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Neila Tavares e o legado grandioso de PAULO GOULART

Atriz, escritora e jornalista faz tocante homenagem ao grandioso Ator, falecido a 13 de março, e evidencia a força do Amor que se perpetua na mulher Nicette Bruno, nos 3 filhos artistas, e nos netos…

Em destaque no Blog Aurora de Cinema, a pena preciosa de NEILA TAVARES:

PAULO GOULART E A ETERNIDADE DO AMOR

A belíssima biografia de Paulo Goulart teve um final perfeito. Um final de uma doçura!

O que fascinava principalmente em Paulo Goulart era a sua doçura. Um homem tão grande com aquele vozeirão, e… doce! Doce. Irresistivelmente doce. Não, porque ele era irresistível.

Principalmente quando você descobria que doçura tão grande e tão natural e evidente só podia caber no coração de um Homem de Bem. E Paulo Goulart foi um Homem de Bem.

Homens assim, artistas assim, colegas assim, a gente sofre quando partem. Mas…

Alguém escreveu na rede: “Coitada de Nicete. 60 anos!”

Liguei a TV e lá estava a Nicete, falando. E pouco a pouco fui ficando menos triste… E de repente até quase feliz. Paulo morreu segurando suas mãos, as mãos da mulher que amou e por quem foi amado uma vida. Em torno, todos os filhos, todos os netos. Unidos. A união da família chama a atenção da imprensa. A união e a conformação. Eles crêem na continuidade da vida, crêem no reencontro dos homens afins depois da morte. Estão seguros, sem medo.

pau quadrin

Nicete crê na eternidade deste amor. E é tão verdadeira, tão sincera nesta fé. Ela estará com ele em breve e os dois estarão ainda se amando. No final desta estrada. Que bonito! Quando o Amor fica maior que a Morte, quando o Amor vence a Morte. E não há um único resquício de dúvida. Esta é uma fé absoluta nela. E assim nos consola.

Por isso vou dormir quase feliz. O pano caiu para Paulo Goulart numa obra perfeita, em grand finale transbordante de ternuras, a maior que protagonizou e escreveu: a própria biografia. Parabéns, Paulo Goulart. A platéia se levanta, ovaciona: BRAVOS! Bravos!

Pau e Ni

Paulo Goulart e a companheira da vida inteira, Nicette Bruno…

fam Goulart 1

Legado de Paulo Goulart: lição de amor e companheirismo numa família exemplarmente unida…

Paulo e Eva

Paulo Goulart contracenando com Eva Wilma…

Paulo Goulart com Maitê Proença e Glória Menezes na novela Jogo da Vida, de Sílvio de Abreu, nos anos 80…

Num dos papéis mais marcantes no Teatro: a maestrina Madame Hortense em  ‘Orquestra de Senhoritas’, de 1974…

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Paulo Goulart, Dina Sfat, Jardel Filho e Arlete Salles na novela ‘Verão Vermelho’, do saudoso Dias Gomes, a primeira telenovela que o autor assinou com o próprio nome, de 1970…

* NEILA TAVARES é atriz com trabalhos de destaque no teatro, cinema e televisão, além de escritora, diretora de teatro, jornalista e apresentadora de TV. Já escreveu para o jornal Folha de SP, e também para as revistas Pais e FilhosMulher de Hoje e Ele e Ela; comandou programas de entrevistas na Rede Manchete e na TVE Brasil.  Iniciou-se como atriz meio sem querer, convidada para substituir Suely Franco na montagem do renomado Teatro Opinião para a peça O Inspetor Geral, de Gogol. Com o ator Carlos Gregório e o então marido, o também ator Paulo César Peréio, formou a companhia “Bléc-Bêrd” (grafia distorcida de Black Bird, ou “pássaro preto”), tendo protagonizado o espetáculo  Anti-Nelson Rodrigues, escrito pelo polêmico dramaturgo pernambucano especialmente para ela.

Neila Tavares edita o blog http://flyingontheworld.blogspot.com.br, e publicou os livros 

  • Histórias Maravilhosas para Ler e Pensar
  • Os Mais Belos Pensamentos dos Grandes Mestres do Espírito
  • Orações para Pessoas de Todos os Credos

Neila perfil

MUÇUEMBA Exercita a Impermanência do Novo

Agora é verdade: o aguardado TEASER OFICIAL do filme MUÇUEMBA já está na rede e começa a causar rebuliço:

http://www.youtube.com/watch?v=SP9JPwU-lnw

Este é o cenário MUÇUEMBA… imagine um filme como quiser… e aguarde… MUÇUEMBA !

Equipe MUÇUEMBA – Leo Tabosa, Zeca Brito, Aurora Miranda Leão e Emias Oliveira: só alegria nas filmagens em JERICOACOARA… O caprichado still é de Arthur Leite (premiado cineasta do documentário Mato Alto – Pedra por Pedra).

Seguindo o espírito BELAIR…

Dentre os tantos aspectos relevantes a se notar no curta RESTA UM, há um praticamente impossível de não se destacar quando nos detemos em suas sequências: o caráter de documento de seu tempo. Assim nas produções da BELAIR, assim em RESTA UM.

Ademais, elementos clássicos do cinema produzido pela BELAIR (produtora que durou 3 meses, em 1970,  durante o regime de exceção que imperava no Brasil, e que realizou 7 longas-metragens) – cujos gritos revolucionários ainda ecoam no cinema brasileiro, mesmo sem a propagação de seus filmes – estão neste RESTA UM, curta que as produtoras Aurora de Cinema e Cabeça de Cuia Filmes acabam de finalizar, como o uso da câmera de mão, as filmagens na rua, a mescla de imagens (filmadora, tevê e celular), o estranhamento através de imagens destoantes, desfocadas, sons propositadamente incômodos ou mal definidos, personagens que não representam mas valem pelo que representam, intertextualidade constante, bebendo na fonte de outras referências imagéticas – como na apresentação de cenas de outros filmes -, deixando claro ser a referência proposital e ancorada numa forma autoral de expressão.

O choque como recurso estético, tão freqüentemente utilizado pela Belair (produtora criada pelos cineastas Júlio Bressane e Rogério Sganzerla), em quem a obra se inspira e a quem pretende homenagear, também se verifica em Resta Um, de Aurora Miranda Leão. Isso fica patente desde o início, quando o apito inconveniente do elevador, azucrina o ouvido da atriz Ingra Liberato e o de quem a acompanha na sala de projeção. E se condensa na tomada do barco-olho que adentra, com barulho (capaz de provocar estranhamento instantâneo), o oceano na tomada inicial (clara referência ao documentário Belair, de Bruno Safadi e Noa Bressane, grande inspirador deste curta).

Numa aparente dessintonia entre as sequências, Aurora vai construindo uma narrativa cheia de percalços, inconclusões, desconexões, onde vida real e ficção (?) se entrecruzam em associações com elementos ícônicos e intertextualidades profícuas, como as que bem ilustram o depoimento lapidar do cineasta Sílvio Tendler.

A homenagem a Júlio Bressane e o legado da Belair aos poucos se insinua, delicada e espontaneamente, nas filigranas que perpassam a anti-narrativa. Esse dado às vezes fica bem explícito, como na sequência a mostrar a noite carioca, em movimento de câmera oscilante e com nitidez rarefeita. Ou ainda através do take no qual se percebem amigos dançando numa discoteca ao som de “Queixa”, de Caetano Veloso, artista de estreita sintonia com o universo bressaniano. E, sobretudo, na sequência em que INGRA protagoniza homenagem explícita à cena de A Família do Barulho, na qual a câmera se fixa bastante tempo na atriz Helena Ignêz, que aparece em close, até chegar ao momento em que escarra “sangue”. 

Outro dado a saltar aos olhos e assolar o intelecto é o fato de o curta preservar, com propriedade, a característica mais marcante da produção Belair, qual seja filmar entre amigos e o enorme prazer daí advindo. Porque até o espectador mais leigo registra, sem dificuldade, que todas as pessoas envolvidas em Resta Um lá estão por absoluta vontade e adesão ao projeto inicial, dado prazerosamente afirmado no espontâneo depoimento de Ingra. Também a alegria que ilumina o rosto quando o escritor Miguel Jorge aparece e o semblante sereno e internamente feliz de Rosamaria Murtinho são reveladores deste prazer de estar entre amigos e experimentar cinema. E assim como a ironia pensa uma coisa e diz outra, a diretora de Resta Um aparece em seu próprio filme, criando uma instigante dissonância cognitiva, ao criticar, ela própria, o fazer cinema que contagia jovens de hoje e de ontem, de todas as idades. Como diz a pesquisadora Olgária Matos (professora de Filosofia Política da USP): “Nos filmes de Bressane, as personagens oscilam entre a lucidez e a evasão fora da luz. Na ausência de qualquer razão profunda de viver, os filmes advertem para o caráter insensato da agitação cotidiana e a inutilidade do sofrimento”.

Martha Anderson e Grande Otelo em O Rei do Baralho

Júlio Bressane trabalhou sempre com orçamentos modestos, equipes pequenas, filmagens rápidas e muita invenção, e desenvolveu ao longo dos anos um dos traços mais fortes de sua cinematografia: o intertexto artístico, tão bem captado em Resta Um.

A liberdade radical de experimentação, talvez o maior legado da singular e riquíssima cinematografia de Bressane, é o que mais aflora neste Resta Um de Aurora Miranda Leão. Afinal, como bem diz Bressane, a câmera na mão fora da altura do olho, jogo de foco, câmera giratória, ab-cenas, o infrasenso da linguagem: a câmera filma a própria equipe que filma, o “atrás da câmera”, o som direto com todas as interferências circum-cena, o diretor dirigindo o (in) dirigível etc etc… Tudo isso, toda esta escolha, todas estas figuras, todo este procedimento, toda esta concepção de produção e expressão, tudo é olho Belair. Não há isto no cinema novo. É depois do cinema novo. É Belair.”

RESTA UM… inspirações…

Elementos clássicos do cinema produzido pela BELAIR estão no curta-metragem que acaba de ser finalizado pelas produtoras AURORA DE CINEMA & CABEÇA DE CUIA FILMES como o uso da câmera de mão, as filmagens na rua, a mescla de imagens (filmadora, tevê e celular), o estranhamento através de sons propositadamente mal definidos, personagens que não representam mas valem pelo que representam, intertextualidade constante, bebendo na fonte de outras referências imagéticas, apresentando cenas de outros filmes e deixando claro que a referência é proposital e tem um sentido estético.

* Aguardem novos posts…

RESTA UM… Divulgadas Primeiras Imagens

     RESTA UM… ficou pronto… Filmagens foram realizadas em Goiânia, em novembro passado, por ocasião do VI FESTIVAL NACIONAL DE GOIÂNIA do CINEMA BRASILEIRO…

RESTA UM é uma parceria Aurora de Cinema e Cabeça de Cuia Filmes

INGRA LIBERATO  é a estrela. ROSAMARIA MURTINHO, a ATRIZ especialmente convidada.

FILME é uma declarada HOMENAGEM a Júlio Bressane, nosso cineasta mais singular, o erudito do Cinema Brasileiro, que revolucionou nossa cinematografia a partir dos filmes instigantes e semimais que realizou, como Cara a Cara, O Anjo Nasceu, e MATOU A FAMÍLIA e FOI AO CINEMA…

INGRA LIBERATO: novo trabalho, sob direção de Aurora Miranda Leão, tem declarada inspiração na atriz HELENA IGNÊZ, musa da produtora BELAIR, que fez o maior buchicho no país em 1970…

Parceria BRESSANE x SGANZERLA…

* Depois explicamos melhor… Aguardem novos posts…

RESTA UM…………