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Quando a programação televisiva é boa,
Nós Aplaudimos

E quando passarem a limpo, a Teledramaturgia dirá PRESENTE…

 OS DIAS ERAM ASSIM: história revisitada com coragem e qualidade artística                                                                                                                                                                                                                                 *Aurora Miranda Leão

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Tenho ficado um tanto macambúzia a cada vez em que termina um capítulo desta nova minissérie da TV Globo, obra que a emissora decidiu categorizar como supersérie – porque menor que uma novela tradicional e maior que o formato consagrado das minisséries –, o que facilitará também a venda para o mercado internacional. Mas Os dias eram assim é uma Supersérie não só por isso: a construção narrativa de Os Dias faz de sua teledramaturgia uma obra com todas as qualidades para demarcá-la como um divisor de águas.

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A história começa no dia da vitória da seleção brasileira na Copa de 1970. E segue a partir daí num enredo que tem a política como ponto central, do qual partem todas as ações e referências. A política está na escolha das músicas, na direção de arte, nos espaços cênicos, no foco diegético, enfim.

Cada um observa a obra pelo viés que melhor lhe apraz, mas não vale dizer que Os dias eram assim é apenas mais uma história de amor e que, por causa dela, a questão política aparece apenas como pano de fundo.

Dizer isso é faltar com a verdade. Uma obra que tem a abertura com imagens em preto e branco reportando ao período nefasto que tomou conta do Brasil nos anos 60 -70 – 80, embalada pela canção Aos nossos filhos, de Ivan Lins e Victor Martins, por mais que se queira, jamais poderá deixar de ser política, desde sua gênese.

Arrepio toda vez que escuto a canção: Aos nossos filhos semelha uma ode. É quase um estribilho (cantado na abertura pelos próprios atores, mas a música ganhou o país quando de seu lançamento com a gravação emblemática de Elis Regina), um emocionado/emocionante pedido de ‘perdão’ às gerações que se seguiram após às que viveram/sobreviveram ao período da ditadura no país. Escutar “Perdoem a falta de ar… os dias eram assim” é como um estilete penetrando fundo na alma. Precisa não conhecer nada de história para não se sensibilizar com  o que a supersérie mostra todas as noites na tela da TV (excetuando a quarta, para tristeza nossa), e de forma absolutamente bem realizada.

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A maestria com que a direção cuida de cada cena – os enquadramentos, os movimentos de câmara, a fotografia, a condução do elenco, a escolha das músicas -, a interpretação dos atores (todos numa entrega notória e necessária para dar veracidade às cenas), a caracterização e a reconstituição de época (direção de arte esmerada), a qualidade da produção, e a primorosa edição fazem de Os dias eram assim a teleficção mais relevante exibida pela TV Globo este ano, até então.

Acompanhar a supersérie, sabendo que o enredo foca nos anos 70-80, é visitar aquele tempo sombrio um pouco a cada noite. Não é agradável ver o que vemos, mas é necessário, importante, corajoso e iluminador.  Cada cena é apresentada com inegável rigor estético e dramatúrgico, perpassada com muita coerência e com implícito vigor moral e psicológico. O país vivia uma convulsão sócio-política que deixou profundas marcas em sua história, e a supersérie apresenta tudo isso num painel pungente que inaugura uma página nova, e altamente expressiva, na teledramaturgia.

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Cláudia Abreu e Betty Lago em cena de Anos Rebeldes

Gilberto Braga e Sérgio Marques foram os pioneiros na teledramaturgia ao mostrar os abomináveis anos de chumbo em sua linda e inesquecível Anos Rebeldes, de quem Os dias eram assim claramente descende. Nesta como naquela, a qualidade estética e dramatúrgica são inegáveis e dignas dos maiores aplausos. 

O que hoje Os dias eram assim traz de novo e de suma relevância é a abordagem por um viés inaugural. Motivado decerto pelo galope indomável do tempo, este “senhor dos enganos” de que nos fala a canção de Herbert Vianna, o enfoque que conduz a supersérie é fruto da contemporaneidade veloz e tecnologicamente conectada que liga o mundo em redes, das quais seus criadores, em saudável sintonia, não esqueceram na hora de retomar a questão. Em Anos Rebeldes, a notável criação do querido Gilberto Braga (!), a abordagem foi pioneira também. E tão meritória que até hoje é alvo de estudos e pesquisas no país e além fronteiras. Os dois marcos que as minisséries simbolizam enriquecem nossa Teledramaturgia.

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Gilberto Braga quando do lançamento do livro sobre Anos Rebeldes em 2001

Os dias eram assim acrescenta uma nova perspectiva para a memória teleaudiovisual do país naquele período, não abordada até então.  Mostrar que os padrões do empresariado e da classe dominante do país eram avessos à liberdade e à justiça social, ou seja, estavam contaminados pelos mesmos valores sórdidos, abjetos, deploráveis e desumanos que motivaram parte dos militares a promover o cerceamento de todas as liberdades no país, é novo, forte, corajoso, relevante.

Isso é o que mais avulta em Os Dias Eram Assim !

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Antônio Calloni em atuação digna de todos os prêmios: Colossal !

Quando você assiste a um painel televisual com a intensidade e a qualidade – histórica, imagética, dramatúrgica – de Os dias eram assim, e de repente ouve músicas como Deus lhe pague (Chico Buarque), Pra não dizer que não falei de flores (Geraldo Vandré), e Cálice (Chico Buarque e Milton Nascimento), a emoção lhe toma de assalto. Mais ou menos como diria nosso saudoso amigo e emérito cronista Artur da Távola:

“Quando a razão volta, o coração já se derramou”.

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Portanto, desliguem o botão do preconceito e assistam à obra com coragem de se emocionar e revisitar um passado nem tão distante assim. Sugiram a filhos, netos, sobrinhos, pais, mães, tios, primos, amigos, alunos e vizinhos que assistam à supersérie. A hora não é mais problema na grade televisiva: quem não pode ver no horário marcado, assiste quando couber na agenda ! Basta ligar no Globo Play ! Ainda por cima, é de graça.

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*Já elogiamos aqui a interpretação magistral de Antônio Calloni, o esteio visceral de Os dias eram assim. Mas nossos aplausos estendem-se a todos, em especial para Gabriel Leone, Sophie Charlotte, Cássia Kiss, Daniel de Oliveira, Renato Goes e todos os demais, incluindo a prodigiosa equipe técnica, que participa de um marco da nossa Teledramaturgia.

Voltaremos ao tema.

* Confira a letra de AOS NOSSOS FILHOS 

Perdoem a cara amarrada

Perdoem a falta de abraço

Perdoem a falta de espaço

Os dias eram assim

 

Perdoem por tantos perigos

Perdoem a falta de abrigo

Perdoem a falta de amigos

Os dias eram assim

 

Perdoem a falta de folhas

Perdoem a falta de ar

Perdoem a falta de escolha

Os dias eram assim

 

E quando passarem a limpo

E quando cortarem os laços

E quando soltarem os cintos

Façam a festa por mim

 

E quando largarem a mágoa

E quando lavarem a alma

E quando lavarem a água

Lavem os olhos por mim

 

Quando brotarem as flores

Quando crescerem as matas

Quando colherem os frutos

Digam o gosto pra mim 

Perdoem a falta de ar…. Precisa dizer mais ?

Antônio Calloni e Sophie Charlotte destacam-se em lados opostos

Os Dias eram Assim     

  *Aurora Miranda Leão

Os Dias eram assim teve ontem (sexta 28 abril) um capítulo antológico.

No post anterior, quando nosso enfoque foi inspirado pela ‘queixa’ de alguns que afirmam ser a supersérie uma simples história de amor, prometemos voltar para falar do elenco. Sim, o elenco traz nomes relevantes da nossa Dramaturgia e merece ser destacado.

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Vamos aos nomes: Sophie Charlotte, Daniel de Oliveira, Renato Goes, Antônio Calloni, Natália do Valle, Marco Ricca, Gabriel Leone, Cássia Kiss, Letícia Braga, Susana Vieira, Mariana Lima, Bukassa Kabengele, Bárbara Reis, Letícia Spiller, Marcos Palmeira, Carla Salle, Maurício Destri, e teve ainda uma especialíssima participação de Caio Blat no capitulo de estreia.

Queremos ressaltar também os nomes dos profissionais que assinam a direção de OS DIAS ERAM ASSIM – ontem indicamos somente os nomes de Walter Carvalho e Carlos Araújo porque não conseguimos descobrir os demais via web. Foi preciso aguardar a exibição do capítulo dessa sexta para anotar todos eles. Vamos lá: Carlos Araújo é o diretor artístico, enquanto Walter Carvalho, Isabella Teixeira e Cadu França assinam a direção de cenas ou capítulos. O destaque é para ressaltar que há outros profissionais igualmente empenhados no desenho visual da teleficção, que é, sem favor algum, um marco referencial do horário. Uma obra super bem realizada com um elenco coeso e grandes atuações, uma trilha sonora condizente, e um pungente convite a uma reflexão, que perpassa temas como o machismo, a violência simbólica, o massacre das liberdades individuais, o menosprezo pela mulher, a arrogância da elite dominante, o conflito de gerações, a censura e o cerceamento da liberdade, a repressão, a opressão, enfim, temas muito caros e bem entranhados no cerne da sociedade brasileira.

Para essas primeiras considerações de elenco, destacamos as atuações mais marcantes: Sophie Charlotte, Natália do Valle, Daniel de Oliveira e Antônio Calloni, disparado o grande destaque do elenco !

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Sophie Charlotte e a liberação feminina que se começava a desenhar…

SOPHIE CHARLOTTE – a alemãzinha que aportou no Brasil e foi adotada por uma imensa legião de fãs que aprecia sua beleza, simpatia e talento. Tudo isso soma para que Sophie protagoniza a supersérie com enorme domínio de sua condição de mulher bela, cheia de talento e cantora com belo futuro a seguir (Sophie é voz que se destaca desde O Rebu, e depois ganhou o apreço de Roberto Carlos, com quem dividiu o palco num Especial de Natal do Rei).

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Sophie encarna a autêntica e destemida Alice, e o faz com espontaneidade, leveza, carisma e indiscutível competência. Sua escalação foi muito feliz e este é mais um personagem que vai marcar a carreira da atriz. Vendo Sophie em cena, não há como não lembrar de Cláudia Abreu e sua Heloísa, a impávida lourinha dos  Anos Rebeldes, a inesquecível minissérie do querido Gilberto Braga.  A Alice de Sophia Charlotte entra para a galeria de heroínas da teleficção brasileira com méritos semelhantes aos que em 1989 alçaram Cláudia Abreu a essa qualificada galeria. PARABÉNS  a quem escalou a moça e aplausos para Sophie Charlotte, que encara com garra e coragem um papel difícil e de muitas nuances.

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NATÁLIA DO VALLE é Kiki, a mulher oprimida e ultrajada pelo marido, o empresário fascista Arnaldo Sampaio. Kiki é mãe de Alice e da pequena Nanda (Letícia Braga), mas tem o jeito e a expressão sempre sofrida de quem vive uma vida marcada pela grosseria, o menosprezo, o descaso, a não realização pessoal nem profissional. Kiki é uma típica mulher dos anos 60: “bem casada”, dona de casa e salvaguarda do lar, em quem a vontade própria inexiste: vive para as filhas, a casa e o marido, que lhe agride constantemente e avilta sua condição de esposa. É um ótimo viés para se observar questões de gênero pertinentes à situação da mulher no contexto do país.

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O empresário tirano e a mulher reprimida: Calloni e Natália do Valle em bela contracena

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DANIEL DE OLIVEIRA é Vítor Dumonte, o mocinho mimado e repressor. Ex-namorado de Alice, ele quer se casar com a moça para herdar a fortuna do milionário Arnaldo, e é capaz de qualquer coisa para atingir seu objetivo. É um sujeito abjeto, típico dos anos em que a masculinidade foi posta em cheque a partir da conquista da liberdade sexual feminina, possível graças à invenção da pílula, que chegou trazendo avanços e provocando a fúria dos conservadores, doutrinários e repressores. 

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ANTÔNIO CALLONI é o nefasto milionário Arnaldo Sampaio. Dono de uma das mais importantes construtoras do país, ele tem escusos negócios com o poder constituído, e é daqueles tipos bem conhecidos de prepotentes do “Sabe com quem você está falando ?”. Defensor contumaz da repressão e declaradamente a favor da ditadura, é um exemplo clássico e abominável do déspota que se acha o dono da bola.

O personagem é figura central no enredo de OS DIAS ERAM ASSIM e o ator engrandece o personagem com uma construção ricamente detalhada, fruto de sua meritória competência para simbolizar, através de Arnaldo, todo o mal que a tirania representa. Arnaldo não é só o empresário vil, corrupto e corruptor, mas aquele clássico sátrapa que quer ganhar todas as batalhas no grito ou angariando apoios pela força do dinheiro, tiranizando os mais fracos. Sendo Antônio Calloni um Ator dos mais conhecidos por sua educação, inteligência, doçura e refinamento intelectual (Calloni é Poeta e dos bons !), é ainda mais emblemática sua escalação para o papel do monstruoso empresário.

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Arnaldo e seu pretenso futuro genro: Calloni e Daniel de Oliveira vivem com brilho personagens abomináveis…

Antônio Calloni, que parece ficar na supersérie apenas em seus 20 primeiros capítulos, atua com incontestável brilho, alcançando um nível de excelência interpretativa que ganha ainda mais destaque por estarmos falando de uma obra feita no ritmo intenso de produção que exige a teledramaturgia. Nesta não há o tempo de elaboração que existe no teatro e no cinema: televisão é pulsação intensa, com muitas cenas para decorar, interpretar e gravar em poucas horas, sendo um trabalho hercúleo construir um personagem nesse andamento galopante. Pela qualidade de sua interpretação, Antônio Calloni insere o personagem Arnaldo Sampaio à galeria dos Grandes Personagens da Teledramarturgia Brasileira. O ator fará falta à trama mas marca sua presença com impressionante força interpretativa. É um luxo ver um Ator do quilate de Calloni atuando na nossa telinha, todas as noites, e de graça.

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Elenco da supersérie Os Dias eram Assim

Quem não está assistindo à Supersérie, que passa por volta das 23h, pode acompanhar esta obra-prima pelo Globo Play, de graça e na hora de sua preferência. Vale muito a pena !

*No próximo post sobre OS DIAS ERAM ASSIM, um passeio pela trilha musical.

Os Dias Eram Assim… Perdoem a sinceridade mas o AMOR é que imortalizou Fernando Pessoa

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*Aurora Miranda Leão 

A seleção brasileira fazia o jogo final da Copa de 1970. Nas ruas, um clima de euforia. Na história que pulsava por baixo dessa euforia de quem está prestes a sagrar-se campeão mundial, corria outra sensação, a de aviltamento da dignidade humana, alicerce do período sombrio da ditadura brasileira.

Há uma dor funda e recente que cerca esse momento da vida brasileira. Aquele tempo ainda não foi bem assimilado na memória nacional. É difícil falar sobre aqueles dolorosos anos e, talvez por isso, ainda há quem duvide que eles existiram de fato.

O período sombrio que extirpou a liberdade do cotidiano nacional cheira a repressão, ditadura, violência, aviltamento dos direitos fundamentais, cerceamento da liberdade, e é sobre isso que fala a supersérie Os dias eram assim.

Estreada no último dia 17 de abril, a obra tem co-autoria de Ângela Chaves e Alessandra Poggi, e direção capitaneada pelo mestre Walter Carvalho (o festejado paraibano diretor de fotografia de tantos trabalhos memoráveis), com direção geral de Carlos Araújo.

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Marco Ricca é um delegado e Cássia Kiss a mãe cujos filhos são perseguidos…

É nesse contexto da ditadura, tematizado em Os dias eram assim, que Alice (Sophie Charlotte) e Renato (Renato Góes) se conhecem e iniciam uma história de amor que vai atravessar quase duas décadas, cruzando com eventos históricos importantes. Da repressão às Diretas Já, o amor vai passar por vários percalços, e talvez sobreviva: medo, intrigas, separação, dor, tristeza, esperança.

Renato é médico e primogênito de uma família de classe média, moradora de Copacabana. Tem dois irmãos, os estudantes Gustavo (Gabriel Leone) e Maria (Carla Salle).  O pai era professor universitário e a mãe é dona de uma livraria, Vera (Cássia Kis). Cada um a seu modo, estão todos engajados na luta pela liberdade: enquanto Gustavo sai às ruas, Maria usa a arte como forma de expressão.

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Sophie Charlotte esbanja meiguice, talento e sensualidade em Os dias eram assim…

No universo da jovem Alice (Sophie Charlotte), a batalha é contra o pensamento conservador da família. Questionadora, a estudante sempre bateu de frente com os pais. Dono de uma construtora, Arnaldo (Antônio Calloni) é um empresário rico e de padrões fascistas: não se conforma com o fato de a mulher, Kiki (Natália do Valle), nunca ter conseguido reprimir a inquietude da filha. Para ele, a mulher é a culpada por tudo de ruim que acontece no lar e na família. O empresário é um típico vilão, homem deplorável que causa nojo e revolta, feito com invejável maestria por um Ator do quilate de Antônio Calloni.

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Antônio Calloni em interpretação memorável, e Natália do Valle em sua melhor atuação

Alice apaixona-se por Renato e, a partir daí, começa a ter rasgos de insuspeitada coragem: o primeiro passo é ir contra o desejo dos país e contrariar o principal projeto deles para a vida dela: a jovem rompe o namoro de anos com o machista Vitor (Daniel de Oliveira), que não se conforma com o rompimento. Tudo o que Vitor deseja é tornar-se dono da fortuna do pai de Alice. O casamento seria a concretização de seu ideal.

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Daniel de Oliveira, Antônio Calloni e Marco Ricca em grandes atuações…

O abjeto Vitor é braço-direito de Arnaldo na construtora, e filho  arrogante e oportunista Cora (Susana Vieira). Os mundos de Renato e Alice se cruzam por amor e serão separados pela divisão ideológica entre as duas famílias, potencializada pelo ambiente político reinante no país. Ambientada entre as décadas de 70 e 80, período que vai da repressão às Diretas Já, a supersérie Os Dias Eram Assim é exibida por volta das onze da noite e vem tendo boa audiência.

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Gabriel Leonne empresta força e competência ao personagem Gustavo…

Aqui, como em todo o formato da teleficção audiovisual, o drama amoroso é o grande motim: “A História é o pano de fundo dessa trama de amor. Tratamos de encontros e desencontros desse casal que é separado de forma abrupta e, depois, vai se reencontrar quando os dois já não são mais os mesmos”, diz Ângela. Já Alessandra afirma: “Alice e Renato vivem uma história de amor muito forte no primeiro momento, mas, quando são separados, cada um resolve seguir sua vida. A maior parte da história ocorre após o reencontro, no período de pré-abertura política, em 1984”.

Para nós, soa engraçado, para não dizer apressado e preconceituoso, os comentários acerca da supersérie que pretendem analisar uma obra que não é a que está na TV. A supersérie fala sobre uma história de amor interrompido, como assim acontece em qualquer obra teledramatúrgica. Basta ler um pouquinho sobre o tema para saber que a telenovela tornou-se nosso maior produto cultural de exportação e ocupa um lugar de destaque na programação televisiva diária, sendo que existe desde  1951 e, a partir de 1963 tornou-se atração diária. De lá pra cá, o gênero se consolidou e tem clara filiação melodramática. Portanto, querer ver uma telenovela e acreditar que seu principal enfoque não será uma história de amor é desconhecimento, ingenuidade ou má vontade.

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Mariana Lima, Bárbara Reis e Bukassa Kabengele: família que também será vitimada…

A nós, o que nos parece mais instigante é justamente o fato de repetir-se uma fórmula, absolutamente popular e consagrada, e, mesmo assim, continuar agradando e atraindo imensa audiência. Fazendo uma analogia com o cardápio gastronômico, a telenovela é assim uma espécie de bolo do cardápio: há uma enorme variedade, com predileções variadas, mas a base da receita é sempre a mesma, atrai inúmeros seguidores, pode ser feita com diferentes ingredientes, mas o que sobressai é um paladar de alta fidelidade: não há quem não goste de bolo, embora as preferências de gosto variem constantemente.

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Renato Goes e Sophie Charlotte: o casal protagonista…

Pois é, e ainda argumenta-se que a história de Os dias eram assim tem clichês típicos de novela. Ora, pois, se uma minissérie é assim um ‘primo rico’ da telenovela, como não ter clichês típicos de seu gênero ? Como fugir ao padrão que tornou o gênero o carro-chefe da programação televisiva brasileira ? E por que haveria de se mexer num ‘time que está ganhando’? Não estamos assistindo a um filme ou acompanhando uma encenação teatral: Os dias eram assim é uma supersérie, ou seja: tem o mesmo esquema básico clássico de uma telenovela, apenas o formato é menor que o desta, embora maior que o de uma minissérie. Seguindo com nossa analogia, o bolo pode ter outro formato e recheio, mas será sempre um bolo, e não um risoto, um suflê ou uma empanada.

A fórmula de telenovelas, minisséries, microsséries, casos especiais, superséries – teleficção audiovisual – é a mesma há dezenas de anos, e o que encanta é ela permanecer sempre igual em sua diferença de cada novo título. Sempre com a mesma força e capacidade de atrair. E talvez aqui resida um dos trunfos de seu aprimoramento e apuro técnico: como há um sequenciamento ad infinitum do mesmo formato, as equipes realizadoras das telenovelas se esmeram, cada vez mais, ao longo de toda a história da Teledramaturgia Brasileira, em fazer com mais rigor  e preciosismo, primando pela capacitação de seus profissionais e a excelência do produto final. Isso é o que podemos constatar diariamente, em qualquer dos horários em que são exibidas as telenovelas (acompanhamos quase todas porque somos admiradoras do gênero desde crianças). No momento atual, estão no ar duas obras-primas: Novo Mundo, recém-estreada, e Rock Story, que se aproxima do desfecho. Além disso, o que afirmamos pode ser referendado observando-se a enorme penetração da produção brasileira no exterior (mais de 130 países compram nossas telenovelas). E quanto mais esse mercado foi crescendo ao longo dos anos, mais o gênero se consolidou e as equipes técnicas, imensas e valorosas, foram sendo lapidadas – direção, fotografia, luz, cenário, maquiagem, direção de arte, trilha sonora e musical, caracterização –, chegando ao patamar que hoje vemos diariamente na telinha e que nos impactam, cada dia mais, pela excelência técnica e artística que exibem.

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Afinal, se a história de amor incomoda por ser o fundamento dos enredos, vale lembrar uma condição básica: o tempo consagra como clichê o que é  considerado bom para a grande maioria. Como bem disse o cineasta Woody Allen: “Algumas vezes, um clichê é a melhor forma de se explicar um ponto de vista”. E o clichê foi popularizado por ser reconhecidamente atraente e imbuído de qualidades intrínsecas: quem descobriu, aderiu, quis imitar, propagou, virou moda e contagiou. E o poeta Fernando Pessoa sabia tanto e tão bem disso que imortalizou o melhor e mais sábio de todos os clichês: o AMOR.

E, parafraseando o notável poeta português, dizemos:

“Todas as histórias de amor são

Ridículas.

Não seriam histórias de amor se não fossem

Ridículas.

As histórias de amor, se há amor,

Tem de ser ridículas.

Mas, afinal,

Só as criaturas que nunca escreveram

Histórias de AMOR

É que são Rídiculas.” 

*Em post posterior, falaremos sobre o elenco e a narrativa.

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Alice e Renato: amor à primeira vista enfrenta barreiras difíceis…

Final de A LEI redime erros e deslizes da novela

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       *Aurora Miranda Leão

Quem gosta de acompanhar telenovelas, sente quando uma trama descamba para o inverossímil ou quando seus autores perdem o controle da ação e bailam na curva.

Os previsíveis desvios de rota, ou colisões mais ou menos sérias, tem chances de recuperação, sempre, e a melhor delas é introduzir indícios de real no material dramatúrgico. Assim, o telespectador de pronto faz suas próprias conexões e é levado, sutilmente, a se sentir partícipe da obra.

Foi assim com A LEI DO AMOR, encerrada ontem. A novela criou vários pontos de paridade com o real, mas uma cena especial do capítulo final, elevou essa equivalência a um nível emblemático. No momento em que escrevemos estas linhas, uma conversa no espaço vizinho, revela o quanto o final de A Lei mexeu com o imaginário popular…

A trama de Maria Adelaide Amaral e Vincent Villari chegou ao fim com muito boa audiência, como é corrente nas ficções teleaudiovisuais das 21h, que mobilizam sempre a audiência, quer pelo lado da crítica ou pelo viés da adesão.

Ter uma história central forte com um conflito relevante, que faça esse ‘esqueleto’ perdurar com vigor por cerca de 6 a 8 meses – tempo corriqueiro para as telenovelas da TV Globo -, é fundamental para cativar a audiência. A Lei começou com sinais de que teria um thriller político como fio condutor.

Nós, que vínhamos de um mergulho sensório belo e profundo nas entranhas de Velho Chico (obra da notável parceria de Benedito Ruy Barbosa, Bruno Luperi e Luiz Fernando Carvalho com auxílio luxuoso de Raimundo Rodriguez), ressaltamos: desde a estreia, pareceu-nos ver em A Lei do Amor uma tentativa imagética e musical de revalidar sentidos estéticos desenhados (com imensa maestria) pelos artífices de Velho Chico (VC). Senão vejamos: o casal principal (Helô e Pedro) também havia sido separado por artimanhas de vilões que os fizeram ficar distantes por 20 anos (em VC, o afastamento de Teresa e Santo foi de 30 anos); os encontros mais felizes de Santo e Tereza se passavam à beira do famoso rio nordestino. Em A Lei, Pedro e Helô começam seu romance com viagens no veleiro do jovem apaixonado, e as tomadas iniciais (com o veleiro visto do alto e o mergulho do casal no mar) apontavam claras marcas indiciais de intercessão com a ambiência estética de VC. Nada demais: é salutar retomar caminhos que se mostraram belos e abriram janelas para uma bela construção sensorial. E a saudade da trama semeada às margens do São Francisco, referendada por um diálogo artístico com a obra anterior à LEI, também pode ser registrada através da grande ciranda de abertura da trama: pés correndo em direção a melhores oportunidades ou a novos enredos num chão de terra batida, por onde escorre um riacho, como a trazer de volta o sertão ressignificado por VC.

Também na trilha, essa subliminar sintonia com a história anterior se fez presente, submersa ou alicerçando a camada de sentidos principal: se em VC nomes de insuspeita qualidade musical eram também fio condutor do enredo (Elomar, Xangai, Maria Bethânia, Tom Zé, Caetano Veloso, Lenine), em A Lei do Amor também houve (com mais força nos primeiros meses) uma valoração de canções e compositores de reconhecido destaque no cancioneiro nacional, como Roberto Carlos (“À distância”), Raul Seixas (“Cowboy fora da lei”), Gonzaguinha (Grito de alerta); Dalto (Pessoa, sucesso dos anos 80 na voz de Marina Lima). E ainda na interpretação da notável Bethânia para a  belíssima canção Era pra Ser, de Adriana Calcanhotto, tema do casal Thiago e Isabela, que voltou com primorosa eloquência no capítulo final.

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Desfecho insólito para a terrível vilã Magnólia, a grande personagem de A Lei do Amor

Ao observar os muitos comentários sobre A LEI DO AMOR via imprensa e redes sociais, o que mais chamou-nos atenção foi o fato de ninguém reportar-se à direção da novela. E eu mesma me peguei surpresa ao pensar em quem assinava a direção: tive de ir pesquisar pois não lembrava o nome do diretor. Natália Grimberg e Denise Saraceni são as responsáveis.

Neste ponto, que é crucial e onde concentra-se grande parte do resultado de uma obra de ficção teleaudiovisual, registra-se a primeira clara distinção entre A LEI e Velho Chico, por exemplo. Enquanto em A LEI ninguém toca no nome do diretor ao comentar a obra, é impossível falar de VC sem citar Luiz Fernando Carvalho. Apenas uma ressalva relevante que reafirma o diretor como co-autor da obra, ainda quando existe apenas um roteiro a ser filmado (óbvio que, novela começada, há o elenco e toda uma grandiosa equipe que constroem juntos o êxito ou fracasso da obra).

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Vera Holtz em mais uma atuação notável !

Feito esse adendo sobre a questão da direção, vamos aos acertos do capítulo final de A Lei do Amor:

  1. O final trágico de Magnólia, insólito, à altura da personagem, e trazendo o simbolismo da força do trem da vida, cantado na música-tema de Villa-Lobos e Ferreira Gullar, para o centro do desfecho;
  2. Não mostrar o enterro de Magnólia: a dona de vilania tão ostensiva e maléfica não merecia condescendência alguma, nem mesmo na diegese;
  3. A vitória do amor de Helô e Pedro com o nascimento do filho tão esperado: é corriqueiro mas não deixa de emocionar, sempre, a chegada do NOVO trazendo luz em qualquer ambiente, sobretudo ali, após o aflitivo sofrimento vivido pelo casal e suas famílias nos últimos capítulos;
  4. O final em aberto para a relação Isabela-Thiago: autores fizeram uma opção condizente para um casal complexo desde seu início, aludindo à contemporaneidade de um mundo quase perplexo ante mudanças tão rápidas e avanços comportamentais impensáveis décadas atrás;
  5. Boa solução para a punição de Tião Bezerra: um AVC que o deixa preso a uma cama de hospital (o todo-poderoso, com toda a fortuna que amealhou, completamente sozinho), remetendo a uma situação dos primórdios da novela, quando o personagem tinha tido um ‘apagamento’ de memória em plena ponte da cidade de São Dimas;
  6. Dois casais homossexuais leves e felizes em meio a uma festa promovida pela prefeita Salete. A ficção referendando cenários de tolerância e enfatizando a dimensão maior do amor, que corre por diversos atalhos: personagens de Maria Flor (Flávia) e de Raphael Ghanem (Gledson) curtindo plenamente com seus pares formados;
  7. Hércules e Aline, deploráveis vilões, elevados à categoria de mendigos em meio à invisibilidade cotidiana da metrópole;
  8. A surpresa, estendida ao máximo, para o par final de Letícia (Isabella Santoni), culminando por ser quem foi, o bem-humorado Antônio (Pierre Baitelle), seu eterno apaixonado.
  9. Ter citado a dor da tragédia de Mariana através do personagem de Gianecchini (Pedro, o rico bom moço e justiceiro) a cobrar punição para o terrível crime ambiental que vitimou a pequena cidade mineira;

10. A cena final, com viés acentuadamente político, promovendo uma imediata homogenia com o atual cenário político brasileiro. Neste ponto, a presença de Tony Ramos como o notório político do ‘rabo preso” que vai ascender à presidência, e terá ao seu lado a tradicional ‘loura burra’ (feita com esmerado requinte por uma convincente Grazi Massafera), foi triunfante ! Tony foi o intérprete perfeito para todas as ilações imediatas… e a comemoração das futuras vitórias políticas – em espaço luxuoso no qual dividem a mesma mesa, a corrupção, a imoralidade ética, a falta de escrúpulos, os desmandos com a coisa pública, os desvios de verbas, as prevaricações, a instrumentação religiosa, a desonestidade de propósitos, o desrespeito ao erário público, e o desprezo pelos que defendem e lutam por uma vida digna num país com tantos problemas colossais e quase insolúveis, foi um ganho excepcional da novela, através do qual se ‘perdoam’ ou tornam-se de somenos importância os muitos baixos e enganos do enredo.

Ainda que você não tenha visto o último capítulo, veja as imagens de sua cena final, e confirme: para bom entendedor, meia equivalência diz tudo, ainda que numa obra assumidamente de ficção.

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Licença Poética ou ‘furos perdoáveis’

De onde apareceu o carro possante que Isabela dirigiu para levar Thiago à Ilhabela, ela que começara a estudar (antes de virar Marina), com ajuda financeira de Helô – num país em crise como o nosso, como explicar que Marina conseguiu, honestamente, arrumar tão rápido uma fonte de renda para lhe garantir a posse de um carro daquele nível ?

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Como Marina conseguiu a chave que lhe abriu as portas da casa de Ilhabela ?

A rapidez com que Letícia passou a achar o amado pai Tião um homem de ações deletérias;

A igualmente rápida mudança de atitude do apaixonado Pedro, que rapidamente abandonou o lar onde dividia o cotidiano com a amada Helô, ao descobrir uma filha de 4 anos com uma mulher que não via há tempos;

A acelerada mudança de atitude de Mileide, que de mulher com certas conexões paranormais, virou uma fina interesseira no enriquecimento e na ascensão econômica e política… mas a criação/instalação de sua Igreja Sincrética Circular pagou todos os atropelos com a verosimilhança !

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Helô e Pedro num final feliz como o público queria !

Marcelo ADNET e Marcius Melhem encharcam TV de Humor, Talento, Inteligência e Ironia !

*Aurora Miranda Leão

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O programa mais bacana da grade atual da TV Globo responde pelo sugestivo nome de Tá no Ar: A TV na TV !

Em sua quarta temporada, o programa assinado por Marcelo Adnet e Marcius Melhem  insere-se naquele grupo singular de programas que consegue ser sempre novo e melhor a cada edição.

Tá no Ar: a TV na TV é escrito por Alexandre Pimenta, Angélica Lopes, Daniela Ocampo, Leonardo Lanna, Marcelo Adnet, Marcius Melhem, Maurício Rizzo, Thiago Gadelha e Wagner Pinto e tem redação final de Marcelo Adnet e Marcius Melhem. A direção geral é de Mauricio Farias. No elenco, além de Adnet e Melhem, Danton Mello, Luana Martau, Carol Portes, Georgiana Goes, Marcio Vito, Maurício Rizzo, Renata Gaspar, Veronica Debom e Welder Rodrigues.

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Esta temporada de TÁ NO AR avaliza o quarto ano do programa como atração televisiva competente, importante e poderosamente inteligente: Marcelo Adnet, Marcius Melhem e companhia seguem criativamente instigantes, capazes de transmutar o tantas vezes combatido efeito zapping num mote para fazer rir com hilárias paródias da vida nacional, com as quais o público rapidamente sintoniza.

Seja simulando programas conhecidos, parodiando comerciais, ou simplesmente exercitando o melhor do besteirol, Tá no Ar segue como o melhor programa de humor da televisão brasileira na atualidade !

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Um dos quadros mais aguardados: Adnet como o revolucionário que detesta a TV Globo 

Com o contexto político nacional, onde assuntos espinhosos e tantas vezes vexatórios são cotidianos, os criadores do TÁ NO AR exercitam com maestria sua capacidade de fazer rir, criticar, informar, opinar, e fazer chacota com temas que o telespectador imediatamente sintoniza. Isso pôde ser visto logo na estreia da temporada 2017 com a chamada do filme “A Dama da Delação”, atração do “canal Brasília”,  cujo logo no canto da tela fazia alusão ao Canal Brasil e seu catálogo de chanchadas nacionais. No enredo, ações típicas do esquema de corrupção, tudo sendo gravado por uma moça, digamos, “nada recatada”. Fácil encontrar semelhança com a realidade brasileira. Outro esquete divertido parodiava o comercial de um supermercado carioca, no qual um animado garoto-propaganda anunciava demissões em massa num momento de crise. O TÁ NO AR aproveitou para colocar o dedo na ferida com sua costumeira eloquência, parodiando o comercial do Banco do Brasil, com o slogan “Branco no Brasil: há mais de 500 anos levando vantagem”. 

A cada terça, o programa parece vir ainda mais inspirado ! Pena que já está sendo anunciado o final desta temporada 2017: programa com a qualidade de TÁ NO AR deveria fazer parte da grade permanente da TV. Assim como OS NORMAIS, Casseta & Planeta, e MISTER BRAU, Tá no Ar sair da grade de programação provoca imediato mal-estar no público quando se aproxima seu fim indesejável.

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Luana Martau e Marcius Melhem em quadro hilário sobre música sertaneja…

No programa da terça, 14 de março, o quadro em que Marcius Melhem aparece sendo entrevistado como um estudioso do ritmo musical Sertanejo, dizendo que ele surgiu no século XIX, e já nasceu revolucionário, dando exemplos do ritmo bombando em várias partes do mundo – como aconteceu no final dos anos 50 – foi ANTOLÓGICO !!!

Naquele tempo, segundo o estudioso, o Sertanejo já fazia enorme sucesso em Cuba… Pense num gol de placa ! Sensacional ! Melhem era o estudioso, enquanto Marcelo ADNET aparecia protagonizando um clipe produzido em grande estilo. Vale ressaltar que, neste quadro, ADNET fazia sempre o vocalista dos vários grupos sertanejos mostrados. Sim, porque depois da passagem por Cuba, teve também uma amostragem do sucesso do Sertanejo na China… Hilárioooo !!!

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O ritmo Sertanejo já fazia muito sucesso em Cuba nos anos 50…

OUTROS DESTAQUES:

“Classificação indicativa é um pé no saco”

A Tosca Produções com suas super ofertas no comércio

O Cine México com patrocínio dos SHUFFLES

THE VOICE OF TRONES

Ambientalistas da Paixão a primeira novela inteiramente auto-sustentável dda TV Brasileira.

Resta a você, que por algum compromisso importante, desatenção ou sono, pode ter perdido o programa, o consolo de assistir ao insólito TÁ NO AR: A TV NA TV via GloboPlay – o aplicativo gratuito da TV Globo !

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Risada garantida: Rick Matarazzo e Tony Karlakian, presenças obrigatórias do Tá no AR !

 

 

Dois Irmãos: Luiz Fernando Carvalho faz Poesia da obra de Hatoum

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Cauã Reymond, em papel difícil, reafirma imenso talento…

A minissérie que abriu o tradicional janeiro de grandes minisséries na TV Globo terminou ontem após 10 capítulos de uma produção com a assinatura prodigiosa e relevante de Luiz Fernando Carvalho (LFC).

DOIS IRMÃOS surge após a força dramático-imagética que foi a novela Velho Chico, também dirigida por Luiz Fernando, mas estava já gravada há 2 anos.

Trata-se de adaptação da obra homônima do escritor amazonense Milton Hatoum, adaptada por Maria Camargo. Conta a saga de uma família de libaneses residente em Manaus. O foco central da ação são os gêmeos Omar e Yaqub (vividos em 3 fases distintas pelos atores Lorenzo Rocha, Matheus Abreu e Cauã Reymond). Os gêmeos, desde garotos, vivem em disputa pela atenção dos pais, Halim (Antonio Caloni/Antonio Fagundes) e Zana (Juliana Paes/Eliane Giardini), e o amor da jovem Lívia (Monique Bourscheid/Bárbara Evans). Assim como no livro, a história é narrada por Nael (Ryan Soares e Irandhir Santos), filho de Domingas (Zahy Guajajara), um misto de agregada e empregada da família dos gêmeos.

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Quem acompanha o trabalho sempre instigante e competente de Luiz Fernando Carvalho já sabe: quando vem obra dele, vem produção esmerada, misto de beleza e reflexão, calmaria rítmica e avalanche emocional, músicas que evocam ou sublinham sentimentos que permeiam as emoções em relevo na trama, despertando uma polaridade que conjuga – com extrema delicadeza e pertinência – o claro e o escuro, o trágico e o alegre, o erótico e o rude, o avanço e retrocesso, o direito e o avesso, o sagrado e o profano, a beleza e o sombrio.

Em DOIS IRMÃOS – que a TV Globo lançou com o ótimo apelo “Assista a esse Livro !” – essa polaridade, ancestral e típica da vida, é moldura e conteúdo que Luiz Fernando Carvalho alcança e converte em refinada linguagem, traduzida em brilhante forma artística.

O duplo de cada personagem, das ações, dos acontecimentos, das reações, é dado precípuo da obra. Quem acompanhou com atenção, por certo lembrar-se-á dos momentos de pura euforia de Zana (a matriarca dividida entre Juliana Paes e Eliane Giardini), as nuances de Halim (Antônio Calloni e Antônio Fagundes), e o duelo permanente entre os gêmeos, com a recorrente polaridade evidenciando-se na eterna rivalidade entre irmãos, ademais sendo esses personalidades tão distintas, movidos por ódio e vingança desde muito cedo.

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Trabalho de caracterização foi tão perfeito que levamos um ‘susto’ quando o personagem Nael cresceu e apareceu com Irandhir Santos: parecia tratar-se do mesmo ator em idade mais avançada… Sensacionallll !!!

O escritor Milton Hatoum, amazonense autor do livro, deve estar muito feliz: as vendas de seu livro tiveram expressivo aumento após a estreia da minissérie, e sua obra agora ganha visibilidade nacional. E quem pode concorrer com o alcance da Televisão ? Ganhou Hatoum, ganhamos nós com esta Jóia da Teledramaturgia que é a minissérie DOIS IRMÃOS.

Mesmo já considerando, há tempos, LFC como um dos mais relevantes e competentes diretores de Teledramaturgia do país – costumamos dizer que “Todos os outros fazem novela; só Luiz Fernando Carvalho faz obra de Arte” -, o diretor sempre nos surpreende – positivamente – a cada novo trabalho.

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Que riqueza é assistir a uma obra assinada por LFC ! Que refinamento ele empresta a detalhes ! São pequenas pérolas encravadas em blocos de capítulos, perfazendo um total criativo cuja obra final deve equivaler mais que a um longa-metragem em esforço, trabalho e alcance, tal é o preciosismo na arquitetura cênico-imagética que facilmente identifica-se nas criações de LFC. O diretor é mestre na construção de um matelassê teleaudiovisual que evidencia uma enorme diversificação de intertextualidades, cujo acme é uma analogia constante, permanente, sutil e evidente entre as questões evocadas nas tramas e nas injunções que se desenrolam qual num tabuleiro de xadrez, complexo e inextricável, que esboça a realidade paradoxal e polarizada de um país perplexo ante tantas adversidades.

Em DOIS IRMÃOS é possível também identificar um diálogo com o clássico “O Tempo e os Conways”, do dramaturgo inglês J.B. Priestley, e ainda com O Jardim das Cerejeiras, do notável Anton Tchecov. Outros mais poderão ser aludidos. Esses me vêm à memória agora. O fato é: o sensório de Luiz Fernando Carvalho é pródigo em criar analogias, em promover diálogos, em promover alianças, mergulhando longe e fundo para emergir e iluminar a obra a qual ele está ‘construindo’ com matizes e texturas que apontam, insistentemente, para um universo multifário e poliédrico, pois assim esboça-se a sensibilidade do diretor, conforme o olhar mais atento pode perceber em suas notáveis criações artísticas. Nesse viés, Luiz Fernando Carvalho traz em seu arcabouço uma multiplicidade de influências, inspirações, estilos, e PERGUNTAS ( qual um garimpeiro, sempre em busca de novas pepitas preciosas) que o tornam um profícuo detonador de sentimentos e emoções aflorando em direções várias. É preciso ser muito tosco para não se sentir tocado pelos magnânimos quadros audiovisuais que LFC consagra às suas obras.

*Não sei o nome do clássico do cancioneiro mundial que encerrou a minissérie, mas que achado ! Mão na Luva, como diria Machado de Assis.

Assim, tendo essa ligação estreita e oxigenante com o dia-a-dia do país, é que Luiz Fernando – do alto de sua inquietação criativa – percebeu a ‘necessidade’ de alterar a edição dos capítulos finais de Dois Irmãos, ante a gravidade da rebelião de presídios acontecida em Manaus. Como disse o diretor em entrevista à colega Cristina Padiglione:

“Faz uns dez dias, estava editando a cena da morte de Halim, abatido sobre seu sofá cinza, mudo, cristalizado, perplexo diante das transformações que se iniciaram naqueles tempos, mas que chegam ao ápice nos dias de hoje! Na semana de estreia, assassinatos se multiplicaram nos presídios de Manaus, uma capital abandonada e praticamente esquecida, que entrou para o mapa mundi da tragédia da vida real e ficcional a um só golpe. Tudo se misturou na minha cabeça. Entendo a edição como algo móvel, dinâmico, como a vida. As improvisações continuam ali. Não trabalho com cartilhas. Meu olhar se interessa por estes acasos e espelhamentos. Os acontecimentos em Manaus modificaram a forma de editar os capítulos finais, sim. Senti a necessidade de incorporar à decadência, já posta no romance, a reflexão machadiana de que ‘o progresso já nasce em ruínas’. A edição se tornou mais crítica e política ao refletir o tempo que passa e sua ideia de progresso”.”

Um Viva muito grande e sonoro ao formidável elenco de DOIS IRMÃOS, no qual destacam-se as atuações de Juliana Paes, Antônio Calloni, Eliane Giardini, Antônio Fagundes, Irandhir Santos, e a criação impactante de Cauã Reymond, que esbanjou talento, sensibilidade e invejável profissionalismo.

*Bom rever Michel Melamed, Isaac Bardavid, Ary Fontoura, Maria Fernanda Cândido e Carmen Verônica.

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PARABÉNS ao maestro Luiz Fernando Carvalho e a toda a fabulosa equipe que com ele tornou possível a realização exponencial de DOIS IRMÃOS ! Uma obra que nos enche de admiração por sua riqueza como criação teleaudiovisual, e também por nos relembrar que, no Brasil, há sim motivos muitos para nos orgulharmos, conforme ficamos ao sermos partícipes de um tempo em que se produz obra tão digna em meio a tantas coisas que nos envergonham neste Brasil dos anos 2000.

Cidade dos Homens estreia hoje com Dja Marthins em participação especial

A competente atriz Dja Marthins, mais um talento de peso da cultura  baiana, conhecida por sua presença sempre forte e competente – seja no teatro, cinema ou televisão -, está de volta à telinha esta noite:
DJA participa do primeiro episódio de Cidade dos Homens, que estreia hoje uma nova versão, atualizada em 12 anos. Escrita por George Moura e Daniel Adjafre, a minissérie agora tem direção de Pedro Morelli.
“Faço uma mulher que ganha a vida consertando e recuperando os utensílios domésticos dos moradores de uma comunidade. Mas é uma participação pequenina”, avisa Dja. Apesar de lamentarmos que sua participação seja apenas no primeiro capítulo, é bom de todo modo rever Dja atuando, ainda mais numa minissérie com uma trajetória como a de Cidade dos Homens, que destaca a relação de amizade da famosa dupla Acerola e Laranjinha.
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Acerola e Laranjinha retornam e agora já tem filhos…
Em Cidade dos Homens, Dja contracena com os atores mirins Luan Pessoa (Davi) e Carlos Eduardo Jay (Clayton), que  encarnam os filhos de Laranjinha ( Darlan Cunha) e Acerola (Douglas Silva). Os intérpretes entram em cena para dar continuidade aos inesquecíveis personagens, numa passagem de 12 anos.
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DJA Marthins iniciou a carreira através do importante  trabalho da Oficina de Espetáculos Calouste Gulbenkian, comandada pelos atores Ernesto Piccolo e Rogério Blat. Inscreveu-se mais tarde no curso de teatro da Universidade Estácio de Sá.
E foi através de um belíssimo espetáculo da dupla Picollo & Blat (que criaram e dirigiram diversos espetáculos bonitos e relevantes em aulas populares, as quais misturavam diversas etnias, gerações e classes sociais) que vi DJA pela primeira vez. Em cena, DJA atuava e cantava no inesquecível musical PRAÇA ONZE. O elenco era enorme, formado por alunos da oficina do Centro Cultural Calouste Gulbenkian, e não dava pra guardar nome e rosto de todos. Foi só quando vi DJA Marthins emprestando seu talento em #joiarara, que me encantei com sua atuação. E conversa vai, lembrança vem, e o musical PRAÇA ONZE nos fez recordar momentos lindos que ‘vivenciamos’ em dia de festa no palco.
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 Cartaz do inspirado musical de Ernesto Piccolo e Rogério Blat, onde Dja Marthins atuou…
DJA Marthins é conhecida por vários trabalhos na televisão. Egressa do teatro baiano, a atriz estreou na telinha em 2002 com o Beijo do Vampiro, seguindo nas novelas Cobras & Lagartos (2006), Saramandaia,  Joia Rara (2013) e Haja Coração (2016), citando apenas algumas.
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Na última versão de Saramandaia, obra do também baiano Dias Gomes, o saudoso e notável dramaturgo criador de obras como O Bem Amado e O Santo Inquérito, ela fez  a empregada da personagem Candinha Rosado, vivida pela atriz Fernanda Montenegro, e conta que foi “um prazer enorme trabalhar com essa grande profissional”.
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José Araújo e Dja Marthins contracenando em Joia Rara, obra-prima de Duca Rachid e Telma Guedes…
A personagem de Cidade dos Homens é mais uma que evidencia o talento da atriz em trabalhos que destacam as comunidades cariocas. Na peça “Favela”, Dja mostrou nos palcos a vida da Dona Jurema, uma fofoqueira no cotidiano de quem mora no morro. Texto de Rômulo Rodrigues com direção de Marcio Vieira. Em “Áurea, a Lei da Velha Senhora”, de Jean Mendonça,  Dja encarnou a Negra Velha, encantando o público com sua atuação pujante.
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“Gosto de trabalhar na televisão, mas minha paixão é o teatro.  Estou ensaiando Bodas de Ouro, de Vicente Maiolino, com adaptação e direção de Wilson Caetano. Comigo no elenco está Ricardo Romão,  fundador e líder do grupo musical Saci Chorão”, conta a querida DJA.
No cinema, Dja Martins atuou nas produções “Através da Sombra”(Walter Lima Jr), “Polidoro”(Tiago Arakilian) e “Solteira Quase Surtando”(Caco Souza), além dos curtas-metragens “Safári”(Renata Di carmo) e “Vazio do Lado de Fora”(Eduardo Brandão Pinto). Esse último “é sobre o pessoal que foi desabrigado no autódromo”.
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Dja Martins: orgulho e força do Teatro Baiano, revelada ao país pela teledramaturgia.

Rosamaria Murtinho e Mauro Mendonça consagrados no Domingão do Faustão

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O cobiçado Troféu Mário Lago, benfazeja iniciativa do programa Domingão do Faustão, reverencia e aplaude talentos artísticos de várias áreas.

A honraria foi criada em 2001 como Troféu Conjunto da Obra, tendo sido seu primeiro ganhador o saudoso Mário Lago – jornalista, radialista, ator, escritor, compositor. A partir de então, o troféu passou a chamar-se MÁRIO LAGO numa bela demonstração de apreço ao notável artista que nomina a honrosa estatueta.

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Entregue anualmente a personalidades de destaque na área artística, o troféu já foi entregue a Laura Cardoso, Paulo José, Glória Menezes & Tarcísio Meira, Tony Ramos, Lima Duarte, Glória Pires, Gilberto Gil, Antônio Fagundes, Hebe Camargo, Regina Duarte, Roberto Carlos, Fernanda Montenegro, William Bonner, e Susana Vieira. Até 2007, o troféu era entregue no último domingo de cada ano, juntamente com a entrega do Troféu Melhores do Ano. Hoje, a entrega do Troféu Mário Lago é entregue no domingo seguinte ao Melhores do Ano, e cada vez há maior esmero na cerimônia de entrega. E o mais bacana: é o agraciado do ano anterior quem entrega o Troféu ao próximo vencedor.

Este ano, na edição de ontem do Domingão do Faustão, os vencedores foram Rosamaria Murtinho e Mauro Mendonça, que estão celebrando 60 anos de carreira e quase o mesmo tempo de união conjugal. E foi Susana Vieira, ganhadora do ano passado, quem entregou o Mário Lago a Rosamaria e Mauro.

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E como dizia a canção popular, foi bonita a Festa !

Quando Mauro Mendonça entrou no palco do Domingão, o sentimento lhe saltava aos olhos. Ver aquele Ator notável, do alto de sua seriedade, competência e simplicidade, emoldurado pela emoção, foi já um espontâneo convite para aderir de alma e coração à justa homenagem anfitrionada pelo apresentador nosso de todos os domingos, o querido Faustão.

Rosamaria Murtinho e Mauro Mendonça somam 60 anos de duas vitoriosas carreiras, as quais aprendemos a admirar e aplaudir ao longo de décadas de personagens – nascidos de seus Talento, Profissionalismo, Carisma e Dedicação -, inscritos de forma sensível e inolvidável na história da Teledramaturgia Brasileira e, portanto, da Teledramaturgia Mundial, já que o Brasil (leia-se Rede Globo) faz a Melhor Telenovela de Primeiro Mundo do planeta.

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Rosinha & Maurão – como os chamamos os que com eles partilhamos amizade – são duas pessoas adoráveis. Temos a honra e alegria de dizer que nossa amizade com eles transcende os aspectos de nossa paixão comum pelo ofício do Representar e pela atuação em veículo tão poderoso quanto a TV.

Mauro e nós meu nat 96

Aurora Miranda Leão, Rosamaria Murtinho, João Paulo e Mauro Mendonça…

Para além dos dois ícones de alta envergadura que são, Rosamaria Murtinho e Mauro Mendonça – a ordem dos nomes não altera o bem-querer recíproco – são ”seres humaninhos” (plagiando o ótimo Mustafary de Marco Luque) arretados, cuja companhia e convivência são prazerosas e enriquecedoras. Conheço-os desde minha adolescência: bastou encontrar-nos uma vez e nunca mais nos desligamos. Há muitos anos, sou hóspede do querido casal quando vou à capital carioca, e a cada vez que estamos juntos, é como se nunca tivéssemos ficado distantes. E não ficamos mesmo. Porque a distância foi sempre só física: nossas energias sempre estiveram sintonizadas, nossas confluências se renovam como águas de cachoeira e nossas trocas sempre começam e se aprofundam em risos, conversas, abraços, comidinhas mineira e cearense, passeios, rodas de samba, música, filmes, enfim, como é bom ver, rever, estar, conviver com Mauro Mendonça e Rosamaria Murtinho.

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Como foi auspicioso acompanhar a justíssima Homenagem do Domingão do Faustão ao emérito casal que a Teledramaturgia abraçou desde os seus primórdios, e que é um símbolo tão vivo e relevante da nossa produção teleaudiovisual. Emocionei-me por demais. Sobretudo os depoimentos de Natália Thimberg, Francisco Cuoco, Lima Duarte, Boni, Sílvio de Abreu, Tony Ramos, Vanessa Giácomo, Bárbara Paz, Denise Sarraceni, Jorge Fernando, e os três filhos do casal – os queridos João Paulo, Rodrigo e Maurinho -, tornaram a Homenagem ainda mais profunda, calorosa, e tocante. A começar pelo próprio Faustão ao lembrar de sua primeira entrevista, quando então iniciava como repórter numa rádio de Campinas (SP), e contava apenas 14 anos. E lá estava Rosamaria (à época, já em pleno sucesso na TV), que, valendo-se de sua natural simpatia e generosidade, não se fez de rogada e colaborou com o apresentador. Faustão fez questão de contar o fato e declarou: “Ela me ajudou completamente. Nunca esqueci disso: eu era apenas um repórter em início de carreira, sem experiência alguma, e ela foi de uma extrema delicadeza e coleguismo, e colaborou comigo inteiramente”.

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A Homenagem a Rosamaria Murtinho e Mauro Mendonça ocupou a ‘faixa nobre’ do Domingão do Faustão – o horário em que o programa é mais visto, antes das tradicionais ‘Videocassetadas’ – abrindo espaço para um bonito resumo da carreira do casal mostrando cenas e imagens de trabalhos emblemáticos dos dois na TV e no Teatro.

Belo, oportuno, importante e necessário este Troféu Mário Lago. Agiganta-se o Domingão com essa série de Homenagens que costuma fazer aos artistas de nossa tão rica Teledramaturgia. É o apresentador Faustão, aliás, o melhor símbolo dessa figura dignificante e necessária que é a do Jornalista/Apresentador/Agitador Cultural que está à frente de uma atração televisiva que serve como o melhor canal para reconhecer talentos e aplaudir competências.

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Ao destacar, elogiar, homenagear e dar vez e voz aos artistas que, diariamente, adentram milhões de lares brasileiros através da extensa e intensa produção teleaudiovisual do país, o apresentador Faustão insere-se, cada vez mais, no coração da audiência popular, se engrandece ao reverenciar o talento de seus pares, e dignifica-se ao ser o grande baluarte deste ato tão singelo quanto grandioso, que é reconhecer o mérito alheio, aplaudi-lo e tornar conhecido e admirado (ainda mais) pelo grande público aqueles a quem a emoção e o carisma já consagraram.

E os maiores exemplos disso são a entrega anual do Troféu Melhores do Ano (melhor e mais caprichada a cada edição) e do Troféu Mário Lago, momentos de reconhecimento maior ao enorme contingente de artistas e técnicos que tornam a nossa Música e Teledramaturgia produtos de exportação dos quais nos orgulhamos e aos quais aplaudimos com vigor !

Aliás, há muito Faustão e sua valorosa equipe de produção se desdobram na criação de interessantes quadros para a atração dominical. Antes, havia o emocionante Arquivo Confidencial, que fazia derramar lágrimas dos homenageados e em quem os assistia. Não sabemos porque o quadro acabou mas nada impede que volte. Assim como a prestigiada Dança dos Famosos não pode acabar !

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Roberto Carlos entregou o Troféu Mário Lago a Fernanda Montenegro…

Por todos esses anos no comando das tardes-noites de domingo, pela louvável criação e permanência dos quadros de homenagens, e pela realização esmerada da entrega dos troféus, o caloroso #aplausoblogauroradecinema para Faustão e toda a equipe de produção do seu inoxidável Domingão.

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Mauro Mendonça, Susana Vieira, Rosamaria Murtinho e Faustão no Domingão de Natal…

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E aos ilustres e queridíssimos Rosamaria Murtinho e Mauro Mendonça, nossa Admiração sempre maior, e nossos aplausos envolvidos em lágrimas e sorrisos pela justeza e evidente acerto da gloriosa Homenagem. Vocês, Rosinha e Maurão, enriquecem e dignificam a história do Troféu Mário Lago !

ROBERTO CARLOS, essa Força Estranha que tanto amamos

Por Aurora Miranda Leão*

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“Para que todos cantem na mesma voz esta oração…”

Os versos do clássico de 1970 de Roberto e Erasmo Carlos parecem entronizados no coração brasileiro, mas a oração que todos aprendemos a cantar juntos acontece anualmente é na frente da telinha, no sempre aguardado especial de fim de ano do REI Roberto Carlos.

É como se todos cantássemos, em uníssono, as canções que nos acompanham ao longo de décadas de uma carreira vitoriosa, de um artista magnânimo, que canta cada vez melhor, dono de um repertório que o faria REI em qualquer nacionalidade.

Bastaria ter um nome menos popular que Roberto Carlos, ou mais ‘estrangeirado’, e Roberto Carlos seria endeusado, como o são Frank Sinatra, Elton John e Charles Aznavour, para citar apenas alguns.

As músicas de Roberto Carlos, sejam elas criadas por ele, em parceria com Erasmo, ou apenas tornadas populares em sua voz, são dele também. Basta lembrar das belíssimas Ninguém vai tirar você de mim (de Édson Ribeiro e Hélio Justo), Não vou Ficar, de Tim Maia, e Amor Perfeito (de Michael Sullivan, Paulo Massadas, Linmcoln Olivetti e Robson Jorge). Por isso, há canções ‘robertocarlianas’ impregnadas no repertório musical de qualquer brasileiro. Quer o sujeito admita isso ou não. Ainda há muita gente que acha brega, cafona ou ultrapassado assumir que curte Roberto Carlos. Enquanto tentam fingir pra si mesmos, perdem a delícia que é ouvir uma música preferida e sair dançando e/ou cantando junto… Barbaridade, Tchê !

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“Junto com você todos estamos, o tempo todo, como bem disse Gilberto Gil.

Felizmente, a leva de gente que admira o REI e faz questão de dizer isso, é imensa, e só torna mais ridículos os que insistem em negar a afinidade com o romantismo musical do qual Roberto Carlos é símbolo maior.

O especial “Simplesmente, Roberto Carlos”, exibido na madrugada deste 24 de dezembro de 2016, fez jus ao nome: um especial realmente muito simples, com participações já vistas anteriormente em outros especiais do Rei, mas nem por isso foi menos interessante.

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As presenças inéditas foram a de Rafa Gomes, a garotinha revelada no The Voice Kids, que cantou dois hits com o Rei (uma canção de Michael Jackson e outra do próprio Roberto), e o encontro de RC e Jennifer Lopez. O dois gravaram juntos a canção CHEGASTE, e a gravação em estúdio foi mostrada no especial. É uma linda canção e JLO se apresentou como grande admiradora do REI, estando muito à vontade e feliz ao cantar ao lado do artista.

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Jennifer Lopez e Roberto Carlos em dueto inédito…

Uma canção bonita demais, que já-já vai ganhar ganhar as rádios, redes sociais, e deve entrar (com méritos) na trilha sonora de alguma telenovela. Merece !

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Milton Guedes abrilhantou o Especial com sua preciosa gaita…

O reencontro do REI com os amigos Caetano Veloso e Gilberto Gil reafirmou a auspiciosa sintonia dos três, os quais, juntos, cantaram “Coração Vagabundo”, de Caetano, e Marina, do saudoso Dorival Caymmi. Very nice !

Milton Guedes fez um solo lindíssimo de gaita e foi bem reverenciado pelo REI. Com Zeca Pagodinho, um flerte com o samba, mas a participação mais emocionante foi o dueto do Rei com Marisa Monte ! Que lindo verouvi-los cantar, sobretudo a inspirada “Ainda bem”… Notável !

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Marisa Monte e Roberto Carlos: ícones notáveis da canção romântica brasileira

E para dirimir dúvidas e espantar qualquer negatividade, o REI falou com cativante espontaneidade sobre sua badalada questão do TOC e disse ter revisto a decisão de não mais cantar algumas músicas do repertório. E mandou ver com graça e malemolência a histórica “Quero que vá tudo pro inferno”

Para encerrar, como acontece há anos e virou um belo momento de consagração ao Menino-Deus cujo nascimento celebramos hoje, JESUS CRISTO, a canção que nasceu eterna no substancial cancioneiro da dupla Roberto & Erasmo Carlos.

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Lindo demais !

Viva, Roberto Carlos !

E que venham muitos e muito outros belos especiais do REI para cantarmos juntos e desejar a todos, em dialeto musical, um FELIZ NATAL !

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“Para que todos cantem na mesma voz esta oração: JESUS CRISTO…”

Porque a saudade é o revés de um parto…

Velho Chico vive semana final marejando a tela de encanto, tristeza e saudade…

* Aurora Miranda Leão

Resultado de imagem para velho chico capitulos finais

Camila Pitanga, Gabriel Leone e Domingos Montagner: últimos momentos de uma sintonia que a ficção abraçou com beleza e emoção…

Fatalidade que nos tirou SANTO DOMINGOS Montagner dos ANJOS imortaliza VELHO CHICO como obra trágica em que ficção e realidade duelaram…

Resultado de imagem para velho chico Bento e Santo

VELHO CHICO, a prodigiosa novela de Benedito Ruy Barbosa, Bruno Luperi e Luiz Fernando Carvalho, entra em sua derradeira semana. E o capítulo da segunda que iniciou esta reta final foi de A R R E P I A R !!!

Inédita em telenovelas, a solução encontrada pelos autores foi um emocionante acerto.

Assim como aconteceu conosco, li várias pessoas comentando nas redes sociais que terminaram o capítulo em lágrimas. É preciso ser muito insensível para não se ter sentido com os olhos naufragados…

Resultado de imagem para velho chico TEREZA salva Santo da morte

A aura de SANTO Domingos pairou em todas as cenas do personagem com sua família: além do delicado e poético efeito da luz incidindo sobre as lentes de Alexandre Fructuoso, os corações do elenco (visivelmente entrelaçados) emprestaram ternura e cravaram saudade às cenas em que Santo está presente mas sem Domingos… a poesia latente entre colegas que a ficção tornou’família’, escancarou uma ausência que machuca profundamente, e contaminou o público.

E como é lindo constatar quando um artista acerta a mão em seu trabalho e consegue o máximo da sofisticação que é a beleza do simples – como tão bem imortalizou Leonardo da Vinci. Assim foi nesse já histórico capítulo da última segunda-feira de Velho Chico, 26 de setembro de 2016.

irandhir

Que riqueza de simbologia num único capítulo ! Quantos acertos  flagrados em filigranas da mais sublime homenagem que autores e direção resolveram prestar ao querido Domingos Montagner ! A título de ilustração, os antológicos destaques para o brinde à nova vida que será trazida por Miguel e Oliva com todos os atores olhando para a câmera (simbolizando Santo) com o corte para uma belíssima imagem do Rio em absoluto clarão). O hino que embala a oração de são Francisco antecedendo encontro da índia Ceci com a terra seca herdada por Miguel – e a primeira imagem que surge é um céu  explodindo na beleza de seu azul escaldante -, Bento chamando o “mano véio” para se arrumar para a festa de casamento da filha, a troca de olhares ente Olívia e o pai (feixes de luz formando anéis brancos a simbolizar  a alma de SANTO abençoando a filha), as lindas palavras do padre Benício na hora da celebração,  Miguel recebendo do pai um violão, e tocando para a amada a simetria do Dia Branco de Geraldo Azevedo.

Detalhes significativos demais, só capazes de imperar em almas prenhes de luz e inspiração !

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Com o auxílio luxuoso de uma equipe que também marcou com a encantadora telenovela Meu Pedacinho de Chão – nela também constam os nomes de Raimundo Rodriguez, Tim Rescala, Thanara Schönardie, Rubens Libório, Myriam Mendes, Luisa Gomes Cardoso, Déborah Badauê, para citar apenas alguns -, Luiz Fernando Carvalho possibilitou  a construção de uma obra de arte do mais alto quilate, dando ao inteligente texto de Benedito Ruy Barbosa, Edmara Barbosa e Bruno Luperi, a dimensão de Obra-Prima da Teledramaturgia Mundial. Anotem aí, e ano que vem vamos conferir: VELHO CHICO ganhará incontáveis prêmios por sua excelência: seja pela belíssima estética de sua narrativa ou pela beleza de seu figurino delicado e atemporal; seja pela riqueza de uma trilha sonora que emprestou à narrativa um caráter de adágio, ou por sua fotografia primorosa; quer pela direção de arte ou pelas interpretações de um elenco notável. Por qualquer ângulo através do qual se queira analisar VELHO CHICO, a telenovela é um festival de acertos !

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Os irmãos Bento e Santo em trabalho soberbo de Irandhir Santos e Domingos Montagner

Orgulho de me inscrever entre a imensa legião de pessoas que acompanha a novela. Orgulho de profissionais que conseguem fazer de um extenuante trabalho cotidiano um painel riquíssimo, no qual se inscreve a Cultura Brasileira em sua multifária diversidade, e com o qual somos brindados diariamente, de graça, no conforto de nossas cadeiras ou no sofá preferido para nos desligarmos do mundo e embarcamos num mergulho antropofágico do quilate que é, sempre, uma obra que leva a assinatura de Luiz Fernando Carvalho.

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Doninha (Suely Bispo) e Cícero (Marcos Palmeira): fiéis servidores do Coronel Saruê…

VELHO CHICO entra para a história da Teledramaturgia como uma obra de notável narrativa e riquissíma produção de sentidos, símbolo de uma enorme rede de influências artísticas – que vão de Shakespeare a  J. B. Priestley e seu O Tempo e os Conways, passando por Ibsen e Albinoni, com mergulhos mesclando o Concerto de Aranjuez ao ritmo tradicional do forró pé-de-serra e às carrancas típicas do nordeste brasileiro, com ênfase para a riqueza da vertente africana de nossa ancestralidade, ou na direção poética que pulsa em manifestações como a Missa do Vaqueiro – que valeu à trama um capítulo antológico !

Outrossim, a novela de Benedito-Luperi-Luiz Fernando-Raimundo-Tim-Fagundes-Egrei-Irandhir-Pitanga entra para os anais da Teledramaturgia como uma narrativa na qual o clássico se misturou com o popular formando um crivo* precioso onde o único senão foi a intromissão – indevida, desnecessária, indesejável e corrosiva – da realidade na ficção.

*CRIVO é um bordado feito com o auxílio de bastidores, em que o pano é preparado com a retirada de alguns fios intercalados, formando furos que são contornados de pontos de linha, criando uma espécie de peneira.

praca

Miguel e Olívia: Gabriel Leone e Giullia Buscacio simbolizando um amor cheio de ternura…

Assim, ao falarmos de VELHO CHICO, sabemos estar diante de uma Obra-Prima porém perpassados por um profundo e lancinante silêncio, advindo de uma dor que insiste em latejar e nos açoita, dilacerante, a gritar nossa pequenez diante do Infinito.

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Descanse em PAZ, DOMINGOS Santo MONTAGNER dos Anjos !

Que Deus seja conforto e LUZ para todos os que com você partilharam a grandeza que foi sua vida e sua benfazeja presença em VELHO CHICO !

O caloroso #aplausoblogauroradecinema para todos os que integram a equipe da saga VELHO CHICO !

coronel

Como diria o saudoso cronista Artur da Távola,

Velho Chico seria uma obra popular de elite ou uma obra erudita de massas ?