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LG Miranda Leão ressalta legado de cineasta japonês

 A arte de Akira Kurosawa

Há treze anos saía de cena o pintor, roteirista e diretor cinematográfico japonês Akira Kurosawa (1910-98), aclamado “auteur” de algumas obras-mestras do cinema. Percorrer-lhe o universo de criação, a poética de suas imagens, eis o motivo central deste comentário.

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Akira Kurosawa aos 70 anos, quando dirigia “Kagemusha, A Sombra do Samurai” (1980)    ACERVO L.G. Miranda Leão

Como santo de casa não faz milagre, no dizer do velho adágio popular, Kurosawa, apesar de universalmente admirado, era menosprezado em sua terra e considerado por muitos um “regisseur” de segunda linha, quando se deve a ele, na realidade, a descoberta de um cinema japonês no exterior, graças ao pleno êxito artístico de filmes como “Rashomon” (1950), “Os 7 Samurais” (1954), “Trono Manchado de Sangue” (1957), “Dersu Uzala” (1975) e “Ran” (1985).

Magoado e deprimido por isso, Kurosawa chegou a tentar o suicídio em 1970, quando lhe negaram recursos financeiros para filmar dois roteiros de “Sonhos” e “Kagemusha”, já prontos. Salvaram-no seus admiradores americanos Steven Spielberg, Francis Coppola e Martin Scorsese, os quais o ajudaram a conseguir os dólares necessários para a concretização desses projetos.

Os Primeiros Tempos

As enciclopédias registram o nascimento de AK em 23 de março de 1910 em Omori, distrito de Tóquio. O mais velho de sete filhos de um veterano oficial do exército, AK mostrou desde cedo um talento invulgar para a pintura e aos 17 anos matriculou-se numa escola de artes plásticas, onde se valorizavam os estilos ocidentais. Foi quando se iniciou como pintor. Sem conseguir sustentar-se como artista, resolveu atender em 1936 ao anúncio de um estúdio cinematográfico nipônico no qual se recrutavam e treinavam assistentes de produção e direção, bem como de outras funções. Submetido a vários testes e neles aprovado, cumpriu estágio nos “sets” de filmagem e foi designado assistente de Kajiro Yamamoto (1902-74), realizador de quase trinta filmes de 1924 a 1967 e o responsável por “Horse” (1941), com o qual influenciou decisivamente o movimento documentário japonês. AK considerava Yamamoto seu mestre em matéria de 7° Arte.

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Toshiro Mifune um dos atores preferidos de AK, aqui em cena de Rashomon

Para F. Klein e R.D. Nolan, a contribuição mais importante de Yamamoto foi ter sido professor e mentor de Kurosawa. Já em 1941, AK estava redigindo “scripts” e dirigindo seqüências inteiras dos filmes de Yamamoto, enquanto crescia sua admiração pela arte das imagens em movimento e revia clássicos do cinema mudo: do expressionismo alemão aos experimentos russos na montagem, dos cinemas americanos, sueco, italiano e inglês aos filmes franceses e Germânicos da década de 30. Assim, estreou no longa com “Sugata Sanshiro” (1943), seguindo-se-lhe “Yoko Yaguchi” (1944), “Zoku Sugata Sanshiro” e “Os Homens que Pisaram na Calda do Tigre” (ambos de 1945), quando logo se revelou como técnico altamente habilidoso e desafiador “com olho vivo para a criação de belas imagens e aptidão na economia de meios para expressar-se”.

Na II Guerra

O traiçoeiro ataque japonês a Pearl Harbor em 07 dez 41 marcou a entrada do Japão na II Guerra e isso freou de certa forma o crescimento profissional de Kurosawa. Hoje, seja-nos permitido breve parêntese, há informações segundo as quais o Almirante Isoruku Yamamoto (1884-1943), um dos grandes estrategistas militares do século XX, ex-aluno na Universidade de Harvard e ex-attaché militar em Washington, era contra a guerra com os EUA, pois o Japão iria despertar um gigante adormecido. Ironicamente foi ele quem recebeu as ordens para planejar o ataque e paralisar a frota americana no Pacífico… Abatido em 1943 numa emboscada por aviões P-38, quando fazia um vôo de inspeção sobre as Ilhas Solomon (os americanos haviam decifrado o código secreto japonês algum tempo antes), sua perda foi considerada como equivalente à vitória numa batalha…

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Um dos esboços do mestre japonês, pintor de expressão, para seu filme Sonhos (1990)

Com a guerra, AK teve de conformar-se em filmar temas prescritos pela propaganda oficial do Estado. Daí o motivo pelo qual o jovem diretor se obrigou a concentrar-se no aperfeiçoamento técnico do seu trabalho, tanto de roteirista como de artesão de primeira linha. AK só entrou na fase madura e pessoalmente mais expressiva de sua carreira no pós-guerra, quando dirigiu “Asu o Tsukuru Hirobito” (1946), “Subarashiki” (1947) e “O Anjo Embriagado” (1948). Este marcou coincidentemente a primeira de 12 colaborações com o ator Toshiro Mifune, protagonista de boa parte de suas realizações. “Neste filme”, disse AK, “finalmente me encontrei”. Daqui em diante o mestre japonês afirmou cada vez mais sua independência criativa, eventualmente assumindo controle completo sobre o conteúdo e a forma de suas produções. Como não dispomos dos títulos em português de vários filmes nipônicos, mantivemos no alfabeto latino os originais recebidos.

Para a maioria dos críticos europeus e americanos como Kline & Nolan, AK é o cineasta de todos os gêneros, de todos os períodos e de todos os lugares, conectando em seus filmes o velho e o novo, as culturas do leste e do oeste. Como diria depois seu ex-professor Kajiro Yamamoto, “os dramas de época de AK têm significação contemporânea e seus temas modernos se caracterizam por uma compaixão pelos seus personagens, um humanismo profundo capaz de mitigar a violência com a qual ele os cerca com freqüência e uma preocupação aguda pelas ambigüidades da existência humana”.

L.G. DE MIRANDA LEÃO
* Redator exclusivo


FRASES

“O cinema de Kurosawa impressiona não apenas o espectador, mas também o crítico pelo senso do trágico demonstrado pelo realizador e pela perfeita interação entre o olho do pintor e a sensibilidade de um poeta. Com isso, Kurosawa faz do cinema aquilo que ele essencialmente é: um espetáculo de imagens em movimento e muita coisa a dizer com elas”.

François Truffaut, in Arts (entretien), Paris, 1963

“Neste grande autor de filmes a violência intervém muitas vezes, sempre como manifestação de cólera e de revolta contra as injustiças sociais de ontem e de hoje: este humanista põe ao serviço de um ideal o seu sentido plástico, a direção de atores, a mise-en-scène bem acabada e a montagem rigorosa”.

– Georges Sadoul, in Dicionário dos cineastas, Coleção Horizonte de Cinema, 1977

WALTER SALLES: Homenagem na Califórnia

 

Walter Salles recebe amanhã, 29, o Director’s Award do San Francisco Film Festival, outorgado anualmente a um diretor pelo conjunto da sua obra. No passado, cineastas como Akira Kurosawa, Francis Ford Coppola, Martin Scorsese e Gus Van Sant receberam a homenagem. 

Antes da premiação, Walter Salles participa de uma conversa no palco com o diretor mexicano Alejandro Iñárritu. Em seguida, o prêmio será entregue por Roman Coppola.

Na mesma noite, Walter Salles mostrará trechos do documentário que está preparando sobre Jack Kerouac e seu livro On the Road. O San Francisco Film Festival também homenageará este ano o ator Robert Duvall e o roteirista e distribuidor James Schamus

Walter Salles com Daniela Thomas e os atores de LINHA DE PASSE: mais uma homenagem internacional

Na sexta, 30 de abril, Walter Salles dará um Master Class para estudantes de cinema e apresentará seu mais recente longa, o belo e premiado Linha de Passe em Berkeley, Califórnia.

VIVA WALTER SALLES !, Cineasta que cativa pela generosidade, doçura e elegância, e encanta pelas belas obras

Kurosawa no Moreira Salles

Cineasta Akira Kurosawa completaria 100 anos de vida no próximo dia 23 de março. Em homenagem à data, o Instituto Moreira Salles do Rio de Janeiro realizará uma mostra dos filmes do renomado diretor, entre 19 deste e 9 de abril.

A Mostra reunirá 22 títulos de Kurosawa.

Mostra Akira Kurosawa

De 19 de março a 9 de abril

Instituto Moreira Salles – Rio de Janeiro (Rua Marquês de São Vicente, 476, Gávea)

Informações: 21 3284-7400

Ingressos: R$ 10 (com direito a meia-entrada)

Programação

Sexta, 19 de março

16h – Yojimbo, de Akira Kurosawa (Japão, 1961, 110 min, digital, 16 anos)

20h – Sanjuro, de Akira Kurosawa (Japão, 1962, 96 min, digital, 12 anos)

Sábado, 20 de março

14h – Dersu Uzala, de Akira Kurosawa (Japão/ Rússia, 1975, 144 min, digital, 12 anos)

19h – Japão, uma viagem no tempo: Kurosawa, pintor de imagens, de Walter Salles (Brasil, 1986, 60 min, digital, livre)

20h – Anjo embriagado, de Akira Kurosawa (Japão, 1948, 98 min, digital, 14 anos)

Domingo, 21 de março

16h30 – Os homens que pisaram na cauda do tigre, de Akira Kurosawa (Japão, 1944, 60 min, digital, 12 anos)

20h – Yojimbo, de Akira Kurosawa (Japão, 1961, 110 min, digital, 16 anos)

Terça, 23 de março

14h – Escândalo, de Akira Kurosawa (Japão, 1950, 104 min, digital, 14 anos)

16h – O idiota, de Akira Kurosawa (Japão, 1951, 166 min, digital, 16 anos)

19h – Japão, uma viagem no tempo: Kurosawa, pintor de imagens, de Walter Salles (Brasil, 1986, 60 min, digital, livre)

20h – Rashomon, de Akira Kurosawa (Japão, 1950, 88 min, digital, 16 anos)

Quarta, 24 de março

14h – Cão danado, de Akira Kurosawa (Japão, 1949, 122 min, digital, 12 anos)

16h15 – Anjo embriagado, de Akira Kurosawa (Japão, 1948, 98 min, digital, 14 anos)

18h – Duelo silencioso, de Akira Kurosawa (Japão, 1949, 95 min, digital, 16 anos)

20h – Sonhos, de Akira Kurosawa (Japão, 1990, 119 min, digital, 12 anos)

Quinta, 25 de março

14h – Escândalo, de Akira Kurosawa (Japão, 1950, 104 min, digital, 14 anos)

16h – Céu e inferno, de Akira Kurosawa (Japão, 1963, 143 min, digital, 14 anos)

20h – Trono manchado de sangue, de Akira Kurosawa (Japão, 1957, 110 min, digital, 16 anos)

Sexta, 26 de março

14h – Homem mau dorme bem, de Akira Kurosawa ( Japão, 1960, 151 min, digital, 12 anos)

16h30 – Dersu Uzala, de Akira Kurosawa (Japão/ Rússia, 1975, 144 min, digital, 12 anos)

19h – Japão, uma viagem no tempo: Kurosawa, pintor de imagens, de Walter Salles (Brasil, 1986, 60 min, digital, livre) – Sessão seguida de debate com Walter Salles.

Sábado, 27 de março

14h – Kagemusha, de Akira Kurosawa (Japão, 1980, 180 min, digital, 12 anos)

17h30 – Rashomon, de Akira Kurosawa (Japão, 1950, 88 min, digital, 16 anos)

20h – Sonhos, de Akira Kurosawa (Japão, 1990, 119 min, digital, 12 anos)

Domingo, 28 de março

14h – Dersu Uzala, de Akira Kurosawa (Japão/ Rússia, 1975, 144 min, digital, 12 anos)

16h30 – Os sete samurais, de Akira Kurosawa (Japão, 1954, 200 min, digital, 10 anos)

20h – Trono manchado de sangue, de Akira Kurosawa (Japão, 1957, 110 min, digital, 16 anos)

Quarta, 31 de março

14h – Homem mau dorme bem, de Akira Kurosawa ( Japão, 1960, 151 min, digital, 12 anos)

17h – Kagemusha, de Akira Kurosawa (Japão, 1980, 180 min, digital, 12 anos)

20h – Não lamento minha juventude, de Akira Kurosawa (Japão, 1946, 110 min, digital, 14 anos)

Quinta, 1 de abril

14h – Viver, de Akira Kurosawa (Japão, 1952, 143 min, digital, 12 anos)

16h30 – Ran, de Akira Kurosawa (Japão, 1985, 162 min, digital, 16 anos)

20h – Japão, uma viagem no tempo: Kurosawa, pintor de imagens, de Walter Salles (Brasil, 1986, 60 min, digital, livre); A.K. Retrato de Akira Kurosawa, de Chris Marker (França, 1985, 75 min, digital com legendas eletrônicas, livre)

Sexta, 2 de abril

14h – Yojimbo, de Akira Kurosawa (Japão, 1961, 110 min, digital, 16 anos)

16h – Sanjuro, de Akira Kurosawa (Japão, 1962, 96 min, digital, 12 anos)

18h – Trono manchado de sangue, de Akira Kurosawa (Japão, 1957, 110 min, digital, 16 anos)

20h – Cão danado, de Akira Kurosawa (Japão, 1949, 122 min, digital, 12 anos)

Sábado, 3 de abril

14h – A fortaleza escondida, de Akira Kurosawa (Japão, 1958, 139 min, digital, 14 anos)

16h30 – Céu e inferno, de Akira Kurosawa (Japão, 1963, 143 min, digital, 14 anos)

19h – Os sete samurais, de Akira Kurosawa (Japão, 1954, 200 min, digital, 10 anos)

Domingo, 4 de abril

14h – Ran, de Akira Kurosawa (Japão, 1985, 162 min, digital, 16 anos)

16h30 – Madadayo, de Akira Kurosawa (Japão, 1993, 134 min, digital, 12 anos)

19h – Kagemusha, de Akira Kurosawa (Japão, 1980, 180 min, digital, 12 anos)

Terça, 6 de abril

14h – Viver, de Akira Kurosawa (Japão, 1952, 143 min, digital, 12 anos)

17h – A fortaleza escondida, de Akira Kurosawa (Japão, 1958, 139 min, digital, 14 anos)

20h – Não lamento minha juventude, de Akira Kurosawa (Japão, 1946, 110 min, digital, 14 anos)

Quarta, 7 de abril

14h – Homem mau dorme bem, de Akira Kurosawa ( Japão, 1960, 151 min, digital, 12 anos)

17h – Os sete samurais, de Akira Kurosawa (Japão, 1954, 200 min, digital, 10 anos) – Sessão seguida de debate com João Luiz Vieira

Quinta, 8 de abril

14h – Madadayo, de Akira Kurosawa (Japão, 1993, 134 min, digital, 12 anos)

17h – A fortaleza escondida, de Akira Kurosawa (Japão, 1958, 139 min, digital, 14 anos)

20h – Trono manchado de sangue, de Akira Kurosawa (Japão, 1957, 110 min, digital, 16 anos)

Sexta, 9 de abril

14h – Cão danado, de Akira Kurosawa (Japão, 1949, 122 min, digital, 12 anos)

16h – Duelo silencioso, de Akira Kurosawa (Japão, 1949, 95 min, digital, 16 anos)

18h – Escândalo, de Akira Kurosawa (Japão, 1950, 104 min, digital, 14 anos)

20h – Rashomon, de Akira Kurosawa (Japão 1950. 88′)