Arquivo da categoria: SÉTIMA ARTE

Comentários e notas sobre a Sétima Arte, privilegiando o Cinema Brasileiro

As Duas Irenes traduz a verve de um contador que faz história para saudar o feminino !

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As Duas Irenes, filme que levou 4 Kikitos em Gramado e foi aplaudido na concorrida mostra Berlinale do festival de cinema alemão, estreou na quinta em todo o país. Hoje ele será exibido no cinema do Centro Dragão do Mar, em Fortaleza, e, após a sessão, haverá debate com a presença do diretor e de suas duas atrizes, Priscila Bittencourt e Isabela Torres.

O filme tem direção, roteiro e produção (junto com Diana Almeida) de Fábio Meira. As garotas da história são filhas do mesmo pai, mas pertencem a diferentes famílias. Uma descobre a outra e é o primeiro passo para uma aproximação. As duas tem a mesma idade e atravessam as mesmas etapas de vida: o primeiro beijo, o primeiro namorado.

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A história que inspirou Fábio Meira é real: o avô do diretor tinha duas filhas com o mesmo nome. Sua tia nunca quis conhecer a meia-irmã. Ele conta que descobriu a história aos 13 anos, e por volta dos 30 começou a imaginar um roteiro de cinema – E se as duas se encontrassem, o que ocorreria ? Passaram-se 7 anos até que Fábio se decidisse a tornar a história literatura e conseguisse levá-la à telona:

“Na verdade, o filme trata de identidade. Desde a infância, a gente se transforma muito, acho que isso acontece com todo mundo. Então, a Irene que vai em busca da irmã pode ser, ao mesmo tempo, várias Irenes, porque ela vai se transformar, e está se transformando intensamente naquele momento da vida”, afirma Fábio Meira.

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Duas protagonistas, a maioria de coadjuvantes, a diretora de fotografia, a diretoria de arte, a montadora. Foi assim, cercado de mulheres, que Fábio Meira produziu e realizou seu aplaudido As Duas Irenes. “Não foi intencional. Fui criado em uma família de mulheres muito fortes e interessantes. Isso é muito orgânico. Sempre convivi mais com mulheres do que com homens. Não escolhi essa equipe por ser formada por mulheres”, afirma o diretor.

Fábio e elas

Fábio Meira e suas atrizes: “As Duas Irenes é um filme feminista, mas de forma natural, sem querer ser panfleto.”

Fábio Meira diz ainda que As Duas Irenes “é uma história muito íntima, mas é também uma história que depende muito do entorno. No filme uma das casas é aconchegante, colorida, e a outra tem poucas cores e é muito estéril. Acho que o formato ajuda a pensar essa relação delas com o espaço. Isso era muito importante pra mim, porque a gente é um reflexo da casa onde a gente nasce, da família onde a gente nasce. Com certeza o espaço é decisivo na nossa formação de identidade.”

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O resultado dessa história que Fábio Meira conheceu na adolescência e transformou em ficção, e desse ajuntamento de mulheres num set de cinema, está num filme belo, forte e poético que você, leitor fiel do #blogauroradecinema, precisa conhecer.

E deve ir ao cinema logo, pois filme brasileiro que não faz um número X de espectadores na primeira semana, sai de cartaz. Portanto, não deixe para amanhã este filme que você pode (e deve) ver hoje !

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Fábio Meira: consagrado em Gramado, diretor assina roteiro e produção de Duas Irenes e coleciona críticas positivas em todo o país !

“Interessante que algumas pessoas da minha família, que estão vendo o filme agora, não sabiam que meu avô teve duas filhas, com mulheres diferentes, e colocou o mesmo nome nelas”, diz Fábio, citando a influência do notável dramaturgo russo Anton  Tchecov: “Ele aborda muito a questão das coisas que não são ditas, e que fazem os tabus perpetuarem.”

No elenco de As Duas Irenes, Priscila Bittencourt, Isabela Torres, Marco Ricca, Suzana Ribeiro, Inês Peixoto, Teuda Bara, Marcela Moura, Ana Reston e Maju Souza.

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Fábio Meira ladeado por mulheres: equipe celebra KIKITOS de As Duas Irenes.

SERVIÇO:

Exibição do filme As Duas Irenes, de Fábio Meira

Onde: Centro Dragão do Mar de Arte e Cultura

Horário: 19h         #VamosaoCinema !

Confira o trailler: https://www.youtube.com/watch?v=gMkcei9ADQA

Beleza nota 10 em Gramado !

Gramado logo

Gramado é encantadora ! Isso, além de não ser novidade, é voz geral !

O que ainda não é tão conhecido assim é a marca que une Salão e Produtos de Beleza num estilo único e especial, o Gramado Professional !

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A linha de produtos especiais, criada a partir de um Centro Técnico de Beleza

Atendimento Gramado Professional especial para o Festival de Gramado…

Jussara München: anfitriã com look especial de pedras preciosas…

Eles formam uma equipe que alia Salão de Beleza, Cafeteria, Espaço para eventos, cosméticos, showroom e cafeteria gourmet ! São produtos que usam a tecnologia das pedras preciosas com produtos exclusivos para deixar qualquer cabelo e rosto Belos, Chics e Elegantes !

Durante o Festival de Cinema, a Gramado Professional estava com uma equipe à disposição dos convidados e homenageados especiais.

Ali, a hostess era Jussara München, que nos atendia sempre com muita delicadeza e atenção. Sorriso full time e uma beleza de dar inveja !

Aurora Miranda Leão e Jussara München no 45o Festival de Gramado…

Na equipe comandada por Jussara, há maquiadoras e o personal hair style Boaz Gomes, cearense mãos-de-ouro, que trabalha com exímia habilidade, rapidez, sensibilidade e deixa a clientela sempre satisfeita !

Boaz Gomes entre Aurora Miranda Leão e Alice Gonzaga…

Falamos assim  porque tivemos a bendita sorte de sermos atendidas por ele. E nosso look desfilou colhendo elogios pela adorável cidade gaúcha.

No Palácio dos Festivais: a equipe Gramado Professional Hair com Alice Gonzaga e Aurora Miranda Leão…

Jussara Munchen e Boaz Gomes com Aurora Miranda Leão…

E um detalhe muito especial: a linha de produtos Gramado Professional tem fórmulas exclusivas e inovadoras, enriquecidas com minerais de pedras preciosas.

Alana Pinheiro cuida do look de Alice Gonzaga…

Alice Gonzaga, homenageada da 45a edição do Festival de Gramado, conferindo o look após embelezamento com profissionais e produtos Gramado Professional…

Betse de Paula, Alice Gonzaga e Aurora Miranda Leão chegam ao Palácio dos Festivais, em Gramado…

Portanto, nós recomendamos a linha de Beleza GRAMADO PROFESSIONAL para você que está em Gramado, ou a você que pensa em visitar a cidade gaúcha:

Não deixe de fazer uma visita ao salão Gramado Professional Hair: com certeza, seu dinheiro será bem empregado e você vai sair de lá muito mais bonito (a) e feliz !

Jussara Munchen e Alice Gonzaga: beleza e estilo em dose dupla !

Betse de Paula, a diretora do filme Desarquivando Alice Gonzaga, também aprovou o look de sua ‘Estrela’ !

Anote aí:

Gramado Professional Cosmetics

RS 235, nº 33230 Bairro Tirol,  Gramado | Rio Grande do Sul

CONTATO: 54-3286.9493

GRAMADO celebra 45 anos de Cinema

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Ao todo, 42 produções, divididas em quatro categorias, disputarão o Kikito de Ouro entre 17 e 26 de agosto, na Serra Gaúcha, quando o evento celebra 45 anos de vida e 25 anos de internacionalização.

Na categoria Longa Brasileiro, concorrem sete filmes, mesmo número de produções que disputarão o prêmio de Longa-metragem estrangeiro. Já as mostras Curtas Brasileiros e Curtas Gaúchos reúnem 14 produções, cada. O filme de abertura do festival (hors-concours), com exibição dia 18 de agosto, é João, o maestro, de Mauro Lima. Na tela, a história do pianista e maestro João Carlos Martins, protagonizada por Alexandre Nero. Mas é a mostra Educavídeo (projeto que difunde o cinema nas escolas municipais gaúchas) que iniciará as projeções na noite de sexta, no histórico Palácio dos Festivais. Ali, serão exibidos três filmes: “O Roubo do livro”, de Gustavo Gomes, “Será que o amor sempre vence?”, de Ticiane Silva, e “Pra sempre, você”, de Bruno Peteffi, com codireção de Lauterbach Amorim.

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Rubens Ewld Filho é garantia de qualidade e pluralidade na Curadoria do Festival…

Neste ano em que celebra 45 anos exibindo, divulgando e difundindo o Cinema Brasileiro e Latino-Americano, o Festival de Gramado terá homenagens e exibições especiais. Na Curadoria, a presença do crítico, roteirista, diretor de teatro e escritor Rubens Ewald Filho é garantia de qualidade na tela  na programação. Entre as comissões julgadoras, nomes como Cacá Diegues e Germano Pereira.

Alice boa

Alice Gonzaga vai receber merecida homenagem nos 45 anos do Festival

A pesquisadora e arquivista Alice Gonzaga – que dirige a lendária CINÉDIA – será uma das homenageadas da noite de terça-feira. Nesse dia, à tarde, Alice poderá ser vista na telona protagonizando o filme Desarquivando Alice Gonzaga, da cineasta Betse de Paula. A produção é um documentário criativo alto astral sobre uma personalidade insólita e notável, cuja história carrega em si uma saudável mistura de carioquice, feminismo, pioneirismo, vanguarda e vitalidade. Um filme inteligentemente agradável para todas as idades.

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Atriz e cantora argentina, Soledad Villamil vai receber o Kikito de Cristal…

Também serão homenageadas a atriz paraense Dira Paes com o troféu Oscarito, e o cineasta gaúcho Otto Guerra com o troféu Eduardo Abelin. Já o ator baiano Antonio Pitanga receberá o Troféu Cidade de Gramado, enquanto o Kikito de Cristal – dedicado a expoentes do cinema latino-americano – será entregue à atriz argentina Soledad Villamil, protagonista de O Segredo dos Seus Olhos, de Juan José Campanella. Na programação, também está previsto o Gramado Film Market: Conexões, que vai promover painéis e oficinas voltados para profissionais e universitários do segmento audiovisual nos dias 24 e 25.

Rubens e Sônia

Rubens Ewald Filho festejado por Sônia Braga na edição 2016…

Confira os filmes do 45º Festival de Gramado:

 

Longas Brasileiros

“A Fera na Selva” (RJ), de Paulo Betti, Eliane Giardini e Lauro Escorel

“As Duas Irenes” (SP), de Fábio Meira

“Bio” (RS), de Carlos Gerbase

“Como Nossos Pais” (SP), de Laís Bodanzky

“O Matador” (PE), de Marcelo Galvão

“Vergel” (Brasil/Argentina), de Kris Niklison

“Pela Janela” (Brasil/Argentina), de Caroline Leone

 

Longas-metragens Estrangeiros

“Los Niños” (Chile/Colômbia/Holanda/França), de Maite Alberdi

“Pinamar” (Argentina), de Federico Godfrid

“El Sereno” (Uruguai), de Oscar Estévez & Joaquín Mauad

“Sinfonía para Ana” (Argentina), de Virna Molina e Ernesto Ardito

“Mirando al Cielo” (Uruguai), de Guzmán García

“La Ultima Tarde” (Peru), de Joel Calero

“X500” (Colômbia/Canadá/México), de Juan Andrés Arango

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Curtas Brasileiros

“#feique” (RJ), de Alexandre Mandarino

“A Gis” (SP), de Thiago Carvalhaes

“Cabelo Bom” (RJ), de Swahili Vidal

“Caminho dos Gigantes” (SP), de Alois Di Leo

“Mãe dos Monstros” (RS), de Julia Zanin de Paula

“Médico de Monstro” (SP), de Gustavo Teixeira

“O Espírito do Bosque” (SP), de Carla Saavedra Brychcy

“O Quebra-cabeça de Sara” (RJ), de Allan Ribeiro

“O Violeiro Fantasma” (GO), de Wesley Rodrigues

“Objeto/Sujeito” (SP), de Bruno Autran

“Postergados” (SP), de Carolina Markowicz

“Sal” (SP), de Diego Freitas

“Tailor” (RJ), de Calí dos Anjos

“Telentrega” (RS), de Roberto Burd

 

Curtas Gaúchos

“10 Segundos” (Canoas), de Thiago Massimino

“1947” (Porto Alegre), de Giordano Gio

“Através de Ti” (Santa Cruz do Sul), de Diego Tafarel

“Bicha Camelô” (Pelotas), de Wagner Previtali

“Cá Com Meus Botões”, de Murilo Bittencourt

“Cores de Bissau” (Porto Alegre), de Maurício Canterle

“Gestos” (Porto Alegre), de Alberto Goldim e Júlia Cazarré

“Kátharsis” (Caxias do Sul), de Mirela Kruel

“Luna 13” (Porto Alegre), de Filipe Barros

“Mãe dos Monstros” (Porto Alegre), de Julia Zanin de Paula

 “O Caçador de Árvores Gigantes”, de Anttonio Pereira

“Secundas” (Porto Alegre), de Cacá Nazario

“Sena, Os Fios em Prosa” (Porto Alegre), de Marcelo da Rosa Costa e Cacá Sena

“Sob Águas Claras e Inocentes” (Porto Alegre)”, de Emiliano Cunha

“Solito” (Porto Alegre), de Eduardo Reis

“Telentrega” (Porto Alegre), de Roberto Burd

“Temporal”, de Gabriel Honzik

“Yomared”, de Lufe Bollini

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  Gramado: cidade gaúcha vai se transformar na Capital do Cinema

Pinta & Borda: FECIN inova e convida para oficinas gratuitas

​Em Muqui, inscrições abertas para oficinas de atuação, cinema e novas mídias do projeto           Pinta & Borda

São 10 vagas para a oficina de teatro para iniciantes com a atriz Cláudia Puget, que acontece de 21 a 27 de agosto, no teatro Neném Paiva. E 10 vagas para a oficina de cinema e novas mídias com a cineasta alemã Ilka Westermeyer, a ser realizada de 4 a 8 de setembro, no cineclube CinEstação.

Na oficina de teatro, o aluno terá oportunidade de ter contato com fundamentos de interpretação, construção corporal de personagem, ritmo, jogo cênico, entre outras técnicas. A oficina de cinema e novas mídias conta com conceitos teóricos de audiovisual, edição e filmagem. O resultado será apresentado no Festival de TV e Cinema do Interior, que será realizado dias 8 e 9 de setembro.

Inspirada no conceito de Cinema de Bordas, criado pela escritora e pesquisadora capixaba Bernadete Lyra, o projeto Pinta & Borda propõe a realização da 1ª Mostra Trans de Cinema de Gênero no interior do Espírito Santo, numa programação com exibição de obras audiovisuais e oficinas de teatro e cinema para jovens e adolescentes de Muqui (ES). A mostra acontece na antiga Estação Ferroviária, dentro do CinEstação, na programação da 6ª edição do Festival de Cinema de Muqui, o FECIN.

O projeto é uma realização do escritor, produtor e cineasta Léo Alves, com produção da Caju Produções e tem apoio do Funcultura, da Secretaria de Estado da Cultura, Secult (ES).

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Aurora Miranda Leão e a escritora Bernadete Lyra, que inspirou o Pinta & Borda

Formulário para inscrição:

Oficina de teatro:https://goo.gl/forms/CWL502e9Ce6193bC2

Oficina de cinema e novas mídias:https://goo.gl/forms/p0Nu32dIjM3zTeOz1

Estrutura das oficinas:

Teatro para iniciantes, com Cláudia Puget

De 21 a 27 de agosto

Das 18 às 20h

Local: Teatro Neném Paiva

Objetivos:

– Propiciar aos alunos o contato com fundamentos técnicos da interpretação;

– Desenvolver atividades práticas visando que cada participante compreenda itens básicos da estruturação de uma cena teatral pelo enfoque da interpretação;

– Possibilitar que cada aluno compreenda como se pode estruturar o personagem teatral;

Possui uma abordagem básica do método de interpretação a partir da improvisação. É realizada por meio de jogos e exercícios que visam trabalhar: a sensibilização, a desinibição, afetividade, equilíbrio, auto-identidade, auto-expressão, espírito de grupo e expressão de grupo. São fornecidos elementos técnicos que possibilitam aos alunos realizarem improvisações de cenas de teatro, na Oficina e em trabalhos posteriores;

Outras abordagens utilizadas no conteúdo programático:

– Ritmo; Interpretação do texto; Jogo cênico; Concepção, utilização, articulação dos elementos cenográficos; Construção corporal do personagem;

Oficina de Cinema e Novas Mídias

Com Ilka Westermeyer

De 04 a 08 de setembro

16h às 18h

10 vagas

Público alvo: jovens de 14-20 anos

Local: Cineclube CinEstação

Sugestão de conteúdo:

MÓDULO 1 – O AUDIOVISUAL E AS NOVAS MÍDIAS

O AUDIOVISUAL E SUAS MÍDIAS

-> Apresentação: Relevância e Estrutura da oficina;

-> Introdução a Linguagem Audiovisual;

-> Possibilidades: cinema, publicidade, vídeo clipe, vídeo aula, web vídeo e web série.

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AS MÚLTIPLAS TELAS E SUAS CONSEQUÊNCIAS

-> Janelas: Salas de cinema, Museus, Galerias, Outdoor e Intervenções em espaço público;

-> O registro e a exposição do outro;

-> Internet: Consumo, Canais e plataformas.

MÓDULO 2: CONTEXTUALIZAÇÃO E PRÁTICA AUDIOVISUAL

PLANEJANDO UMA IDEIA

-> do roteiro à produção.

EXERCÍCIOS PRÁTICOS I

-> elaboração de roteiros e pré-produção.

A CONSTRUÇÃO DA IMAGEM E DO SOM

-> imagem: o olhar, a composição, a luz, a câmera;

-> som: seu comportamento, o processo de captação e a escolha das músicas

EXERCÍCIOS PRÁTICOS II

-> decupagens e gravação.

NASCENDO E CRIANDO IDENTIDADE

-> edição, mixagem, finalização e distribuição.

EXERCÍCIOS PRÁTICOS III

-> editando, sonorizando, exportando, distribuindo e exibindo.

Gramado: Conexões e os jurados do Festival

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Abertas as inscrições ao Gramado Film Market – Conexões, o mais novo espaço de aproximação de talentos do Festival de Cinema de Gramado. Com ênfase na força da linguagem audiovisual e suas novas dimensões, o projeto surge focado nos pontos cruciais da atividade, no gargalo de escoamento e nas parcerias nacionais e internacionais.

Durante os dias 24 e 25 de agosto, o Gramado Film Market terá uma programação intensa e diversificada com a presença marcante do Canadá, país convidado de honra do 45º Festival, e apresentará painéis temáticos e workshops, com participação através de inscrições prévias.

As inscrições podem ser feitas nos formulários disponíveis no site www.festivaldegramado.net, onde também está disponível a programação completa do Gramado Film Market.

 

O Júri do 45º Festival de Cinema de Gramado

 A responsabilidade de escolher os melhores filmes do 45º Festival de Cinema de Gramado estará com 26 profissionais do audiovisual e da imprensa. Confira quem terá voto decisivo na escolha dos vencedores em todas as mostras deste ano:

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Cacá Diegues integra o principal júri do Festival de Cinema de Gramado…

 LONGAS BRASILEIROS

– Cacá Diegues, cineasta (presidente de honra)
– Alfredo Calvino, distribuidor
– Bárbara Paz, atriz, diretora e produtora
– Edu Felistoque, cineasta
– Katia Adler, produtora e diretora
– Miguel Barbieri Jr., jornalista e crítico de cinema

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Bárbara Paz: atriz vai estar em Gramado como jurada…

LONGAS ESTRANGEIROS
– Alquimia Peña, pesquisadora e gestora cultural
– Isaac León, professor e crítico de cinema
– Patricia Primón, pesquisadora e palestrante
– Pedro Zurita, distribuidor e programador
– Verónica Perrotta, atriz e dramaturga

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Germano Pereira: ator, escritor, diretor e roteirista também integra comissão julgadora 

CURTAS BRASILEIROS
– Germano Pereira, ator
– Gustavo Spolidoro, cineasta
– Marta Machado, produtora e professora
– Tula Anagnostopoulos, montadora e pesquisadora
– Vera Zaverucha, consultora, professora e palestrante

PRÊMIO ASSEMBLEIA LEGISLATIVA – MOSTRA GAÚCHA DE CURTAS
– Alziro Barbosa, diretor de fotografia
– Geraldo Veloso, cineasta, pesquisador e professor
– Izabela Cribari, documentarista
– João Campos, ator
– Lara Lima, cineasta

JÚRI DA CRÍTICA
– Cecília Barroso
– Cristiano Aquino
– Danilo Fantinel
– Juan Pablo Cinelli
– Suyene Correia Santos

Os filmes da Mostra Gaúcha

Além de exibir 18 curtas-metragens em competição no Prêmio Assembleia Legislativa – Mostra Gaúcha de Curtas, a 45a edição do Festival de Cinema de Gramado terá exibições hors-concours em sua programação paralela. Outros cinco filmes realizados no Rio Grande do Sul serão apresentados, fora de competição, dias 21 e 22 de agosto no teatro Elisabeth Rosenfeld (Rua São Pedro, 369 – Centro), com sessões às 14h e 16h. São eles: “A Liga dos Canelas Pretas”, de Antônio Carlos Textor; “O Caso do Homem Errado”, de Camila de Moraes; “Som Sem Sentido”, de Gabriela Bervian; “Substantivo Feminino”, de Daniela Sallet e Juan Zapata; e “Todos”, de Luiz Alberto Cassol e Marilaine Castro da Costa.

Confira os dias e horários da Mostra Gaúcha:

21 de agosto, segunda-feira
14h – “Todos”
16h – “O Caso do Homem Errado”

22 de agosto, terça feira
14h – “Som Sem Sentido” e “A Liga dos Canelas Pretas”
16h – “Substantivo Feminino”

Mulheres de Cinema em Revista


O edital Filme Cultura 63 está com inscrições abertas para textos até 8 de setembro. Com a temática “Mulheres, Câmeras e Telas”, a revista pretende investigar o espaço das mulheres no audiovisual nacional, além de analisar o que elas estão produzindo e como estão sendo retratadas e representadas nas telas.  

A revista Filme Cultura foi lançada em 1966, porém com várias pausas durante esses mais de 50 anos. No final de 2016, a volta da revista, que estava parada desde 2013, foi pensada de uma forma que fosse mais sustentável e desse a possibilidade de ampliar as vozes da publicação. Assim, ocorreram algumas mudanças:

– realização de edital de chamada para textos, nos moldes de “call for papers” das revistas acadêmicas, abrindo espaço para quem quiser participar, ampliando as possíveis vozes na temática de cada edição;

– redução dos exemplares impressos para diminuição de custos;

– valorização do portal com todo o acervo da revista para gerar maior quantidade de acessos possíveis e estar disponível para quem quiser pesquisar, baixar ou visualizar todas as edições.

Com tudo isso, o desejo é que a revista seja compreendida como uma política pública de Estado para o Cinema Brasileiro e que consiga ser sustentável, periódica, acessível e perene. 

A revista Filme Cultura é uma publicação dedicada à pesquisa, à reflexão e à divulgação do cinema brasileiro, abordando de forma aprofundada um tema a cada edição. A revista sempre esteve associada a órgãos públicos de cultura e de cinema (INC, INCE, Embrafilme, CTAv e SAv), não sendo, no entanto, uma publicação institucional. 

Edital: https://goo.gl/JucGuu

Acervo: http://hmg.revista.cultura.gov.br/filme-cultura/

Facebook: https://www.facebook.com/RevistaFilmeCultura/

Cineamazônia prorroga inscrições

 

Prorrogadas até dia 15 as inscrições para a Mostra Competitiva do Cineamazônia. Basta acessar (www.cineamazonia.com.br/ficha-de-inscricao).

Podem se inscrever para a seleção da Mostra Competitiva, filmes no formato de curtas, médias e longas-metragens, nas categorias de ficção, documentário, animação e experimental, produzidas em qualquer parte do mundo, realizados a partir de 2014. Os realizadores podem ainda inscrever até 3 (três) filmes/vídeos, e mesmo o Festival deixando em evidência o conteúdo audiovisual com a temática ambiental, a seleção está aberta para a inscrição de todo e qualquer tema e gênero de produção.

Para a inscrição, é obrigatório o envio do filme, o qual deverá ser realizado, exclusivamente, através da plataforma digital indicada no Regulamento 2017. Os filmes que forem selecionados para a Mostra Competitiva da 15ª edição do Cineamazônia, concorrerão na categoria Longa-Metragem, ao Melhor Longa Documentário, e na competição de médias e curtas metragens.

Os participantes de filmes de curtas e médias-metragens concorrerão ao Prêmio Danna Merril, de Melhor Documentário; Prêmio Major Reis, de Melhor Animação; Prêmio Vitor Hugo, de Melhor Ficção; Prêmio Manoel Rodrigues Ferreira, de Melhor Experimental; Prêmio Chico Mendes, de Melhor Roteiro; Prêmio Povos Indígenas de Rondônia, de Melhor Trilha Sonora; Prêmio Silvino Santos, de Melhor Fotografia; Prêmio Capô (Maurice Capovilla), de Linguagem; Prêmio Melhor Montagem; Prêmio Melhor Direção; Prêmio Melhor Ator; Prêmio Melhor Atriz; Prêmio Thiago de Mello: Júri Popular (Troféu Esperança).

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O Cineamazônia surgiu há 15 anos e, ao longo de sua trajetória, tem exibido filmes e contribuído com a formação de plateia voltada à Sétima Arte, especialmente, na região Norte brasileira e fronteiriça com países como a Bolívia e Peru. A exibição, divulgação dos vencedores e as homenagens vão acontecer de 17 a 21 de outubro, em Porto Velho.

A 15ª edição do Cineamazônia tem patrocínio do BNDES, Governo Federal, Ministério da Cultura, Secretaria do Audiovisual e da Lei Rouanet. Ainda tem o apoio cultural da Sejucel, Funcultural, Fecomércio e SESC Rondônia. O Cineamazônia é associado ao Fórum dos Festivais e membro do Green Film Network.

Cine Ceará começa sábado em Fortaleza

cine CE

A 27a edição do Cine Ceará – Festival Ibero-americano de Cinema será aberta oficialmente neste sábado, 5 de agosto, no Cineteatro São Luiz, no centro da capital cearense.

As exibições começaram dia 1º com a Mostra de Cinema Chileno, na CAIXA Cultural Fortaleza. Ao longo de toda esta edição, serão mais de 90 filmes entre curtas e longas, projetados também no Cinema do Dragão e na Praça do Ferreira. Amanhã, sexta, dia 4, os ingressos para a abertura oficial serão distribuídos, a partir das 14h, na bilheteria do cine São Luiz. Toda a programação é gratuita.

“Uma Mulher Fantástica”, premiado filme chileno de Sebástian Lelio, será o filme de abertura. No domingo, 6, acontece a première mundial de “Malasartes e o Duelo com a Morte”, longa brasileiro com o maior número de efeitos especiais já realizado. A exibição contará com a presença do diretor Paulo Morelli e do protagonista Jesuíta Barbosa. Também no dia 6, o Cine Ceará vai homenagear o cineasta e diretor de fotografia Walter Carvalho. Na segunda, 7, será exibido o argentino “Ninguém está Olhando”, de Julia Solomonoff.

Já na terça, 8, a produção cubana-francesa “Santa e Andrés”, de Carlos Lechuga, vencedor de 11 prêmios em festivais internacionais, terá sua première no Brasil. Na quarta, 9, a competição contará com dois longas: o brasileiro “Pedro sob a Cama”, de Paulo Pons, com a presença do ator Fernando Alves Pinto, e a produção “O homem que cuida”, de Alejandro Andújar. Na quinta, será exibido “Últimos dias em Havana”, de Fernando Pérez, um dos grandes destaques da Berlinale deste ano e premiado melhor filme latino-americano no Festival de Málaga.

Os filmes serão distribuídos nas seguintes mostras: Mostra Competitiva Ibero-americana de Longa-metragem, Mostra Competitiva Brasileira de Curta-metragem, Mostra de Cinema Chileno, Olhar do Ceará, mostras sociais Melhor Idade, Acessibilidade e O Primeiro Filme a Gente Nunca Esquece e Cinema na Praça. Também haverá Exibições Especiais, entre elas, o longa “Corpo Elétrico”, de Marcelo Caetano, dia 6, seguida de debate com o diretor, e “O Caminho das Hortências”, de Ronaldo Nunes, dia 8, ambas no cinema do Dragão. Os curtas também marcam presença: na competitiva estão 14 produções, com destaque para “Vênus – Filó a fadinha Lésbica”, de Sávio Leite, e “Mehr Licht!”, de Mariana Kaufman Na Mostra Olhar do Ceará participam 23 curtas.

O Chile é o país homenageado desta edição com a Mostra de Cinema Chileno, que apresentará 16 longas e um curta. A mostra exibirá importantes obras do cinema chileno como “A montanha sagrada”, de Alejandro Jodorowsky, “De quinta a domingo”, de Dominga Sotomayor, “Como me dá na telha II”, de Ignacio Agüero, além de “Gloria”, de Sebastián Lelio.

Sete filmes vão concorrer ao troféu Mucuripe: na competitiva de longa, serão agraciados os vencedores nas categorias Melhor Filme, Direção, Fotografia, Edição, Roteiro, Som, Trilha Sonora Original, Direção de Arte, Ator e Atriz dos longas. Concorrem ao troféu Mucuripe na competitiva de curtas os eleitos pelo júri nas categorias de Melhor Curta-metragem, Direção, Roteiro e Produção Cearense. Convidado do festival, o jornalista Rodrigo Fonseca assina a curadoria dos longas junto a Margarita Hernández, coordenadora-geral do Cine Ceará, e Wolney Oliveira, diretor do festival. Na curadoria dos curtas estão a professora e cineasta Beatriz Furtado e o cineasta e programador de cinema, Salomão Santana.

Apresentado por BNDES e Enel, o 27° Cine Ceará acontecerá de 5 a 11 de agosto, numa promoção da Universidade Federal do Ceará (UFC), através da Casa Amarela Eusélio Oliveira, com apoio do Governo do Estado do Ceará, por meio da Secretaria da Cultura, da Prefeitura Municipal de Fortaleza, via Secultfor, e do Ministério da Cultura, através da Secretaria do Audiovisual. A realização é da Associação Cultural Cine Ceará, Bucanero Filmes e OUTLED, patrocínio vip da SP Combustíveis e M. Dias Branco, patrocínio da Oi e BNB. Apoio cultural: Oi Futuro, Indaiá e Unifor e parceria: Sebrae-CE.

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SERVIÇO

27° Cine Ceará – Festival Ibero-Americano de Cinema – De 05 a 11 de agosto de 2017 

Cineteatro São Luiz (Praça do Ferreira, s/n – Centro); Cinema do Dragão – Sala 2 (Centro Dragão do Mar de Arte e Cultura); Hotel Oásis Atlântico (Av. Beira Mar, 2500 – Meireles), Acesso gratuito mediante ingressos com distribuição no local.  www.cineceara.com.

 

 

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Baudelaire e o Diabo na terra da praia

Fabian Cantieri* escreve sobre Um homem e seu pecado, filme de Luís Rocha Melo, que encerra exibições hoje na Cinemateca do MAM carioca…cartaz menor

Lívido (Pedro Henrique Ferreira) tem o corpo desconjuntado, o coração empedrado, a alma atormentada: um vulcão guardado sem manejo de suas lavas reprimidas. Um personagem anacrônico e deslocado ao pé de uma juventude afetiva que jamais olharia para uma Igreja com seus grandes olhos vidrados, cheios de indiferença e curiosidade. Um homem e seu pecado é menos sobre o incesto em si do que o pecado como reação ao mundo. Um affair, a cidade cartão-postal, o trabalho, os amigos no bar, o hobby contraventor: nada aquieta ou mobiliza o espírito solitário de Lívido. É preciso que ele seja demitido, leve umas porradas da vida ou do Diabo (Thiago Brito) e esbarre com um louco ou Baudelaire (Hernani Heffner) para que enfim retome alguns nós perdidos. Esse triângulo de ações faz com que nosso protagonista procure sua irmã, convencendo-a sair do monastério para encontrar seu pai e seus fantasmas.

Luis Melo no set

Um homem e seu pecado: Luis Rocha Melo no set…

Luís Rocha Melo faz desse percurso um filme um tanto atípico: existe uma agilidade de encenação que às vezes poderia fazer lembrar dos derradeiros filmes de Alberto Salvá ou Paulo César Saraceni, Na Carne e na Alma (2011) e O Gerente (2011) respectivamente, mas com um peso dramático que o aproxima muito mais de gente como um Walter Hugo Khouri. Este peso está sobre os ombros de Lívido, existencialmente, mas também na religiosidade. Da aridez cristã ao onírico do candomblé, a religiosidade atravessa a família Gomes como pão (que alimenta) e faca (que a dilacera). Deus está morto, não há “Pai” que guie nossos passos e Dr. Gomes (Otoniel Serra) há muito deixou de ser guia norteador de um ethos para seus filhos. Vitória (Anna Karinne Ballalai) se aporta no cristianismo, Lívido vive sem qualquer âncora.

Ballalai no filme

Ana Karinne Ballalai e Pedro Henrique Ferreira protagonizam Um homem  seu pecado

É aí que Baudelaire, vulgo a poesia, sobrevêm como telos. “É necessário estar sempre bêbado”. Trôpegos, errantes e pecadores, andamos. Eis aí um curioso aforismo para o cinema brasileiro: embriagados – de vinho, poesia ou virtude – filmamos. Curioso também como o tema atemporal de O homem e sua paixão, à luz da urbe carioca de hoje, é filmado por uma handycam digital qualquer e isso lhe dá uma desenvoltura toda particular, emprestando ao filme uma cara muito mais irmã à geração de David Neves do que a de seus contemporâneos. O que se destaca não é uma especificidade técnica moderna, mas a leveza de um modus operandi que lhe dá organicidade do entorno germinada em sua filmografia desde, pelo menos, Legião Estrangeira (2011). O que parece interessar mais para Luís Rocha Melo em O homem e seu pecado é uma decupagem calcada nos olhares, a subjetividade em confronto com o mundo e seus atravessamentos. Poderia aqui, inclusive, subverter as palavras do próprio diretor sobre Neves em uma crítica sobre seu primeiro longa-metragem Memória de Helena (1969): o que vemos em ação é “um cronista que observa a sua geração, ou melhor, que observa seus amigos, ou melhor, que ama seus amigos, os filmes de seus amigos e o passado do cinema brasileiro”.

O passado do cinema brasileiro aqui é todo presente. Memória é imaginação. Luís Rocha Melo filma seus amigos não simplesmente pondo-os em cena, mas antes absorvendo algo de intrínseco neles e reformulando à obra. Não há tábula rasa, a fabulação se dá a partir de uma vivência próxima. Há um elo de amizade e intimidade que se desdobra no desabrochar não do drama, mas de suas consequências. Há, antes de tudo, um pacto de fé, uma metafísica aí em jogo: a cena é mais do que a materialidade das coisas. Não só pela crença em Baudelaire ou no Diabo ou pela recorrente dúvida em torno do Mal, mas pelo fora de campo como dialética moral. Não à toa, uma das primeiras referências óbvias – pois não há batedor de carteira mais notável na história do cinema do que Michel, personagem de Martín LaSalle – é Robert Bresson, católico fervoroso do plano.

O filme – e seu mistério – está todo no olhar de Lívido. Frequentemente ele deixa de observar o que olha; seus olhos por vezes fogem de encarar, como seu pai percebe, outras tantas, se reviram para o horizonte distante da realidade por pleno costume de fuga. Alguns contra-planos chicoteados, como na primeira despedida dos filhos na casa do pai, perturbam para depois criar tensão pela fixidez entre os olhares confrontados. Um plano corriqueiro é uma espécie de over the shoulder sobre o protagonista mirando a desenhista, Vitória, Baudelaire ou Dr. Gomes, um plano um tanto esquisito em termos de composição não só pelo ponto de fuga diagonal, como pela aparente necessidade de mostrar alguma primeira reação de alguém – Lívido – que normalmente não teria sua face exposta só ficando de costas. Um olhar sempre tentando apreender as coisas para além da superfície, um olhar nem sempre conseguindo, sem saber, enfim, onde mirar, onde morar.

Um homem 1

Um homem e seu pecado: “Um olhar sempre tentando apreender as coisas para além da superfície”.

Georges Bataille, numa análise de uma escrita de Sarte sobre Baudelaire, escreveu: “o homem não pode se amar completamente se ele não se condena”. Autocondenação é o que não falta à Lívido e no entanto, o pecado reside em sua erradicação ou, ao menos, relativização. Ao fim, o Museu do Universo parece nos contestar a magnitude peremptoriamente estagnada de certos pecados criados pelo homem diante do mundo. Eppur si muove: a mítica frase murmurada por Galileu após ter sido obrigado a renegar sua visão heliocêntrica do mundo, costuma ser um símbolo que sintetiza a teimosia da Ciência contra a censura da fé e a autoridade religiosa. Depois de negar que a Terra se move ao redor do Sol, o físico e filósofo italiano haveria balbuciado: “no entanto se move”. Deste lado do oceano, Paulo Emílio costumava dizer que a mediocridade do cinema brasileiro é imanente – o subdesenvolvimento está em nós. No entanto, algo se move.

*Fabian Cantieri é crítico da revista Cinética

“Existe sempre a promessa agridoce do perdão e do arrependimento”

Ballalai no mar

Anna Karinne Ballalai em cena de Um Homem e seu Pecado

Você tem somente até amanhã para ver Um homem e seu pecado, na Cinemateca do MAM  – ENTRADA FRANCA

*Confira a crítica de Guilherme Sarmiento ao filme de Luis Rocha Melo

Entre 1938 e 1945, George Bernanos viveu no Brasil. Então considerado um dos maiores escritores franceses vivos, o autor do aclamado romance Sob o sol de satã atravessou o Atlântico envolto nos miasmas pestilenciais soltos pela ascensão do fascismo e buscou na maior nação católica do planeta algum alento espiritual e, quem sabe, ser tocado pela visão do paraíso. Estabeleceu-se na cidade mineira de Barbacena, lugar muito adequado a sua imaginação silvestre e afeita ao escrutínio do mal. Logo em torno de sua figura divina e ao mesmo tempo satânica formou-se um círculo de contritos admiradores, alguns deles, inclusive, tornaram-se amigos íntimos como o poeta Augusto Frederico Schmidt, Jorge de Lima, Alceu Amoroso Lima, Austregésilo de Athayde e Murilo Mendes. Não se sabe o quanto Bernanos foi responsável em sua passagem pelo vigor alcançado pelo neocatolicismo literário entre nós, mas o certo é que, coincidentemente ou não, alguns livros bem adequados a certas obsessões bernanosianas foram saindo do prelo dez anos depois de sua partida, como se fossem jabuticabas temporãs: azuis de tão escuras, como pérolas noturnas e pecaminosas. Podemos citar aqui A menina morta, de Cornélio Pena, e Crônica da casa assassinada, de Lúcio Cardoso, como parte dessa safra. Esse longo preâmbulo em torno da emergência do novo pensamento católico entre nós soaria fútil se o novo longa de Luís Alberto Rocha Melo não tivesse guardado em seu íntimo esse coração palpitando após a queda, um órgão ainda pulsante no peito de um decaído.

Essa relação fica clara desde o seu título: Um homem e seu pecado. Se existe um stimmung, uma ambiência, dentro do qual o pensamento católico facilmente se desloca, não vai tão longe quando circunscrito pela noção da culpa e do pecado. E o filme ofertará ao espectador tudo aquilo que a titulação desde o seu início prometeu. O plano de abertura é um crucifixo: diante dele, Lívido, o protagonista da história, reza fervorosamente. Seu nome por si mesmo se apresenta como um indicativo de seu contínuo assombramento, um mundo interior cheio de interditos que nem mesmo o recital de uma oração consegue silenciar por completo. Parte mesmo desses rompantes são forçados por uma oposição barroca entre o sacro e o profano, o bem e o mal, o inferno e o paraíso, a carne e o espírito, mostram-se evidenciados pela montagem muitas vezes reflexiva de estados de espírito descontínuos. Após a gregoriana imersão no mundo espiritual, uma crua e lânguida cena de sexo somente acentua o programa previamente estabelecido pelo diretor. A interposição deste dois momentos, sem nenhum outro respiro, ajuda a compor a cisão interna daquele a partir do qual se baseia o ponto de vista narrativo. O olhar aficionado de Lívido mira, na verdade, o pecado original ao qual sempre retornará para justificar o seu fracasso profissional e amoroso.

E que pecado é esse tão acalentado a ponto dele chamar de seu? Uma relação incestuosa. Eis aqui um dos temas recorrentes dentro do neocatolicismo. A arte e a beleza nada mais são do que a deriva do pensamento em perigosas regiões fronteiriças, onde o homem tem a possibilidade de flertar com o mal sem, no entanto, ser completamente atravessado por ele. Existe sempre a promessa agridoce do perdão e do arrependimento. Porém, a alma de Lívido escorregou para além dessa fronteira e agora ele precisa acertar contas com o seu passado e, quem sabe, ter uma nova chance de ser perdoado e redimido de sua falta monstruosa. Ele, então, resolve visitar o pai em Barra de São João. Porém, antes de fazê-lo, comete um ato que revela toda a sua covardia. Visita o claustro onde sua irmã até então vivia uma vida “piedosa” e a envolve temerosamente em seu plano de redenção. Esse movimento em direção ao vórtice do pecado – de cuja memória sua irmã também compartilha – terá consequências funestas para o destino das duas personagens.

Mas se engana quem achar que Um homem e seu pecado é um filme soturno e carregado, como o tema exigiria, caso estivéssemos diante de uma obra tradicional. A noção de uma irremediável mancha adquirida por uma queda está muito longe da “piedade” notada por Aristóteles ao definir a catarse como fim último da tragédia. Se nas obras do pensamento católico as bases constituintes do trágico continuam intactas, elas, no entanto, vem ungidas por inúmeras crises, incluindo, entre elas, a crise do próprio discurso. Não se passa pelo decadentismo impunemente. A atmosfera frívola e saturada pela pulsão de morte parece domesticada aqui por um sentido de paródia bem cara a Luís Alberto Rocha Melo, abordagem que vai além da mera atualização de um determinado registro literário ou artístico, desautorizando-o através de um riso que irradia desde a superestrutura narrativa. A ética da paródia é uma ética dialógica, onde se desfigura o sentido formal para se denunciar a fixidez artificiosa da norma. Esse pendor ao humor iconoclasta já se encontrava presente em seu longa anterior, Nenhuma fórmula para a contemporânea visão de mundo, mas, aqui, subsiste de forma mais discreta, sem, contudo, deixar de ser notável. Nesse sentido, o filme, em seu humor fino e rebelde, reflete um pensamento articulado a uma atividade crítica intensa, como se o próprio ato de narrar estivesse também sob o jugo de um permanente escrutínio – entregar-se a uma atividade sem esse constante desarme risonho e alerta, nesse caso, seria se dobrar a pior das tentações.

Esse viés de natureza crítica, certamente, foi forjado em anos de colaboração com revistas importantes como Contracampo, Filmecultura, e, também, atividades acadêmicas próprias a trajetória profissional de Luís Alberto Rocha Melo. Vê-se de forma bastante explícita dentro de sua dramaturgia uma gama de referências cinematográficas bastante heterogêneas, que abarcam desde autores do Cinema Novo, especialmente os católicos, como Fernando Coni Campos, e Paulo César Saraceni, até os autores ligados de alguma forma ao cinema da Boca do lixo, aqui, especialmente, Carlos Reichenbach e Rogério Sganzerla, movimento caro ao diretor cuja estreia nos longas-metragens se deu através de um documentário sobre Antônio Polo Galante. A colagem destas referências, por sua vez, ajudam ainda mais a tensionar a narrativa, que oscila entre o leve escracho mobilizado por uma câmera galhofeira e o peso circunspecto construído em torno do protagonista Lívido, cuja força atrativa age sobre a história como um buraco negro.

Essa polaridade também se produz nos diferentes tons impressos pelos atores principais em suas interpretações. Enquanto Anna Karinne Ballalai imprime nuances brechtianas à personagem Vitória, irmã do protagonista, Pedro Henrique Ferreira deixa seu olhar expressivo nuançar as características de Lívido, cuja alma se desintegra diante do espectador. Algo parecido ocorre quando comparamos a atriz à Otoniel Serra, em seu último papel no cinema, que cria a personalidade paterna como uma força apaziguada e quase impotente. Por ser praticamente a co-diretora do longa-metragem, tendo-o montado, produzido e escrito o roteiro junto com Rocha Melo, Balallai demonstra-se cúmplice do distanciamento agenciado pela direção que, mesmo mantendo-se dentro de certo decoro, deixa entrever suas intenções satanicamente satíricas. Mostra-se cúmplice das diabruras propostas pelo diretor. O diabo, como bem notaram os moralistas, mora na inconstância, na mistura e no desregramento e, por todo esse clima de hibridismo, Um homem e.seu pecado consegue criar essa atmosfera fáustica bastante característica de nossa cultura.

Inserido dentro de uma cena peculiar da cinematografia carioca, onde está acompanhado por nomes como André Sampaio, Cavi Borges, Christian Caselli e Guilherme Withaker, e, também, pelo saudoso Ricardo Miranda, Luís Alberto Rocha Melo aos poucos constrói uma obra coerente com um projeto de cinema autoral. Sem desejar ser santo, ainda assim encara a sétima arte como uma missão artística. Desse modo, vai permanecendo aqui na terra elaborando obras singulares e necessárias, à margem de “Deus”, amigado de Zé Pelintra, com quem bebe uma gelada nas horas vagas e, quem sabe, articula novos projetos futuros para o cinema brasileiro.

*Guiherme Sarmiento é professor Doutor em Análise Fílmica pelo Instituto de Letras da Universidade Federal da Bahia.