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CARPINEJAR e o sapato para colocar lembranças na lareira no Natal

São milhares de leitores, que crescem a cada nova postagem, e, portanto, a cada dia: CARPINEJAR escreve diariamente, chegando a um total de 9 crônicas por semana, sem contar os twittes, os posts no Instagram, as participações no rádio e na TV.

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Somos ABOLUTAMENTE ENCANTADOS com o Poeta, o mais fabuloso ícone da Literatura Gaúcha Contemporânea.

Mais uma vez. não deu pra resistir: lendo a crônica desta terça do Poeta no jornal Zero Hora, um arrepio emocionado apoderou-se de nós, ao passar de cada oração. CARPINEJAR extrapola no seu direito de ser Poeta ! Exacerba no seu Dom de Encantar ! Só a Sabedoria Infinita para conseguir explicar tanta Sensibilidade, Empatia, Inteligência e Beleza reunidas numa única pessoa, embora esta pessoa seja a tradução de um verdadeiro coletivo:

CARPI é jornalista, Escritor, Poeta, Cronista, Apresentador de TV, professor, palestrante, letrista, enfim, CARPI não existe em versão principiante: ele é MULTIFÁRIO !

O incansável e retumbante #AplausoBlogAuroradeCinema para FABRÍCIO CARPINEJAR !

O SAPATO DA FILHA

* Fabrício Carpinejar

Só agora, depois de dois anos da tragédia de Santa Maria, após a perícia e a investigação policial, os familiares podem reaver os pertences de seus anjos da noite infernal de 27 de janeiro de 2013 na boate Kiss.

Não resisti em chorar – eu que tenho uma filha de 20 anos –, quando vi na televisão que um dos pais dos 242 mortos estava procurando o sapato que faltava de sua adolescente.

– Preciso achar!

Sua filha foi puxada dos escombros e do incêndio com o pé direito descalço. Aquele pai desesperado e angustiado com a perda irreparável está obcecado em vestir pela última vez sua menina.

Aquele pai sabe o que significa o sapato para uma mulher. Sabe o quanto a filha escolheu o sapato para a balada. Sabe o quanto brigou pelo sapato, dizendo que era caro mas iria durar. Sabe o quanto ela não tiraria o sapato por nenhum motivo, para não sacrificar o charme e a elegância durante a festa.

Aquele pai encarna o conto de Cinderela ao avesso. Pretende calçar a filha para reaver a paz em si.

É o mesmo sapato de crochê que botou em seu bebê assim que nasceu. É o mesmo sapato que ensinou a amarrar quando ela tinha sete anos. É o mesmo sapato que ele pisou, desajeitado, quando dançava a valsa de debutante de sua jovem. É o mesmo sapato com que comemoraram a entrada na faculdade.

O sapato é, neste momento, todos os sapatos da vida de sua filha. O sapato que restou. O sapato sobrevivente. O sapato do qual ele nunca esquecerá o número. O sapato último, definitivo, que não poderá ser substituído por mais nenhum aniversário.

O sapato que vai equilibrá-lo no pesadelo, na oração, na dor. O sapato para colocar lembranças na lareira no Natal.

O sapato viúvo dos amores que ela não teve, órfão dos pais que ficaram.

O sapato que é uma forma enlouquecida do pai de continuar caminhando com sua filha.

O sapato sem estrada, sem futuro, andando de volta ao passado.

O sapato envernizado, de couro, ainda novo, arrancado precocemente de sua dona.

O sapato que daria para muitos verões, milhares de sóis, infinitas ladeiras.

O sapato que não se gastou, mais longevo que o destino de uma adolescente.


O sapato que é a possibilidade de segurar o chão de sua filha por mais um instante, de oferecer chão para sua filha.

O par não terminará incompleto, apesar da enorme injustiça no coração.

Entre uma montanha de bonés, colares, alianças, celulares e identidades, o pai tentará reconhecer o sapato de sua filha. E levar para casa algo salvo daquela noite.

Publicado no jornal Zero Hora
Coluna semanal, p. 4, 09/12/2014
Porto Alegre (RS), Edição N°18008

Sexta é dia de Carpinejar no Rio !

Poeta lançará mais recente livro, sexta, no RIO !

Na Livraria da Travessa, no shopping Leblon, a partir das 20 horas…

O blog Aurora de Cinema recomenda.

“A melhor poesia é aquela que se faz sem ter consciência de se estar fazendo. Quando você não quer impressionar. Quando você é normal, pacato, sincero, autêntico”.

Fabrício Carpinejar é o mais eloquente poeta brasileiro contemporâneo.

Não à toa, o público do Poeta aumenta diariamente e suas páginas nas redes sociais são infladas de amigos, admiradores, e seguidores que não cansam de aumentar e de repercutir o magnânimo poeta gaúcho aos quatro ventos…

Lê-lo é um prazer e uma ‘obrigação’ necessária para quem aprecia as boas emoções e a escrita desenhada poeticamente, seja em verso ou namorando com a prosa.

Fabrício Carpinejar é visceralmente antenado com a contemporaneidade e tudo que escreve é tão bem elaborado, e escrito com tanto sentimento, que a sensação é de que um escritor como ele a gente quer ter do lado, sempre, como um confidente, um amigo, um parceiro de emoções.

Escrevendo, falando, respondendo entrevista, autografando ou apresentando seus programas no rádio e na TV, CARPINEJAR é sempre motivo de aplausos

FABRÍCIO CARPINEJAR é encantatório !

“Eu sinto uma alegria enorme de escrever, não importa como”.

“Não quero dizer uma coisa por dizer. Tenho que sentir necessidade, tenho que sentir essa avidez. Na verdade, eu acho que sou mais perigoso com a prosa. Sou mais incisivo. Mas eu estou usando a poética ao fazer prosa. É um vestíbulo da
poesia”.

“Escrever para mim é igual, não importa o meio. O que importa é a intensidade”.

A Internet é um livro em que o autor e o leitor se lêem ao mesmo tempo. Interatividade pura. E o texto não termina com o ponto final do autor. Ele continua com cada comentário, que vai acrescentar uma lembrança, uma descrição, uma evocação, uma opinião. Na verdade, eu sou um apaixonado pela insuficiência da literatura. Quero que a literatura nunca seja suficiente”.

Espero