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LG Analisa Cinema Alemão

Runze completa 85 anos de batente

Cineasta germânico dos melhores, mas pouco conhecido dos cinéfilos, tão raro ver celulóides alemães por estas plagas, Ottokar Runze completou neste 2011 nada menos de 85 anos bem vividos, tempo durante o qual atuou como realizador e também como escritor cinematográfico, ator e produtor de filmes tanto para a telona como para a TV!. Mestre da concisão e do preciso, cônscio da importância dos signos visuais, mormente daqueles sugestivos de algo subjacente ou prestes a acontecer, Runze lega para os amantes da 7ª Arte um registro de 18 filmes de categoria (v. filmografia mais adiante) recomendáveis para o cinéfilo atento e, naturalmente, para quem estuda cinema e conseguiu ver pelo menos alguns dos seus filmes.Assim, pareceu-nos bastante justo este preito a Runze, pois nem todos os cineastas chegam aos 85 anos com saúde e disposição para trabalhar – e muito – por trás das câmaras e orientar os jovens iniciantes sobre como aproveitar a experiência e as lições de mestres como Schirk, Weingarter, Schwenke e vários outros, máxime no tocante à sempre difícil transformação de uma obra literária em representação cinematográfica. A noção segundo a qual as ações de um filme oscilam entre a continuidade e o intervalo também não pode ser esquecida por quem se inicia na carreira diretorial ou quer aventurar-se na crítica.

Ponto de partida

Nascido em Berlim em 1925/26, Runze começou sua carreira aos 23 anos como ator, mas já aos 26 foi “manager” de um dos teatros de vanguarda atuantes em Berlim, Munique e Hamburg, quando assumiu a TV Aurora. Também atuou no “Deutsches Theater” e de 1956 em diante dirigiu o prestigiado “British Center´s Berlin Theater”. Foi “free lance” até 1968, quando começou a produzir pequenos filmes independentes. Seu primeiro grande sucesso como diretor foi com “Der Lord von Barmbeck” (1973) pelo qual ganhou seu primeiro Prêmio de Cinema concedido pelo Governo Federal. Precederam-no “Viola e Sebastian” (Viola und Sebastian, 1972) e “O Dinheiro Está no Banco” (Das Geld Liegt auf der Bank, 1971), este feito para a TV. Seus filmes, assim como boa parte da sua atuação no “script”/direção, focalizaram o drama criminal, os erros judiciais, a questão da culpa e da pena, e também as falhas do sistema prisional e da nossa visão dos criminosos e de como os tratamos, conforme registra Sandra Brennan, biógrafa de Runze. Como escritor de “teleplays” e realizador, Runze muito contribuiu, segundo Sandra, para o salto qualitativo da TV alemã, uma das melhores da Europa.Quanto ao mais, é preciso não esquecer as lições deixadas pelos cobras do cinema alemão no tocante à adaptação de textos literários para as telas dos cinemas. Poucos fizeram tão bem, daí o motivo pelo qual vale a pena revê-los em DVD, se for possível conseguir os filmes dessa plêiade à frente da qual estão Runze, Farberbock, Müller, Kluge, Tykwer, Schlondorff, Herzog, Monk, Staudte, Baier, Richter, Hirschbiegel, Becker e tantos outros.

 Conceito

“Da retrospectiva do novo cinema alemão destaco particularmente ´O Vulcão´ (Der Vulkan, 1999), ´O Estandarte´ (Die Standarte, 1977), ´O Assassinato´ (Der Mörder, 1979), todos de Ottokar Runze e, naturalmente, ´Inquérito´ (Aufrage, 1962), ´Um Dia´ (Ein Tag, 1967) e ´Os Irmãos Oppermann´ (Die Geschwister Oppermann, 1983), estes de Egon Monk, de categoria ímpar”. (Eberhard Fechner, transcrito do “Deustsche Zeitung”, 1999).

Rumo ao cinema

Findas as experiências ganhas por Runze depois de assumir a Televisão Aurora em 1972, e também o sucesso conquistado por ele como diretor cinematográfico em 1973, pode-se incluir a seu favor o rico aprendizado decorrente do trabalho persistente com os atores e as discussões com os autores, um tanto difíceis, a maioria delas concernente a problemas de iluminação, desenho, adequação de cenários. Tanto o “regisseur” de cinema como o de teatro enfrentam às vezes dificuldades outras nos bastidores, mas Runze logrou resolvê-las. Ele também trabalhou como técnico incumbido da dublagem de filmes estrangeiros para o idioma alemão, e veio daí sua aproximação com a magia do cinema e o interesse em aprofundar-se nos meandros da arte do século. Foi quando Runze começou a fazer seus próprios filmes experimentais e penetrar no mundo de possibilidades ensejadas pela arte das imagens em movimento.

Essa ambiência cinematográfica naturalmente o contaminou, levando-o a estudar cinema não só analisando os livros dos melhores autores do seu tempo, como Bela Balázs, André Bazin, Renato May, Peter Wollen, Ralph Stevenson, Hans Richter, Jean Marie Straub, Visevolod Pudovkin e Sergei Eisenstein, mas também vendo e revendo os filmes dos cineastas mais importantes de alguns países, como Orson Welles, William Wyler, Stanley Kubrick, Ingmar Bergman, Michelangelo Antonioni, e naturalmente da Alemanha, como os clássicos de F. W. Murnau, Joseph von Sternberg, Arnold Fanck, Walter Ruttmann, Sepp Algeir e Leni Riefenstahl (cineasta de talento invulgar mas infelizmente, como sabemos, peça importante da máquina de propaganda nazista e do sanguinário ditador), e os modernos Alexander Kluge (a inteligência condutora e a voz eminente do novo cinema alemão), Egon Monk, Helmut Käutner, Rainer W. Fassbinder, para citar apenas estes nomes vindos à memória.

Sobre “O Vulcão”

“O Vulcão” (Der Vulkan), elogiada adaptação da obra de Klaus Mann, com “script” do próprio Runze e de sua filha Rebecca e de Ursula Grützmachertabori, tem sido exibido em alguns cineclubes daqui e dali. Por isso mesmo, dos filmes alemães vistos e revistos por este crítico, tanto na Casa de Cultura Alemã da UFC como no Instituto Goethe do Rio de Janeiro, selecionamos “Der Vulkan” para homenagear o derradeiro filme de Runze para a tela, pois soubemos ter retornado novamente para a TV. Além disso, já havíamos comentado “Aimée & Jaguar” (1998), de Max Farberbock (filme louvado por Kenneth Turan, do Los Angeles Times), “Despedida de Ontem” (Abschied von Gestern, 1966), de Alexander Kluge, “O Jovem Torless” (Der Junge Torless, 1967) e “O Tambor” (Die Blechtrommel, 1979), ambos de Volker Schlöndorff, e “A Deusa Imperfeita” (Die Macht der Bilder, 2003), de Ray Müller.

O título O Vulcão foi escolhido pelo romancista Klaus Mann para sugerir metaforicamente o perigo iminente, algo está para explodir o “status quo” socioeconômico e político da França, pouco tempo antes de estourar a II Guerra Mundial, embora alguns franceses desavisados confiassem na intransponibilidade da Linha Maginot ! Como se enganaram ! Em verdade, o Rei da Bélgica, fascista disfarçado e simpatizante de Hitler, não permitiu o prolongamento da linha de defesa da França até o território belga, motivo pelo qual os exércitos do ditador alemão puderam contornar a Linha Maginot em maio de 1940 com suas Divisões Panzer e derrotar as forças de defesa da França para logo chegar em Paris, apesar da bravura dos combatentes franceses.

L.G. DE MIRANDA LEÃO

“MARADONA é Insuperável”

Quem diz é o zagueiro alemão Arne Friedrich, que aguarda com grande expectativa a próxima partida de sua seleção pela Copa do Mundo.

O primeiro motivo, é claro, se refere ao desafio de ajudar sua equipe a dar mais um passo rumo ao quarto título mundial. O segundo, informa nesta terça-feira o site oficial da Fifa, é ligado a sua grande admiração pelo técnico da equipe adversária, Diego Armando Maradona, que comandará a Argentina no confronto das quartas de final do torneio contra a Alemanha.

Segundo o site da Fifa, que cita declarações do jogador ao portal oficial da Federação Alemã de Futebol, o atleta acredita que Maradona é a grande atração do Mundial. “Como jogador, e agora como técnico, ele é insuperável. Para mim, ele foi o maior jogador de futebol que já existiu, e vai permanecer nessa condição. Desta forma, mesmo indiretamente, é ótimo o confronto com ele, e será mais bonito ainda se ganharmos de seu time”, diz Friedrich.

Carlitos Tevéz: jogadas sensacionais no Mundial

De acordo com as informações divulgadas, o zagueiro considera a Argentina um adversário superior individualmente, mas aposta na força coletiva da equipe alemã para a vitória. “A Argentina é a favorita”, afirma o zagueiro, que destaca, entre os atletas adversários, os atacantes Lionel MessiCarlos Tevez. “Porém, temos que fazer com que o time seja capaz de apresentar soluções criativas. Estamos coesos, como equipe, e mostramos até agora capacidade de nos mantermos assim frente às seleções que enfrentamos”, acrescentou.

Alemanha e Argentina se enfrentam no próximo sábado, às 11h, na Cidade do Cabo, pelas quartas de final do Mundial da África do Sul.

Toda a nossa TORCIDA e preces indormidas pela VITÓRIA da brilhante seleção comandada por MARADONA.

Só ouvir, durante todo este período do Mundial, em todas as transmissões televisivas onde o futebol é destaque, que “Argentina é a favorita”, “Argentina é a melhor seleção até agora”, “Argetnina é a grande favorita do Mundial” – sobre uma seleção que chegou à Copa desacreditada, já é um som paralâmico em nossos ouvidos atentos e apaixonados.

Fora do time contra a Coreia do Sul, Maradona beija Verón, após substituição no jogo contra Nigéria

Maradona beija Verón após partida contra a Nigéria,  seu estilo habitual de tratar os jogadores

Só por estar assim, e continuar em campo, despertando a máxima atenção até dos adversários, a seleção de MARADONA, MESSI, TEVÉZ, PALERMO, Agüero, Milito, Di Maria, Mascherano, Higuain, Heinze, Sérgio Romero, Gutiérrez, Samuel, Mancuso e toda a trupe da alviceleste, já é CAMPEÃ.

 SARAVÁAAAAAAAAA !!!

Adelante, Companheros ! E vamos a ganar !

CineCE Começa na Quinta

  

MURO DE BERLIM no

20º CINE CEARÁ

 

 A 20ª edição do Cine Ceará, a ser realizada de 24 deste a 1º de julho em Fortaleza, terá algumas mostras paralelamente à Mostra Competitiva de longa e curta-metragem. Uma delas é a Mostra Memórias do Muro, que vai retratar uma das fronteiras mais midiáticas da história, o Muro de Berlim, que foi sem dúvidas o símbolo mais visível da Guerra Fria e da divisão do mundo em dois blocos.

 

Com Lúcía Ramos como curadora, a mostra reúne 11 produções, dentre elas documentários e filmes de ficção, que abordam a temática sobre diversas perspectivas, enfocando aspetos da realidade cotidiana e refletindo os conflitos humanos numa cidade e num mundo dividido.

Entre os filmes documentos históricos das cinematografias da Alemanha oriental e ocidental, assim como sete produções inéditas no Brasil. (Confira a programação e as sinopses de cada filme no final deste release). Uma dessas produçõs inéditas é o filme Coelho à Berlinesa, de Bartek Konopka e Piotr Rosolowski, que foi indicado ao Oscar em 2010 na categoria de Melhor Documéntario de Curta-metragem.

 

Stefan Weinert, diretor do filme Contra o Muro, também inédito, é um dos convidados da mostra e tem presença confirmada no evento. Stefan se formou como ator em Colônia e Nova York e estudou cenografia na Escola Superior de Artes Aplicadas de Viena. Desde 2001 trabalha principalmente como ator em produções alemãs e internacionais. Como produtor e diretor realizou os curtas-metragens: Samstag Nacht (2000), The right one (2000) e Always Sergej (2002). O documentário Contra o Muro (Gesicht zur Wand, 2009) é seu primeiro longa-metragem. 

 

O 20º Cine Ceará é uma promoção da Universidade Federal do Ceará, através da Casa Amarela Eusélio Oliveira com apoio do Governo do Estado do Ceará, por meio da Secretaria da Cultura e Desporto, e do Ministério da Cultura, através da Secretaria do Audiovisual. A Realização é da Associação Cultural Cine Ceará e conta com patrocínio de empresas públicas e privadas, por meio da Lei Estadual de Incentivo à Cultura (SIEC) e da Lei Federal de Incentivo à Cultura (Lei Rouanet).

 

Sobre o Muro de Berlim

 

Levantado em 1961 sem prévio aviso, dividiu a cidade durante 28 anos, deixando um grande número de mortos, separando famílias e ocasionando grandes dramas pessoais. Construído pelo governo da Alemanha Oriental sob o nome de “Muro de Proteção antifascista”, com o objetivo de proteger a República Democrática Alemã da agressão ocidental, deixou a Zona Oriental praticamente isolada e não só tentou bloquear a influência capitalista mas também impediu a emigração dos próprios cidadãos. Sua queda em 1989 representaria o fracasso de uma ideologia e a desaparição de um mundo.

 

Do Muro de Berlim se conserva em pé pouco mais de um quilômetro. O resto virou uma linha de paralelepípedos que cruza a cidade como uma cicatriz quase imperceptível, mas as marcas que deixaram os 28 anos de Muro e os 40 anos da existência de dois estados tem tardado muito tempo em se apagar e evidentemente até hoje desapareceram completamente. À reunificação política de 1990 seguiu um longo processo de integração cultural que ainda não se concluiu. Muito além da divisão da Alemanha em dois sistemas políticos diferentes  foram as respectivas estruturas sociais e mentais que trouxeram consigo este choque cultural. Tanto assim que nos anos seguintes à queda do Muro muitos alemães orientais se sentiam estrangeiros no seu próprio país, e, sobretudo para estes, a reunificação desencadeou uma crise de identidade e uma necessidade de reafirmação semelhante à de um emigrante. Mais do que uma “reunificação” o que aconteceu foi uma quase total absorção do Oriente pelo Ocidente, do Socialismo pelo Capitalismo.

 

Como “perdedores” da Guerra Fria, foram os habitantes do lado socialista os que tiveram que se adaptar a um novo sistema. A velocidade vertiginosa com que aconteceu o desmantelamento da República Democrática Alemã fez que, de um dia para o outro, toda uma geração assistisse ao desaparecimento das suas referencias culturais e à substituição de todos os elementos identificatórios que constituíam sua identidade nacional e sociocultural.

 

PROGRAMAÇÃO MOSTRA MEMORIAS DO MURO

Espaço Unibanco de Cinema Dragão do Mar – sala 2

Sempre às 16h

Dia 25 de junho

PAISAGEM ORIENTAL / ÖSTLICHE LANDSCHAFT / PAISAJE ORIENTAL

INÉDITO
Eduard Schreiber.
Documentário. 13 Min. Alemanha. 1991

DEPOIS DA QUEDA / NACH DEM FALL / DESPUÉS DE LA CAÍDA

Frauke Sandig, Eric Black. Documentário. 85 Min. Alemanha. 1999

Dia 26 de junho

A FRONTEIRA / DIE GRENZE / LA FRONTERA

Franz Winzentsen. Animação. 2.20 Min. Alemanha. 1995

O OUTRO LADO /  DIE ANDERE SEITE / EL OTRO LADO

Ellie Land. Documentário animado. 5 Min. Inglaterra. 2007

 O PANORAMA / DIE AUSSICHT / EL PANORAMA

Kurt Krigar. Documentário. 10 Min. República Federal da Alemanha RFA. 1965

 

COELHO À BERLINESA / MAUERHASE / CONEJO A LA BERLINESA

INÉDITO
Bartek Konopka. Documentário. 39 Min. Polónia/Alemanha. 2009

Dia 27 de junho

CONTRA O MURO / GESICHT ZUR WAND / CONTRA EL MURO

INÉDITO

Stefan Weinert. Documentário. 85 Min.  Alemanha.  2009

 Dia 28 de junho

ADEUS LENIN! / GOOD BYE LENIN! / ADIOS LENIN

Wolfgang Becker. Ficção 121 Min. Alemanha. 2003

Dia 29 de junho

PELOS NOSSOS FILHOS / FLUCHT INS VATERLAND-DER KINDER WEGEN / POR NUESTROS HIJOS

INÉDITO                                                                                                          
Winfried Junge, Hans Kracht.
Documentário. 16 Min. República Democrática Alemã RDA.1965

 O DESTINO DE UM SOLDADO DE FRONTEIRA/ HELDENTOD – DAS SCHICKSAL EINES GRENZSOLDATEN/ EL DESTINO DE UN SOLDADO DE FRONTERA

INÉDITO

Britta Wauer. Documentário. 50 Min. Alemanha. 2001

 

Dia 30 de junho

E TEU AMOR TAMBÉM / UND DEINE LIEBE AUCH / Y TU AMOR TAMBIÉN

INÉDITO

Frank Vogel. Ficção. 92 Min. República Democrática Alemã RDA. 1962