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Quando a programação televisiva é boa,
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Ficção Seriada ganha livro na Intercom

Na próxima quinta, dia 6, será lançado livro relevante para o estudo das várias formas de ficção seriada exibidas no Brasil e alvo de estudos acadêmicos no país.

O livro será lançado durante a 41a edição da INTERCOM, Congresso Nacional mais importante da área de Comunicação, que está sendo realizado em Joinville (Santa Catarina) até sábado, 8 de setembro.

LIVRO Ficção Seriada - menor

Os autores são:

Alexandre Tadeu dos Santos, Ana Carolina, Maoski, Andrei Maurey Leite, Aurora Miranda Leão, Camila Mendonça, Carlos Vinícius Lacerda, Daiana Sigilliano, Daniela Ortega,Gabriela Borges, Gêsa Cavalcanti, Guilherme Livardi, Guilherme Moreira Fernandes, Hertz Wendel de Camargo, Isabela Norton, Janiclei Aparecida Mendonça,  João Paulo Hergesel, Laryssa Prado, Lucas Martins Néia, Luiz Siqueira, Marcos Nicolau, Maria Amélia Abrão, Mariana Barbosa Gonçaves, Mariana Marques de Lima, Mateus Vilela, Naiane Almeida, Raphael Parreira e Silva, Robéria Nádia Nascimento, Soraya Ferreira, Tadeu Ribeiro, Tissiana Pereira e Vanessa Guimarães do Nascimento.

Saiba mais:

A INTERCOM – Sociedade Brasileira de Estudos Interdisciplinares da Comunicação – é uma instituição sem fins lucrativos, destinada ao fomento e à troca de conhecimento entre pesquisadores e profissionais atuantes no mercado. A entidade estimula o desenvolvimento de produção científica não apenas entre mestres e doutores, mas também entre alunos e recém-graduados em Comunicação, oferecendo prêmios como forma de reconhecimento aos que se destacam nos eventos promovidos pela entidade.

Fundada no dia 12 de dezembro de 1977 em São Paulo, a Intercom preocupa-se com o compartilhamento de pesquisas e informações de forma interdisciplinar. Além de encontros periódicos e simpósios, a instituição promove um congresso nacional – evento de maior prestígio na área de pesquisa em Comunicação, que recebe uma média de 3,5 mil pessoas anualmente, entre pesquisadores e estudantes do Brasil e do exterior. O evento, sediado em cidade escolhida pelos sócios no ano anterior, é precedido de cinco congressos regionais.

A sociedade é responsável, ainda pelo lançamento de livros e revistas especializados em Comunicação, e pela busca de parcerias com entidades de mesmo objetivo e institutos e órgãos de incentivo à pesquisa brasileiros e estrangeiros. Esse intercâmbio é um incentivo à formação científica, tecnológica, cultural e artística, além de uma forma de capacitar professores, estudantes e profissionais da Comunicação.

SERVIÇO

Lançamento do livro Ficção Seriada – Estudos e Pesquisas (vol 1)

Editoras: Jogo de Palavras e Provocare

Organizadoras: Fernanda Castilho e Lígia Prezia Lemos

DATA: 06 setembro 2018

Onde: Publicom, evento da INTERCOM

Realização: 41a INTERCOM

Local e Horário: Ginásio do Colégio Univille, em Joinville (SC), 17h 

ENTRADA FRANCA

 

 

Beto Falcão eleva emoção de Segundo Sol

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                     Novela tem cena com emoção típica de Último Capítulo

* Aurora Miranda Leão

         Segundo Sol é novela daquelas que Chegou, chegando. Tipo Celebridade, de Gilberto Braga, ou Jóia Rara, de Duca Rachid e Thelma Guedes. Desde a estreia, a novela nos evidenciou, com extrema vivacidade, a volta do melhor de João Emanuel Carneiro à narrativa teleaudiovisual.

      Quem acompanha novela, como esta redatora, ou quem conhece bem a dramaturgia de João Emanuel Carneiro, sabe: o autor se notabilizou por sua extrema competência em criar boas histórias. Mas tem mais do que isso: a capacidade singular do autor em criar ganchos, aquelas pausas ou interrupções que separam um capítulo de outro, suspendendo o suspense ou o desenrolar da cena num momento de muita emoção, para cativar o telespectador e fazer com que este retorne à telinha no horário combinado, dia seguinte.

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       Isso é uma característica primordial das telenovelas e esse aspecto não nos permite esquecer que foi assim que os romances-folhetins fizeram história no início do século XIX. A aceitação do público foi tamanha que os folhetins ganharam lugar cativo na imprensa, a partir da França, e se espalharam pelo mundo, sempre com extrema empatia popular. No Brasil, escritores famosos escreveram romances do gênero, especialmente para figurar nos rodapés das páginas dos jornais. E o êxito foi tanto que as vendas dos matutinos aumentaram e escritores chegaram a ser contratados para escrever especialmente para esse espaço dos jornais.

Autores como José de AlencarMachado de AssisManuel Antônio de AlmeidaLima Barreto e Joaquim Manuel de Macedo, por exemplo, criaram folhetins para publicação em jornais, os quais depois seriam editados em livros. O romance urbano A Moreninha, de Joaquim Manuel de Macedo, é considerado o exemplo de folhetim mais popular da história do Brasil, tendo feito sucesso em época na qual a maioria da população do país ainda era analfabeta.

Bom, mas essas informações, a título de introdução, são só para evidenciar que os ganchos são um fenômeno secular, que sempre teve como premissa conquistar leitores, amealhar seguidores e conquistar audiência. E nessa seara, quando chegamos à teledramaturgia, temos em João Emanuel Carneiro – autor de Da cor do pecado, Cobras e lagartos, A Favorita, Avenida Brasil, A regra do jogo, e Segundo sol, seu representante mais notório.

João Emanuel Carneiro é, apropriadamente, conhecido como o Rei do Gancho. E o codinome é mais que merecido, não só porque ele cria ganchos ótimos mas pela quantidade e qualidade dos ganchos que cria a cada capítulo. E mais além: os ganchos do autor acontecem também entre um bloco e outro de sequências, a cada intervalo. Ou seja: não é só de um capítulo para o outro que o telespectador fica vidrado esperando que rumo tomará o conflito da vez, e sim a cada pausa de bloco para entrar nos “reclames do plim plim”, como diria o incansável Faustão.

Daí, vem a excelência de João Emanuel: uma capacidade espetacular e incomparável de criar ganchos sem fazer a história voltar pra trás, sem criar inverossimilhanças, sem quebrar a diegese (coerência interna da história) e, sobretudo, sem tripudiar com a fidelidade do telespectador. Daí porque, quem assiste às novelas de João, vira fã e fica cativo da obra do dramaturgo, como esta que vos escreve.

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Karola, Remmy e Beto na cena fatídica que vitimou Beto e o marido de Luzia…

Um exemplo inconteste do que dizemos é a novela Segundo Sol, atração atual das 21h na Rede Globo. O que o autor tem emocionado seu público com a pertinência, beleza, eficácia e prodígio de sua narrativa não é coisa para se menosprezar, muito menos ignorar. Segundo Sol vai terminar sua trama como a novela mais bem realizada dos últimos 5 anos, pelo menos, e, oxalá, vai até bater a emblemática Avenida Brasil em termos de construção narrativa (aqui somando-se excelência do roteiro, dos diálogos, das estratégias argumentativas, dos conflitos, dos capítulos-chave, da sinergia perfeita com as músicas, da direção, atores, figurinos, fotografia).

Ou seja: tudo em Segundo Sol concorre para seu êxito. E, obviamente que, de Avenida Brasil pra cá, o autor viveu novas situações, aprimorou suas leituras, ouviu diversas narrativas, contabilizou novas histórias, e lapidou ainda mais sua aptidão para a escrita teleaudiovisual, assim como novos recursos tecnológicos apareceram e foram incorporados pela produção da emissora líder, fatos que contribuem, de forma inconteste, para a riqueza do constructo audiovisual que conferimos diariamente no horário nobre.

Acerca de tudo isso, vimos falando desde o início da novela em nosso instagram (@auroradecinema). Quem nos acompanha, já sabe de nossa imensa admiração por João Emanuel e de nossa adesão a Segundo Sol. O que queremos mesmo ressaltar neste post é o quão magnífico foi o capítulo desta quarta, 29 de agosto, no qual o ápice foi o novo julgamento de Luzia Batista, vivida com maestria por Giovanna Antonelli.

Toda a situação que envolve esse novo julgamento – incluindo a coragem de Luzia e de Beto de se submeterem ao tribunal sabendo dos grandes riscos que correm -, o drama e a apreensão dos filhos e da família dos dois, a dúvida sobre o depoimento da única testemunha (um senhor pobre e doente), anteriormente comprada, as ameaças de Laureta e Karola, a revelação da falsa morte do grande popstar do Axé -, tudo isso reveste o capítulo de uma dose emocional extra, com potência de último capítulo. Acresça-se ainda o grande show Tributo a Beto Falcão, que acontece em paralelo no centro histórico de Salvador para reverenciar a memória do ídolo morto. E quem organiza é a diretora-mor do fã clube de Beto, a despachada Goretti (Thalita Carauta em atuação excelente), namorada do irmão caçula do músico, que até fez música ‘psicografada’ pelo espírito do compositor Falcão.

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 O epicentro da cena do julgamento de Luzia foi Beto Falcão: com um texto pujante, de acentuado cunho ético, moral, social e amoroso, a cena foi de arrepiar ! Não bastassem as lindas palavras ditas por Beto, revelando toda a farsa em que se viu enrolado – as dificuldades que passou, os dias de coma, a separação drástica de Luzia, o afastamento dos filhos que esta teve de passar, o rompimento inesperado do relacionamento dos dois -, Beto anunciou, com toda veemência, que poderia ser preso ou sofrer qualquer tipo de punição mas estava ali prestando seu depoimento para salvar Luzia pois “ela é inocente e eu faço tudo isso para livrar Luzia da cadeia, porque ela é inocente, ela nunca teve culpa nenhuma pela morte do marido”.

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Emílio Dantas em interpretação magistral como o apaixonado e sofrido Beto/Miguel…

E, em nenhum momento, Beto acusou a verdadeira vilã, sua ex-mulher (e encosto permanente) Karola, nem o irmão cafajeste Remmy, nem a cafetina Laureta. Com a postura mais serena do mundo, e falando como quem extrai as sílabas do coração, Beto assumiu todas as culpas, pediu perdão aos pais, a toda a família, aos filhos de Luzia, aos fãs e, sobretudo, ao filho Valentim. E reiterou, diversas vezes, que Luzia é inocente e que a ama, e ama desde sempre. Desde quando a conheceu na ilha de Boiporã.

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Giovanna Antonelli, Chay Suede, Luisa Arraes e Emílio Dantas na fictícia Boiporã…

No tribunal, assistindo a tudo calados e extremamente comovidos, os enteados Icaro e Manuela, o filho Valentim, a futura cunhada Cacau, Groa (o amigo islandês de Luzia), e as vilãs Laureta e Karola. Uma cena lindamente construída, emoção de alta magnitude, com capacidade para fazer rir e chorar de empatia, em volume máximo. Emílio Dantas em atuação estupenda ! Aliás, o ator atua com tamanha espontaneidade que já virou Beto Falcão, dentro e fora da narrativa. Porque a gente simplesmente esquece que ele é Emílio (tal sua transformação), e só o vê como Beto Falcão, o autor da famosa Axé Pelô. Aplausos de pé para o Ator !!!

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Emílio Dantas e Danilo Mesquita em bela parceria no horário nobre…

A cena era apenas mais uma,  fruto da vocação extraordinária de João Emanuel de escrever belos textos, situações comoventes e diálogos preciosos. Que são enriquecidos pela competência de Maria de Médicis e a equipe de diretores que ela coordena com eficácia, e integram o núcleo do não menos competente Dennis Carvalho. Mas acabou tornando-se A Cena !

lau post meu - Cópia

A fala de Laureta após ouvir Beto defendendo Luzia em discurso emocionante…

Portanto, assistimos todos a um capítulo com potencial para ser o grandioso Último Capítulo. Mas o autor sabe tanto que tem muito mais para oferecer a seu telespectador, que não hesita em fazer de cada capítulo de Segundo Sol uma página de ouro a figurar na literacia dramática da ficção seriada televisiva.

                 Nota DEZ com louvor ! 

                Viva, Segundo Sol ! E Parabéns a toda a equipe de atores, atrizes e profissionais notáveis que fazem desta a melhor telenovela dos últimos anos no horário nobre !

equipe SS

Emílio Dantas, Gio Antonnelli, Fabrício Boliveira, a diretora Maria de Médicis, Deborah Secco, Vladimir Brichta e Adriana Esteves na coletiva de lançamento da novela.

 

Zefa revela talento de Claudia Di Moura ao país !

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Atriz baiana está fazendo de sua personagem um dos trunfos de Segundo Sol  
   * Aurora Miranda Leão

      A narrativa de Segundo Sol foi tema do nosso post anterior. Hoje, voltamos à novela para destacar o trabalho da atriz Cláudia Di Moura.

              Assim como eu, você, leitor amigo do #blogauroradecinema, também deve ter conhecido a atriz somente agora, no horário nobre da telinha. Sim, porque até então Cláudia era atriz ‘restrita’ a Bahia, já que o teatro não promove a mesma visibilidade da televisão, num país de passagens com preços tão exorbitantes como é este Brasil.

       Daí que a presença de Cláudia Di Moura, além de ser mais uma constatação da relevância da produção teleaudiovisual como espaço potencial para evidenciar as centenas de artistas valorosos que vivem espalhados Brasil afora, reforça a ambiência nordestina definida pela obra de João Emanuel, Márcia Prattes, Maria Di Médicis e Dennis Carvalho. Outrossim, além de ser importante para a carpintaria profissional da atriz, a presença de Cláudia Di Moura é uma aquisição significativa também para o cenário artístico da Bahia e um trunfo para a instigante história ambientada em Salvador. 

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Cláudia Di Moura e o abraço do diretor Dennis Carvalho…

  O primeiro grande momento da personagem Zefa no enredo talvez tenha sido quando seu filho Roberval (interpretado com brilhantismo por Fabrício Boliveira) descobre que é filho bastardo do patrão de Zefa, o rico e corrupto empresário Severo Athayde (vivido por Odilon Wagner). 

          Como seria esperado, mesmo fora da ficção, o jovem negro revolta-se contra o pai, que nunca o assumiu, faz um escarcéu diante de toda a família e decide ir embora dali. Sentindo-se aviltado, diminuído e vilipendiado por todos os anos de invisibilidade, Roberval arruma suas coisas e chama a mãe para seguir junto com ele, abandonando o passado de humilhação e aviltamento. Mas a mãe não adere a Roberval, o que o deixa surpreso e furioso, e ele se aparta dela, diminuído, indignado, e diz que ela não é mais sua mãe. A cena é de uma orça impressionante, não só pela atuação dos atores mas por tudo que cerca a narrativa: o confronto mais pujante da sequência é debaixo de chuva, e colaboram para a tensão a trilha, o enquadramento da direção, a fotografia e os diálogos bem construídos.

Zefa

A emocionante cena em que Roberval e Zefa se apartam…

Roberval então passa a trabalhar na construção civil e numa das construções onde trabalha, conhece a poderosa Laureta. Os dois tem um caso e Roberval termina ganhando um bom dinheiro, vai morar no exterior, e fica ausente do país por quase 20 anos. Nesse tempo, a mãe tenta algum contato com ele, mas ele não dá o menor sinal de vida pra ela. No tempo que ficou fora do país, acabou tornando-se um rico empresário na África e volta ao Brasil disposto a reencontrar um grande amor. Por conta desse amor, que é Cacau (interpretada por Fabíula Nascimento), Roberval volta a falar com a mãe.

A trama é muito boa e não chama Segundo Sol à toa: quem acompanha a novela, sente que há, no subtexto da história pessoal de cada personagem, um motivo para que suas vidas se apresentem, em diversos momentos, como regidas por duas energias distintas, ou seja: há sempre uma curva nas voltas do caminho; uma espécie de espelho subjaz em cada conflito ou situação criada pelo desenrolar da história. Embora isso seja um traço bem pertinente ao histórico criativo de João Emanuel Carneiro, em Segundo Sol isso emerge com uma força exponencial, pois há uma série de fatores atuando em uníssono para assegurar o êxito da novela. Mas isso já é tema para outro comentário, mais extenso, que faremos noutra ocasião. Por enquanto, queremos apenas registrar que  Segundo Sol tem potencial para alcançar o mesmo êxito da notável Avenida Brasil.

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Odilon Wagner, Cláudia Di Moura e Fabrício Oliveira: muito pano pra manga na ótima trama de Segundo Sol

Vamos então agora destacar duas cenas emblemáticas de Segundo Sol, nas quais a atuação de Cláudia Di Moura foi decisiva:

Nas duas cenas, o conflito mãe e filho está em relevo: a primeira foi exibida em 19 de julho e foi mais ou menos assim:

O capítulo teve como ponto alto o estopim da condição profissional de Rosa ser contada a seus pais, de forma humilhante, por Laureta. Foi uma cena fortíssima, na qual a atuação dos atores foi um ponto qualificadamente determinante. Adriana Esteves, Letícia Colin, Roberto Bonfim e Kelzy Ecard ganharam falas para arrebentar, e não fizeram por menos. Outro ponto que merece comentário nosso em outro post.

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Letícia Colin e Roberto Bonfim numa contracena de intensidade e emoção…

E em meio à avalanche de emoções mobilizada por essa situação – vivida por Rosa diante dos pais -, a cena de Zefa para a qual chamamos a atenção aqui, passou quase despercebida. Procuramos uma imagem na web que pudesse ilustrar e não encontramos sequer menção à cena, uma das mais belas entre mãe e filho, até hoje, protagonizadas na teledramaturgia: 

Foi quando a força do Amor se fez soberana e sobrepujou até a condição sempre submissa da linda personagem vivida pela querida baiana Cláudia Di Moura: 

Questionada pelo filho porque insistia em ficar ao lado de Severo (corrupto juramentado), Zefa emocionada diz que ama o patrão e pede ao filho que respeite suas escolhas !

Foi o primeiro sinal da personagem na direção de mostrar-se intensa, mulher, feminina, sexuada e também capaz de altivez em meio a uma história de submissão, subtração, e sentimentos escondidos sob muito silêncio e sofrimento.

A construção verbo-visual da cena foi primorosa, e terminou com o espanto filial ante tamanha revelação, para encerrar mostrando uma Zefa triste e chorosa dentro de um ônibus.

Ali abriu-se uma fresta importante para o telespectador conhecer uma profusão de emoções que pulsam na alma da personagem, submersos à custa de sentimentos escondidos e guardados sob a tutela da submissão, do racismo, da condição secular de opressão às mulheres !

Gol de placa do autor, da direção e da competência notável da atriz !

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Aplausos de pé para Cláudia Di Moura !

A outra cena é uma em que Zefa, em atitude inédita, enfrenta o patrão e assume e uma postura cheia de eloquência e altivez. É EMPODERAMENTO que fala, né ?! E, neste caso, duplo: da personagem e da atriz !

Em providencial analogia, podemos dizer que se trata de uma escala geométrica:
na medida em que a potência do discurso narrativo se intensifica, a interpretação de Cláudia Di Moura vai-se revelando arrancada das entranhas !

O que mais pode querer um autor do que encontrar um intérprete que eleva a qualidade do seu texto ? E uma atriz, o que mais pode desejar da profissão que receber um texto que lhe permita colocar a alma em cena e transfigurar-se em outro ser ?

Cláudia Di Moura está criando acordes poéticos com as palavras de João Emanuel Carneiro e Márcia Prates, e baila nas cenas lindamente desenhadas por Maria di Médicis e Dennis Carvalho !

Quem ganha e agradece, penhorado, são seus fãs, nos quais me incluo, GRATA.

Aplausos de pé para Cláudia Di Moura e a emblemática cena do capitulo do dia 26 de julho na casa da família de Severo Athayde !

Cláudia

                                     Bem-vinda sois, Cláudia Di Moura !

SEGUNDO SOL: Trama reafirma excelência dramatúrgica de João Emanuel Carneiro

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Adriana Esteves (em cena com Narcival Rubens) faz a poderosa Laureta, ‘rainha da Armação’…

Sem mimimi nem quaquaquá, novela das 9 é exemplo que dignifica Teledramaturgia

                                                                                             *Aurora Miranda Leão

luisa

                                    Luísa Arraes e Giovanna Antonelli são filha e mãe

         Há muito, a telenovela Segundo Sol está merecendo de nós um rasgado elogio público.

            Desde sua estreia, a trama de João Emanuel Carneiro (dirigida por Maria Di Médicis e Dennis Carvalho) nos chama atenção pela excelência: seja do texto, do discurso, das imagens, da fotografia, ou das atuações. Tudo em Segundo Sol (SS) destaca-se pela qualidade. E temos ressaltado isso desde a estreia da novela do horário nobre em nosso instagram @auroradecinema.

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Roberto Bonfim e Kelzy Ecard engrandecem seus personagens !

            É de tal modo pujante a narrativa de Segundo Sol que já podemos afirmar: a novela é uma outra Avenida Brasil (AB), Melhor e com maior capilaridade. Nisso não há comparação de valor artístico das obras mas a constatação de que tudo o que era/é excelente em Avenida, nesta atual o é igualmente. Com a vantagem, para Segundo Sol, de novos progressos tecnológicos, muito mais chão na trilha literária do autor, novos recursos imagéticos, maior sintonia entre ficção e realidade; técnicos com competências ainda mais aguçadas (afinal, de lá pra cá, foram alguns anos apreendendo novos formatos para destacar o mais relevante de cada cena), e um telespectador muito mais exigente.

            Certo é que Segundo Sol é uma obra que impressiona pela qualidade de sua narrativa ! Chega a ser surpreendente a capacidade de João Emanuel Carneiro de lançar toda noite para a audiência um novo novelo para tecer – e que a gente pensa que levará alguns dias para o bordado ser concluído) -, até que, de repente, o novo desenho se apresenta e ele já oferece outro, de bandeja, para nós que acompanhamos a obra com afinco.

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Chay Sued e Adriana Esteves em atuações primorosas !

           Fico do lado de cá da poltrona a aplaudir essa ousadia notável do escritor, como quem se joga do alto do despenhadeiro, sem rede de proteção, e ainda diz: “pode olhar, que não vou morrer !” Ou seja: pode curtir, telespectador, que a trama não vai parar de surpreender ! Muito ao contrário: quanto mais situações novas o autor coloca, mais e mais surpresas ele oferece ao público, sem medo de estancar o motor !

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Nanda Costa e Letícia Colin vivendo mulheres poderosas !

          Isso nos leva a lembrar o acertado codinome de João Emanuel Carneiro: o autor é sim, sem nenhum favor, o Rei do Gancho ! E como é prazeroso acompanhar uma novela dele.

Aliás, depois que você assiste a uma novela de Joõa Emanuel Carneiro, com a atenção necessária (sem perder um capítulo), nunca mais você precisa perguntar se tal ou qual novela é boa. Porque as novelas de João Emanuel são paradigmáticas: todas as tramas dele são notáveis, o que vem num crescendo indubitável desde A Favorita.

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Boliveira e Fabíula Nascimento fazem um casal muito enrolado…

             Outrossim, em Segundo Sol, o texto primoroso de João Emanuel Carneiro (que tem Márcia Prattes como parceira na redação) ganha relevo com a atuação magnânima do elenco – com destaque para Adriana Esteves, Vladimir Brichta, Letícia Colin, Chay Sued, Deborah Secco, Luísa Arres, Fabrício Boliveira, Cláudia Di Moura, Fabíula Nascimento, Emílio Dantas, Nanda Costa, Roberto Bonfim– e a profícua parceria de Maria Di Médicis e Dennis Carvalho na direção. Tudo junto e misturado, ressaltamos que daí decorrem todos os demais acertos da obra, da escolha das músicas à fotografia notável (a Bahia nunca vista de forma tão linda na telinha), passando pelos figurinos adequados e culminando com o sotaque espetacular que ouvimos através dos que traduzem em áudio as palavras de João Emanuel e Márcia Prates.

Zefa

Fabrício Boliveira e Cláudia Di Moura em atuações magnânimas !

Aliás, é mister sublinhar a enorme repercussão da novela nas redes sociais, nas quais há diversos twittes e contas no Instagram dedicadas aos personagens de maior sintonia com o público. Nesse viés, ressaltamos a emblemática atuação de Letícia Colin – que é, ressalvando as diferenças de caráter e atitude, a Carminha desta novela (no sentido de empatia da personagem); Chay Sued e Vladimir Brichta, os grandes destaques masculinos (como em AB foram Murilo Benício e Juliano Cazarré); Giovanna Lancelotti (atuação tão exponencial quanto o foi a de Isis Valverde em AB), e Cláudia Di Moura, que se destaca pelo magnetismo de sua atuação – tal como em AB tivemos a estreante Cacau Protásio se sobressaindo, embora a personagem Zefa tenha como pilar uma densidade dramática que não havia em Zezé, a qual a atriz assume com a maior competência.

rosa

Letícia Colin e Chay Sued imprimem selo de Grandes Intérpretes a Rosa e Icaro.

   Um 10 GIGANTE para Segundo Sol, sobre a qual ainda pretendemos escrever vários outros artigos, pois motivos não faltam, e sobram percepções pelas quais a obra deve ser analisada. Além disso, evidências de que o enredo é forte candidato ao Emmy, e vários outros prêmios, desfilam na nossa telinha diariamente.

            O tema é palpitante demais. Retornaremos a Segundo Sol em breve.

Drica e Lê

Rosa e Laureta: protagonismo feminino traduzido em grandes personagens, vividas por duas atrizes soberbas !

Zeca Veloso e a universalidade de Todo Homem…

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     Zeca Veloso poetiza a universalidade do FEMININO…

Quando ouvi pela primeira vez a canção de Zeca Veloso, cujo refrão é hoje conhecido e cantado por dez entre 10 brasileiros, aqueles versos ficaram  cantar comigo por dias e dias… “Todo homem precisa de uma mãe”

Foi no final de 2017, último programa Conversa com Bial do ano passado. Zeca estava acompanhado do pai e dos irmãos Moreno e Tom. O centro da conversa era o show que fariam no Rio e depois em turnê pelo país.

OFERTÓRIO já passou por diversas cidades e capitais. Em julho, segue para turnê européia. A canção que tanto me encantou, TODO HOMEM, virou tema de abertura da supersérie ONDE NASCEM OS FORTES (atual atração das 23h na TV Globo).

Ao expressar que TODO HOMEM PRECISA DE UMA MÃE, Zeca Veloso não só escreveu um dos versos mais ricos do cancioneiro nacional, como emprestou a tonalidade e leveza de sua afinação à música que hoje é o carro-chefe do show OFERTÓRIO. Ademais, Zeca criou uma pérola da MPB, através da qual canta – com uma simplicidade desconcertante – o mais atávico dos sentimentos humanos: a necessidade de uma mãe.

Vértice de TODO HOMEM, os versos da canção extrapolam a dialogia filho-mãe ao colocar essa relação de necessidade/carência não apenas no masculino mas transpondo os limites da sexualidade ao universalizar a humanidade contida em todo homem, evidenciando uma essencialidade, comum de todos. 

A riqueza dos versos de Zeca Veloso universalizam esse homem: é sobre o SER HUMANO que a poética de Zeca discorre. Todo homem precisa de uma mãe revela não apenas um masculino que precisa, gosta, quer e clama pela mãe, mas afirma o sentimento ancestral e imanente que se aninha em todos nós, e se expressa, nos quatro cantos do planeta, como acolhimento, colo, grandeza, intensidade, abrigo, concha, útero, Mãe, TERRA ! 

O mel, a prata, o ouro e a rã
Cabeça e coração

E o céu se abre de manhã
Me abrigo em colo, em chão

O Homem que Zeca Veloso canta é, além e ademais do homem masculino, o Humano que imprescinde da matriz geradora, o Humano que precisa, depende e se enriquece com a força e a segurança da Mãe, que é Terra, ventre, húmus, ânima, fonte, raiz, força e luz !

Ao se despir de qualquer pudor e escancarar uma suposta fragilidade, Zeca revela um condão singular, rico e eloquente, além de um saudável desassombro diante de uma carência ancestral, tão própria do humano quanto difícil de ser admitida, muito menos confessa em alto e bom som. A poesia de Zeca Veloso me conduz à famosa Rosa de Drummond: “Uma Rosa é uma rosa, é uma rosa…”

Porque se em Drummond é a ROSA que escancara a fragilidade inerente ao humano ante um mundo que maltrata pela frieza e amedronta pela indiferença com o outro. em Zeca é a MÃE que simboliza esse sentimento do mundo, universal e inescapável.

E para corroborar o que afirmamos, cabe-nos recorrer a Theodor Adorno*:

“Um poema não é a simples expressão de sentimentos e experiências individuais. O poema só se torna uma obra artística quando, ao expressar a especificidade do indivíduo em uma forma estética, torna-se universal”. (ADORNO, 2003, p. 66).

ONDE NASCEM

TODO HOMEM PRECISA DE UMA MÃE: versos de Zeca Veloso cabem à perfeição na supersérie da TV Globo…

Diz a letra de TODO HOMEM :

O sol, manhã de flor e sal
E areia no batom

Farol, saudades no varal
Vermelho, azul, marrom

Eu sou cordão umbilical
Pra mim nunca tá bom

E o sol queimando o meu jornal
Minha voz, minha luz, meu som

Todo homem precisa de uma mãe
Todo homem precisa de uma mãe

O céu, espuma de maçã
Barriga, dois irmãos

O meu cabelo negra lã
Nariz, e rosto, e mãos

O mel, a prata, o ouro e a rã
Cabeça e coração

E o céu se abre de manhã
Me abrigo em colo, em chão

Todo homem precisa de uma mãe
Todo homem precisa de uma mãe
Todo homem precisa de uma mãe
Todo homem precisa de uma mãe…

Diante de tamanha clarividência, assomam as sábias palavras de Leonardo da Vinci:

“A simplicidade é o máximo da sofisticação”.

Nosso aplauso caloroso, e a mais pura expressão de nosso afeto para Zeca Veloso, por nos presentear com essa lindíssima TODO HOMEM, que vai atravessar os tempos com a pujança e beleza atemporal de seus versos.

*ADORNO é filósofo, sociólogo, musicólogo e compositor alemão. É um dos expoentes da chamada Escola de Frankfurt.

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Os VELOSO juntos no show OFERTÓRIO: talento que se consolida em gerações…

OUÇA TODO HOMEM: https://www.youtube.com/watch?v=yjxriFArvMk

Sua bênção, Fernanda Montenegro e Lima Duarte !

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Na simplicidade de uma cena, a grandeza de dois intérpretes excepcionais !

                                                                                                    Aurora Miranda Leão*

Uma situação corriqueira do dia-a-dia, numa casinha simples do interior do Tocantins, em que são figuras centrais uma mulher e um homem, já na terceira idade. Os dois são amigos de longa data e por idas e voltas do destino, acabaram se encontrando, reencontrando e mantendo uma intensa e bonita relação afetiva.

A teledramaturgia, que nos dá a chance cotidiana de enxergar o Brasil em suas múltiplas configurações, com sua enorme teia de mazelas, contradições, incongruências, e sentidos, é quem nos traz também a possibilidade do encontro com nossa identidade. A galeria tem fartura para todos os gostos, e é tão rica que há anos nos tem premiado com reconhecimento internacional.

No meio do enorme acervo de obras, no qual há nomes do quilate de Bráulio Pedroso, Janete Clair, Dias Gomes, Jorge Andrade e Cassiano Gabus Mendes, temos os contemporâneos como Gilberto Braga, Ricardo Linhares, Walcyr Carrasco, Duca Rachid, Thelma Guedes e Joãao Emannuel Carneiro, para citar apenas alguns.

Pois hoje nos sentimos de tal modo arrebatada por uma cena ‘corriqueira’ da novela do horário nobre, que nossa primeira tomada de território foi pegar a caneta e escrever. Por isso, este comentário é sobre uma cena da novela de Walcyr Carrasco, O outro lado do paraíso.

A cena é tão trivial que um espectador menos atento pode passar por ela batido. Mas é justamente na extrema simplicidade de sua construção que está imersa a profunda riqueza de sua produção de sentidos. É no assenhorar-se do corriqueiro – como quem debruça na janela e admira o vento a secar roupas no varal – que reside a eloquência de toda a significação da cena.

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Fernanda e Lima reafirmam grandeza excepcional da Teledramaturgia Brasileira ! 

Não há um conflito enorme, não houve nenhum gancho especial, nenhuma interrupção necessária para preparar o espectador, nada de grandes diálogos, falas bem elaboradas, figurinos ou iluminação diferente para nos transportar para um clima A ou B. Todo esse aparente e ordinário lugar comum da cena serviu para ressaltar, emoldurar e destacar ainda mais a grandeza da cena exibida nesta quarta pela TV Globo em O outro lado do paraíso.

Para nós, a novela marcou com a cena seu inesquecível 7 a 1 e serviu para nos tirar o foco da situação crítica terrível  em que está assolado o país – violência e desmandos políticos que corroem o país inteiro –, e para conduzir nossa emoção rumo a uma fenda de esperança que ainda existe e que nos reaviva a crença de que ainda é possível acreditar no país, apesar de tudo e mesmo diante de tanta criminalidade, de toda ordem.

Uma cena como a que Fernanda Montenegro e Lima Duarte protagonizaram nos faz crer que a Teledramaturgia ainda é capaz de nos salvar do abismo em que nos assolaram.

E nos deparamos com indagações assim:

Que país do mundo pode exibir em sua televisão aberta, em horário nobre, um duelo de Gigantes da Cena como o Brasil ?

Que Narrativa de Ficção Seriada do mundo – além da nossa – pode se orgulhar de oferecer ao seu imenso público cotidiano, de graça, a honra de ver a contracena dramática, em sua forma mais perfeita de excelência artística ?

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Que Teledramaturgia do continente pode de arvorar de ter Fernanda Montenegro e Lima Duarte como dois Patrimônios vivos e genialmente sublimes de sua densa e complexa engrenagem estética ?

Nós podemos ! E contar com estes dois gigantes da Cultura Brasileira dando o show desta noite – digno de aplausos em cena aberta – em meio ao caos ético e político em que está chafurdado o país, é um alento e um sopro de esperança em meio ao inóspito cenário em que estamos todos mergulhados !

Por isso é que a gente só pode é RIR MUITO quando a TV Globo concorre ao Emmy e quem ganha é a teledramaturgia (?) da Turquia...

Viva, Fernanda Montenegro !!!
Salve, Lima Duarte !!! 

Ainda que por nada mais merecesse elogios, só por contar com a atuação de Fernanda Montenegro e Lima Duarte, e, sobretudo, pela cena magnânima do capítulo desta quarta, 28 de março, a novela O Outro Lado do Paraíso já pode estampar agora o selo de reconhecimento e aplauso à cena mais linda deste Março de 2018 !

         Levando em conta, ademais, que Lima Duarte é o ator mais longevo em atuação no país – ele está na primeira imagem exibida pela TV brasileira, em setembro de 1950, quando a TV Tupi exibiu as primeiras imagens da TV no Brasil, e que Fernanda Montenegro é, reconhecidamente (por seus pares, pelo público e no mundo inteiro) a Primeira Dama do Teatro Brasileiro (com dezenas de personagens inesquecíveis vividos nos palcos – de Shakespeare a Nelson Rodrigues, de Fassbinder a Domingos de Oliveira, de Millôr Fernandes a Tchecov, de Augusto Boal a Adélia Prado -, a presença dos dois atores na narrativa ficcional brasileira se agiganta !

  Para quem perdeu: a personagem de Fernanda vai avisar que se descobriu viúva e pede o amigo em casamento. Mas ele não aceita que a iniciativa parta da mulher e diz que ele é quem tem de pedir. É tudo muito simples, mas tudo o que a aparente singeleza esconde, explode em atuações soberbas e fornece um material riquíssimo de significações para diversos estudos a partir da narrativa teledramatúrgica.

Um show emocionante, lindo, estupendo ao leve alcance de um click ! Acesse pelo site Globo.com ou veja/reveja pelo Globo Play !

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Um caloroso Parabéns aos notáveis Fernanda Montenegro e Lima Duarte !!! E vida longa à nossa Teledramaturgia !!! 

Conversa com Bial: pra ficar tudo jóia rara…

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Jornalismo, Entretenimento, Atualidade e Memória no Conversa com Bial    

                                                                                                     *Aurora Miranda Leão

         Desde dois de maio, os madrugadores contam com nova opção na TV: Conversa com Bial é o talk show que o jornalista Pedro Bial comanda a partir das 24h. O programa assumiu o lugar até então ocupado pelo programa de Jô Soares, que ficou 20 anos no ar com o programa de entrevistas mais famoso da TV brasileira.

       Conversa com Bial estreou numa terça-feira, tendo a ministra Carmen Lúcia (presidente do Supremo Tribunal Federal) e a atriz Fernanda Torres como convidadas. O programa começou um tanto “engessado” porque os primeiros números foram gravados antecipadamente, mas desde que isso mudou – com gravações mais próximas do dia em que vai ao ar -, o programa mostra-se cada vez mais interessante. A fórmula é simples e bem conhecida:  junta boa conversa, assuntos interessantes, convidados que já possuem alguma sintonia com o público, pouca música, tempo para exposição dos assuntos e espaço para diálogos entre os convidados.

           Isso nos parece ser um dos motivos pelos quais o Conversa com Bial vem ganhando a adesão do público: se antes muita gente queixava-se de que Jô Soares não deixava o entrevistado falar, hoje as pessoas sabem que, se ligarem a TV para ver o programa do Bial, vão ter a oportunidade de ouvir mesmo os convidados.

        O jornalista-apresentador-cineasta, que passou mais de uma década no comando do BBB, tem-se esmerado em deixar que o outro fale mais que ele próprio. Isso faz com que o telespectador saiba que vai ouvir um convidado a contar de seus planos, idéias, ações e atualidades. Outro diferencial deste talk show é a presença de pessoas que estão muito em evidência nas redes sociais, ou ainda pessoas que vem falar de assuntos quase inéditos, como um show que está para estrear, um livro que acaba de sair ou um filme que está às vésperas da estréia, por exemplo.

    Por outro lado, se o programa mantém uma banda em seu auditório – qual o famoso sexteto do Jô, que acabou virando quarteto -, por outro lado incluiu o que nos parece ser o grande diferencial que o diferencia e eleva o nível das edições: a inclusão de pequenos vídeos históricos, os quais referendam a conversa em evidência, atualizam o contexto e trazem um apelo à memória forte, bonito, singular. Isso eleva sobremodo o nível do programa e faz com que a entrevista realmente traga dados novos ao assunto abordado. Foi o caso, por exemplo, do programa em que Guimarães Rosa foi o epicentro e imagens preciosas do escritor na Alemanha, e outras com depoimento de sua viúva, deram à Conversa um quê de ineditismo digno de aplausos. Assim como nesse exemplo, poderíamos citar diversos outros em que isso se observou, como o programa da semana passada, que mostrou imagens muito antigas da atriz Elisangela no início da carreira e até sua fase cantora. Esse viés documental, que traz preciosas imagens de arquivo, por certo está alicerçado na presença de importantes jornalistas ligados ao cinema na redação do programa. É o caso de Renato Terra e Ricardo Calil, autores do belo e importante Uma noite em 67 sobre o histórico festival de música da Record.

         Mas se o Conversa com Bial tem isso de ganho, a um desfalque importante em relação ao programa do Jô: a ausência do prolífico debate que Jô Soares comandava às quartas-feiras quando abria generoso espaço para a participação feminina e reunia um time de mulheres jornalistas (diferente a cada quarta) para comentar assuntos da área política. Destacar a participação feminina no espaço do pensamento político era realmente um auspicioso dado novo, evidenciador de uma decisão editorial relevante, e muito adequado a este momento em que se faz tão necessário dar vez, voz e destaque à presença feminina nas mais diferenças esferas, ajudando a quebrar paradigmas que tanto contribuíram para desmerecer a mulher e dar a elas um lugar sempre à margem da história.

         Assim, acreditamos que o Conversa com Bial entra para o anuário da TV como uma das boas estréia do ano: um programa leve, recheado com boa música, conteúdo pertinente, e informações inéditas até então, o que reforça no imaginário geral o convite de seu antecessor para que o público vá para a cama mais tarde. Ou então, corre-se o risco de ficar sabendo, apenas no dia seguinte, que você perdeu Caetano Veloso tocando e cantando com os três filhos, pela primeira vez na telinha, em momento singular, com revelações incríveis e cenas do arquivo pessoal do artista, anunciando, em primeira mão, o show que estrearia alguns dias depois em São Paulo e no Rio.

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Juliana Paes e Elisangela esbanjaram simpatia e carisma no Conversa com Bial…

Enfim, são em média 40 minutos de programa diário, no qual se acompanha um bate papo interessante com convidados dispostos a contar de si e com visível interesse para trocar idéias, que muitas vezes tempo da atração parece pequeno demais para o que se tem a verouvir.

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Bial recebeu Jô Soares numa bela homenagem ao emérito Artista Brasileiro de mil talentos… #aplausoblogauroradecinema 😉

Raimundo Rodriguez imprime sua arte em série gravada no Pantanal

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Raimundo Rodriguez: em qualquer tempo, a criação de universos mágicos com matriz na cultura popular

Chama O Pantanal e Outros Bichos a série que deve ser exibida ano que vem pela rede de TV pública do Brasil, que tem direção de Amauri Tangará, e foi rodada no Pantanal. 

Com recursos do Fundo Setorial do Audiovisual (FSA/BRDE /ANCINE), a série terá 26 capítulos e tem como público-alvo crianças e adolescentes. O enredo fala de tecnologia e meio-ambiente. Tudo começa na fazenda de um  casal que vive no Pantanal. Os avós recebem  com alegria a visita dos netos mas quando percebem que as crianças só querem saber de tecnologia (o dia todo com o celular), eles decidem levá-los para conhecer o mundo mágico do Pantanal. É aí que aparecem os diversos personagens mitológicos da região, como o Pé de Garrafa, a Mãe do Morro e a Porca dos sete leitões.

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O Pantanal e outros bichos é uma realização da produtora Cia D’Artes Brasil e o elenco conta com 90% de atores mato-grossenses. Tati Mendes, produtora-geral da série, conta que 8 companhias de teatro da região foram convidadas a participar, dentre elas o Grupo Tibanaré, a Cia Faces de Teatro (de Primavera do Leste) e o In-Próprio Coletivo:

Além de contemplar os artistas locais, a produção da série também fez questão de chamar artistas nacionais conhecidos, como é do ator Roberto Bonfim, que tem mais de 50 novelas no currículo, dezenas de peças teatrais e 44 longas-metragens, vai interpretar o avô em O Pantanal e Outros Bichos. Outro convidado de fora da região era o cineasta Geraldo Moraes, que faleceu há poucos meses.

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Roberto Bonfim tem papel de destaque em série sobre o Pantanal…

“Eu faço o avô, o velho fazendeiro. Ele é um pantaneiro, na verdade ele não é do Pantanal, ele é do Rio de Janeiro, mas casou com uma pantaneira, comprou uma fazenda e passou a ser um fazendeiro da região. A história gira em torno desses netos, que são informatizados, vidrados no celular, e que vem visitar o avô e começam a largar a tecnologia visitando esse mundo fantástico”, diz Bonfim. “Fiquei maravilhado exatamente por isso. Eu já fui folclorista, mas este mundo da fantasia, esses entes, essas entidades fantasiosas do Pantanal, eu não conhecia. Eu conheço do nordeste, conheço do Sul… mas a ‘Mãe do Morro’, o ‘Pé de Garrafa’, são personagens que eu não conhecia. Quando eu comecei a ler, eu falei “mas como é que eu não conhecia?” Então me entusiasma nesse sentido. Primeiro porque revela este mundo magnífico do Pantanal, um outro mundo. Você imagina, eu fui folclorista e não conhecia, imagina o resto do Brasil?!”

Mas o grande trunfo dessa produção televisiva é contar com a presença do artista plástico Raimundo Rodriguez, o que por si só já é indício de que vem por aí uma obra com requintes de alta qualificação cenográfica, visual e imagética.

Raimundo Rodriguez é um artista com singularidades de poeta popular. Ama o que faz e parece despetalar sua alma em mil pedacinhos quando assume um trabalho. A rotina do artista vira de cabeça para baixo: ele mergulha de tal modo no universo a ser criado que seu cotidiano passa a ser o do mundo que ele vai representar com sua criatividade ancestral. Seja imaginando o figural dos personagens ou desenhando mentalmente a ambiência ao qual vai dar vida, cor e sentido, Raimundo Rodriguez é um artista em quem a arte coabita, indissociável, com sua personalidade.

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Raimundo Rodriguez e Luiz Fernando Carvalho: quem ganha é a Dramaturgia !

Ciente disso é que o diretor/cineasta Luiz Fernando Carvalho o convidou para criar a ambiência cênica da minissérie Hoje é Dia de Maria, e nunca mais perdeu Raimundo de vista. Juntos, criaram obras memoráveis como A Pedra do Reino, Capitu, Meu Pedacinho de Chão, e Velho Chico, e já sabemos que vem mais por aí. A parceria de Carvalho e Rodriguez é um marco decisivo na teledramaturgia brasileira.

Pois bem: qualquer espectador esperto percebe isso, e os que militam na área do audiovisual tem sobejas razões para querer a assinatura de Raimundo Rodriguez em suas produções. Portanto, se RR está na criação estética de O Pantanal e Outros Bichos, a série televisiva tem meio caminho andado para agradar.

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A marca de Raimundo Rodriguez é o trabalho com reciclagem. E é por esse viés que o artista assina a cenografia, os figurinos e a direção de arte de O Pantanal e Outros Bichos. Entusiasmado, ele conta: “Achei maravilhoso o projeto, principalmente porque eu só aceito trabalhar com pessoas que se identificam com meu trabalho. Porque, na verdade, o que eu faço é continuar o meu trabalho como artista plástico, eu não preciso mudar a minha forma de linguagem. O que eu faço é adequar essas peças, o que eu crio para a dramaturgia exigida”, conta. “A minha identidade vai aparecer muito mais no mundo mágico, porque eu uso muita lata. O cavalo é de lata, a sereia é de lata, de caixas de leite na parte metálica, tudo eu remeto a lata, é uma linguagem que é reconhecida dentro do meu trabalho”.

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Hoje é dia de Maria: obra que celebra a parceria Luiz Fernando Carvalho e Raimundo Rodriguez

Para Raimundo Rodriguez – esse cearense notável que tivemos a honra de conhecer através da telenovela Meu Pedacinho de Chão (obra-prima de Benedito Ruy Barbosa e Luiz Fernando Carvalho), o importante não é usar a reciclagem pela reciclagem, mas sim valorizar a energia dos produtos: “Eu falo sempre que a reciclagem é um princípio humano. Desde que o homem é homem ele recicla. Quando ele transforma uma pedra em uma ponta de lança, ele já reciclou. Eu acho que é uma questão de sobrevivência. Eu gosto da questão dos materiais. Pra mim, se é material, eu uso como matéria-prima. O que eu gosto é de ter a energia das coisas usadas. Se aquilo foi usado por alguém, utilizado pra construir uma casa, pra cavar um buraco, pra erguer outra coisa, que seja o que for, e aquilo não tem mais aquela função, eu gosto de transformar e dar uma nova vida a elas”.

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O fabuloso cenário de latas criado por Raimundo Rodriguez para abrigar a narrativa da telenovela Meu Pedacinho de Chão

Mitos do Pantanal

Amauri Tangará, diretor da série, tem mais de vinte e cinco anos de experiência, diversos longas e curtas no currículo, além de uma extensa estrada no meio teatral. Mas esta é a primeira vez que trabalha com televisão:

Você fazer uma série de 26 capítulos, onde você tem que ter uma preocupação muito grande com o fio condutor da historia, de prender o espectador, criar situações para que ele queira continuar vendo esses capítulos, tudo isso é uma estreia pra mim. Eu cheguei a fazer até uma série no Araguaia de cinco capítulos, mas como era uma série documental, era diferente, cada capítulo era temático, então não tinha problema nenhum. Mas essa não, essa é uma história só”, afirma. “O trabalho então corresponde a quatro longas-metragens ! São quatro longas-metragens numa história só, então é um tremendo desafio”.

Segundo o diretor, outro desafio foi colocar o Pantanal como pano de fundo da história, e inserir os mitos no roteiro: “E depois também a forma como nós encontramos de poder misturar o real e o irreal, a fantasia e a realidade, que se cruzam, que estão juntos. Então isso tudo ajuda você a desenvolver um tema, te dá mais facilidade, porque como você mistura as duas coisas, você não sabe mais que momento está com o real e o irreal. Foi muito legal transitar por esses dois lados, recuperar alguns mitos que são daqui”.

O diretor Amauri Tangará junto ao cavalo de lata criado por Raimundo Rodriguez. (Foto: Olhar Conceito)

A ideia inicial da história partiu de Luck P. Mamute, escritor e filho de Amauri. Tudo começou há cerca de dois anos: “Quando o Amauri chegou pra mim e falou ‘vamos fazer uma série pra crianças, com uma temática diferente’, eu olhei pro lado e vi minha filha e minhas três sobrinhas com o celular na cara, e a gente na Chapada dos Guimarães. Então pensei, alguma coisa está errada, vamos pegar essa molecada e colocar num universo com essa tecnologia, mas que eles tenham outras possibilidades. E foi mais ou menos daí que nasceu O Pantanal e outros bichos, pra molecada sair da frente do celular e ver tudo o que a gente tem no mundo. E o que está dentro da série, nada mais é do que possibilidades, porque eu duvido alguém falar que não existe”.

As gravações da série terminaram em setembro e a ideia é que o produto esteja pronto em janeiro ou fevereiro: “Nos primeiros seis meses depois de pronta, ela vai ficar à disposição de todas as TVs públicas do Brasil, que são 180 canais. Seria uma forma de pagamento do dinheiro que a gente pegou emprestado. Porque as pessoas acham que este é um dinheiro público, mas não é. Esse é um dinheiro de um fundo que a gente vai ter que devolver. A gente pega esse dinheiro, faz o filme, depois vai ter que devolver para que continuem gerando outros projetos. Esses primeiros seis meses, serão como se a gente estivesse pagando juros disso. Depois vai ficar à disposição pra gente vender para qualquer canal que quiser”, explica Amaury Tangará.

Os produtores da série também estudam a produção de um longa-metragem, um livro de receitas pantaneiras do ‘Tio Berê’ e outras temporadas da série: ‘O Cerrado e Outros Bichos’, ‘A Floresta e Outros Bichos’ e ‘A Cidade e Outros Bichos’.

Parte da equipe envolvida com a série para TV pública sobre o Pantanal, vendo-se a direita o ator Roberto Bonfim (sentado) e o artista plástico Raimundo Rodriguez.

Dja Marthins e José Araújo: artistas do teatro e da TV que a gente adora !

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Duas figuraças super Queridas: os atores José Araújo e Dja Marthins !

Encontrar com gente que acredita e defende as mesmas coisas é sempre oxigenante ! Por isso, ffoi um presente divino encontrar ja Marthins e José Araújo numa tarde de primavera na lendária Copacabana.

Dja e Zé são artistas de nossa maior estima. Tenho por eles uma Admiração imensa, nascida de minha saudável mania de gostar de histórias. Por isso, a teledramaturgia me acompanha desde criança. E quando os vi atuando com maestria em televisão, interpretando personagens que eles tornaram marcantes, foi aquele arrastão na minha sensibilidade ! De pronto, fui logo tentar descobrir quem eram os dois intérpretes que pegaram uma trama já quase no meio e pareciam integrados à narrativa desde sua gênese. Predicado que só acontece com os vocacionados.

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Dja Marthins, José Araújo e Nathália Dhil em cena da novela Jóia Rara

Dja e Zé faziam um bondoso casal que acolhia a personagem de Nathália Dill na pequena obra-prima chamada Jóia Rara, das queridas autoras Duca Rachid e Thelma Guedes – novela em que Mel Maia foi a protagonista e brilho com todo o esplendor de seu talento ímpar !

A web nos possibilitou a aproximação com Dja e José Araújo. Mas nós já antevíamos que nossa sintonia tinha raízes mais fortes.

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Queridos de muito tempo, eu, Zé e Dja já havíamos combinado encontros mas só naquela sexta, 13 de outubro, isso foi possível. Em nosso feliz encontro, descobrimos até que já nos conhecíamos: eu na plateia deles – em teatros diferentes e com espetáculos grandiosos como Negócios de Estado (direção do saudoso Flávio Rangel) e Praça Onze (belíssimo musical dirigido com a competência de Ernesto Piccolo), e eles, nos palcos, lapidando o talento que conquistou minha emoção através da telinha. 

Zé e Dja 2 - edit

Queridos José Araújo e Dja Marthins: 

Que Maravilhaaa conhecer Vocês, ao vivo e a cores !

Nós edit

 Jornalista Aurora Miranda Leão, José Araújo e Dja Marthins em encontro no Rio…

OBRIGADA pelo carinho, a generosidade, o encontro, a confiança !
Encontrá-los foi um Presente do mais alto Quilate ! 
Um beijo afetuoso e um enorme abraço com meu Aplauso e minha Admiração.

Eu Dja e Zé em Copa edit

Aurora Miranda Leão com o ator/cantor José Araujo e a atriz Dja Marthins: amizade nascida via televisão…

Que Deus nos abençoe e nos faça encontrar muitas e muitas outras vezes para brindar esta velha nova Amizade !

* Atualmente, Dja Marthins integra o elenco do espetáculo Favela, uma comédia musical (direção de Márcio Vieira e texto de Rômulo Rodrigues ) há 5 anos em cartaz no Rio e cidades vizinhas, e José Araújo está em processo de seleção de repertório para show musical que fará no início do próximo ano em Portugal.

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Dja Marthins integra o super popular musical FAVELA

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José Araújo, que gravou composição de Chico Buarque em seu ótimo CD Duas Ilhas...

 

Latorraca, Milton Nascimento, Wilker e Caetano vão às ruas por Diretas Já !

Os Dias eram assim irrompe em grito de liberdade com denúncias fortíssimas contra o binômio opressão-corrupção

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Sophie Charlotte: Alice num país que não tem nada de Maravilha…

                 Ela é bela e jovem, filha de um grande empresário e mora na zona sul carioca. Transgressora, Alice foi criada sob o tacão da repressão paterna ao tempo em que as agruras da ditadura davam as cartas. Apaixona-se por um jovem médico idealista. Paixão correspondida, a garota vive lindos momentos de descoberta ao lado de Renato, filho mais velho de uma família de classe média. Os pais querem a filha casada com um jovem ‘almofadinha’, que se finge de grande apaixonado por ela, mas apenas almeja tornar-se herdeiro da grande fortuna do sogro. Sem conseguir demover Alice da ideia de abandonar o romance com o médico, que passa a ser perseguido pela polícia por conta do irmão (visto como subversivo), o pai de Alice arma um plano aviltante – com o futuro genro e o delegado mais próximo -, e consegue interromper o vinculo afetivo entre Alice e Renato.

Para Alice, a história oficial diz que o noivo morreu. Até enterro fictício foi feito e a garota passou anos a chorar a morte do grande amor. Por sua vez, Renato, que saiu do país e viveu anos exilado no Chile, guarda o triste rompimento como um trauma gigantesco, nunca totalmente superado. Um não sabe que narrativa foi contada ao outro.

O fato é que, quase 10 anos depois, já no início dos anos 80, ambos estão no Brasil, e são dois corações com uma profunda chaga causada pelo regime ditatorial que manchou a história política brasileira. Renato quer reencontrar Alice para tentar entender porque ela nunca foi ao encontro dele no Chile, conforme havia sido combinado. Alice retorna ao país para enterrar o pai, e, na sequência, volta novamente após brigar com o marido (que a trai descaradamente, é violento, repressor, grosseiro e machista), de quem quer a separação oficial. Mas ela tem 2 filhos de Victor e tem medo que ele consiga a guarda das crianças na Justiça – naquela época, mulher separada ainda era um anátema para as famílias tradicionais. O primogênito é filho de Renato: Victor sabe disso e assim o menino, para ele, é sempre um renovar da certeza de que o grande amor de Alice nunca foi ele.

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Em linhas gerais, é essa a trama de amor de Os Dias Eram Assim, a supersérie que a TV Globo exibe no horário das 22:30h, e que é um notório marco divisor na história da Teledramaturgia Brasileira. A outra trama, a correr em paralelo à história de amor – pois assim se organizam as narrativas teleaudiovisuais desde sempre – é a ditadura que imperou no Brasil, tematizada aqui a partir do ano de 1970.

Já escrevemos outras vezes aqui no #blogauroradecinema sobre o imenso potencial dramático de #osdiaseramassim e sua importância singular para a história da nossa Teledramaturgia, que se reveste de uma relevância ainda maior se a entendemos inserida no conturbado contexto histórico que o Brasil atravessa agora.

Por conta de tudo isso, esperamos que você, leitor amigo do #blogauroradecinema, esteja acompanhando a antológica série da TV Globo. Caso ainda não o esteja fazendo, sugerimos que veja os capítulos já exibidos na telinha através do aplicativo #GloboPlay, e não deixe de acompanhar este grito de denúncia e revolta tantos anos calado, que a teledramaturgia agora vem e redimensiona com toda a excelência de um país que produz a melhor Teledramaturgia do mundo.

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Cássia Kiss e Carla Salle: mãe e filha enterram um morto que não existiu…

OS DIAS ERAM ASSIM é um libelo em defesa da LIBERDADE ! Irmão siamês de um clamor que se ouve nas ruas do pais por DIRETAS JÁ, Fora Temer, Xô Corrupção !

Os Dias eram assim soa como o grito que todos os brasileiros de bem carregam no peito hoje, a procurar guarida e ressonância que apontem para uma forma de escapar do lamaçal que assola o país, onde decência, dignidade e ética parecem estar de eternas férias. Somos vítimas de um enredo que se abastece cotidianamente nas malhas da corrupção, desmandos na esfera política, desvio de verbas, obras inacabadas, e aviltamento da cidadania a escorrer noite e dia dos noticiários que proliferam nas redes sociais. Outrossim, explodem vozes em uníssono por todas as praças do país contra a malfadada representação política instalada no centro do poder, e um desejo muito intenso por mudança parece buscar respaldo num porvir que nos aponte algum atalho para se voltar a respirar sem tantos sobressaltos.

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Daniel de Oliveira, Antônio Calloni e Marco Ricca: personagens são parceiros na repressão

A razão de tudo isso tem uma filiação clara e inequívoca com as cenas que a supersérie OS DIAS ERAM ASSIM mostram com riqueza de detalhes e estrondosa competência. Cada capítulo da obra é para ser observado com a maior atenção e, felizmente, o #globoplay está aí para que possamos ver e rever capítulos e cenas para apurar as sensações, reavivar significações e entender melhor o que no Brasil de hoje é herdeiro direto do país de ontem. Entender para saber prospectar e não mais vacilar.

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Ontem como Hoje: o  povo pede DIRETAS JÁ !

Nesse sentido, a TV Globo vai ainda mais fundo ao exibir, no mesmo período, a novela Novo Mundo, atração das 18h (outra obra primorosa com texto de Thereza Falcão e Alessandro Marson, e direção notável de Vinícius Coimbra). Esta tem como foco o Brasil do Primeiro Reinado com toda a sua carga de tristes estigmas: a escravidão, a opressão à mulher, a repressão à imprensa, a perseguição aos índios, e o aviltamento da classe trabalhadora. Portanto, a emissora carioca está com ícones em sua programação que nos mostram o país que éramos e o Brasil que fomos, cardápio ideal para se pensar com mais clareza (acuidade que as imagens nos propiciam com inquestionável força) que país estamos construindo e para onde queremos ir. Se a esse leque propiciado pela teleficção acrescentarmos os telejornais da programação – Bom Dia Brasil, Jornal Hoje, Jornal Nacional e Jornal da Globo –, teremos então diante de nossos olhos e ao dispor de nossa argumentação uma narrativa que se tece em várias tramas paralelas, mas que compõem, todas juntas, um intrincado painel de analogias/simetrias/sincronias aglutinador da vida nacional e com inegável potencial de significado, capaz de tornar mais nítido o estado caótico atual em que está mergulhado o Brasil.

Esse mesmo de que nos fala Caetano Veloso em seus Podres Poderes, que encerrou o capítulo dessa quinta, 14 de junho (feriado de Corpus Christ) de forma arrepiante:

Será que nunca faremos senão confirmar
Na incompetência da América católica
Que sempre precisará de ridículos tiranos?
Será, será que será que será que será,
Será que essa minha estúpida retórica
Terá que soar, terá que se ouvir por mais zil anos?

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Gabriel Leone é o ‘subversivo’ Gustavo, vítima dos horrores de um tempo cruel…

Assistir à supersérie Os Dias eram Assim é bem mais que reiterar nosso gosto pela teleficção audiovisual, e muito além de apreciar uma obra cheia de qualidades, merecedora de muitos Prêmio EMMY. Assistir à Os Dias eram Assim não é apenas incluir mais uma minissérie no seu currículo de telespectador: é um Exercício Cívico que cada brasileiro deve assumir com a consciência de estar se permitindo o direito de conhecer e/ou entender melhor o significado dos anos de repressão que assolaram o Brasil por mais de duas décadas. É conscientizar-se do profundo mal que o estado de exceção causou na formação sócio-cultural do país para entender que todos, juntos, precisamos saber para definir; entender para não mais permitir que se ande para trás; para que nunca seja possível reviver; para que se caminhe na direção de um país livre, de fato e de direito,  não só da barbaridade da ditadura, mas dos desmandos da corrupção, dos desatinos da classe política, dos desvarios dos que se acham melhores – por condição econômica, classe social, etnia ou subjetividade de qualquer matiz -, dos absurdos da violência, da repressão, da covardia, dos preconceitos (de toda ordem), e da omissão injustificada.

Um aplauso muito afetuoso e entusiasta a todos quanto fazem esta obra-prima que é

         OS DIAS ERAM ASSIM !

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Atores de Os Dias mesclam narrativa ficcional e realidade ao sair as ruas por DIRETAS JÁ !