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Comentários e notas sobre a Sétima Arte, privilegiando o Cinema Brasileiro

Cine Ceará vai oferecer curso gratuito de cinema e literatura

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A adaptação da obra literária para o cinema será abordada no curso Cinema e Literatura – Uma Via de Mão Dupla, a acontecer de 7 a 11 de agosto no Instituto do Ceará, como parte da programação do 27º Cine Ceará – Festival Ibero-americano de Cinema. A atividade será conduzida pelo jornalista e crítico de cinema José Geraldo Couto, autor de artigos e ensaios para os livros O cinema dos anos 80 (Brasiliense) e Folha conta 100 anos de cinema (Imago). As inscrições são gratuitas e devem ser realizadas online, pelo site do festival: www.cineceara.com, até o próximo dia 2 de agosto.

                                          

 O curso é dividido em cinco aulas que exploram temas como as dificuldades de adaptar, autores que centram sua literatura na forma de narrar, afinidades e entrechoques entre escritor e cineasta, além das falsas ideias sobre adaptação literária, como “o livro é sempre melhor que o filme” e “adaptação tem que ser fiel ao texto”. O curso é destinado a estudantes de cinema, comunicação, letras e demais interessados. 

A realização é do 27° Cine Ceará, que acontece de 5 a 11 de agosto, numa promoção da Universidade Federal do Ceará (UFC), através da Casa Amarela Eusélio Oliveira, com apoio do Governo do Estado do Ceará, por meio da Secretaria da Cultura, da Prefeitura Municipal de Fortaleza, via Secultfor, e do Ministério da Cultura, através da Secretaria do Audiovisual. A realização é da Associação Cultural Cine Ceará e Bucanero Filmes e conta com patrocínio da SP Combustíveis e M. Dias Branco, através da Lei Federal de Incentivo à Cultura (Lei Rouanet), e da Enel e da OI, por meio do Mecenato Estadual do Ceará. Além disso, conta ainda com Apoio Cultural da Oi Futuro e Indaiá. 

PROGRAMAÇÃO 

1ª aula (7/08) – As falsas ideias sobre adaptação literária (“O livro é sempre melhor que o filme”; “Adaptação tem que ser fiel ao texto”, etc.). O filme como tradução de um meio a outro, mas também de uma sensibilidade a outra. Afinidades e divergências entre artistas. Os exemplos de Morte em Veneza (Thomas Mann/Visconti) e O processo(Franz Kafka/Orson Welles). Três adaptações de Macbeth, de Shakespeare: por Orson Welles, Kurosawa e Polanski. 

2ª aula (8/08) – O filme como diálogo de uma época com outra. Exemplos deMacunaíma (Mario de Andrade/Joaquim Pedro de Andrade) e De olhos bem fechados(Arthur Schnitzler/Stanley Kubrick). O livro como inspiração ou “estopim” para falar de outra coisa. Exemplos de Psicose (Robert Bloch/Hitchcock) e das adaptações do contoOs assassinos, de Hemingway (por Robert Siodmak, Don Siegel e Andrei Tarkovsky).Três versões de To have and have not, de Hemingway (por Hawks, Michael Curtiz e Don Siegel). Apocalypse now, um diálogo com O coração das trevas, de Conrad. 

3ª aula (9/08) – Autores e livros influenciados pelo cinema. O exemplo de Dashiell Hammett e O falcão maltês. Escritores como roteiristas em Hollywood (Brecht, Faulkner, Fitzgerald, Chandler). Poetas e escritores que se tornaram cineastas para ampliar seus meios de expressão (Jean Cocteau, Graham Greene, Peter Handke, Pasolini, Marguerite Duras, Dalton Trumbo, Paul Auster). Ficcionistas brasileiros no limiar entre literatura e cinema (Rubem Fonseca, Marçal Aquino). 

4ª aula (10/08) – As armadilhas da linguagem. Dificuldade de adaptar autores que centram sua literatura na forma de narrar: Henry James, Proust, Joyce, Guimarães Rosa. Proust por Schlöndorff, Chantal Ackerman e Raoul Ruiz. Joyce por Jack Clayton, John Huston e Ivan Cardoso. Duas versões de Memórias póstumas de Brás Cubas, de Machado de Assis (por Julio Bressane e André Klotzel). Tentativas de mimetizar procedimentos literários: o caso de A dama do lago (Raymond Chandler/Robert Montgomery). 

5ª aula (11/08) – Afinidades e entrechoques entre escritor e cineasta. O caso Stephen King x Kubrick: O iluminado. Nelson Pereira dos Santos e sua variada relação com escritores brasileiros (Graciliano Ramos, Jorge Amado, Nelson Rodrigues, Machado de Assis, Guimarães Rosa). As “meta-adaptações”: filmes centrados no próprio processo de transposição de uma obra literária para outro meio, tempo e lugar. Exemplos de Tchecov (por Louis Malle e Eduardo Coutinho) e Shakespeare (por Al Pacino e Irmãos Taviani).

 

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CineTeatro São Luis vai abrigar mais uma edição do Cine Ceará…

SERVIÇO

Curso Cinema e Literatura – Uma Via de Mão Dupla

Quando: 7 a 11 de agosto

ONDE: Instituto do Ceará (Rua Barão do Rio Branco, 1594 – Centro, Fortaleza – CE).

Horário: 9h às 12h. Vagas: 30. 

Inscrições: São gratuitas e devem ser feitas até 02 de agosto, por meio do www.cineceara.com

  • Participantes com frequência igual ou superior a 75%, receberão certificado emitido pelo 27º Cine Ceará. Informações: (85) 3366 7772.

Filme de Luis Rocha Melo e Anna Ballalai é bem recebido pela crítica

um homem e seu pecado

Depois de ter lotado sua sessão de estreia na Cinemateca do MAM carioca, o filme Um Homem e seu pecado, de Luis Rocha Melo, vem ganhando muitos elogios e críticas favoráveis de diversos profissionais de cinema.

Uma dessas críticas, a do cineasta Leo Pyrata, de Belo Horizonte, você confere aqui no #blogauroradecinema:

UM HOMEM E SEU PECADO

Leo Pyrata*

Um homem e seu pecado é o mais recente longa-metragem de Luís Rocha Melo e mais um fruto de sua parceria com Anna Karinne Ballalai dividindo roteiro, montagem e produção entre outras funções na fita. Antes de falar do filme, é prudente falar um pouco do cinema de Luís Rocha Melo e de seu modo de produção calcado no cinema de guerrilha gerando resultados singelos e bastante inventivos. Assim como em seu longa anterior Nenhuma fórmula para a contemporânea visão do mundo (2012), é importante ter em conta a intertextualidade oswaldiana e buscar a experiência de “ver com olhos livres” o filme. É preciso lembrar que estamos diante de um filme de cinema que não se prende às condições engessantes de produção subordinadas à existência de uma volumosa equipe de cinema, com grande aparato e departamentos, em que o set vai fechando vias nas filmagens externas. Estamos no território mais intimista caro ao cinema documentário de equipe reduzida, realizando ficção à luz e efeito das intempéries possíveis nesse caminho. Na linha daquele que Marcelo Ikeda e Dellani Lima chamaram de “cinema de garagem” e com um dado importante a ser levado em conta: as ruas são também um personagem e estão bem presentes no filme. O desenha a movimentação dos personagens aqui, e era algo que já me agradava bastante também no Nenhuma fórmula. O que é algo por si só bem agradável de ver, pois, na maioria das vezes, filmes que seguem esse modo de produção tendem a se isolar em locações fechadas, onde existe um maior controle. A mise-en-scène flui de forma melíflua e se organiza coletando planos cuja beleza orbita na esfera do possível, ungido pelo inventivo, e sem com que o frescor, o rigor e a beleza sejam negligenciados.

O primeiro plano do filme apresenta um crucifixo iluminado de forma que a luz projeta um triangulo pélvico estabelecendo uma síntese do conflito entre o sacro e o mundano. No contraplano, ajoelhado, está Lívido, interpretado por Pedro Henrique Ferreira. Um batedor de carteiras individualista que trabalha numa livraria com uma apatia quase estoica. Ele tem fixação por relógios e símbolos cristãos, como igrejas e crucifixos. Começa o filme de joelhos, rezando, suplicante, e, momentos depois, transa de forma truncada e sôfrega com uma moça que faz um desenho dele. Neste começo há mais nudez do que o recorrente no cinema brasileiro atual. A maneira com que ele se comporta no mundo também produz um incômodo deslocamento, que é vital para sua enunciação enquanto personagem de ficção. Muito dessa força se traduz tanto em seu olhar quanto na maneira com que ele flana pela cidade, como, por exemplo, na cena dos créditos de abertura, onde ele caminha como um Nosferatu do Brasil desprovido do “joie de vivre” tropical. O modo como Lívido caminha é peculiar e parece retraído como se o personagem usasse um cinto de castidade, e essa sensação será reiterada ao longo do filme.

Em seu ambiente de trabalho formal, Lívido é indagado por um cliente da livraria sobre a possibilidade de se encomendar um livro de Kafka. O tratamento da cena é kafkiano e, no desenrolar, Lívido embolsa para si o dinheiro da encomenda. O que já abre para a especulação do espectador: Lívido busca, ao jogar com o livre arbítrio, talvez conscientemente, a autossabotagem com o intuito de obter alguma reviravolta que faça com que ele consiga sentir alguma coisa. Um detalhe aí é que o livro em questão é Na Colonia Penal, e por conta dele é necessário um parêntese.

No livro Na Colônia Penal de Franz Kafka, uma paródia da ideia de pecado original surge na observação do oficial: “Nunca se deve duvidar da culpa”. Na Colônia Penal foi um livro influenciado pela novela O Jardim dos Suplícios, do escritor francês Octave Mirbeau, uma das grandes obras da literatura decadente. A segunda parte da novela se passa na China, na penitenciária de Cantão. A descrição minuciosa das torturas e seus instrumentos expostos ao ar livre num bosque, produz um contraste feérico perante as flores cultivadas no jardim que dá nome ao livro. Instrumentos de sofrimento salpicando a paisagem paradisíaca com lembranças infernais.

Lívido parece estar sempre deslocado nos espaços que habita perante a câmera. Uma angústia sóbria pontua seu gestual e a maneira com que ele se relaciona com o espaço e interage nos bares – afinal ele carrega culpa enquanto batedor de carteiras. O cinema já explorou a riqueza do gestual do batedor de carteira e suas relações estreitas com os truques de mágica, pois ambas abusam da sugestão do misdirection, mas no caso de Lívido vemos mais os efeitos da tensão. E a paranoia que os delitos produzem no bar onde ele vai beber se explicitam na troca de olhares com o policial, como se no fundo a verdadeira pulsão que busca nessa atividade é a de encontrar alguma forma de punição. Cabe comentar que a decupagem é bastante sofisticada e muito engenhosa no modo como apresenta os personagens e na maneira carinhosa com que filma o boteco, trazendo aqui à lembrança Fulaninha, de David Neves.

Não demora muito e Lívido é demitido da livraria pelo proprietário, Doutor Salles (interpretado por Roman Stubalch em sua última participação em um filme), por conta de seu comportamento de apatia extrema. Evento que não causa em Lívido nenhuma reação ou mesmo surpresa. Depois disso, Lívido é agredido por um homem na rua e novamente não esboça nenhuma reação diante da situação, que é tratada por ele de forma resiliente e passiva. O que deixa no espectador a impressão de algo como a serenidade de um jardineiro confiante diante do germinar de uma semente plantada. Sua deambulação continua no signo da inércia e é interrompida com um encontro inusitado com o poeta Charles Baudelaire, interpretado por Hernani Heffner, que numa paráfrase livre do poema em prosa Enivrez-vous, conclama que Lívido se embriague de vinho, virtude ou poesia para não ser um escravo martirizado do tempo.

Este evento é determinante para que Lívido resolva ir de encontro ao pai e para isso ele escreve para Victoria, sua irmã, interpretada por Anna Karinne Ballalai, propondo que eles visitem o pai, Doutor Gomes, por ocasião de seu aniversário de setenta anos. Lívido vai até o convento onde vive Victoria e a convence a fazer a viagem com ele. Os dois partem para Barra de São João, cidade onde foram criados, para um provável acerto de contas com o passado. A mudança radical do figurino de Victoria após abandonar o hábito religioso caracteriza uma forte metanoia reversa e abre espaço para conjecturas acerca dos pormenores de seu claustro.

A sequência da chegada em Barra de São João traduz em seus planos com frescor a maneira com que o filme enfrenta as ruas com desembaraço, e ali orbita seu universo respirando através de seus personagens. Antes do retorno dos filhos ao encontro do pai, há um encontro alegórico com a ruína numa pequena pausa onde Lívido se recompõe aguardando Victoria. As ruínas onde habitam os bichos de saturno – afinal a natureza onde se imprime a imagem do processo histórico é a natureza decaída. O estado da estória se funde com o cenário de forma concreta – afinal, a presença incontornável da ação do tempo segue reduzindo lembranças e demolindo fachadas condenadas aos escombros da memória. E desse índice sutil de mortificação, o efeito sobre Lívido se traduz da maneira travada, que seu caminhar e sua expressão corporal assumem conforme vai se aproximando o momento de reencontro com o pai. Movimento de retorno às origens e acerto de contas com o passado. Um mergulho como gesto de renovação da própria vida. Dados os detalhes da narrativa, cabe ao espectador mergulhar no gesto praticado pelo cinema proposto aqui por Luís e Anna, e corporificado também por Pedro. Afinal, é no corpo em cena que habita o cinema também. O encontro de Lívido com o pai, Doutor Gomes, interpretado por Otoniel Serra (irretocável em seu último papel no cinema), um personagem incrível que parece sufocar o filho de forma carinhosa, conduz o convívio entre eles para as raias do insuportável e situa de forma coesa o conflito que paira sobre Lívido. É provável que sua determinação em entender e ajudar o filho acabe, por linhas tortas, encaminhando-o e conduzindo-o ao seu renascimento. A figura religiosa e solar do pai bloqueia o desejo incestuoso que Lívido manifesta pela irmã, num sonho e na cena onde visitam o túmulo materno. O fato de Lívido se negar a verbalizar seus problemas o acaba jogando para o campo da ação através de um gesto violento contra o pai, na mesa de almoço após um momento de oração, onde ele se nega a dizer amém. O evento também liberta Victoria e os separa. Ainda que o rompimento paterno seja compartilhado, fica evidente que a atração entre eles está mais na cumplicidade que no desejo. Uma vez livre e alcançado seu retorno de saturno, vemos Lívido num observatório, ainda batendo carteiras, mas agora livre do peso da atração culposa que sofria pela ascendência do pai.

Pode-se apontar em Um homem e seu pecado ecos da fase derradeira de David Neves na forma segura, desembaraçada, serena e tranquila com que as situações são colocadas em cena, suavizando um pouco a dramaticidade barroca da premissa. Este tratamento cuidadoso proporciona ao espectador uma experiência ímpar na cinematografia brasileira contemporânea.

*Leo Pyrata é cineasta. Realizou, entre outros filmes, o premiado curta Imhotep e o longa-metragem Subybaya.

LIBERDADE é tema de Um Homem e seu pecado, estreia desta segunda no MAM

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Um homem e seu pecado é o terceiro longa-metragem de Luís Rocha Melo. Selecionado em 2016 para a 15 ª Mostra do Filme Livre (Rio de Janeiro, São Paulo, Belo Horizonte e Brasília) e exibido na Mostra Cine Patrimonial da Cineteca Nacional (Santiago do Chile), Um homem e seu pecado entra agora em cartaz na Cinemateca do Museu de Arte Moderna do Rio de Janeiro, ficando em exibição do dia 24 a 30 de julho de 2017.
Tendo como um dos eixos recorrentes de seu cinema a investigação das relações entre a expressão audiovisual e o passado cinematográfico brasileiro, Luís Rocha Melo dirigiu, entre outros trabalhos, o média-metragem documental O Galante rei da Boca (2004), prêmio de Melhor Documentário pela Associação Brasileira de Documentaristas de São Paulo (Festival É Tudo Verdade de 2004), e o curta Que cavação é essa? (2008), lançado no 48º Festival de Brasília (2008) e ganhador do prêmio de Melhor Filme pelo Juri Popular no 1º Festival Nacional do Júri Popular (2009).
A narrativa de Um homem e seu pecado expõe um inusitado triângulo de relações familiares, reverberando temas e questionamentos cada vez mais presentes na vida brasileira contemporânea. De acordo com Rocha Melo, “Um homem e seu pecado é um filme noturno sobre uma geração que se pretendia solar. Uma geração que esteve no centro de um grande eclipse ideológico e que ainda hoje procura entender o que fazer e como agir. O filme coloca em questão a ideia de liberdade: o que é ser livre?”
Nos papéis de Lívido (personagem que dá título ao filme) e sua irmã Vitória, Um homem e seu pecado apresenta Pedro Henrique Ferreira e Anna Karinne Ballalai. Pedro, cineasta formado pela PUC-RJ, trabalhou anteriormente com Luís Rocha Melo sendo personagem do documentário Legião estrangeira (2011). O longa registra a viagem de dois jovens cineastas pelo litoral fluminense, enquanto tentam filmar a vida de Walter Benjamin no Brasil. Em Um homem e seu pecado, seu primeiro papel num filme de ficção, teve o desafio de dar vida a um personagem incomum: “O Lívido é uma figura estranha”, afirma Pedro Henrique. “Ele é ao mesmo tempo católico e
cleptomaníaco, obcecado e vagabundo. Mas acho que é uma pessoa estranha que está perdida em um mundo que é mais estranho ainda.”

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Anna Ballalai é roteirista, produtora, atriz e co-editora de Um homem e seu pecado
Formada em Cinema pela UFF, Anna Karinne Ballalai trabalhou em diversas funções em vários curtas-metragens até produzir, roteirizar e estrelar a comédia de longa-metragem Nenhuma fórmula para a contemporânea visão do mundo (Luís Rocha Melo, 2012), início de uma parceria que resultou na realização de Um homem e seu pecado.

 

Neste filme, além do trabalho de atriz, Anna cumpriu as funções de roteirista, produtora e co-editora: “Em cinema, a dramaturgia passa pelo roteiro, pela encenação e pela atuação nas filmagens, mas também pela montagem, que é uma espécie de roteiro às avessas. O Luís me deu espaço para ser uma atriz pudovkiniana, podendo participar da montagem do filme.”
Um homem e seu pecado conta também com a participação de Otoniel Serra, em seu último papel no cinema. Ator formado no final dos anos 1950 pela Escola de Teatro da Bahia, contemporâneo da geração do Cinema Novo, Otoniel Serra atuou em longas como Copacabana mon amour (Rogério Sganzerla, 1970), A lira do delírio (Walter Lima Jr., 1978) e Strovengah – Amor torto (André Sampaio, 2011). Sua marca é a entrega total ao personagem, em performances impactantes e de forte teor experimental.

Em Um homem e seu pecado, no papel do Dr. Gomes, pai dos protagonistas Lívido e Vitória, Otoniel Serra encara o desafio de uma atuação contida, intimista, construindo o drama de um personagem enigmático a partir de nuances de olhares e gestos cotidianos.

O elenco de Um homem e seu pecado tem ainda as participações especiais do cineasta Roman Stulbach (que teve sua estreia como ator em Nenhuma fórmula para a contemporânea visão do mundo, longa anterior de Rocha Melo), e do pesquisador e curador da Cinemateca do MAM, Hernani Heffner, encarnando o poeta Charles Baudelaire numa aparição sobrenatural no Outeiro da Glória.

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O consultor e pesquisador Hernani Heffner faz participação especial no filme Um homem e seu pecado…
SINOPSE:
O jovem Lívido é um individualista radical. Vive em seu próprio mundo e nutre uma estranha obsessão por igrejas e crucifixos. Funcionário relapso numa livraria, à noite perambula pelas ruas do Rio de Janeiro dedicando-se à arte dos batedores de carteira. Após um encontro sobrenatural com Charles Baudelaire, no Outeiro da Glória, Lívido decide tomar um novo rumo e procurar sua irmã, Vitória, que é freira e vive num convento. Sob o pretexto de comemorarem o aniversário de setenta anos de seu pai, Lívido convence Vitória a deixar o convento e a partirem juntos para Barra de São João, cidade em que foram criados. O encontro entre os três torna evidente a impossibilidade do convívio familiar. De volta às paisagens que marcaram a sua infância, Lívido e Vitória redescobrem um sentimento sufocado pelos anos e reprimido pelos cuidados zelosos do pai.

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Anna Karinne Ballalai em cena de Nenhuma Fórmula para a Contemporânea Visão do Mundo, segundo longa de Luis Rocha Melo…
ELENCO:
PEDRO HENRIQUE FERREIRA (Lívido); ANNA KARINNE BALLALAI (Vitória); OTONIEL SERRA (Dr. Gomes); ROMAN STULBACH (Dr. Salles); MIRIAM VIEIRA (A Desenhista); HERNANI HEFFNER (Charles Baudelaire); THIAGO BRITO (O Diabo); MARIO CASCARDO (Leitor Kafkiano); MARIO DU PIN (Inspetor Du Pin); SÉRGIO MILLAN (Policial); EDUARDO REY (O Advogado do Diabo); FRANCISCO SILVA (Garçom); PEDRO FAISSOL; BRUNO FORAIN; DIOGO CAVOUR; DANIEL PECH e EDUARDO CANTARINO. Participações Especiais: JOSÉ CARLOS MACHADO CORRÊA e a equipe da CASA HUMANITÁRIA Dr. ALBERT SCHWEITZER; WALTER ALMEIDA e seu violão.
FICHA TÉCNICA:
Direção: LUÍS ROCHA MELO; Assistentes de Direção: ANNA KARINNE BALLALAI e DIOGO CAVOUR; Argumento e Roteiro: ANNA KARINNE BALLALAI e LUÍS ROCHA MELO; Montagem: LUÍS ROCHA MELO e ANNA KARINNE BALLALAI; Direção de Fotografia e Câmera: LUÍS ROCHA MELO; Correção de Cor: WILLIAM CONDÉ; Fotografia Still: JÚLIO BORGES; Fotografia Still Adicional: MARCO AURÉLIO M. FERREIRA e TATIANA CURZI; Making Of: JÚLIO BORGES; Efeitos Especiais: BIA MEDEIROS, DIOGO CAVOUR e ANNA KARINNE BALLALAI; Som Direto: DIOGO CAVOUR e THIAGO BRITO; Edição de Som e Mixagem: LUÍS EDUARDO CARMO; Desenho de Som: LUÍS EDUARDO CARMO; Pesquisa e Seleção Musical: LUÍS ROCHA MELO, ANNA KARINNE BALLALAI e LUÍS EDUARDO CARMO; Trilha Sonora Musical: PAULO CORRÊA; Direção de Arte: ANNA KARINNE BALLALAI e DENISE FISCHER; Figurinos: LUÍS ROCHA MELO e ANNA KARINNE BALLALAI; Costureira: LOURDES DOS SANTOS; Hair Designer: HUDSON LEMOS; Cabelo e Maquiagem: RENATA CABRAL; Pesquisa de Locação: ANNA KARINNE BALLALAI e JÚLIO BORGES; Direção de Produção: ANNA KARINNE BALLALAI, CRISTINA MENDONÇA e JÚLIO BORGES; Produção de Finalização: ANNA KARINNE BALLALAI e LUÍS ROCHA MELO; Coordenação Geral de Produção: ANNA KARINNE BALLALAI; Produção Executiva: LUÍS ROCHA MELO e ANNA KARINNE BALLALAI. Cartaz: Edward Monteiro. Realização: FILMES DO INSTANTÂNEO | WILD PALMS.

Confira o trailler do filme:

SERVIÇO

Lançamento do filme O Homem e seu pecado

(Luís Rocha Melo, Brasil, 85 min. ficção, 2016)

Quando e Onde: segunda, 24 de julho, 19:30h, na Cinemateca do MAM – Flamengo, Rio

Um Homem e seu Pecado estreia dia 24 na Cinemateca do MAM

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Cineasta Luis Rocha Melo convidando para a estreia de seu novo filme:

Queridos amigos e amigas, 

é com muita felicidade que convido a todas/os para a estreia do nosso longa-metragem Um homem e seu pecado (Luís Rocha Melo, 85′, 2016) na Sala da Cinemateca do Museu de Arte Moderna do Rio de Janeiro, dia 24 de julhosegunda-feira, às 19 horas.
A sessão de estreia vai ser seguida de um debate sobre o filme e sobre as estratégias de criação e de exibição no cinema independente brasileiro contemporâneo, com as participações especialíssimas dos queridos Hernani Heffner (pesquisador, curador-adjunto e conservador-chefe da Cinemateca do MAM), Daniel Caetano (cineasta, crítico e professor da UFF) e Chico Serra (cineasta e curador da Mostra do Filme Livre) – além de mim e da Anna Karinne Ballalai, atriz, roteirista e produtora de Um homem e seu pecado.
O filme ficará em cartaz do dia 24 ao dia 30 de julho
De terça (dia 25) a sexta (dia 28), sessões às 18:30 h
 
Sábado (dia 29) e domingo (dia 30), sessões às 16 horas.
Vai ser um prazer e uma alegria muito grandes encontrá-los lá !
um homem e seu pecado
Um homem e seu pecado é o terceiro longa-metragem de Luís Rocha Melo. Selecionado em 2016 para a 15 ª Mostra do Filme Livre (Rio de Janeiro, São Paulo, Belo Horizonte e Brasília) e exibido na Mostra Cine Patrimonial da Cineteca Nacional (Santiago do Chile), Um homem e seu pecado entra agora em cartaz na Cinemateca do Museu de Arte Moderna do Rio de Janeiro, ficando em exibição do dia 24 a 30 de julho de 2017.
Tendo como um dos eixos recorrentes de seu cinema a investigação das relações entre a expressão audiovisual e o passado cinematográfico brasileiro, Luís Rocha Melo dirigiu, entre outros trabalhos, o média-metragem documental O Galante rei da Boca (2004), prêmio de Melhor Documentário pela Associação Brasileira de Documentaristas de São Paulo (Festival É Tudo Verdade de 2004), e o curta Que cavação é essa? (2008), lançado no 48º Festival de Brasília (2008) e ganhador do prêmio de Melhor Filme pelo Juri Popular no 1º Festival Nacional do Júri Popular (2009).
A narrativa de Um homem e seu pecado expõe um inusitado triângulo de relações familiares, reverberando temas e questionamentos cada vez mais presentes na vida brasileira contemporânea. De acordo com Rocha Melo, “Um homem e seu pecado é um filme noturno sobre uma geração que se pretendia solar. Uma geração que esteve no centro de um grande eclipse ideológico e que ainda hoje procura entender o que fazer e como agir.
O filme coloca em questão a ideia de liberdade: o que é ser livre?”
Nos papéis de Lívido (personagem que dá título ao filme) e sua irmã Vitória, Um homem e seu pecado apresenta Pedro Henrique Ferreira e Anna Karinne Ballalai. Pedro, cineasta formado pela PUC-RJ, trabalhou anteriormente com Luís Rocha Melo sendo personagem do documentário Legião estrangeira (2011).
O longa registra a viagem de dois jovens cineastas pelo litoral fluminense, enquanto tentam filmar a vida de Walter Benjamin no Brasil. Em Um homem e seu pecado, seu primeiro papel num filme de ficção, teve o desafio de dar vida a um personagem incomum: “O Lívido é uma figura estranha”, afirma Pedro Henrique. “Ele é ao mesmo tempo católico e cleptomaníaco, obcecado e vagabundo. Mas acho que é uma pessoa estranha que está perdida em um mundo que é mais estranho ainda.”
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A aconchegante Cinemateca do MAM vai abrigar a estreia de Um homem e seu pecado
Link do trailer de Um homem e seu pecado no Youtube (1080 p):
Cartaz: Edward Monteiro

Goiânia reabre os braços ao Cinema

O Centro Municipal de Cultura Goiânia Ouro, importante cenário para a celebração da cultura na capital goiana, foi reaberto neste julho de férias com uma extensa programação que destaca a música, o teatro e o cinema. E nesta terça, 18 de julho, voltará a exibir CINEMA em seu poderoso telão !

Administrado pela Prefeitura de Goiânia, por meio da Secretaria Municipal de Cultura (Secult), um dos mais queridos e tradicionais pontos de convergência cultural da capital goiana, volta a receber público e artistas num benfazejo sinal de bons ventos para quem produz, quem curte e quem atua na área. Além do cinema e do teatro, o espaço volta com as atividades do Café Cultura, biblioteca, Loja do Artista e o curso de internet básica para maiores de 40 anos.

DE VOLTA, o FestCine 

O Fest Cine Goiânia, que foi criado em 2005 e marcou uma época de grandes nomes do cinema na capital goiana – intercambiando com os profissionais da comunicação e artistas goianos através de palestras, oficinas, realização de filmes e criação de projetos, além da ótima premiação que era ofertada pelo festival -, retorna agora sob o comando de quem idealizou o festival e o levou adiante por todos os anos de sua trajetória, sempre realizando uma programação com filmes, realizadores, artistas e temáticas relevantes, a cineasta e produtora-executiva Débora Tôrres.

Efervescência cultural

Além do show musical de Marcus Biancardini, realizado no último dia 14, o Goiânia Ouro preparou uma programação com uma série de espetáculos de teatro e música, além de uma mostra de cinema voltada para produções de cineastas goianos, que começa amanhã e segue até dia 21.. O Centro Municipal de Cultura Goiânia Ouro fica na rua 03, esquina com Rua 09, nº 1.016, Setor Central..

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Rubens Ewald Filho, mais importante crítico de cinema do país, estará em Goiânia prestigiando o FestCine. Só isso já mostra a importância enorme do Festival da capital goiana…

 
 

Criado em 2005, o FestCine Goiânia retorna com uma programação especial que segue até 15 de dezembro, contando com a exibição de filmes em mostras especiais, lançamentos, oficinas, palestras e homenagens. A abertura oficial acontece nesta terça, 18 de julho, às 19h30, com a exibição do curta Krakö, Os Filhos da Terra, e o batismo da sala de projeção do Centro Cultural, que passará a ser Sala de Cinema Luiz Eduardo Jorge.  

A primeira mostra do festival será em homenagem ao cineasta goiano Luiz Eduardo Jorge, falecido em maio deste ano. }Dez filmes do documentarista serão exibidos até 31 de julho, com três sessões diárias: às 12h30, 15h e 20h, com entrada gratuita.

“Neste ano não teremos a mostra competitiva, mas a ideia é debater com a classe um novo formato, para resgatar toda essa grandiosidade, atendendo também a demanda que surgiu neste período de paralisação, como um anseio por uma mostra competitiva também para os longas goianos”, diz Débora Tôrres, produtora executiva e diretora geral do festival.

Duas palestras já estão agendadas dentro da programação da 8ª edição do Festcine.  A primeira, “O Cinema  presente e seu futuro”,  no dia 8 de agosto, será ministrada pelo jornalista e crítico de cinema Rubens Ewald Filho. No dia 9 será a vez do ator e cineasta Germano Pereira com “Ler, Escrever e Adaptar (para o cinema e para a televisão)”. 

As inscrições serão abertas  a partir do dia 21 de julho, através do site do festival www.festcinegoiania.com 

Serviço:

8º Festcine Goiânia – Edição Especial 2017

Abertura oficial: 18/07

Exibição do filme Krakö, Os Filhos da Terra.

Horário: 19h30

Local: Centro Municipal de Cultura Goiânia Ouro (Rua 3, esquina com Rua 9, Centro)

Entrada franca

FestCine Goiânia de volta !

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É AMANHÃ: o cinema do Centro Municipal de Goiânia Ouro será reaberto com a realização do 8º Festcine Goiânia.

Criado em 2005, na gestão do prefeito Iris Rezende, o festival foi retomado pela Prefeitura após cinco anos paralisado. A programação da edição especial, que segue até 15 de dezembro, prevê a exibição de filmes em mostras especiais, lançamentos, oficinas, palestras e homenagens , que farão uma retrospectiva do renomado festival.

A primeira mostra do festival será em homenagem ao cineasta goiano Luiz Eduardo Jorge, falecido em maio deste ano. Serão 10 filmes consagrados do documentarista, que ficarão em cartaz até dia 31, com três sessões diárias, às 12h30, 15h e 20h, e entrada gratuita. Na ocasião, a sala de cinema do Centro Municipal de Cultura Goiânia Ouro receberá o nome de Luiz Eduardo Jorge,

Histórico

A produtora executiva e diretora geral do festival, Débora Tôrres, conta que o Festcine já nasceu como o maior festival de premiação de cinema do Brasil, com um total de R$ 171 mil em prêmios. No ano seguinte, perdeu a posição apenas para o Festival de Brasília, o mais tradicional do país. Em 2007, com o surgimento do Festival de Cinema de Paulínia, com mais de R$ 5 milhões por ano, o evento goiano passou para a terceira posição em premiação de mostras competitivas cinematográficas.

Nos sete anos de festival, foram R$ 2,445 milhões em premiação, sendo R$ 1,3 milhões destinados a produções goianas. Ao todo, foram exibidos 89 longas-metragens brasileiros e 121 curtas goianos de ficção, documentário e animação, 247 vídeos universitários e 125 vídeos caseiros  nas mostras competitivas do festival, que também estimulou a produção de 30 curtas através de edital que precedia o festival.

“Este ano não teremos a mostra competitiva, mas a ideia é debater com a classe um novo formato, para resgatar toda essa grandiosidade, atendendo também a demanda que surgiu no período de paralisação, como um anseio por uma mostra competitiva também para os longas goianos”, diz Débora Tôrres.

O Festcine Goiânia realizou mais de 82 oficinas para a classe e escola municipais  em suas edições, com a finalidade de capacitar tecnicamente interessados no “fazer cinematográfico”, leigos, cineastas, universitários e alunos da Rede Municipal de Ensino, que geraram uma produção total de 145 vídeos escolares.

O festival também contemplou o lançamento de mais de 30 livros com temáticas cinematográficas, além de outros eventos paralelos, como Encontros Nacional, Estadual e Regional do Congresso de Cinema Brasileiro, Cineclubes e ABDs, conferência do Sindicato de Cinema, palestras e debates.

Palestras

Duas palestras estão agendadas na programação da 8ª edição do Festcine.  A primeira, “O Cinema  presente e seu futuro”,  dia 8 de agosto, será ministrada pelo jornalista e crítico de cinema Rubens Ewald Filho. Dia 9, será a vez do ator e cineasta Germano Pereira com “Ler, Escrever e Adaptar (para o cinema e para a televisão”. 

As inscrições para ambas serão abertas  a partir do dia 21 de julho, através do site do festival www.festcinegoiania.com .

SERVIÇO:

8º Festcine Goiânia – Edição Especial 2017

Abertura oficial: 18 de julho de 2017.

Exibição do Filme Krakö, Os Filhos da Terra.

Horário: 19h30

Local: Centro Municipal de Cultura Goiânia Ouro (Rua 3, esquina com Rua 9, Centro)

Entrada franca


Mostra Homenagem In Memoriam de Luiz Eduardo Jorge
 (Parceria com a PUC Goiás e Apoio da ACINE)

Programação:

 

19 DE JULHO

12h30   KRAKÖ, OS FILHOS DA TERRA-  

15h00   KRAKÖ, OS FILHOS DA TERRA    

20h00   BUBULA, O CARA VERMELHA

               

20 DE JULHO

12h30    BUBULA, O CARA VERMELHA

15h00     BUBULA, O CARA VERMELHA

20h00  PASSAGEIROS DA SEGUNDA CLASSE                

             

21 DE JULHO        

12h30    PASSAGEIROS DA SEGUNDA CLASSE

15h00     PASSAGEIROS DA SEGUNDA CLASSE

20h00    ANTECIPANDO O ABSURDO             

 

22 DE JULHO

12h30    ANTECIPANDO O ABSURDO

15h00     ANTECIPANDO O ABSURDO

20h00    CÉSIO 137: O BRILHO DA MORTE                

 

23 DE JULHO

12h30    CÉSIO 137: O BRILHO DA MORTE                

15h00     CÉSIO 137: O BRILHO DA MORTE                

20h00    VERMELHO NEGRO                

 

24 DE JULHO

12h30    VERMELHO NEGRO                

15h00     VERMELHO NEGRO                

20h00    VENTOS DA HISTÓRIA

 

25 DE JULHO

12h30    VENTOS DA HISTÓRIA

15h00     VENTOS DA HISTÓRIA

20h00    ROSA, UMA HISTÓRIA BRASILEIRA

               

26 DE JULHO

12h30    ROSA, UMA HISTÓRIA BRASILEIRA

15h00     ROSA, UMA HISTÓRIA BRASILEIRA

20h00    SUBPAPÉIS

 

 27 DE JULHO

 12h30    SUBPAPÉIS      

15h00     SUBPAPÉIS

20h00    CAVALHADAS

 

 28 DE JULHO

 12h30    CAVALHADAS

15h00     CAVALHADAS

20h00    PASSAGEIROS DA SEGUNDA CLASSE

 

 29 DE JULHO

 12h30    VERMELHO NEGRO

15h00     ANTECIPANDO O ABSURDO

20h00    CÉSIO 137: O BRILHO DA MORTE

 

 30 DE JULHO

 12h30  OS VENTOS DA HISTÓRIA 

15h00     SUBPAPÉIS

20h00    Rosa, uma história brasileira

 

 31 DE JULHO

 12h30    PASSAGEIROS DA SEGUNDA CLASSE

 15h00     BUBULA, O CARA VERMELHA

 20h00    KRAKÖ, OS FILHOS DA TERRA

Neila Tavares tem atuação premiada em filme que estreia nesta quinta no Rio

 

Faz tempo que NEILA TAVARES encanta. Não só por sua beleza enigmática, emoldura por sua sensual voz rouca, mas porque tudo isso embala a personalidade de uma atriz grandiosa, de sensibilidade singular e inteligência delicada e arguta.

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Também jornalista, escritora, diretora de teatro, apresentadora e produtora, Neila Tavares (amiga querida e inspiração) poderá ser vista, a partir desta quinta, 6 de julho, na telona do Espaço NET Rio, no aplaudido filme de Evelina Costa e Oswaldo Eduardo Lioi.

Cada Vez Mais Longe, primeiro longa-metragem de Eveline Costa e Oswaldo Eduardo Lioi (também roteirista do filme) gira em torno do casal Isaura (Branca Messina) e o pescador João (Fernando Alves Pinto). E conta com Neila Tavares, a Isaura na segunda fase. Eles vivem na pacata Praia de Sepetiba e juntos, sofrem com assoreamentos drásticos no local.  João sai para pescar e promete à mulher trazer todos os peixes ainda existentes na baía, caso ela pare de fazer e desfazer seu crochê. Mas ela acredita que isto possa trazê-lo de volta.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Em meio à degradação ambiental que os cerca e afeta e o relacionamento entre Isaura e João, barcos vazios e abandonados se avolumam como um grande cemitério de rara beleza, e Isaura ainda espera por João. É um filme contemplativo no qual o tempo, naturalmente encaminha a personagem a andar, andar, andar em sua busca obstinada por João. Ela procura por João em uma natureza que já não reconhece mais.  

“Esta natureza, que também se desfaz, se não determinou, influenciou intimamente no tempo do filme. Enquanto Isaura espera por João, num lugar onde quase tudo está parado…, ela tece a si mesma, tece sua solidão. A angústia de uma espera de alguém que nunca vai voltar… Buscamos ao longo do tempo, desconstruir não somente a Isaura, mas o João, que vai se erguendo em um mito. Procuramos traduzir o esforço de Isaura para se desfazer dos presentes de João… esta Isaura vai se tornando inseparável da natureza, seu cabelo já se mistura com a areia e suas linhas com o mar”. – Eveline Costa (Diretora)

A Baía de Sepetiba (RJ), um dia considerada a segunda maior produtora pesqueira do Brasil e hoje “ocupada” pelas indústrias, reflete crucialmente no modo de vida daquela comunidade. O assoreamento e a poluição começaram nos anos 60 com a chegada da Ingá Mercantil e a implantação da Zona industrial de Santa Cruz nos anos 70. Suas lamas, ditas medicinais, já foram usadas por indicação médica. Mas hoje, passados mais de quarenta anos, essa Baía – com a expansão industrial, porto e terminal de minérios instalados –, está doente, com suas águas e areias escassas e totalmente comprometidas por resíduos, e tomadas por lixo.

Sobre o filme, diz OSWALDO LIOI, que além de roteirista e diretor do filme, é um dos mais requisitados diretores de arte do país:

“Estamos falando de problemas globais sem fronteiras definidas, e do pouco entendimento do Homem sobre toda a fragilidade do chão onde pisa, do ar que respira…” 

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Filmado com luz natural em diversos pontos da baía de Sepetiba, Cada vez mais longe foi produzido sem patrocínio, através de parcerias e com aporte financeiro da Produtora Associada Carla Belletti e da diretora Eveline Costa.

Todos os profissionais convidados, acreditando na importância do projeto, de interesse público, não receberam cachê. O filme foi rodado sem trilhos, veículos pesados ou catering no set.

Finalizado em 2014, Cada Vez Mais Longe, já teve algumas exibições, nas quais foi sempre muito bem recebido: na Mostra de Cinema de Tiradentes; foi selecionado pelos curadores Charles Tesson, da Semana da Crítica do Festival de Cannes e Diana Sanchez da Mostra de Filmes Latinos do Festival de Toronto  dentro do Programa da ANCINE “Encontros com Cinema Brasileiro” com Projeções Exclusivas no CCBB RJ em 2015; marcou presença na 3a edição do III FBCI – Festival Brasil de Cinema Internacional (Menção Honrosa) “Seção Competitiva Nosso Planeta” / Rio de Janeiro, 2015; 17º Festival KinoArte/Londrina “Mostra Brasil”, foi visto com plateia lotada na 13ª edição do FestCINE AMAZÔNIA /Porto Velho; fez parte da programação do Multicidade – Festival Internacional de Mulheres nas Artes Cênicas (Filmes) / Rio; e esteve no Artbioskop (Programa autor convidado), em Belgrado – Sérvia, março de 2016, entre outros.

Cada vez mais longe” tem uma poesia de imagens linda e triste, mas que acende uma urgência”. – Fernando Alves Pinto 

“Cada vez mais longe” é um filme lindo e conceitual que, além de falar sobre amor e espera, denuncia o nosso descaso com a Baía de Sepetiba. É triste e real, mas o filme é pura poesia e memória”. – Branca Messina (Atriz).

“Temos, eu e Lioi, uma longa história de cumplicidades… E quando li o roteiro senti claramente que este era um caso de entrega e impregnação, muito mais que da técnica ou experiência de atriz”.  – Neila Tavares

SINOPSE

Cada Vez Mais Longe – ficção Brasil 2014/ 70 min. Classificação: LIVRE

Um pescador promete à sua jovem mulher trazer todo o peixe do mundo, se ela parar de fazer e desfazer seu crochê. Ele é obrigado a ir cada vez mais longe em busca de peixes. Ela, cada vez mais só, usa as linhas do crochê para trazê-lo de volta. Ao retornar, ele traz excêntricos presentes encontrados no mar, até um dia sumir no horizonte.

https://www.facebook.com/filmecadavezmaislonge/

https://sequenciafilmesecenicas.com/filmes/cadavezmaislonge/

FICHA TÉCNICA

Direção: Oswaldo Eduardo Lioi e Eveline Costa
Elenco: Fernando Alves Pinto, Branca Messina e Neila Tavares.
Roteiro: Oswaldo Eduardo Lioi
Direção de fotografia: Luís Abramo
Fotógrafo Assistente: Walfried Weismann
Montagem: Diana Vasconcellos
Continuísta: Maria Elisa Freire
Direção de Arte: Oswaldo Eduardo Lioi
Produtora de Arte: Patricia Barreto
Figurinos: Simone Aquino
Figurinista Assistente: Marcela Poloni
Assistente de Figurino: Renato Paschoal
Costureira: Fátima Felix
Maquiagem: Marina Beltrão
Maquiagem de Set: Fábio Yamasaki
Edição de Som: Maria Muricy
Mixagem: Vinícius Leal
Música Original e Violão: Thiago Trajano
Violoncello: Luciano Corrêa
Acordeon: Priscilla Azevedo
Still: Bruno Abadias e Rafael Ski Carvalho
Direção de Produção: Pedro Diniz
Produção Local: Emanuele Borba
1ª Assistente de Direção: Aline Guerra
2ª Assistente de Direção: Sara Soares
Assistente de Câmera: Bruno Abadias
Assistentes de edição: Bruno Abadias e Pedro Salim
Logger: Gustavo Orlando
Técnico de som: Alexandre Bonfim
Boom Man: Rafael Ski Carvalho
Assistente de Produção: Marcelo Wagner Berto
Secretária de Produção: Akiê Taniguti
Assistente de Arte: Vanessa Lopes
Estagiária de Arte: Emanuelle Borba
Crochês de Cena: Gloria Lioi Fonseca
Consultor de Pesca e Maré: Alexandre da Conceição
Barqueiro: Júlio Rosa
Motorista: Daniel Lopes
Produtores Executivos: Oswaldo Eduardo Lioi e Eveline Costa
Produtoras: Carla Belletti e Eveline Costa
Produção: Sequência Filmes e Kadiwéu Cinema

SERVIÇO 

Estreia do longa CADA VEZ MAIS LONGE

QUANDO: Quinta, 6 de julho, 20h

ONDE: Estação Net Rio  

Rua: Voluntários da Pátria, 88 – Botafogo, Rio. Informações: (21) 2176-2000

Após a exibição filme, haverá bate papo com os diretores e elenco.

Então, vamos ao CINEMA ! Vamos CADA VEZ MAIS LONGE !

Alice Gonzaga conquista público e filme de Betse de Paula é ovacionado em Ouro Preto

Alice estreia - edit               Antes da pré-estreia em Ouro Preto , Alice Gonzaga concede entrevista                                                                          

                                                                                         *Aurora Miranda Leão

      A Mostra de Cinema de Ouro Preto, em sua 12ª edição, foi um momento bonito e importante para o Cinema. Com uma programação recheada por cursos, seminários, lançamentos de livros, exibições e debates, a CineOP foi aberta na noite de 22 de junho com uma solenidade marcada por homenagens, falas contra o desmanche da cultura e a permanente agressão aos indígenas.

No histórico Cine-Teatro Vila Rica, lotado, justas homenagens a quem tanto faz pelo cinema: o pesquisador Antônio Leão (com vários livros importantes e um trabalho de formiguinha feito sem nenhum apoio oficial), e a montadora Cristina Amaral (com extensa lista de grandes filmes no currículo); a entrega do Troféu Vila Rica à india Para Yxa Pi; a apresentação da índia Avelin Buniacá Kambiwá, e uma belíssima performance do Coletivo Negras Autoras. Podemos dizer que o tom da solenidade de abertura da CineOP pode ser resumido nas palavras de Para Yxa Pi: “No Brasil, todos temos sangue indígena – nas veias, no coração ou nas mãos. Qual é o seu caso?”

  Mas foi o documentário Desarquivando Alice que encerrou a solenidade oficial de abertura da CineOP, e o clima foi o esperado para um pontapé inicial de qualquer grande evento: risos, aplausos, comunicação imediata, farta e espontânea com o personagem-tema do filme de Betse de Paula.

Betse e Alice noite - edit

         Desarquivando Alice Gonzaga, mais recente documentário de Betse de Paula, tem a arquivista Alice Gonzaga como tema central (com poderosa consultoria do pesquisador Hernani Heffner) e apresenta imagens da protagonista desde a infância, quando fez pontas nos filmes da CINÉDIA – o primeiro estúdio de cinema do Brasil, propriedade de seu pai, Adhemar Gonzaga -, e que transformou-se na vida de Alice desde 71, quando a notável pesquisadora perdeu o pai. Entre cenas inéditas e preciosas, como um dos momentos de Alice Gonzaga esbanjando sua loura beleza ao lado do inesquecível Grande Otelo; o ‘arquivamento’ no cemitério; o véu de noiva tantas vezes usado e que “nunca teve casamento desfeito”; passagens que abordam a presença de Orson Welles no Brasil (foi Adhemar Gonzaga quem emprestou equipamento ao cineasta quando os estúdios americanos quiseram cercear sua atividade fílmica no Brasil) até a insólita queima de nitrato – que impressiona sobremodo a quem é da área audiovisual –, o filme caminha para um final apoteótico que enfatiza o empoderamento feminino protagonizado por uma intrépida Alice e captado por uma sensível e astuta Betse.

alice e telão - Cópia

 O filme começa e revela uma força notável: mesmo após a abertura impactante da CineOP com apresentações e falas de forte cunho político, Desarquivando Alice segue seu curso e envereda pelo universo da preservação, cada vez mais premente nos embates atuais pela relevância de que se reveste hoje o cultivo à memória. E o que se estabeleceu no Cine Vila Rica aquela noite foi uma imediata e notável sintonia com o público. Como bem diz o jornalista Adriano Garrett, “É preciso também destacar o quão prazeroso é acompanhar Alice Gonzaga em tela; a cada nova tirada bem-humorada ela nos faz esquecer temporariamente as deficiências da produção. Mais do que isso, na história dela está contido todo um imaginário do Brasil de ontem e de hoje, passando por temas como as dificuldades estruturais e culturais para mulheres atingirem posições de poder e chegando à preservação da memória de um país, algo que, é importante destacar, se deu no caso de Alice graças a uma vontade pessoal, longe de políticas governamentais.

      Ao criar uma dialogia com Alice Gonzaga, o público tomou conta daquela noite emocionante em Ouro Preto e foi, ele também, o centro das atenções na CineOP. Com olhares atentos, riso solto e gargalhadas permanentes, o que se viu/ouviu em Ouro Preto foi uma bela página de entrosamento filme-plateia-personagem, em que a diretora Betse de Paula saiu cercada de aplausos e assentimento.

       Em seguida a exibição, a Universo Produções anfitrionou uma bela festa com jantar generoso para participantes, realizadores, produtores e convidados. E esta foi um ótimo termômetro para confirmar o acerto do filme de Betse de Paula-Alice Gonzaga: o que mais se ouvia ali eram elogios fartos e emocionados para o Desarquivando Alice.

Betse e Alice OP edit

         Dia seguinte, no QG do Festival – organizado com prodigiosa eficiência pelas irmãs Fernanda e Raquel Hallack e sua Universo Produções – só deu Alice Gonzaga. E Betse de Paula. Ou seja: a dupla que teve a feliz ousadia de DESARQUIVAR o imenso patrimônio do Cinema Brasileiro através da CINÉDIA, marcou um gol de placa, consagrado pelas inúmeras manifestações de carinho, apoio e aplausos dos mais variados matizes: as muitas entrevistas que solicitavam Betse e Alice, os muitíssimos cumprimentos de quem passava pelas cercanias da Universo Produções, e as diversas críticas favoráveis que proliferavam por sites, blogs, programas de rádios, jornais e redes sociais. Como a do crítico Luiz Zanin Oricchio: “Alice Gonzaga, bem entrevistada por Betse, que mantém presença discreta no filme, revela-se uma cicerone das mais desembaraçadas sobre a história do cinema brasileiro e da sua própria família. Fala sem disfarçar do que gosta e de que não gosta. E conta uma história que é das mais apropriadas para um festival de cinema cujo foco é a preservação. Diz ela que um dia perguntou ao pai sobre o paradeiro de determinado filme e, impaciente, Adhemar lhe teria respondido que isso não interessava; estava preocupado com o próximo projeto e não com velharias. Com o futuro e não com o passado. […] Já perto do final da vida, ele muda de ideia. Diz que seria preciso recuperar tudo, pois ninguém podia adivinhar a quantidade de esforço presente em cada uma daquelas antigas películas que haviam produzido. ‘Acho que daí me meio o impulso para a recuperação de todo o nosso acervo’, diz Alice.”

elas fotografadas - edit

       Vale ressaltar que Desarquivando Alice já tem agenda para exibição no Festival Internacional de Cinema de Arquivo, que acontece em novembro, na capital carioca, honroso convite feito por seu curador, Antônio Laurindo.

        Exibir Desarquivando Alice na CineOP reverte-se numa belísssima e poderosa pré-estreia para um filme que tem tudo para ser exibido pelos quatro cantos do país e que coloca em evidência a atualíssima questão da Memória como potência sociocultural e elemento-chave para ressignificação do Patrimônio, tão necessário quanto mais precisa de atenção e cuidado.

Alice prefeito e Betse - edit

Até o prefeito de Ouro Preto surpreendeu ao encontrar Alice numa loja e se dizer encantado com o filme…  foto: Aurora de Cinema

Ao trazer à tona uma personagem emblemática, que é puro magnetismo e diante de quem não se pode passar despercebido – muito bem codinominada pelo jornalista Artur Xexéo como A Primeira Dama do Cinema Brasileiro –, Desarquivando Alice Gonzaga promove um banho de carisma, ao qual se adere instantaneamente e que constrói, de forma simples e ao embalo da espontaneidade, uma narrativa de pura imersão na memória do cinema brasileiro e avulta o empoderamento feminino que Alice Gonzaga representa, ainda que não tenha buscado isso como meta, mesmo que isso tenha se dado da forma mais inconsciente possível.

Alice e eles - edit

Tietando Alice Gonzaga: João Luiz Vieira, Ana Ballalais e Luis Alberto Rocha Melo…

   Por outro lado, ao evidenciar o empoderamento de Alice, Betse de Paula contagia o público e a sensação é de que todas nós, femininas e feministas, saímos do cinema empoderadas. Assim, ver Desarquivando Alice Gonzaga é tomar consciência do quanto pode a força de quem trabalha comendo pelas beiradas, com constância, poder de decisão e firmeza, e que influencia justamente por seguir adiante, como a água, sem enfrentar obstáculos mas aprendendo a contorná-los e, por isso mesmo, vencendo-os, devagar e sempre.

       Aplausos de pé para a tríade Alice-Betse-Desarquivando !

Alice Bet Hernani

Encontro de Cinema: Betse de Paula, Hernani Heffner e Alice Gonzaga em Ouro Preto…

Ao filmar Alice Gonzaga, Betse de Paula dialoga com Umberto Eco e agiganta nossa alma !

                                                                                                      *Aurora Miranda Leão

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Novo filme de BETSE DE PAULA abre esta noite a Mostra de Ouro Preto

“Já tá gravando, então volta que eu vou caprichar melhor !”

É assim que Alice Gonzaga diz para a cineasta Betse de Paula quando esta começava a gravar na CINÉDIA as imagens inaugurais com a notável pesquisadora para levar adiante o projeto do documentário DESARQUIVANDO ALICE GONZAGA, que esta noite abre a Mostra de Cinema de Ouro Preto.

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Alice é assim, uma mulher multicor, híbrida, uma composição de várias facetas, espontaneidade e bom humor sempre a postos !

Recebo o trailer que a AURORA CINEMATOGRÁFICA está a lançar no Vimeo e me emociono com a grandeza do filme que Betse de Paula realizou. E logo me vem as palavras de Edgar Morin:

“Literatura, poesia, cinema, psicologia, filosofia deveriam convergir
para tornar-se escolas da compreensão. A ética da compreensão humana
constitui, sem dúvida, uma exigência chave de nossos tempos de
incompreensão generalizada: vivemos em um mundo de incompreensão
entre estranhos, mas também entre membros de uma mesma sociedade, de
uma mesma família, entre parceiros de um casal, entre filhos e pais. […] A compreensão humana nos chega quando sentimos e concebemos
os humanos como sujeitos; ela nos torna abertos a seus sofrimentos e suas
alegrias. É a partir da compreensão que se pode lutar contra o ódio e a exclusão.”

Não, eu não vi o filme ainda, mas esse trailer super bem editado é o prenúncio de um documentário de escol, que tenho certeza, a cineasta carioca realizou.

Sabendo de antemão da qualidade artística de Betse, que tem filmes ótimos como a comédia Vendo ou Alugo e o precioso documentário sobre Sebastião Salgado – além de ter uma carreira marcada por aprendizados com mestres do quilate de Jean-Claude Carrière, Doc Comparato, Joaquim Pedro de Andrade, e Syd Field -, Betse de Paula coleciona prêmios. São estatuetas de vários festivais de cinema do país e também do exterior. Todas são prova da competência e vocação de BETSE de PAULA para a Sétima Arte.

Saber que Alice Gonzaga vai chegar em breve às telas de todo o país a bordo desse filme-emoção que é DESARQUIVANDO ALICE é por si só uma alegria. Constatar que minha amiga querida vai ganhar a telona pelas lentes e o olhar acurado de Betse de Paula é muito mais que uma alegria: é um chafariz a espargir emoção !

O que Betse de Paula conseguiu ao realizar um documentário sobre Alice Gonzaga tem uma grandeza que só pertence aos que militam no território da emoção.

O trailer da Aurora Cinematográfica tem pouco mais de 2 minutos mas tempo suficiente para revelar a riqueza da narrativa que Betse construiu sobre este Patrimônio Brasileiro que  é ALICE GONZAGA.

Captando cenas de Alice Gonzaga em casa, na rua, por entre suas milhares de pastas de arquivos de cinema e de cultura geral, e criando uma dialogia que é da personagem com diversas etapas de sua vida. Seja evidenciando o trabalho meritório do pioneiro Adhemar Gonzaga ou mostrando Alice no colo da mãe, e ainda menina participando dos filmes produzidos pelo pai e que poderiam ter iniciado uma bela carreira artística para a sapeca lourinha, Betse de Paula ressignifica a história do pioneirismo de Adhemar Gonzaga e evidencia a passagem do tempo com uma delicadeza só possível às grandes almas.

Ao captar os vários tempos de Alice, e editar o vasto material colhido com a sensibilidade que vai chegar ao ecrã, Betse protagoniza uma justa e emocionante Homenagem “a maior arquivista do Brasil”: referenda a atuação da Primeira Dama do Cinema Brasileiro e alça voo rumo a um lugar imbuído de magnitude, qual seja o de repartir história, consolidar conhecimento e reafirmar a força precípua da memória, aventurando-se no difícil território da delicadeza, que perfaz uma linha muito tênue com o pieguismo e a puxa-saquice, mas que, ao contar com a inteligência e a sensibilidade de Betse, converte-se outrossim em força de exemplar significação, muito além do que qualquer opinião precipitada possa supor.

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Alice Gonzaga e os preciosos arquivos da Cinédia…

DESARQUIVANDO ALICE reveste-se de relevância ainda maior porque se insere neste tempo de valores incertos e passageiros, de afetos descartáveis, de desatenção ao humano, de refração da memória, misto de insensibilidade, desconhecimento, desvalorização do permanente (ao invés do antigo), e avidez pelo novo que logo se esvai em busca de um novo mais novo.

A potência do documentário de Betse de Paula contrapõe-se exatamente ao caos informativo vivido na contemporaneidade, e que foi tão bem expresso pelo saudoso Umberto Eco:

“A abundância de informações sobre o presente não lhe permite refletir sobre o passado. Quando eu era criança, chegavam à livraria talvez três livros novos por mês; hoje chegam mil. E você já não sabe que livro importante foi publicado há seis meses. Isso também é uma perda de memória. A abundância de informações sobre o presente é uma perda, e não um ganho.”

Portanto, Desarquivando Alice é, de cara, um acerto porque reflete um ganho ! E Betse de Paula ao realizá-lo revela extrema coragem, tão mais forte quanto mais profunda porque sem alarde.

Nestes tempos em que a memória é aviltada ao correr do vento, Betse de Paula inscreve-se como cineasta que acredita na construção de afetos, valores e memórias, e proclama, através dos frames de seu “desaquirvo”, a força da delicadeza, a pertinência da sensibilidade, a necessidade da cultura, e o cultivo da tolerância. São esses os cânones de um cinema que ela realiza com maestria e o faz com a consciência de ser uma cidadã que empresta a seu cinema o lugar de repositório do belo, onde está inscrita a Arte Maior, da qual comunidade nenhuma pode abdicar, sob pena de elegermos motivos para a concretização de uma Sociedade de Poetas Mortos.

E, se a memória é nossa alma, como disse Umberto Eco, visitar a memória, promovê-la, dar a ela o lugar de Patrimônio que merece, é reavivar sua glória, declarar seu valor e a importância de sua preservação. Visitar a memória é aumentar a alma.

E o que Betse de Paula faz ao sublinhar a importância da memória através de Alice Gonzaga é agigantar nossa alma ! 

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Betse de Paula, Daisy Lúcidi, Alice Gonzaga e Natália Thimberg…

Com DESARQUIVANDO ALICE GONZAGA,, Betse de Paula afirma a eloquência do Cinema, confirma a Sétima Arte como lugar de fala necessário para a demarcação de territórios do sensível, e reafirma a importância das mulheres – a partir de Alice Gonzaga e dela mesma – para a construção de espaços nos quais a injustiça morra de sede, a ingratidão não saiba nadar, a injustiça capengue de inanição e a liberdade possar voar sem medo de ousar e ser feliz !

A Betse de Paula, nosso aplauso mais calorosos pela ousadia de seu cinema, e a Alice Gonzaga outros tantos aplausos pela sua não menor coragem de se expor para as lentes, sem mentiras – sem forjar uma Alice que não é, sem esconder ou negar suas idiossincrasias, suas opções, seu modo de ser e estar no mundo -, repleta de uma verdade que ela assume sem poses ou subterfúgios, e que, por isso mesmo, é uma mulher além de seu tempo !

 

Betse de Paula afirma: “Alice Gonzaga é um gigantesco google de papel, memória viva do nosso Cinema !”

Alice 2010 Conservatória

A noite da próxima quinta-feira será de festa na cidade mineira de Ouro Preto: naquela noite, a cineasta Betse de Paula estará lançando seu mais novo filme – DESARQUIVANDO ALICE GONZAGA – na sessão inaugural da décima-segunda edição da Mostra de Cinema de Ouro Preto – CineOP –, que será aberta àquela data em cerimônia oficial.

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Betse de Paula em noite de entrega do concorrido KIKITO…

Cineasta, produtora e roteirista premiada, desde a infância Betse de Paula vive às voltas com as artes. A família tem vasta tradição, formada por respeitáveis nomes do cinema, do teatro e da TV, como o pai, o cineasta e produtor Zelito Vianna; o tio Francisco (Chico) Anysio, um dos maiores nomes do humor brasileiro; a tia atriz e diretora teatral Lupe Gigliotti; a prima atriz e diretora de televisão Cininha de Paula; e os primos atores, dubladores e radialistas Nizo Neto, Lug de Paula e Bruno Mazzeo, além de ter sempre convivido com grandes nomes da arte brasileira, em especial do cinema, e em particular do Cinema Novo, que frequentavam a casa paterna, como Glauber Rocha, Mário Carneiro, Carlos Diegues e David Neves. Mas foi com o irmão, o futuro ator Marcos Palmeira, que Betse de Paula ainda criança teve a primeira aproximação ao mundo da arte, concebendo e dirigindo peças para o mano atuar.

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Betse de Paula com o irmão Marcos Palmeira no Programa do Jô

A carreira de Betse de Paula é marcada pelo refinamento da matriz cômica, em que atinge a maturidade e o reconhecimento crítico, com o sucesso de Vendo ou Alugo, e o aprofundamento de uma estratégia discursiva para o documentário.

Diretora de filmes importantes como O casamento de Louise e Celeste & Estrela, nos quais retoma elementos das chanchadas e os conjuga com o humor brasileiro contemporâneo (oriundo de programas como Brasil Legal), optando pela leveza do comentário e da ação em vez do escracho e do quiproquó, Betse funda em 97 a Aurora Cinematográfica, sua própria produtora de cinema.

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Betse de Paula com Marieta Severo e Natália Thimberg, protagonistas de seu premiado filme Vendo ou Alugo...

Acompanhando a voga do documentário como principal esteio de produção do cinema brasileiro contemporâneo, Betse de Paula ingressa no longa-metragem com o premiado Revelando Sebastião Salgado, o que lhe permitiu fixar uma linha de trabalho em torno de personagens novamente “enclausuradas”. Nos últimos anos, associou-se à voga das séries contemporâneas, desenvolvendo um longo projeto sobre os diretores de fotografia brasileiros. E outro sobre Guardiãs da Floresta, mulheres que com seu trabalho e modo de vida defendem a Floresta e o Planeta.

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Alice Gonzaga, por sua vez, conhece o mundo da Sétima Arte desde garotinha. Herdeira do jornalista e produtor Adhemar Gonzaga – pioneiro do cinema brasileiro, idealizador da lendária revista Cinearte e fundador da CINÉDIA, famoso e pioneiro estúdio de cinema fundado em 1930 – Alice dedica seu tempo e sua energia a preservar a memória da Cultura, em especial a do Cinema Brasileiro, De 1997 a 2013 desenvolveu incansável trabalho para salvar a filmografia da Cinédia, conseguindo feito inédito no campo da preservação e inspirando muitos outros produtores e realizadores a valorizar suas criações e sua permanência como patrimônio.

Desde que assumiu a condução da Cinédia, em 1971, após a morte do pai, Alice Gonzaga nunca deixou de trabalhar no arquivo documental, nutrindo-o com os acontecimentos do cinema brasileiro e mundial. E assim mais do que triplicou o tamanho do acervo recebido do pai, distribuindo a massa documental que continua a organizar sozinha por mais de 170 arquivos de aço, estantes e armários. Verdadeira fonte de prazer e senso de pertencimento a uma comunidade forjada por seu pai ainda ao tempo da revista Cinearte, o Arquivo Cinédia é atualmente o maior patrimônio documental do país sobre cinema em geral e cinema brasileiro em particular, cobrindo desde os primórdios até a atualidade, acumulando cerca de dois milhões de documentos.

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A ideia para um filme sobre Alice Gonzaga surgiu de um providencial encontro entre a diretora Betse de Paula e sua personagem durante o IV Anápolis Festival de Cinema, em 2014. No início do século XXI, Betse desenvolvera – em parceria com a roteirista Júlia Abreu – um projeto de longa-metragem de ficção sobre a realização do campeão de bilheteria O Ébrio nos estúdios da Cinédia, naquela época funcionando em São Cristovão. Jogada de Milhões nunca foi produzido e ao reencontrar Alice em Anápolis, Betse percebeu que poderia tratar do universo cinediano de outra maneira. Embora estivesse na cidade goiana para apresentar sua mais nova comédia dramática, Vendo ou Alugo, Betse de Paula se aproximara um pouco antes do documentário como uma linguagem que lhe permitia aprofundar certos aspectos de personalidades que lhe interessavam, como em Revelando Sebastião Salgado, seu primeiro documentário, premiado em Gramado e noutros festivais.O novo campo também lhe interessava por desafios de criação opostos aos da ficção, na medida em que tinha que lidar com o imponderável e a mudança constante dos parâmetros de filmagem.

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Alice Gonzaga no red carpet do Amazonas Film Festival ao lado do ator Rômulo Hussen…

Originalmente pensado como um longa centrado em conversas com Alice Gonzaga, Desarquivando Alice logo transformou-se no acompanhamento da rotina diária da incansável pesquisadora, que se conecta menos com a empresa e mais com seu trabalho cotidiano de recolhimento, organização, catalogação e arquivamento de milhares de documentos anuais relativos à atividade cinematográfica no Brasil. Betse descobriu no portentoso Arquivo Cinédia o cenário ideal para desenhar seu novo filme e um lado pouco conhecido daquela que foi chamada pelo jornalista Arthur Xexéo de “Primeira Dama do Cinema Brasileiro”.

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Alice Gonzaga e o curador do acervo Cinédia, o escritor e professor Hernani Heffner…

Certamente a biografia de Alice Gonzaga poderia se confundir com muitos momentos importantes que a cercaram desde os anos 30 do século passado, passando pelo contato com notáveis das artes, da política e da sociedade; poderia acompanhar sua carreira de jornalista, empresária, produtora e cineasta; poderia até mesmo desvendar um pouco do lado self-made-woman que caracteriza Alice desde que ela resolveu ter renda pessoal e trilhar um caminho próprio. Mas uma Alice Gonzaga no presente se impôs. Do alto de seus 82 anos, não havia como deixar de captar a energia, vivacidade e espírito da Sra. Cinédia.

E assim nasceu DESARQUIVANDO ALICE. Foram 10 encontros ao longo do ano de 2016, com Betse sempre seguindo Alice pelos corredores do arquivo, “com ela nos guiando por sua vida ao mesmo tempo em que arquivava os últimos recortes e nos mostrava tesouros da história familiar, da companhia e do cinema brasileiro.”

Um roteiro completamente diferente do que estamos acostumados, só interrompido pelo mergulho nas imagens e sons do tempo, muitos sugeridos por ela, outros descobertos pela produção. “Na medida que os encontros iam se sucedendo, ela vinha com mais informações, mais documentos, mais filmes. Já tínhamos formatado uma primeira montagem e Alice nos presenteou com imagens inéditas de sua primeiríssima infância. Cenas deliciosas dela bebê, com os pais e brincando na Cinédia ainda em formação. Mudamos tudo e poderíamos ter mudado outras vezes porque o arquivo é inesgotável”, comentou Betse com a montadora Dominique Paris ao final da edição.

O resultado final é um delicado equilíbrio entre as diferentes facetas de uma mulher extraordinária, com destaque para a produtora, a arquivista e a preservadora. Esta última persona talvez tenha sido a mais desafiadora e a mais importante, pois o acervo de filmes e documentos da Cinédia poderia ter tido o destino ingrato de tantas outras iniciativas do cinema brasileiro, não fosse a determinação de cuidar, de preservar, de transmitir que Alice teve, ao procurar os filmes, restaurá-los duas vezes e zelar por sua preservação. “Desarquivar Alice foi também desarquivar um pouco dessa história oculta”, afirma a diretora, emocionada.

Agora é marcar a passagem para Ouro Preto e correr pro abraço em Betse de Paula e Alice Gonzaga, duas fortalezas do Cinema Brasileiro !

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Betse de Paula com a família: o mano Marcos Palmeira, a mãe Vera e o pai Zelito Vianna