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Gramado verá ‘Toda nudez será castigada’…

Neste ano no qual comemora sua quadragésima edição, o Festival de Cinema de Gramado vai exibir o primeiro filme premiado de sua história: Toda Nudez Será Castigada, clássico do cineasta Arnaldo Jabor.

A exibição será na sexta, dia 17, no Palácio dos Festivais. Na mesma noite, Jabor recebe o Troféu Eduardo Abelin, uma das quatro homenagens que o Festival entrega nesta edição.

Darlene Glória é a protagonista do premiado “Toda Nudez”…

Quando seu filme inaugurou a galeria de vencedores do Festival de Cinema de Gramado, em 1973, Arnaldo Jabor não estava presente na cerimônia. Toda Nudez Será Castigada chegou na serra gaúcha cercado de polêmicas por narrar a história de um homem que ia contra todos os costumes de sua época ao se casar com uma prostituta.

O filme é um marco não só para o Festival, mas para o próprio diretor: “Foi meu primeiro filme de ficção, muito mais de acordo com os meus desejos do que Pindorama, que era um trabalho anterior mais adequado às regras da época. Toda Nudez… foi um encontro comigo mesmo. Foi o filme que mais me marcou”.

A Felicidade de Jabor pelo olhar de Brida

O retorno de Arnaldo Jabor ao cinema, 25 anos depois

O pequeno Paulo (Caio Manhente) sonha grande, como toda criança. Vive no Rio de Janeiro, é filho de um militar e, de repente, estoura a Segunda Guerra Mundial. Dos oito aos 18 anos, irá aproximar-se de novos amigos e conhecer o amor e o sexo, sempre influenciado pelos ensinamentos do avô, Noel (Marco Nanini).

Havia grande expectativa no retorno de Arnaldo Jabor ao cinema, pela originalidade de seus filmes, os quais rodou durante o fim do Cinema Novo, e o destaque na fase da pornochanchada. Estava longe das câmeras desde 1986, quando fez o bom drama “Eu sei que vou te amar”.

O filme não é de todo ruim, mas poderia ter sido rodado por qualquer um. A história, agradável, com momentos ternos e outros engraçadinhos, é um olhar sobre a infância e a adolescência de um garoto carioca, durante os anos 1940 e 50, em tempos de guerra. Parece recorte de um período, que tenta refletir uma geração do pós-guerra, universalizando o tema, mas tudo de forma menor, sem vigor ou grandes emoções.

Jayme Matarazzo, Maria Luísa Mendonça e Roney Vilella em A Suprema Felcidade

O que me incomoda é a teatralidade dos atores em cena, misturado com a falta de timing. Culpa que se atribui ao diretor. Soa fake para cinema, castigado por um elenco mal aproveitado, e que não está em seus melhores dias. Marco Nanini é o único que segura as pontas, nos poucos momentos que aparece. Dan Stulbach está exagerado como o pai militar, Elke Maravilha envelhecida, sem destaque algum, e ainda rápidas aparições de Ary Fontoura, Jorge Loredo (o Zé Bonitinho), João Miguel (num papel cômico, como um pipoqueiro piadista), além de Maria Flor.

Jabor já foi melhor com “Toda nudez será castigada”, “Eu te amo”, “Tudo bem” e “Opinião pública”. Esse, junto com “Pindorama”, são seus filmes menores e descartáveis. Em suma, um drama ingênuo, desconcertado, teatral demais.

Tammy Di Calafiori estreando em cinema no filme de Jabor…

A Suprema Felicidade (Brasil2010125’) Direção: Arnaldo Jabor Com:Marco Nanini, Dan Stulbach, João Miguel, Maria Flor, Elke Maravilha, Ary Fontoura, Caio Manhente, Emiliano Queiroz, Roney Vilella e Maria Luísa Mendonça, entre outros.

DVD: Menu interativoSeleção de cenas Seleção de idiomas Seleção de legendas Tela: Widescreen Anamórfico (1.85:1) Áudio: Dolby Digital(2.0 / 5.1) Idioma: português Legenda: português, inglês e espanhol Extras: making of; trailer

Distribuição: Paramount Home Entertainment

As Muitas “Vozes” da Suprema Anna

Paraísos Artificiais é o novo longa de Marcos Prado (do premiado Estômago, filme, aliás, muito apreciado por Ivan Cineminha – personagem adorável da cultura paraibana). A temática são as drogas sintéticas.

Filmagens de Paraísos Artificiais

O filme é inspirado no livro homônimo de Baudelaire e tem roteiro de Marcos Prado e Pablo Padilha. As filmagens aconteeram em Recife, no Rio e vão prosseguir em Amsterdam (março/abril), e conta com o auxílio luxuoso de Anna Costa e Silva na Assistência de Direção (dela também a Assistência em A Suprema Felicidade, o novo de Jabor).

A jovem, bela e competente Nathália Dill encabeça o elenco de Paraísos Artificiais, que tem ainda Lívia de Bueno (do filme Malu de Bicicleta, de Flávio Tambellini), e Bernardo Mello (que já atuou em Malhação).

Atriz Nathália Dill escureceu os cabelos para as filmagens de sua estréia no cinema

Anna Costa e Silva é uma encantadora garota carioca, que cursou cinema na Universidade Gama Filho, ao tempo de Ruy Guerra e Sérgio Sanz, e estreou como roteirista e diretora com o curta Nosso Amor é Tão Bonito – só imagens de mãos). Agora, Anninha roda festivais – no Brasil e no exterior – com Vozes, cuja direção assina ao lado de Fábio Canetti e Luiza Santolini, com Tiago Catarino na assistência.

Vozes – que levou duas estatuetas no I FestCine Maracanaú – já participou de festivais em Milão, New York, Miami, Los Angeles, New Jersey, Fenarte (PB), Cabo Frio, Ribeirão Pires, Iguacine (RJ). Este filme tem meu querido amigo André Miguéis como Assistente de Produção.

Dandarra Guerra é a protagonista em trabalho digno de muitos elogios. Também conta para o êxito da obra a bela direção de arte, a fotografia, a trilha e a bem cuidada produção.

Que venham muitos outros para Anna Costa e Silva e sua aguerrida equipe !