Jornadas, que são voltadas para apresentação de trabalhos dos alunos, as palestras e oficinas”. Marise acredita que esse formato contempla tanto os estudantes de jornalismo quanto os do novo curso de Rádio, Tv e Internet.

O Encontro Regional de Comunicação – ERECOM – foi criado em 2003, visando proporcionar um intercâmbio entre os cursos de Comunicação Social da Zona da Mata e Campo das Vertentes, debatendo temas relevantes no âmbito da graduação, da pós-graduação e das práticas profissionais no campo da Comunicação.
Neste ano, quando se comemoram 60 anos do curso de Jornalismo da UFJF, o ERECOM estará completando 15 anos de existência e dividirá essa importante datas com outra grande celebração,:os 10 anos de criação do Programa de Pós-Graduação, através da realização conjunta com as V Jornadas Internas do PPGCOM.

Os alunos de graduação, bem como os do programa de Pós-Graduação vão apresentar suas produções durante os 3 dias: “A gente entende que o Erecom é uma forma especialmente dos nossos alunos de graduação – que muitas vezes têm mais dificuldade de participar do Intercom ou outros eventos – começarem e se incentivar a apresentar trabalhos”.

Além das apresentações, os alunos também poderão participar de oficinas. Algumas das atividades oferecidas são de edição, música e conteúdo, jornalismo gastronômico e publicidade. As inscrições para participar das oficinas vão ser feitas nesta segunda, a partir das 9h, quando será oficialmente aberto o ERECOM 2017.

GRAMADO celebra 45 anos de Cinema

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Ao todo, 42 produções, divididas em quatro categorias, disputarão o Kikito de Ouro entre 17 e 26 de agosto, na Serra Gaúcha, quando o evento celebra 45 anos de vida e 25 anos de internacionalização.

Na categoria Longa Brasileiro, concorrem sete filmes, mesmo número de produções que disputarão o prêmio de Longa-metragem estrangeiro. Já as mostras Curtas Brasileiros e Curtas Gaúchos reúnem 14 produções, cada. O filme de abertura do festival (hors-concours), com exibição dia 18 de agosto, é João, o maestro, de Mauro Lima. Na tela, a história do pianista e maestro João Carlos Martins, protagonizada por Alexandre Nero. Mas é a mostra Educavídeo (projeto que difunde o cinema nas escolas municipais gaúchas) que iniciará as projeções na noite de sexta, no histórico Palácio dos Festivais. Ali, serão exibidos três filmes: “O Roubo do livro”, de Gustavo Gomes, “Será que o amor sempre vence?”, de Ticiane Silva, e “Pra sempre, você”, de Bruno Peteffi, com codireção de Lauterbach Amorim.

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Rubens Ewld Filho é garantia de qualidade e pluralidade na Curadoria do Festival…

Neste ano em que celebra 45 anos exibindo, divulgando e difundindo o Cinema Brasileiro e Latino-Americano, o Festival de Gramado terá homenagens e exibições especiais. Na Curadoria, a presença do crítico, roteirista, diretor de teatro e escritor Rubens Ewald Filho é garantia de qualidade na tela  na programação. Entre as comissões julgadoras, nomes como Cacá Diegues e Germano Pereira.

Alice boa

Alice Gonzaga vai receber merecida homenagem nos 45 anos do Festival

A pesquisadora e arquivista Alice Gonzaga – que dirige a lendária CINÉDIA – será uma das homenageadas da noite de terça-feira. Nesse dia, à tarde, Alice poderá ser vista na telona protagonizando o filme Desarquivando Alice Gonzaga, da cineasta Betse de Paula. A produção é um documentário criativo alto astral sobre uma personalidade insólita e notável, cuja história carrega em si uma saudável mistura de carioquice, feminismo, pioneirismo, vanguarda e vitalidade. Um filme inteligentemente agradável para todas as idades.

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Atriz e cantora argentina, Soledad Villamil vai receber o Kikito de Cristal…

Também serão homenageadas a atriz paraense Dira Paes com o troféu Oscarito, e o cineasta gaúcho Otto Guerra com o troféu Eduardo Abelin. Já o ator baiano Antonio Pitanga receberá o Troféu Cidade de Gramado, enquanto o Kikito de Cristal – dedicado a expoentes do cinema latino-americano – será entregue à atriz argentina Soledad Villamil, protagonista de O Segredo dos Seus Olhos, de Juan José Campanella. Na programação, também está previsto o Gramado Film Market: Conexões, que vai promover painéis e oficinas voltados para profissionais e universitários do segmento audiovisual nos dias 24 e 25.

Rubens e Sônia

Rubens Ewald Filho festejado por Sônia Braga na edição 2016…

Confira os filmes do 45º Festival de Gramado:

 

Longas Brasileiros

“A Fera na Selva” (RJ), de Paulo Betti, Eliane Giardini e Lauro Escorel

“As Duas Irenes” (SP), de Fábio Meira

“Bio” (RS), de Carlos Gerbase

“Como Nossos Pais” (SP), de Laís Bodanzky

“O Matador” (PE), de Marcelo Galvão

“Vergel” (Brasil/Argentina), de Kris Niklison

“Pela Janela” (Brasil/Argentina), de Caroline Leone

 

Longas-metragens Estrangeiros

“Los Niños” (Chile/Colômbia/Holanda/França), de Maite Alberdi

“Pinamar” (Argentina), de Federico Godfrid

“El Sereno” (Uruguai), de Oscar Estévez & Joaquín Mauad

“Sinfonía para Ana” (Argentina), de Virna Molina e Ernesto Ardito

“Mirando al Cielo” (Uruguai), de Guzmán García

“La Ultima Tarde” (Peru), de Joel Calero

“X500” (Colômbia/Canadá/México), de Juan Andrés Arango

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Curtas Brasileiros

“#feique” (RJ), de Alexandre Mandarino

“A Gis” (SP), de Thiago Carvalhaes

“Cabelo Bom” (RJ), de Swahili Vidal

“Caminho dos Gigantes” (SP), de Alois Di Leo

“Mãe dos Monstros” (RS), de Julia Zanin de Paula

“Médico de Monstro” (SP), de Gustavo Teixeira

“O Espírito do Bosque” (SP), de Carla Saavedra Brychcy

“O Quebra-cabeça de Sara” (RJ), de Allan Ribeiro

“O Violeiro Fantasma” (GO), de Wesley Rodrigues

“Objeto/Sujeito” (SP), de Bruno Autran

“Postergados” (SP), de Carolina Markowicz

“Sal” (SP), de Diego Freitas

“Tailor” (RJ), de Calí dos Anjos

“Telentrega” (RS), de Roberto Burd

 

Curtas Gaúchos

“10 Segundos” (Canoas), de Thiago Massimino

“1947” (Porto Alegre), de Giordano Gio

“Através de Ti” (Santa Cruz do Sul), de Diego Tafarel

“Bicha Camelô” (Pelotas), de Wagner Previtali

“Cá Com Meus Botões”, de Murilo Bittencourt

“Cores de Bissau” (Porto Alegre), de Maurício Canterle

“Gestos” (Porto Alegre), de Alberto Goldim e Júlia Cazarré

“Kátharsis” (Caxias do Sul), de Mirela Kruel

“Luna 13” (Porto Alegre), de Filipe Barros

“Mãe dos Monstros” (Porto Alegre), de Julia Zanin de Paula

 “O Caçador de Árvores Gigantes”, de Anttonio Pereira

“Secundas” (Porto Alegre), de Cacá Nazario

“Sena, Os Fios em Prosa” (Porto Alegre), de Marcelo da Rosa Costa e Cacá Sena

“Sob Águas Claras e Inocentes” (Porto Alegre)”, de Emiliano Cunha

“Solito” (Porto Alegre), de Eduardo Reis

“Telentrega” (Porto Alegre), de Roberto Burd

“Temporal”, de Gabriel Honzik

“Yomared”, de Lufe Bollini

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  Gramado: cidade gaúcha vai se transformar na Capital do Cinema

Pinta & Borda: FECIN inova e convida para oficinas gratuitas

​Em Muqui, inscrições abertas para oficinas de atuação, cinema e novas mídias do projeto           Pinta & Borda

São 10 vagas para a oficina de teatro para iniciantes com a atriz Cláudia Puget, que acontece de 21 a 27 de agosto, no teatro Neném Paiva. E 10 vagas para a oficina de cinema e novas mídias com a cineasta alemã Ilka Westermeyer, a ser realizada de 4 a 8 de setembro, no cineclube CinEstação.

Na oficina de teatro, o aluno terá oportunidade de ter contato com fundamentos de interpretação, construção corporal de personagem, ritmo, jogo cênico, entre outras técnicas. A oficina de cinema e novas mídias conta com conceitos teóricos de audiovisual, edição e filmagem. O resultado será apresentado no Festival de TV e Cinema do Interior, que será realizado dias 8 e 9 de setembro.

Inspirada no conceito de Cinema de Bordas, criado pela escritora e pesquisadora capixaba Bernadete Lyra, o projeto Pinta & Borda propõe a realização da 1ª Mostra Trans de Cinema de Gênero no interior do Espírito Santo, numa programação com exibição de obras audiovisuais e oficinas de teatro e cinema para jovens e adolescentes de Muqui (ES). A mostra acontece na antiga Estação Ferroviária, dentro do CinEstação, na programação da 6ª edição do Festival de Cinema de Muqui, o FECIN.

O projeto é uma realização do escritor, produtor e cineasta Léo Alves, com produção da Caju Produções e tem apoio do Funcultura, da Secretaria de Estado da Cultura, Secult (ES).

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Aurora Miranda Leão e a escritora Bernadete Lyra, que inspirou o Pinta & Borda

Formulário para inscrição:

Oficina de teatro:https://goo.gl/forms/CWL502e9Ce6193bC2

Oficina de cinema e novas mídias:https://goo.gl/forms/p0Nu32dIjM3zTeOz1

Estrutura das oficinas:

Teatro para iniciantes, com Cláudia Puget

De 21 a 27 de agosto

Das 18 às 20h

Local: Teatro Neném Paiva

Objetivos:

– Propiciar aos alunos o contato com fundamentos técnicos da interpretação;

– Desenvolver atividades práticas visando que cada participante compreenda itens básicos da estruturação de uma cena teatral pelo enfoque da interpretação;

– Possibilitar que cada aluno compreenda como se pode estruturar o personagem teatral;

Possui uma abordagem básica do método de interpretação a partir da improvisação. É realizada por meio de jogos e exercícios que visam trabalhar: a sensibilização, a desinibição, afetividade, equilíbrio, auto-identidade, auto-expressão, espírito de grupo e expressão de grupo. São fornecidos elementos técnicos que possibilitam aos alunos realizarem improvisações de cenas de teatro, na Oficina e em trabalhos posteriores;

Outras abordagens utilizadas no conteúdo programático:

– Ritmo; Interpretação do texto; Jogo cênico; Concepção, utilização, articulação dos elementos cenográficos; Construção corporal do personagem;

Oficina de Cinema e Novas Mídias

Com Ilka Westermeyer

De 04 a 08 de setembro

16h às 18h

10 vagas

Público alvo: jovens de 14-20 anos

Local: Cineclube CinEstação

Sugestão de conteúdo:

MÓDULO 1 – O AUDIOVISUAL E AS NOVAS MÍDIAS

O AUDIOVISUAL E SUAS MÍDIAS

-> Apresentação: Relevância e Estrutura da oficina;

-> Introdução a Linguagem Audiovisual;

-> Possibilidades: cinema, publicidade, vídeo clipe, vídeo aula, web vídeo e web série.

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AS MÚLTIPLAS TELAS E SUAS CONSEQUÊNCIAS

-> Janelas: Salas de cinema, Museus, Galerias, Outdoor e Intervenções em espaço público;

-> O registro e a exposição do outro;

-> Internet: Consumo, Canais e plataformas.

MÓDULO 2: CONTEXTUALIZAÇÃO E PRÁTICA AUDIOVISUAL

PLANEJANDO UMA IDEIA

-> do roteiro à produção.

EXERCÍCIOS PRÁTICOS I

-> elaboração de roteiros e pré-produção.

A CONSTRUÇÃO DA IMAGEM E DO SOM

-> imagem: o olhar, a composição, a luz, a câmera;

-> som: seu comportamento, o processo de captação e a escolha das músicas

EXERCÍCIOS PRÁTICOS II

-> decupagens e gravação.

NASCENDO E CRIANDO IDENTIDADE

-> edição, mixagem, finalização e distribuição.

EXERCÍCIOS PRÁTICOS III

-> editando, sonorizando, exportando, distribuindo e exibindo.

Luiz Melodia: Brasil perde sua voz-veludo

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Minha voz tá quase muda: perdemos Luiz Melodia…

Arranje algum sangue, escreva num pano: 

PÉROLA NEGRA, TE AMO, TE AMO !

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Rasgue a camisa, enxugue meu pranto…

Ele partiu nesta sexta de nordeste ensolaradamente triste. E a tristeza só não é maior porque nosso genial Pérola Negra já vinha sofrendo há tempos. Foram muitos meses  de internação. Sofria Luiz Melodia num leito de hospital enquanto, do lado de cá, nós, seus inúmeros fãs, sofríamos por saber o motivo da voz calada. Nunca porque faltava o amor, ao contrário: com Melodia, tudo era

Palavra figura de espanto, quanto
Na terra tento descansar

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O cantor, compositor e músico carioca Luiz Carlos dos Santos, o Luiz Melodia, morreu, na manhã desta sexta, 4 de agosto, no Rio. Aos 66, o cantor lutava contra um câncer que atacou a medula óssea. Ele morreu na madrugada, por volta das 5h.

A informação foi confirmada ao colunista Mauro Ferreira, do G1, por Renato Piau, guitarrista que tocou com Melodia, após ligação para a família do artista. Melodia chegou a fazer um transplante de medula óssea e resistiu ao procedimento, mas não vinha respondendo bem à quimioterapia.

 
Desde julho do ano passado, o artista tratava uma doença autoimune, e precisava fazer um transplante de medula, o que acabou acontecendo, segundo sua esposa Jane Reis. Segundo boletim médico divulgado na época pela produção do músico, com o início da quimioterapia, houve uma baixa glicêmica e acidez sanguínea. Por isso, o cantor permaneceu internado no CTI. O câncer voltou e o estado de saúde de Melodia se agravou bastante nesta quinta-feira (3).

O último trabalho do cantor, “Zerima”, foi lançado em 2014. Este foi seu décimo terceiro álbum de estúdio com músicas inéditas.

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Sou feito cobra coral/Semente brota em qualquer local…

MELODIA nasceu em 7 de janeiro de 1951 no Morro do São Carlos, no Estácio, região central do Rio. Filho único, começou sua caminhada na música após ver seu pai tocando em casa. O menino Luiz Carlos dos Santos cresceu jogando bola na favela e dançando nas rodas com os músicos da escola de samba Estácio de Sá. Sua ligação afetiva com o berço foi eternizada numa de suas mais belas canções, “Estácio, Holly Estácio”, na qual determinava que “se alguém quer matar-me de amor, que me mate no Estácio”.

*Com informações do jornal O GLOBO.

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No dia em que ouvi CRUEL, meu coração disparou e as lágrimas transbordaram meu coração…

CONFIRA:

Tudo cruel, tudo sistema
Torre babel, falso dilema
É uma dor que não esconde o seu papel
São Carlos, morro, Borel
Eu subo e nunca estou no céu

Tudo João, nada na mesa
Deu no jornal, mãos na cabeça
Um marginal que já não pode mais fugir
Vai reagir
Menino é bom ficar de olho aí

Que tudo é desse mundo
Surpresa também
Espinho é bem mais fundo
Destino também
O amor tá quase mudo
Minha voz também
Cruel é isso tudo

Tudo tão mal, tão sem beleza
Doce de sal, lágrima presa
O que eles falam não se deve nem ouvir
Verbo mentir
Menino é bom ficar de olho aí

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Só queria que todos tivessem comida
Tivessem oportunidade, tivessem guarida
Não precisassem rezar pedindo melhores dias
Reclamando migalhas, vivendo só de agonia      

*Letra de Pra quê, criação de LUIZ  MELODIA

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É, Luiz, se a gente falasse menos, talvez compreendesse mais…

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O céu hoje ganha um swing novo: Luiz Melodia se junta a Tim Maia… e haja festa no ceú !

P A I X Ã O

A paixão é num instante
Quando vê, ela sumiu
Eu te amo, tu me enganas
É primeiro de abril

Mas não sei viver sem seu xodó
Eu, nós dois, uma pessoa só

A paixão é como um raio
Feito porta que se abriu
O mergulho de uma arraia
Projeto ano de dois mil

Ter paixão é bom
Bombom, feito bala de mel
Se você dar corda
Enrola igual carretel

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Foi muito lindo, MELÔ ! Vai com Deus que a gente aqui continuará cantando, eternamente, suas muitas pérolas negras ! Saravá !

Baudelaire e o Diabo na terra da praia

Fabian Cantieri* escreve sobre Um homem e seu pecado, filme de Luís Rocha Melo, que encerra exibições hoje na Cinemateca do MAM carioca…cartaz menor

Lívido (Pedro Henrique Ferreira) tem o corpo desconjuntado, o coração empedrado, a alma atormentada: um vulcão guardado sem manejo de suas lavas reprimidas. Um personagem anacrônico e deslocado ao pé de uma juventude afetiva que jamais olharia para uma Igreja com seus grandes olhos vidrados, cheios de indiferença e curiosidade. Um homem e seu pecado é menos sobre o incesto em si do que o pecado como reação ao mundo. Um affair, a cidade cartão-postal, o trabalho, os amigos no bar, o hobby contraventor: nada aquieta ou mobiliza o espírito solitário de Lívido. É preciso que ele seja demitido, leve umas porradas da vida ou do Diabo (Thiago Brito) e esbarre com um louco ou Baudelaire (Hernani Heffner) para que enfim retome alguns nós perdidos. Esse triângulo de ações faz com que nosso protagonista procure sua irmã, convencendo-a sair do monastério para encontrar seu pai e seus fantasmas.

Luis Melo no set

Um homem e seu pecado: Luis Rocha Melo no set…

Luís Rocha Melo faz desse percurso um filme um tanto atípico: existe uma agilidade de encenação que às vezes poderia fazer lembrar dos derradeiros filmes de Alberto Salvá ou Paulo César Saraceni, Na Carne e na Alma (2011) e O Gerente (2011) respectivamente, mas com um peso dramático que o aproxima muito mais de gente como um Walter Hugo Khouri. Este peso está sobre os ombros de Lívido, existencialmente, mas também na religiosidade. Da aridez cristã ao onírico do candomblé, a religiosidade atravessa a família Gomes como pão (que alimenta) e faca (que a dilacera). Deus está morto, não há “Pai” que guie nossos passos e Dr. Gomes (Otoniel Serra) há muito deixou de ser guia norteador de um ethos para seus filhos. Vitória (Anna Karinne Ballalai) se aporta no cristianismo, Lívido vive sem qualquer âncora.

Ballalai no filme

Ana Karinne Ballalai e Pedro Henrique Ferreira protagonizam Um homem  seu pecado

É aí que Baudelaire, vulgo a poesia, sobrevêm como telos. “É necessário estar sempre bêbado”. Trôpegos, errantes e pecadores, andamos. Eis aí um curioso aforismo para o cinema brasileiro: embriagados – de vinho, poesia ou virtude – filmamos. Curioso também como o tema atemporal de O homem e sua paixão, à luz da urbe carioca de hoje, é filmado por uma handycam digital qualquer e isso lhe dá uma desenvoltura toda particular, emprestando ao filme uma cara muito mais irmã à geração de David Neves do que a de seus contemporâneos. O que se destaca não é uma especificidade técnica moderna, mas a leveza de um modus operandi que lhe dá organicidade do entorno germinada em sua filmografia desde, pelo menos, Legião Estrangeira (2011). O que parece interessar mais para Luís Rocha Melo em O homem e seu pecado é uma decupagem calcada nos olhares, a subjetividade em confronto com o mundo e seus atravessamentos. Poderia aqui, inclusive, subverter as palavras do próprio diretor sobre Neves em uma crítica sobre seu primeiro longa-metragem Memória de Helena (1969): o que vemos em ação é “um cronista que observa a sua geração, ou melhor, que observa seus amigos, ou melhor, que ama seus amigos, os filmes de seus amigos e o passado do cinema brasileiro”.

O passado do cinema brasileiro aqui é todo presente. Memória é imaginação. Luís Rocha Melo filma seus amigos não simplesmente pondo-os em cena, mas antes absorvendo algo de intrínseco neles e reformulando à obra. Não há tábula rasa, a fabulação se dá a partir de uma vivência próxima. Há um elo de amizade e intimidade que se desdobra no desabrochar não do drama, mas de suas consequências. Há, antes de tudo, um pacto de fé, uma metafísica aí em jogo: a cena é mais do que a materialidade das coisas. Não só pela crença em Baudelaire ou no Diabo ou pela recorrente dúvida em torno do Mal, mas pelo fora de campo como dialética moral. Não à toa, uma das primeiras referências óbvias – pois não há batedor de carteira mais notável na história do cinema do que Michel, personagem de Martín LaSalle – é Robert Bresson, católico fervoroso do plano.

O filme – e seu mistério – está todo no olhar de Lívido. Frequentemente ele deixa de observar o que olha; seus olhos por vezes fogem de encarar, como seu pai percebe, outras tantas, se reviram para o horizonte distante da realidade por pleno costume de fuga. Alguns contra-planos chicoteados, como na primeira despedida dos filhos na casa do pai, perturbam para depois criar tensão pela fixidez entre os olhares confrontados. Um plano corriqueiro é uma espécie de over the shoulder sobre o protagonista mirando a desenhista, Vitória, Baudelaire ou Dr. Gomes, um plano um tanto esquisito em termos de composição não só pelo ponto de fuga diagonal, como pela aparente necessidade de mostrar alguma primeira reação de alguém – Lívido – que normalmente não teria sua face exposta só ficando de costas. Um olhar sempre tentando apreender as coisas para além da superfície, um olhar nem sempre conseguindo, sem saber, enfim, onde mirar, onde morar.

Um homem 1

Um homem e seu pecado: “Um olhar sempre tentando apreender as coisas para além da superfície”.

Georges Bataille, numa análise de uma escrita de Sarte sobre Baudelaire, escreveu: “o homem não pode se amar completamente se ele não se condena”. Autocondenação é o que não falta à Lívido e no entanto, o pecado reside em sua erradicação ou, ao menos, relativização. Ao fim, o Museu do Universo parece nos contestar a magnitude peremptoriamente estagnada de certos pecados criados pelo homem diante do mundo. Eppur si muove: a mítica frase murmurada por Galileu após ter sido obrigado a renegar sua visão heliocêntrica do mundo, costuma ser um símbolo que sintetiza a teimosia da Ciência contra a censura da fé e a autoridade religiosa. Depois de negar que a Terra se move ao redor do Sol, o físico e filósofo italiano haveria balbuciado: “no entanto se move”. Deste lado do oceano, Paulo Emílio costumava dizer que a mediocridade do cinema brasileiro é imanente – o subdesenvolvimento está em nós. No entanto, algo se move.

*Fabian Cantieri é crítico da revista Cinética

“Existe sempre a promessa agridoce do perdão e do arrependimento”

Ballalai no mar

Anna Karinne Ballalai em cena de Um Homem e seu Pecado

Você tem somente até amanhã para ver Um homem e seu pecado, na Cinemateca do MAM  – ENTRADA FRANCA

*Confira a crítica de Guilherme Sarmiento ao filme de Luis Rocha Melo

Entre 1938 e 1945, George Bernanos viveu no Brasil. Então considerado um dos maiores escritores franceses vivos, o autor do aclamado romance Sob o sol de satã atravessou o Atlântico envolto nos miasmas pestilenciais soltos pela ascensão do fascismo e buscou na maior nação católica do planeta algum alento espiritual e, quem sabe, ser tocado pela visão do paraíso. Estabeleceu-se na cidade mineira de Barbacena, lugar muito adequado a sua imaginação silvestre e afeita ao escrutínio do mal. Logo em torno de sua figura divina e ao mesmo tempo satânica formou-se um círculo de contritos admiradores, alguns deles, inclusive, tornaram-se amigos íntimos como o poeta Augusto Frederico Schmidt, Jorge de Lima, Alceu Amoroso Lima, Austregésilo de Athayde e Murilo Mendes. Não se sabe o quanto Bernanos foi responsável em sua passagem pelo vigor alcançado pelo neocatolicismo literário entre nós, mas o certo é que, coincidentemente ou não, alguns livros bem adequados a certas obsessões bernanosianas foram saindo do prelo dez anos depois de sua partida, como se fossem jabuticabas temporãs: azuis de tão escuras, como pérolas noturnas e pecaminosas. Podemos citar aqui A menina morta, de Cornélio Pena, e Crônica da casa assassinada, de Lúcio Cardoso, como parte dessa safra. Esse longo preâmbulo em torno da emergência do novo pensamento católico entre nós soaria fútil se o novo longa de Luís Alberto Rocha Melo não tivesse guardado em seu íntimo esse coração palpitando após a queda, um órgão ainda pulsante no peito de um decaído.

Essa relação fica clara desde o seu título: Um homem e seu pecado. Se existe um stimmung, uma ambiência, dentro do qual o pensamento católico facilmente se desloca, não vai tão longe quando circunscrito pela noção da culpa e do pecado. E o filme ofertará ao espectador tudo aquilo que a titulação desde o seu início prometeu. O plano de abertura é um crucifixo: diante dele, Lívido, o protagonista da história, reza fervorosamente. Seu nome por si mesmo se apresenta como um indicativo de seu contínuo assombramento, um mundo interior cheio de interditos que nem mesmo o recital de uma oração consegue silenciar por completo. Parte mesmo desses rompantes são forçados por uma oposição barroca entre o sacro e o profano, o bem e o mal, o inferno e o paraíso, a carne e o espírito, mostram-se evidenciados pela montagem muitas vezes reflexiva de estados de espírito descontínuos. Após a gregoriana imersão no mundo espiritual, uma crua e lânguida cena de sexo somente acentua o programa previamente estabelecido pelo diretor. A interposição deste dois momentos, sem nenhum outro respiro, ajuda a compor a cisão interna daquele a partir do qual se baseia o ponto de vista narrativo. O olhar aficionado de Lívido mira, na verdade, o pecado original ao qual sempre retornará para justificar o seu fracasso profissional e amoroso.

E que pecado é esse tão acalentado a ponto dele chamar de seu? Uma relação incestuosa. Eis aqui um dos temas recorrentes dentro do neocatolicismo. A arte e a beleza nada mais são do que a deriva do pensamento em perigosas regiões fronteiriças, onde o homem tem a possibilidade de flertar com o mal sem, no entanto, ser completamente atravessado por ele. Existe sempre a promessa agridoce do perdão e do arrependimento. Porém, a alma de Lívido escorregou para além dessa fronteira e agora ele precisa acertar contas com o seu passado e, quem sabe, ter uma nova chance de ser perdoado e redimido de sua falta monstruosa. Ele, então, resolve visitar o pai em Barra de São João. Porém, antes de fazê-lo, comete um ato que revela toda a sua covardia. Visita o claustro onde sua irmã até então vivia uma vida “piedosa” e a envolve temerosamente em seu plano de redenção. Esse movimento em direção ao vórtice do pecado – de cuja memória sua irmã também compartilha – terá consequências funestas para o destino das duas personagens.

Mas se engana quem achar que Um homem e seu pecado é um filme soturno e carregado, como o tema exigiria, caso estivéssemos diante de uma obra tradicional. A noção de uma irremediável mancha adquirida por uma queda está muito longe da “piedade” notada por Aristóteles ao definir a catarse como fim último da tragédia. Se nas obras do pensamento católico as bases constituintes do trágico continuam intactas, elas, no entanto, vem ungidas por inúmeras crises, incluindo, entre elas, a crise do próprio discurso. Não se passa pelo decadentismo impunemente. A atmosfera frívola e saturada pela pulsão de morte parece domesticada aqui por um sentido de paródia bem cara a Luís Alberto Rocha Melo, abordagem que vai além da mera atualização de um determinado registro literário ou artístico, desautorizando-o através de um riso que irradia desde a superestrutura narrativa. A ética da paródia é uma ética dialógica, onde se desfigura o sentido formal para se denunciar a fixidez artificiosa da norma. Esse pendor ao humor iconoclasta já se encontrava presente em seu longa anterior, Nenhuma fórmula para a contemporânea visão de mundo, mas, aqui, subsiste de forma mais discreta, sem, contudo, deixar de ser notável. Nesse sentido, o filme, em seu humor fino e rebelde, reflete um pensamento articulado a uma atividade crítica intensa, como se o próprio ato de narrar estivesse também sob o jugo de um permanente escrutínio – entregar-se a uma atividade sem esse constante desarme risonho e alerta, nesse caso, seria se dobrar a pior das tentações.

Esse viés de natureza crítica, certamente, foi forjado em anos de colaboração com revistas importantes como Contracampo, Filmecultura, e, também, atividades acadêmicas próprias a trajetória profissional de Luís Alberto Rocha Melo. Vê-se de forma bastante explícita dentro de sua dramaturgia uma gama de referências cinematográficas bastante heterogêneas, que abarcam desde autores do Cinema Novo, especialmente os católicos, como Fernando Coni Campos, e Paulo César Saraceni, até os autores ligados de alguma forma ao cinema da Boca do lixo, aqui, especialmente, Carlos Reichenbach e Rogério Sganzerla, movimento caro ao diretor cuja estreia nos longas-metragens se deu através de um documentário sobre Antônio Polo Galante. A colagem destas referências, por sua vez, ajudam ainda mais a tensionar a narrativa, que oscila entre o leve escracho mobilizado por uma câmera galhofeira e o peso circunspecto construído em torno do protagonista Lívido, cuja força atrativa age sobre a história como um buraco negro.

Essa polaridade também se produz nos diferentes tons impressos pelos atores principais em suas interpretações. Enquanto Anna Karinne Ballalai imprime nuances brechtianas à personagem Vitória, irmã do protagonista, Pedro Henrique Ferreira deixa seu olhar expressivo nuançar as características de Lívido, cuja alma se desintegra diante do espectador. Algo parecido ocorre quando comparamos a atriz à Otoniel Serra, em seu último papel no cinema, que cria a personalidade paterna como uma força apaziguada e quase impotente. Por ser praticamente a co-diretora do longa-metragem, tendo-o montado, produzido e escrito o roteiro junto com Rocha Melo, Balallai demonstra-se cúmplice do distanciamento agenciado pela direção que, mesmo mantendo-se dentro de certo decoro, deixa entrever suas intenções satanicamente satíricas. Mostra-se cúmplice das diabruras propostas pelo diretor. O diabo, como bem notaram os moralistas, mora na inconstância, na mistura e no desregramento e, por todo esse clima de hibridismo, Um homem e.seu pecado consegue criar essa atmosfera fáustica bastante característica de nossa cultura.

Inserido dentro de uma cena peculiar da cinematografia carioca, onde está acompanhado por nomes como André Sampaio, Cavi Borges, Christian Caselli e Guilherme Withaker, e, também, pelo saudoso Ricardo Miranda, Luís Alberto Rocha Melo aos poucos constrói uma obra coerente com um projeto de cinema autoral. Sem desejar ser santo, ainda assim encara a sétima arte como uma missão artística. Desse modo, vai permanecendo aqui na terra elaborando obras singulares e necessárias, à margem de “Deus”, amigado de Zé Pelintra, com quem bebe uma gelada nas horas vagas e, quem sabe, articula novos projetos futuros para o cinema brasileiro.

*Guiherme Sarmiento é professor Doutor em Análise Fílmica pelo Instituto de Letras da Universidade Federal da Bahia.