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Foco nas principais notícias da área cultural

E no entanto é preciso sambar…

Documentário de Valmir Moratelli é libelo contra o racismo

*Aurora Miranda Leão

           Faltam 30 dias para o carnaval começar. O cenário é a capital carioca, berço mais popular do samba, e as verbas para fazer a folia desfilar como Rainha na cidade, tão decantada em verso e prosa, perigam não chegar para garantir a festa que leva milhares à Passarela do Samba e encanta retinas do mundo inteiro. Dezenas de comunidades que trabalham o ano inteiro para fazer a tristeza sucumbir em meio a lantejoulas, ritmistas, baterias, confetes, atabaques, passistas, brilhos e adereços, e ver a algazarra acontecer, vivem dias de ansiedade e aflição com a espera que parece não ter fim.

             Diante desse dilema, o jornalista Valmir Moratelli, de longa estrada na cobertura do carnaval das escolas de samba cariocas, cansado de ver diariamente o descaso que a prefeitura do Rio de Janeiro distribui, desavergonhadamente, para as festividades de Momo, toma uma decisão insólita – própria de quem sabe que a resistência é pedra fundamental entre os que pensam arte, defendem a vida e semeiam a igualdade -, inspirado pela incongruência política e incompetência dos gestores municipais.

            O ano é 2018 e a decisão de Moratelli foi convergente com sua sensibilidade: escancarar o descaso com a cultura egressa do povo, que ele tanto admira, aplaude e acompanha. Jornalista antenado e consciente das demandas sociais de seu tempo, capaz de compor um bailado rizomático de imagens poéticas, a opção de Valmir para exercitar seu direito de protestar contra as injustiças e arbitrariedades sociais foi fazer um registro audiovisual sobre essa peleja da cultura popular contra o assombroso descaso governamental com a maior festa coletiva do Brasil. Juntou alguns amigos, angariou parceiros para levar sua ideia adiante, partiu para uma vaquinha virtual e assim foram nascendo os primeiros atalhos na trilha do seu objetivo.

               Exatamente, um mês depois disso, estava pronto seu primeiro ensaio imagético sobre os dias difíceis, tensos, aflitivos e ansiosos que antecederam o carnaval carioca de 2019: TRINTA DIAS, um Carnaval entre a alegria e a desilusão !

            O documentário marca de forma auspiciosa a chegada de Valmir no arâmio audiovisual: TRINTA DIAS é muito mais que um desabafo contra o flagelo a que a desastrosa classe política do Rio de Janeiro vem submetendo o carnaval da terra do inesquecível Lalá, o monumental Lamartine Babo (compositor de todos os hinos dos clubes de futebol carioca).

             Com câmera sensível e competente nos registros; muito bem elaborada fotografia; produção que nem parece ter atuado movida apenas pelo gás da vontade de documentar; edição cuidadosa; roteiro que revela a competência jornalística de seu criador; depoimentos fortes, bonitos, emocionados e emocionantes, o filme perfaz um caminho narrativo simples, ideal para dar seu vigoroso recado contra o preconceito, a intolerância religiosa, a escravização vergonhosa de que este país é herdeiro, e a favor da pluralidade e da emergência de novos paradigmas sociais.

           “Saravá, meu povo/Saravá, pai Oxalá !”. Canta assim o refrão do samba-enredo da escola Alegria da Zona Sul, protagonista da narrativa audiovisual de Valmir Moratelli. Aguerrida, decidida, intrépida e disposta a estar na Marquês de Sapucaí com toda a garra, alegria e disposição dos milhares de componentes da escola, a Alegria saiu pra passarela do samba debaixo de uma enorme chuva. E é nesse ponto que o filme começa com a voz imponente de Camila Xavier (diretora da ala das baianas da escola) convocando todas as mulheres da agremiação a adentrarem a avenida dando seu melhor, algo como “Cada uma de nós será a outra desfilando em beleza, força e emoção. Cada uma dará a mão a outra, cada uma ajudando a outra a se vestir: aqui cada uma é todas nós ! Vamos, juntas o tempo todo, ser a voz e a alegria de cada uma, ecoando pela Sapucaí com toda a força da nossa emoção e do nosso samba. Agora a Alegria é o Carnaval e nós vamos sacudir a Sapucaí !”

           A voz pujante e impávida de Camila anuncia nas entrelinhas o que iremos ver, não apenas no Sambódromo construído por Brizola mas, sobretudo, na forma como a escola da Alegria vai desfilar na avenida fílmica de Moratelli. Tudo no documentário “Trinta Dias” é construído com tocante singeleza: os preparativos dos artesãos da escola, o dia da tradicional feijoada, os passos dos brincantes em genuína celebração da festa que trazem no berço de sua ancestralidade, a desesperança do diretor da escola, o desestímulo do presidente da liga do grupo de acesso da folia, mergulhado em revolta e tristeza ao constatar o desprezo a que foi relegada a maior festa da cultura popular do planeta.

           Não há dúvida: há um poeta do jornalismo conduzindo o enredo que mescla desilusão e alegria mas em nenhum ponto desequilibra. Há um comunicador que tem o dom da fala e a eloquência da imagem para conduzir o desassossego que é mote do seu coração quando se fala em povo, carnaval, Rio de Janeiro e Cultura.

               “Trinta Dias” poderia ser um filme pequeno, contando apenas 30 dias de uma lenta (e inconcebível) agonia. Mas não: é muito mais que um registro audiovisual de uma fase ignóbil do carnaval do Rio. Valmir Moratelli mostra que quando entra na cena é pra valer e agiganta de forma notável a temática que embasa seu constructo audiovisual. Os trinta dias de tensão e afligimento da escola de samba “Alegria da zona sul” se transformam em senha para a metanarrativa que ele quer levar adiante.

         Além de Camila abrindo o filme com uma legenda imaginária que escreve Negritude, Feminismo e Liberdade em letras garrafais, o filme traz também os depoimentos de Luiz Antônio Simas, Fábio Fabato, Felipe Ferreira e Carolina Rocha Silva. Todos num belo mosaico semiótico que vai sendo desenhado com cuidado e delicadeza para bradar contra o racismo, denunciar o preconceito, saudar o sagrado e o profano, misturar todas as etnias e celebrar a potência cultural brasileira.

            Um caloroso Parabéns a Valmir Moratelli e Fabiano Araruna (El Tigre Produções) pelo aguerrido trabalho, e um Viva à sua competente equipe: Vitor Kruter no som; Guilherme Bezerra, Pedro Villaim e Fabrício Menicucci na fotografia, e Artur de Carvalho no design.

        TRINTA DIAS é um libelo contra o preconceito e uma ode às nossas raízes afro-ameríndias. Precisa ser visto: é uma aula de história, apreço pelo carnaval e respeito pela Cultura Popular. Tem ademais uma bela fotografia, enquadramentos preciosos (como a chuva amanhecendo no viaduto da Sapucaí), depoimentos fortíssimos sobre nossas raízes, e críticas potentes à descabida equação do binarismo sagrado X profano.

Documentário pode ser visto online no canal Prime Box Brasil

        TRINTA DIAS é um belo e respeitável Documentário ! Vale a pena ser visto e revisto com atenção e carinho.

*Aurora Miranda Leão é jornalista, pós-graduada em Audiovisual em meios eletrônicos, doutoranda em Comunicação pela UFJF e editora do blog Aurora de Cinema.

Samba resiste, Alegria desfila na Sapucaí e é destaque em filme de Valmir Moratelli que estreia na TV

30 dias

Uma estreia muito aguardada do Cinema Brasileiro, o documentário 30 Dias, do jornalista, poeta e pesquisador Valmir Moratelli, estreia nesta quarta, 02 de setembro,  na sessão Prime.doc, do canal Primebox Brazil.

Destaque ano passado na mostra Première Brasil do Festival do Rio, o filme mostra a crise que o carnaval carioca vem sofrendo há algum tempo, e que se acentuou em 2019. Agora, “30 Dias – um carnaval entre a alegria e a desilusão” será exibido na televisão.

O documentário de Moratelli, que é um apaixonado pela folia e tem mais de uma década de cobertura de desfiles carnavalescos no Sambódromo do Rio de Janeiro, é uma narrativa sobre a saga de anônimos para colocar o bloco na rua e não ficar de fora do mais badalado carnaval do país. Assim, Valmir Moratelli fez um trabalho de fôlego, na base do “cinema do próprio bolso” e com ajuda de “vaquinha virtual” para registrar o esforço de brincantes, músicos, carnavalescos, costureiras, coreógrafos, artistas visuais, emfim, de toda uma comunidade, para estar presente – no peito, na garra e no gogó – ni desfile da maior festa popular do país em 2019.

Alegria

Documentário “30 dias” mostra resistência da escola de samba Alegria da Zona Sul…

É a dificuldade imensa das escolas do grupo de acesso ao desfile do carnaval carioca, aliada à paixão pela cultura popular, que Moratelli registra em seu belo documentário. A escola que simboliza toda a luta e empenho de brincantes para estar na Sapucaí é a Alegria da Zona Sul,  rebaixada na Série A em 2019, ano no qual foi feito o registro audiovisual.

“Fizemos esse filme sem recursos. Nosso objetivo é dar visibilidade ao grupo de Acesso, mas também discutir racismo e o preconceito com a cultura popular”, diz Moratelli. E vai mais além: “O filme mostra a perversidade do poder público com o carnaval carioca. É interessante perceber que, bem antes da crise trazida pela pandemia, já não se valorizava o que é popular. O carnaval vem sendo atacado por uma onda neopentecostal que domina a política fluminense”, afirma Valmir.

O trailler do filme você vê aqui: https://youtu.be/sszVuixp5hs

Valmir filme

Fabiano Araruna, Valmir Moratelli e o ator Romeu Evaristo no Festival do Rio 2019.

O documentário ’30 Dias – Um carnaval entre a alegria e a desilusão’, do diretor Valmir Moratelli, tem produção de Fabiano Araruna, da El Tigre Studio.

A exibição online do documentário de Valmir Moratelli será nesta quarta, 2 de setembro,  às 18h45, na sessão Prime.doc, do canal Primebox Brazil. O canal está disponível na Claro (canal 656 ou 156); Sky (canal 157); Vivo (canal 109) e Oi (canal 85). 

SERVIÇO

Estreia de Cinema na TV

O que: lançamento de filme online

Título: 30 Dias – Um carnaval entre a alegria e a desilusão

Diretor: VALMIR MORATELLI

Produção: El Tigre Studio

Quando: Quarta, 02 de setembro de 2020

Onde: sessão Prime.doc, do canal Primebox Brazil

Horário: 18:45h.

*O filme também pode ser visto na Claro (canal 656 ou 156); Sky (canal 157); Vivo (canal 109) e Oi (canal 85). 

*Depois da exibição, o diretor Valmir Moratelli vai participar de debate sobre o filme no Instagram @primeboxbrasil, com participação da pesquisadora Carolina Rocha, da Coordenadoria de Experiências Religiosas Afro-Brasileiras. Começa às 20:30h.

Jornadas Namídia destacaram crônica, telenovela, carnaval e telejornalismo

NAMIDIA panfleto mini

As Jornadas NAMÍDIA são uma realização anual do grupo de pesquisa acadêmica da UFJF “Narrativas Midiáticas e Dialogias”, coordenado pela jornalista e professora Doutora Cláudia Thomé.

Neste 2020, a quarta edição das Jornadas de Mídia e Literatura NAMÍDIA aconteceram em versão online – por conta da pandemia que tomou de assalto o mundo -, e tiveram 6 sessões virtuais, no período de 6 a 11 de julho, via Youtube.

Intituladas Jornadas Namídia: narrativas em tempos de pandemia. Gratuito e aberto a quem se interessa pelas discussões propostas, o evento enfatizou o quanto este tempo de quarentena e confinamento privilegiou o olhar para as artes, em especial, o audiovisual.

Os seis dias das JORNADAS tiveram a seguinte configuração:

Na sessão de abertura, as Jornadas Namídia receberam as jornalistas Michele Ferreira (TV Integração) e Mariana Cardoso (TV Globo). A conversa teve mediação do jornalista Pedro Miranda (doutorando em Comunicação do PPGCOM/UFJF e membro do Namídia), e a pauta teve como foco os desafios e mudanças no fazer telejornalístico do período de pandemia.

Na segunda sessão, o convidado foi Victor Menezes (mestre em História Cultural pela Unicamp), que conversou com Vanessa Martins (mestranda em Comunicação do PPGCOM/UFJF e membro do Namídia) e Laura Sanábio (mestranda em Comunicação do PPGCOM/UFJF e membro do Namídia) sobre o universo fantástico de “Harry Potter” e Fake News.

Em seguida, na quarta (08 de julho), foi a vez do pesquisador Valmir Moratelli (escritor, poeta, jornalista, cineasta e doutorando em Comunicação PUC-Rio) abordar o tema da Teledramaturgia. O bate-papo teve como mediadora a atriz e jornalista Aurora Miranda Leão (esta que vos fala, que é doutoranda em Comunicação PPGCOM UFJF e membro do Namídia) e contou com o auxílio luxuoso do jornalista Pedro Miranda (doutorando em Comunicação PPGCOM/UFJF e membro do Namídia). Essa foi uma das conversas que rendeu mais audiência, evidenciando o quanto a telenovela é querida no país e o quanto o público se mantém fiel a essa forma de ecxpressão artística, mesmo em tempos de isolamento social. A atriz Rosamaria Murtinho foi uma das que acompanhou as Lives NAMÍDIA e postou vários comentários elogiosos.

Já na quarta sessão, o convidado foi o jornalista Maranhão Viegas, da TV Brasil, que conversou com a pesquisadora Cláudia Thomé (professora da Facom e da pós-graduação PPGCOM/UFJF, além de coordenadora do Namídia), tendo como mediadora a acadêmica Michele Pereira (doutoranda em Comunicação pela PUC-Rio e membro do Namídia). O tema foi a crônica audiovisual na TV e rendeu belos momentos de defesa da atividade jornalística com ênfase ao aspecto humanitário da profissão, à necessidade do profissional da Comunicação e às sutilezas poéticas da crônica televisiva num ambiente que exige tanta velocidade de produção e deixa pouco espaço para o lirismo. A audiência, atenta e emocionada com as palavras de Maranhão Viegas, acabou emocionando o colega da TV Brasil, que se declarou inteiramente imerso em afetividade e gratidão. 

Na penúltima sessão das #jornadasnamidia, o convidado foi o jornalista e comentarista da folia carioca, Bruno Filippo (Rádio BandNews FM). A conversa sobre Carnaval foi conduzida pelo também jornalista e pesquisador Marco Aurélio Reis (professor Unesa-RJ e vice-coordenador do Namídia) e pela pesquisadora Samara Miranda (mestranda em Comunicação PPGCOM/UFJF e membro do Namídia).

Para encerrar a semana de JORNADAS NAMÍDIA, o convidado super especial foi o pesquisador, carnavalesco e comentarista do Carnaval Globeleza, Milton Cunha. O bate-papo sobre as narrativas da Sapucaí foi conduzido pelos jovens pesquisadores Samara Miranda (mestranda em Comunicação PPGCOM/UFJF) e Rafael Rezende (doutorando em Comunicação PPGCOM/UFJF e membro do Namídia). 

A participação de Milton Cunha, que é mestre e doutor em Ciências da Literatura, PHD em História da Arte e coordenador-geral do Observatório de Carnaval da UFRJ, foi das mais festejadas e encerrou com brilhantismo esta quarta edição das Jornadas de Mídia e Literatura do grupo de pesquisa Narrativas Midiáticas e Dialogias.

Quem quiser rever, ou quem perdeu e gostaria de assistir às Jonadas NAMÍDIA, basta acessar o canal do grupo no Youtube:

https://www.youtube.com/channel/UCjsbXtrj4gCfB-5NrbPgQ2w

Para entrar em contato, basta seguir as redes sociais:

Grupo de Pesquisa Narrativas Midiáticas E-mail: grupo.namidia@gmail.com instagram.com/narrativasmidiaticas/ facebook.com/narrativasmidiaticasedialogias ufjf.br/narrativasmidiaticas/

NAMÍDIA convida para Jornada de Mídia e Literatura online

NAMIDIA panfleto mini

Grupo de Pesquisa Narrativas Midiáticas e Dialogias (NAMIDIA) – UFJF/CNPq – vai reunir profissionais e pesquisadores de diversas áreas da Comunicação em evento que acontece de 6 a 11 de julho

NAMIDIA Jornadas 20

O grupo Narrativas Midiáticas e Dialogias (NAMIDIA) pesquisa as mudanças na narrativa jornalística, buscando detectar e analisar os deslizamentos entre os gêneros e as plataformas midiáticas, e as estratégias de uma hibridização que é anterior à convergência midiática, mas que se acelera no contexto atual.

A velocidade com que a narrativa midiática contemporânea se altera e é atravessada por novas possibilidades de narrar, diante da convergência das mídias, acena para a necessidade de uma análise de gêneros que se hibridizam, no “deslizamento” de um meio a outro. As tecnologias digitais aceleraram esse fenômeno que, no entanto, não é tão novo.

Narrativas Midiáticas e Dialogias - Home | Facebook

O grupo NAMIDIA – certificado pelo CNPq e vinculado ao Programa de Pós-Graduação em Comunicação da UFJF -, abriga projetos de pesquisas sobre narrativas em mutação, estratégias narrativas no telejornalismo e seu diálogo com outros campos, cronismo audiovisual e novas funções e competências no jornalismo. Nessa configuração, incluem-se pesquisas sobre audiovisual, telenovelas, documentários, histórias em quadrinhos, crônicas, carnaval, crônicas e muitas outras.

O que se verá na quarta edição das JORNADAS promovidas pelo grupo de pesquisa do curso de Comunicação, a nível de pós-graduação, da Universidade Federal de Juiz de Fora (UFJF), converge para destacar as muitas pesquisas que acontecem no âmbito do NAMÍDIA, coordenado pela jornalista e profa Doutora Cláudia Thomé, que tem reuniões semanais na FACOM/UFJF.

E com a realização das Jornadas onlione que começam na próxima segunda, 06 de julho, cujas inscrições estão abertas, o NAMÍDIA prova que continua ativo e que sua capacidade de produção e intercâmbio não cessou com a pandemia. Muito ao contrário, o grupo de pesquisa Narrativas Midiáticas e Dialogias está produzindo em várias frentes através de participação em congressos, produção de oficinas (como a que está nas redes sociais sobre Fake News), realização de LIVES e produção de artigos científicos.

Grupo de Pesquisa Narrativas Midiáticas

Jornalista e Profa. Dra. Cláudia Thomé é a coordenadora do grupo NAMÍDIA.

As quartas Jornadas de Mídia e Literatura do NAMÍDIA vem confirmar o potencial de todos os pesquisadores envolvidos no grupo e a relevância de um trabalho coeso, disciplinado, intenso e prospectivo que reúne tantos estudantes de vários níveis de graduação e pós, e que neste momento tão difícil de isolamento continua irmanado em suas discussões acadêmicas e trocas filosóficas.

Quem quiser participar das Jornadas que começam dia 06 de julho, segunda, e prosseguem até dia 11 (sábado), deve inscrever-se no link abaixo 👇🏼 . Mas não perca tempo porque as inscrições são limitadas !

Acesse: https://www.sympla.com.br/jornadas-namidia-narrativas-em-tempos-de-pandemia__895329

claudiathome Instagram posts - Gramho.com

Grupo Namídia tem atuação constante em eventos acadêmicos.

 

Raimundo Rodriguez abre FIVE LIVE de Julho

Conversas ao vivo no Instagram @auroradecinema ganham impulso neste julho, que começa com o artista Raimundo Rodriguez e terá vários outros ao longo do mês

Ri e Gentileza

Raimundo Rodriguez é aquele artista magistral porque une talento, inteligência, disciplina e rebeldia para criar obra de arte. Cria maravilhas que encantam até o mais insensível dos mortais, e tudo parte de sua mania de colecionar e ressiginificar objetos.

Nestes difíceis dias de Quarentena forçada, que começaram em março, ele tem trabalhado sem cessar, ou seja: manteve a mesma rotina de sempre ou, por outra, aprofundou e multiplicou sua capacidade de trabalhar embelezando o mundo e dando novos sentidos ao usado, ao gasto, ao rechaçado, ao desprezado.

Cearense de Santa Quitéria, ele mora no Rio desde os 13 anos, e há décadas fixou residência numa bela casa da Baixada Fluminente, de onde não quer sair por nada. Ali mesmo construiu seu atelier, que há cerca de dois anos ganhou um espaço maior.

Raimundo Rodriguez diz que tem horror ao desperdício e que seu vício é o “Colecionismo”. E já que foi preciso ficar em isolamento por conta da pandemia, está criando a série de estêncil “Fique em casa mas em boa companhia”, que divulga em postagens diárias no Instagram e no Face.

ESTENCIL MACHADO

Machado de Assis é inspiração para a série de estêncil criada por Raimundo Rodriguez

A série é instigante: traduz uma homenagem do artista a ícones daArte e da Literatura Brasileiras, inspírações da vida inteira. Nomes como  Ariano Suassuna, Graciliano Ramos, Clarice Lispector, Bispo do Rosário, Machado de Asssis, Manoel de Barros, o conterrâneo Belchior, Carolina de Jesus e Garrincha estão na série. Nelson Sargento Grande Otelo e João do Valle serão alguns dos próximos a também ganhar versão em estêncil.

TVHITZ SÉRIE ESTENCIL, RAIMUNDO RODRIGUEZ - YouTube

 O ateliê de Raimundo Rodriguez na Baixada Fluminense.

Os insights de Raimundo para criar surgem de suas próprias vivências cotidianas. Colecionador obcecado, ele não joga nada fora e diz que “A arte contemporânea se mistura com a vida. Junto as coisas mais inúteis, sei que uma hora elas se encaixaram em algo. Quando dou um destino para esses objetos, me liberto”.

Raimundo Rodriguez recebe prêmio por sua atuação audiovisual ...

É como diz a pesquisadora Renata Gesomino, Doutora em História da Arte,

“As obras de Raimundo Rodriguez traduzem, desta maneira, um “fazer” primordial, juntamente com uma consciência espontânea de aproveitamento que se manifesta em meio a uma variedade caótica de elementos descartados, objetos errantes, recontextualizando-os e extraindo-os do vasto cenário urbano onde repousam os restos e as sobras do mundo. Esses idílicos fragmentos tornam-se atemporais. Serve para o artista toda matéria-prima que não sirva para mais ninguém”.

Raimundo Rodriguez chega ao horário nobre para enriquecer parceria ...

A cidade cenográfica da novela Meu pedacinho de chão é uma criação de Raimundo Rodriguez a partir de toneladas de lata e material reciclado…

* Para saber mais sobre Raimundo Rodriguez, acompanhe a FIVE LIVE do blog @auroradecinema que acontece hoje pelo INSTAGRAM, a partir das 17h.

Na programação das FIVE LIVE @auroradecinema deste JULHO que hoje começa, haverá conversas online com o roteirista e dramaturgo Alex Moletta, o ator/diretor e professor de Teatro,  Ricardo Guilherme, a atriz Teka Romualdo, o ator pernambucano Albert Tenório, o jornalista mineiro Luiz Felipe Falcão, os atores Tadeu Mello e José Araújo, e muitos outros.

 

Quarentena: zero abraços e muitos livros

Clipe Livros

50 personalidades indicam livros como companhia na Quarentena

A ideia é ótima e se espalhou pelas redes, jornais, rádio, televisão e novas mídias. E como ideia boa não precisa ter exatamente um dono mas sim uma consequência, foi assim:

Tudo começou com lives culturais noturnas, no finalzinho de março. Quem tomou essa iniciativa e convidou o blog #auroradecinema foi o jornalista, roteirista, documentarista e escritor carioca Valmir Moratelli. Dos encontros virtuais com amigos, parceiros, colegas de profissão, artistas e pessoas interessantes de diversas áreas, nasceu a ideia de colocar todo mundo para fazer pequenos vídeos indicando livros para esta quarentena forçada.

Jornalista Laurentino Gomes lança livro no Recife sobre escravidão

E assim foi:: cinquenta pesso@s, de diferentes nichos – atrizes, atores, escritores, escritoras, engenheiros, advogados, jornalistas, médicos, professores/professoras – gravaram, de suas casas, evidenciando o livro como bom companheiro no isolamento. 

Escritor contumaz e grande amante da literatura, Valmir Moratelli não podia estar em lugar mais indicado que o de incentivador da leitura Num país onde o livro é tão caro e a população, de modo geral, é tão cartente de educação, a leitura é ingrediente ainda mais essencial. Foi esse o mote para a campanha comandada por Moratelli, cujo vídeo está disponível nas redes e na conta dele no Instagram: @vmoratelli.

Valmir e Ma João

Valmir Moratelli e a atriz portuguesa Maria João no lancamento de livro dele, no Rio.

A ação nas redes sociais objetiva também chamar atenção para o fato da venda online das livrarias estar despencando. Muitas delas dependem dessa venda para continuar pagando os funcionários nesta pandemia.

Amandha Lee estará na próxima novela da Record - TV & Novelas - iG

Amandha Lee, atriz e tri-atleta, também participa do clipe de incentivo à aleitura.

O clipe da campanha de INCENTIVO à LEITURA está nas redes sociais desde abril e conta com a participação das atrizes Cinnara Leal e Dandara Mariana, da autora Rosane Svartman, do advogado Ricardo Brajterman, da fotógrafa Nana Moraes, e de muitos outros. 

Romeu Evaristo revela ter superado depressão e comemora nova fase ...

Dandara Mariana e o pai, o também ator Romeu Evaristo, estão no clipe de incentivo à leitura para esta quarentena !

Livro Hibisco roxo - Chimamanda Ngozi Adichie | TAG Livros Como Deixar um Relogio Emocionado - 9788573200492 - Livros na ...

Livros de Ruth Manus | Estante VirtualMe Ajude a Chorar – Fabrício Carpinejar | Le Livros Amazon.com.br eBooks Kindle: Onde os porquês tem respostas ...O QUE AS TELENOVELAS EXIBEM ENQUANTO O MUNDO SE TRANSFORMA - 1ªED ...

Livro Vinícius Sem Ponto Final. João Carlos Pecci. Prim

Poesia, música, telenovela, feminismo e antirracismo estão entre os livros indicados !

Coronavírus escancarou preconceito com idosos que telenovela já havia mostrado

Jornalista Valmir Moratelli analisa cenário inóspito para idosos 

Leopoldo e Flora Mulheres Apaixonadas (Foto: CEDOC/ TV Globo)

Flora (Carmem Silva) e Leopoldo (Oswaldo Louzada) sofriam nas mãos da neta.

 

Novela Mulheres Apaixonadas, 2003*: Dóris (vivida por Regiane Alves) é uma menina minada, que despreza e humilha os avós, Flora e Leopoldo (interpretados por Carmem Silva e Oswaldo Louzada), com quem divide o apartamento no Leblon, na zona sul do Rio. Em uma das cenas, do primoroso texto de Manoel Carlos, Dóris assim se dirige aos avós: “Tem que ter um pouco mais de juízo e um pouquinho mais de consciência de que vocês atrapalham, gente! (…) Vocês dão muito trabalho, dão muita despesa também. Vovô agora com esses chiliques, só de remédio foi uma fortuna. (…) Não servem pra nada. Já pensaram quando morrer? Vão ser enterrados onde? Já pensaram nisso?”.

As fortes cenas de Dóris maltratando os avós chocaram o país, a ponto do Congresso ter aprovado, ainda em 2003, o Estatuto do Idoso. O que o Brasil ouve agora nos discursos de governantes e empresários já foi denunciado lá atrás, há 17 anos, pela nossa ficção televisiva. É o chamado “ageísmo” – que vem do inglês “age” (idade), e significa discriminação etária. Na verdade, a pandemia do coronavírus (covid-19) apenas escancarou o preconceito com idosos sempre emudecido no Brasil.

De acordo com a Organização Mundial da Saúde (OMS), idoso é todo indivíduo com 60 anos ou mais. O Brasil tem mais de 28 milhões de pessoas nessa faixa etária, o que representa 13% da população. A projeção é que, em 2031, o número de idosos (43,2 milhões) supere pela primeira vez o de crianças de 0 a 14 anos (42,3 milhões). Esses números reforçam que os idosos são parcela significativa de uma população que, mesmo ainda se enganando como jovem, envelhece em ritmo acelerado.

O presidente Jair Bolsonaro, ao minimizar a pandemia e contrário às orientações da OMS, fez a seguinte declaração: “Eles têm outras doenças, mas dizem que morrem de coronavírus. (…) Não é o coronavírus que mata os velhinhos, essas pessoas já estão debilitadas”. Ainda nas primeiras temerosas semanas de março, o empresário e apresentador de TV Roberto Justus teve um áudio vazado, no qual conversava com amigos: “Na favela (o vírus) não vai matar ninguém. Vai matar só velhinho e gente doente”. No mesmo período, o empresário curitibano Júnior Dorski, sócio de uma rede de restaurantes, gravou um vídeo afirmando que “não podemos (parar) por conta de 5 mil ou 7 mil pessoas”.

O coronavírus, entre tantas consequências nefastas, desnudou o ageísmo do Brasil. E por isso o texto de Manoel Carlos permanece tão atual. Só que agora quem fala que os idosos “não servem pra nada” e “dão muito trabalho” não é obra de ficção. A agressividade com que tratam a população idosa, diminuindo sua importância econômica e – mais violento – menosprezando sua humanidade, é reflexo de um país que não quer se enxergar no espelho. Mas já foi escancarado na telenovela.

O Brasil assiste em 2020 à continuação do discurso de Dóris. Se aquela jovem atroz vivesse nos tempos atuais, mandaria seus doces avós, Flora e Leopoldo, circularem livremente pela orla, e ainda diria para não se preocuparem com o vírus que já contaminou mais de três milhões de pessoas no mundo, pois “é só uma gripezinha”.

▷ Aurora Miranda Leao 📷🎬📺🎶🎭 (@auroradecinema) • Instagram ...

* Valmir Moratelli é autor do livro “O que as telenovelas exibem enquanto o mundo se transforma e doutorando em Comunicação pela PUC-Rio.

Antropóloga Miriam Goldenberg atua para dirimir preconceito com 3a idade

Referendando a percepção de Moratelli, a antropóloga Mirian Goldenberg, que há duas décadas pesquisa sobre envelhecimento, também revela preocupação com o momento atual. Para a pesquisadora, esse preconceito sempre existiu e foi intensificado pela pandemia:

“O que temos visto nesta pandemia são discursos que chamo de velhofóbicos se generalizando. Políticos, empresários e até o presidente da República já disseram que ‘não se pode deixar a economia parar’ e que os jovens ‘têm que voltar a trabalhar’. Ou até que os velhos vão morrer ‘mais cedo ou mais tarde’. Estamos assistindo horrorizados a discursos sórdidos, recheados de estigmas, preconceitos e violências contra os mais velhos. […] Os velhos sempre foram vistos como um peso para a sociedade, ou seja, já experimentam o que chamo de ‘morte simbólica’. O valor que se dá a essas pessoas mais velhas é quase nulo, socialmente e dentro de casa”.

E dá uma importante dica:

“Tenho tentado fazer as pessoas escutarem os mais velhos. Esse é meu propósito desde que começou essa pandemia. Não dá para ficar dando ordem. Precisamos compreender a a realidade deles e juntos com eles encontrar alternativas para amenizar essa situação, de forma que eles não vivam como se estivessem numa prisão.

Isso seria uma morte antecipada para eles.

Ligue para eles, faça atividades junto com eles. Faça com que eles se sintam vivos, úteis, amados, cuidados”.

Goldenberg e seu amigo, Guedes, de 97 anos

Mirian Goldenberg e Guedes, seu amigo de 97 anos…

“Todos caminham para a velhice”, alerta Miriam Goldenberg:

“É urgente que todos aprendam uma lição importante: a única categoria social que une todo mundo é ser velho. A criança e o jovem de hoje serão os velhos de amanhã. Os velhofóbicos estão construindo o seu próprio destino como velhos, e também o destino dos seus filhos e netos: os velhos de amanhã. Ou seja, muitas dessas pessoas não se enxergam como velhos. A velhice é associada à imobilidade, à doença, à incapacidade, à inutilidade. Por isso ninguém se reconhece como velho, nem os próprios velhos.”

*Com informações de Luis Barrucho, da BBC News Brasil

Veja mais em https://www.bbc.com/portuguese/brasil-52425735

Das coisas que aprendi nos discos…

  * Aurora Miranda Leão

Belchior: No presente a mente, o corpo é diferente E o ...

Cearense Querido
Criador Universal
Poeta
Das grandes Palavras
Artista Intemporal
Agiganta-se tua falta,
Conterrâneo
Nestes tempos
Em que tudo
É incerteza, medo, insegurança
Dias em que nossa
Alucinação
Perdeu qualquer
Parâmetro
E nosso delírio
É a inconsistência
Das coisas reais…

Não somos mais os mesmos
Nunca mais seremos
Mas talvez cantar agora
Como nossos pais
Ainda seja
A velha roupa
Colorida
Que tanto queremos
Assim como nossa
Eterna rede branca
Com o charme brasileiro
De alguém sorrindo a cismar

Hoje o perigo não está
Mais só na esquina
E na divina comédia humana
O braço, o lábio e a voz
Já não podem beijar nas ruas…

Belchior, esse desconhecido, hoje 'teria a mesma angústia que nós ...

Belchior: legado do compositor atravessa gerações e se consagra como eterno…

Sim, viver é melhor que sonhar
E o maior sonho se tornou
VIVER !

Carpinejar: “Somos o que ficamos depois de sofrer”

Carpinejar questiona a supervalorização do celular nos ...

Poeta Carpinejar faz lives na quarentena e vai prosear com o #auroradecinema nesta quarta, 15 de abril…

 

Gostei do que ele escreve desde as primeiras frases que li. Era tão bonito e diferente, que fui procurar saber do autor. Fui encontrando outros textos, e descobri matérias de jornais e sites. E fui procurar outros textos, e encontrei, e gostei mais ainda. Até que cheguei às entrevistas, e um dia lá estava ele na tevê, no saudoso programa do qual a gente lembra com saudade porque não ia pra cama sem ele. Jô Soares entrevistou por mais de uma vez o poeta gaúcho de Caxias do Sul, filho do escritor Carlos Nejar (sobre quem meu pai costumava falar) e foi sempre ótimo: a poesia se derramava em respostas ágeis, inteligentes, espontâneas e sempre de mãos dadas com a transgressão. Seria impossível não empatizar.

Fabrício Carpinejar: o olhar de despedida é o mais bonito: o ...

Desde aquele 2000, nunca mais deixei de ler CARPINEJAR. E ele escreve coisas novas todos os dias. Adoráveis. Leio as novas, e revisito as antigas, cotidianamente. Nas manhãs de quarta, é possível ver o poeta no programa de Fátima Bernardes. Mas sua grandeza e eloquência são muito anteriores à presença na TV: ao contrário, a tevê é que o chamou para enriquecer suas manhãs.

Fabrício Carpinejar é um esteta da emoção. Impressiona-me sua capacidade de dizer tão bem sobre temas tão diversos e trazer sempre um frescor em sua poética tão singular. Interrogo-me sobre como é possível dizer e escrever com tanta maestria, e procuro, em vão, uma palavra capaz de traduzir a riqueza imagética, sensorial e emocional que habita suas crônicas diárias.

Fabrício Carpinejar: "Como eu amo quem se importa em amar, apesar ...

Difícil não sintonizar Carpinejar. O poeta gaúcho parece dotado de infinita capacidade de transformar tudo que escreve em metal precioso. Não raras vezes, arrepio ou choro lendo texto dele. Não canso de repetir isso, nem de ler o poeta, tampouco de aplaudir o que faz.

Os que o acompanham sabem, e são milhares: Carpinejar foi criança vista com limitado coeficente de atenção, sem condição de ser alfabetizado e frequentar uma escola. À mãe dele, recomendaram colocá-lo para estudar numa escola especializada em pessoas desprovidas de capacidade. Sim, aos 8 anos, o poeta foi “diagnosticado” com deficiência motora grave, incapaz de ter desenvolvimento motor sadio, normal, em contato com outras crianças.

Pois foi graças à sabedoria, dedicação e suprema ousadia e lucidez da poetisa Maria Carpi que a criança “descapacitada” transformou-se neste que é hoje o Mais Aplaudido Poeta Brasileiro Vivo, notável expressão da poesia nacional, com mais de 40 livros publicados, os maiores prêmios literários do país, programas de rádio, e milhares de seguidores em diversas redes sociais. Carpi já chegou ao teatro, divide parceira musical com a dupla Kleiton e Kledir, e faz semanalmente um consultório sentimental chamado “Procon do Amor”, no qual há espaço para desabafos e confissões de apaixonad@s, sobretudo do sexo masculino. É o poeta, mais uma vez, trilhando a contramão da normalidade e reafirmando o poder da transgressão e da livre profusão de caminhos.

Foi ela, a ousada e aguerrida Maria Carpi, sua mãe, que resolveu ensinar as letras que a escola não o julgava capaz de aprender: Maria assumiu a árdua e doce tarefa de alfabetizar o filho e conduzi-lo pelos caminhos das letras. Foi inventando versos, rascunhando tarefas – em dimensões que só o amor alcança, e lapidando modos para ensinar as letras que a escola formal não o julgava capaz de aprender -, que a mãe deu força, luz, fé, garra e confiança ao filho para chegar onde chegou. E o Poeta sabe bem disso. É de uma gratidão linda, comovente, profunda e constante à mãe. Como cabe ao tamanho de Poeta e Homem Iluminado que é Carpinejar.

Enquanto a escola da infância o taxava de ‘incapaz de estudar junto às crianças normais”, “incapaz de aprender como os outros”, “incapaz de ser alfabetizado com as mesmas regras das crianças normais”, o amor de mãe prosseguiu lhe ofertando amor, respeito, inteligência e dedicação, e assim foi lapidando o vigor intelectual e o redemoinho de emoções que o poeta espraia pela profícua obra que chegou ao público em 1998 com o primeiro livro, “Um terno de pássaros ao sul”.

25 melhores imagens de Carpinejar | Carpinejar frases, Pensamentos ...

Carpinejar acaba de disponibilizar na internet o audiobook de seu penúltimo mais recente livro (“Família é tudo” é o mais recente), “Cuide dos pais antes que seja tarde”, mais um best-seller da carreira, com mais de 40 mil cópias vendidas. Para fazer o download, basta acessar o site da Auti Books: queroacessar/autibookscom/vamosajudar e utilizar o cupom de desconto integral. A obra traz pequenas reflexões, sem títulos e sem divisão em capítulos, sobre o envelhecer em família: “É uma canção de ninar aos pais, um pedido de desculpas de um filho adulto tentando ser o filho possível”, diz o poeta.

Sobre o livro, diz ainda o poeta: “É a maturação do meu processo de ser um bom filho, porque tinha percebido que não estava sendo, que odiava meus pais, que não os conhecia e que eles eram estranhos íntimos. Os filhos acabam realizando uma omissão de socorro. Por outro lado, os pais não têm medo da morte, mas sim, da solidão. Querem ouvir do filho ‘estou aqui, pai, estou aqui, mãe’. Só não querem ir para o outro lado sem segurar a mão do filho”.

 

Carpinejar acredita que há uma recuperação desse mundo paterno e materno em que nem todos se enxergam e conta como nasceu a ideia do livro: “Só nos damos conta quando perdemos. Quando fui levar meu pai ao médico, ao preencher o prontuário percebi que não sabia nada dele. Se tinha alergia a alguma medicação, se tinha feito alguma cirurgia, quais remédios tomava, o tipo sanguíneo”. A partir daquele dia, percebeu que era filho mas não amigo do pai: “Ele me sabia de cor, mas eu não sabia ele de cor. Passamos a metade da vida fugindo deles e a outra procurando-os. Os pais não querem muito. Não querem nada nababesco, faraônico, querem que os filhos cheguem à casa deles de surpresa.”
Carpinejar destaca como gestos simbólicos, como um café da tarde com os pais, são importantes:
“Não nos damos conta do tempo que a gente pode devolver, só do que a gente quer consumir. Não temos a gratidão, e isso é o que mais falta hoje. Quem tem gratidão perdoa com mais facilidade. O único jeito de curar lembranças tristes não é ficando longe, é continuando a conviver, criando lembranças felizes”.

Ele, o Poeta, que encanta e atua em várias áreas, brilhante em todas elas – seja como jornalista, radialista, apresentador de TV, cronista televisivo, conselheiro sentimental, palestrante, poeta e escritor, merecedor de vários prêmios, no país e no exterior, aplaudido onde quer que vá -, anda fazendo lives nesta quarentena. Como não podia deixar de ser: nada mais semelhante a Carpi do que abrir trilhas para o contato com o leitor/seguidor, e sua imensa capacidade de renovação.

Pois quem participará de uma LIVE com o Poeta nesta quarta, 15 de abril, é esta que vos fala: foi com muita emoção que recebemos o convite do próprio poeta na semana passada. E de lá pra cá, estamos a reler Carpi e a nos mobilizar para recomeçar uma conversa com o poeta, ainda que virtual, mesmo que cada um na sua casa. Tudo bem: o tempo exige, a quarentena dita e nós fazemos nossa parte. Mesmo porquê, próximo ou distante, eu e Carpi estamos e estaremos sempre próximos em sentimento, emoção e palavras e empatia.

Carpinejar | Aurora de Cinema Blog

Poeta Carpinejar e jornalista Aurora Miranda Leão vão se encontrar em Live nesta quarta, 15 de abril, às 20h, pela rede social Instagram…

 

A você, amigo leitor, convidamos para conferir a LIVE Eu e Meu Leitor com o poeta Carpinejar conversando com a jornalista Aurora Miranda Leão: é nesta quarta, 15 de abril, às 20h, na conta dele do Instagram ou na nossa @auroradecinema.

Até lá !

LIVES Culturais em tempo de Quarentena

“O que está em jogo neste momento é nossa capacidade de integrar”, afirma o escritor e jornalista Valmir Moratelli

Valmir Moratelli - AdoroCinema

Valmir Moratelli: papos culturais em tempo de quarentena

Ficar em casa tem sido a grande ocupação mundial. Em tempos de angústia e ansiedade pela incerteza de dias melhores, estamos todos em casa. Os que podemos. Há uma imensa legião de profissionais, cujo trabalho é primordial, que ocupam ruas, hospitais, mercadinhos, farmácias e supermercados, redações de jornalismo, postos de saúde e outros mais, que precisam estar fora de suas casas, trabalhando em prol da coletividade. Para estes, nosso aplauso, nossa gratidão infinita e nossas orações permanentes.

Sendo imperioso ficar em casa visando uma menor e mais lenta propagação do inimigo invisível, estamos todos apredendo a viver sozinhos, distante de quem amamos, dos que queremos abraçar, das conversas jogadas fora, dos encontros marcados, do contato com o outro que oxigena a vida.

Neste abrupto intervalo que nos foi imposto pela sombria chegada de uma doença paralisante e aterradora, o jornalismo reafirma sua magnitude e importância: o mundo precisa sim, cada vez mais, de uma imprensa livre, investigativa, profissional, opinativa, atenta aos fatos do mundo e no interesse da coletividade e preservação da espécie. Talvez nunca, em nenhum outro tempo, foi tão crucial o trabalho do jornalista.

Em meio a essa seara de perplexidade que se apossou do mundo, uma ferramenta tecnológica ganhou outra significação, passando de possibilidade a necessidade de reafirmação da troca afetiva. Elas atendem pelo nome de LIVES, e se há algum tempo já são usadas para conversa entre amigos, trocas de informações profissionais e coisas afim, agora elas viraram as grandes aliada das solidões diurnas, noturnas, confinadas nos isolamentos forçados, mas necessários, de cada um.

Lançamento do livro “Diálogos para Santos Cegos” – Tips Star News

Contos na era fake news: ficção de Moratelli é dos belos lançamentos literários de 2019.

Algumas redes sociais disponibilizam a troca de conversa via Lives, e uma das que mais tem ganhado espaço é a do Instagram. Trata-se de uma ferramenta oferecida gratuitamente para quem tem a conta na rede social (aplicativo pode ser baixado gratuitamente na web) e que é bem fácil de ser usada.

brasilqueorgulha Instagram posts - Gramho.com

Valmir Moratelli é um estudioso de telenovelas e tem livro importante sobre o tema.

Quem optou por fazer lives com constância agora foi o colega jornalista, Valmir Moratelli. Em geral, Valmir faz lives noturnas. Aí pergunto como nasceu a ideia de fazê-las, ao que ele responde: “Eu tive essa ideia quando surgiu esta realidade do isolamento social, aí comecei a pensar na questão da mobilidade dentro de casa. Já tinha experiência com lives, profissionalmente, em várias ocasiões em que o deslocamento não é possível ou demanda mais tempo. Sempre fui um entusiasta das mídias digitais no sentido de achar que elas também podem trazer coisas positivas. Imagina uma situação dessa que estamos atravessando, se não tivéssemos as redes sociais. Seria complicadíssimo ficar sem ver as pessoas, sem ter com quem conversar ou trocar ideias”.

Como Valmir é também escritor, poeta, contista, estudioso de carnaval e teledramaturgia, além de cineasta, suas lives tem um atrativo especial: são muito instigantes e quem participa tem logo vontade de interagir. Porque Moratelli é muito bem articulado e fala com simplicidade, propriedade, simpatia e carisma. E o melhor: são lives com vários temas diferentes e que tem rendido ótima sintonia com o público.

As lives de Valmir Moratelli tem acontecido desde a semana passada, mais precisamente desde 23 de março, e já foram abordados assuntos como telenovela, carnaval, livros e literatura, astrologia, vilãs de telenovelas, e outras já estão agendadas.

A receptividade tem sido tão boa que Valmir já pensa em convidar atrizes e atores para participar e mostrar pro público um novo modo de fazer arte: a versão quarentena, um modo light, espontâneo, leve, em que o que vale é ter certeza de que cada um está disposto a dar sua parcela de contribuição para aclarar estes dias tão aflitivos.

Valmir Moratelli destaca fake news em contos instigantes | Aurora ...

Valmir Moratelli vê nas lives um respiro no isolamento social.

Moratelli, que é também doutorando em Comunicação pela PUC-RJ, diz que as lives são “momentos de lazer para poder bater um papo abertamente com outras pessoas, dando pitaco, sugerindo ideias, é uma ferramenta de interação. Num momento desses tão complicado, por que não usar essa ferramenta ? Ela funciona como uma mesa de bar sem estar num bar”. E arremata: “A importância maior das lives é porque temos acesso a uma ferramenta tecnológica que nos aproxima, neste momento tão difícil em que todos somos obrigados a ficar distante dos amigos e da convivência social.”

Em tempos de distanciamento e isolamento do outro, vale lembrar que cada um pode, e deve, contribuir para levar leveza, afeto, informação, de forma altruísta e descontraída, na certeza de que, numa live, o que mais conta é o sentir-se parte de um todo, de uma comunidade que se encontra para partilhar emoções e ideias. É saber-se acolhido pelo ouvir e o olhar do outro, um outro que tantas vezes não sabemos quem é, mas sabemos que ali está para diminuir seu isolamento, mitigar a falta de interlocuções, trocar impressões, compartilhar sentimentos e distribuir conhecimento e esperança.

E para Valmir Moratelli, elas devem render bons frutos:

“Acredito que a live veio para ficar como ferramenta de integração, mais do que interação, é integração. Nós estamos nos integrando no papo do outro, na cabeça do outro, no linguajar, na forma como o outro tem de se comunicar. É muito importante isso num momento em que temos falhas de comunicação muito graves em outras esferas. Então, nós como comunicadores, como pesquisadores da área de Comunicação, das Ciências Sociais, da área de Humanas, nós temos que nos utilizar dessas ferramentas para poder abranger ainda mais o alcance de integração. Porque senão vamos ficar cada vez mais isolados, cada vez mais individualizados. A sociedade já vinha nesse processo de individualização, cada um olhando pro seu próprio umbigo. E aí acontece uma pandemia dessa, com uma quarentena que todo mundo tem de ficar em casa, e pegou todo mundo de supetão. Então, o que está em jogo neste momento é a nossa capacidade de integrar”.

Telenovela vira assunto de debate disputado na FLIP

Livro sobre telenovelas teve concorrido lançamento na FLIP: Valmir Moratelli com Mauro Alencar, Dandara Mariano e Ana Paula Gonçalves (Paraty, julho 2019).