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Espaço de Arte: território de Afeto, Cinema e algo mais em Curitiba

Visita ao aconchegante Espaço de Arte, criado e coordenado por Cássia Hauari na capital paranaense, é obrigatória…

Estive em Curitiba final de maio por conta do Festival OLHAR DE CINEMA, que, em sua primeira edição, já chegou marcando presença e dizendo que veio para ficar.

Foram dias ótimos na capital paranaense, cercada de amigos queridos, vendo bons filmes, saboreando deliciosos pratos e conversando muito sobre Cinema. Que, sendo a Sétima Arte, traz todas as outras.

Curitiba tem uma arquitetura impressionantemente bela, ruas bem cuidadas e uma aura de paz que permeou toda nosssa estada por lá. E como chove na capital paranaense ! Não ficamos um dia por lá sem que a chuva deixasse de cair, farta e constante. Falo no final de maio, início de junho. Também lá já estive, em épocas de verão, e o calor reina absoluto.

Pois foi lá nesta cidade querida onde reencontrei minha amiga Sandra Zawadzki, artista plástica e cineasta, que nos acolheu (ao lado de seu companheiro, o cineasta Mello Viana) com braços e coração abertos, tornando a estada em Curitiba muito mais agradável. E inesquecível.

Foi Sandra Zawadzki quem nos apresentou outra artista curitibana, a incrível Cássia Hauari, misto de deliceza, sensibilidade, hospitalidade e simpatia que cativam à primeira vista.

Aurora, André Costa e Sandra Zawadzki: encontro feliz na noite curitibana…

Sandra e Cássia são irmãs de alma, inspiradas artífices do melhor tom e da mais fina harmonia, buscando a beleza das pequenas coisas; afetivas em gestos triviais; doces e envolventes, sem fazer esforço algum.

Solícitas, foram amigas e anfitriãs do mais alto quilate. Levaram-nos para um excepcional point da noite curitibana – o restô espanhol  Pata Negra -, onde jantamos pratos deliciosos e refinados, como o salmão ao molho de manga e arroz de castanhas e amêndoas que eu pedi – ai, delícia, assim eles me matam !

E na segunda foi a vez de nos convidarem a conhecer o Espaço de Arte, depositário de todos os sonhos e concretudes artísticas de Cássia Hauari, um lugar delicadamente belo, sensivelmente artístico e afetuosamente magnético.

Ali, eu, André Costa, e nossas amigas Fabíola Rodrigues e Fabiana Silveira, passamos uma inesquecível segunda-feira, debaixo de uma chuva torrencial, mas nem ela tornou frio aquele dia pleno de carinho, arte, cultura e valiosa troca de saberes.

No ESPAÇO DE ARTE, há lugar e boa vontade pra acolher toda forma de Arte, qualquer forma de expressão artística.

Cássia Hauari faz Especialização em Arte-Educação, mas de uns anos pra cá, é fascinada por Cinema. Conta isso com um brilho contagiante nos olhos. O sonho maior que ela acalenta agora é levar o cinema pra dentro de seu Espaço de Arte, onde já há uma sala bacana e bem equipada. As cadeiras são de um antigo cinema de Curitiba. Ela só queria assim. E foi atrás num antiquário até descolar as históricas cadeiras para seu Espaço.

Indormida, Cássia aproveitou a realização do Festival OLHAR DE CINEMA e participou de oficinas e do Seminário de Cinema Contemporâneo. Ficou encantada com as aulas do professor Hernani Heffner e conseguiu levar uma porção de amigos a fazer o curso junto com ela. E foi lá, num dos debates do festival, que Cássia conheceu o jovem cineasta/ator/produtor e professor da UEPB, André da Costa Pinto, e encantou-se com as palavras do diretor.

Sei bem o que é isso e o quanto a fala de André tocou Cássia. Eu também fui tocada de imediato pela força, ousadia e destemor deste guri paraibano quando o conheci em São Luís, há alguns anos, numa edição do Festival Guarnicê de Cinema, comandado por Euclides Moreira Neto.

André da Costa Pinto é assim: um vulcão derramando ideias, sensibildiade, ousadia e afetividade por todos os poros. Impossível não se contaminar.

E foi por isso que aconteceu nossa ida ao ESPAÇO DE ARTE. Cássia Hauari encantou-se com André e seu inventivo e prolífico festival de cinema, o COMUNICURTAS, que a UEPB realiza desde o início, e chega este ano à sétima edição. Cássia ficou tão empolgada com as histórias de André da Costa Pinto que já agendou visita à UEPB pro início de julho: quer conhecer de perto a Reitora Marlene Alves (que vem realizando um trabalho importante, pioneiro, e fundamental em defesa da Educação e da Cultura em Campina Grande) e entender melhor como André consegue realizar o festival em Campina e mobilizar tanta gente, seja da cidade, da Paraíba, ou dos quatro cantos do país.

Porque Cássia Hauari também pretende fazer um festival de cinema e quer que ele seja tão imponente, pulsante e aglutinador como o ComuniCurtas idealizado por André.

Por isso, levou André para conhecer seu espaço e conversar com seus parceiros de jornada e de ideias sobre a experiência dele em Campina Grande.

Este AURORA DE CINEMA acompanhou tudo de perto e pode garantir que, nasceu ali, naquele dia chuvoso em Curitiba, tendo como cenário o ESPAÇO DE ARTE, uma vigorosa semente audiovisual. Daquele Encontro, artístico, afetuoso e eloquente, comandado por Cássia Hauari, vai germinar o benfazejo fruto de uma nova aurora cinematográfica.

E como se não bastasse toda a alegria e os fluidos mágicos proporcionados por este encontro, no qual Sandra Zawadzki tem contribuição relevante, Cássia ainda nos brindou com um inigualável almoço nas dependências de seu convidativo ESPAÇO DE ARTE. Detalhe: o cardápio, de extremo bom gosto, foi todo elaborado pela própria Cássia, bem como a decoração do ambiente. Há ainda que citar, em negrito, a competência de seu corpo funcional, onde se destaca sua filha Thaíse Hauari, sendo o lugar comum inevitável: a garota é bela, simpática e tão boa anfitriã quanto a mãe -, responsável por um plantel de refinadas sobremesas.

Cássia e Thaíse Hauari: unidas pela Arte, sintonizadas pela afetividade…

Afe ! Foi pra lá de Demais esta visita ao ESPAÇO DE ARTE Cássia Hauari.

Deliciosa e inconfundível sobremesa de banana by Thaíse Hauari: manjar dos deuses…

E olhe que os gentis funcionários ainda nos brindaram com a sonoridade irretocável de  Tim Maia, Jorge Ben Jor e HERBERT VIANNA… não queriam que eu saísse de lá… Benza Deus !

A Cássia Hauari e sua Thaíse, e a nossa estimada Sandra Zawadzki, toda a nossa gratidão e apreço, com um comovido PARABÉNS pelo muito que vem investindo em Arte & Cultura, e pela certeza de que muito ainda farão.

E o desejo AURORA DE CINEMA de que o ESPAÇO DE ARTE prossiga sua trajetória de êxito e possa alargar seu raio de ação, firmando-se também como um espaço de Cinema, para o cinema, pelo Cinema e com o Cinema.

SARAVÁ !!!

Olhar de Cinema: um Festival que chegou pra ficar !

Foram 7 dias de muito cinema, traduzido em exibições gratuitas de filmes de 22 países, numa seleção ampla e de qualidade, cuja prioridade foram filmes independentes de todo o mundo; além de debates, oficinas e um Seminário de Cinema Contemporâneo, onde houve espaço pra se falar de todos os passos da realização audiovisual, desde as ideias primeiras para se iniciar uma produção até o intrincado processo da distribuição.

Segundo seus idealizadores - os jovens Marisa Merlo e Antônio Júnior, e mais o premiado cineasta Aly Muritiba -, tudo foi feito com um certo sentimento de urgência, na intenção de preencher uma lacuna no cenário cinematográfico paranaense e brasileiro. Sem exigir ineditismo, a proposta do Festival Internacional de Cinema - realizado de 29 de maio a 4 de junho - era promover reflexões sobre a Sétima Arte e incentivar a possibilidade de novos olhares para a telona, promovendo um saudável intercâmbio entre realizadores, produtores, artistas e jornalistas dos quatro cantos do mundo. Afinal, sendo a Arte a Sétima (como bem diz o mestre LG de Miranda Leão, "A mais rica de todas"), não cabe debruçar-se sobre a produção audiovisual com nenhum tipo de preconceito ou ideia formatada virtualmente.

 

O imponente edifício do SESC - Paço da Liberdade: cenário de debates e do Seminário de Cinema Contemporâneo...

Como este AURORA DE CINEMA conferiu o festival de perto - atendendo a convite da gentilíssima Assessoria de Imprensa de Celso Sabadin -, posso afirmar: os organizadores alcançaram seus propósitos e foram felizes numa Curadoria de viés arrojado, aberta a uma multiplicidade de expressões culturais, mesclando novos talentos, diretores veteranos, convidados de renome, boas projeções e salas lotadas.

Filme de Campina Grande mobilizou e teve ótima repercussão entre crítica e público...

Alguns dos destaques da extensa lista de filmes da programação, foram os brasileiros HU, documentário de Joana Traub e Pedro Urano; Girimunho, de Clarissa Campolina e Helvécio Marins Jr.; Tudo que Deus criou, de André da Costa Pinto; Sudoeste, de Eduardo Nunes; Estradeiros, de Sérgio Oliveira e Renata Pinheiro; e o premiadíssimo As Hiper Mulheres, de Carlos Fausto, Leonardo Sette e Takumã Kuikuro.

As comissões julgadoras estiveram compostas assim:

JANELA INTERNACIONAL - Andrea Tonacci, documentarista;
Eloisa Solaas, professora de cinema e integrante da equipe de produção do  BAFICI (Buenos Aires Festival Internacional de Cine Independiente); Jose Luis Torres Leiva, realizador chileno.

OLHARES BRASIL - Fernando Severo, cineasta e atual diretor
do Museu da Imagem e Som do Paraná; Leonardo Cata Preta, cineasta, Animador, e Artista Plástico; e Lina Chamie, cineasta, Mestre em Música e Filosofia.

Mostra NOVOS OLHARES - Júri Universitário 

Adriano del Duca, sociólogo e estudante de Cinema; Lucas Murari, estudante de cinema e professor de Teoria e Linguagem do Documentário, História do Cinema, Novos Dispositivos Digitais e Pedagogia da Imagem para crianças; e Tomás von der Osten, estudante de Cinema e montador de diversos curtas.

Mostra MIRADA PARANAENSE - Júri RPC/TV 

Carlyle Ávila, jornalista, diretor de programação da Rede Paranaense de Comunicação (RPCTV), filiada à Rede Globo;  Marcos Souza, roteirista e assistente de direção do programa Casos e Causos, da RPCTV; e Marcus Werneck,gerente de produção e diretor de cena na RPCTV, onde já dirigiu mais de 40 curtas metragens.

Como bem nos saudou Celso Sabadin em seu comunicado pós-festival:

" Tenho a impressão que todos nós acabamos por acompanhar um momento histórico: o nascimento de um Festival de Cinema que tem tudo para se transformar, a médio prazo, num dos mais importantes do Brasil. De qualquer maneira, foi muito legal e muito divertido ter vocês como companhia durante esta chuvosa semana curitibana".

Este AURORA DE CINEMA assina embaixo e corrobora: o OLHAR DE CINEMA tem oxigênio suficiente para se transformar num dos mais relevantes festivais de cinema do país. Por isso, parabenizamos a todos os envolvidos na realização do festival curitibano e saudamos seus fundamentais patrocinadores, em especial a VOLVO, a Copel, e a Scheweppes, além do SESI, SESC, Shopping Crysthal, Cinemateca de Curitiba, Museu Oscar Niemeyer e RPC-TV.

E os vencedores do Festival OLHAR DE CINEMA são:

Competitiva Janela Internacional de Longa Metragem

Melhor Filme – Prêmio Olhar:
Sangue Do Meu Sangue (Blood Of My Blood), de João Canijo.
Portugal.

Prêmio Especial do Júri:
Snackbar (Snackbar), de Meral Uslu.
Holanda.

Prêmio de Contribuição Artística:
Country Music (Musica Campesina), de Alberto Fuguet.
Chile/EUA.
Pelo trabalho de direção.

Prêmio do Público:
Las Acacias (Las Acacias), de Pablo Giorgelli.
Argentina/Espanha.

Sangue do meu Sangue: o premiado longa português de João Canijo...

Competitiva Olhares Brasil de Longa Metragem

Melhor Filme – Prêmio Olhar:
As Hiper Mulheres (The Hyperwomen), de Carlos Fausto, Leonardo Sette e Takumã Kuikuro.

Prêmio Especial do Júri:
Girimunho (Swirl), de Clarissa Campolina e Helvécio Marins Jr.

Prêmio de Contribuição Artística:
Estradeiros (Wanderers), de Renata Pinheiro e Sérgio Oliveira.
Pela força da imagem como representação do universo dos personagens.

Prêmio da Crítica – Associação Brasileira dos Críticos de Cinema (Abraccine):
As Hiper Mulheres (The Hyperwomen), de Carlos Fausto, Leonardo Sette e
Takumã Kuikuro.

* Pela maturidade no tratamento cinematográfico da cultura indígena em processo compartilhado de criação

Prêmio do Público:
As Hiper Mulheres (The Hyperwomen), de Carlos Fausto, Leonardo Sette e
Takumã Kuikuro.

Mostra Novos Olhares
Para 1º.s ou 2º.s filmes de cineastas brasileiros e internacionais.

Melhor Filme:
Para Além Das Montanhas (Yama No Anata / Beyond The Mountains), de Aya Koretzky.
Portugal.

Competitiva Janela Internacional de Curta Metragem

Melhor Filme – Prêmio Olhar:
Cross-country (Cross), de Maryna Vroda.
França.

Prêmio Especial do Júri:
Could See A Puma (Pude Ver Un Puma), de Eduardo Williams.
Argentina.

Prêmio de Contribuição Artística:
Cross-country (Cross), de Maryna Vroda.
França.
Pelo trabalho de câmera e fotografia.

Prêmio do Público:
Beast (Csicska), de Attila Till.
Hungria.

Lina Chamie, Aurora Miranda Leão e Rubens Ewald Filho: Olhar de Cinema...

Competitiva Olhares Brasil de Curta Metragem

Melhor Filme – Prêmio Olhar:
Assunto de Família (Family Affair), de Caru Alvez de Souza.

Prêmio Especial do Júri:
Na Sua Companhia (By Your Side), de Marcelo Caetano.

Prêmio de Contribuição Artística:
Dona Sônia Pediu Uma Arma Para Seu Vizinho Alcides (Dona Sonia Borrowed A Gun From Her Neighbor Alcides), de Gabriel Martins.
Pelo rigor estético e economia de meios na direção.

Menção Honrosa:
Vereda (Pathway), de Diego Florentino.

Prêmio da Crítica – Associação Brasileira dos Críticos de Cinema (Abraccine):
Na Sua Companhia (By Your Side), de Marcelo Caetano.
Por representar um cinema múltiplo tanto no caráter humano como no estético, explorando com sensibilidade expressões amorosas.

Prêmio do Púbico:
Praça Walt Disney (Walt Disney Square), de Renata Pinheiro e Sérgio Oliveira.

Prêmio Aquisição RPC para um curta da Mirada Paranaense:
O Descarte (The Disposal), de Carlon Hardt e Lucas Fernandes.

As Hiper Mulheres: filme que vem do Mato Grosso foi o grande vencedor do OLHAR DE CINEMA...

* O documentário As Hiper Mulheres é uma parceria do antropólologo Carlos Fausto, do cineasta Leonardo Sette e do indígena Takumã, e retrata a jornada percorrida por um jovem índio, o qual recebe pedido de um tio, cuja mulher está à beira da morte: ele pede para que tente realizar o Jamurikumalu, o maior ritual feminino da região do Alto Xingu, no estado do Mato Grosso, para que ela possa cantar uma última vez.