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CHORANDO pelo RIO…

HÁ 44 ANOS, CIDADE MARAVILHOSA NÃO VIA TANTA ÁGUA

A chuva que atinge o Rio de Janeiro pelo segundo dia seguido nesta terça-feira deixou ao menos 93 mortos no Estado, informou o Corpo de Bombeiros. Por volta das 16h42, segundo a agencia meteorológica Climatempo, voltou a chover na cidade. De acordo com a corporação, o número de mortos pode aumentar porque diversos corpos ainda estão sendo contabilizados em Niterói.

“Há pessoas soterradas e desaparecidas. O Corpo de Bombeiros está revirando terras e escombros em muitos locais e o trabalho é árduo. Como voltou a chover, estamos abrindo nossos frontes de trabalho”, disse o sargento Lúcio, do Corpo de Bombeiros. O número de feridos é de ao menos 44.

A maioria das mortes, 40, aconteceu em Niterói, no Grande Rio, disseram os Bombeiros. Segundo a corporação, na capital houve 36 vítimas fatais. Outras cidades afetadas foram São Gonçalo e Nilópolis.

No morro do Borel, na Tijuca, a bebê Ana Marcele Barbosa, de cinco meses, uma jovem de 16 anos e Francisca Bezerra de Souza, 60 anos, morreram soterradas no desabamento da casa em que estavam. Outras 12 pessoas ficaram feridas.

No morro dos Macacos, em Vila Isabel, foram cinco vítimas fatais, todas de uma mesma família que morava na rua Senador Nabuco. Um deslizamento de terra causou mais cinco óbitos no Morro do Andaraí e outros três no Morro do Turano, ambos na zona norte. A tragédia também fez uma vítima no bairro de Jacarepaguá, na zona oeste.

A Defesa Civil contabilizou 12 mortos e 15 feridos no Morro dos Prazeres, em Santa Teresa. O caos também se abateu sobre a Região Metropolitana. A prefeitura de Niterói informou que as mortes no município em decorrência do temporal já somam 14 pessoas. Em São Gonçalo, o número chega a nove. Segundo os bombeiros, muitos corpos ainda estão desaparecidos. Nilópolis, na Baixada Fluminense, registrou uma vítima. Em Petrópolis, na Região Serrana, houve a notificação de uma pessoa morta.

Na capital fluminense, as aulas foram canceladas e a população foi orientada a permanecer em casa e deixar áreas de risco. Foram registrados pelo menos 180 deslizamentos e há ainda muitos desaparecidos.

“A situação é crítica. São vias muito alagadas e paradas. A orientação para as pessoas é que não saiam de casa e evitem deslocamentos”, disse por telefone o prefeito Eduardo Paes (PMDB), na manhã desta terça.

Em uma entrevista coletiva posterior, o prefeito informou que em menos de 24 horas choveu em média 288 mm na cidade, e que havia pelo menos 10 mil residências em locais de risco, principalmente em morros e favelas. “É a maior chuva das grandes tragédias da história do Rio de Janeiro”, disse.

De acordo com o instituto de meteorologia Climatempo, num período de 12 horas entre segunda e terça-feira choveu o que estava previsto para todo o mês de abril.

Alagamentos

A Lagoa Rodrigo de Freitas, na zona sul, transbordou e inundou as pistas em seu entorno. A Praça da Bandeira, na região central, alagou logo no início do temporal na segunda-feira e diversos carros que estavam no local ou que tentavam cruzar a região ficaram submersos, muitos foram abandonados.

Prédio ameaça desabar

Um prédio de quatro andares na estrada do Rio Jequiá, na Ilha do Governador, corre risco de desabar. Bombeiros de várias unidades foram deslocados para o local.

Prefeito recomenda: NÃO SAIAM DE CASA

Em comunicado, o prefeito Eduardo Paes pediu que a população evite os grandes deslocamentos de pela cidade, principalmente em direção ao centro.

“A situação é de caos. Todas as vias estão interrompidas e é um risco enorme para quem tentar sair de casa. Não saiam de casa, não levem seu filho à escola até que possamos avaliar melhor a situação e alterar a orientação. Ainda chove muito. Se preservem e tomem muito cuidado, principalmente as pessoas que moram em áreas de risco. A situação é muito crítica”, disse o prefeito.

MAIS CHUVA…

Segundo a Climatempo, a chuva ainda deve atingir o Rio. Uma forte frente fria avança pelo Sudeste do Brasil e o intenso contraste térmico entre o ar polar e o ar quente tropical mantém as condições de chuva constante. Além disso, a temperatura superficial das águas do Atlântico, perto do litoral fluminense, está cerca de 2°C acima do normal.

Em menos de 12 horas foram acumulados, em algumas áreas da cidade, cerca de 300 mm de chuva. No geral o volume acumulado variou entre 150 e 300 mm. O volume normal para todo o mês de abril é de cerca de 140 mm. Ainda chove de forma constante ao longo do dia de hoje, totalizando pelo menos cerca de 70 mm nesta terça-feira. Além disso, o mar sobe muito nas próximas 24-36 horas. Há previsão de ressaca entre esta quarta e quinta-feira.

Aeroportos

O aeroporto Santos Dumont ficou fechado para pousos e decolagens durante três horas na manhã desta terça-feira. O terminal alternou períodos de funcionamento e suspensão das atividades. Às 16h, o boletim da Empresa Brasileira de Infraestrutura Aeroportuária (Infraero) registrava 28 atrasos (27,5%) e 68 cancelamentos (66,7%).

Ainda de acordo com a Infraero, o Galeão, que operou por instrumentos durante o dia, também tinha problemas, com 38 dos 78 voos atrasados (48,7%) às 16h.

Transporte

A Secretaria de Transportes informou que a operação do metrô continua normal na tarde desta terça-feira com intervalos de 6 minutos nas linhas 1 e 2. Os trens operados pela SuperVia também circulam regularmente em todos os ramais, inclusive na linha para Saracuruna, normalizada às 15h30.

Para quem utiliza as barcas, a volta para casa também está garantida. Os intervalos na travessia Rio-Niterói são de 30 minutos. Por determinação da Capitania dos Portos, e em função da baixa visibilidade no mar, as embarcações estão operando com velocidade reduzida e auxílio de instrumentos. A linha Rio-Charitas continua interrompida em função da previsão de ondas de até 3 m. As viagens para Cocotá a partir do Rio serão retomadas a partir das 17h.

Aulas suspensas

A Secretaria de Educação do Rio anunciou que os estabelecimentos de ensino da rede municipal devem suspender as aulas nesta terça-feira. A decisão se deve aos alagamentos causados pelo temporal de 13 horas que atingiu a cidade. A informação é da Globo News.

Ministério Público fechado

O Ministério Público (MP) suspendeu as atividades em todo o Estado devido à forte chuva que atinge o Rio de Janeiro.