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Wilker e a homenagem que ficou faltando…

Enquanto o país chora a perda do grande Artista, temos vergonha alheia pela homenagem que nunca o Ceará fez para José Wilker

Enfim, a TV Verdes Mares fez uma pequena mas bela homenagem póstuma ao inesquecível José WilkerPode ser que a memória nos traia, mas a impressão mais forte é de que nunca a TV de maior repercussão no Estado do Ceará havia feito nada ressaltando o trabalho do profícuo ator cearense. Essa mudança deve-se ao fato de a TV ter deixado de ser simplesmente uma retransmissora da TV Globo para ser uma Afiliada. E aí a mudança foi considerável. Pra melhor. É fácil notar a inclusão de temas mais locais, incentivo à Cultura, apoio à Educação, mais produção cearense, programas focando na programação da emissora líder. Bem vinda melhora !

E é nesse bojo que se insere a Homenagem que a TV Verdes Mares veiculou ontem, 5 de abril, dia da morte de José Wilker, destacando o trabalho do Artista. Até matéria direto de Juazeiro do Norte, terra natal do ator, eles fizeram.

Infelizmente, em vida, José Wilker nunca recebeu as devidas honrarias no Ceará. Não ganhou nenhuma condecoração especial, nem as conhecidas medalhas oficiais, nem título de cidadania, nem um troféu ou coisa semelhante com seu nome, nem sequer uma mostra de cinema com boa parte de seus trabalhos na telona, nem o mais conhecido troféu do Estado, a Sereia de Ouro, entregue anualmente.

Não há justificativa nem explicação que justifique essa falha. WILKER era um Artista do Melhor Quilate, em qualquer parte do mundo. E um Artista múltiplo, em qualquer veículo no qual se apresentasse. Há muito o Ceará deveria ter prestado uma justa e digna Homenagem ao Ator, que também era escritor, dramaturgo, diretor de teatro, cineasta, e respeitado crítico de Cinema.

Resultado é que neste momento de dor, da súbita partida do magnânino ator cearense – reverenciado e chorado em profusão nas redes sociais e na mídia de modo geral -, não há nada que o Ceará possa mostrar como lembrança ou memória bonita de tal homenagem que fez a ele; da noite em que ele recebeu tal e qual homenagem; do almoço X ou Y, ou do debate tal que ele participou… é lamentável, sob todos os aspectos. Enquanto o povo, os artistas, a imprensa, e gente de todas as idades e classes sociais despede-se com muita tristeza e saudade de JOSÉ WILKER, nós cearenses amargamos essa ‘vergonha alheia’ de sermos a terra que deu berço ao Artista mas nunca teve o mérito de reconhecer, reverenciar e aplaudir seu talento, sua vocação, sua inteligência brilhante, sua poderosa atuação na cena artística brasileira.

Sim, o Estado do Ceará fica devedor de José Wilker. Agora que jornais, rádios, TVs, e a web tornam notória a reverência ao Artista – com gente de todas as idades, profissões e faixas sociais lamentando e fazendo suas saudações a Wilker – a atitude da TV Verdes Mares de lembrá-lo é quase uma ‘obrigação’. Mais que isso, é a tentativa de saudar uma dívida.

Lembro da época na qual esta redatora fizera uma entrevista com o ator, em Gramado, e trouxe a matéria prontinha pra publicar. Ofereci aos jornais locais, sem ônus algum, e, mesmo assim, a resposta foi o silêncio. Nem sequer recebi um Não. Simplesmente, não publicaram. E àquele tempo, José Wilker estava às vésperas de estrear na telinha como o lendário Presidente JK…

Felizmente, anos depois, quando Wilker veio a Fortaleza participar da inauguração de um espaço na Livraria Cultura do Iguatemi que leva seu nome – única distinção louvável feita ao artista -, pude estar com ele, prosear e falar de uma possível homenagem que tentaríamos fazer enquanto produtora e jornalista. Infelizmente, Wilker andava com a agenda bem cheia àquela época, às vésperas de estrear uma peça de teatro. Adiamos pra quando desse, mas pelas dificuldades tão próprias à atividade cultural, acabamos sem nunca conseguir fazer a devida reverência ao Artista.

O Ceará é quem ficou te devendo, Wilker  Querido !

Felizmente, o povo do Ceará e esta redatora sempre te viram como um Artista FelomenalE é assim que te dá adeus, com carinho, saudade e um enorme Aplauso este ‪#‎BlogAuroradeCinema‬

Adeus a NILDO PARENTE…

É o cineasta LUIZ CARLOS LACERDA quem informa:

Triste notícia: hoje à tarde o nosso querido NILDO PARENTE  faleceu no Hospital Silvestre, em Santa Teresa (RJ), aos 75 anos, depois do terceiro AVC…

Nildo estava em coma há cerca de 2 meses. Ano passado fiz um documentário sobre ele para a série Retratos Brasileiros do Canal Brasil, exibido em outubro.

NILDO viu o filme e ficou muito feliz pela homenagem. Já tinha tido o primeiro AVC mas aparentava estar se recuperando. Estava contratado até hoje pelaTV Globo e iria participar, mais uma vez, de uma novela de GILBERTO BRAGA, destavez INSENSATO CORAÇÃO, mas não chegou a gravar.
Vamos prestar uma homenagem ao querido ATOR. Assim que souber do local e hora, eu avisarei. Hoje essa informação é capaz de sair no Jornal da Globo.
Adeus, amigo !
Beijos,
Bigo.
 
NILDO, ao lado de NEY MATOGROSSO, no curta DEPOIS DE TUDO
Com Daisy Lúcidi: destaque em PARAÍSO TROPICAL, do amigo Gilberto Braga
NILDO contracena com NEY MATOGROSSO no curta DEPOIS DE TUDO, de Rafael Saar
UM POUCO MAIS sobre NILDO PARENTE
 
Nildo Parente estreou no cinema, no filme O Homem que Comprou o Mundo (1968), de Eduardo Coutinho.

Em seguida, fez o papel principal no longa Azyllo Muito Louco (1969), de Nelson Pereira dos Santos, onde atuou ao lado de Luiz Carlos Lacerda e Leila Diniz, voltando a filmar com Nelson “Quem é Beta?” (1972), “Tenda dos Milagres” (1977) e “Memórias do Cárcere” (1983).

O período em que NILDO PARENTE mais atuou foi na década de 70, quando, em papéis de diferentes importâncias e sob a direção de cineastas diversos, fez mais de 20 filmes, entre esses “Anjos e Demônios” (1970), de Carlos Hugo Christensen: “São Bernardo” (1972), de Leon Hirszman: “Os Condenados” (1973), de Zelito Viana: e “Coronel Delmiro Gouvêa” (1977), de Geraldo Sarno.

Nos anos 1980 e no começo dos 1990, fez mais de dez filmes: “Luz del Fuego” (1981), de David Neves; “Rio Babilônia” (1982), de Neville D’Almeida; “O Beijo da Mulher-Aranha” (1984), de Hector Babenco; e “Natal da Portela” (1988), de Paulo Cezar Saraceni.

Nos anos 90, participou dos filmes “Bela Donna” (1998), de Fábio Barreto; “Seja o que Deus Quiser” (2002), de Murilo Salles; e “Inesquecível”, de Paulo Sérgio Almeida.

Seus principais trabalhos em teatro foram “Hoje é Dia de Rock”, de Rubens Corrêa; “Francisco de Assis”, de Ciro Barcellos; e “Ai Ai Brasil”, de Sergio Brito.

Nildo fez parte do elenco do Grande Teatro Tupi, onde encenou aproximadamente 20 peças do programa, de 1958 a 1963.

Na televisão, trabalhou em diversas novelas, como “Água Viva”, “América”, “Senhora do Destino” e “Celebridade”. Em 2007, Nildo Parente participou da novela Paraíso Tropical.

Em 2008, após participar do espetáculo “As Eruditas”, Nildo voltou aos palcos, desta vez ao lado de Francisco Cuoco e grande elenco, com a peça “Circuncisão em Nova York”. O ator também esteve na TV, em participação especial nos últimos capítulos da novela Amor e Intrigas, na Record.

Ainda em 2008, NILDO esteve no curta Depois de Tudo, co-produção da ONG Cinema Nosso com a Universidade Federal Fluminense (UFF) e pôde ser visto também no longa Meu Nome é Dindi, de Bruno Safadi.

Em 2009, Nildo Parente fez participação especial na série “A Lei e o Crime”, da Record. No mesmo ano, subiu ao palco no espetáculo “Medida por Medida”.

Seu mais recente trabalho foi no longa-metragem Chico Xavier. dirigido por Daniel Filho.

NILDO PARENTE era cearense e esteve em Fortaleza muitas vezes, aqui tinha muitos amigos, entre eles a estilista Fátima Castro. Numa das últimas vezes, subiu ao palco do Teatro José de Alencar ao lado de EMILIANO QUEIROZ, conterrâneo e grande amigo, e Ada Chaseliov, entre outros, no belo espetáculo OS FANTÁSTIKOS
Encontrei com Nildo várias vezes e era sempre um prazer estar com o ator, figura das mais agradáveis e educadas, aquele tipo que de imediato chamamos BONACHÃO, além de ser um ator querido na classe artística, sem nenhuma afetação e muito talento.
NILDO PARENTE já deixa saudades… Descansa em paz, NILDO !