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Maria Maya brilha em sua cena final de ‘Amor à Vida’

Personagem era apenas uma garota apaixonada sem ser correspondida… com o passar do tempo, uma virada e Alejandra revela-se tremenda vilã e traficante…

No início da novela, apenas uma hippie amiga de Paloma, vivida por Paolla Oliveira…

Talento ela tem. E muito. Não é pra menos: a avó era uma grande atriz – Lupe Gigliotti. O tio avô (e padrinho de batismo) era conhecido e aplaudido no mundo inteiro como o Rei do Humor Brasileiro. Ninguém menos que o cearense Chico Anysio. O pai é ator e diretor, e tem uma escola de teatro: Wolf Maya. Tem tio cineasta – Zelito Vianna – e primos atores – Marcos Palmeira e Bruno Mazzeo, para citar só os mais conhecidos. E a mãe é a grande atriz e festejada diretora, Cininha de Paula.

Maria Maya: com veias onde escorre talento, lapidado com vocação, beleza e amor ao ofício…

Portanto, seria quase impossível traçar outro caminho para Maria Maya que não fosse o de enveredar por palcos, telas e televisão. Porque talento, nem precisa duvidar, ela tem correndo nas veias.

A cena final da personagem Alejandra em Amor à Vida

No capítulo de Amor à Vida desse sábado, marcado para as últimas cenas de Maria Maya na trama, sua personagem – que tornou-se a bandida Alejandra -, morre vitimada por uma ação dela própria: ela faz um contrabando de drogas para o país dentro de seu corpo, mas acaba sofrendo uma intoxicação.

Alejandra era uma boa amiga de Paloma (Paolla Oliveira) nos primeiros capítulos, mas logo o público pôde perceber a paixão não correspondida que ela tinha por Ninho (vivido por Juliano Cazarré) e sua desmedida ambição por subir na vida. Com o desenrolar da trama, Alejandra tornou-se uma perversa vilã. Sua intérprete, Maria Maya diz ter se surpreendido com a virada: “Fiquei muito feliz com a confiança que o Walcyr depositou em mim. Esse personagem foi uma grande oportunidade de revelar várias facetas de uma pessoa só. São várias Alejandras: a hippie, a traficante, a apaixonada, a rejeitada e, no final, a cruel e violenta. Nunca havia interpretado uma personagem com estas qualidades ou defeitos”, afirma Maria.

Com Juliano Cazarré em cena de ‘Amor à Vida…’

Alejandra veio somar-se a uma carreira (com mais de uma década) já recheada de personagens distintos, todos feitos com inquestionável dedicação e competência.

Com a avó, Lupe, e a mãe, Cininha: família pródiga em grandes talentos…

Maria Maya conta: “Comecei na TV aos 9 anos de idade e, no teatro, aos 12. Foi ela que me apresentou o grande valor dessa profissão. Então, ficamos muito unidas nesse momento. Mas hoje eu prefiro não misturar muito as coisas. Construo os meus personagens e depois pergunto o que ela acha”. 

Como Raíssa na novela Aquele Beijo, de Miguel Falabella…

As novelas são muitas e aqui vamos destacar aquelas às quais tivemos a oportunidade de assistir: Salsa & Merengue, de Miguel Falabella; Chocolate com Pimenta, de Walcyr Carrasco; Senhora do Destino, de Aguinaldo Silva; Cobras & Lagartos, de João Emanuel Carneiro; Caminho das Indias, de Glória Perez; e Aquele Beijo, de Miguel Falabella; além das minisséries A Muralha, Hilda Furacão, e O Quinto dos Infernos.

Maria Maya num de seus grandes momentos na TV vivendo a rebelde Inês, personagem marcante em Caminho das Indias

Maria Maya no teatro contracenando com Rodrigo Nogueira em “Obituário Ideal”

É Maria quem diz: “Já fui assistente de direção e me formei na Globo como diretora. Tenho vontade de seguir isso também mas, por enquanto, vou aproveitar para trabalhar bastante como atriz. Existem temáticas e personagens que ainda quero abordar. Também quero explorar mais o cinema. Fiz uma participação em “Se eu fosse você 2″ e adorei. Vou deixar a direção mais para a frente. Tenho um olhar muito forte para isso. Está no sangue”.

 

Ma teatro

Maria Maya em cena no mais recente trabalho no teatro, o espetáculo “POPCORN, qualquer semelhança não é mera coincidência”, de Jô Billac… 

Maria Maya e a mãe Cininha de Paula: caminhos semelhantes que se cruzam em respeito, cumplicidade, amor, vocação e talento hereditário…

Guerra dos Sexos: ‘farsa’ envolvente e cheia de grandes atuações

Novela de Sílvio de Abreu tem grandes atuações e momentos hilários

A novela Guerra dos Sexos, atração das 19h na telinha da Globo, demorou pra engatar, mas há meses vem tendo boa audiência. Agora, nesta reta final – termina dia 27 -, vem tendo grandiosos momentos de atuação, direção, dramaturgia.

A novela assume claramente o gênero farsesco, e talvez o não entendimento do gênero tão logo a novela começou, seja o motivo para a baixa aceitação da trama no início. A ‘farsa’ vem anunciada desde a abertura da novela, na qual ‘as cartas são logo colocadas na mesa’ com animações evidenciadoras do jogo entre o gato e o rato, o gato e o cachorro, como clássicos exemplares da guerra entre os gêneros. Acresce-se ainda nesta releitura da obra de 1983 a bela homenagem do autor aos primeiros protagonistas da trama, Fernanda Montenegro e Paulo Autran, presentes no cenário principal em quadros com as imagens dos personagens Charlot e Otávio (cujos olhos se movimentam), mais um ícone reafirmador do assumido estilo farsesco.

Em post anterior, falamos aqui em alguns ‘trunfos’ da obra, citando a atuação de Tony Ramos, Drica Moraes e Marianna Armellini como grandes DESTAQUES.

E de fato, estes três atores, cada um de forma exponencial, criaram e desenvolveram personagens com competência, maneiras de ser e estar muito peculiares, e inegável talento. E, sobretudo agora, quando o desfecho se aproxima, é preciso reiterar a vontade de ‘Tirar o Chapéu’ para estes três atores – Tony, Drica e Marianna -, os quais assinam com maestria as cenas mais eloquentes da bem armada trama de Silvio de Abreu.

Como ‘Nieta’, Drica Moraes irradia vocação num dos melhores papéis da carreira…

Ao lado de Fernando Eiras, Drica Moraes responde por cenas irretocáveis…

Tony Ramos e Drica Moraes já eram bem conhecidos do público e da crítica, todos sabemos de suas atuações memoráveis, mas isso não os faz menos merecedores de comentários elogiosos e aplausos calorosos. Tony exacerba dna capacidade de atuar com extrema competência, e Drica Moraes assumiu a personagem ‘Nieta” como um desafio, criando uma das melhores coisas da trama e um dos mais relevantes papéis de sua carreira.

O linguajar típico da moradora de subúrbio paulista, iletrada e tosca, e a junção disso com sutilezas de trejeitos, falas e achaques que a atriz emprestou à personagem fazem da sua Nieta um trunfo de Guerra dos Sexos e um dos melhores papéis de sua carreira tão pródiga em grandes trabalhos, sobretudo no teatro e cinema.

Marianna Armellini: a ‘Frô’ cheia de caras e bocas, fofocas e paixão recolhida…

Ao lado deles, esta atriz, Marianna Armellini, quase iniciante, jovem, cheia de vocação e sutilezas de intérprete, torna-se uma grata surpresa da novela, inserindo-a já como um dos grandes DESTAQUES da telinha neste 2013.

Johnny Massaro e Marianna Armellini: os atrapalhados Kiko e Frô em Guerra dos Sexos

É sensacionallllll a ‘Frô’ criada por Marianna Armellini. A atriz afirma um talento raro e salutar para a comédia, sendo egressa da ECA (uam das mais respeitadas escolas de Dramaturgia do país, ligada à USP) e, portanto, tendo passado por grandes construções drampaticas também. O que só confirma que os grandes atores da Comédia alcançam esse estágio depois de muito exercitar-se nos pântanos da Tragédia. É lá, sobremodo, que aprendem a destrinchar os meandros da condição humana, onde tem mais e maiores oportunidades de depurar a sensibilidade em exercícios de introspecção e mergulho fundo nas dores humanas, e de lá, emergem então com força de ciclone para os intrincados e sutis caminhos da comédia.

Marianna Armellini é um exemplo típico disso. A ela, a esta Atriz que muito ainda vai nos deliciar com a força de seu carisma e a competência de sua capacidade interpretativa, o carinhoso Aplauso AURORA DE CINEMA.

Nesse mesmo viés, queremos ressaltar a atuação altamente sensível e convincente de Reynaldo Gianechinni. É impressionante como tem vocação e talento este Ator. Muitas vezes ‘atrapalhado’ por sua beleza física, que por vezes deixou e deixa muita gente sem prestar atenção no quanto é intensa, eloquente e sensível sua interpretação, Giannechini fez do papel de Nando outro destaque de Guerra dos Sexos e, sobretudo, um destaque em sua lista de personagens.

Mariana Ximenes e Gianecchini: o amor atrapalhado e cheio de paixão de Juliana e Nando…

Quem primeiro me chamou a atenção para o talento e versatilidade de Gianny foi Aderbal Freire-Filho, ator/dramaturgo e consagradíssimo diretor de Teatro e encenador, de quem tenho a honra de ser conterrânea, e a alegria de ser amiga e ex-aluna. Lembro que, em conversa com Aderbal há alguns anos, ele me falava do quanto se impressionara com Gianny, a quem ele foi dirigir atendendo a convite da jornalista Marília Gabriela. A partir daí, Gianny passou a ser pra mim um Ator em quem deveria prestar atenção com cuidado e olhar dedicado.

Reynaldo Gianecchini em grande momento como ‘Nando” de Guerra dos Sexos…

Pois quando vejo agora o que Gianny vem alcançando em empatia, força e imenso poder de persuasão com sua refinada criação para o caipira Nando só me lembro do quanto é sábio Aderbal Freire-Filho e o quanto Gianecchini é, de fato, um Ator digno de nossa melhor atenção, nosso maior carinho e mais veemente aplauso. Que grande Alegriaaaaaaaa é acompanhar as inocências, trapalhadas e sem jeitices de Nando ! Quanta verdade Gianny soube emprestar ao personagem, tornando-o crível num piscar de olhos e respondendo por algumas das mais marcantes e hilárias cenas da gostosa trama de Sílvio de Abreu.

Mas nenhuma obra de arte dramatúrgica se faz só: se o conjunto dos trabalhadores envolvidos não for inteiramente competente e dedicado, a obra não vai funcionar como um TODO – harmônico, bem absorvível, verossímil, e no qual se mergulha com vontade, entrega e assinando o pacto implícito, proposto pela ficção.

Assim, cabe afirmar: os méritos de Guerra dos Sexos – e são muitos – cabem a uma trama bem forjada, repleta de qualidades, amparada numa equipe técnica primorosa e num elenco afinado, coeso, e repleto de excelentes intérpretes, os quais dignificam e dão respaldo à obra aberta de tão difícil consecução e tão pouco olhar sem preconceito e análise séria por parte da crítica.

Irene Ravache, Glória Pires, Edson Celulari, Marilu Bueno, Eriberto Leão, Fernando Eiras, Bianca Bin, Luana Piovanni, Mariana Ximenes, Daniel Boaventura, Johnny Massaro e Débora Olivieri são os principais alicerces da atuação em Guerra dos Sexos. Todos eles estão ótimos em seus papéis. E como é gostoso observar a maestria com que atores criam seus personagens – dos mais ‘bobos’ aos mais ‘compenetrados’ ! Como é bom deliciar-se vendo o trabalho competente desta turma que faz Guerra dos Sexos ! E, ademais, como é lindo ver um trabalho com o vigor, a acuidade e a alquimia que conseguimos constatar ao assistir à Guerra dos Sexos.

Nesta reta final, vale destacar a impressionante capacidade interpretativa de Tony Ramos. Tendo de assumir ‘dois’ papéis de uma hora pra outra – saudável ousadia da trama que Tony agarrou com unhas e dentes -, ao mesmo tempo fazendo um brasileiro arrogante, chato, mandão, e um português agradável, refinado, bonachão, o ator vem fazendo boas ‘misérias’ na telinha, e arranca dúvidas até de quem acompanha a trama.

Tony está num momento absoluto de magistral criação, vivenciando lances impagáveis e extrapolando em sua condição de Ator Magnífico, cuja excelência já é tão conhecida de todos.

Tony Ramos como o português Dominguinhos em ‘Guerra dos Sexos’…

Dá gosto ver o ator em cena, cheio de caras e bocas (como exige a ‘farsa’ em que está inserida a trama), trejeitos e achaques impecáveis, que ele compõe com invejável talento, escancarando competência e demonstrando enorme prazer no que está fazendo.

É bom demais acompanhar os apuros e controvérsias em que se metem os personagens dos primos Otávio e Dominguinhos, grande sacada desta trama que vai se afirmar – mesmo tendo demorado a emplacar – como uma das mais criativas e bem realizadas do horário das 19h.

‘Guerra dos Sexos’ vai deixar saudades…

Por tudo isso, um grande VIVA ! à equipe criadora da novela, Parabéns ao autor Sílvio de Abreu, ao diretor Jorge Fernando (!), e um enorme e caloroso APLAUSO AURORA DE CINEMA para este elenco formidável que vem possibilitando intensos momentos de boa diversão diante da telinha, em horário sempre difícil de emplacar.

Jorge Fernando e Tony Ramos: diretor e protagonista em parceria perfeita…

PARA ENTENDER MELHOR A FARSA:

O gênero dramático FARSA caracteriza-se por seus personagens e situações caricatas. Distingue-se da comédia e da sátira por não preocupar-se com a verossimilhança nem pretender o questionamento de valores. Busca apenas o humor e, para isso, vale-se de todos os recursos: assuntos introduzidos rapidamente, evitando-se qualquer interrupção no fio da ação ou análises psicológicas mais profundas; ações exageradas e situações inverossímeis.Recorre a estereótipos (a alcoviteira, o amante, o pai feroz, a donzela ingênua) ou situações conhecidas (o amante no armário, gêmeos trocados, reconhecimentos inesperados).

A estrutura e a trama farsesca baseiam-se em situações nas quais as personagens se comportam de maneira extravagante, ainda que possam manter no geral uma cota de credibilidade.

Misto de comédia e crítica social dos comportamentos desviantes, o gênero FARSA surgiu em meados do Século XII com o Teatro Medieval e ainda hoje destaca-se como gênero literário muito usual na literatura popular universal. O objetivo sempre foi arrancar gargalhadas do público.

Edson Celulari, Glória Pires, Sílvio de Abreu, Mariana Ximenes, Tony Ramos, Irene Ravache, Gianecchini e Jorge Fernando…