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Sessões lotadas e boas surpresas no VI COMUNICURTAS

Aberta na noite daa última semana de agosto, como acontece todo ano, a sexta edição do ComuniCurtas acontece em Campina Grande, sob o comando de André da Costa Pinto, e, mais uma vez, supera a edição anterior.

Festival promovido e incentivado o ano inteiro pela Universidade Estadual da Paraíba, através de seu departamento de Comunicação Social, o festival foi aberto este ano com homenagens e a exibição do curta RESTA UM, exercício audiovisual coletivo que tive a honra de conduzir , conseguindo unir os talentos de Ingra Liberato,  Rosamaria Murtinho, Sílvio Tendler, Miguel Jorge, Bruno Safadi, Henrique Dantas, Alex Moletta e Samuel Reginatto e Júlio Léllis, entre alguns outros.

Saudados pelas profícuas palavras do Pró-Reitor Antônio Guedes Rangel Jr. – que enfatizou a disposição da Universidade (UEPB) em incentivar cada vez mais a produção aduiovisual em Campina Grande -, a alegria estampada no rosto dos que todas as noites afloram ao amplo espaço do SESC, não deixa dúvidas: André da Costa Pinto idealizou, foi à luta e conseguiu realizar um dos mais carismáticos festivais de cinema do país, com tudo para tornar-se um pólo aglutinador dos mais concorridos do Nordeste, posto muito tempo alcançado pelo festejado GUARNICÊ de São Luís do Maranhão.

A presença de Ingra Liberato na abertura desta sexta edição foi um trunfo muito aplaudido – é fácil observar nas fotos que pipocam nas redes sociais, tendo a atriz entre fãs e admiradores de todas as idades. Com a elegância própria das mulheres que sabem se afirmar com simplicidade e simpatia, Ingra foi capa de todos os principais jornais da Paraíba entre domingo e segunda. Chegando em Campina, deu entrevistas, autógrafos, não se furtou a estar entre os flashes que A todo momento lhe alcançavam e subiu ao palco para falar da alegria de estar lançando o RESTA UM.

Afinal, foi aqui em Campina Grande o ‘batismo oficial’ do filme, já que foi a primeira vez que INGRA pôde acompanhar um lançamento, tendo ademais a grata sartisfação de ser acolhida por platéia lotada e acolhedora.

Antes da exibição de RESTA UM, o festival exibiu um vídeo em homenagem aos dois cineastas hjomenageados deste ano, os paraibanos Marcus Villar e Torquato Joel – o vídeo foi idealizado pelo jovem realizador Kennel Rógis, aliás, um dos fortes concorrentes do festival com seu belo filme de estréia , o doc Travessia, ambientado em sua Coremas natal.

Após Ingra e eu (que tive a honra de subir ao palco com esta fina flor do teatro-cinema- TV ) dividirmos com os campinenses a satisfação de realizar RESTA UM “porque o Resto é sempre maior do que o principal” -, a tela transformou-se num mosaico de filmes de todos os quadrantes, e tem sido assim toda noite, com uma diversidade de olhares e narrativas que muitas vezes surpreende pela qualidade do inusitado e a riqueza de sensibilidades, nem sempre alcançadas em painel tão eclético.

Aliás, vi aqui em Campina um curta do qual preciso ter uma cópia. Trata-se de instigante roteiro de Fernando Ventura, O Quinto Beatle, tão inusitado quanto interessante . Narrativa bem construída, de fácil absorção, a qual se acompanha com atenção e risos benfazejos até o final. Fernando deve ser mais um entre tantos fãs dos fantásticos de Liverpool. Pensando assim fica mais fácil entender como construiu o encontro insuspeito entre o eterno-Beatle Paul McCartney e um jovem paraibano, na pacata Campina Grande dos anos de 1960. Uma idéia poderosa, que mistura ficção e documentário (?) – vi muitas pessoas comentando a respeito e imaginando como foi a tal passagem de Paul por Campina) – e chega à tela de forma despretensiosa e criativa, com a eloquencia de um ator  de grande envergadura, que conduz o filme com precisão de ourives. Ele é Chico Oliveira, tão desconhecido da maioria de nós quanto fartamente competente. Este filme de Italo Brito e Fernando Ventura é um pitéu entre tantos curtas vistos este ano. Creio que vá rodar muitos festivais, não só pelo constante e crescente interesse que a a obra antológica dos Beatles desperta nas mais distintas platéias como por tratar-se de filme bem realizado, em todos os aspectos. E vem de Campina Grande, mais um curta realizado com o precioso apoio da UEPB (exemplo a ser seguido por Universidades do país inteiro) e o constante e vigoroso apoio que André Costa repassa aos que estão em seu entorno. Ah, André, você bem poderia ser dez….

Após a noite de estréia 2011 do ComuniCurtas, a coordenação promoveu uma acolhedora  recepção no bar Opção, onde uma roda de chorinho acompanhou conversas animadas e muita tietagem. Afinal, além da presença iluminadora de INGRA, ali estava outro doce de pessoa, que tem muito mais admiradores do que se possa imaginar: Elke Maravilha. 

ELKE no palco fala sobre o documentário com ela, feito por Júlia Rezende

Gal Cunha Lima, Gilberto Perin, Luís Carlos, borges, Itamar Borges, Ana Célia e o casal de realizadores argentinos Judith e Martin Barra, que trouxe uma Mostra Argentina ao ComuniCurtas

Aurora, Ingra Liberato e Arly Arnaud no brinde inaugural do ComuniCurtas… 

Em outro post, mais ComuniCurtas.

RESTA UM na noite de Fortaleza

Um filme só acontece depois que chega ao espectador. Por isso, você é a pessoa mais importante desta noite de TERÇA na qual RESTA UM será exibido, pela primeira vez, em Fortaleza.

O CONVITE para esta noite no Centro Cultural Oboé tem a intenção de ser espalhado por aí aos quatro ventos pra que possamos ter uma sessão de cinema com casa cheia.


Aurora Miranda Leão e Rubens Ewald Filho durante o período de gravações em Goiânia…

Vá e leve os amigos ! Se não puder ir, pelo menos recomende a uma porção de parceiros porque, afinal, sempre RESTA UM

Venha você também descobrir porque O Resto é sempre maior que o Principal…

 

FICHA TÉCNICA e ARTÍSTICA RESTA UM 

Argumento, Roteiro, Fotografia e Direção – Aurora Miranda Leão

Trilha: Ricardo Bacelar

Câmera adicional – Julinho Léllis

Imagens de celular: Aurora M. Leão e Ingra Liberato

Contribuição afetiva – Rubens Ewald Filho

Colaboração no Roteiro: Alex Moletta,Miguel Jorge,Rogério Santana 

Estrelando INGRA LIBERATO

 Participação: Rosamaria Murtinho, Sílvio Tendler, Bruno Safadi, Samuel Reginatto, Miguel Jorge, Henrique Dantas, Carol Paraguassu e Patrícia Luciene

Produção: Aurora M. Leão e Julinho Léllis 

Edição: Aurora Miranda Leão e Lília Moema

Filmes citados:  Amanda & Monick, de André da Costa Pinto

                              Aos Pés, de Zeca Brito

                              Áurea, de Zeca Ferreira

                             Harmonia do Inferno, de Gui Castor     

 

Realização: Aurora de Cinema & Cabeça de Cuia Filmes       

                                      

RESTA UM – LANÇAMENTO em Fortaleza
HOJE, 19, 19:30h
COQUETEL no Centro Cultural Oboé – rua MARIA TOMÁSIA, 531

Informações: 3264.7038
ENTRADA FRANCA

Selecionados ao Fest ARUANDA

Sexta edição do FestCine Aruanda: 11 a 16 de dezembro em João Pessoa  

* Com informações de Maria do Rosário Caetano

Selecionados 48 curtas-metragens nas categorias ficção, documentário, experimental e animação.

 

A comissão julgadora foi formada pelo produtor Heleno Bernardo, pelo professor de Publicidade e Propaganda, e designer gráfico, Alexandre Câmara, e pelo cineasta e professor Bertrand Lira. Por decisão da comissão, as categorias videoclipe e vídeo de um minuto ficaram de fora desta edição do Fest Aruanda pela quantidade incipiente de trabalhos inscritos e pela insuficiente qualidade técnica e estética das obras.das obras.

Por outro lado, Bertrand Lira, realizador com vasta experiência em comissões e júris de festivais (entre eles o de Gramado e o de Brasília) acredita que o nível dos trabalhos inscritos no Fest Aruanda, de um modo geral,  tem surpreendido pela diversidade de temas, qualidade técnica e estética dos trabalhos. “A produção aumentou significativamente e credito isso à facilidade de acesso às novas mídias, barateamento dos equipamentos e a criação de novos cursos de audiovisual em todo o país”, avalia Bertrand atual coordenador do Núcleo de Estudos, Pesquisa e Produção Audiovisual (Neppau) do departamento de Mídias Digitais responsável pelo festival.

RELAÇÃO DOS SELECIONADOS

 

CHEIROSA, do mineiro Carlos Segundo, é um dos curtas em competição

FICÇÃO:

Los minutos, lãs horas, de Janaina Marques Ribeiro (CE)

Aviário, de Daniel Favaretto (SP)

Feliz Aniversário, de Fábio Souza (RJ)

A Distração de Ivan, de Cavi Borges e Gustavo Mello (RJ)

Cheirosa, de Carlos Segundo (MG)

Um par a outro, de Cecília Engels (SP)

O tempo das coisas, de Jacqueline M. Souza e Marcos Flávio Hinke (PR)

Bode Movie, de Taciano Valério (PE)

Senhoras, Adriana Vasconcelos (DF)

Operação Mamãe, Marise Farias (RJ)

Rua Mão Única, André Gevaerd (SP)

Feijão com Arroz, Daniela Marinho (DF)

Vela ao crucificado, Frederico Machado (MA)

3.33, de Sabrina Greve (SP)

Nego fugido, de Cláudio Marques & …(BA)

Semeador urbano, de Cardes Amâncio (MG)

Eu não sei andar de bicicleta, de Diego Florentino (PR)

Ensaio de cinema, Allan Ribeiro (RJ)

Um par, de Lara Lima (SP)

Made in Taiwan, de Daniel Araújo (PB)

Direita, de Marcelo Quixaba Gonçalves (PB)

Desassossego, de Marco di Aurélio (PB)

DOCUMENTÁRIO

Lapidar o Bruto, de Natália Queiroz (SP)

É muita areia pro meu caminhãozinho, de Ana Paula Guimarães e Eduvier Fuentes Fernández (SP)

Último retrato, de Abelardo de Carvalho (RJ)

O som do tempo, de  Petrus Cariry (CE)

O Divino, de repente, de Fábio Yamaji (SP)

Família Vidal, de Diego Benevides (PB)

Iolovitch: o azul de Brasília, de Adriana de Andrade (DF)

Contracorrente, de Ismael Farias, Leandro Cunha e Paulo Roberto (PB)

Menino Artífice, de Ana Célia Gomes (PB)

Retratos, de Leo Tabosa e Rafael Negrão (PE)

Oscar 07/02, de João Krefer (PR)

A minha amiga: um breve relato sobre nós, de André Costa (PB)

EXPERIMENTAL

1:21, Adriana Câmara (PE)

Nem dia, nem noite, Roderick Steel (SP)

Reciclando formas: a arte de Ana Christina, de Laurita Caudas e Elisa Cabral (PB)

Sintonize-se, de Jonathas Falcão (PB)

Bokeh, de Breno César (PE)

Relativamente Inconsciente, de Claudinei Foganholi (SP)

Súbito, de Breno César (PE)

ANIMAÇÃO

Quando as cores somem, de Luciano Lagares (SP)

Ser humano, de Fernando Pinheiro (MG)

O acaso e a borboleta, de Tiago Américo e Fernanda Correa (PR)

Bailarino e o bonde, de Rogério Nunes (SP)

O ciclo, de Maurício Ramos Marques (PR)

O retorno de Saturno, de Lisandro Santos (RS)

Uma estrela no quintal, de Danielle Divardin (SP)

Bailarino e o Bonde, filme que vem colecionando prêmios por onde passa: Bonito a mais não poder…

Balanço Imagético de Campina Grande

Maria do Rosário Caetano, amiga querida e jornalista-arquivo do Cinema Brasileiro, me envia CD repleto de fotos feitas em Campina Grande durante a edição 2010 do ComuniCurtas…

Vou publicando aos poucos…

Obrigada pelo cuidado, amizade e atenção à nossa produção audiovisual, ! Os curta-metragistas agradecemos… E um beijo da Aurora

* Saudades de Arly Arnaud, que aparece ao meu lado e também com o documentarista Bertrand Lira e Rosário Caetano antes da sessão competitiva no SESC de Campina Grande, sempre lotada.

Aurora, Arly, Bertrand e Rosário

Arly Arnaud e cineasta Marcus Villar

André Costa, artista querido, Cineasta de Primeira !

Nas Cordas de Herbert, Arly Arnaud e Aurora Miranda Leão

Arly Arnaud, Rosário Caetano e Marcus Villar

Tô devendo à equipe do ComuniCurtas um balanço desta edição sensacional, onde Zeca Brito, Arly Arnaud, Rosário Caetano, Marcus Villar e Rafael Trindade tiveram papel fundamental…

Um beijo aos que partilhamos estes momentos e até já !

Alguns Festivais, Muitos Amigos …

Cada festival de cinema é um momento de celebração especial. Cada um tem sua personalidade e em cada um encontramos motivos  para angariar momentos inesquecíveis, pois – como dizia nosso adorável VININHA -, “A Vida é a Arte do Encontro”… 

Portanto, vamos relembrar festivais de 2008, 2009, 2010…

Zanella, Aurora e Bernardo em Ribeirão Pires...

Aurora e André Costa agitam noite do Comunicurtas

Julinho Science, Aurora, Marão e Zeca Brito

 

Zeca Ferreira e Aurora na animação de Jeri

 

Carlos Segundo curtindo no Festival de Jeri

Filipe Wenceslau, Valério Fonseca e Zeca Ferreira: amigos queridos

Jornalistas em Jeri: Síria Mapurunga e Aurora Miranda Leão

Animação em JERI

Filipe, Zeca, Aurora, Valério, Síria e Lucas Harry

 Rosamaria Murtinho, Alice Gonzaga e Aurora

Ney Latorraca, Aurora e Luiz Carlos Lacerda

Leona Cavalli, Aurora, Fafy Siqueira e Teca Pereira

ComuniCurtas Movimentou Campina Grande

Público chegando para as sessões sempre lotadas no cine-teatro SESC Campina Grande
 
Cineasta André da Costa Pinto apresenta mais uma edição do festival idealizado por ele
 
 
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 João Carlos Beltrão, fotógrafo homenageado desta edição, ao lado da graciosa filha

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Rafael Trindade, o capixaba que conquistou a todos com simpatia e inteligência
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As sorridentes apresentadoras no palco do cine-teatro do SESC …
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Aurora Miranda Leão, integrante do júri da Mostra Tropeiros da Borborema
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O animador carioca Marão apresenta seu curta, o premiado “Eu quero ser um Monstro”
 
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 Rômulo Azevedo e jornalista Maria do Rosário Caetano, que integrou o júri e lançou seu livro Cangaço – O Nordestern no Cinema Brasileiro
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Como em todas as noites, cinema brasileiro teve público garantido no Comunicurtas
Aurora Miranda Leão, Arly Arnaud, Bertrand Lyra e Maria do Rosário Caetano
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Agitadas noites do TENEBRA, onde Rosário Caetano encontrou melhor caldo de peixe da cidade
A inesquecível e animadíssima noite na cachaçaria: forró e MPB até a madruga …
Júlio Science, Aurora, Marão e Zeca Brito na curtição

Para Nós, VAL DONATO

Amigo Querido, ator/diretor/roteirista e realizador ANDRÉ COSTA, recomenda clip da música Para Mim, Você, com a cantora paraibana Val Donato, uma MegaVoz de Campina Grande.

Val Donato e Os Cabeças estão no YouTube…A produção é da Quebra Panela…

Confira você também:

http://www.youtube.com/watch?v=OOs7C7hQhGw

VAL Donato é uma poderosa artista paraibana – cantora e compositora -, que tive a alegria de conhecer ano passado durante a realização do Festival ComuniCurtas, idealizado por André Costa.

Em breve, você vai ouvir melhor a voz de VAL na telona – é dela a música-tema do longa de estréia de André Costa, Tudo que Deus Criou, que a legião de amigos de André, aguardamos ansiosamente.


SARAVÁ, André Costa !

VIVA, Val Donato !

Lembrando meu amigo TONINHO DANTAS

Todas as vezes em que nos falamos foi sempre muito bom.
A imagem que terei dele, sempre, é a de um extrovertido, simpático e bonachão por excelência. O sorriso dele começava nos olhos e o coração não se fartava de repartir benquerença, amizade, interesse sincero e indormido sobre os rumos da Arte e da Cultura.

Falo de TONINHO DANTAS, meu querido, enorme e inolvidável amigo santista, a quem tive a honra e a gratíssima satisfação de conhecer em 2008.

Ele foi o mentor do festival de curtas-metragens de Santos e seu coordenador por 6 edições. Ainda sabendo do festival só por notícias via imprensa, aquele festival me despertou curiosidade. Quis muito estar lá em 2007, quando os queridos Julinha Lemmertz e Beto Brant foram homenageados, mas à época eu seguia para outro festival bacana e necessário, a MoVA Caparaó, que acontece num dos mais belos e recônditos lugares do país, o entorno da serra do Caparaó, na divisa Espírito Santo-Minas Gerais.

E enquanto eu curtia as belezas e encantos da mística Patrimônio da Penha, amigos como Gui Castor e André Costa estavam em Santos, tendo oportunidade de conhecer Toninho.
          

Ano seguinte, já formigando de vontade de ir a Santos e conhecer o festival, recebi – através de indicação do estimado amigo Marcelo Pestana – convite para integrar a comissão julgadora do festival e lá fui eu… levava ótimas expectativas na bagagem mas confesso que tudo foi muito melhor do que minha imaginação conseguiu supor.

Cineasta BETO BRANT foi um dos homenageados do Curta Santos em 2006

O Curta Santos criou uma tradição de abrir o festival com uma Noite de Gala, quando a platéia é brindada com diversos números artísticos. Em 2008, esta noite foi no belo e histórico Teatro COLISEU, onde Eva Wilma recebeu homenagem das mãos da colega Irene Ravache, José Wilker das mãos de Marisa Orth e Lea Garcia interpretou belo poema sobre trajetória de lutas, percalços e vitórias da mulher brasileira. Na platéia perto de mim, revi os amigos Lili Caffé e Lírio Ferreira. E a noite virou apoteose quando a escola de samba X-9 assumiu o palco e fez um dos mais emocionantes espetáculos já flagrados por minhas retinas.

Fachada do imponente Teatro Coliseu, em Santos

Trajados com inspirado figurino e nutridos de inegável paixão pela magia transfiguradora da Arte, atores-bailarinos e dançarinos-intérpretes tomaram todos os escaninhos do palco e embeveceram a platéia. Com o signo carnavalesco dramaturgicamente celebrado no palco, a configuração cênica do espetáculo tinha raizes fincadas na linguagem consistente e arquetípica de Plínio Marcos, um amigo santista a quem Toninho não deixava de sempre citar com carinho, admiração, alegria e orgulho pelas atuações conjuntas em muitos anos de luta em prol da justiça social, livre expressão e respeito às liberdades individuais.

Mesclando carnaval e teatro, a profundidade pliniomarquiana com a algarravia sadiamante feliz dos passos carvalizantes, a turma da escola muitas vezes campeã da folia santista – X 9 – deixou a platéia estarrecida diante de tamanha festa para os olhos e a vontade era seguir dançando junto com eles. E a X 9 encerrou a noite provando porque é “tão fácil” dominar os circundantes, de forma apoteótica, fez-nos dançar e encher a alma de sonho, festa e magia.
                   

 No meio deles, a alegria de Toninho parecia a de um garoto recém-saído da escola, vibrando pela certeza da tarefa bem feita e extasiado com a euforia que dominava a escola e contamina a platéia, na qual estavam realizadores de audiovisual de todo o país.  
               

A semana só começava e a acolhida da equipe do festival ia começando a plantar saudades. Todo o elenco participante do festival ancorou no confortável Hotel Avenida, onde se toma um dos melhores cafés-da-manhã do país, de frente para a profusa beira-mar santista.

 
Naquele Curta Santos, tive a feliz companhia do incomparável André Costa. Conheci também Jefferson D, Rodrigo Azevedo, Ricardo Prado, a Inês Cardoso (filha da Ruth Escobar), Mariana Bezerra (filha de Octávio), Ana Cris, Daniel Tavares (do curta Café com Leite), Ruy Burdisso  além de diversos realizadores argentinos (Cine Vivo) – a cinematografia do país foi gentilmente homenageada pelo festival -, a poeta Alzira Rufino e todas as guerreiras da Casa de Cultura da Mulher Negra (onde Toninho era recebido com indisfarçável alegria), além da bela Madi Soquer, modelo escolhida para todas as peças publicitárias do festival. E ganhei um especial presente no encontro com Juninho Brassalotti, o produtor-executivo do festival, braço direito e esquerdo de Toninho, figura exemplar de companheiro e compromisso com os deveres assumidos.

Lembro bem quando Toninho avisou com sua espontaneidade contagiante do sábado de “cangerê” na quadra da X9. Seus olhos brilhabam quando o ônibis com os realizadores aportou em frente à quadra da escola de samba de seu coração. E que delícia foi aquela tarde de chuvoso e animado sábado ao som da pulsante bateria da campeã santista. Como não podia faltar no script, tendo Toninho tinha sempre muita conversa descontraída, muito papo franco e muitas palavras para saudar os companheiros. E ele tinha prazer em repartir o microfone: queria ouvir a voz de todos, conhecer a alma de cada um, conviver o mais possível com a bagagem cultural de quem convidava pra sua cidade como para fazer conhecer um pouquinho de casa e repartir um muito de sua alegria.

Coube a Juninho me informar da passagem de Toninho e imagino o quão difícil isso foi. Ele sabe bem o quanto eu e Toninho éramos ligados… sempre que pedi qualquer coisa a Toninho, fui mais do que atendida. Desde que nos conhecemos, a troca de idéias entre nós correu franca, livre e constante. Toninho pedia opiniões, dava sugestões, queria palpites e acatava idéias com impressionante cordialidade. 

Foi assim que acatou minha idéia de reverenciar, em 2009, o ator Matheus Nachtergaele, ilustre Homenageado da última noite do Curta Santos ano passado. Para entregar o troféu Claudio Mamberti, convidou o irmão do saudoso ator, Sérgio Mamberti, e, por coincidência, naquele dia lembrava-se mais um ano da partida de Claudio.
Generoso e integro, Toninho convidou-me ao palco para saudar Matheus, abrindo valeiras para ancorar minha emoção ante ao Artista tão Admirado. Conferiu-me então uma das mais marcantes noites de minha vida. Matheus é um símbolo do ácme a que pode chegar um Ator. Tornou-se amigo de quem o admira desde o início, quando começou a ganhar destaque nacional pela qualidade de sua atuação visceral em O Livro de Jó, com a companhia da Vertigem.

Então não sabíamos que aquela seria a última noite de Toninho à frente de seu filho mais novo e amado, a quem fez brotar com a chama do amor pelo Cinema, respeito pelos colegas, vontade de ver os abraços florescerem em forma de realização artística, e a determinação de quem sempre apostou no afeto e na Arte como senda para uma humanidade mais fraterna, sensível e solidária . A noite de homenagem a Matheus Nachtergaele no mais antigo cinema de Santos – o REX do Gonzaga – foi uma noite onde tudo deu certo e todos pareciam se abraçar numa comunhão sem dissonâncias nem assintonias.

 

Toninho Dantas, idealizador do CURTA SANTOS, sempre cercado de amigos, deixa Santos de luto…
Naquele 2009, agora tão forte na lembrança e tão distante no espaço, o ator Ney Latorraca, outro santista ilustre, também foi homenageado recebendo uma “estrela” na Calçada da Fama do REX. Com ele, e mais o ator Edi Botelho, o cineasta Luís Carlos Lacerda (de quem foi exibido o curta Vida Vertiginosa), o empresário da noite Cabbet e a empreendedora Edna Fuji, passamos momentos agradáveis e de benfazeja fruição discursiva e gastronômica, que agora marejam nossos olhos de doída saudade.

Este ano, Toninho pretendia instituir uma temática feminina ao festival e queria ter como ícone a carioquíssima atriz Leila Diniz. Ainda não sabia se Janaína embarcaria na idéia mas chegou a me falar sobre o assunto todo animado. Como era de costume, passei-lhe várias idéias para a programação. Uma dessas dizia respeito à homenagem que há tempos queria fazer ao cineasta Karim Aïnouz, de quem sou orgulhosa conterrânea. Outra sobre a possibilidade de uma mostra especial de curtas femininos, os quais recrutaria entre trabalhos de tantas colegas realizadoras.

                  De pronto, Toninho vibrou com as idéias e disse-me que faltava apenas fechar patrocínios, mas eu ainda tive tempo de dizer-lhe que faria tudo quanto estivesse ao meu alcance antes e apesar de existir ou não verba.
                 Despedimo-nos com a mesma recíproca satisfação e eu contava os  meses para regressar à querida Santos, rever amigos feitos pelo condão acolhedor da alquimia de Toninho, como Juninho Brassalotti, Ricardo, Jamila, Marcelo Pestana, Carlos Cirne, Rodrigo , Jackson, Milena Guimarães e tantos tantos outros. E abria espaço na bagagem para levar a Toninho meu maior abraço, meu carinho mais “exagerado” e minha sintonia atemporal, expressos com serena convicção porque se sabiam irmãs e bem-vindas.
TONINHO DANTAS, vai com Deus, amigo ! E até qualquer dia.

AMIZADE, Tema do Novo Curta de ANDRÉ COSTA

O mais recente trabalho do jovem cineasta e agitador cultural André da Costa Pinto, paraibano de Barra de São Miguel que criou o concorrido festival de cinema COMUNICURTAS (Campina Grande),  o curta À minha amiga: um breve relato sobre nós, começa a ganhar as telas nacionais.

                O Doc está na seleção da Mostra Competitiva Nacional do 3º Iguacine – Festival de Cinema da Cidade de Nova Iguaçu/RJ. O Festival acontece de 15 a 21 de abril e conta com a participação de curtas e longas de todo Brasil.

À minha amiga: um breve relato sobre nós é um documentário experimental, com 10 minutos de duração, que mostra a história de Dona Carminha e Dona Inacinha, amigas há mais de 60 anos, elas dividiram alegrias, tristezas, confidências, carnavais e “São Joãos”. Devido às casualidades da vida, uma delas foi acometida por um AVC que comprometeu seus movimentos e sua fala, levando-a a enxergar o mundo de outra forma. A música, que a vida toda esteve presente entre as duas, tornou-se um forte elo para a amizade, trazendo recordações que podem surpreender.

       Com os curtas Amanda e Monick e A Encomenda do Bicho Medonho, André já participou dos principais festivais de cinema do país, conquistando mais de dez prêmios na categoria de melhor filme.

         À minha amiga: um breve relato sobre nós é uma produção do Moinho de Cinema da Paraíba.