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Nossas Américas, Nossos Cinemas: Helena Ignez e Eryk Rocha no Ceará

Encontro Internacional de Audiovisual começa quarta em Sobral

Jovens realizadores latino-americanos e caribenhos se preparam para participar de um encontro internacional de cinema no município de Sobral, a 235 km da capital cearense.

Além das mostras de filmes e oficinas programadas para o I Nossas Américas – Nossos Cinemas: I Encontro de Jovens Realizadores da América Latina e do Caribe, que acontece de 23 a 26 de maio, homenagens, debates e oficinas reunirão profissionais reconhecidos mundialmente. O encontro é gratuito e aberto a todos os interessados.

Helena Ignez: atriz e cineasta em constante atividade, recebe justa homenagem de cineastas latinos e caribenhos…

A atriz e cineasta Helena Ignez, que passou pelo teatro, televisão e se notabilizou no cinema, e Geraldo Sarno, cineasta importante da produção nacional, são alguns dos Homenageados, ao lado da cubana Lazara Herrera, documentarista, produtora cinematográfica e peça fundamental no desenvolvimento do Novo Cinema latino-americano e caribenho, e da realizadora colombiana Marta Rodriguez, documentarista cujos trabalhos cinematográficas abrangem os movimentos agrários, sindicais, estudantis, as comunidades indígenas e as culturas afro-colombianas, convertendo-se em testemunhas vivas da história da Colômbia.

Michel Régnier: trabalho reconhecido em prol do documentário… 

Com dupla nacionalidade, francesa e canadense, outro homenageado é Michel Régnier, que realizou mais de uma centena de filmes documentários em cinquenta países, tratando notadamente da cultura, da educação, do desenvolvimento e dos conflitos sociopolíticos, sempre na perspectiva do respeito à diversidade cultural e do diálogo entre as culturas dos povos. O cineasta Humberto Rios, nascido na Bolívia, mas que adotou a Argentina como seu país de referência e nacionalidade e onde está radicado há várias décadas, completa a lista.

Para Bárbara Cariry, diretora geral do I Nossas Américas – Nossos Cinemas, o reconhecimento a esses realizadores impacta diretamente na nova geração, que constrói a linguagem do cinema mundial: “Resolvemos homenagear a experiência de artistas inspiradores que tanto colaboram para a realização de um cinema latino-americano e caribenho. Essas pessoas espalharam e cultivaram boas sementes, mesmo quando semearam no deserto. Muitas caíram em terrenos férteis e geraram flores e frutos. Chegou nossa vez de arar os campos e fazer a semeadura dos sonhos. Para nós, abrem-se os grandes desafios”.

Outros nomes importantes do cinema latino-americano e caribenho também participarão de debates e atividades paralelas, como Eryk Rocha (Brasil), Rigoberto López (Cuba), Ishtar Yassin (Costa Rica), Ivan Sanginés (Bolívia), Jorge Serrano (Equador), Carmen Rosa Vargas (Peru), Paulo Linhares (Brasil) e Frederico Machado (Brasil).

Lázara Herrera: trabalho pelo desenvolvimento do Novo Cinema latino-americano e caribenho…

Temas diversos estão programados para os debates no Teatro São João: “Panorama do Cinema Caribenho e do seu desenvolvimento como uma das manifestações do Novo Cinema Latino Americano”, “O Cinema dos Povos Originários”, “Um Cinema sem Fronteiras”, “Cinema entre Fronteiras”, “Cinema: Ensino e Pratica”, “Distribuição e Difusão – Cinemas e Transmídia” e “Novos desafios para a gestão governamental”.

OFICINAS

A Oficina de Roteiro Audiovisual será realizada na Escola de Música de Sobral (Avenida Dom José 1126, Centro), comandada pela diretora de curtas-metragens Michelline Helena. Já Sérgio Silveira, diretor de arte para importantes diretores da cinematografia Brasileira, comandará a Oficina de Direção de Arte no ECOA (Travessa Adriano Dias Carvalho, 135 – Centro). Os interessados podem se inscrever gratuitamente na Escola de Música de Sobral.

Eryk Rocha: cineasta na ponte América Latina-Caribe… 

O ENCONTRO

O I Nossas Américas – Nossos Cinemas: I Encontro de Jovens Realizadores da América Latina e Caribe tem patrocínio do Ministério da Cultura / Secretaria do Audiovisual; Secretaria de Cultura do Estado do Ceará, e da Prefeitura Municipal de Sobral. A realização é da Secretaria da Cultura e Turismo de Sobral, Sereia Filmes e Instituto Internacional de Intercambio e Cooperação Artístico e Cultural (INTERARTE). Os apoiadores são a Universidade do Vale do Acaraú (UVA), o Conselho Nacional de Cineclubes – CNC, o Encontro de Documentaristas do Século XXI (DOCLAT SEC XXI) e outras instituições internacionais ligadas ao audiovisual.

 A colombiana Marta Rodriguez também estará em Sobral…

 Serviço:

I Nossas Américas – Nossos Cinemas

(I Encontro de Jovens Realizadores da América Latina e Caribe)

Local: Teatro São João – Sobral (CE)

Período: 23 a 26 de maio

Informações: (85) 3224.6944

Fan Page: http://www.facebook.com/NossasAmericasNossosCinemas

Blog oficial: http://nossasamericasnossoscinemas.blogspot.com.br/

Brasil perde Paulo César Saraceni

Cineasta estava internado desde outubro, quando sofreu um AVC…

Diretor sofreu falência de órgãos múltiplos; mais recente trabalho foi O Gerente, baseado em obra de Carlos Drummond…

 

 Foto: Tânia Rego/Acervo Universo Produção

O cineasta carioca Paulo Cezar Saraceni, que estava com 79 anos, faleceu morreu ontem (dia 14) em decorrência de falência de órgãos múltiplos.

O corpo de Saraceni será velado hoje na Escola de Artes Visuais do Parque Lage, no Rio de Janeiro, e será cremado na segunda-feira.

Saraceni havia sofrido um AVC em outubro de 2011. Desde estão, ficou internado no Hospital da Lagoa, no Rio.

Com o cartaz de seu filme Natal da Portela, estrelado por Milton Gonçalves… este filme, SARACENI lançou em Fortaleza…

Ao lado de Nelson Pereira dos Santos e Glauber Rocha, Saraceni foi um dos criadores do Cinema Novo, nos anos 1960.

Com a musa e companheira, Anna Maria Nascimento e Silva…

Saraceni era casado há muitos anos com a atriz Anna Maria Nascimento e Silva, e é considerado um dos precursores do Cinema Novo. Em sua carreira, o cineasta recebeu prêmios como os de Melhor Filme do Festival de Brasília, com A Casa Assassinada, de 1970, e o Prêmio Especial do Júri do Festival do Cinema Brasileiro em Miami, com O Viajante, de 1998.

* Tive a oportunidade de conhecer Saraceni em uma de suas visitas a Fortaleza – cidade pela qual nutria um carinho todo especial – e foi uma enorme honra trocar ideias com ele e desfrutar de sua convivência.

Ao lado de Saraceni, conheci também dois outros grandes de nosso Cinema, os quais também já partiram pro andar de cima: Ferdy Carneiro (pintor, gravador, desenhista industrial e um dos fundadores da Banda de Ipanema), e o grande fotógrafo e iluminador Mário Carneiro. Três figuras supimpas,  de inesquecível convívio !

SARACENI era um gentleman, homem de inteligência refinada, de docilidade cativante, inteligência serena e amabilidades raras. Na área da Sétima Arte, um Mestre. Mas sobre este item, outros falarão melhor que eu.

Fica o Aplauso do AURORA DE CINEMA a Paulo Cezar Saraceni e o desejo de que ele descanse em PAZ, cercado de amigos, música, e muita Luz.

Irandhir Santos, a ministra Ana de Hollanda e Saraceni na Mostra de Tiradentes em janeiro de 2011…

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Cinema, a Arte do século ?

 

“O cinema é a fotografia em movimento, mas a fotografia elevada a uma unidade rítmica plena de significados”…

O pesquisador, professor e crítico de cinema, L.G. de Miranda Leão, escreve sobre o reconhecimento do cinema como Arte.

 Voltamos ao velho tema sobre se cinema é realmente a arte do século. Claro, há décadas o cinema tem sido definido como tal, e vários autores o colocam como arte dinâmica ao lado das artes estáticas. Afinal, costuma-se perguntar: como conceituar arte? Não é do escopo destas linhas entrar no labirinto das definições. Mas, das várias e complexas, uma das mais simples, sem dúvida, é aquela do saudoso J. R. Capablanca, ex-campeão mundial de xadrez, segundo o qual “a arte consiste na transformação de uma boa ideia em matéria”. Imaginemo-nos como um comerciante ou produtor de filmes. Sabedores de um drama vivido por um casal de amigos em dificuldades econômico-financeiras, logo pensaríamos em ajudá-los. Essa ajuda poderia ser contratar um bom roteirista e aplicar os nossos recursos disponíveis para levar a bom termo esse apoio aos amigos. Feito o filme, com razoável retorno e possibilidades de ajudarmos a quem precisa, teríamos transformado a ideia de ajuda em matéria. Este é apenas um exemplo banal da definição de JRC. Quanto a definir cinema como 7ª Arte, apoiemos-nos no crítico e teórico italiano Ricciotto Canudo (1877 – 1923), nascido em Gioia delle Calle na Itália. Foi ele quem classificou e difundiu as artes, começando, segundo alguns registros, com a música, dança, pintura, arquitetura, teatro e literatura, vindo depois a 7ª (cinema) e a 8ª (a fotografia). Após fixar-se em Paris, em 1902, Canudo tornou-se figura líder da vida cultural francesa, atuando como anfitrião de artistas como Pablo Picasso (1881 – 1973), Raoul Dufy (1877 – 1953) e Fernand Léger (1881 – 1955). Quando começou a escrever suas análises críticas sobre arte e o cinema mudo em 1907 como meio de expressão, Canudo propiciou uma base para o subsequente pensamento europeu sobre a estética do cinema. Pois foi ele, no fim de contas, quem cunhou a frase “7ª Arte” para descrever a nova arte. Assim fundou em 1920 o Clube dos Amigos da 7ª Arte em Paris e em 1923 planejou a realização de um filme mudo em colaboração com a figura marcante de Marcel L´Herbier (1888 – 1979), proeminente realizador impressionista do “avant-garde” com influência sobre vários diretores do período, notadamente o brasileiro Alberto Cavalcanti (1897 – 1982) e Claude Autant Lara (1903 – 77). Coube, aliás, a L´Herbier fundar o IDHEC, a famosa escola francesa de cinema. Em 1954, dirigiu L´Herbier vários filmes para a TV francesa, um dos quais o instigante “La Citadelle du Silence”, de 1937, exibido depois nos cinemas de Paris. Discordância O renomado teórico Ralph Stephenson, autor de “The Cinema as Art”, obra exponencial com J. R. Debrix, discorda da classificação de Canudo segundo a qual o cinema é a fusão de três artes do espaço (pintura, arquitetura e dança) e de três artes do tempo (música, teatro e literatura). A proposição de Canudo tem sido usada para mostrar que o filme não é uma arte em seu próprio direito, mas o argumento do italiano não convence. Para Stephenson, o cinema não é apenas a soma dessas seis artes, mas algo novo e diferente de todas elas. Apesar, disso, a lista pode servir para ilustrar a complexidade dos elementos que a compõem. Para concluir, convém distinguir entre fotografia (a 8ª arte) e cinema. Valemo-nos de uma definição do saudoso Stanley Kubrick, realizador de alguns dos filmes mais importantes do século XX. Para SK, “o cinema é a fotografia em movimento, mas a fotografia elevada a uma unidade rítmica plena de significados, e esta, em troca, tem o poder de gerar e ampliar nossos sonhos e pesadelos”. Isso porque, como escreveu o filmólogo Román Gubern, “um filme é como uma simulação involuntária do sonho; quando as luzes do ambiente se apagam, a noite invade a sala de cinema, é como o ato de fechar os olhos: começa então na tela e no próprio interior do homem a incursão na noite do inconsciente; as imagens, como no sonho, aparecem e desaparecem, dissolvem-se e escurecem, o tempo e o espaço tornam-se flexíveis, retraem-se e dilatam-se à vontade, a ordem cronológica e os valores relativos à duração já não correspondem à realidade…”. Eis a riqueza da 7ª Arte!

L.G. DE MIRANDA LEÃO