Arquivo da categoria: Olho na Tevê

Quando a programação televisiva é boa,
Nós Aplaudimos

Latorraca, Milton Nascimento, Wilker e Caetano vão às ruas por Diretas Já !

Os Dias eram assim irrompe em grito de liberdade com denúncias fortíssimas contra o binômio opressão-corrupção

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Sophie Charlotte: Alice num país que não tem nada de Maravilha…

                 Ela é bela e jovem, filha de um grande empresário e mora na zona sul carioca. Transgressora, Alice foi criada sob o tacão da repressão paterna ao tempo em que as agruras da ditadura davam as cartas. Apaixona-se por um jovem médico idealista. Paixão correspondida, a garota vive lindos momentos de descoberta ao lado de Renato, filho mais velho de uma família de classe média. Os pais querem a filha casada com um jovem ‘almofadinha’, que se finge de grande apaixonado por ela, mas apenas almeja tornar-se herdeiro da grande fortuna do sogro. Sem conseguir demover Alice da ideia de abandonar o romance com o médico, que passa a ser perseguido pela polícia por conta do irmão (visto como subversivo), o pai de Alice arma um plano aviltante – com o futuro genro e o delegado mais próximo -, e consegue interromper o vinculo afetivo entre Alice e Renato.

Para Alice, a história oficial diz que o noivo morreu. Até enterro fictício foi feito e a garota passou anos a chorar a morte do grande amor. Por sua vez, Renato, que saiu do país e viveu anos exilado no Chile, guarda o triste rompimento como um trauma gigantesco, nunca totalmente superado. Um não sabe que narrativa foi contada ao outro.

O fato é que, quase 10 anos depois, já no início dos anos 80, ambos estão no Brasil, e são dois corações com uma profunda chaga causada pelo regime ditatorial que manchou a história política brasileira. Renato quer reencontrar Alice para tentar entender porque ela nunca foi ao encontro dele no Chile, conforme havia sido combinado. Alice retorna ao país para enterrar o pai, e, na sequência, volta novamente após brigar com o marido (que a trai descaradamente, é violento, repressor, grosseiro e machista), de quem quer a separação oficial. Mas ela tem 2 filhos de Victor e tem medo que ele consiga a guarda das crianças na Justiça – naquela época, mulher separada ainda era um anátema para as famílias tradicionais. O primogênito é filho de Renato: Victor sabe disso e assim o menino, para ele, é sempre um renovar da certeza de que o grande amor de Alice nunca foi ele.

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Em linhas gerais, é essa a trama de amor de Os Dias Eram Assim, a supersérie que a TV Globo exibe no horário das 22:30h, e que é um notório marco divisor na história da Teledramaturgia Brasileira. A outra trama, a correr em paralelo à história de amor – pois assim se organizam as narrativas teleaudiovisuais desde sempre – é a ditadura que imperou no Brasil, tematizada aqui a partir do ano de 1970.

Já escrevemos outras vezes aqui no #blogauroradecinema sobre o imenso potencial dramático de #osdiaseramassim e sua importância singular para a história da nossa Teledramaturgia, que se reveste de uma relevância ainda maior se a entendemos inserida no conturbado contexto histórico que o Brasil atravessa agora.

Por conta de tudo isso, esperamos que você, leitor amigo do #blogauroradecinema, esteja acompanhando a antológica série da TV Globo. Caso ainda não o esteja fazendo, sugerimos que veja os capítulos já exibidos na telinha através do aplicativo #GloboPlay, e não deixe de acompanhar este grito de denúncia e revolta tantos anos calado, que a teledramaturgia agora vem e redimensiona com toda a excelência de um país que produz a melhor Teledramaturgia do mundo.

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Cássia Kiss e Carla Salle: mãe e filha enterram um morto que não existiu…

OS DIAS ERAM ASSIM é um libelo em defesa da LIBERDADE ! Irmão siamês de um clamor que se ouve nas ruas do pais por DIRETAS JÁ, Fora Temer, Xô Corrupção !

Os Dias eram assim soa como o grito que todos os brasileiros de bem carregam no peito hoje, a procurar guarida e ressonância que apontem para uma forma de escapar do lamaçal que assola o país, onde decência, dignidade e ética parecem estar de eternas férias. Somos vítimas de um enredo que se abastece cotidianamente nas malhas da corrupção, desmandos na esfera política, desvio de verbas, obras inacabadas, e aviltamento da cidadania a escorrer noite e dia dos noticiários que proliferam nas redes sociais. Outrossim, explodem vozes em uníssono por todas as praças do país contra a malfadada representação política instalada no centro do poder, e um desejo muito intenso por mudança parece buscar respaldo num porvir que nos aponte algum atalho para se voltar a respirar sem tantos sobressaltos.

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Daniel de Oliveira, Antônio Calloni e Marco Ricca: personagens são parceiros na repressão

A razão de tudo isso tem uma filiação clara e inequívoca com as cenas que a supersérie OS DIAS ERAM ASSIM mostram com riqueza de detalhes e estrondosa competência. Cada capítulo da obra é para ser observado com a maior atenção e, felizmente, o #globoplay está aí para que possamos ver e rever capítulos e cenas para apurar as sensações, reavivar significações e entender melhor o que no Brasil de hoje é herdeiro direto do país de ontem. Entender para saber prospectar e não mais vacilar.

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Ontem como Hoje: o  povo pede DIRETAS JÁ !

Nesse sentido, a TV Globo vai ainda mais fundo ao exibir, no mesmo período, a novela Novo Mundo, atração das 18h (outra obra primorosa com texto de Thereza Falcão e Alessandro Marson, e direção notável de Vinícius Coimbra). Esta tem como foco o Brasil do Primeiro Reinado com toda a sua carga de tristes estigmas: a escravidão, a opressão à mulher, a repressão à imprensa, a perseguição aos índios, e o aviltamento da classe trabalhadora. Portanto, a emissora carioca está com ícones em sua programação que nos mostram o país que éramos e o Brasil que fomos, cardápio ideal para se pensar com mais clareza (acuidade que as imagens nos propiciam com inquestionável força) que país estamos construindo e para onde queremos ir. Se a esse leque propiciado pela teleficção acrescentarmos os telejornais da programação – Bom Dia Brasil, Jornal Hoje, Jornal Nacional e Jornal da Globo –, teremos então diante de nossos olhos e ao dispor de nossa argumentação uma narrativa que se tece em várias tramas paralelas, mas que compõem, todas juntas, um intrincado painel de analogias/simetrias/sincronias aglutinador da vida nacional e com inegável potencial de significado, capaz de tornar mais nítido o estado caótico atual em que está mergulhado o Brasil.

Esse mesmo de que nos fala Caetano Veloso em seus Podres Poderes, que encerrou o capítulo dessa quinta, 14 de junho (feriado de Corpus Christ) de forma arrepiante:

Será que nunca faremos senão confirmar
Na incompetência da América católica
Que sempre precisará de ridículos tiranos?
Será, será que será que será que será,
Será que essa minha estúpida retórica
Terá que soar, terá que se ouvir por mais zil anos?

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Gabriel Leone é o ‘subversivo’ Gustavo, vítima dos horrores de um tempo cruel…

Assistir à supersérie Os Dias eram Assim é bem mais que reiterar nosso gosto pela teleficção audiovisual, e muito além de apreciar uma obra cheia de qualidades, merecedora de muitos Prêmio EMMY. Assistir à Os Dias eram Assim não é apenas incluir mais uma minissérie no seu currículo de telespectador: é um Exercício Cívico que cada brasileiro deve assumir com a consciência de estar se permitindo o direito de conhecer e/ou entender melhor o significado dos anos de repressão que assolaram o Brasil por mais de duas décadas. É conscientizar-se do profundo mal que o estado de exceção causou na formação sócio-cultural do país para entender que todos, juntos, precisamos saber para definir; entender para não mais permitir que se ande para trás; para que nunca seja possível reviver; para que se caminhe na direção de um país livre, de fato e de direito,  não só da barbaridade da ditadura, mas dos desmandos da corrupção, dos desatinos da classe política, dos desvarios dos que se acham melhores – por condição econômica, classe social, etnia ou subjetividade de qualquer matiz -, dos absurdos da violência, da repressão, da covardia, dos preconceitos (de toda ordem), e da omissão injustificada.

Um aplauso muito afetuoso e entusiasta a todos quanto fazem esta obra-prima que é

         OS DIAS ERAM ASSIM !

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Atores de Os Dias mesclam narrativa ficcional e realidade ao sair as ruas por DIRETAS JÁ !

Catanduva perde Salim Muchiba…

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João Elias conquistou o público com seu humor, a partir da Escolinha do Professor Raimundo…

O humorista João Elias nos deixou ontem. Natural da querida cidade de Catanduva (SP), ele estava internado há 90 dias no Hospital Padre Albino, onde teve um acidente vascular cerebral (AVC) durante uma cirurgia vascular de carótidas.  Elias já se recuperava no quarto, quando o quadro de saúde piorou e foi preciso voltar para a Unidade de Tratamento Intensivo (UTI).

A carreira de João Elias começou no rádio, anos 50. Além de humorista, ele também era pintor e escreveu sete livros. Casado há 46 anos, João Elias deixa três filhos e três netos.

O sepultamento de João Elias acontece neste momento no Cemitério Nossa Senhora de Fátima, em Catanduva.

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Reproduzimos a seguir texto do jornalista Felipe Boso Brida, amigo e conterrâneo do artista:

             Faleceu na noite desta sexta-feira, aos 72 anos, o ator e humorista brasileiro João Antônio Elias de Oliveira, mais conhecido como João Elias. famoso por interpretar o personagem de Salim Muchiba na Escolinha do professor Raimundo (de 1991 a 2000), repetindo o personagem na ‘Escolinha do barulho’ e na ‘Escolinha do Gugu’. Radialista, pintor e escritor, Elias faleceu vítima de problemas cardíacos. Era natural de Catanduva, descendente de turcos e árabes, e viveu até o fim da vida na cidade natal. Era casado, pai de dois filhos. Ao lado do falecido amigo e ator Marcos Plonka (o Samuel Blaunstein, da Escolinha) fizeram centenas de shows humorísticos pelo Brasil afora.

Publicou 7 livros de piadas e contos.      

* Texto gentilmente cedido pelo colega Felipe Boso Brida, crítico e professor de Cinema, conterrâneo do humorista João Elias.

 

Os Dias eram assim como Belchior cantou

            *Aurora Miranda Leão

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Gabriel Leone e Renato Goes em Os dias eram assim

Era meados dos anos 70. O capítulo começa com uma panorâmica sobre a orla carioca. Depois, se vê IMPRENSA LIVRE em letras garrafais na vidraça de um prédio, logo em seguida estourada… Um militar aparece dizendo: “Ato público está proibido: não aceitamos passeata nem comício”. A violência invade as ruas do centro do Rio; foco no cineasta Glauber Rocha que diz: “A loucura, meus amigos, a loucura da violência”. Na sequência, mais cenas de violência: policiais montados em cavalos irrompem contra as pessoas na rua, estudantes são vítimas de agressões e bombas estouram; o general Médici passa a faixa para o general Geisel. Era 1974. Na Nigéria, estavam Renato e Rimena em missão solidária. Em Miami, Victor e Alice formam uma família feliz (?) com os filhos num belo apartamento de classe alta. Corte para uma menina negra: olhar carente, com um buquê de flores, ela olha o médico como quem agradece com ternura, e uma tristeza funda assoma naquele rosto tão puro e ainda imune às maldades do mundo.

São pequenos detalhes que vão se unindo num crescendo a formar um conjunto eloquente de significação, captados por uma câmara operada com intensidade latente, reforçada por uma edição primorosa. Imagens históricas, nunca antes exibidas na teleficção, tomam conta da tela em linha simétrica com imagens ficcionais: um general declara que estão proibidas manifestações e protestos populares nas ruas. Glauber Rocha aparece bradando contra a ditadura, imagens da repressão passam em ritmo veloz e o Cálice de Chico e Milton emoldura uma narrativa teledramatúrgica de forte acento político, que tem o período mais duro da vida brasileira como ambiente.

Em meio a lembranças que tanto doem na parede da memória, a narrativa de extrema competência, beleza, pujança, senso estético e sentido de cidadania de OS DIAS ERAM ASSIM é a comprovação mais cabal – guardada nos arquivos históricos da teleficção – do nível de excelência alcançado pela nossa Teledramaturgia ! Que vigor, que potência, que qualidade alcançamos !

Assisto à supersérie e, depois de todas as sensações que ela me provoca, e todas as emoções que ela aviva, sobrevém um enorme orgulho de constatar o nível magistral de qualidade a que chegamos. Sinto-me honrada de ser partícipe deste tempo no qual a Teledramaturgia consagra sua magnitude como testemunho da contemporaneidade, e se inscreve com fundamental importância como portadora de um sentido de pertença e de memória da vida de um país como jamais antes nenhuma outra linguagem brasileira alcançou. Este mérito de guardar, repassar, prospectar, divulgar, reavivar, rememorar, ressignificar a história em som e imagem com a amplidão que a teledramaturgia alcança no país (milhares de locais com acesso à produção audiovisual gratuita), amplificada por conta dos avanços da tecnologia – podendo ser vista por qualquer pessoa, a qualquer hora, em qualquer lugar, de graça -, jamais foi alcançado por nenhum outro meio de comunicação no país. Outrossim, poder assistir a um produto audiovisual de tamanha qualidade, todo criado e executado por profissionais brasileiros, que dão o seu melhor para chegar à telinha com o padrão que chegam, é por demais auspicioso.

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Antônio Calloni, Mariana Lima e Bárbara Reis em Os dias eram assim

E no capítulo da quinta passada, para coroar tudo o que a supersérie já traz de bom e louvável, seus criadores ainda incluíram Belchior e seu emblemático canto menestrel na preciosa trilha sonora de OS DIAS ERAM ASSIM:

Foi quando o jovem Gustavo (Gabriel Leone em atuação soberba), defensor da causa democrática, finalmente deixa a prisão, após 5 anos encarcerado, e a mãe e a irmã vão buscá-lo: quando Gustavo surge na porta da penitenciária, a voz de Belchior avulta…

“Não quero lhe falar meu grande amor/ Das coisas que prendi nos livros/ Quero lhe contar como eu vivi/ E tudo que aconteceu comigo…”

E a emoção vai lá no alto: BELCHIOR era a voz que precisava intervir no contexto narrativo profundo, cívico e profundamente relevante de Os Dias eram Assim.

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“Quero lhe contar como eu vivi, e tudo  que aconteceu comigo…”

Cabe-nos ressaltar que, há alguns dias, havíamos falado aqui no #blogauroradcinema que esta música – COMO NOSSOS PAIS – já merecia há tempos uma olhada séria e bem intencionada da teledramaturgia para lhe dar realce e fazê-la ecoar pelos milhões de lares brasileiros que sintonizam a emissora líder em todos os cantos do país, inclusive naqueles distantes lugares que a gente nem sequer imagina existirem.

Fizemos aqui no #bloauroradecinema uma analogia sobre a tradução poética que as canções Aos Nossos Filhos (o tema de abertura, de Ivan Lins e Victor Martins) e Como nossos Pais (de Belchior, consagrada na voz de Elis Regina) fazem de um tempo histórico com precisão de ourives. Pois foi com a emoção latejando por tudo que nos diz esta supersérie OS DIAS ERAM ASSIM (sobre ética, política, dignidade, liberdade, tempos sombrios, violência e repressão, mas também sobre amor, arte e pessoas que ousaram ir além e não deixaram de gritar por LIBERDADE) e a saudade musical ensejada pela partida repentina de Belchior, que assistimos àquela cena e fomos às lágrimas.

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Ana Miranda, Gabriel Leone, Carla Salle e Cássia Kiss em Os dias eram assim

E é assim, ainda marejando de emoção, que deixamos um caloroso aplauso para toda a equipe que assina OS DIAS ERAM ASSIM.

Por hoje, ficamos aqui mas não sem antes sugerir que assistam a esse primoroso capítulo da quinta passada, 25 de maio. Está no site Globo.com ou no app Globo Play, de graça. Pode ter certeza: é você quem vai ganhar ao assistir uma obra audiovisual com a qualidade estrondosa que tem OS DIAS ERAM ASSIM.

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Antônio Calloni, um Mestre, em atuação digna de todos os aplausos !

Orgulho enorme do naipe excepcional de criadores que assina este trabalho lindo: desde suas autoras Ângela Chaves e Alessandra Poggi; aos diretores Walter Carvalho,  Isabella Teixeira e Cadu França, mais o diretor artístico Carlos Araújo, passando por toda a equipe técnica e de produção, pedimos licença hoje para cumprimentarmos a todos nas pessoas do ator Antônio Calloni (magnânimo na interpretação do abjeto empresário que apoiou/financiou a ditadura), Natália do Valle, Sophie Charlotte e Gabriel Leone.

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As autoras Ângela Chaves e Alessandra Poggi com o diretor Carlos Araújo…

E quando passarem a limpo, a Teledramaturgia dirá PRESENTE…

 OS DIAS ERAM ASSIM: história revisitada com coragem e qualidade artística                                                                                                                                                                                                                                 *Aurora Miranda Leão

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Tenho ficado um tanto macambúzia a cada vez em que termina um capítulo desta nova minissérie da TV Globo, obra que a emissora decidiu categorizar como supersérie – porque menor que uma novela tradicional e maior que o formato consagrado das minisséries –, o que facilitará também a venda para o mercado internacional. Mas Os dias eram assim é uma Supersérie não só por isso: a construção narrativa de Os Dias faz de sua teledramaturgia uma obra com todas as qualidades para demarcá-la como um divisor de águas.

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A história começa no dia da vitória da seleção brasileira na Copa de 1970. E segue a partir daí num enredo que tem a política como ponto central, do qual partem todas as ações e referências. A política está na escolha das músicas, na direção de arte, nos espaços cênicos, no foco diegético, enfim.

Cada um observa a obra pelo viés que melhor lhe apraz, mas não vale dizer que Os dias eram assim é apenas mais uma história de amor e que, por causa dela, a questão política aparece apenas como pano de fundo.

Dizer isso é faltar com a verdade. Uma obra que tem a abertura com imagens em preto e branco reportando ao período nefasto que tomou conta do Brasil nos anos 60 -70 – 80, embalada pela canção Aos nossos filhos, de Ivan Lins e Victor Martins, por mais que se queira, jamais poderá deixar de ser política, desde sua gênese.

Arrepio toda vez que escuto a canção: Aos nossos filhos semelha uma ode. É quase um estribilho (cantado na abertura pelos próprios atores, mas a música ganhou o país quando de seu lançamento com a gravação emblemática de Elis Regina), um emocionado/emocionante pedido de ‘perdão’ às gerações que se seguiram após às que viveram/sobreviveram ao período da ditadura no país. Escutar “Perdoem a falta de ar… os dias eram assim” é como um estilete penetrando fundo na alma. Precisa não conhecer nada de história para não se sensibilizar com  o que a supersérie mostra todas as noites na tela da TV (excetuando a quarta, para tristeza nossa), e de forma absolutamente bem realizada.

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A maestria com que a direção cuida de cada cena – os enquadramentos, os movimentos de câmara, a fotografia, a condução do elenco, a escolha das músicas -, a interpretação dos atores (todos numa entrega notória e necessária para dar veracidade às cenas), a caracterização e a reconstituição de época (direção de arte esmerada), a qualidade da produção, e a primorosa edição fazem de Os dias eram assim a teleficção mais relevante exibida pela TV Globo este ano, até então.

Acompanhar a supersérie, sabendo que o enredo foca nos anos 70-80, é visitar aquele tempo sombrio um pouco a cada noite. Não é agradável ver o que vemos, mas é necessário, importante, corajoso e iluminador.  Cada cena é apresentada com inegável rigor estético e dramatúrgico, perpassada com muita coerência e com implícito vigor moral e psicológico. O país vivia uma convulsão sócio-política que deixou profundas marcas em sua história, e a supersérie apresenta tudo isso num painel pungente que inaugura uma página nova, e altamente expressiva, na teledramaturgia.

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Cláudia Abreu e Betty Lago em cena de Anos Rebeldes

Gilberto Braga e Sérgio Marques foram os pioneiros na teledramaturgia ao mostrar os abomináveis anos de chumbo em sua linda e inesquecível Anos Rebeldes, de quem Os dias eram assim claramente descende. Nesta como naquela, a qualidade estética e dramatúrgica são inegáveis e dignas dos maiores aplausos. 

O que hoje Os dias eram assim traz de novo e de suma relevância é a abordagem por um viés inaugural. Motivado decerto pelo galope indomável do tempo, este “senhor dos enganos” de que nos fala a canção de Herbert Vianna, o enfoque que conduz a supersérie é fruto da contemporaneidade veloz e tecnologicamente conectada que liga o mundo em redes, das quais seus criadores, em saudável sintonia, não esqueceram na hora de retomar a questão. Em Anos Rebeldes, a notável criação do querido Gilberto Braga (!), a abordagem foi pioneira também. E tão meritória que até hoje é alvo de estudos e pesquisas no país e além fronteiras. Os dois marcos que as minisséries simbolizam enriquecem nossa Teledramaturgia.

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Gilberto Braga quando do lançamento do livro sobre Anos Rebeldes em 2001

Os dias eram assim acrescenta uma nova perspectiva para a memória teleaudiovisual do país naquele período, não abordada até então.  Mostrar que os padrões do empresariado e da classe dominante do país eram avessos à liberdade e à justiça social, ou seja, estavam contaminados pelos mesmos valores sórdidos, abjetos, deploráveis e desumanos que motivaram parte dos militares a promover o cerceamento de todas as liberdades no país, é novo, forte, corajoso, relevante.

Isso é o que mais avulta em Os Dias Eram Assim !

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Antônio Calloni em atuação digna de todos os prêmios: Colossal !

Quando você assiste a um painel televisual com a intensidade e a qualidade – histórica, imagética, dramatúrgica – de Os dias eram assim, e de repente ouve músicas como Deus lhe pague (Chico Buarque), Pra não dizer que não falei de flores (Geraldo Vandré), e Cálice (Chico Buarque e Milton Nascimento), a emoção lhe toma de assalto. Mais ou menos como diria nosso saudoso amigo e emérito cronista Artur da Távola:

“Quando a razão volta, o coração já se derramou”.

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Portanto, desliguem o botão do preconceito e assistam à obra com coragem de se emocionar e revisitar um passado nem tão distante assim. Sugiram a filhos, netos, sobrinhos, pais, mães, tios, primos, amigos, alunos e vizinhos que assistam à supersérie. A hora não é mais problema na grade televisiva: quem não pode ver no horário marcado, assiste quando couber na agenda ! Basta ligar no Globo Play ! Ainda por cima, é de graça.

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*Já elogiamos aqui a interpretação magistral de Antônio Calloni, o esteio visceral de Os dias eram assim. Mas nossos aplausos estendem-se a todos, em especial para Gabriel Leone, Sophie Charlotte, Cássia Kiss, Daniel de Oliveira, Renato Goes e todos os demais, incluindo a prodigiosa equipe técnica, que participa de um marco da nossa Teledramaturgia.

Voltaremos ao tema.

* Confira a letra de AOS NOSSOS FILHOS 

Perdoem a cara amarrada

Perdoem a falta de abraço

Perdoem a falta de espaço

Os dias eram assim

 

Perdoem por tantos perigos

Perdoem a falta de abrigo

Perdoem a falta de amigos

Os dias eram assim

 

Perdoem a falta de folhas

Perdoem a falta de ar

Perdoem a falta de escolha

Os dias eram assim

 

E quando passarem a limpo

E quando cortarem os laços

E quando soltarem os cintos

Façam a festa por mim

 

E quando largarem a mágoa

E quando lavarem a alma

E quando lavarem a água

Lavem os olhos por mim

 

Quando brotarem as flores

Quando crescerem as matas

Quando colherem os frutos

Digam o gosto pra mim 

Perdoem a falta de ar…. Precisa dizer mais ?

Antônio Calloni e Sophie Charlotte destacam-se em lados opostos

Os Dias eram Assim     

  *Aurora Miranda Leão

Os Dias eram assim teve ontem (sexta 28 abril) um capítulo antológico.

No post anterior, quando nosso enfoque foi inspirado pela ‘queixa’ de alguns que afirmam ser a supersérie uma simples história de amor, prometemos voltar para falar do elenco. Sim, o elenco traz nomes relevantes da nossa Dramaturgia e merece ser destacado.

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Vamos aos nomes: Sophie Charlotte, Daniel de Oliveira, Renato Goes, Antônio Calloni, Natália do Valle, Marco Ricca, Gabriel Leone, Cássia Kiss, Letícia Braga, Susana Vieira, Mariana Lima, Bukassa Kabengele, Bárbara Reis, Letícia Spiller, Marcos Palmeira, Carla Salle, Maurício Destri, e teve ainda uma especialíssima participação de Caio Blat no capitulo de estreia.

Queremos ressaltar também os nomes dos profissionais que assinam a direção de OS DIAS ERAM ASSIM – ontem indicamos somente os nomes de Walter Carvalho e Carlos Araújo porque não conseguimos descobrir os demais via web. Foi preciso aguardar a exibição do capítulo dessa sexta para anotar todos eles. Vamos lá: Carlos Araújo é o diretor artístico, enquanto Walter Carvalho, Isabella Teixeira e Cadu França assinam a direção de cenas ou capítulos. O destaque é para ressaltar que há outros profissionais igualmente empenhados no desenho visual da teleficção, que é, sem favor algum, um marco referencial do horário. Uma obra super bem realizada com um elenco coeso e grandes atuações, uma trilha sonora condizente, e um pungente convite a uma reflexão, que perpassa temas como o machismo, a violência simbólica, o massacre das liberdades individuais, o menosprezo pela mulher, a arrogância da elite dominante, o conflito de gerações, a censura e o cerceamento da liberdade, a repressão, a opressão, enfim, temas muito caros e bem entranhados no cerne da sociedade brasileira.

Para essas primeiras considerações de elenco, destacamos as atuações mais marcantes: Sophie Charlotte, Natália do Valle, Daniel de Oliveira e Antônio Calloni, disparado o grande destaque do elenco !

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Sophie Charlotte e a liberação feminina que se começava a desenhar…

SOPHIE CHARLOTTE – a alemãzinha que aportou no Brasil e foi adotada por uma imensa legião de fãs que aprecia sua beleza, simpatia e talento. Tudo isso soma para que Sophie protagoniza a supersérie com enorme domínio de sua condição de mulher bela, cheia de talento e cantora com belo futuro a seguir (Sophie é voz que se destaca desde O Rebu, e depois ganhou o apreço de Roberto Carlos, com quem dividiu o palco num Especial de Natal do Rei).

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Sophie encarna a autêntica e destemida Alice, e o faz com espontaneidade, leveza, carisma e indiscutível competência. Sua escalação foi muito feliz e este é mais um personagem que vai marcar a carreira da atriz. Vendo Sophie em cena, não há como não lembrar de Cláudia Abreu e sua Heloísa, a impávida lourinha dos  Anos Rebeldes, a inesquecível minissérie do querido Gilberto Braga.  A Alice de Sophia Charlotte entra para a galeria de heroínas da teleficção brasileira com méritos semelhantes aos que em 1989 alçaram Cláudia Abreu a essa qualificada galeria. PARABÉNS  a quem escalou a moça e aplausos para Sophie Charlotte, que encara com garra e coragem um papel difícil e de muitas nuances.

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NATÁLIA DO VALLE é Kiki, a mulher oprimida e ultrajada pelo marido, o empresário fascista Arnaldo Sampaio. Kiki é mãe de Alice e da pequena Nanda (Letícia Braga), mas tem o jeito e a expressão sempre sofrida de quem vive uma vida marcada pela grosseria, o menosprezo, o descaso, a não realização pessoal nem profissional. Kiki é uma típica mulher dos anos 60: “bem casada”, dona de casa e salvaguarda do lar, em quem a vontade própria inexiste: vive para as filhas, a casa e o marido, que lhe agride constantemente e avilta sua condição de esposa. É um ótimo viés para se observar questões de gênero pertinentes à situação da mulher no contexto do país.

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O empresário tirano e a mulher reprimida: Calloni e Natália do Valle em bela contracena

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DANIEL DE OLIVEIRA é Vítor Dumonte, o mocinho mimado e repressor. Ex-namorado de Alice, ele quer se casar com a moça para herdar a fortuna do milionário Arnaldo, e é capaz de qualquer coisa para atingir seu objetivo. É um sujeito abjeto, típico dos anos em que a masculinidade foi posta em cheque a partir da conquista da liberdade sexual feminina, possível graças à invenção da pílula, que chegou trazendo avanços e provocando a fúria dos conservadores, doutrinários e repressores. 

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ANTÔNIO CALLONI é o nefasto milionário Arnaldo Sampaio. Dono de uma das mais importantes construtoras do país, ele tem escusos negócios com o poder constituído, e é daqueles tipos bem conhecidos de prepotentes do “Sabe com quem você está falando ?”. Defensor contumaz da repressão e declaradamente a favor da ditadura, é um exemplo clássico e abominável do déspota que se acha o dono da bola.

O personagem é figura central no enredo de OS DIAS ERAM ASSIM e o ator engrandece o personagem com uma construção ricamente detalhada, fruto de sua meritória competência para simbolizar, através de Arnaldo, todo o mal que a tirania representa. Arnaldo não é só o empresário vil, corrupto e corruptor, mas aquele clássico sátrapa que quer ganhar todas as batalhas no grito ou angariando apoios pela força do dinheiro, tiranizando os mais fracos. Sendo Antônio Calloni um Ator dos mais conhecidos por sua educação, inteligência, doçura e refinamento intelectual (Calloni é Poeta e dos bons !), é ainda mais emblemática sua escalação para o papel do monstruoso empresário.

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Arnaldo e seu pretenso futuro genro: Calloni e Daniel de Oliveira vivem com brilho personagens abomináveis…

Antônio Calloni, que parece ficar na supersérie apenas em seus 20 primeiros capítulos, atua com incontestável brilho, alcançando um nível de excelência interpretativa que ganha ainda mais destaque por estarmos falando de uma obra feita no ritmo intenso de produção que exige a teledramaturgia. Nesta não há o tempo de elaboração que existe no teatro e no cinema: televisão é pulsação intensa, com muitas cenas para decorar, interpretar e gravar em poucas horas, sendo um trabalho hercúleo construir um personagem nesse andamento galopante. Pela qualidade de sua interpretação, Antônio Calloni insere o personagem Arnaldo Sampaio à galeria dos Grandes Personagens da Teledramarturgia Brasileira. O ator fará falta à trama mas marca sua presença com impressionante força interpretativa. É um luxo ver um Ator do quilate de Calloni atuando na nossa telinha, todas as noites, e de graça.

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Elenco da supersérie Os Dias eram Assim

Quem não está assistindo à Supersérie, que passa por volta das 23h, pode acompanhar esta obra-prima pelo Globo Play, de graça e na hora de sua preferência. Vale muito a pena !

*No próximo post sobre OS DIAS ERAM ASSIM, um passeio pela trilha musical.

Os Dias Eram Assim… Perdoem a sinceridade mas o AMOR é que imortalizou Fernando Pessoa

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*Aurora Miranda Leão 

A seleção brasileira fazia o jogo final da Copa de 1970. Nas ruas, um clima de euforia. Na história que pulsava por baixo dessa euforia de quem está prestes a sagrar-se campeão mundial, corria outra sensação, a de aviltamento da dignidade humana, alicerce do período sombrio da ditadura brasileira.

Há uma dor funda e recente que cerca esse momento da vida brasileira. Aquele tempo ainda não foi bem assimilado na memória nacional. É difícil falar sobre aqueles dolorosos anos e, talvez por isso, ainda há quem duvide que eles existiram de fato.

O período sombrio que extirpou a liberdade do cotidiano nacional cheira a repressão, ditadura, violência, aviltamento dos direitos fundamentais, cerceamento da liberdade, e é sobre isso que fala a supersérie Os dias eram assim.

Estreada no último dia 17 de abril, a obra tem co-autoria de Ângela Chaves e Alessandra Poggi, e direção capitaneada pelo mestre Walter Carvalho (o festejado paraibano diretor de fotografia de tantos trabalhos memoráveis), com direção geral de Carlos Araújo.

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Marco Ricca é um delegado e Cássia Kiss a mãe cujos filhos são perseguidos…

É nesse contexto da ditadura, tematizado em Os dias eram assim, que Alice (Sophie Charlotte) e Renato (Renato Góes) se conhecem e iniciam uma história de amor que vai atravessar quase duas décadas, cruzando com eventos históricos importantes. Da repressão às Diretas Já, o amor vai passar por vários percalços, e talvez sobreviva: medo, intrigas, separação, dor, tristeza, esperança.

Renato é médico e primogênito de uma família de classe média, moradora de Copacabana. Tem dois irmãos, os estudantes Gustavo (Gabriel Leone) e Maria (Carla Salle).  O pai era professor universitário e a mãe é dona de uma livraria, Vera (Cássia Kis). Cada um a seu modo, estão todos engajados na luta pela liberdade: enquanto Gustavo sai às ruas, Maria usa a arte como forma de expressão.

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Sophie Charlotte esbanja meiguice, talento e sensualidade em Os dias eram assim…

No universo da jovem Alice (Sophie Charlotte), a batalha é contra o pensamento conservador da família. Questionadora, a estudante sempre bateu de frente com os pais. Dono de uma construtora, Arnaldo (Antônio Calloni) é um empresário rico e de padrões fascistas: não se conforma com o fato de a mulher, Kiki (Natália do Valle), nunca ter conseguido reprimir a inquietude da filha. Para ele, a mulher é a culpada por tudo de ruim que acontece no lar e na família. O empresário é um típico vilão, homem deplorável que causa nojo e revolta, feito com invejável maestria por um Ator do quilate de Antônio Calloni.

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Antônio Calloni em interpretação memorável, e Natália do Valle em sua melhor atuação

Alice apaixona-se por Renato e, a partir daí, começa a ter rasgos de insuspeitada coragem: o primeiro passo é ir contra o desejo dos país e contrariar o principal projeto deles para a vida dela: a jovem rompe o namoro de anos com o machista Vitor (Daniel de Oliveira), que não se conforma com o rompimento. Tudo o que Vitor deseja é tornar-se dono da fortuna do pai de Alice. O casamento seria a concretização de seu ideal.

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Daniel de Oliveira, Antônio Calloni e Marco Ricca em grandes atuações…

O abjeto Vitor é braço-direito de Arnaldo na construtora, e filho  arrogante e oportunista Cora (Susana Vieira). Os mundos de Renato e Alice se cruzam por amor e serão separados pela divisão ideológica entre as duas famílias, potencializada pelo ambiente político reinante no país. Ambientada entre as décadas de 70 e 80, período que vai da repressão às Diretas Já, a supersérie Os Dias Eram Assim é exibida por volta das onze da noite e vem tendo boa audiência.

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Gabriel Leonne empresta força e competência ao personagem Gustavo…

Aqui, como em todo o formato da teleficção audiovisual, o drama amoroso é o grande motim: “A História é o pano de fundo dessa trama de amor. Tratamos de encontros e desencontros desse casal que é separado de forma abrupta e, depois, vai se reencontrar quando os dois já não são mais os mesmos”, diz Ângela. Já Alessandra afirma: “Alice e Renato vivem uma história de amor muito forte no primeiro momento, mas, quando são separados, cada um resolve seguir sua vida. A maior parte da história ocorre após o reencontro, no período de pré-abertura política, em 1984”.

Para nós, soa engraçado, para não dizer apressado e preconceituoso, os comentários acerca da supersérie que pretendem analisar uma obra que não é a que está na TV. A supersérie fala sobre uma história de amor interrompido, como assim acontece em qualquer obra teledramatúrgica. Basta ler um pouquinho sobre o tema para saber que a telenovela tornou-se nosso maior produto cultural de exportação e ocupa um lugar de destaque na programação televisiva diária, sendo que existe desde  1951 e, a partir de 1963 tornou-se atração diária. De lá pra cá, o gênero se consolidou e tem clara filiação melodramática. Portanto, querer ver uma telenovela e acreditar que seu principal enfoque não será uma história de amor é desconhecimento, ingenuidade ou má vontade.

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Mariana Lima, Bárbara Reis e Bukassa Kabengele: família que também será vitimada…

A nós, o que nos parece mais instigante é justamente o fato de repetir-se uma fórmula, absolutamente popular e consagrada, e, mesmo assim, continuar agradando e atraindo imensa audiência. Fazendo uma analogia com o cardápio gastronômico, a telenovela é assim uma espécie de bolo do cardápio: há uma enorme variedade, com predileções variadas, mas a base da receita é sempre a mesma, atrai inúmeros seguidores, pode ser feita com diferentes ingredientes, mas o que sobressai é um paladar de alta fidelidade: não há quem não goste de bolo, embora as preferências de gosto variem constantemente.

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Renato Goes e Sophie Charlotte: o casal protagonista…

Pois é, e ainda argumenta-se que a história de Os dias eram assim tem clichês típicos de novela. Ora, pois, se uma minissérie é assim um ‘primo rico’ da telenovela, como não ter clichês típicos de seu gênero ? Como fugir ao padrão que tornou o gênero o carro-chefe da programação televisiva brasileira ? E por que haveria de se mexer num ‘time que está ganhando’? Não estamos assistindo a um filme ou acompanhando uma encenação teatral: Os dias eram assim é uma supersérie, ou seja: tem o mesmo esquema básico clássico de uma telenovela, apenas o formato é menor que o desta, embora maior que o de uma minissérie. Seguindo com nossa analogia, o bolo pode ter outro formato e recheio, mas será sempre um bolo, e não um risoto, um suflê ou uma empanada.

A fórmula de telenovelas, minisséries, microsséries, casos especiais, superséries – teleficção audiovisual – é a mesma há dezenas de anos, e o que encanta é ela permanecer sempre igual em sua diferença de cada novo título. Sempre com a mesma força e capacidade de atrair. E talvez aqui resida um dos trunfos de seu aprimoramento e apuro técnico: como há um sequenciamento ad infinitum do mesmo formato, as equipes realizadoras das telenovelas se esmeram, cada vez mais, ao longo de toda a história da Teledramaturgia Brasileira, em fazer com mais rigor  e preciosismo, primando pela capacitação de seus profissionais e a excelência do produto final. Isso é o que podemos constatar diariamente, em qualquer dos horários em que são exibidas as telenovelas (acompanhamos quase todas porque somos admiradoras do gênero desde crianças). No momento atual, estão no ar duas obras-primas: Novo Mundo, recém-estreada, e Rock Story, que se aproxima do desfecho. Além disso, o que afirmamos pode ser referendado observando-se a enorme penetração da produção brasileira no exterior (mais de 130 países compram nossas telenovelas). E quanto mais esse mercado foi crescendo ao longo dos anos, mais o gênero se consolidou e as equipes técnicas, imensas e valorosas, foram sendo lapidadas – direção, fotografia, luz, cenário, maquiagem, direção de arte, trilha sonora e musical, caracterização –, chegando ao patamar que hoje vemos diariamente na telinha e que nos impactam, cada dia mais, pela excelência técnica e artística que exibem.

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Afinal, se a história de amor incomoda por ser o fundamento dos enredos, vale lembrar uma condição básica: o tempo consagra como clichê o que é  considerado bom para a grande maioria. Como bem disse o cineasta Woody Allen: “Algumas vezes, um clichê é a melhor forma de se explicar um ponto de vista”. E o clichê foi popularizado por ser reconhecidamente atraente e imbuído de qualidades intrínsecas: quem descobriu, aderiu, quis imitar, propagou, virou moda e contagiou. E o poeta Fernando Pessoa sabia tanto e tão bem disso que imortalizou o melhor e mais sábio de todos os clichês: o AMOR.

E, parafraseando o notável poeta português, dizemos:

“Todas as histórias de amor são

Ridículas.

Não seriam histórias de amor se não fossem

Ridículas.

As histórias de amor, se há amor,

Tem de ser ridículas.

Mas, afinal,

Só as criaturas que nunca escreveram

Histórias de AMOR

É que são Rídiculas.” 

*Em post posterior, falaremos sobre o elenco e a narrativa.

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Alice e Renato: amor à primeira vista enfrenta barreiras difíceis…

Final de A LEI redime erros e deslizes da novela

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       *Aurora Miranda Leão

Quem gosta de acompanhar telenovelas, sente quando uma trama descamba para o inverossímil ou quando seus autores perdem o controle da ação e bailam na curva.

Os previsíveis desvios de rota, ou colisões mais ou menos sérias, tem chances de recuperação, sempre, e a melhor delas é introduzir indícios de real no material dramatúrgico. Assim, o telespectador de pronto faz suas próprias conexões e é levado, sutilmente, a se sentir partícipe da obra.

Foi assim com A LEI DO AMOR, encerrada ontem. A novela criou vários pontos de paridade com o real, mas uma cena especial do capítulo final, elevou essa equivalência a um nível emblemático. No momento em que escrevemos estas linhas, uma conversa no espaço vizinho, revela o quanto o final de A Lei mexeu com o imaginário popular…

A trama de Maria Adelaide Amaral e Vincent Villari chegou ao fim com muito boa audiência, como é corrente nas ficções teleaudiovisuais das 21h, que mobilizam sempre a audiência, quer pelo lado da crítica ou pelo viés da adesão.

Ter uma história central forte com um conflito relevante, que faça esse ‘esqueleto’ perdurar com vigor por cerca de 6 a 8 meses – tempo corriqueiro para as telenovelas da TV Globo -, é fundamental para cativar a audiência. A Lei começou com sinais de que teria um thriller político como fio condutor.

Nós, que vínhamos de um mergulho sensório belo e profundo nas entranhas de Velho Chico (obra da notável parceria de Benedito Ruy Barbosa, Bruno Luperi e Luiz Fernando Carvalho com auxílio luxuoso de Raimundo Rodriguez), ressaltamos: desde a estreia, pareceu-nos ver em A Lei do Amor uma tentativa imagética e musical de revalidar sentidos estéticos desenhados (com imensa maestria) pelos artífices de Velho Chico (VC). Senão vejamos: o casal principal (Helô e Pedro) também havia sido separado por artimanhas de vilões que os fizeram ficar distantes por 20 anos (em VC, o afastamento de Teresa e Santo foi de 30 anos); os encontros mais felizes de Santo e Tereza se passavam à beira do famoso rio nordestino. Em A Lei, Pedro e Helô começam seu romance com viagens no veleiro do jovem apaixonado, e as tomadas iniciais (com o veleiro visto do alto e o mergulho do casal no mar) apontavam claras marcas indiciais de intercessão com a ambiência estética de VC. Nada demais: é salutar retomar caminhos que se mostraram belos e abriram janelas para uma bela construção sensorial. E a saudade da trama semeada às margens do São Francisco, referendada por um diálogo artístico com a obra anterior à LEI, também pode ser registrada através da grande ciranda de abertura da trama: pés correndo em direção a melhores oportunidades ou a novos enredos num chão de terra batida, por onde escorre um riacho, como a trazer de volta o sertão ressignificado por VC.

Também na trilha, essa subliminar sintonia com a história anterior se fez presente, submersa ou alicerçando a camada de sentidos principal: se em VC nomes de insuspeita qualidade musical eram também fio condutor do enredo (Elomar, Xangai, Maria Bethânia, Tom Zé, Caetano Veloso, Lenine), em A Lei do Amor também houve (com mais força nos primeiros meses) uma valoração de canções e compositores de reconhecido destaque no cancioneiro nacional, como Roberto Carlos (“À distância”), Raul Seixas (“Cowboy fora da lei”), Gonzaguinha (Grito de alerta); Dalto (Pessoa, sucesso dos anos 80 na voz de Marina Lima). E ainda na interpretação da notável Bethânia para a  belíssima canção Era pra Ser, de Adriana Calcanhotto, tema do casal Thiago e Isabela, que voltou com primorosa eloquência no capítulo final.

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Desfecho insólito para a terrível vilã Magnólia, a grande personagem de A Lei do Amor

Ao observar os muitos comentários sobre A LEI DO AMOR via imprensa e redes sociais, o que mais chamou-nos atenção foi o fato de ninguém reportar-se à direção da novela. E eu mesma me peguei surpresa ao pensar em quem assinava a direção: tive de ir pesquisar pois não lembrava o nome do diretor. Natália Grimberg e Denise Saraceni são as responsáveis.

Neste ponto, que é crucial e onde concentra-se grande parte do resultado de uma obra de ficção teleaudiovisual, registra-se a primeira clara distinção entre A LEI e Velho Chico, por exemplo. Enquanto em A LEI ninguém toca no nome do diretor ao comentar a obra, é impossível falar de VC sem citar Luiz Fernando Carvalho. Apenas uma ressalva relevante que reafirma o diretor como co-autor da obra, ainda quando existe apenas um roteiro a ser filmado (óbvio que, novela começada, há o elenco e toda uma grandiosa equipe que constroem juntos o êxito ou fracasso da obra).

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Vera Holtz em mais uma atuação notável !

Feito esse adendo sobre a questão da direção, vamos aos acertos do capítulo final de A Lei do Amor:

  1. O final trágico de Magnólia, insólito, à altura da personagem, e trazendo o simbolismo da força do trem da vida, cantado na música-tema de Villa-Lobos e Ferreira Gullar, para o centro do desfecho;
  2. Não mostrar o enterro de Magnólia: a dona de vilania tão ostensiva e maléfica não merecia condescendência alguma, nem mesmo na diegese;
  3. A vitória do amor de Helô e Pedro com o nascimento do filho tão esperado: é corriqueiro mas não deixa de emocionar, sempre, a chegada do NOVO trazendo luz em qualquer ambiente, sobretudo ali, após o aflitivo sofrimento vivido pelo casal e suas famílias nos últimos capítulos;
  4. O final em aberto para a relação Isabela-Thiago: autores fizeram uma opção condizente para um casal complexo desde seu início, aludindo à contemporaneidade de um mundo quase perplexo ante mudanças tão rápidas e avanços comportamentais impensáveis décadas atrás;
  5. Boa solução para a punição de Tião Bezerra: um AVC que o deixa preso a uma cama de hospital (o todo-poderoso, com toda a fortuna que amealhou, completamente sozinho), remetendo a uma situação dos primórdios da novela, quando o personagem tinha tido um ‘apagamento’ de memória em plena ponte da cidade de São Dimas;
  6. Dois casais homossexuais leves e felizes em meio a uma festa promovida pela prefeita Salete. A ficção referendando cenários de tolerância e enfatizando a dimensão maior do amor, que corre por diversos atalhos: personagens de Maria Flor (Flávia) e de Raphael Ghanem (Gledson) curtindo plenamente com seus pares formados;
  7. Hércules e Aline, deploráveis vilões, elevados à categoria de mendigos em meio à invisibilidade cotidiana da metrópole;
  8. A surpresa, estendida ao máximo, para o par final de Letícia (Isabella Santoni), culminando por ser quem foi, o bem-humorado Antônio (Pierre Baitelle), seu eterno apaixonado.
  9. Ter citado a dor da tragédia de Mariana através do personagem de Gianecchini (Pedro, o rico bom moço e justiceiro) a cobrar punição para o terrível crime ambiental que vitimou a pequena cidade mineira;

10. A cena final, com viés acentuadamente político, promovendo uma imediata homogenia com o atual cenário político brasileiro. Neste ponto, a presença de Tony Ramos como o notório político do ‘rabo preso” que vai ascender à presidência, e terá ao seu lado a tradicional ‘loura burra’ (feita com esmerado requinte por uma convincente Grazi Massafera), foi triunfante ! Tony foi o intérprete perfeito para todas as ilações imediatas… e a comemoração das futuras vitórias políticas – em espaço luxuoso no qual dividem a mesma mesa, a corrupção, a imoralidade ética, a falta de escrúpulos, os desmandos com a coisa pública, os desvios de verbas, as prevaricações, a instrumentação religiosa, a desonestidade de propósitos, o desrespeito ao erário público, e o desprezo pelos que defendem e lutam por uma vida digna num país com tantos problemas colossais e quase insolúveis, foi um ganho excepcional da novela, através do qual se ‘perdoam’ ou tornam-se de somenos importância os muitos baixos e enganos do enredo.

Ainda que você não tenha visto o último capítulo, veja as imagens de sua cena final, e confirme: para bom entendedor, meia equivalência diz tudo, ainda que numa obra assumidamente de ficção.

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Licença Poética ou ‘furos perdoáveis’

De onde apareceu o carro possante que Isabela dirigiu para levar Thiago à Ilhabela, ela que começara a estudar (antes de virar Marina), com ajuda financeira de Helô – num país em crise como o nosso, como explicar que Marina conseguiu, honestamente, arrumar tão rápido uma fonte de renda para lhe garantir a posse de um carro daquele nível ?

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Como Marina conseguiu a chave que lhe abriu as portas da casa de Ilhabela ?

A rapidez com que Letícia passou a achar o amado pai Tião um homem de ações deletérias;

A igualmente rápida mudança de atitude do apaixonado Pedro, que rapidamente abandonou o lar onde dividia o cotidiano com a amada Helô, ao descobrir uma filha de 4 anos com uma mulher que não via há tempos;

A acelerada mudança de atitude de Mileide, que de mulher com certas conexões paranormais, virou uma fina interesseira no enriquecimento e na ascensão econômica e política… mas a criação/instalação de sua Igreja Sincrética Circular pagou todos os atropelos com a verosimilhança !

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Helô e Pedro num final feliz como o público queria !

Marcelo ADNET e Marcius Melhem encharcam TV de Humor, Talento, Inteligência e Ironia !

*Aurora Miranda Leão

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O programa mais bacana da grade atual da TV Globo responde pelo sugestivo nome de Tá no Ar: A TV na TV !

Em sua quarta temporada, o programa assinado por Marcelo Adnet e Marcius Melhem  insere-se naquele grupo singular de programas que consegue ser sempre novo e melhor a cada edição.

Tá no Ar: a TV na TV é escrito por Alexandre Pimenta, Angélica Lopes, Daniela Ocampo, Leonardo Lanna, Marcelo Adnet, Marcius Melhem, Maurício Rizzo, Thiago Gadelha e Wagner Pinto e tem redação final de Marcelo Adnet e Marcius Melhem. A direção geral é de Mauricio Farias. No elenco, além de Adnet e Melhem, Danton Mello, Luana Martau, Carol Portes, Georgiana Goes, Marcio Vito, Maurício Rizzo, Renata Gaspar, Veronica Debom e Welder Rodrigues.

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Esta temporada de TÁ NO AR avaliza o quarto ano do programa como atração televisiva competente, importante e poderosamente inteligente: Marcelo Adnet, Marcius Melhem e companhia seguem criativamente instigantes, capazes de transmutar o tantas vezes combatido efeito zapping num mote para fazer rir com hilárias paródias da vida nacional, com as quais o público rapidamente sintoniza.

Seja simulando programas conhecidos, parodiando comerciais, ou simplesmente exercitando o melhor do besteirol, Tá no Ar segue como o melhor programa de humor da televisão brasileira na atualidade !

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Um dos quadros mais aguardados: Adnet como o revolucionário que detesta a TV Globo 

Com o contexto político nacional, onde assuntos espinhosos e tantas vezes vexatórios são cotidianos, os criadores do TÁ NO AR exercitam com maestria sua capacidade de fazer rir, criticar, informar, opinar, e fazer chacota com temas que o telespectador imediatamente sintoniza. Isso pôde ser visto logo na estreia da temporada 2017 com a chamada do filme “A Dama da Delação”, atração do “canal Brasília”,  cujo logo no canto da tela fazia alusão ao Canal Brasil e seu catálogo de chanchadas nacionais. No enredo, ações típicas do esquema de corrupção, tudo sendo gravado por uma moça, digamos, “nada recatada”. Fácil encontrar semelhança com a realidade brasileira. Outro esquete divertido parodiava o comercial de um supermercado carioca, no qual um animado garoto-propaganda anunciava demissões em massa num momento de crise. O TÁ NO AR aproveitou para colocar o dedo na ferida com sua costumeira eloquência, parodiando o comercial do Banco do Brasil, com o slogan “Branco no Brasil: há mais de 500 anos levando vantagem”. 

A cada terça, o programa parece vir ainda mais inspirado ! Pena que já está sendo anunciado o final desta temporada 2017: programa com a qualidade de TÁ NO AR deveria fazer parte da grade permanente da TV. Assim como OS NORMAIS, Casseta & Planeta, e MISTER BRAU, Tá no Ar sair da grade de programação provoca imediato mal-estar no público quando se aproxima seu fim indesejável.

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Luana Martau e Marcius Melhem em quadro hilário sobre música sertaneja…

No programa da terça, 14 de março, o quadro em que Marcius Melhem aparece sendo entrevistado como um estudioso do ritmo musical Sertanejo, dizendo que ele surgiu no século XIX, e já nasceu revolucionário, dando exemplos do ritmo bombando em várias partes do mundo – como aconteceu no final dos anos 50 – foi ANTOLÓGICO !!!

Naquele tempo, segundo o estudioso, o Sertanejo já fazia enorme sucesso em Cuba… Pense num gol de placa ! Sensacional ! Melhem era o estudioso, enquanto Marcelo ADNET aparecia protagonizando um clipe produzido em grande estilo. Vale ressaltar que, neste quadro, ADNET fazia sempre o vocalista dos vários grupos sertanejos mostrados. Sim, porque depois da passagem por Cuba, teve também uma amostragem do sucesso do Sertanejo na China… Hilárioooo !!!

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O ritmo Sertanejo já fazia muito sucesso em Cuba nos anos 50…

OUTROS DESTAQUES:

“Classificação indicativa é um pé no saco”

A Tosca Produções com suas super ofertas no comércio

O Cine México com patrocínio dos SHUFFLES

THE VOICE OF TRONES

Ambientalistas da Paixão a primeira novela inteiramente auto-sustentável dda TV Brasileira.

Resta a você, que por algum compromisso importante, desatenção ou sono, pode ter perdido o programa, o consolo de assistir ao insólito TÁ NO AR: A TV NA TV via GloboPlay – o aplicativo gratuito da TV Globo !

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Risada garantida: Rick Matarazzo e Tony Karlakian, presenças obrigatórias do Tá no AR !

 

 

Dois Irmãos: Luiz Fernando Carvalho faz Poesia da obra de Hatoum

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Cauã Reymond, em papel difícil, reafirma imenso talento…

A minissérie que abriu o tradicional janeiro de grandes minisséries na TV Globo terminou ontem após 10 capítulos de uma produção com a assinatura prodigiosa e relevante de Luiz Fernando Carvalho (LFC).

DOIS IRMÃOS surge após a força dramático-imagética que foi a novela Velho Chico, também dirigida por Luiz Fernando, mas estava já gravada há 2 anos.

Trata-se de adaptação da obra homônima do escritor amazonense Milton Hatoum, adaptada por Maria Camargo. Conta a saga de uma família de libaneses residente em Manaus. O foco central da ação são os gêmeos Omar e Yaqub (vividos em 3 fases distintas pelos atores Lorenzo Rocha, Matheus Abreu e Cauã Reymond). Os gêmeos, desde garotos, vivem em disputa pela atenção dos pais, Halim (Antonio Caloni/Antonio Fagundes) e Zana (Juliana Paes/Eliane Giardini), e o amor da jovem Lívia (Monique Bourscheid/Bárbara Evans). Assim como no livro, a história é narrada por Nael (Ryan Soares e Irandhir Santos), filho de Domingas (Zahy Guajajara), um misto de agregada e empregada da família dos gêmeos.

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Quem acompanha o trabalho sempre instigante e competente de Luiz Fernando Carvalho já sabe: quando vem obra dele, vem produção esmerada, misto de beleza e reflexão, calmaria rítmica e avalanche emocional, músicas que evocam ou sublinham sentimentos que permeiam as emoções em relevo na trama, despertando uma polaridade que conjuga – com extrema delicadeza e pertinência – o claro e o escuro, o trágico e o alegre, o erótico e o rude, o avanço e retrocesso, o direito e o avesso, o sagrado e o profano, a beleza e o sombrio.

Em DOIS IRMÃOS – que a TV Globo lançou com o ótimo apelo “Assista a esse Livro !” – essa polaridade, ancestral e típica da vida, é moldura e conteúdo que Luiz Fernando Carvalho alcança e converte em refinada linguagem, traduzida em brilhante forma artística.

O duplo de cada personagem, das ações, dos acontecimentos, das reações, é dado precípuo da obra. Quem acompanhou com atenção, por certo lembrar-se-á dos momentos de pura euforia de Zana (a matriarca dividida entre Juliana Paes e Eliane Giardini), as nuances de Halim (Antônio Calloni e Antônio Fagundes), e o duelo permanente entre os gêmeos, com a recorrente polaridade evidenciando-se na eterna rivalidade entre irmãos, ademais sendo esses personalidades tão distintas, movidos por ódio e vingança desde muito cedo.

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Trabalho de caracterização foi tão perfeito que levamos um ‘susto’ quando o personagem Nael cresceu e apareceu com Irandhir Santos: parecia tratar-se do mesmo ator em idade mais avançada… Sensacionallll !!!

O escritor Milton Hatoum, amazonense autor do livro, deve estar muito feliz: as vendas de seu livro tiveram expressivo aumento após a estreia da minissérie, e sua obra agora ganha visibilidade nacional. E quem pode concorrer com o alcance da Televisão ? Ganhou Hatoum, ganhamos nós com esta Jóia da Teledramaturgia que é a minissérie DOIS IRMÃOS.

Mesmo já considerando, há tempos, LFC como um dos mais relevantes e competentes diretores de Teledramaturgia do país – costumamos dizer que “Todos os outros fazem novela; só Luiz Fernando Carvalho faz obra de Arte” -, o diretor sempre nos surpreende – positivamente – a cada novo trabalho.

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Que riqueza é assistir a uma obra assinada por LFC ! Que refinamento ele empresta a detalhes ! São pequenas pérolas encravadas em blocos de capítulos, perfazendo um total criativo cuja obra final deve equivaler mais que a um longa-metragem em esforço, trabalho e alcance, tal é o preciosismo na arquitetura cênico-imagética que facilmente identifica-se nas criações de LFC. O diretor é mestre na construção de um matelassê teleaudiovisual que evidencia uma enorme diversificação de intertextualidades, cujo acme é uma analogia constante, permanente, sutil e evidente entre as questões evocadas nas tramas e nas injunções que se desenrolam qual num tabuleiro de xadrez, complexo e inextricável, que esboça a realidade paradoxal e polarizada de um país perplexo ante tantas adversidades.

Em DOIS IRMÃOS é possível também identificar um diálogo com o clássico “O Tempo e os Conways”, do dramaturgo inglês J.B. Priestley, e ainda com O Jardim das Cerejeiras, do notável Anton Tchecov. Outros mais poderão ser aludidos. Esses me vêm à memória agora. O fato é: o sensório de Luiz Fernando Carvalho é pródigo em criar analogias, em promover diálogos, em promover alianças, mergulhando longe e fundo para emergir e iluminar a obra a qual ele está ‘construindo’ com matizes e texturas que apontam, insistentemente, para um universo multifário e poliédrico, pois assim esboça-se a sensibilidade do diretor, conforme o olhar mais atento pode perceber em suas notáveis criações artísticas. Nesse viés, Luiz Fernando Carvalho traz em seu arcabouço uma multiplicidade de influências, inspirações, estilos, e PERGUNTAS ( qual um garimpeiro, sempre em busca de novas pepitas preciosas) que o tornam um profícuo detonador de sentimentos e emoções aflorando em direções várias. É preciso ser muito tosco para não se sentir tocado pelos magnânimos quadros audiovisuais que LFC consagra às suas obras.

*Não sei o nome do clássico do cancioneiro mundial que encerrou a minissérie, mas que achado ! Mão na Luva, como diria Machado de Assis.

Assim, tendo essa ligação estreita e oxigenante com o dia-a-dia do país, é que Luiz Fernando – do alto de sua inquietação criativa – percebeu a ‘necessidade’ de alterar a edição dos capítulos finais de Dois Irmãos, ante a gravidade da rebelião de presídios acontecida em Manaus. Como disse o diretor em entrevista à colega Cristina Padiglione:

“Faz uns dez dias, estava editando a cena da morte de Halim, abatido sobre seu sofá cinza, mudo, cristalizado, perplexo diante das transformações que se iniciaram naqueles tempos, mas que chegam ao ápice nos dias de hoje! Na semana de estreia, assassinatos se multiplicaram nos presídios de Manaus, uma capital abandonada e praticamente esquecida, que entrou para o mapa mundi da tragédia da vida real e ficcional a um só golpe. Tudo se misturou na minha cabeça. Entendo a edição como algo móvel, dinâmico, como a vida. As improvisações continuam ali. Não trabalho com cartilhas. Meu olhar se interessa por estes acasos e espelhamentos. Os acontecimentos em Manaus modificaram a forma de editar os capítulos finais, sim. Senti a necessidade de incorporar à decadência, já posta no romance, a reflexão machadiana de que ‘o progresso já nasce em ruínas’. A edição se tornou mais crítica e política ao refletir o tempo que passa e sua ideia de progresso”.”

Um Viva muito grande e sonoro ao formidável elenco de DOIS IRMÃOS, no qual destacam-se as atuações de Juliana Paes, Antônio Calloni, Eliane Giardini, Antônio Fagundes, Irandhir Santos, e a criação impactante de Cauã Reymond, que esbanjou talento, sensibilidade e invejável profissionalismo.

*Bom rever Michel Melamed, Isaac Bardavid, Ary Fontoura, Maria Fernanda Cândido e Carmen Verônica.

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PARABÉNS ao maestro Luiz Fernando Carvalho e a toda a fabulosa equipe que com ele tornou possível a realização exponencial de DOIS IRMÃOS ! Uma obra que nos enche de admiração por sua riqueza como criação teleaudiovisual, e também por nos relembrar que, no Brasil, há sim motivos muitos para nos orgulharmos, conforme ficamos ao sermos partícipes de um tempo em que se produz obra tão digna em meio a tantas coisas que nos envergonham neste Brasil dos anos 2000.

Cidade dos Homens estreia hoje com Dja Marthins em participação especial

A competente atriz Dja Marthins, mais um talento de peso da cultura  baiana, conhecida por sua presença sempre forte e competente – seja no teatro, cinema ou televisão -, está de volta à telinha esta noite:
DJA participa do primeiro episódio de Cidade dos Homens, que estreia hoje uma nova versão, atualizada em 12 anos. Escrita por George Moura e Daniel Adjafre, a minissérie agora tem direção de Pedro Morelli.
“Faço uma mulher que ganha a vida consertando e recuperando os utensílios domésticos dos moradores de uma comunidade. Mas é uma participação pequenina”, avisa Dja. Apesar de lamentarmos que sua participação seja apenas no primeiro capítulo, é bom de todo modo rever Dja atuando, ainda mais numa minissérie com uma trajetória como a de Cidade dos Homens, que destaca a relação de amizade da famosa dupla Acerola e Laranjinha.
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Acerola e Laranjinha retornam e agora já tem filhos…
Em Cidade dos Homens, Dja contracena com os atores mirins Luan Pessoa (Davi) e Carlos Eduardo Jay (Clayton), que  encarnam os filhos de Laranjinha ( Darlan Cunha) e Acerola (Douglas Silva). Os intérpretes entram em cena para dar continuidade aos inesquecíveis personagens, numa passagem de 12 anos.
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DJA Marthins iniciou a carreira através do importante  trabalho da Oficina de Espetáculos Calouste Gulbenkian, comandada pelos atores Ernesto Piccolo e Rogério Blat. Inscreveu-se mais tarde no curso de teatro da Universidade Estácio de Sá.
E foi através de um belíssimo espetáculo da dupla Picollo & Blat (que criaram e dirigiram diversos espetáculos bonitos e relevantes em aulas populares, as quais misturavam diversas etnias, gerações e classes sociais) que vi DJA pela primeira vez. Em cena, DJA atuava e cantava no inesquecível musical PRAÇA ONZE. O elenco era enorme, formado por alunos da oficina do Centro Cultural Calouste Gulbenkian, e não dava pra guardar nome e rosto de todos. Foi só quando vi DJA Marthins emprestando seu talento em #joiarara, que me encantei com sua atuação. E conversa vai, lembrança vem, e o musical PRAÇA ONZE nos fez recordar momentos lindos que ‘vivenciamos’ em dia de festa no palco.
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 Cartaz do inspirado musical de Ernesto Piccolo e Rogério Blat, onde Dja Marthins atuou…
DJA Marthins é conhecida por vários trabalhos na televisão. Egressa do teatro baiano, a atriz estreou na telinha em 2002 com o Beijo do Vampiro, seguindo nas novelas Cobras & Lagartos (2006), Saramandaia,  Joia Rara (2013) e Haja Coração (2016), citando apenas algumas.
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Na última versão de Saramandaia, obra do também baiano Dias Gomes, o saudoso e notável dramaturgo criador de obras como O Bem Amado e O Santo Inquérito, ela fez  a empregada da personagem Candinha Rosado, vivida pela atriz Fernanda Montenegro, e conta que foi “um prazer enorme trabalhar com essa grande profissional”.
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José Araújo e Dja Marthins contracenando em Joia Rara, obra-prima de Duca Rachid e Telma Guedes…
A personagem de Cidade dos Homens é mais uma que evidencia o talento da atriz em trabalhos que destacam as comunidades cariocas. Na peça “Favela”, Dja mostrou nos palcos a vida da Dona Jurema, uma fofoqueira no cotidiano de quem mora no morro. Texto de Rômulo Rodrigues com direção de Marcio Vieira. Em “Áurea, a Lei da Velha Senhora”, de Jean Mendonça,  Dja encarnou a Negra Velha, encantando o público com sua atuação pujante.
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“Gosto de trabalhar na televisão, mas minha paixão é o teatro.  Estou ensaiando Bodas de Ouro, de Vicente Maiolino, com adaptação e direção de Wilson Caetano. Comigo no elenco está Ricardo Romão,  fundador e líder do grupo musical Saci Chorão”, conta a querida DJA.
No cinema, Dja Martins atuou nas produções “Através da Sombra”(Walter Lima Jr), “Polidoro”(Tiago Arakilian) e “Solteira Quase Surtando”(Caco Souza), além dos curtas-metragens “Safári”(Renata Di carmo) e “Vazio do Lado de Fora”(Eduardo Brandão Pinto). Esse último “é sobre o pessoal que foi desabrigado no autódromo”.
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Dja Martins: orgulho e força do Teatro Baiano, revelada ao país pela teledramaturgia.