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Quando a programação televisiva é boa,
Nós Aplaudimos

Conversa com Bial: pra ficar tudo jóia rara…

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Jornalismo, Entretenimento, Atualidade e Memória no Conversa com Bial    

                                                                                                     *Aurora Miranda Leão

         Desde dois de maio, os madrugadores contam com nova opção na TV: Conversa com Bial é o talk show que o jornalista Pedro Bial comanda a partir das 24h. O programa assumiu o lugar até então ocupado pelo programa de Jô Soares, que ficou 20 anos no ar com o programa de entrevistas mais famoso da TV brasileira.

       Conversa com Bial estreou numa terça-feira, tendo a ministra Carmen Lúcia (presidente do Supremo Tribunal Federal) e a atriz Fernanda Torres como convidadas. O programa começou um tanto “engessado” porque os primeiros números foram gravados antecipadamente, mas desde que isso mudou – com gravações mais próximas do dia em que vai ao ar -, o programa mostra-se cada vez mais interessante. A fórmula é simples e bem conhecida:  junta boa conversa, assuntos interessantes, convidados que já possuem alguma sintonia com o público, pouca música, tempo para exposição dos assuntos e espaço para diálogos entre os convidados.

           Isso nos parece ser um dos motivos pelos quais o Conversa com Bial vem ganhando a adesão do público: se antes muita gente queixava-se de que Jô Soares não deixava o entrevistado falar, hoje as pessoas sabem que, se ligarem a TV para ver o programa do Bial, vão ter a oportunidade de ouvir mesmo os convidados.

        O jornalista-apresentador-cineasta, que passou mais de uma década no comando do BBB, tem-se esmerado em deixar que o outro fale mais que ele próprio. Isso faz com que o telespectador saiba que vai ouvir um convidado a contar de seus planos, idéias, ações e atualidades. Outro diferencial deste talk show é a presença de pessoas que estão muito em evidência nas redes sociais, ou ainda pessoas que vem falar de assuntos quase inéditos, como um show que está para estrear, um livro que acaba de sair ou um filme que está às vésperas da estréia, por exemplo.

    Por outro lado, se o programa mantém uma banda em seu auditório – qual o famoso sexteto do Jô, que acabou virando quarteto -, por outro lado incluiu o que nos parece ser o grande diferencial que o diferencia e eleva o nível das edições: a inclusão de pequenos vídeos históricos, os quais referendam a conversa em evidência, atualizam o contexto e trazem um apelo à memória forte, bonito, singular. Isso eleva sobremodo o nível do programa e faz com que a entrevista realmente traga dados novos ao assunto abordado. Foi o caso, por exemplo, do programa em que Guimarães Rosa foi o epicentro e imagens preciosas do escritor na Alemanha, e outras com depoimento de sua viúva, deram à Conversa um quê de ineditismo digno de aplausos. Assim como nesse exemplo, poderíamos citar diversos outros em que isso se observou, como o programa da semana passada, que mostrou imagens muito antigas da atriz Elisangela no início da carreira e até sua fase cantora. Esse viés documental, que traz preciosas imagens de arquivo, por certo está alicerçado na presença de importantes jornalistas ligados ao cinema na redação do programa. É o caso de Renato Terra e Ricardo Calil, autores do belo e importante Uma noite em 67 sobre o histórico festival de música da Record.

         Mas se o Conversa com Bial tem isso de ganho, a um desfalque importante em relação ao programa do Jô: a ausência do prolífico debate que Jô Soares comandava às quartas-feiras quando abria generoso espaço para a participação feminina e reunia um time de mulheres jornalistas (diferente a cada quarta) para comentar assuntos da área política. Destacar a participação feminina no espaço do pensamento político era realmente um auspicioso dado novo, evidenciador de uma decisão editorial relevante, e muito adequado a este momento em que se faz tão necessário dar vez, voz e destaque à presença feminina nas mais diferenças esferas, ajudando a quebrar paradigmas que tanto contribuíram para desmerecer a mulher e dar a elas um lugar sempre à margem da história.

         Assim, acreditamos que o Conversa com Bial entra para o anuário da TV como uma das boas estréia do ano: um programa leve, recheado com boa música, conteúdo pertinente, e informações inéditas até então, o que reforça no imaginário geral o convite de seu antecessor para que o público vá para a cama mais tarde. Ou então, corre-se o risco de ficar sabendo, apenas no dia seguinte, que você perdeu Caetano Veloso tocando e cantando com os três filhos, pela primeira vez na telinha, em momento singular, com revelações incríveis e cenas do arquivo pessoal do artista, anunciando, em primeira mão, o show que estrearia alguns dias depois em São Paulo e no Rio.

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Juliana Paes e Elisangela esbanjaram simpatia e carisma no Conversa com Bial…

Enfim, são em média 40 minutos de programa diário, no qual se acompanha um bate papo interessante com convidados dispostos a contar de si e com visível interesse para trocar idéias, que muitas vezes tempo da atração parece pequeno demais para o que se tem a verouvir.

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Bial recebeu Jô Soares numa bela homenagem ao emérito Artista Brasileiro de mil talentos… #aplausoblogauroradecinema 😉

Raimundo Rodriguez imprime sua arte em série gravada no Pantanal

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Raimundo Rodriguez: em qualquer tempo, a criação de universos mágicos com matriz na cultura popular

Chama O Pantanal e Outros Bichos a série que deve ser exibida ano que vem pela rede de TV pública do Brasil, que tem direção de Amauri Tangará, e foi rodada no Pantanal. 

Com recursos do Fundo Setorial do Audiovisual (FSA/BRDE /ANCINE), a série terá 26 capítulos e tem como público-alvo crianças e adolescentes. O enredo fala de tecnologia e meio-ambiente. Tudo começa na fazenda de um  casal que vive no Pantanal. Os avós recebem  com alegria a visita dos netos mas quando percebem que as crianças só querem saber de tecnologia (o dia todo com o celular), eles decidem levá-los para conhecer o mundo mágico do Pantanal. É aí que aparecem os diversos personagens mitológicos da região, como o Pé de Garrafa, a Mãe do Morro e a Porca dos sete leitões.

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O Pantanal e outros bichos é uma realização da produtora Cia D’Artes Brasil e o elenco conta com 90% de atores mato-grossenses. Tati Mendes, produtora-geral da série, conta que 8 companhias de teatro da região foram convidadas a participar, dentre elas o Grupo Tibanaré, a Cia Faces de Teatro (de Primavera do Leste) e o In-Próprio Coletivo:

Além de contemplar os artistas locais, a produção da série também fez questão de chamar artistas nacionais conhecidos, como é do ator Roberto Bonfim, que tem mais de 50 novelas no currículo, dezenas de peças teatrais e 44 longas-metragens, vai interpretar o avô em O Pantanal e Outros Bichos. Outro convidado de fora da região era o cineasta Geraldo Moraes, que faleceu há poucos meses.

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Roberto Bonfim tem papel de destaque em série sobre o Pantanal…

“Eu faço o avô, o velho fazendeiro. Ele é um pantaneiro, na verdade ele não é do Pantanal, ele é do Rio de Janeiro, mas casou com uma pantaneira, comprou uma fazenda e passou a ser um fazendeiro da região. A história gira em torno desses netos, que são informatizados, vidrados no celular, e que vem visitar o avô e começam a largar a tecnologia visitando esse mundo fantástico”, diz Bonfim. “Fiquei maravilhado exatamente por isso. Eu já fui folclorista, mas este mundo da fantasia, esses entes, essas entidades fantasiosas do Pantanal, eu não conhecia. Eu conheço do nordeste, conheço do Sul… mas a ‘Mãe do Morro’, o ‘Pé de Garrafa’, são personagens que eu não conhecia. Quando eu comecei a ler, eu falei “mas como é que eu não conhecia?” Então me entusiasma nesse sentido. Primeiro porque revela este mundo magnífico do Pantanal, um outro mundo. Você imagina, eu fui folclorista e não conhecia, imagina o resto do Brasil?!”

Mas o grande trunfo dessa produção televisiva é contar com a presença do artista plástico Raimundo Rodriguez, o que por si só já é indício de que vem por aí uma obra com requintes de alta qualificação cenográfica, visual e imagética.

Raimundo Rodriguez é um artista com singularidades de poeta popular. Ama o que faz e parece despetalar sua alma em mil pedacinhos quando assume um trabalho. A rotina do artista vira de cabeça para baixo: ele mergulha de tal modo no universo a ser criado que seu cotidiano passa a ser o do mundo que ele vai representar com sua criatividade ancestral. Seja imaginando o figural dos personagens ou desenhando mentalmente a ambiência ao qual vai dar vida, cor e sentido, Raimundo Rodriguez é um artista em quem a arte coabita, indissociável, com sua personalidade.

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Raimundo Rodriguez e Luiz Fernando Carvalho: quem ganha é a Dramaturgia !

Ciente disso é que o diretor/cineasta Luiz Fernando Carvalho o convidou para criar a ambiência cênica da minissérie Hoje é Dia de Maria, e nunca mais perdeu Raimundo de vista. Juntos, criaram obras memoráveis como A Pedra do Reino, Capitu, Meu Pedacinho de Chão, e Velho Chico, e já sabemos que vem mais por aí. A parceria de Carvalho e Rodriguez é um marco decisivo na teledramaturgia brasileira.

Pois bem: qualquer espectador esperto percebe isso, e os que militam na área do audiovisual tem sobejas razões para querer a assinatura de Raimundo Rodriguez em suas produções. Portanto, se RR está na criação estética de O Pantanal e Outros Bichos, a série televisiva tem meio caminho andado para agradar.

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A marca de Raimundo Rodriguez é o trabalho com reciclagem. E é por esse viés que o artista assina a cenografia, os figurinos e a direção de arte de O Pantanal e Outros Bichos. Entusiasmado, ele conta: “Achei maravilhoso o projeto, principalmente porque eu só aceito trabalhar com pessoas que se identificam com meu trabalho. Porque, na verdade, o que eu faço é continuar o meu trabalho como artista plástico, eu não preciso mudar a minha forma de linguagem. O que eu faço é adequar essas peças, o que eu crio para a dramaturgia exigida”, conta. “A minha identidade vai aparecer muito mais no mundo mágico, porque eu uso muita lata. O cavalo é de lata, a sereia é de lata, de caixas de leite na parte metálica, tudo eu remeto a lata, é uma linguagem que é reconhecida dentro do meu trabalho”.

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Hoje é dia de Maria: obra que celebra a parceria Luiz Fernando Carvalho e Raimundo Rodriguez

Para Raimundo Rodriguez – esse cearense notável que tivemos a honra de conhecer através da telenovela Meu Pedacinho de Chão (obra-prima de Benedito Ruy Barbosa e Luiz Fernando Carvalho), o importante não é usar a reciclagem pela reciclagem, mas sim valorizar a energia dos produtos: “Eu falo sempre que a reciclagem é um princípio humano. Desde que o homem é homem ele recicla. Quando ele transforma uma pedra em uma ponta de lança, ele já reciclou. Eu acho que é uma questão de sobrevivência. Eu gosto da questão dos materiais. Pra mim, se é material, eu uso como matéria-prima. O que eu gosto é de ter a energia das coisas usadas. Se aquilo foi usado por alguém, utilizado pra construir uma casa, pra cavar um buraco, pra erguer outra coisa, que seja o que for, e aquilo não tem mais aquela função, eu gosto de transformar e dar uma nova vida a elas”.

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O fabuloso cenário de latas criado por Raimundo Rodriguez para abrigar a narrativa da telenovela Meu Pedacinho de Chão

Mitos do Pantanal

Amauri Tangará, diretor da série, tem mais de vinte e cinco anos de experiência, diversos longas e curtas no currículo, além de uma extensa estrada no meio teatral. Mas esta é a primeira vez que trabalha com televisão:

Você fazer uma série de 26 capítulos, onde você tem que ter uma preocupação muito grande com o fio condutor da historia, de prender o espectador, criar situações para que ele queira continuar vendo esses capítulos, tudo isso é uma estreia pra mim. Eu cheguei a fazer até uma série no Araguaia de cinco capítulos, mas como era uma série documental, era diferente, cada capítulo era temático, então não tinha problema nenhum. Mas essa não, essa é uma história só”, afirma. “O trabalho então corresponde a quatro longas-metragens ! São quatro longas-metragens numa história só, então é um tremendo desafio”.

Segundo o diretor, outro desafio foi colocar o Pantanal como pano de fundo da história, e inserir os mitos no roteiro: “E depois também a forma como nós encontramos de poder misturar o real e o irreal, a fantasia e a realidade, que se cruzam, que estão juntos. Então isso tudo ajuda você a desenvolver um tema, te dá mais facilidade, porque como você mistura as duas coisas, você não sabe mais que momento está com o real e o irreal. Foi muito legal transitar por esses dois lados, recuperar alguns mitos que são daqui”.

O diretor Amauri Tangará junto ao cavalo de lata criado por Raimundo Rodriguez. (Foto: Olhar Conceito)

A ideia inicial da história partiu de Luck P. Mamute, escritor e filho de Amauri. Tudo começou há cerca de dois anos: “Quando o Amauri chegou pra mim e falou ‘vamos fazer uma série pra crianças, com uma temática diferente’, eu olhei pro lado e vi minha filha e minhas três sobrinhas com o celular na cara, e a gente na Chapada dos Guimarães. Então pensei, alguma coisa está errada, vamos pegar essa molecada e colocar num universo com essa tecnologia, mas que eles tenham outras possibilidades. E foi mais ou menos daí que nasceu O Pantanal e outros bichos, pra molecada sair da frente do celular e ver tudo o que a gente tem no mundo. E o que está dentro da série, nada mais é do que possibilidades, porque eu duvido alguém falar que não existe”.

As gravações da série terminaram em setembro e a ideia é que o produto esteja pronto em janeiro ou fevereiro: “Nos primeiros seis meses depois de pronta, ela vai ficar à disposição de todas as TVs públicas do Brasil, que são 180 canais. Seria uma forma de pagamento do dinheiro que a gente pegou emprestado. Porque as pessoas acham que este é um dinheiro público, mas não é. Esse é um dinheiro de um fundo que a gente vai ter que devolver. A gente pega esse dinheiro, faz o filme, depois vai ter que devolver para que continuem gerando outros projetos. Esses primeiros seis meses, serão como se a gente estivesse pagando juros disso. Depois vai ficar à disposição pra gente vender para qualquer canal que quiser”, explica Amaury Tangará.

Os produtores da série também estudam a produção de um longa-metragem, um livro de receitas pantaneiras do ‘Tio Berê’ e outras temporadas da série: ‘O Cerrado e Outros Bichos’, ‘A Floresta e Outros Bichos’ e ‘A Cidade e Outros Bichos’.

Parte da equipe envolvida com a série para TV pública sobre o Pantanal, vendo-se a direita o ator Roberto Bonfim (sentado) e o artista plástico Raimundo Rodriguez.

Dja Marthins e José Araújo: artistas do teatro e da TV que a gente adora !

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Duas figuraças super Queridas: os atores José Araújo e Dja Marthins !

Encontrar com gente que acredita e defende as mesmas coisas é sempre oxigenante ! Por isso, ffoi um presente divino encontrar ja Marthins e José Araújo numa tarde de primavera na lendária Copacabana.

Dja e Zé são artistas de nossa maior estima. Tenho por eles uma Admiração imensa, nascida de minha saudável mania de gostar de histórias. Por isso, a teledramaturgia me acompanha desde criança. E quando os vi atuando com maestria em televisão, interpretando personagens que eles tornaram marcantes, foi aquele arrastão na minha sensibilidade ! De pronto, fui logo tentar descobrir quem eram os dois intérpretes que pegaram uma trama já quase no meio e pareciam integrados à narrativa desde sua gênese. Predicado que só acontece com os vocacionados.

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Dja Marthins, José Araújo e Nathália Dhil em cena da novela Jóia Rara

Dja e Zé faziam um bondoso casal que acolhia a personagem de Nathália Dill na pequena obra-prima chamada Jóia Rara, das queridas autoras Duca Rachid e Thelma Guedes – novela em que Mel Maia foi a protagonista e brilho com todo o esplendor de seu talento ímpar !

A web nos possibilitou a aproximação com Dja e José Araújo. Mas nós já antevíamos que nossa sintonia tinha raízes mais fortes.

Zé e Dja 1 edit

Queridos de muito tempo, eu, Zé e Dja já havíamos combinado encontros mas só naquela sexta, 13 de outubro, isso foi possível. Em nosso feliz encontro, descobrimos até que já nos conhecíamos: eu na plateia deles – em teatros diferentes e com espetáculos grandiosos como Negócios de Estado (direção do saudoso Flávio Rangel) e Praça Onze (belíssimo musical dirigido com a competência de Ernesto Piccolo), e eles, nos palcos, lapidando o talento que conquistou minha emoção através da telinha. 

Zé e Dja 2 - edit

Queridos José Araújo e Dja Marthins: 

Que Maravilhaaa conhecer Vocês, ao vivo e a cores !

Nós edit

 Jornalista Aurora Miranda Leão, José Araújo e Dja Marthins em encontro no Rio…

OBRIGADA pelo carinho, a generosidade, o encontro, a confiança !
Encontrá-los foi um Presente do mais alto Quilate ! 
Um beijo afetuoso e um enorme abraço com meu Aplauso e minha Admiração.

Eu Dja e Zé em Copa edit

Aurora Miranda Leão com o ator/cantor José Araujo e a atriz Dja Marthins: amizade nascida via televisão…

Que Deus nos abençoe e nos faça encontrar muitas e muitas outras vezes para brindar esta velha nova Amizade !

* Atualmente, Dja Marthins integra o elenco do espetáculo Favela, uma comédia musical (direção de Márcio Vieira e texto de Rômulo Rodrigues ) há 5 anos em cartaz no Rio e cidades vizinhas, e José Araújo está em processo de seleção de repertório para show musical que fará no início do próximo ano em Portugal.

Favela com Dja

Dja Marthins integra o super popular musical FAVELA

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José Araújo, que gravou composição de Chico Buarque em seu ótimo CD Duas Ilhas...

 

Latorraca, Milton Nascimento, Wilker e Caetano vão às ruas por Diretas Já !

Os Dias eram assim irrompe em grito de liberdade com denúncias fortíssimas contra o binômio opressão-corrupção

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Sophie Charlotte: Alice num país que não tem nada de Maravilha…

                 Ela é bela e jovem, filha de um grande empresário e mora na zona sul carioca. Transgressora, Alice foi criada sob o tacão da repressão paterna ao tempo em que as agruras da ditadura davam as cartas. Apaixona-se por um jovem médico idealista. Paixão correspondida, a garota vive lindos momentos de descoberta ao lado de Renato, filho mais velho de uma família de classe média. Os pais querem a filha casada com um jovem ‘almofadinha’, que se finge de grande apaixonado por ela, mas apenas almeja tornar-se herdeiro da grande fortuna do sogro. Sem conseguir demover Alice da ideia de abandonar o romance com o médico, que passa a ser perseguido pela polícia por conta do irmão (visto como subversivo), o pai de Alice arma um plano aviltante – com o futuro genro e o delegado mais próximo -, e consegue interromper o vinculo afetivo entre Alice e Renato.

Para Alice, a história oficial diz que o noivo morreu. Até enterro fictício foi feito e a garota passou anos a chorar a morte do grande amor. Por sua vez, Renato, que saiu do país e viveu anos exilado no Chile, guarda o triste rompimento como um trauma gigantesco, nunca totalmente superado. Um não sabe que narrativa foi contada ao outro.

O fato é que, quase 10 anos depois, já no início dos anos 80, ambos estão no Brasil, e são dois corações com uma profunda chaga causada pelo regime ditatorial que manchou a história política brasileira. Renato quer reencontrar Alice para tentar entender porque ela nunca foi ao encontro dele no Chile, conforme havia sido combinado. Alice retorna ao país para enterrar o pai, e, na sequência, volta novamente após brigar com o marido (que a trai descaradamente, é violento, repressor, grosseiro e machista), de quem quer a separação oficial. Mas ela tem 2 filhos de Victor e tem medo que ele consiga a guarda das crianças na Justiça – naquela época, mulher separada ainda era um anátema para as famílias tradicionais. O primogênito é filho de Renato: Victor sabe disso e assim o menino, para ele, é sempre um renovar da certeza de que o grande amor de Alice nunca foi ele.

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Em linhas gerais, é essa a trama de amor de Os Dias Eram Assim, a supersérie que a TV Globo exibe no horário das 22:30h, e que é um notório marco divisor na história da Teledramaturgia Brasileira. A outra trama, a correr em paralelo à história de amor – pois assim se organizam as narrativas teleaudiovisuais desde sempre – é a ditadura que imperou no Brasil, tematizada aqui a partir do ano de 1970.

Já escrevemos outras vezes aqui no #blogauroradecinema sobre o imenso potencial dramático de #osdiaseramassim e sua importância singular para a história da nossa Teledramaturgia, que se reveste de uma relevância ainda maior se a entendemos inserida no conturbado contexto histórico que o Brasil atravessa agora.

Por conta de tudo isso, esperamos que você, leitor amigo do #blogauroradecinema, esteja acompanhando a antológica série da TV Globo. Caso ainda não o esteja fazendo, sugerimos que veja os capítulos já exibidos na telinha através do aplicativo #GloboPlay, e não deixe de acompanhar este grito de denúncia e revolta tantos anos calado, que a teledramaturgia agora vem e redimensiona com toda a excelência de um país que produz a melhor Teledramaturgia do mundo.

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Cássia Kiss e Carla Salle: mãe e filha enterram um morto que não existiu…

OS DIAS ERAM ASSIM é um libelo em defesa da LIBERDADE ! Irmão siamês de um clamor que se ouve nas ruas do pais por DIRETAS JÁ, Fora Temer, Xô Corrupção !

Os Dias eram assim soa como o grito que todos os brasileiros de bem carregam no peito hoje, a procurar guarida e ressonância que apontem para uma forma de escapar do lamaçal que assola o país, onde decência, dignidade e ética parecem estar de eternas férias. Somos vítimas de um enredo que se abastece cotidianamente nas malhas da corrupção, desmandos na esfera política, desvio de verbas, obras inacabadas, e aviltamento da cidadania a escorrer noite e dia dos noticiários que proliferam nas redes sociais. Outrossim, explodem vozes em uníssono por todas as praças do país contra a malfadada representação política instalada no centro do poder, e um desejo muito intenso por mudança parece buscar respaldo num porvir que nos aponte algum atalho para se voltar a respirar sem tantos sobressaltos.

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Daniel de Oliveira, Antônio Calloni e Marco Ricca: personagens são parceiros na repressão

A razão de tudo isso tem uma filiação clara e inequívoca com as cenas que a supersérie OS DIAS ERAM ASSIM mostram com riqueza de detalhes e estrondosa competência. Cada capítulo da obra é para ser observado com a maior atenção e, felizmente, o #globoplay está aí para que possamos ver e rever capítulos e cenas para apurar as sensações, reavivar significações e entender melhor o que no Brasil de hoje é herdeiro direto do país de ontem. Entender para saber prospectar e não mais vacilar.

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Ontem como Hoje: o  povo pede DIRETAS JÁ !

Nesse sentido, a TV Globo vai ainda mais fundo ao exibir, no mesmo período, a novela Novo Mundo, atração das 18h (outra obra primorosa com texto de Thereza Falcão e Alessandro Marson, e direção notável de Vinícius Coimbra). Esta tem como foco o Brasil do Primeiro Reinado com toda a sua carga de tristes estigmas: a escravidão, a opressão à mulher, a repressão à imprensa, a perseguição aos índios, e o aviltamento da classe trabalhadora. Portanto, a emissora carioca está com ícones em sua programação que nos mostram o país que éramos e o Brasil que fomos, cardápio ideal para se pensar com mais clareza (acuidade que as imagens nos propiciam com inquestionável força) que país estamos construindo e para onde queremos ir. Se a esse leque propiciado pela teleficção acrescentarmos os telejornais da programação – Bom Dia Brasil, Jornal Hoje, Jornal Nacional e Jornal da Globo –, teremos então diante de nossos olhos e ao dispor de nossa argumentação uma narrativa que se tece em várias tramas paralelas, mas que compõem, todas juntas, um intrincado painel de analogias/simetrias/sincronias aglutinador da vida nacional e com inegável potencial de significado, capaz de tornar mais nítido o estado caótico atual em que está mergulhado o Brasil.

Esse mesmo de que nos fala Caetano Veloso em seus Podres Poderes, que encerrou o capítulo dessa quinta, 14 de junho (feriado de Corpus Christ) de forma arrepiante:

Será que nunca faremos senão confirmar
Na incompetência da América católica
Que sempre precisará de ridículos tiranos?
Será, será que será que será que será,
Será que essa minha estúpida retórica
Terá que soar, terá que se ouvir por mais zil anos?

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Gabriel Leone é o ‘subversivo’ Gustavo, vítima dos horrores de um tempo cruel…

Assistir à supersérie Os Dias eram Assim é bem mais que reiterar nosso gosto pela teleficção audiovisual, e muito além de apreciar uma obra cheia de qualidades, merecedora de muitos Prêmio EMMY. Assistir à Os Dias eram Assim não é apenas incluir mais uma minissérie no seu currículo de telespectador: é um Exercício Cívico que cada brasileiro deve assumir com a consciência de estar se permitindo o direito de conhecer e/ou entender melhor o significado dos anos de repressão que assolaram o Brasil por mais de duas décadas. É conscientizar-se do profundo mal que o estado de exceção causou na formação sócio-cultural do país para entender que todos, juntos, precisamos saber para definir; entender para não mais permitir que se ande para trás; para que nunca seja possível reviver; para que se caminhe na direção de um país livre, de fato e de direito,  não só da barbaridade da ditadura, mas dos desmandos da corrupção, dos desatinos da classe política, dos desvarios dos que se acham melhores – por condição econômica, classe social, etnia ou subjetividade de qualquer matiz -, dos absurdos da violência, da repressão, da covardia, dos preconceitos (de toda ordem), e da omissão injustificada.

Um aplauso muito afetuoso e entusiasta a todos quanto fazem esta obra-prima que é

         OS DIAS ERAM ASSIM !

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Atores de Os Dias mesclam narrativa ficcional e realidade ao sair as ruas por DIRETAS JÁ !

Catanduva perde Salim Muchiba…

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João Elias conquistou o público com seu humor, a partir da Escolinha do Professor Raimundo…

O humorista João Elias nos deixou ontem. Natural da querida cidade de Catanduva (SP), ele estava internado há 90 dias no Hospital Padre Albino, onde teve um acidente vascular cerebral (AVC) durante uma cirurgia vascular de carótidas.  Elias já se recuperava no quarto, quando o quadro de saúde piorou e foi preciso voltar para a Unidade de Tratamento Intensivo (UTI).

A carreira de João Elias começou no rádio, anos 50. Além de humorista, ele também era pintor e escreveu sete livros. Casado há 46 anos, João Elias deixa três filhos e três netos.

O sepultamento de João Elias acontece neste momento no Cemitério Nossa Senhora de Fátima, em Catanduva.

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Reproduzimos a seguir texto do jornalista Felipe Boso Brida, amigo e conterrâneo do artista:

             Faleceu na noite desta sexta-feira, aos 72 anos, o ator e humorista brasileiro João Antônio Elias de Oliveira, mais conhecido como João Elias. famoso por interpretar o personagem de Salim Muchiba na Escolinha do professor Raimundo (de 1991 a 2000), repetindo o personagem na ‘Escolinha do barulho’ e na ‘Escolinha do Gugu’. Radialista, pintor e escritor, Elias faleceu vítima de problemas cardíacos. Era natural de Catanduva, descendente de turcos e árabes, e viveu até o fim da vida na cidade natal. Era casado, pai de dois filhos. Ao lado do falecido amigo e ator Marcos Plonka (o Samuel Blaunstein, da Escolinha) fizeram centenas de shows humorísticos pelo Brasil afora.

Publicou 7 livros de piadas e contos.      

* Texto gentilmente cedido pelo colega Felipe Boso Brida, crítico e professor de Cinema, conterrâneo do humorista João Elias.

 

Os Dias eram assim como Belchior cantou

            *Aurora Miranda Leão

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Gabriel Leone e Renato Goes em Os dias eram assim

Era meados dos anos 70. O capítulo começa com uma panorâmica sobre a orla carioca. Depois, se vê IMPRENSA LIVRE em letras garrafais na vidraça de um prédio, logo em seguida estourada… Um militar aparece dizendo: “Ato público está proibido: não aceitamos passeata nem comício”. A violência invade as ruas do centro do Rio; foco no cineasta Glauber Rocha que diz: “A loucura, meus amigos, a loucura da violência”. Na sequência, mais cenas de violência: policiais montados em cavalos irrompem contra as pessoas na rua, estudantes são vítimas de agressões e bombas estouram; o general Médici passa a faixa para o general Geisel. Era 1974. Na Nigéria, estavam Renato e Rimena em missão solidária. Em Miami, Victor e Alice formam uma família feliz (?) com os filhos num belo apartamento de classe alta. Corte para uma menina negra: olhar carente, com um buquê de flores, ela olha o médico como quem agradece com ternura, e uma tristeza funda assoma naquele rosto tão puro e ainda imune às maldades do mundo.

São pequenos detalhes que vão se unindo num crescendo a formar um conjunto eloquente de significação, captados por uma câmara operada com intensidade latente, reforçada por uma edição primorosa. Imagens históricas, nunca antes exibidas na teleficção, tomam conta da tela em linha simétrica com imagens ficcionais: um general declara que estão proibidas manifestações e protestos populares nas ruas. Glauber Rocha aparece bradando contra a ditadura, imagens da repressão passam em ritmo veloz e o Cálice de Chico e Milton emoldura uma narrativa teledramatúrgica de forte acento político, que tem o período mais duro da vida brasileira como ambiente.

Em meio a lembranças que tanto doem na parede da memória, a narrativa de extrema competência, beleza, pujança, senso estético e sentido de cidadania de OS DIAS ERAM ASSIM é a comprovação mais cabal – guardada nos arquivos históricos da teleficção – do nível de excelência alcançado pela nossa Teledramaturgia ! Que vigor, que potência, que qualidade alcançamos !

Assisto à supersérie e, depois de todas as sensações que ela me provoca, e todas as emoções que ela aviva, sobrevém um enorme orgulho de constatar o nível magistral de qualidade a que chegamos. Sinto-me honrada de ser partícipe deste tempo no qual a Teledramaturgia consagra sua magnitude como testemunho da contemporaneidade, e se inscreve com fundamental importância como portadora de um sentido de pertença e de memória da vida de um país como jamais antes nenhuma outra linguagem brasileira alcançou. Este mérito de guardar, repassar, prospectar, divulgar, reavivar, rememorar, ressignificar a história em som e imagem com a amplidão que a teledramaturgia alcança no país (milhares de locais com acesso à produção audiovisual gratuita), amplificada por conta dos avanços da tecnologia – podendo ser vista por qualquer pessoa, a qualquer hora, em qualquer lugar, de graça -, jamais foi alcançado por nenhum outro meio de comunicação no país. Outrossim, poder assistir a um produto audiovisual de tamanha qualidade, todo criado e executado por profissionais brasileiros, que dão o seu melhor para chegar à telinha com o padrão que chegam, é por demais auspicioso.

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Antônio Calloni, Mariana Lima e Bárbara Reis em Os dias eram assim

E no capítulo da quinta passada, para coroar tudo o que a supersérie já traz de bom e louvável, seus criadores ainda incluíram Belchior e seu emblemático canto menestrel na preciosa trilha sonora de OS DIAS ERAM ASSIM:

Foi quando o jovem Gustavo (Gabriel Leone em atuação soberba), defensor da causa democrática, finalmente deixa a prisão, após 5 anos encarcerado, e a mãe e a irmã vão buscá-lo: quando Gustavo surge na porta da penitenciária, a voz de Belchior avulta…

“Não quero lhe falar meu grande amor/ Das coisas que prendi nos livros/ Quero lhe contar como eu vivi/ E tudo que aconteceu comigo…”

E a emoção vai lá no alto: BELCHIOR era a voz que precisava intervir no contexto narrativo profundo, cívico e profundamente relevante de Os Dias eram Assim.

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“Quero lhe contar como eu vivi, e tudo  que aconteceu comigo…”

Cabe-nos ressaltar que, há alguns dias, havíamos falado aqui no #blogauroradcinema que esta música – COMO NOSSOS PAIS – já merecia há tempos uma olhada séria e bem intencionada da teledramaturgia para lhe dar realce e fazê-la ecoar pelos milhões de lares brasileiros que sintonizam a emissora líder em todos os cantos do país, inclusive naqueles distantes lugares que a gente nem sequer imagina existirem.

Fizemos aqui no #bloauroradecinema uma analogia sobre a tradução poética que as canções Aos Nossos Filhos (o tema de abertura, de Ivan Lins e Victor Martins) e Como nossos Pais (de Belchior, consagrada na voz de Elis Regina) fazem de um tempo histórico com precisão de ourives. Pois foi com a emoção latejando por tudo que nos diz esta supersérie OS DIAS ERAM ASSIM (sobre ética, política, dignidade, liberdade, tempos sombrios, violência e repressão, mas também sobre amor, arte e pessoas que ousaram ir além e não deixaram de gritar por LIBERDADE) e a saudade musical ensejada pela partida repentina de Belchior, que assistimos àquela cena e fomos às lágrimas.

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Ana Miranda, Gabriel Leone, Carla Salle e Cássia Kiss em Os dias eram assim

E é assim, ainda marejando de emoção, que deixamos um caloroso aplauso para toda a equipe que assina OS DIAS ERAM ASSIM.

Por hoje, ficamos aqui mas não sem antes sugerir que assistam a esse primoroso capítulo da quinta passada, 25 de maio. Está no site Globo.com ou no app Globo Play, de graça. Pode ter certeza: é você quem vai ganhar ao assistir uma obra audiovisual com a qualidade estrondosa que tem OS DIAS ERAM ASSIM.

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Antônio Calloni, um Mestre, em atuação digna de todos os aplausos !

Orgulho enorme do naipe excepcional de criadores que assina este trabalho lindo: desde suas autoras Ângela Chaves e Alessandra Poggi; aos diretores Walter Carvalho,  Isabella Teixeira e Cadu França, mais o diretor artístico Carlos Araújo, passando por toda a equipe técnica e de produção, pedimos licença hoje para cumprimentarmos a todos nas pessoas do ator Antônio Calloni (magnânimo na interpretação do abjeto empresário que apoiou/financiou a ditadura), Natália do Valle, Sophie Charlotte e Gabriel Leone.

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As autoras Ângela Chaves e Alessandra Poggi com o diretor Carlos Araújo…

E quando passarem a limpo, a Teledramaturgia dirá PRESENTE…

 OS DIAS ERAM ASSIM: história revisitada com coragem e qualidade artística                                                                                                                                                                                                                                 *Aurora Miranda Leão

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Tenho ficado um tanto macambúzia a cada vez em que termina um capítulo desta nova minissérie da TV Globo, obra que a emissora decidiu categorizar como supersérie – porque menor que uma novela tradicional e maior que o formato consagrado das minisséries –, o que facilitará também a venda para o mercado internacional. Mas Os dias eram assim é uma Supersérie não só por isso: a construção narrativa de Os Dias faz de sua teledramaturgia uma obra com todas as qualidades para demarcá-la como um divisor de águas.

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A história começa no dia da vitória da seleção brasileira na Copa de 1970. E segue a partir daí num enredo que tem a política como ponto central, do qual partem todas as ações e referências. A política está na escolha das músicas, na direção de arte, nos espaços cênicos, no foco diegético, enfim.

Cada um observa a obra pelo viés que melhor lhe apraz, mas não vale dizer que Os dias eram assim é apenas mais uma história de amor e que, por causa dela, a questão política aparece apenas como pano de fundo.

Dizer isso é faltar com a verdade. Uma obra que tem a abertura com imagens em preto e branco reportando ao período nefasto que tomou conta do Brasil nos anos 60 -70 – 80, embalada pela canção Aos nossos filhos, de Ivan Lins e Victor Martins, por mais que se queira, jamais poderá deixar de ser política, desde sua gênese.

Arrepio toda vez que escuto a canção: Aos nossos filhos semelha uma ode. É quase um estribilho (cantado na abertura pelos próprios atores, mas a música ganhou o país quando de seu lançamento com a gravação emblemática de Elis Regina), um emocionado/emocionante pedido de ‘perdão’ às gerações que se seguiram após às que viveram/sobreviveram ao período da ditadura no país. Escutar “Perdoem a falta de ar… os dias eram assim” é como um estilete penetrando fundo na alma. Precisa não conhecer nada de história para não se sensibilizar com  o que a supersérie mostra todas as noites na tela da TV (excetuando a quarta, para tristeza nossa), e de forma absolutamente bem realizada.

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A maestria com que a direção cuida de cada cena – os enquadramentos, os movimentos de câmara, a fotografia, a condução do elenco, a escolha das músicas -, a interpretação dos atores (todos numa entrega notória e necessária para dar veracidade às cenas), a caracterização e a reconstituição de época (direção de arte esmerada), a qualidade da produção, e a primorosa edição fazem de Os dias eram assim a teleficção mais relevante exibida pela TV Globo este ano, até então.

Acompanhar a supersérie, sabendo que o enredo foca nos anos 70-80, é visitar aquele tempo sombrio um pouco a cada noite. Não é agradável ver o que vemos, mas é necessário, importante, corajoso e iluminador.  Cada cena é apresentada com inegável rigor estético e dramatúrgico, perpassada com muita coerência e com implícito vigor moral e psicológico. O país vivia uma convulsão sócio-política que deixou profundas marcas em sua história, e a supersérie apresenta tudo isso num painel pungente que inaugura uma página nova, e altamente expressiva, na teledramaturgia.

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Cláudia Abreu e Betty Lago em cena de Anos Rebeldes

Gilberto Braga e Sérgio Marques foram os pioneiros na teledramaturgia ao mostrar os abomináveis anos de chumbo em sua linda e inesquecível Anos Rebeldes, de quem Os dias eram assim claramente descende. Nesta como naquela, a qualidade estética e dramatúrgica são inegáveis e dignas dos maiores aplausos. 

O que hoje Os dias eram assim traz de novo e de suma relevância é a abordagem por um viés inaugural. Motivado decerto pelo galope indomável do tempo, este “senhor dos enganos” de que nos fala a canção de Herbert Vianna, o enfoque que conduz a supersérie é fruto da contemporaneidade veloz e tecnologicamente conectada que liga o mundo em redes, das quais seus criadores, em saudável sintonia, não esqueceram na hora de retomar a questão. Em Anos Rebeldes, a notável criação do querido Gilberto Braga (!), a abordagem foi pioneira também. E tão meritória que até hoje é alvo de estudos e pesquisas no país e além fronteiras. Os dois marcos que as minisséries simbolizam enriquecem nossa Teledramaturgia.

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Gilberto Braga quando do lançamento do livro sobre Anos Rebeldes em 2001

Os dias eram assim acrescenta uma nova perspectiva para a memória teleaudiovisual do país naquele período, não abordada até então.  Mostrar que os padrões do empresariado e da classe dominante do país eram avessos à liberdade e à justiça social, ou seja, estavam contaminados pelos mesmos valores sórdidos, abjetos, deploráveis e desumanos que motivaram parte dos militares a promover o cerceamento de todas as liberdades no país, é novo, forte, corajoso, relevante.

Isso é o que mais avulta em Os Dias Eram Assim !

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Antônio Calloni em atuação digna de todos os prêmios: Colossal !

Quando você assiste a um painel televisual com a intensidade e a qualidade – histórica, imagética, dramatúrgica – de Os dias eram assim, e de repente ouve músicas como Deus lhe pague (Chico Buarque), Pra não dizer que não falei de flores (Geraldo Vandré), e Cálice (Chico Buarque e Milton Nascimento), a emoção lhe toma de assalto. Mais ou menos como diria nosso saudoso amigo e emérito cronista Artur da Távola:

“Quando a razão volta, o coração já se derramou”.

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Portanto, desliguem o botão do preconceito e assistam à obra com coragem de se emocionar e revisitar um passado nem tão distante assim. Sugiram a filhos, netos, sobrinhos, pais, mães, tios, primos, amigos, alunos e vizinhos que assistam à supersérie. A hora não é mais problema na grade televisiva: quem não pode ver no horário marcado, assiste quando couber na agenda ! Basta ligar no Globo Play ! Ainda por cima, é de graça.

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*Já elogiamos aqui a interpretação magistral de Antônio Calloni, o esteio visceral de Os dias eram assim. Mas nossos aplausos estendem-se a todos, em especial para Gabriel Leone, Sophie Charlotte, Cássia Kiss, Daniel de Oliveira, Renato Goes e todos os demais, incluindo a prodigiosa equipe técnica, que participa de um marco da nossa Teledramaturgia.

Voltaremos ao tema.

* Confira a letra de AOS NOSSOS FILHOS 

Perdoem a cara amarrada

Perdoem a falta de abraço

Perdoem a falta de espaço

Os dias eram assim

 

Perdoem por tantos perigos

Perdoem a falta de abrigo

Perdoem a falta de amigos

Os dias eram assim

 

Perdoem a falta de folhas

Perdoem a falta de ar

Perdoem a falta de escolha

Os dias eram assim

 

E quando passarem a limpo

E quando cortarem os laços

E quando soltarem os cintos

Façam a festa por mim

 

E quando largarem a mágoa

E quando lavarem a alma

E quando lavarem a água

Lavem os olhos por mim

 

Quando brotarem as flores

Quando crescerem as matas

Quando colherem os frutos

Digam o gosto pra mim 

Perdoem a falta de ar…. Precisa dizer mais ?

Antônio Calloni e Sophie Charlotte destacam-se em lados opostos

Os Dias eram Assim     

  *Aurora Miranda Leão

Os Dias eram assim teve ontem (sexta 28 abril) um capítulo antológico.

No post anterior, quando nosso enfoque foi inspirado pela ‘queixa’ de alguns que afirmam ser a supersérie uma simples história de amor, prometemos voltar para falar do elenco. Sim, o elenco traz nomes relevantes da nossa Dramaturgia e merece ser destacado.

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Vamos aos nomes: Sophie Charlotte, Daniel de Oliveira, Renato Goes, Antônio Calloni, Natália do Valle, Marco Ricca, Gabriel Leone, Cássia Kiss, Letícia Braga, Susana Vieira, Mariana Lima, Bukassa Kabengele, Bárbara Reis, Letícia Spiller, Marcos Palmeira, Carla Salle, Maurício Destri, e teve ainda uma especialíssima participação de Caio Blat no capitulo de estreia.

Queremos ressaltar também os nomes dos profissionais que assinam a direção de OS DIAS ERAM ASSIM – ontem indicamos somente os nomes de Walter Carvalho e Carlos Araújo porque não conseguimos descobrir os demais via web. Foi preciso aguardar a exibição do capítulo dessa sexta para anotar todos eles. Vamos lá: Carlos Araújo é o diretor artístico, enquanto Walter Carvalho, Isabella Teixeira e Cadu França assinam a direção de cenas ou capítulos. O destaque é para ressaltar que há outros profissionais igualmente empenhados no desenho visual da teleficção, que é, sem favor algum, um marco referencial do horário. Uma obra super bem realizada com um elenco coeso e grandes atuações, uma trilha sonora condizente, e um pungente convite a uma reflexão, que perpassa temas como o machismo, a violência simbólica, o massacre das liberdades individuais, o menosprezo pela mulher, a arrogância da elite dominante, o conflito de gerações, a censura e o cerceamento da liberdade, a repressão, a opressão, enfim, temas muito caros e bem entranhados no cerne da sociedade brasileira.

Para essas primeiras considerações de elenco, destacamos as atuações mais marcantes: Sophie Charlotte, Natália do Valle, Daniel de Oliveira e Antônio Calloni, disparado o grande destaque do elenco !

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Sophie Charlotte e a liberação feminina que se começava a desenhar…

SOPHIE CHARLOTTE – a alemãzinha que aportou no Brasil e foi adotada por uma imensa legião de fãs que aprecia sua beleza, simpatia e talento. Tudo isso soma para que Sophie protagoniza a supersérie com enorme domínio de sua condição de mulher bela, cheia de talento e cantora com belo futuro a seguir (Sophie é voz que se destaca desde O Rebu, e depois ganhou o apreço de Roberto Carlos, com quem dividiu o palco num Especial de Natal do Rei).

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Sophie encarna a autêntica e destemida Alice, e o faz com espontaneidade, leveza, carisma e indiscutível competência. Sua escalação foi muito feliz e este é mais um personagem que vai marcar a carreira da atriz. Vendo Sophie em cena, não há como não lembrar de Cláudia Abreu e sua Heloísa, a impávida lourinha dos  Anos Rebeldes, a inesquecível minissérie do querido Gilberto Braga.  A Alice de Sophia Charlotte entra para a galeria de heroínas da teleficção brasileira com méritos semelhantes aos que em 1989 alçaram Cláudia Abreu a essa qualificada galeria. PARABÉNS  a quem escalou a moça e aplausos para Sophie Charlotte, que encara com garra e coragem um papel difícil e de muitas nuances.

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NATÁLIA DO VALLE é Kiki, a mulher oprimida e ultrajada pelo marido, o empresário fascista Arnaldo Sampaio. Kiki é mãe de Alice e da pequena Nanda (Letícia Braga), mas tem o jeito e a expressão sempre sofrida de quem vive uma vida marcada pela grosseria, o menosprezo, o descaso, a não realização pessoal nem profissional. Kiki é uma típica mulher dos anos 60: “bem casada”, dona de casa e salvaguarda do lar, em quem a vontade própria inexiste: vive para as filhas, a casa e o marido, que lhe agride constantemente e avilta sua condição de esposa. É um ótimo viés para se observar questões de gênero pertinentes à situação da mulher no contexto do país.

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O empresário tirano e a mulher reprimida: Calloni e Natália do Valle em bela contracena

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DANIEL DE OLIVEIRA é Vítor Dumonte, o mocinho mimado e repressor. Ex-namorado de Alice, ele quer se casar com a moça para herdar a fortuna do milionário Arnaldo, e é capaz de qualquer coisa para atingir seu objetivo. É um sujeito abjeto, típico dos anos em que a masculinidade foi posta em cheque a partir da conquista da liberdade sexual feminina, possível graças à invenção da pílula, que chegou trazendo avanços e provocando a fúria dos conservadores, doutrinários e repressores. 

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ANTÔNIO CALLONI é o nefasto milionário Arnaldo Sampaio. Dono de uma das mais importantes construtoras do país, ele tem escusos negócios com o poder constituído, e é daqueles tipos bem conhecidos de prepotentes do “Sabe com quem você está falando ?”. Defensor contumaz da repressão e declaradamente a favor da ditadura, é um exemplo clássico e abominável do déspota que se acha o dono da bola.

O personagem é figura central no enredo de OS DIAS ERAM ASSIM e o ator engrandece o personagem com uma construção ricamente detalhada, fruto de sua meritória competência para simbolizar, através de Arnaldo, todo o mal que a tirania representa. Arnaldo não é só o empresário vil, corrupto e corruptor, mas aquele clássico sátrapa que quer ganhar todas as batalhas no grito ou angariando apoios pela força do dinheiro, tiranizando os mais fracos. Sendo Antônio Calloni um Ator dos mais conhecidos por sua educação, inteligência, doçura e refinamento intelectual (Calloni é Poeta e dos bons !), é ainda mais emblemática sua escalação para o papel do monstruoso empresário.

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Arnaldo e seu pretenso futuro genro: Calloni e Daniel de Oliveira vivem com brilho personagens abomináveis…

Antônio Calloni, que parece ficar na supersérie apenas em seus 20 primeiros capítulos, atua com incontestável brilho, alcançando um nível de excelência interpretativa que ganha ainda mais destaque por estarmos falando de uma obra feita no ritmo intenso de produção que exige a teledramaturgia. Nesta não há o tempo de elaboração que existe no teatro e no cinema: televisão é pulsação intensa, com muitas cenas para decorar, interpretar e gravar em poucas horas, sendo um trabalho hercúleo construir um personagem nesse andamento galopante. Pela qualidade de sua interpretação, Antônio Calloni insere o personagem Arnaldo Sampaio à galeria dos Grandes Personagens da Teledramarturgia Brasileira. O ator fará falta à trama mas marca sua presença com impressionante força interpretativa. É um luxo ver um Ator do quilate de Calloni atuando na nossa telinha, todas as noites, e de graça.

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Elenco da supersérie Os Dias eram Assim

Quem não está assistindo à Supersérie, que passa por volta das 23h, pode acompanhar esta obra-prima pelo Globo Play, de graça e na hora de sua preferência. Vale muito a pena !

*No próximo post sobre OS DIAS ERAM ASSIM, um passeio pela trilha musical.

Os Dias Eram Assim… Perdoem a sinceridade mas o AMOR é que imortalizou Fernando Pessoa

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*Aurora Miranda Leão 

A seleção brasileira fazia o jogo final da Copa de 1970. Nas ruas, um clima de euforia. Na história que pulsava por baixo dessa euforia de quem está prestes a sagrar-se campeão mundial, corria outra sensação, a de aviltamento da dignidade humana, alicerce do período sombrio da ditadura brasileira.

Há uma dor funda e recente que cerca esse momento da vida brasileira. Aquele tempo ainda não foi bem assimilado na memória nacional. É difícil falar sobre aqueles dolorosos anos e, talvez por isso, ainda há quem duvide que eles existiram de fato.

O período sombrio que extirpou a liberdade do cotidiano nacional cheira a repressão, ditadura, violência, aviltamento dos direitos fundamentais, cerceamento da liberdade, e é sobre isso que fala a supersérie Os dias eram assim.

Estreada no último dia 17 de abril, a obra tem co-autoria de Ângela Chaves e Alessandra Poggi, e direção capitaneada pelo mestre Walter Carvalho (o festejado paraibano diretor de fotografia de tantos trabalhos memoráveis), com direção geral de Carlos Araújo.

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Marco Ricca é um delegado e Cássia Kiss a mãe cujos filhos são perseguidos…

É nesse contexto da ditadura, tematizado em Os dias eram assim, que Alice (Sophie Charlotte) e Renato (Renato Góes) se conhecem e iniciam uma história de amor que vai atravessar quase duas décadas, cruzando com eventos históricos importantes. Da repressão às Diretas Já, o amor vai passar por vários percalços, e talvez sobreviva: medo, intrigas, separação, dor, tristeza, esperança.

Renato é médico e primogênito de uma família de classe média, moradora de Copacabana. Tem dois irmãos, os estudantes Gustavo (Gabriel Leone) e Maria (Carla Salle).  O pai era professor universitário e a mãe é dona de uma livraria, Vera (Cássia Kis). Cada um a seu modo, estão todos engajados na luta pela liberdade: enquanto Gustavo sai às ruas, Maria usa a arte como forma de expressão.

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Sophie Charlotte esbanja meiguice, talento e sensualidade em Os dias eram assim…

No universo da jovem Alice (Sophie Charlotte), a batalha é contra o pensamento conservador da família. Questionadora, a estudante sempre bateu de frente com os pais. Dono de uma construtora, Arnaldo (Antônio Calloni) é um empresário rico e de padrões fascistas: não se conforma com o fato de a mulher, Kiki (Natália do Valle), nunca ter conseguido reprimir a inquietude da filha. Para ele, a mulher é a culpada por tudo de ruim que acontece no lar e na família. O empresário é um típico vilão, homem deplorável que causa nojo e revolta, feito com invejável maestria por um Ator do quilate de Antônio Calloni.

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Antônio Calloni em interpretação memorável, e Natália do Valle em sua melhor atuação

Alice apaixona-se por Renato e, a partir daí, começa a ter rasgos de insuspeitada coragem: o primeiro passo é ir contra o desejo dos país e contrariar o principal projeto deles para a vida dela: a jovem rompe o namoro de anos com o machista Vitor (Daniel de Oliveira), que não se conforma com o rompimento. Tudo o que Vitor deseja é tornar-se dono da fortuna do pai de Alice. O casamento seria a concretização de seu ideal.

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Daniel de Oliveira, Antônio Calloni e Marco Ricca em grandes atuações…

O abjeto Vitor é braço-direito de Arnaldo na construtora, e filho  arrogante e oportunista Cora (Susana Vieira). Os mundos de Renato e Alice se cruzam por amor e serão separados pela divisão ideológica entre as duas famílias, potencializada pelo ambiente político reinante no país. Ambientada entre as décadas de 70 e 80, período que vai da repressão às Diretas Já, a supersérie Os Dias Eram Assim é exibida por volta das onze da noite e vem tendo boa audiência.

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Gabriel Leonne empresta força e competência ao personagem Gustavo…

Aqui, como em todo o formato da teleficção audiovisual, o drama amoroso é o grande motim: “A História é o pano de fundo dessa trama de amor. Tratamos de encontros e desencontros desse casal que é separado de forma abrupta e, depois, vai se reencontrar quando os dois já não são mais os mesmos”, diz Ângela. Já Alessandra afirma: “Alice e Renato vivem uma história de amor muito forte no primeiro momento, mas, quando são separados, cada um resolve seguir sua vida. A maior parte da história ocorre após o reencontro, no período de pré-abertura política, em 1984”.

Para nós, soa engraçado, para não dizer apressado e preconceituoso, os comentários acerca da supersérie que pretendem analisar uma obra que não é a que está na TV. A supersérie fala sobre uma história de amor interrompido, como assim acontece em qualquer obra teledramatúrgica. Basta ler um pouquinho sobre o tema para saber que a telenovela tornou-se nosso maior produto cultural de exportação e ocupa um lugar de destaque na programação televisiva diária, sendo que existe desde  1951 e, a partir de 1963 tornou-se atração diária. De lá pra cá, o gênero se consolidou e tem clara filiação melodramática. Portanto, querer ver uma telenovela e acreditar que seu principal enfoque não será uma história de amor é desconhecimento, ingenuidade ou má vontade.

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Mariana Lima, Bárbara Reis e Bukassa Kabengele: família que também será vitimada…

A nós, o que nos parece mais instigante é justamente o fato de repetir-se uma fórmula, absolutamente popular e consagrada, e, mesmo assim, continuar agradando e atraindo imensa audiência. Fazendo uma analogia com o cardápio gastronômico, a telenovela é assim uma espécie de bolo do cardápio: há uma enorme variedade, com predileções variadas, mas a base da receita é sempre a mesma, atrai inúmeros seguidores, pode ser feita com diferentes ingredientes, mas o que sobressai é um paladar de alta fidelidade: não há quem não goste de bolo, embora as preferências de gosto variem constantemente.

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Renato Goes e Sophie Charlotte: o casal protagonista…

Pois é, e ainda argumenta-se que a história de Os dias eram assim tem clichês típicos de novela. Ora, pois, se uma minissérie é assim um ‘primo rico’ da telenovela, como não ter clichês típicos de seu gênero ? Como fugir ao padrão que tornou o gênero o carro-chefe da programação televisiva brasileira ? E por que haveria de se mexer num ‘time que está ganhando’? Não estamos assistindo a um filme ou acompanhando uma encenação teatral: Os dias eram assim é uma supersérie, ou seja: tem o mesmo esquema básico clássico de uma telenovela, apenas o formato é menor que o desta, embora maior que o de uma minissérie. Seguindo com nossa analogia, o bolo pode ter outro formato e recheio, mas será sempre um bolo, e não um risoto, um suflê ou uma empanada.

A fórmula de telenovelas, minisséries, microsséries, casos especiais, superséries – teleficção audiovisual – é a mesma há dezenas de anos, e o que encanta é ela permanecer sempre igual em sua diferença de cada novo título. Sempre com a mesma força e capacidade de atrair. E talvez aqui resida um dos trunfos de seu aprimoramento e apuro técnico: como há um sequenciamento ad infinitum do mesmo formato, as equipes realizadoras das telenovelas se esmeram, cada vez mais, ao longo de toda a história da Teledramaturgia Brasileira, em fazer com mais rigor  e preciosismo, primando pela capacitação de seus profissionais e a excelência do produto final. Isso é o que podemos constatar diariamente, em qualquer dos horários em que são exibidas as telenovelas (acompanhamos quase todas porque somos admiradoras do gênero desde crianças). No momento atual, estão no ar duas obras-primas: Novo Mundo, recém-estreada, e Rock Story, que se aproxima do desfecho. Além disso, o que afirmamos pode ser referendado observando-se a enorme penetração da produção brasileira no exterior (mais de 130 países compram nossas telenovelas). E quanto mais esse mercado foi crescendo ao longo dos anos, mais o gênero se consolidou e as equipes técnicas, imensas e valorosas, foram sendo lapidadas – direção, fotografia, luz, cenário, maquiagem, direção de arte, trilha sonora e musical, caracterização –, chegando ao patamar que hoje vemos diariamente na telinha e que nos impactam, cada dia mais, pela excelência técnica e artística que exibem.

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Afinal, se a história de amor incomoda por ser o fundamento dos enredos, vale lembrar uma condição básica: o tempo consagra como clichê o que é  considerado bom para a grande maioria. Como bem disse o cineasta Woody Allen: “Algumas vezes, um clichê é a melhor forma de se explicar um ponto de vista”. E o clichê foi popularizado por ser reconhecidamente atraente e imbuído de qualidades intrínsecas: quem descobriu, aderiu, quis imitar, propagou, virou moda e contagiou. E o poeta Fernando Pessoa sabia tanto e tão bem disso que imortalizou o melhor e mais sábio de todos os clichês: o AMOR.

E, parafraseando o notável poeta português, dizemos:

“Todas as histórias de amor são

Ridículas.

Não seriam histórias de amor se não fossem

Ridículas.

As histórias de amor, se há amor,

Tem de ser ridículas.

Mas, afinal,

Só as criaturas que nunca escreveram

Histórias de AMOR

É que são Rídiculas.” 

*Em post posterior, falaremos sobre o elenco e a narrativa.

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Alice e Renato: amor à primeira vista enfrenta barreiras difíceis…

Final de A LEI redime erros e deslizes da novela

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       *Aurora Miranda Leão

Quem gosta de acompanhar telenovelas, sente quando uma trama descamba para o inverossímil ou quando seus autores perdem o controle da ação e bailam na curva.

Os previsíveis desvios de rota, ou colisões mais ou menos sérias, tem chances de recuperação, sempre, e a melhor delas é introduzir indícios de real no material dramatúrgico. Assim, o telespectador de pronto faz suas próprias conexões e é levado, sutilmente, a se sentir partícipe da obra.

Foi assim com A LEI DO AMOR, encerrada ontem. A novela criou vários pontos de paridade com o real, mas uma cena especial do capítulo final, elevou essa equivalência a um nível emblemático. No momento em que escrevemos estas linhas, uma conversa no espaço vizinho, revela o quanto o final de A Lei mexeu com o imaginário popular…

A trama de Maria Adelaide Amaral e Vincent Villari chegou ao fim com muito boa audiência, como é corrente nas ficções teleaudiovisuais das 21h, que mobilizam sempre a audiência, quer pelo lado da crítica ou pelo viés da adesão.

Ter uma história central forte com um conflito relevante, que faça esse ‘esqueleto’ perdurar com vigor por cerca de 6 a 8 meses – tempo corriqueiro para as telenovelas da TV Globo -, é fundamental para cativar a audiência. A Lei começou com sinais de que teria um thriller político como fio condutor.

Nós, que vínhamos de um mergulho sensório belo e profundo nas entranhas de Velho Chico (obra da notável parceria de Benedito Ruy Barbosa, Bruno Luperi e Luiz Fernando Carvalho com auxílio luxuoso de Raimundo Rodriguez), ressaltamos: desde a estreia, pareceu-nos ver em A Lei do Amor uma tentativa imagética e musical de revalidar sentidos estéticos desenhados (com imensa maestria) pelos artífices de Velho Chico (VC). Senão vejamos: o casal principal (Helô e Pedro) também havia sido separado por artimanhas de vilões que os fizeram ficar distantes por 20 anos (em VC, o afastamento de Teresa e Santo foi de 30 anos); os encontros mais felizes de Santo e Tereza se passavam à beira do famoso rio nordestino. Em A Lei, Pedro e Helô começam seu romance com viagens no veleiro do jovem apaixonado, e as tomadas iniciais (com o veleiro visto do alto e o mergulho do casal no mar) apontavam claras marcas indiciais de intercessão com a ambiência estética de VC. Nada demais: é salutar retomar caminhos que se mostraram belos e abriram janelas para uma bela construção sensorial. E a saudade da trama semeada às margens do São Francisco, referendada por um diálogo artístico com a obra anterior à LEI, também pode ser registrada através da grande ciranda de abertura da trama: pés correndo em direção a melhores oportunidades ou a novos enredos num chão de terra batida, por onde escorre um riacho, como a trazer de volta o sertão ressignificado por VC.

Também na trilha, essa subliminar sintonia com a história anterior se fez presente, submersa ou alicerçando a camada de sentidos principal: se em VC nomes de insuspeita qualidade musical eram também fio condutor do enredo (Elomar, Xangai, Maria Bethânia, Tom Zé, Caetano Veloso, Lenine), em A Lei do Amor também houve (com mais força nos primeiros meses) uma valoração de canções e compositores de reconhecido destaque no cancioneiro nacional, como Roberto Carlos (“À distância”), Raul Seixas (“Cowboy fora da lei”), Gonzaguinha (Grito de alerta); Dalto (Pessoa, sucesso dos anos 80 na voz de Marina Lima). E ainda na interpretação da notável Bethânia para a  belíssima canção Era pra Ser, de Adriana Calcanhotto, tema do casal Thiago e Isabela, que voltou com primorosa eloquência no capítulo final.

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Desfecho insólito para a terrível vilã Magnólia, a grande personagem de A Lei do Amor

Ao observar os muitos comentários sobre A LEI DO AMOR via imprensa e redes sociais, o que mais chamou-nos atenção foi o fato de ninguém reportar-se à direção da novela. E eu mesma me peguei surpresa ao pensar em quem assinava a direção: tive de ir pesquisar pois não lembrava o nome do diretor. Natália Grimberg e Denise Saraceni são as responsáveis.

Neste ponto, que é crucial e onde concentra-se grande parte do resultado de uma obra de ficção teleaudiovisual, registra-se a primeira clara distinção entre A LEI e Velho Chico, por exemplo. Enquanto em A LEI ninguém toca no nome do diretor ao comentar a obra, é impossível falar de VC sem citar Luiz Fernando Carvalho. Apenas uma ressalva relevante que reafirma o diretor como co-autor da obra, ainda quando existe apenas um roteiro a ser filmado (óbvio que, novela começada, há o elenco e toda uma grandiosa equipe que constroem juntos o êxito ou fracasso da obra).

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Vera Holtz em mais uma atuação notável !

Feito esse adendo sobre a questão da direção, vamos aos acertos do capítulo final de A Lei do Amor:

  1. O final trágico de Magnólia, insólito, à altura da personagem, e trazendo o simbolismo da força do trem da vida, cantado na música-tema de Villa-Lobos e Ferreira Gullar, para o centro do desfecho;
  2. Não mostrar o enterro de Magnólia: a dona de vilania tão ostensiva e maléfica não merecia condescendência alguma, nem mesmo na diegese;
  3. A vitória do amor de Helô e Pedro com o nascimento do filho tão esperado: é corriqueiro mas não deixa de emocionar, sempre, a chegada do NOVO trazendo luz em qualquer ambiente, sobretudo ali, após o aflitivo sofrimento vivido pelo casal e suas famílias nos últimos capítulos;
  4. O final em aberto para a relação Isabela-Thiago: autores fizeram uma opção condizente para um casal complexo desde seu início, aludindo à contemporaneidade de um mundo quase perplexo ante mudanças tão rápidas e avanços comportamentais impensáveis décadas atrás;
  5. Boa solução para a punição de Tião Bezerra: um AVC que o deixa preso a uma cama de hospital (o todo-poderoso, com toda a fortuna que amealhou, completamente sozinho), remetendo a uma situação dos primórdios da novela, quando o personagem tinha tido um ‘apagamento’ de memória em plena ponte da cidade de São Dimas;
  6. Dois casais homossexuais leves e felizes em meio a uma festa promovida pela prefeita Salete. A ficção referendando cenários de tolerância e enfatizando a dimensão maior do amor, que corre por diversos atalhos: personagens de Maria Flor (Flávia) e de Raphael Ghanem (Gledson) curtindo plenamente com seus pares formados;
  7. Hércules e Aline, deploráveis vilões, elevados à categoria de mendigos em meio à invisibilidade cotidiana da metrópole;
  8. A surpresa, estendida ao máximo, para o par final de Letícia (Isabella Santoni), culminando por ser quem foi, o bem-humorado Antônio (Pierre Baitelle), seu eterno apaixonado.
  9. Ter citado a dor da tragédia de Mariana através do personagem de Gianecchini (Pedro, o rico bom moço e justiceiro) a cobrar punição para o terrível crime ambiental que vitimou a pequena cidade mineira;

10. A cena final, com viés acentuadamente político, promovendo uma imediata homogenia com o atual cenário político brasileiro. Neste ponto, a presença de Tony Ramos como o notório político do ‘rabo preso” que vai ascender à presidência, e terá ao seu lado a tradicional ‘loura burra’ (feita com esmerado requinte por uma convincente Grazi Massafera), foi triunfante ! Tony foi o intérprete perfeito para todas as ilações imediatas… e a comemoração das futuras vitórias políticas – em espaço luxuoso no qual dividem a mesma mesa, a corrupção, a imoralidade ética, a falta de escrúpulos, os desmandos com a coisa pública, os desvios de verbas, as prevaricações, a instrumentação religiosa, a desonestidade de propósitos, o desrespeito ao erário público, e o desprezo pelos que defendem e lutam por uma vida digna num país com tantos problemas colossais e quase insolúveis, foi um ganho excepcional da novela, através do qual se ‘perdoam’ ou tornam-se de somenos importância os muitos baixos e enganos do enredo.

Ainda que você não tenha visto o último capítulo, veja as imagens de sua cena final, e confirme: para bom entendedor, meia equivalência diz tudo, ainda que numa obra assumidamente de ficção.

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Licença Poética ou ‘furos perdoáveis’

De onde apareceu o carro possante que Isabela dirigiu para levar Thiago à Ilhabela, ela que começara a estudar (antes de virar Marina), com ajuda financeira de Helô – num país em crise como o nosso, como explicar que Marina conseguiu, honestamente, arrumar tão rápido uma fonte de renda para lhe garantir a posse de um carro daquele nível ?

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Como Marina conseguiu a chave que lhe abriu as portas da casa de Ilhabela ?

A rapidez com que Letícia passou a achar o amado pai Tião um homem de ações deletérias;

A igualmente rápida mudança de atitude do apaixonado Pedro, que rapidamente abandonou o lar onde dividia o cotidiano com a amada Helô, ao descobrir uma filha de 4 anos com uma mulher que não via há tempos;

A acelerada mudança de atitude de Mileide, que de mulher com certas conexões paranormais, virou uma fina interesseira no enriquecimento e na ascensão econômica e política… mas a criação/instalação de sua Igreja Sincrética Circular pagou todos os atropelos com a verosimilhança !

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Helô e Pedro num final feliz como o público queria !