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Raimundo Rodriguez abre FIVE LIVE de Julho

Conversas ao vivo no Instagram @auroradecinema ganham impulso neste julho, que começa com o artista Raimundo Rodriguez e terá vários outros ao longo do mês

Ri e Gentileza

Raimundo Rodriguez é aquele artista magistral porque une talento, inteligência, disciplina e rebeldia para criar obra de arte. Cria maravilhas que encantam até o mais insensível dos mortais, e tudo parte de sua mania de colecionar e ressiginificar objetos.

Nestes difíceis dias de Quarentena forçada, que começaram em março, ele tem trabalhado sem cessar, ou seja: manteve a mesma rotina de sempre ou, por outra, aprofundou e multiplicou sua capacidade de trabalhar embelezando o mundo e dando novos sentidos ao usado, ao gasto, ao rechaçado, ao desprezado.

Cearense de Santa Quitéria, ele mora no Rio desde os 13 anos, e há décadas fixou residência numa bela casa da Baixada Fluminente, de onde não quer sair por nada. Ali mesmo construiu seu atelier, que há cerca de dois anos ganhou um espaço maior.

Raimundo Rodriguez diz que tem horror ao desperdício e que seu vício é o “Colecionismo”. E já que foi preciso ficar em isolamento por conta da pandemia, está criando a série de estêncil “Fique em casa mas em boa companhia”, que divulga em postagens diárias no Instagram e no Face.

ESTENCIL MACHADO

Machado de Assis é inspiração para a série de estêncil criada por Raimundo Rodriguez

A série é instigante: traduz uma homenagem do artista a ícones daArte e da Literatura Brasileiras, inspírações da vida inteira. Nomes como  Ariano Suassuna, Graciliano Ramos, Clarice Lispector, Bispo do Rosário, Machado de Asssis, Manoel de Barros, o conterrâneo Belchior, Carolina de Jesus e Garrincha estão na série. Nelson Sargento Grande Otelo e João do Valle serão alguns dos próximos a também ganhar versão em estêncil.

TVHITZ SÉRIE ESTENCIL, RAIMUNDO RODRIGUEZ - YouTube

 O ateliê de Raimundo Rodriguez na Baixada Fluminense.

Os insights de Raimundo para criar surgem de suas próprias vivências cotidianas. Colecionador obcecado, ele não joga nada fora e diz que “A arte contemporânea se mistura com a vida. Junto as coisas mais inúteis, sei que uma hora elas se encaixaram em algo. Quando dou um destino para esses objetos, me liberto”.

Raimundo Rodriguez recebe prêmio por sua atuação audiovisual ...

É como diz a pesquisadora Renata Gesomino, Doutora em História da Arte,

“As obras de Raimundo Rodriguez traduzem, desta maneira, um “fazer” primordial, juntamente com uma consciência espontânea de aproveitamento que se manifesta em meio a uma variedade caótica de elementos descartados, objetos errantes, recontextualizando-os e extraindo-os do vasto cenário urbano onde repousam os restos e as sobras do mundo. Esses idílicos fragmentos tornam-se atemporais. Serve para o artista toda matéria-prima que não sirva para mais ninguém”.

Raimundo Rodriguez chega ao horário nobre para enriquecer parceria ...

A cidade cenográfica da novela Meu pedacinho de chão é uma criação de Raimundo Rodriguez a partir de toneladas de lata e material reciclado…

* Para saber mais sobre Raimundo Rodriguez, acompanhe a FIVE LIVE do blog @auroradecinema que acontece hoje pelo INSTAGRAM, a partir das 17h.

Na programação das FIVE LIVE @auroradecinema deste JULHO que hoje começa, haverá conversas online com o roteirista e dramaturgo Alex Moletta, o ator/diretor e professor de Teatro,  Ricardo Guilherme, a atriz Teka Romualdo, o ator pernambucano Albert Tenório, o jornalista mineiro Luiz Felipe Falcão, os atores Tadeu Mello e José Araújo, e muitos outros.

 

Carpinejar: “Somos o que ficamos depois de sofrer”

Carpinejar questiona a supervalorização do celular nos ...

Poeta Carpinejar faz lives na quarentena e vai prosear com o #auroradecinema nesta quarta, 15 de abril…

 

Gostei do que ele escreve desde as primeiras frases que li. Era tão bonito e diferente, que fui procurar saber do autor. Fui encontrando outros textos, e descobri matérias de jornais e sites. E fui procurar outros textos, e encontrei, e gostei mais ainda. Até que cheguei às entrevistas, e um dia lá estava ele na tevê, no saudoso programa do qual a gente lembra com saudade porque não ia pra cama sem ele. Jô Soares entrevistou por mais de uma vez o poeta gaúcho de Caxias do Sul, filho do escritor Carlos Nejar (sobre quem meu pai costumava falar) e foi sempre ótimo: a poesia se derramava em respostas ágeis, inteligentes, espontâneas e sempre de mãos dadas com a transgressão. Seria impossível não empatizar.

Fabrício Carpinejar: o olhar de despedida é o mais bonito: o ...

Desde aquele 2000, nunca mais deixei de ler CARPINEJAR. E ele escreve coisas novas todos os dias. Adoráveis. Leio as novas, e revisito as antigas, cotidianamente. Nas manhãs de quarta, é possível ver o poeta no programa de Fátima Bernardes. Mas sua grandeza e eloquência são muito anteriores à presença na TV: ao contrário, a tevê é que o chamou para enriquecer suas manhãs.

Fabrício Carpinejar é um esteta da emoção. Impressiona-me sua capacidade de dizer tão bem sobre temas tão diversos e trazer sempre um frescor em sua poética tão singular. Interrogo-me sobre como é possível dizer e escrever com tanta maestria, e procuro, em vão, uma palavra capaz de traduzir a riqueza imagética, sensorial e emocional que habita suas crônicas diárias.

Fabrício Carpinejar: "Como eu amo quem se importa em amar, apesar ...

Difícil não sintonizar Carpinejar. O poeta gaúcho parece dotado de infinita capacidade de transformar tudo que escreve em metal precioso. Não raras vezes, arrepio ou choro lendo texto dele. Não canso de repetir isso, nem de ler o poeta, tampouco de aplaudir o que faz.

Os que o acompanham sabem, e são milhares: Carpinejar foi criança vista com limitado coeficente de atenção, sem condição de ser alfabetizado e frequentar uma escola. À mãe dele, recomendaram colocá-lo para estudar numa escola especializada em pessoas desprovidas de capacidade. Sim, aos 8 anos, o poeta foi “diagnosticado” com deficiência motora grave, incapaz de ter desenvolvimento motor sadio, normal, em contato com outras crianças.

Pois foi graças à sabedoria, dedicação e suprema ousadia e lucidez da poetisa Maria Carpi que a criança “descapacitada” transformou-se neste que é hoje o Mais Aplaudido Poeta Brasileiro Vivo, notável expressão da poesia nacional, com mais de 40 livros publicados, os maiores prêmios literários do país, programas de rádio, e milhares de seguidores em diversas redes sociais. Carpi já chegou ao teatro, divide parceira musical com a dupla Kleiton e Kledir, e faz semanalmente um consultório sentimental chamado “Procon do Amor”, no qual há espaço para desabafos e confissões de apaixonad@s, sobretudo do sexo masculino. É o poeta, mais uma vez, trilhando a contramão da normalidade e reafirmando o poder da transgressão e da livre profusão de caminhos.

Foi ela, a ousada e aguerrida Maria Carpi, sua mãe, que resolveu ensinar as letras que a escola não o julgava capaz de aprender: Maria assumiu a árdua e doce tarefa de alfabetizar o filho e conduzi-lo pelos caminhos das letras. Foi inventando versos, rascunhando tarefas – em dimensões que só o amor alcança, e lapidando modos para ensinar as letras que a escola formal não o julgava capaz de aprender -, que a mãe deu força, luz, fé, garra e confiança ao filho para chegar onde chegou. E o Poeta sabe bem disso. É de uma gratidão linda, comovente, profunda e constante à mãe. Como cabe ao tamanho de Poeta e Homem Iluminado que é Carpinejar.

Enquanto a escola da infância o taxava de ‘incapaz de estudar junto às crianças normais”, “incapaz de aprender como os outros”, “incapaz de ser alfabetizado com as mesmas regras das crianças normais”, o amor de mãe prosseguiu lhe ofertando amor, respeito, inteligência e dedicação, e assim foi lapidando o vigor intelectual e o redemoinho de emoções que o poeta espraia pela profícua obra que chegou ao público em 1998 com o primeiro livro, “Um terno de pássaros ao sul”.

25 melhores imagens de Carpinejar | Carpinejar frases, Pensamentos ...

Carpinejar acaba de disponibilizar na internet o audiobook de seu penúltimo mais recente livro (“Família é tudo” é o mais recente), “Cuide dos pais antes que seja tarde”, mais um best-seller da carreira, com mais de 40 mil cópias vendidas. Para fazer o download, basta acessar o site da Auti Books: queroacessar/autibookscom/vamosajudar e utilizar o cupom de desconto integral. A obra traz pequenas reflexões, sem títulos e sem divisão em capítulos, sobre o envelhecer em família: “É uma canção de ninar aos pais, um pedido de desculpas de um filho adulto tentando ser o filho possível”, diz o poeta.

Sobre o livro, diz ainda o poeta: “É a maturação do meu processo de ser um bom filho, porque tinha percebido que não estava sendo, que odiava meus pais, que não os conhecia e que eles eram estranhos íntimos. Os filhos acabam realizando uma omissão de socorro. Por outro lado, os pais não têm medo da morte, mas sim, da solidão. Querem ouvir do filho ‘estou aqui, pai, estou aqui, mãe’. Só não querem ir para o outro lado sem segurar a mão do filho”.

 

Carpinejar acredita que há uma recuperação desse mundo paterno e materno em que nem todos se enxergam e conta como nasceu a ideia do livro: “Só nos damos conta quando perdemos. Quando fui levar meu pai ao médico, ao preencher o prontuário percebi que não sabia nada dele. Se tinha alergia a alguma medicação, se tinha feito alguma cirurgia, quais remédios tomava, o tipo sanguíneo”. A partir daquele dia, percebeu que era filho mas não amigo do pai: “Ele me sabia de cor, mas eu não sabia ele de cor. Passamos a metade da vida fugindo deles e a outra procurando-os. Os pais não querem muito. Não querem nada nababesco, faraônico, querem que os filhos cheguem à casa deles de surpresa.”
Carpinejar destaca como gestos simbólicos, como um café da tarde com os pais, são importantes:
“Não nos damos conta do tempo que a gente pode devolver, só do que a gente quer consumir. Não temos a gratidão, e isso é o que mais falta hoje. Quem tem gratidão perdoa com mais facilidade. O único jeito de curar lembranças tristes não é ficando longe, é continuando a conviver, criando lembranças felizes”.

Ele, o Poeta, que encanta e atua em várias áreas, brilhante em todas elas – seja como jornalista, radialista, apresentador de TV, cronista televisivo, conselheiro sentimental, palestrante, poeta e escritor, merecedor de vários prêmios, no país e no exterior, aplaudido onde quer que vá -, anda fazendo lives nesta quarentena. Como não podia deixar de ser: nada mais semelhante a Carpi do que abrir trilhas para o contato com o leitor/seguidor, e sua imensa capacidade de renovação.

Pois quem participará de uma LIVE com o Poeta nesta quarta, 15 de abril, é esta que vos fala: foi com muita emoção que recebemos o convite do próprio poeta na semana passada. E de lá pra cá, estamos a reler Carpi e a nos mobilizar para recomeçar uma conversa com o poeta, ainda que virtual, mesmo que cada um na sua casa. Tudo bem: o tempo exige, a quarentena dita e nós fazemos nossa parte. Mesmo porquê, próximo ou distante, eu e Carpi estamos e estaremos sempre próximos em sentimento, emoção e palavras e empatia.

Carpinejar | Aurora de Cinema Blog

Poeta Carpinejar e jornalista Aurora Miranda Leão vão se encontrar em Live nesta quarta, 15 de abril, às 20h, pela rede social Instagram…

 

A você, amigo leitor, convidamos para conferir a LIVE Eu e Meu Leitor com o poeta Carpinejar conversando com a jornalista Aurora Miranda Leão: é nesta quarta, 15 de abril, às 20h, na conta dele do Instagram ou na nossa @auroradecinema.

Até lá !

Beto Falcão eleva emoção de Segundo Sol

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                     Novela tem cena com emoção típica de Último Capítulo

* Aurora Miranda Leão

         Segundo Sol é novela daquelas que Chegou, chegando. Tipo Celebridade, de Gilberto Braga, ou Jóia Rara, de Duca Rachid e Thelma Guedes. Desde a estreia, a novela nos evidenciou, com extrema vivacidade, a volta do melhor de João Emanuel Carneiro à narrativa teleaudiovisual.

      Quem acompanha novela, como esta redatora, ou quem conhece bem a dramaturgia de João Emanuel Carneiro, sabe: o autor se notabilizou por sua extrema competência em criar boas histórias. Mas tem mais do que isso: a capacidade singular do autor em criar ganchos, aquelas pausas ou interrupções que separam um capítulo de outro, suspendendo o suspense ou o desenrolar da cena num momento de muita emoção, para cativar o telespectador e fazer com que este retorne à telinha no horário combinado, dia seguinte.

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       Isso é uma característica primordial das telenovelas e esse aspecto não nos permite esquecer que foi assim que os romances-folhetins fizeram história no início do século XIX. A aceitação do público foi tamanha que os folhetins ganharam lugar cativo na imprensa, a partir da França, e se espalharam pelo mundo, sempre com extrema empatia popular. No Brasil, escritores famosos escreveram romances do gênero, especialmente para figurar nos rodapés das páginas dos jornais. E o êxito foi tanto que as vendas dos matutinos aumentaram e escritores chegaram a ser contratados para escrever especialmente para esse espaço dos jornais.

Autores como José de AlencarMachado de AssisManuel Antônio de AlmeidaLima Barreto e Joaquim Manuel de Macedo, por exemplo, criaram folhetins para publicação em jornais, os quais depois seriam editados em livros. O romance urbano A Moreninha, de Joaquim Manuel de Macedo, é considerado o exemplo de folhetim mais popular da história do Brasil, tendo feito sucesso em época na qual a maioria da população do país ainda era analfabeta.

Bom, mas essas informações, a título de introdução, são só para evidenciar que os ganchos são um fenômeno secular, que sempre teve como premissa conquistar leitores, amealhar seguidores e conquistar audiência. E nessa seara, quando chegamos à teledramaturgia, temos em João Emanuel Carneiro – autor de Da cor do pecado, Cobras e lagartos, A Favorita, Avenida Brasil, A regra do jogo, e Segundo sol, seu representante mais notório.

João Emanuel Carneiro é, apropriadamente, conhecido como o Rei do Gancho. E o codinome é mais que merecido, não só porque ele cria ganchos ótimos mas pela quantidade e qualidade dos ganchos que cria a cada capítulo. E mais além: os ganchos do autor acontecem também entre um bloco e outro de sequências, a cada intervalo. Ou seja: não é só de um capítulo para o outro que o telespectador fica vidrado esperando que rumo tomará o conflito da vez, e sim a cada pausa de bloco para entrar nos “reclames do plim plim”, como diria o incansável Faustão.

Daí, vem a excelência de João Emanuel: uma capacidade espetacular e incomparável de criar ganchos sem fazer a história voltar pra trás, sem criar inverossimilhanças, sem quebrar a diegese (coerência interna da história) e, sobretudo, sem tripudiar com a fidelidade do telespectador. Daí porque, quem assiste às novelas de João, vira fã e fica cativo da obra do dramaturgo, como esta que vos escreve.

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Karola, Remmy e Beto na cena fatídica que vitimou Beto e o marido de Luzia…

Um exemplo inconteste do que dizemos é a novela Segundo Sol, atração atual das 21h na Rede Globo. O que o autor tem emocionado seu público com a pertinência, beleza, eficácia e prodígio de sua narrativa não é coisa para se menosprezar, muito menos ignorar. Segundo Sol vai terminar sua trama como a novela mais bem realizada dos últimos 5 anos, pelo menos, e, oxalá, vai até bater a emblemática Avenida Brasil em termos de construção narrativa (aqui somando-se excelência do roteiro, dos diálogos, das estratégias argumentativas, dos conflitos, dos capítulos-chave, da sinergia perfeita com as músicas, da direção, atores, figurinos, fotografia).

Ou seja: tudo em Segundo Sol concorre para seu êxito. E, obviamente que, de Avenida Brasil pra cá, o autor viveu novas situações, aprimorou suas leituras, ouviu diversas narrativas, contabilizou novas histórias, e lapidou ainda mais sua aptidão para a escrita teleaudiovisual, assim como novos recursos tecnológicos apareceram e foram incorporados pela produção da emissora líder, fatos que contribuem, de forma inconteste, para a riqueza do constructo audiovisual que conferimos diariamente no horário nobre.

Acerca de tudo isso, vimos falando desde o início da novela em nosso instagram (@auroradecinema). Quem nos acompanha, já sabe de nossa imensa admiração por João Emanuel e de nossa adesão a Segundo Sol. O que queremos mesmo ressaltar neste post é o quão magnífico foi o capítulo desta quarta, 29 de agosto, no qual o ápice foi o novo julgamento de Luzia Batista, vivida com maestria por Giovanna Antonelli.

Toda a situação que envolve esse novo julgamento – incluindo a coragem de Luzia e de Beto de se submeterem ao tribunal sabendo dos grandes riscos que correm -, o drama e a apreensão dos filhos e da família dos dois, a dúvida sobre o depoimento da única testemunha (um senhor pobre e doente), anteriormente comprada, as ameaças de Laureta e Karola, a revelação da falsa morte do grande popstar do Axé -, tudo isso reveste o capítulo de uma dose emocional extra, com potência de último capítulo. Acresça-se ainda o grande show Tributo a Beto Falcão, que acontece em paralelo no centro histórico de Salvador para reverenciar a memória do ídolo morto. E quem organiza é a diretora-mor do fã clube de Beto, a despachada Goretti (Thalita Carauta em atuação excelente), namorada do irmão caçula do músico, que até fez música ‘psicografada’ pelo espírito do compositor Falcão.

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 O epicentro da cena do julgamento de Luzia foi Beto Falcão: com um texto pujante, de acentuado cunho ético, moral, social e amoroso, a cena foi de arrepiar ! Não bastassem as lindas palavras ditas por Beto, revelando toda a farsa em que se viu enrolado – as dificuldades que passou, os dias de coma, a separação drástica de Luzia, o afastamento dos filhos que esta teve de passar, o rompimento inesperado do relacionamento dos dois -, Beto anunciou, com toda veemência, que poderia ser preso ou sofrer qualquer tipo de punição mas estava ali prestando seu depoimento para salvar Luzia pois “ela é inocente e eu faço tudo isso para livrar Luzia da cadeia, porque ela é inocente, ela nunca teve culpa nenhuma pela morte do marido”.

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Emílio Dantas em interpretação magistral como o apaixonado e sofrido Beto/Miguel…

E, em nenhum momento, Beto acusou a verdadeira vilã, sua ex-mulher (e encosto permanente) Karola, nem o irmão cafajeste Remmy, nem a cafetina Laureta. Com a postura mais serena do mundo, e falando como quem extrai as sílabas do coração, Beto assumiu todas as culpas, pediu perdão aos pais, a toda a família, aos filhos de Luzia, aos fãs e, sobretudo, ao filho Valentim. E reiterou, diversas vezes, que Luzia é inocente e que a ama, e ama desde sempre. Desde quando a conheceu na ilha de Boiporã.

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Giovanna Antonelli, Chay Suede, Luisa Arraes e Emílio Dantas na fictícia Boiporã…

No tribunal, assistindo a tudo calados e extremamente comovidos, os enteados Icaro e Manuela, o filho Valentim, a futura cunhada Cacau, Groa (o amigo islandês de Luzia), e as vilãs Laureta e Karola. Uma cena lindamente construída, emoção de alta magnitude, com capacidade para fazer rir e chorar de empatia, em volume máximo. Emílio Dantas em atuação estupenda ! Aliás, o ator atua com tamanha espontaneidade que já virou Beto Falcão, dentro e fora da narrativa. Porque a gente simplesmente esquece que ele é Emílio (tal sua transformação), e só o vê como Beto Falcão, o autor da famosa Axé Pelô. Aplausos de pé para o Ator !!!

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Emílio Dantas e Danilo Mesquita em bela parceria no horário nobre…

A cena era apenas mais uma,  fruto da vocação extraordinária de João Emanuel de escrever belos textos, situações comoventes e diálogos preciosos. Que são enriquecidos pela competência de Maria de Médicis e a equipe de diretores que ela coordena com eficácia, e integram o núcleo do não menos competente Dennis Carvalho. Mas acabou tornando-se A Cena !

lau post meu - Cópia

A fala de Laureta após ouvir Beto defendendo Luzia em discurso emocionante…

Portanto, assistimos todos a um capítulo com potencial para ser o grandioso Último Capítulo. Mas o autor sabe tanto que tem muito mais para oferecer a seu telespectador, que não hesita em fazer de cada capítulo de Segundo Sol uma página de ouro a figurar na literacia dramática da ficção seriada televisiva.

                 Nota DEZ com louvor ! 

                Viva, Segundo Sol ! E Parabéns a toda a equipe de atores, atrizes e profissionais notáveis que fazem desta a melhor telenovela dos últimos anos no horário nobre !

equipe SS

Emílio Dantas, Gio Antonnelli, Fabrício Boliveira, a diretora Maria de Médicis, Deborah Secco, Vladimir Brichta e Adriana Esteves na coletiva de lançamento da novela.

 

SEGUNDO SOL: Trama reafirma excelência dramatúrgica de João Emanuel Carneiro

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Adriana Esteves (em cena com Narcival Rubens) faz a poderosa Laureta, ‘rainha da Armação’…

Sem mimimi nem quaquaquá, novela das 9 é exemplo que dignifica Teledramaturgia

                                                                                             *Aurora Miranda Leão

luisa

                                    Luísa Arraes e Giovanna Antonelli são filha e mãe

         Há muito, a telenovela Segundo Sol está merecendo de nós um rasgado elogio público.

            Desde sua estreia, a trama de João Emanuel Carneiro (dirigida por Maria Di Médicis e Dennis Carvalho) nos chama atenção pela excelência: seja do texto, do discurso, das imagens, da fotografia, ou das atuações. Tudo em Segundo Sol (SS) destaca-se pela qualidade. E temos ressaltado isso desde a estreia da novela do horário nobre em nosso instagram @auroradecinema.

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Roberto Bonfim e Kelzy Ecard engrandecem seus personagens !

            É de tal modo pujante a narrativa de Segundo Sol que já podemos afirmar: a novela é uma outra Avenida Brasil (AB), Melhor e com maior capilaridade. Nisso não há comparação de valor artístico das obras mas a constatação de que tudo o que era/é excelente em Avenida, nesta atual o é igualmente. Com a vantagem, para Segundo Sol, de novos progressos tecnológicos, muito mais chão na trilha literária do autor, novos recursos imagéticos, maior sintonia entre ficção e realidade; técnicos com competências ainda mais aguçadas (afinal, de lá pra cá, foram alguns anos apreendendo novos formatos para destacar o mais relevante de cada cena), e um telespectador muito mais exigente.

            Certo é que Segundo Sol é uma obra que impressiona pela qualidade de sua narrativa ! Chega a ser surpreendente a capacidade de João Emanuel Carneiro de lançar toda noite para a audiência um novo novelo para tecer – e que a gente pensa que levará alguns dias para o bordado ser concluído) -, até que, de repente, o novo desenho se apresenta e ele já oferece outro, de bandeja, para nós que acompanhamos a obra com afinco.

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Chay Sued e Adriana Esteves em atuações primorosas !

           Fico do lado de cá da poltrona a aplaudir essa ousadia notável do escritor, como quem se joga do alto do despenhadeiro, sem rede de proteção, e ainda diz: “pode olhar, que não vou morrer !” Ou seja: pode curtir, telespectador, que a trama não vai parar de surpreender ! Muito ao contrário: quanto mais situações novas o autor coloca, mais e mais surpresas ele oferece ao público, sem medo de estancar o motor !

nanda

Nanda Costa e Letícia Colin vivendo mulheres poderosas !

          Isso nos leva a lembrar o acertado codinome de João Emanuel Carneiro: o autor é sim, sem nenhum favor, o Rei do Gancho ! E como é prazeroso acompanhar uma novela dele.

Aliás, depois que você assiste a uma novela de Joõa Emanuel Carneiro, com a atenção necessária (sem perder um capítulo), nunca mais você precisa perguntar se tal ou qual novela é boa. Porque as novelas de João Emanuel são paradigmáticas: todas as tramas dele são notáveis, o que vem num crescendo indubitável desde A Favorita.

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Boliveira e Fabíula Nascimento fazem um casal muito enrolado…

             Outrossim, em Segundo Sol, o texto primoroso de João Emanuel Carneiro (que tem Márcia Prattes como parceira na redação) ganha relevo com a atuação magnânima do elenco – com destaque para Adriana Esteves, Vladimir Brichta, Letícia Colin, Chay Sued, Deborah Secco, Luísa Arres, Fabrício Boliveira, Cláudia Di Moura, Fabíula Nascimento, Emílio Dantas, Nanda Costa, Roberto Bonfim– e a profícua parceria de Maria Di Médicis e Dennis Carvalho na direção. Tudo junto e misturado, ressaltamos que daí decorrem todos os demais acertos da obra, da escolha das músicas à fotografia notável (a Bahia nunca vista de forma tão linda na telinha), passando pelos figurinos adequados e culminando com o sotaque espetacular que ouvimos através dos que traduzem em áudio as palavras de João Emanuel e Márcia Prates.

Zefa

Fabrício Boliveira e Cláudia Di Moura em atuações magnânimas !

Aliás, é mister sublinhar a enorme repercussão da novela nas redes sociais, nas quais há diversos twittes e contas no Instagram dedicadas aos personagens de maior sintonia com o público. Nesse viés, ressaltamos a emblemática atuação de Letícia Colin – que é, ressalvando as diferenças de caráter e atitude, a Carminha desta novela (no sentido de empatia da personagem); Chay Sued e Vladimir Brichta, os grandes destaques masculinos (como em AB foram Murilo Benício e Juliano Cazarré); Giovanna Lancelotti (atuação tão exponencial quanto o foi a de Isis Valverde em AB), e Cláudia Di Moura, que se destaca pelo magnetismo de sua atuação – tal como em AB tivemos a estreante Cacau Protásio se sobressaindo, embora a personagem Zefa tenha como pilar uma densidade dramática que não havia em Zezé, a qual a atriz assume com a maior competência.

rosa

Letícia Colin e Chay Sued imprimem selo de Grandes Intérpretes a Rosa e Icaro.

   Um 10 GIGANTE para Segundo Sol, sobre a qual ainda pretendemos escrever vários outros artigos, pois motivos não faltam, e sobram percepções pelas quais a obra deve ser analisada. Além disso, evidências de que o enredo é forte candidato ao Emmy, e vários outros prêmios, desfilam na nossa telinha diariamente.

            O tema é palpitante demais. Retornaremos a Segundo Sol em breve.

Drica e Lê

Rosa e Laureta: protagonismo feminino traduzido em grandes personagens, vividas por duas atrizes soberbas !