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Mineiros exibem Campo Branco em Fortaleza

Quinta que vem, será aberta no Centro Cultural Banco do Nordeste a coletiva Campo Branco, reunindo obras de seis artistas visuais mineiros. São eles: Francisco Magalhães, Isaura Pena, Júnia Penna, Pedro Motta, Ricardo Homen e Rodrigo Borges.

A abertura será às 18h e a mostra ficará em cartaz até 1º de abril com horário de visitação de terça a sábado, de 10h às 20h; e aos domingos, de 12h às 18h.

O objetivo da expô é apresentar a produção recente dos 6 artistas visuais mineiros, os quais vêm realizando trabalhos significativos no cenário da arte contemporânea. Eles desenvolvem pesquisas plásticas que, apesar da diversidade de meios e interesses, apontam alguns procedimentos em comum. Esses procedimentos revelam uma aproximação poética entre as obras, presente na espacialidade, na noção de vazio e no sentido construtivo. As referências geográficas apresentam-se como ponto de interesse para este grupo de artistas que trata a geometria de forma “orgânica”, e busca, no trabalho com a superfície e o espaço, o palco de suas ações artísticas. 

Observação do lugar: ferramenta para obras artísticas *

Tentar falar do mundo através da observação do lugar parece-nos comum aos interesses dos geógrafos, biólogos, físicos, sociólogos, antropólogos e artistas. A observação atenta dos fatos sociais, do relevo, da vegetação, dos movimentos demográficos, dos movimentos naturais, das etnias e das práticas desenvolvidas especificamente por uma determinada cultura são, para aqueles que trabalham no campo da ciência e da arte, uma ferramenta eficiente no desenvolvimento de seus pensamentos, enfim, de suas obras.

Para os cientistas, a observação dos fatos pode se dar de maneira aparentemente dissociada de suas histórias individuais. A paisagem é, em princípio, algo diverso, dissociado da vontade que os move em direção à compreensão do mundo, do lugar. E os artistas, de que forma se dá a observação dos artistas? O que o artista olha? O que ele vislumbra? Quais serão os seus métodos? Para os artistas, a paisagem aparece de forma quase atávica – o artista sempre estará falando do lugar. Para aquele que trabalha no campo da arte, a experiência de sua própria incursão no mundo, suas memórias, serão marcas determinantes em suas formas de criação.

Será objeto de curiosidade para o artista tudo aquilo que pode ser abarcado pelos sentidos: seu olhar perscrutador percebe a paisagem, vivencia o espaço. Absorve-o, toma-o para si, para depois transfigurá-lo dentro do embate criativo – a arte. Ao tentar compreender o que se dá no campo banal, o artista aproxima-se da essência do binômio homem/paisagem. Uma aproximação que resulta em reflexões (ação não-natural) sobre o lugar, a paisagem e sobre si mesmo. Imaginemos o artista sendo uma árvore na paisagem, um organismo alimentando-se do substrato do mundo, erguendo-se e sendo parte do lugar – modificando e sendo modificado.

O artista compreenderá o lugar ao considerar a paisagem como tudo aquilo que pode ser abarcado pelo “olhar” – a paisagem no seu entendimento mais amplo. Vale lembrar que esse vislumbre se dará pelos diversos sentidos e, se os olhos são mesmo as janelas da alma, podemos imaginar o artista como uma janela descerrada para a paisagem, estando em e sendo dela a parte mais íntima, recôndita.

Aberto para a paisagem, o artista soma-se ao mundo. Ao observar e descrever a natureza, o lugar a partir de suas experiências e memórias, o artista nos oferece a possibilidade de compartilhar sua busca, o seu objeto, seus fazeres – a sua paisagem interior, o seu lugar no mundo.

O termo “caatinga” é originário do tupi-guarani e significa mata branca. “Paisagem interior”, a parte mais dentro do Brasil, sob um mesmo céu: Minas Gerais e Ceará. O termo “campo branco”, que dá nome à exposição apresentada pelo Centro Cultural Banco do Nordeste, alude a um lugar supostamente árido, lugar ainda por ser, suporte/território no qual esses artistas estabelecem suas criações. Referências geográficas apresentam-se como interesse para este grupo. Esta ideia os reúne, ecoa como uma presença comum: a paisagem. Entendida não como gênero, mas como espaço vivo/lugar, território de toda criação. Esse território, ainda por ser, traz para a proposta uma ideia de diversidade e extensão, e que vai ao encontro da diversidade de produção que este grupo de artistas apresenta. A paisagem aparece, aqui, de diferentes formas, por vezes evidente. Em alguns momentos de maneira mais formal, em outros, mais simbólica. Isaura Pena, Pedro Motta, Francisco Magalhães, Júnia Penna, Ricardo Homen e Rodrigo Borges revelam uma aproximação poética entre as obras, presente na espacialidade, na noção de vazio e no sentido construtivo, e buscam, no trabalho com a superfície, o espaço, a matéria, o símbolo, o lastro para suas ações.

* (texto de Francisco Magalhães)

Expô de artistas mineiros no CCBN tem entrada franca…

Grandes Filmes e Cineastas Inesquecíveis em Ensaios de Cinema

Mergulho no Mundo do Cinema

Caso você seja daqueles interessados em cinema, a recomendação do momento é ler Ensaios de Cinema, mais recente livro do crítico LG de Miranda Leão, colaborador do Diário do Nordeste há mais de duas décadas.

Ensaios de Cinema teve concorrido lançamento no Centro Cultural Oboé, ocasião na qual foi exibido o curta LG – Cidadão de Cinema, homenagem do cineasta capixaba Gui Castor ao profícuo ensaísta (o curta tem 15 minutos e é uma produção Ceará-Espírito Santo, com roteiro assinado por estaredatora, filha do homenageado).

Ensaios de Cinema é mais um produto cultural lançado com o aval do programa Cultura da Gente – linha de ação do Banco do Nordeste que apóia a produção e lançamento de obras artísticas e culturais de seus funcionários aposentados. LG é um destes. Dedicou mais de 30 anos de trabalho ao BNB e foi lá, por exemplo, onde conheceu o aplaudido cineasta Walter Hugo Khoury, na década de 1970.

Khoury tinha vindo a Fortaleza a convite do BNB para realizar algumas peças publicitárias para a instituição. Ainda no avião, deparou-se com uma página do jornal Diário do Nordeste, onde alguns críticos da cidade apontavam seus filmes preferidos do ano anterior. LG era um desses e o único a indicar dois filmes de Khoury como alguns dos Melhores.  Logo ao chegar ao Banco do Nordeste, o cineasta paulista então perguntou ao fotógrafo da instituição, José Alves, se alguém ali conhecia aquele crítico. E qual não foi sua surpresa ao descobrir que LG trabalhava ali mesmo, como assessora do Gabinete da Presidência.

O encontro de LG e Khoury, crítico e cineasta, foi como o encontro de dois amigos de infância. E culminou com uma amizade que durou até o fim da vida de Walter Hugo Khoury, em 2003.
Os desdobramentos deste feliz encontro é um dos temas do livro Ensaios de Cinema, onde o leitor também pode ficar sabendo mais e melhor sobre a cinematografia de nomes emblemáticos como Orson Welles, Stanley Kubrick, Ingmar Bergman, François Truffaut, Federico Fellini e Michelangelo Antonioni, e ainda sobre a relevância do Cinema Europeu, Sueco e Alemão, e as dimensões dos filmes de guerra e dos filmes B, por exemplo.

Conhecido nas lides cinematográficas por seu profícuo exercício da crítica, o cearense LG Miranda Leão conta em seu Ensaios de Cinema com prefácio assinado pelo renomado jornalista Rubens Ewald Filho, único jornalista brasileiro a cobrir, in loco, a badalada entrega do Oscar: “Tivemos o prazer de editar pela Coleção Aplauso da Imprensa Oficial uma seleção de seus textos. Mas que são apenas uma pequena representação do que ele escreveu nesta última década. Agora temos mais de seus escritos, maior e melhor. Neste livro, todos os textos referem-se a filmes, cineastas ou cinematografias especiais (como cinema alemão, sueco, americano) e há outra coisa que eu admiro, seu rigor. L.G. não  escreve sem ter visto pelo menos três vezes o filme ou a obra a qual se reporta. Antes de tudo, é um livro para mergulhar de cabeça e alma, coração aberto e olhos cheios de imagem”.

 

SERVIÇO

Livro ENSAIOS DE CINEMA 

Editado pelo Banco do Nordeste do Brasil

(programa Cultura da Gente)

280 páginas, sugestão de preço: R$ 20,00

ONDE ENCONTRAR

Livraria Oboé (Center Um)

Livraria Lua Nova (Benfica)

Locadora Distrivídeo

Mais informações: (85) 9103.0556

Novo Livro de LG Será Lançado Terça em Fortaleza

TERÇA, 7 de Dezembro, às 18h, crítico LG de Miranda Leão estará no TROCA de IDÉIAS do Centro Cultural Banco do Nordeste Fortaleza para lançar seu novo livro, que já teve lançamentos no FestCine Goiânia e no V Festival de Cinema e Vídeos dos Sertões, realizado em Floriano, no Piauí. Dia 13, o livro será lançado no Festival ARUANDA, em João Pessoa, e dia 17 no I Festival de Cinema de Maracanaú, região metropolitana da capital cearense.

O livro ENSAIOS DE CINEMA é editado pelo Banco do Nordeste do Brasil através do programa CULTURA DA GENTE, que apóia trabalhos de Arte & Cultura de funcionários aposentados da instituição.

                                        

            Ensaios de Cinema, Um Olhar Acurado sobre a Sétima Arte 

            De autoria do crítico LG de Miranda Leão, ENSAIOS DE CINEMA reúne alguns dos principais ensaios escritos pelo jornalista cearense ao longo de muitas décadas de dedicada inspiração à arte de imortalizar um filme através das reflexões por ele inspiradas.

  

Orson Welles, genial criador, é um dos pilares da preciosa pena de LG

            Nomes como os de Orson Welles, Stanley Kubrick, Ingmar Bergman, François Truffaut, Federico Fellini e Michelangelo Antonioni, entre tantos outros, são foco da pena do Mestre a nos guiar delicada e inteligentemente pelas vastas searas onde se inscrevem as obras destes grandes samurais da alquimia de perceber a vida e adentrar o mundo, através de pontos-de-vista especiais transformados em sabedoria pela magia eterna da Sétima Arte.

François Truffaut está no ensaio inicial, que saúda a Nouvelle Vague…

            Conhecido nas lides cinematográficas por seu profícuo exercício da crítica, LG lança agora seu segundo livro, cujo prefácio leva a assinatura do jornalista Rubens Ewald Filho: “Tivemos o prazer de editar pela Coleção Aplauso da Imprensa Oficial uma seleção de seus textos. Mas que são apenas uma pequena representação do que ele escreveu nesta última década. Agora temos mais de seus escritos, maior e melhor. Neste livro, todos os textos referem-se a filmes, cineastas ou cinematografias especiais (como cinema alemão, sueco, americano) e há outra coisa que eu admiro, seu rigor. L.G. não  escreve sem ter visto pelo menos três vezes o filme ou a obra a qual se reporta.Antes de tudo, é um livro para mergulhar de cabeça e alma, coração aberto e olhos cheios de imagem”.

 

Stanley Kubrick, um dos cineastas preferidos de LG, retratado em ensaio antológico 

Dos mais profícuos críticos de Cinema do país, Mestre LG – como é mais conhecido – é Bacharel em Literatura de Língua Inglesa e Portuguesa, aposentado pelo Banco do Nordeste e pela Universidade Estadual do Ceará. Nascido em Fortaleza, filho de pais amazonenses, LG é jornalista, Sócio-Honorário da Associação Cearense de Imprensa e membro fundador da Academia Cearense da Língua Portuguesa. Na área do Magistério, fez estudos em Nova Iorque e estágio didático nas Escolas Berlitz e Cambridge em Manhattan, tendo lecionado por uma década no Instituto Brasil-Estados Unidos (IBEU) e na Escola Americana, sediada em Fortaleza nos anos 1960 e 1970.

Cultor de Cinema desde ainda garoto, presenciou as filmagens de Orson Welles no Mucuripe (fato registrado no documentário Cidadão Jacaré, de Firmino Holanda e Petrus Cariry), levado por seu pai (o cinéfilo e médico-pediatra Dr. João Valente de Miranda Leão, um dos fundadores da Maternidade-Escola de Fortaleza): viu o grande cineasta americano vadear na praia do Meireles e fazer algumas prises de vues. Foi dos mais atuantes membros do extinto Clube de Cinema de Fortaleza (CCF), décadas 1960 e 1970, através do qual ministrou diversos cursos e pronunciou palestras sobre A Arte do Filme com apoio nas obras de Welles, Bergman, Kubrick, Truffaut, Losey e Melville.

A Sétima Arte é assunto recorrente em seus artigos, publicados em todos os jornais já editados no Ceará.Tem artigos em diversas publicações, além de revisar, fazer apresentações e contribuir com a publicação de livros nas mais diferentes áreas, desde Poesia, passando por Cinema, Literatura, Língua Portuguesa, Inglês e diversos trabalhos acerca de Xadrez, seu exercício intelectual preferido, daí ter criado e organizar, há mais de duas décadas, o torneio Memorial CAPABLANCA de Xadrez, realizado anualmente no BNB Clube Fortaleza. Por seu dignificante trabalho em prol da Sétima Arte, recebeu homenagem do cineasta capixaba Gui Castor através do curta LG – Cidadão de Cinema, lançado em 2007. 

LG na cena de abertura do curta LG – Cidadão de Cinema, de Gui Castor

Como diz a jornalista Neusa Barbosa, “É de admirar que um profissional da crítica mantenha intocado seu fôlego intelectual tantas décadas num mister assim polêmico, não raro ingrato e carregado de incompreensões. Afinal, alguns desavisados costumam confundir os críticos com infalíveis juízes do bom gosto e alguns entre estes, os mais vaidosos, aceitam assim ser considerados. Não é o caso de Miranda Leão que, embora mestre, ensina nas entrelinhas de seus iluminados comentários com a sutileza que cabe aos dotados da melhor sabedoria, amparado numa pedagogia que vem da enorme intimidade com o assunto que comenta.{…} Mestre em literatura de língua inglesa e portuguesa, Miranda Leão domina a língua com uma fina expressão, construindo frases certeiras que, embora se alonguem num estilo precioso, cultivado em épocas mais eruditas do que esta apressada nossa, sempre sabem onde querem chegar. Suas palavras acertam sempre no alvo, construindo análises e conceitos capazes de enriquecer o universo de seus leitores”.

Walter Hugo Khoury e LG: amizade consolidada e registro em texto emocionante

Conversando com Arte em ondas sonoras…

Aurora, Daúde e Calé Alencar

Conversando com Arte, uma das boas opções do rádio cearense, vai ao ar todos os domingos, 15:00 h, pela Universitária FM – 107,9 MHz.

Programa tem como eixo uma entrevista com um nome de destaque na Arte e na Cultura, conta com patrocínio do Banco do Nordeste do Brasil, e tem produção do cantor/compositor Calé Alencar, que é um dos entrevistadores ao lado dos jornalistas Aurora Miranda Leão e Nelson Augusto. 

Em setembro passado, duas cantoras de voz poderosa foram nossas entrevistadas: a potiguar Khristal (!) e a baiana Daúde (!)… As entrevistas devem ir ao ar somente em novembro, quando o programa completa seu primeiro aniversário.

Também foram entrevistados recentemente o compositor Ednardo, o músico Pedro Rogério – cuja entrevista vai ao ar no próximo domingo -, e o jornalista Flávio Paiva, sendo que o programa também já conversou com Jorge SalomãoEmiliano Queiroz e Rosamaria Murtinho, entre tantos outros. 

Aguardem novos posts com aviso das datas.

Calé Alencar, Khristal e Aurora

BNB Mostra Canção Brasileira Independente

DAÚDE: cantora baiana é a última atração da Mostra do BNB

Começa HOJE a Mostra BNB da Canção Brasileira Independente apresentando artistas que propagam em suas localidades as experiências vivenciadas a partir de duas vertentes: diversidade e identidade.

Alheios as adversidades, participam de todas as etapas da produção de seus respectivos trabalhos, indo desde o processo de composição, passando pelo registro, assinatura de contratos, até à elaboração da apresentação junto ao publico consumidor, primando pela fusão de elementos culturais locais, regionais e planetários.

Tudo isso interagindo em perfeita sintonia, no espaço aberto pelo Banco do Nordeste, principal instituição financeira do Governo Federal dedicada às questões de desenvolvimento sustentável da Região Nordeste, para agregar e promover novos e veteranos talentos da música independente brasileira.”

PROGRAMAÇÃO :

DIA 15, QUARTA-FEIRA

12h Isaac Cândido (CE).
17h Suco Elétrico (RS).
19h Criolina (MA).

DIA 16, QUINTA-FEIRA

12h Roraima (PI).
17h Beto Brito (PB).
19h Marku Ribas e Trio (MG).

DIA 17, SEXTA-FEIRA

12h Khalil Gibran (CE).
17h Curumin (SP).
19h Khrystal (RN).

DIA 18, SÁBADO

12h Gustavo Portela (CE).
17h Marquinho Sathan (RJ).
19h Breculê (CE).

DIA 22, QUARTA-FEIRA

12h Marcus Caffé (CE).
17h Fhátima Santos (CE).
19h Mirianês Zabot (RS).

DIA 23, QUINTA-FEIRA

12h Rodger Rogério (CE).
17h Nayra Costa (CE).
19h George Israel (RJ).

DIA 24, SEXTA-FEIRA

12h Perfume de Gardênia (RN).
17h Carlinhos Nação (CE).
19h Érika Machado (MG).

DIA 25, SÁBADO

12h Soraya Castello Branco (PI).
17h Sueldo Soares (RN).
19h Fire Friend (SP).

DIA 29, QUARTA-FEIRA

12h Mel Mattos (CE).
17h Aline de Lima (MA).
19h Quinteto Agreste (CE).

DIA 30, QUINTA-FEIRA

12h Andréa Piol (CE).
17h André Marinho (RJ).
19h Daúde (BA). 

Cantor mineiro MARKU RIBAS é uma das atrações: show nesta QUINTA

As Flores das Nossas Memórias…

 

E eu Joguei Flores nas Minhas Memórias

Uma idéia recorrente, a memória, uma música na vitrola, a imaginação. A impossibilidade de sair de um apartamento, o confinamento de uma existência sem perspectivas, o riso provocado pelo absurdo de uma situação inesperada. Duas mulheres, dois caminhos paralelos, uma solidão semelhante. A rivalidade entre irmãs, o duelo na disputa pelo mesmo homem. Inveja, insensatez, sonhos não realizados, amores indefinidos, sonhos frustrados, laços desfeitos, desilusões. Surgem Maria do Desterro e Maria Lúcia, religiosidade latente, esperança de dias melhores, confronto de sentimentos, embates corriqueiros, implicâncias típicas da convivência de mundos opostos, e a fé revelada em atos cotidianamente banais.

Pelos tons do imagético piano de Antônio José Forte, a inspiração soprou feito vento nas noites de maresia sutil e envolvente como a garimpar esteio para o material da dramaturgia cênica de Caio Quinderé. Nasce a tragicomédia E Eu Joguei Flores nas Minhas Memórias.

Do papel-abrigo de muitas filigranas sensoriais, redimensiona-se a emoção e as flores da memória ganham seu merecido lugar no cenário dos grandes espetáculos.

Com estréia agendada para sábado, 21 de agosto, no Teatro Sesc Emiliano Queiroz, a montagem sobe ao palco com direção dividida entre o próprio Caio e o também ator e diretor Ilclemar Nunes. Interpretando Desterro e Lúcia, Mazé Figueiredo e Aurora Miranda Leão. A bela trilha sonora leva a assinatura do próprio Caio, a partir da composição homônima de Antônio José Forte que dá título à peça, enquanto Luciano Morais responde pela produção, e a jovem estilista Neiara Leão revela-se boa aposta do espetáculo. A peça tem patrocínio do Banco do Nordeste do Brasil através do programa Cultura da Gente.

 

SERVIÇO

E Eu Joguei Flores nas Minhas Memórias

Texto: Caio Quinderé

Direção: Caio Quinderé e Ilclemar Nunes

Onde: Teatro Emiliano Queiroz

ESTREIA: dia 21/8, sábado, 19h

Temporada: 22,28 e 29 de agosto

ENTRADA FRANCA

Viajante Solitário Ganha Manual

Lançamento dia 14 de agosto no estande da livraria Saraiva

 

“Tudo começou em 1983 com um desses telefonemas chatos de telemarketing, um cara tentando me vender um consórcio de automóvel. (…) eu resolvi encerrar o papo dizendo que, na verdade, eu já estava farto de carros e, se fosse comprar um veículo novo, seria uma moto. (…) O engraçado é que eu tinha falado aquilo pro vendedor só pra cortar o papo pois, na verdade, eu detestava motos!”

A semente plantada há 27 anos na cabeça de José Albano, um dos maiores nomes da fotografia no Ceará, deu frutos. No ano seguinte comprou uma Honda 125cc, com a qual viaja até hoje pelas estradas do País. O mais novo fruto daquela conversa de telemarketing é MANUAL DO VIAJANTE SOLITÁRIO (Terra da Luz Editorial, 2010. 112p), patrocinado pelo Banco do Nordeste do Brasil (BNB), por meio da Lei Federal de Incentivo à Cultura. O lançamento acontece no dia 14 de agosto (domingo), às 18 horas, no estande da Livraria SARAIVA, na 21ª Bienal Internacional do Livro de São Paulo. E no Dia Mundial da Fotografia (próximo dia 19, quinta-feira), às 19h, o livro será lançado em Fortaleza, no Centro Cultural Banco do Nordeste. 

 

O autor procura desmistificar as viagens de moto, o perigo que a ela é atribuída e, assim, reduzir o medo e a ansiedade ligada ao uso da moto nas estradas. “É mais perigoso usar a motocicleta na cidade do que na estrada”, comenta. “Quero dar a boa notícia de como tenho me dado bem com o meu estilo despojado de viajar”, diz o autor no prefácio intitulado “Moto de viagem?”.

 

Outro mito que José Albano põe na mesa é a moto ideal. “A melhor moto para viajar é a pequena, a comum, pois ela é mais barata, mais econômica, mais leve e tem mecânico e peça em qualquer lugar”, justifica. “E tem outra vantagem, a moto pequena corre pouco, então é menos perigosa”, continua.

 

MANUAL DO VIAJANTE SOLITÁRIO não é uma narrativa de viagens. O autor não visa contar nada, mas dar dicas para motoqueiros e, para isso, cita fatos que aconteceram em mais de 20 anos nas estradas sobre duas rodas. É um manual prático, onde instiga o motociclista a viajar.

 

O livro é dividido em capítulos que proporcionam uma espécie de diálogo com o leitor. São questões, como “Por que uma 125cc?”, “E as viagens?”, “E o desconforto?”, “E o medo?”, “E a manutenção?”, “E os perigos?”, entre outras perguntas que levam o leitor às linhas seguintes, para saber as resposta de José Albano, que são apresentadas em uma linguagem coloquial, como uma boa conversa entre motociclistas.

 

Alguns bons exemplos:

 

muita gente me pergunta quantos quilômetros eu faço por dia. Respondo: “Eu sei lá!… Depende!…” “Mas, em média, quantos quilômetros por dia?”, insistem. Respondo: “Só no fim de uma viagem, posso tirar uma média.” Mas confesso que não estou muito preocupado com esses números, não. O que posso dizer é que depende da viagem, da estrada, do clima, depende da minha disposição, da minha pressa, ou não, de chegar… Mesmo assim, depois de tantas viagens, posso dizer que rodo entre 350 e 450 km por dia, se você insiste em saber… Você acha pouco? Eu, não!”

  

Aprendi a dar uma resposta às inúmeras pessoas que me abordam com a frase: “Mas que coragem!”. A minha resposta é: “Coragem é a sua de ver a vida passar dentro de casa! Como é que você tem coragem de gastar a vida desse jeito?”

 

O livro é dedicado a J.E.R.M.L. Quem é? Nem José Albano sabe. Mas estava em um monumento erguido a esse motoqueiro falecido na estrada, nas proximidades de Icó, no Ceará. Como José Albano sabia que era motoqueiro? Tinha uma moto vermelha desenhada.   

 

Entre os vivos, o autor dedica o livro a Amarílio Rebouças, o “Bigode”, o mecânico da moto desde seus primeiros quilômetros até hoje. Foi ele quem deu o estalo para que o fotógrafo José Albano registrasse suas viagens quando disse: “Não se esqueça de tirar fotos quando cruzar uma divisa. É a prova que você tem de que esteve lá”. Conselho dado, conselho seguido. A primeira foto da primeira viagem está na página 37. Ela data de 1988 e foi feita na BR-222, na descida de Tianguá, no Maciço da Ibiapaba, Ceará.

 

QUEM É JOSÉ ALBANO

 

Nascido em Fortaleza, Ceará, em 1944, José Albano é fotógrafo desde 1967, quando cursava Letras na Universidade Federal do Ceará. Mudou-se para o Rio de Janeiro, onde trabalhou na Manchete Press Agency, agência de notícias da Editora Bloch (1969-1970). Com bolsa da Comissão Fulbright, estudou nos Estados Unidos, onde obteve o mestrado em Fotografa para os Meios de Comunicação na Syracuse University, em Nova York. Exerceu o fotojornalismo percorrendo os Estados Unidos, o Canadá e 12 países da Europa.

 

De volta ao Ceará, trabalhou na Escala Publicidade durante cinco anos, até abrir seu próprio estúdio, onde passou a fazer fotografa profissional para o comércio e indústria cearense, ilustração fotográfica de livros, restauração e reprodução de fotos antigas, retratos, documentação da paisagem, ecologia e turismo no estado do Ceará.

 

Faz fotografia de expressão pessoal documentando o movimento alternativo em todo o Brasil, as viagens de motocicleta e os meninos do Projeto Albanitos. Seu trabalho autoral foi publicado no livro José Albano 40 Anos de Fotografia (Terra da Luz Editorial, 2009). Foi contemplado com dois prêmios pelo conjunto da sua obra. Faz documentação fotográfica, junto ao seu irmão Maurício Albano, para o projeto Comida Ceará do Centro Cultural Dragão do Mar de Arte e Cultura.

“E continuo fotografando tudo o que me interessa na vida… e não é pouco!”

 

SERVIÇO

 

Manual do Viajante Solitário – Rodando de 125cc nas estradas do Brasil (José Albano. Terra da Luz Editorial, 2010. 112p) – Lançamento em São Paulo: dia 14 de agosto (domingo), às 18h, no estande da Saraiva (D12/D11), na 21ª Bienal Internacional do Livro de São Paulo (Anhembi), com a presença do autor. Em Fortaleza: no Dia Mundial da Fotografia (dia 19 de agosto, quinta-feira), às 19h, no Centro Cultural Banco do Nordeste (Rua Floriano Peixoto, 941 – Centro), também com a presença do autor.

 

LINKS

www.manualdoviajantesolitario.wordpress.com  

www.terradaluzeditorial.com.br

José Patrício: Matemática é Peça-Chave

O Centro Cultural Banco do Nordeste-Fortaleza vai abrir na próxima terça, 10, às 19 horas, a exposição individual O Número, do artista pernambucano José Patrício, com curadoria de Paulo Herkenhoff, dentro da programação do IV BNB Agosto da Arte.

Na abertura da mostra, acontecerá uma troca de idéias do artista e do curador com o público. Com entrada franca, a exposição fica em cartaz até 30 de setembro.

José Patrício, Um Artista do Número (* Paulo Herkenhoff)

José Patrício é um artista do Número. Com jogos de dominó e dados, quebra-cabeças ou grandes quantidades de objetos, como botões e contas de colar, ele cria sua linguagem do número. No entanto, é necessário olhar mais adiante. Estamos diante de jogos, de regras, códigos, quantidades, formas, sólidos geométricos, o zero e o ilimitado. A matemática organiza e até dirige a vida contemporânea. Na sociedade moderna, tudo é número: os cálculos de nossa vida, movimentos da sociedade são medidos (como a opinião), na política (o voto), sem falarmos da economia (a produção, o acúmulo etc.) e da ciência.

Esta exposição nos lança algumas questões: em termos da filosofia, qual a relação do número com a verdade? Os números mentem ou são os homens que mentem através da manipulação dos números?

Qual a relação, nos dominós, entre cor e número? Isso é pintura, quando a cor e o número formam um discurso se tornam signo da comunicação? Uma coleção de botões azuis e outra de botões vermelhos se referem ao Pastoril: como a cor pode ser um símbolo? Como percebemos o mundo através de nossos sentidos? Um trabalho com 46.872 pregos nos faz pensar no som ou nos convida ao toque? Como percebemos dominós em algumas obras se ali não existe qualquer pedra de dominó?

O que é o acaso e o controle em nossa experiência cotidiana, o que são jogos com números? O que é o caos dos números? O número nos oferece estabilidade? Quando colecionamos alguma coisa, esse movimento de juntar tem fim? Mesmo que a quantidade de uma coisa tenha fim, o número é infinito? Como experimentamos a ideia de infinitude em nossa existência? Seria isso uma relação com a vida e a morte?

Seria eu o Um, o Outro o Dois e mais um Outro o Três? O que isso significa na vivência do sujeito da linguagem? Onde está o Zero nesses jogos? O que é o Zero? É a ausência? A falta? Vivemos, como seres humanos, sempre uma ideia de falta? Seria a falta o que nos levou a construir a linguagem? É o que nos leva ao Outro? Seria a falta o próprio eu de cada um de nós? Em suma, entregar-se à obra de José Patrício é um convite ao jogo entre o olhar, a sensibilidade e a inteligência.

Obra de José Patrício reunindo 84 mil peças de dominó

Olhar de João Encanta…

O curta-metragem OLHAR DE JOÃO, com direção da jornalista goiana Mariley Carneiro, é um documentário de pouco mais de 20 minutos que vem colecionando prêmios em festivais pelo país e já tem agenda internacional.  

 

Fotográfo João Caetano, tema do DOC, com Mariley Carneiro e Jaubas Alencar, diretor de Desenvolvimento do Banco do Nordeste do Brasil no Maranhão        Foto Lauro Vasconcellos

A Sinopse do curta diz: Pensar como a natureza pensa. Mas como é pensar como a natureza pensa, se a gente não percebe a natureza e a despreza?” Ela grita, agoniza, pede socorro, mas quem vê ? O documentário Olhar de João mostra a forma singular com que o fotógrafo João Caetano, vê as faces e formas ocultas em pedras, troncos, flores e frutos. Um alerta através da fotografia. 

Sobre o filme, o cineasta Andreson Carvalho diz: 

 

Assisti ao filme e quero parabenizá-los. Ele merece não só os prêmios recebidos no Guarnicê, como muitos outros. Tudo no filme se encaixa perfeitamente. Como o próprio João disse, a música contribuiu bastante na construção do filme.

Eu, particularmente, gostei de dois momentos: quando o João relata ter-se visto pela primeira vez numa fotografia e quando ele aponta e mostra os contornos das imagens percebidas por ele.Quando o filme termina, fica aquele gostinho de quero mais. Essa, na minha opinião, é a prova de um trabalho muito bem realizado.

 

O fotógrafo João Caetano, Markinho Itapary, Andreson Carvalho e Mariley Carneiro

 

Andreson Carvalho ajudando Mariley a carregar seus “Guarnicês”… foto Aurora Miranda Leão

Para conferir o trailler, acesse

http://festivalguarnice.blogspot.com/2010/06/clicks-fotos-lauro-vasconcelos.html

Vencedores do GUARNICÊ

A simpática jornalista goiana Mariley Carneiro foi a grande vencedora da 33a edição do Festival GUARNICÊ de Cinema com seu inspirado vídeo  O OLHAR DE JOÃO…

Ela e João (o fotógrafo goiano João Caetano) estiveram em São Luís durante os cinco dias de GUARNICÊ e saíram de lá encantados com as maravilhas maranhenses…

Nas comissões julgadoras, Jorge Salomão (prestigiado Poeta baiano), Amanda Mansur (estudiosa do cinema pernambucano), João Paulo Furtado (ABD maranhense) e Beto Strada (compositor de trilhas e professor de cinema).

Num próximo post, mais notícias do Guarnicê e fotos…

CATEGORIA VÍDEO – JÚRI OFICIAL

Melhor Direção: Mariley Carneiro pelo vídeo OLHAR DE JOÃO (GO)Melhor Roteiro: Marcley de Aquino e Duarte Dias pelo vídeo CÉU LIMPO (CE)
Melhor Fotografia: Bruno Polidoro pelo vídeo ENCICLOPÉDIA (RS)
Melhor Edição: Leandro Godinho pelo vídeo DARLUZ (SP)
Melhor Trilha Sonora Original: Marcos Rivero pelo vídeo A PEDRA QUE O ESTILINGUE LANÇA(ES)
Melhor Trilha Sonora Adaptada: Para o vídeo LIGHT MY FIRE (RJ)
Melhor Direção de Arte: Luiz Roque pelo vídeo TRATADO DE LILIGRAFIA (RS)
Melhor Ator: Eduardo Sandagorda pelo vídeo ENCICLOPÉDIA (RS)
Melhor Atriz: Mawusi Tulani pelo vídeo DARLUZ(SP)
Melhor Documentário: TEREZA – COR NA PRIMEIRA PESSOA, de Amaro Filho e Marcílio Brandão (PE)
Melhor Ficção: PENSÃO DOS CARANGUEJOS, de Marcelo Presotto (SP)
Melhor Animação: LIBERTAS, de Jackson Abacatu (MG)
Melhor Vídeo Maranhense: NA COSTA DA MINHA MÃO, de Amdréa Barros
Melhor Vídeo Nacional: OLHAR DE JOÃO, de Mariley Carneiro (GO).
Menção Honrosa, pela experimentação estética, para: RUIDOS DO TEMPO, de André Garros e Gabriel Carvalho (MA)
Prêmio BNB de Cinema: Melhor Vídeo Nacional: OLHAR DE JOÃO, de Mariley Carneiro (GO)
Prêmio Cinematográfico Assembléia Legislativa do Maranhão:
Prêmio Bernardo Almeida: NA COSTA DA MINHA MÃO, de Andréa Barros (MA)
Prêmio Mauro Bezerra: NA COSTA DA MINHA MÃO, de Andréa Barros
Prêmio Estúdios Mega Rio De Janeiro: NA COSTA DA MINHA MÃO, de Andréa Barros (MA)

CATEGORIA VÍDEO – JÚRI POPULAR

Melhor Vídeo Nacional: TRATADO DE LILIGRAFIA, de Frederico Pinto (RS)
Melhor Vídeo Maranhense: MAR DE ROSAS, de Rwanyto Oscar

CATEGORIA FILME – JÚRI OFICIAL

Melhor Roteiro: Jimi Figueiredo, pelo filme VERDADEIRO OU FALSO (DF)
Melhor Direção: Gilberto Scarpa pelo O FILME MAIS VIOLENTO DO MUNDO(MG)
Melhor Fotografia: Beto Martins por AVE MARIA OU MÃE DOS
SERTANEJOS (PE)
Melhor Montagem: Caio Zatti por AVE MARIA OU MÃE DOS SERTANEJOS (PE)
Melhor Trilha Sonora Original: Marcio Brant pelo filme REVERTERE AD LOCUM TUUM (MG)
Melhor Trilha Sonora Adaptada: BAILÃO, de Marcelo Caetano (SP)
Melhor Direção de Arte: Ricardo Movits pelo filme EVRDADEIRO OU FALSO (DF)
Melhor Ator: Auro Juriciê pelo filme VELA AO CRUCIFICADO (MA)
Melhor Atriz: Elza Gonçalves pelo filme VELA AO CRUCIFICADO (MA)
Melhor Documentário: AVE MARIA OU MÃE DOS SERTANEJOS, de Camilo Cavalcante(PE)
Melhor Ficção: VERDADEIRO OU FALSO, de Jimi Figueiredo (DF)
Melhor Animação: A ESPERANÇA É A ÚLTIMA QUE MORDE, de Nill Armstrong (CE)
Melhor Filme: AVE MARIA OU MÃE DOS SERTANEJOS, de Camilo Cavalcante (PE)
Prêmio BNB de Cinema: AVE MARIA OU MÃE DOS SERTANEJOS, de Camilo Cavalcante (PE)
Prêmio Megacolor: AVE MARIA OU MÃE DOS SERTANEJOS, de Camilo Cavalcante (PE)
Prêmio Kodak: VELA AO CRUCIFICADO, de Frederico Machado (MA)

CATEGORIA FILME – JÚRI POPULAR

Melhor Filme: VELA AO CRUCIFICADO, de Frederico Machado (MA)